TSM#4 – comparação entre mães

TSM#4 - Comparação entre mães

Fala galera! Hoje é dia de terapia do ser mãe aqui no blog! Vamos conversar um pouco sobre maternidade?

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Se comparar com os outros é um ato natural e humano. A gente faz isso o tempo todo, e isso é uma tentativa de avaliar e se perceber parte de um grupo. Por isso mesmo é tão difícil deixar de se comparar. Nos comparamos a outras pessoas para descobrir semelhanças e diferenças com essas pessoas que funcionam como parâmetros. O problema é o julgamento que vem logo em seguida, embutido no ato de se comparar que nos faz estabelecer uma hierarquização entre os elementos comparados. Este é o certo, aquele é o errado. Este comportamento é superior e aquele, inferior. Este é jeito criar os filhos é o melhor e aquele é o pior. As comparações acabam tomando um viés competitivo e rotulador, e isso não é bom pra ninguém.

O primeiro ponto desse pensamento é a importância de evitarmos comparações com as práticas e vivências de outras mães. E a gente esquece disso o tempo todo, principalmente quando vemos uma mãe com a casa arrumada, filhos felizes e vida organizada enquanto  a nossa vida está um caos, tudo bagunçado e crianças totalmente fora de controle. A primeira coisa que a gente pensa é o quanto aquela mulher é “melhor” mãe, não é? Então, isso é nocivo pra caramba, porque desconsidera todo o nosso esforço e toda a especificidade da nossa própria família. A gente não sabe o que passa naquela casa pra ela conseguir este nível de organização, e mesmo quando a gente sabe, nem sempre as técnicas empregadas lá funcionam de fato na nossa família. Porque as pessoas são diferentes! Não em jeito!

Se comparar a outras mães é inútil, ineficaz e ineficiente! A gente só se desgasta com essas comparações e se deprecia. Toda família tem suas dificuldades e desafios. E a maternidade não é uma competição entre mulheres-mães.

Esta é a sua família

O livrinho, como eu já disse, tem uma pegada bem religiosa e pra quem acredita em Deus, essa frase já é determinante pra enfraquecer o desejo de se comparar a outras mães. Mas mesmo sem uma explicação espiritual pra isso, o fato de que esta é a sua família não muda. É com estas pessoas que você, como mãe, precisará interagir e construir um consenso, então não há porque se comparar. São pessoas com personalidades diferentes, que valorizam coisas diferentes, assim como você não é exatamente igual às outras mães. Então não tem como acreditar que um mesmo método cristalizado de educação e de negociação familiar funcionará para as duas famílias.

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Aceitar que somos diferentes e que reagimos de forma diversa a cada ação, é o primeiro passo para resistir à tentação da comparação. A mãe da sua família é você e a criação de filhos não é uma competição entre mulheres, não custa repetir.  Tudo que você precisa fazer é buscar o melhor para você individualmente e para seus filhos e sua família como um todo. O melhor é o que pode ser feito. Não adianta colocar as práticas de outras famílias em um pedestal se nada daquilo é aplicável à sua realidade.
Esta é a sua família e você tem todas as ferramentas pra fazer funcionar da melhor maneira para vocês. Não adianta se comparar com outras dinâmicas e realidades quando essa comparação gera frustração e sentimentos de inferioridade e impotência. Aprender com outras práticas familiares, se inspirar em atitudes de outras mães é maravilhoso e ajuda bastante, mas sem essa carga emocional negativa que a comparação trás.

A rivalidade entre mulheres e a mãe negra

Essa prática de comparação entre mães é reflexo de uma cultura machista que estimula a rivalidade entre mulheres. Cada vez que a gente entra nesse jogo perverso, estamos fortalecendo estruturas machistas. Estamos fortalecendo a crença de que mulheres ~naturalmente ~não se dão bem. A gente não precisa disso. Precisamos nos fortalecer mutuamente, precisamos nos apoiar. Quando a gente não se compara a outra mulher a gente sai da lógica de competição entre mulheres e entre na lógica da sororidade.

Quando a gente pensa especificamente a situação das mães negras,  cenário de competição é ainda mais cruel. Somos a maioria dentre as mulheres que criam e educam seus filhos sozinhas. Somos a maioria dentre as mulheres que trabalham para garantir o sustento dos filhos. Somos a maioria dentre as mulheres que estão em situação de  vulnerabilidade social. Então, se comparar com outras mães chega a ser uma crueldade com nós mesmas. É humanamente impossível que a gente siga todas as dicas que vemos em blogs maternos ou ser aquela mãe da propaganda de tv. Não dá! A realidade é outra e muito mais dura para as mães negras.  Por isso, não se cobre por não conseguir implementar todas as dicas daquele livro de referência.

Deixar de se comparar às outras mães torna o exercício da maternidade mais leve, além de te dar mais confiança para realizar as coisas à sua maneira.


Bom pessoal, esse foi o terapia do ser mãe desta semana. Pra quem está chegando agora, eu explico direitinho a proposta dessa série  de postagens aqui.

E aí, vocês se comparam muito a outras mães? Deixem os comentários aí embaixo ou em nosso facebook!

Até a próxima semana!

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TSM #3 – Conselhos repreensivos

Depois de uma eternidade, finalmente consegui retomar a regularidade (que nunca existiu) de postagem aqui no blog e retomo também a proposta do terapia de ser mãe. Confesso que fiquei bem chateada quando roubaram meu celular que tinha os áudios de tudo que meio a mente quando eu li o livrinho. Aí fiquei chateada, frustrada e deixei de lado. Mas agora já superei essa adversidade e resolvi parar com essa sofrência de lamentar o material perdido. Bora pra mais uma edição do Terapia do Ser Mãe? Hoje vamos falar do conselho número 3 do livrinho. Preparadas? Então acompanhem aqui:

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Gente, dar pitaco todo mundo quer né? Ainda mais em se tratado de criação de filhos. Não é a toa que dizem por aí que todo mundo é ótima mãe até ter filhos. Porque quando é à vera, a coisa muda de figura. Seu filho idealizado não age da forma que você previu. Você não é tão convincente  e capaz de fazer tudo acontecer da forma que você quer só com um olhar. Você percebe que na prática, toda aquela teoria de como criar filhos não se aplica, simplesmente não dá pra você fazer aquilo daquela forma que você pensou que faria. Enfim, na vida real, você lida com situações reais, e  tudo é imprevisível.

Se você, como mãe, consegue perceber tudo isso, então já deu pra sacar que não adianta tentar dar fórmulas mágicas pra ninguém né? Funcionou na sua casa? Que lindo! Compartilhe a sua experiência e inspire e ajude outras famílias. Mas não venha ditar regras né? Não precisa criar um manual de como ser uma mãe perfeita como você porque todas as suas técnicas podem não servir de nada para outras mães, em outras famílias, outros contextos.

De boa intenção o inferno está cheio

 

Quantas vezes pessoas estranhas já vieram repreender você pela forma como você estava cuidando das suas crianças? Isso é super comum né? Mas como isso é opressor! Ainda mais quando parte de uma mulher mais velha, ou mais experiente com crianças.  Já ouvi várias vezes ” você não pode deixar essa menina assim, sem casaco. Tá frio!” E a menina fica derretendo de calor assim que eu cedo às pressões e coloco um casaco.  Minha filha tava sem casado porque eu sei como se comporta o corpo dela. Eu sei que ela não está sentido frio, mesmo que esteja um pouco frio para as outras pessoas.  O meu instinto e a minha experiência diante da minha família balizam as minhas decisões. E aí, chega uma pessoa estranha, que não nos conhece e me aconselha, em tom de reprovação, a fazer algo?  Isso não ajuda nenhuma mãe! Como já falamos e já sabemos, a maternidade é uma eterna fonte de culpas. E não ajuda em nada certas pessoas interferirem de forma tão hostil em nossos procedimentos e decisões cotidianas.

Algumas pessoas estão sempre prontas para dar pitacos na vida dos outros. Sabe, aquele discurso do “se fosse meu filho não faria isso”. Nem sempre no sentido de nos diminuir ou humilhar, muitas vezes essas pessoas acham mesmo que tem algo ~ revolucionário ~ para ensinar. Como se nós, mães, estivéssemos o tempo todo em busca de alguém para nos ensinar a cuidar dos nossos filhos. Nem sempre a gente está precisando de ajuda e nem sempre essa intervenção em tom de ~ ajuda~ é oferecida para nos ajudar de verdade.

Sobre a nossa necessidade de se empoderar

A maternidade é marcada pela insegurança e pelo desejo constante de fazer o melhor para nossas crias. Umtsm3 - conselhos repreensivosa das primeiras coisas que uma mãe precisa é aprender a confiar em si mesma. Confiar em suas próprias e não comprar esse discurso da culpa que a sociedade tenta nos vender. Você provavelmente conhece várias pessoas que falam em “culpa materna”. Mas toda essa culpa que a gente às vezes carrega só serve pra tornar ainda mais difícil o nosso cotidiano. A gente não precisa disso! A gente não precisa internalizar esse discurso de que somos culpadas por tudo que foge do padrão na nossa maternidade.

Todo mundo erra e ser mãe não nos faz imune a isso. Pense na sua mãe: quantas vezes você não pensou que a decisão tomada por ela não era a melhor no momento? Quantas vezes ela mesma reconheceu isso? A gente tenta sempre fazer o melhor, mas nunca será perfeito. Nunca será! Então o melhor mesmo é confiar em si mesma, confiar em suas escolhas e decisões e seguir em frente. Errou? Tenta consertar. Não dá mais pra fazer diferente? Mude a partir de agora e aprenda com o passado.

Aceitar as nossas limitações é um caminho para o nosso empoderamento e para que a gente possa lidar melhor com a enxurrada de conselhos repreensivos que recebemos.


E aí, o que você achou desse pensamento? Concorda, discorda… já recebeu muitos “conselhos repreensivos”? Conta aí…

E se você não sabe que livro é esse que eu estou usando como base para essas postagens, dê uma olhadinha neste texto onde eu explico a proposta deste projeto.

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Miss Brasil 2016 – Black is beautiful?

No sábado passado foi eleita a Miss Brasil (nome da marca patrocinadora do evento) 2016. Mais uma miss eleita numa versão modernizada da objetificação da mulher. Sim, podemos tecer várias críticas a esse tipo de concurso. Os concursos de beleza não têm mais a mesma importância de outrora: não param o país, não tem grandes destaques na mídia, não atraem nem grandes marcas e profissionais do ramo da moda. Mais ainda existe uma tentativa de manter o glamour da competição e, por mais que a gente negue, ainda gera uma repercussão e muito assunto nas rodinhas de conversa.

                                                                                                               Lucas Ismael/Divulgação

Em 2016 percebemos um fenômeno que concentrou a atenção da comunidade negra: 6 mulheres negras foram escolhidas como misses em diferentes estados. A cada eleição de uma miss negra estadual, mais as pessoas negras se sentiam representadas. Foi um movimento muito bonito de valorização da estética negra. E isso vale muito para o fortalecimento da autoestima das pessoas negras.
Todo esse movimento de valorização da beleza negra tornou a vitória de uma mulher negra no concurso de Miss Brasil algo esperado. A estética negra está na moda, e quem valoriza isso alcança uma parcela do mercado que está sedenta maior representatividade. Diversas marcas de produtos de beleza estão lançando linhas voltadas para a pele negra e para os cabelos crespos e cacheados. Eles estão começando a enxergar o potencial desde público consumidor e a valorização das modelos negras nesse concurso de beleza é uma prova disso. O que mudou no país de 2015 para 2016 que provocou uma mudança radical no perfil das candidatas do concurso? O empoderamento da mulher negra, passando pela valorização da estética negra, dos cabelos crespos!
A primeira (e única) mulher negra a ganhar esse concurso foi Deise Nunes, em 1986. São 30 anos de concurso e só agora, a segunda mulher negra foi agraciada com o título de mulher mais bonita do país. Em um país com mais de 50% de população negra. Essa é a nossa realidade. Em 30 anos nenhuma mulher negra que passou por aquela passarela foi considera suficientemente bela para carregar a coroa de Miss Brasil. Fiz uma busca pelas candidatas aos concursos dos últimos 5 anos. Em 2015 não identifiquei nenhuma candidata negra. Em 2014, 3 candidatas negras, sendo 2 de pele escura e cabelos crespos. Não passaram da primeira fase. Em 2013, 1 candidata de pele bem escura que conseguiu o terceiro lugar. E em 2012 identifiquei 2, sendo que apenas a de cabelo alisado conseguiu uma vaga no top 10 da competição. Nesta edição, foram 6 candidatas, sendo que apenas a de pele mais escura não conseguiu fazer parte do top 15.

Não sou fiscal da negritude de ninguém, mas o resultado do concurso nos mostra qual é a beleza negra que agora está sendo valorizada. E mostra o quão recente é essa valorização. Uma beleza negra que se aproxima dos “padrões” brancos. Uma beleza negra que pode vender shampoo para cabelos cacheados, e não exige um produto específico para cabelos crespos. Que pode ocupar o espaço de pele “morena escura” na paleta de cores da maquiagem. Beleza que está na moda, na carona de todo um movimento de empoderamento da população negra. A moda se apropria de um movimento e o ressignifica, excluindo a nossa crespitude, a nossa pele carregada de melanina. É mais uma tentativa de nos dizer o que é belo, como devemos ser.

Eu sinceramente fiquei muito feliz com a vitória de Raíssa Santana. De verdade. Ela conquistou os jurados de cara, ganhou as provas de maquiagem e estilo. E fiquei mais feliz ainda com a união e a quantidade de mulheres negras participando e se destacando ao longo do concurso. Nossa beleza existe e precisa ser valorizada. Não estou aqui para desmerecer a vitória da Raíssa e a presença de todas as outra, longe disso. Minha intenção é que a gente não fique só no padrão da moda, que a gente tome esses casos como exemplo e realmente rompa barreiras, a ponto dos jornais não acharam mais natural noticiar a vitória de uma mulher negra em um concurso de beleza como algo exótico e extraordinário. Que a vitória de uma mulher negra em um concurso de beleza não seja apenas um reflexo de uma moda “black is beautiful” transitória, que só se repetirá daqui há 30 anos. Que mulheres de pele mais escura também possam ocupar esse espaço.

São 62 anos de concurso de Miss Brasil e até agora só duas mulheres negras ganharam. Que Raíssa, assim como Deise foi em 68, seja mais que uma pioneira solitária. E que a nossa estética esteja de fato sendo incluída no mercado da beleza, não como uma moda, mas como um retrato da estética da população brasileira. A Miss Brasil 2016 é uma mulher negra. Que em 2017, 2018, 2019… não seja tão inesperado tanta presença negra no Miss Brasil.

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Gestação de Risco – 5 passo para encarar uma gravidez delicada

Não é fácil lidar com problemas de saúde. Quando esses problemas estão relacionados à gravidez então, fica muito mais difícil de lidar. Toda mulher que quer ser mãe, se descobre grávida e enfrenta problema de saúde durante a gestação sabe o quanto isso perturba o nosso emocional. Hoje quero dividir com vocês a minha experiência de enfrentar duas gestações de alto risco.

Médico é um tipo complicado. Não sei se por lidarem tanto com doenças ou pelo volume de trabalho mais muitos deles vão perdendo a empatia com o passar do tempo e acham que podem falar conosco sobre os nossos problemas de saúde com a mesma naturalidade como falam entre si. Pois bem, gravidezes que necessitam de uma atenção especial, seja por questões de saúde da mãe ou do feto são classificadas como de alto risco. E quando você recebe a informação de que a sua gestação é de alto risco, o desespero toda conta de tudo.

Eu sei bem como é essa situação. Já precisei induzir 2 abortos por IIC e me tornei hipertensa aos 22 anos, o que me fez passar por duas gestações com grande risco de desenvolver pré-eclampsia ou eclampsia. Histórico nada favorável né? Pois é, mas não me fez desistir de ter minhas filhas.

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Não sei se o caso de vocês tem a ver com alguma situação prévia de saúde, como a minha hipertensão por exemplo, tem a ver com alguma intercorrência gestacional, como a diabetes gestacional o mesmo a IIC, ou se está relacionado a um situação externa que aconteceu durante a gravidez e colocou a sua gestação sob cuidados especiais.   Na realidade, seja qual for o motivo para sua gestação atual ou futura ser classificada como de alto risco, será preciso algumas atitudes para que seja menos difícil encarar os desafios e as limitações decorrentes dela. Eu não te digo que será fácil, não será. Mas apesar das dificuldades, estar grávida pode ser uma experiência muito gostosa e te trazer boas lembranças.

Então vamos falar hoje em 5 passos para encarar uma gestação de risco.

1º passo – acompanhamento médico

O primeiro passo pra encarar uma gestação de risco é ter um acompanhamento médico de confiança. E pra isso, hipertensão na gravidez - gestação de riscoprecisamos de pelo menos dois requisitos: um médico que saiba sobre a sua especificidade de saúde e que saiba te acolher emocionalmente, que se passe segurança e esperança de que sua gestação chegará ao final. Um requisito não funciona sem o outro. Não adianta o profissional ser especialista que se ele faz pouco caso dos seus receios. Precisamos de apoio emocional para dar conta do desafio de gerir uma criança e tratar de uma questão delicada de saúde.  Da mesma forma, não adianta um profissional generalista, que faz o procedimento padrão de uma gravidez sem risco e não presta muita atenção às suas especificidades de saúde.  Isso não dá certo!  Então, buscar um acompanhamento médico que te acolha como um todo, em suas incertezas emocionais e suas necessidades de saúde é fundamental.

2º passo – grupo de apoio

O segundo passo é buscar grupos de apoio. Buscar suporte em outras mulheres que passaram ou passam por situações parecidas com a sua. No meu caso, os grupos de gestantes com IIC foram um suporte maravilhosos. Lá eu aprendi muito mais sobre a minha gestação, os riscos e as possibilidades de tratamento. Além disso, pude compartilhar a minha história com outras mães  e mulheres de histórias parecidas. Pude vibrar com cada nascimento e consolar cada mãe que perdia seu bebê. E saber que você também tem a possibilidade de ter esse apoio é muito estimulante. Dividir nossas dúvidas e anseios com quem vive a mesma coisa que a gente é uma forma de multiplicar forças. Então eu recomendo que você procure esse grupos de apoio nas redes sociais e nos fórum de gravidez.

3º passo – pensamento positivo

O terceiro passo é manter o pensamento positivo. Manter o foco no que pode dar certo, visualizar a sua gravidez  transcorrendo sem grandes percalços. A gente sabe o quanto o poder do pensamento influencia na nossa saúde e na energia que a gente passa para o bebê. Enquanto for possível se manter motivada e confiante, é preciso manter esse estado de espírito. Se você acredita em algo, tem alguma religião, sei lá, essa é a hora de se apegar a sua fé. De vivenciar a sua fé e confiar. E não precisa ser religiosa pra ter fé. Ter fé é acreditar e se você é cética, acredite que ciência, na tecnologia e nas estatísticas que dizem ser possível ter o seu filho.

Uma dadas formas de se manter positiva é pesquisar e estudar muito sobre o seu caso. Até para que você possa se basear nas técnicas e métodos que já deram certo. Mesmo que as estatísticas sejam baixas, existe aquele 1% que deu certo, não existe? Foque nesses casos de sucesso, aprenda com eles e acredite ser possível também para você.

4º passo – viva o momento

gestação de risco - repousoO quarto passo é viver o momento. Sim, viva um dia de cada vez. Comemore cada dia, cada semana, cada mês que você consegue avançar. Pensar na gravidez como um todo, com as suas 40 semanas, pode ser um tanto assustador. É muito tempo! Agora, se você divide em pedaços menores de semanas, dias, fica mais leve a você saboreia vitórias pouco a pouco. E novas conquistas nos deixam ainda mas motivadas. Eu costumava ter metas. Tipo, Chegar a “20 semanas” e isso em deixava animada, porque quando eu chegava, eu via que eu podia ainda mais. Eu celebrava uma vitória e me sentia mais motivada e confiante.

Outra forma de viver é o momento é fotografar, filmar, registrar da melhor forma possível a sua gravidez. Porque por mais que seja um momento difícil emocionalmente e fisicamente pra você, é o momento que você está gerando sua cria! Viva isso! Não se deixe levar pelas dificuldades, se você quer uma festa de chá de bebê mas está de repouso absoluto, faça a festa no quarto! Se você quer um ensaio gestante, mas está internada, faça no hospital! Dê um jeitinho, faça adaptações e viva o seu momento da forma que for possível.

5º passo – apoie quem te apoia

E o quinto passo é motivar quem está a sua volta. Eu sei, que o “certo” era a gente estar recebendo apoio emocional das pessoas a nossa volta. O problema é que quando as pessoas não entendem direito sobre um problema, elas tendem a tentar nos consolar. E neste caso, a gente precisa de apoio emocional e não de cgestação de risco - apoio familiaronsolo. Então, todos os passos anteriores nos fortalecem que a gente possa fortalecer aqueles que não tem tanta motivação como nós. A gente precisa passar pra eles essas postura e essa energia de confiança, porque é a partir da nossa segurança em encarara as dificuldades que eles vão sair daquela zona de medo e passar a confiar também que tudo vai dar certo. Então, por mais que seja contraditório, precisamos ajudar as pessoas que irão nos ajudar nos momentos de fraqueza.

A gente sabe que as pessoas podem fraquejar em algum momento, mas quanto menos a gente se abala com as dúvidas do outro e quanto mais a gente consegue mostrar confiança de que vai dar tudo certo, mas os outros recebem essa energia positiva e passam a perceber que se você que a é a gestante está confiante e fazendo o melhor pra conseguir ter esse(s) bebê(s), não há motivos para que as outras pessoas fiquem tão pessimistas.

Gestação de Risco – Infográfico

Pra ficar um pouco mais visual 5 passos fundamentais para conseguir levar a termo uma gestação de risco sem perder a sanidade, fiz um infográfico pra vocês. Seguindo esse 5 passos você estará muito mais preparada para encarar os desafios de uma gravidez delicada.

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Então moça, é isso. Se você está grávida ou pretende engravidar e já sabe que pode ter uma gestação de risco, espero que essas dicas tenham te ajudado.  Caso queira conversar sobre isso, deixe um comentário aqui ou me escreva por e-mail. Eu entendo bem o quanto uma gravidez de risco pode ser solitária e desafiadora mesmo quando a gente tem apoio da família e dos amigos.

Sinônimo de mulher

Sinônimo de mulher

Puta que pariu

Não aceites de volta

O filho que saiu de teu ventre

Já pariu, já criou

Não é tua a responsabilidade

pelo o que ele fez

Puta que pariu

Não é tua culpa

Se teu filho fez merda

E o outro tenta ofender

Teu trabalho foi já foi feito

Se ele não anda direito

Cabe a ele responder

Puta que pariu

Siga a tua vida

leve, tranquila, sem culpa

Nessa sociedade machista

Em que puta é sinônimo

de mulher

 

Escrito em: Outubro de 2015.

Leituras Maternas #01

Pessoal! Decidi dividir um pouco mais as coisas. Tenho recebido muitos pedidos pra mais dicas de livros infantis no LêproErê, então decidi separar as coisas e só falar de livros infanto-juvenis por lá. E este será o nosso novo espaço pra falar sobre livros mais adultos. Assim a gente fala um pouquinhod e de tudo, não é mesmo? E já que é pra falar de literatura em geral,  eu apelo logo pra minha querida, minha musa, minha top top das galáxias, a Chima. Não sabe quem é Chima?  Acompanhe o primeiro Leituras Maternas  do blog! 

Leituras Maternas 01

Meio Sol Amarelo

 

meio sol amareloAutora: Chimamanda Ngozi Adichie

Editora: Cia das Letras

Onde Encontrar: InaLivros

Chimamanda Ngozi Adichie. Se você nunca ouviu falar sobre essa mulher, por favor, volte duas casas. Sério, a Chima – olha a intimidade da pessoa! – é uma das maiores escritoras contemporâneas. Sim, sou apaixonada por ela. Seus livros são maravilhosos, já falei de Americanah aqui e o quanto ele foi inspirador para esse blog e agora venho falar sobre Meio Sol Amarelo.

Em Meio Sol Amarelo, Chimamanda fala sobre disputas étnicas na Nigéria, que resultaram na guerra de Biafra, a partir da vida de duas irmãs gêmeas  Igbo, Ollana e Kainene. A história não é contada linearmente, ela tem idas e vindas e a cada capítulo a história foca o ponto de vista de personagens alternados. Isso torna a leitura bem dinâmica e a gente acaba nem percebendo que está lendo um livro de 504 páginas.

Apesar do tema bem denso, Chimamanda conta a história de uma forma muito humana e apaixonada, e isso tem muito a ver com o fato dela também ser uma mulher de origem Igbo e a narrativa conter inspirações biográficas. Ela se inspirou muito nas histórias contadas por seus pais e familiares que viveram e sofreram durante a guerra.

Sou praticamente da idade de Chima e ouvi falar muito pouco (quase nada mesmo) sobre a guerra de Biafra na escola.  Infelizmente a África não era pauta nas escolas na minha época. Mas lembro bem de referências à fome e à miséria, e daquelas imagens de crianças barrigudas desnutridas morrendo de fome. Foram as imagens das crianças de Biafra que ajudaram a difundir a ideia de que em África só há fome e miséria.

Voltado para a história do livro, Meio Sol Amarelo fala também de histórias de amor (meu lado mulherzinha pira!) e Chimamanda sabe fazer isso muito bem. São romances complexos, com problemas e dinâmicas bem reais, passando longe daquele modelo de amor-romântico redentor dos romances água com açúcar.

Diante de tudo isso, nem preciso falar porque recomendo a leitura né? Chima é maravilhosa!


Espelhos, Miradouros, Dialéticas da Percepção

 

Espelhos, MIradouros e Dialéticas da PercepçãoAutora: Cristiane Sobral

Editora: Dulcina

Onde Encontrar: InaLivros

A dica agora é um livro de contos. E que livro de contos! Espelhos, miradouros, dialéticas da percepção foi uma leitura para o clube do livro do Leia Mulheres Negras. Já estava com ela em casa, na fila de espera  e por sorte, ele se tornou prioridade devido ao clube de leitura.  Que bom! Porque Cristiane Sobral faz um trabalho muito bonito de reflexões sobre negritude e identidade nessa obra.

Foi uma leitura muito gostosa e que me levou a várias reflexões sobre nossos modos de vida, sobre o impacto do racismo em nossas emoções e sobre a minha própria trajetória de reconhecimento como mulher negra. Uma leitura que vale a pena ser feita.

Acabei fazendo um bate papo com ela sobre o livro para o blog da Ina. Se você ficou curioso sobre a obra, ou se leu e quer saber o que a autora fala sobre ela, leia a nossa conversa no blog da Ina!


Gente, os livros citados hoje estão disponíveis na InaLivros, a minha livraria virtual especializada em literatura negra. E pros leitores do blog há um descontinho especial, basta colocar o código AMAEPRETA10 no final da compra, ok?

Acesse a loja: InaLivros

Então, gostou das dicas? Já leu algum desse livrou ou outros livros dessas autoras? Comente aí… ou então entre em nosso grupo no Facebook voltado para o debate sobre literatura negra, o Quilombo Literário – clube de leitura.

Beijo e até a próxima semana!

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Águas de Mulher

Águas de Mulher

tumblr_o2k6klsA6x1t5geuno1_500Encharcada de desejos
Entro no mundo da literatura
Leio mulheres e me vejo
Preta, crespa e nua
Escrita nas palavras
Que brotam das minhas iguais
Mulheres plenamente pretas
Que transbordam palavras no papel
E vertem versos, contos, pontos em comum
De trajetórias nossas e reais
Leio Olhos D’água de Conceição Evaristo
Águas da Cabaça, de Elizandra Souza 
Correntezas e Outras Águas de Lívia Natália
Oxum molha minha vida com palavras
E eu desaguo em poesias
Vivido e escrito em: Setembro de 2015.
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TSM #02 -O direito de fazer escolhas

Olá pessoal! Bora continuar nossa série inspirada no livrinho Terapia do Ser Mãe?  Pode parecer piegas, mas o livro rende boas discussões e reflexões sobre maternidade e sobre a maternidade negra.

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Toda mãe tem o direito de fazer o que quiser da vida, né gente? Não é porque tornou-se mãe que agora a vida dessa mulher é de utilidade pública e o mundo inteiro tem direito a dar pitacos e dizer como ela deve se portar com seus filhos, companheiro e diante do mundo!

Ser mãe é uma escolha (mesmo a gente sabendo de toda a imposição de existe por trás disso) e envolve diversas outras escolhas e como levar sua gestação, se vai se submeter a uma cesariana ou procurar o prato humanizado, se vai dar mamadeira, chupeta, amamentar, deixar comer doces ou nada disso.  Todas as pessoas tem um modelo ideal de criação dos filhos (o meu passava pelo combo parto humanizado – amamentação em livre demanda – fraldas de pano – educação montessoriana – criação comunitária) mas nem sempre o modelo se encaixa à sua realidade ou até mesmo continua fazendo sentido pra você depois de mudanças em sua vida.

No meio materno, é constante a discussão sobre culpa. Mães estão sempre se sentindo culpadas por algo, como se nós fôssemos capaz de controlar tudo e como se fôssemos as únicas responsáveis pelo bem-estar das crias. Não somos tão poderosas e absolutas como nos fizeram acreditar. Somos humanas. E humanos fazem escolhas que representam, ao mesmo tempo, perdas e ganhos. Pode ser que a gente faça uma escolha que posteriormente nos pareça errada. Acontece. Mas o que é certo para mim pode não ser para você. No fim das contas, cada um sabe o que é melhor para a própria vida.

Trabalho e maternidade

Esse pensamento fala principalmente sobre a questão do trabalho. Trabalho e maternidade são duas palavras que não combinam em nossa sociedade. Mesmo a gente sabendo que ter filhos e educá-los é trabalho pra caramba. Ter filhos e garantir a sobrevivência desses novos seres é trabalho pra caramba!

Trabalhar fora e deixar suas crias aos cuidados de algum parente, ou mesmo em escola por tempo integral é uma opção e uma necessidade de muitas mulheres. Nosso tempo é finito, só temos 24h por dia. Não dá pra fazer tudo que gostaríamos, como gostaríamos. Precisamos fazer escolhas. E precisamos respeitar a escolhas das outras.

Já basta todo um sistema capitalista misógino e racista que quer nos  deixar fora dos espaços de poder. Que quer nos confinar no espaço doméstico e nos desarticular enquanto grupo, vendendo sempre a ideia de que mulheres são invejosas, desunidas e são um peso para a sociedade. Nós não precisamos reproduzir esses conceitos!

Quando falamos especificamente de mãe pretas, sabemos que o trabalho nem sempre é uma escolha. Para a maioria da nós, o trabalho é uma necessidade. Precisamos trabalhar para sustentar nossos filhos. E essa é uma prática antiga. Mulheres negras sempre trabalharam fora para colaborar com a renda familiar, e atualmente não é diferente. Uma forma de não transformar esse necessidade em um gatilho de culpa é pensar que é esse trabalho que permite que você possa exercer a maternidade nas horas de folga. Sem ele, talvez sua situação financeira fosse incapaz de assegurar condições básicas de vida para seus filhos. Trabalhar para sustentar as crias também é uma forma de demonstrar o seu amor e exercer a sua maternidade.

A  boa mãe

Precisamos romper com esse mito de boa mãe. Mãe é mãe e pronto. O que é ser boa? Quem decide quanto uma mãe precisa se dedicar para ser boa?

Os juízos de valor na maternidade constituem o principal motivo para a desagregação entre as mulheres mães. Sempre aparece alguém pra  “cagar regra” sobre alguma postura, dizendo que “toda mãe que ama seus filhos deve fazer isso”. E aí, aquela mulher-mãe que não segue esse regrinha imposta imediatamente se sente ofendida e #menasmain. É só procurar no google que vocês encontrarão uma chuva de depoimentos no estilo “não sou menas mãe por… “. tsm2-frase

Gente, maternidade não é competição. Ninguém vai ganhar o título de a melhor mãe do universo, e mesmo se fosse, me responda: você tem filhos para massagear o ego ou para ajudar a criar novos seres humanos, dar continuidade à vida?

Talvez o caminho para o não julgamento seja olhar menos pro quintal da vizinha e mais para a nossa prática, para as nossas escolhas e saber que precisamos estar confortáveis com elas, ou pelo menos, consciente que escolhemos o melhor para aquele momento. Ou que deu pra fazer. A  partir daí,  a gente possa entender que outras mães buscam escolher o melhor para suas famílias e/ou para si própria e que a escolha dela nele momento não a faz melhor nem pior que você.

Estamos juntas

 

O texto fala ainda sobre a importância de nos vermos enquanto grupo. Pensar que mulheres-mães não inimigas e não estamos em uma competição de “melhor mãe do universo”. Estamos criando filhos, cidadãos, pessoas que darão continuidade à vida. Precisamos ter consciência da importância e grandeza da função materna, para compreender também que este não é a única dimensão de nossas vidas. E que cada mãe fará a escolha que se adequar melhor ao seu momento de vida, às suas demandas internas e externas. É aquela ideia de sororidade, de companheiros, de parceria entre mulheres. Estamos juntas, mesmo com escolhas tão diferentes.


E aí, você também defende o direito de escolha de todas as mães? O que você faz  no seu cotidiano que recebe críticas dos faladeiros? Conte pra gente!

 

 

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Mães de UTI

Mães de UTI

A médica chegou e disse:

– Mãe, vamos ter que entubar essa gatinha.

Na hora eu pensei: “Entubar?  Que merda! Isso é colocar a menina em coma induzido! Isso não pode ser tão grave assim!” Mas respondi prontamente:

– Tudo bem doutora. Se isso é o melhor pra ela se recuperar, faça isso!

– Certo. Faremos o procedimento amanhã pela manhã se a saturação dela não melhorar nesta noite.

Saí do quartinho dela na UTI e fui para a copa, local onde os pais se reuniam e comiam alguma coisa nos poucos minutos que saiam do lado de filhos. Queria chorar, mas as lágrimas não viam. Me achei um pouco insensível, por nem conseguir chorar pela minha filha. Logo chegaram duas mães e me perguntaram como a minha pequena estava. Eu logo falei da entubação. Precisava compartilhar aquilo com que tinha mais experiência nessa vida de mãe de UTI.

– É melhor assim. Sedados eles deixam fazer  medicação direto e melhoram mais rápido. Bronquiolite é assim mesmo, assusta bastante mas eles logo se recuperam. Vira e mexe tem criança com bronquiolite por aqui, e logo eles tem alta. – Falou uma delas.

Na hora o meu receio foi embora. Se era o que precisava ser feito pra ela melhora, que fosse feito! No dia anterior eu tinha me impressionado bastante com a força daquelas mulheres. Uma tinha um filho com câncer em estado terminal. O menino estava lá fazendo um tratamento experimental há mais de 3 meses, na expectativa de aumentar a sua sobrevida.  A outra tinha uma bebê da idade da minha. A menina nunca tinha saído do hospital. Havia nascido prematura, não entendi direito o caso dela, mas a mãe estava bem animada com a possibilidade de ir para casa com uma estrutura de homecare nos próximos meses. maes de uti

Aquela conversa me encheu de força. Voltei no quartinho da Naíma e ela dormia calmamente, apesar da respiração ofegante e cansada. Efeito da medicação da noite. Falei pra ela que ela seria entubada, que ficaria dormindo sem se preocupar em respirar, porque uma maquinhinha faria isso por ela. Esse soninho duraria alguns dias, mas eu estaria lá com ela o tempo todo. E quando ela acordasse, ela voltaria pra casa, respirando direitinho, pra gente brincar de roda com a Aisha e o papai como no dia em que tudo isso começou.

Foi aí que eu percebi porque eu não chorava. Não existia espaço para choros e lamentações. Minha filha precisava de mim. E naquela noite, percebi de onde vinha a força daquelas mulheres que eu tanto admirava desde entrei na UTI.

 

Vivido em: Novembro de 2014

Escrito em: Julho de 2016