Postado em 30 de dezembro de 2014 por Lu Bento

Fim de ano e sempre vem aquela vontade de fazer um balanço do como foi o ano que está acabando. Quanto a isso, eu não passo vontade! Sempre faço minha retrospectiva, e  compartilho a de 2014 com vocês.

Quando eu me dedico a lembrar o que foi marcante pra mim esse ano, a primeira coisa que vem a mente foi o período que a Mini Bentia passou internada. Mas é lógico que esse não foi o momento mais importante, muito menos determinante para que 2014 seja classificado como um ano ruim.

92620d2c538feb4c559d167e9acbc164Comecei 2014 imensamente feliz por ter segurado minha filha na barriga. Pra quem tem pressão alta e IIC, uma combinação ótima pra aumentar o risco de parto prematuro, cada semana de gravidez é uma vitória. Acompanhando as ultras, a curica crescendo bem devagar, mais devagar que o “normal”. Mas tava crescendo no ritmo dela, bem, saudável. Venci também o medo e me permiti curtir um pouco a gravidez de uma maneira mais normal, repousando menos e vivendo mais.

Com a viagem do marido, Mini Bentia que seria nossa paulistana, acabou indo nascer no Rio. Foi uma reviravolta em nossos planos e eu tive a oportunidade de fazer uma das escolhas mais importantes da minha vida: procurar uma equipe humanizada pra me ajudar a trazer Mini Bentia ao mundo.

Eu, que sempre tive um certo distanciamento de médicos, conheci uma equipe maravilhosa e aprendi que é possível ter muito amor na relação médico-paciente. Não que eu não tenha sido bem tratada pelas minhas obstetras fofas anteriores, não tenho dúvidas que a Dra. Luciana e a Dra. Rosana foram excelentes pra mim, me passaram segurança e confiança pra encarar uma gravidez de risco, nunca me botaram medo e sempre me passaram tranquilidade. Só não estavam preparadas pra sair do esquema cirurgia-agendada-para-trazer-bebê-ao-mundo. Tive a sorte de conseguir me informar e escolher uma forma mais calorosa de receber minha filha nesse mundo com uma equipe que me fez ver o mundo de outra maneira, me fez valorizar ainda mais esse momento. Como eu sou grata a essas pessoas!!

E antes de Mini Bentia chega, ainda deu tempo de pular carnaval, ver o mar, passear com a Isha Bentia, com o marido…

Mini Bentia chegou um meio a um turbilhão de emoções, chegou de uma maneira um pouco conturbada, mas a confiança na equipe e a serenidade que tem tomado conta de mim nesses momentos difíceis só me fizeram ter certeza que ao amanhecer Mini Bentia estaria nos meus braços!

A amamentação foi difícil? Foi. Rolou uma deprê pós-parto? Sim. O ritmo de viagens do marido tava pesado demais pra gente sustentar a situação? Estava. As meninas ficaram doentes? Muitas vezes. Cuidar de duas não é tão fácil quanto eu esperava? Não é. Mas esse ano eu aprendi que os problemas têm a dimensão e a importância que a gente dá.

Esse ano, mais uma vez, pude ver e viver o quanto somos amados pelas pessoas que nós cercam. Uma carona oferecida, uma oferta pra cuidar de Isha Bentia enquanto a Mini Bentia estava no hospital, uma oferta pra cuidar de Mini Bentia enquanto Isha Bentia estava no hospital, um abraço apertado, uma mensagem perguntando por notícias, uma presente sem um motivo especial, uma visita que lava a louça, uma companhia para um passeio no parque, uma oferta pra levar a gente na rodoviária pra ir viajar, visitas lindas e generosas pra conhecer Mini Bentia, uma mensagem pra saber se está tudo bem… Tantos e tão diversos gestos de carinho vindo de todos os lados. Quanto amor recebemos esse ano!! Espero conseguir ao longo da minha vida retribuir e distribuir tanto amor quanto o que eu tenho recebido.

Isha Bentia esteve internada por 5 dias. Um susto. Um fim de semana doente, melhora e vai pra creche. De lá uma ligação, a mãe sai desesperada pra encontrar a filha, uma ambulância, hospital, internação. Foi duro ver uma menina cheia de energia presa no hospital, sem poder sair pra brincar. Mais duro ainda foi descobrir que uma mãe não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. A pequenininha teve que se adaptar na creche (graças as pessoas maravilhosas de lá, ela ficou super bem, se sentiu em casa!) e a grandinha teve a atenção exclusiva que precisava. Não era nada. Saiu de lá prontinha pra sua festa de aniversário no dia seguinte. Um presentão pra família!

Mas foi a internação de Mini Bentia que leva sem contestação o título de “o susto do ano”. De manhã a menina brincando de roda com os pais e a irmã. De noite, internada na UTI, sedada, com respirador. Tudo tão rápido e tão intenso que me fez refletir sobre a vida e a morte. E me fez ver que a morte não deve ser um medo, mesmo nos momentos mais difíceis. A morte faz parte da vida, e cada um tem o seu tempominibentia no hospital e sua missão por aqui. Essa forma de ver o mundo me deu a serenidade necessária pra encarar ao lado dela todo esse processo de internação. E me fez não temer tanto vida dela. Mais uma vez, encontrei amor num hospital. Conheci mães com filhos na UTI transbordavam felicidade e aprendi que a felicidade é uma escolha. E dúvidas, a força delas despertou a minha força interior pra lidar com as dificuldades. Aprendi que mãe não se divide, se multiplica ao passar o dia todo na UTI com Mini Bentia e chegar em casa a noite e brincar com Isha Bentia, dar banho, comida…

Nesse ano que a maternidade foi o carro-chefe, não posso esquecer o quanto sou grata a generosidade dos meus colegas de trabalho. Tanto tempo ausente e sempre bem recebida. Sou muito feliz em trabalhar com pessoas e num ambiente que se tem prazer em estar.

No relacionamento, completamos 5 anos de casados com a certeza de que queremos estar juntos cada vez mais, mesmo não sendo tão fácil quanto possa parecer. Não conseguimos comemorar com gostaríamos, mas conseguimos fazer nossa primeira viagem em família, o que foi muito especial. A lua-de-mel ainda está no papel como um plano futuro, e espero que 2015 a traga pra realidade.

Pensando mais especificamente sobre mim, foi o ano dos meus 30. Foi um ano de busca pela a minha essência, pelas minhas crenças, meus objetivos e expectativas nessa vida. O que eu gosto, o que eu não gosto, o que eu tolero, o que eu não suporto. Foi um ano de autoconhecimento . Foi um ano de profunda reflexão. Me permiti experimentar coisas novas, como uma massagem relaxante, um jantar num restaurante japonês ou falar mais em público. Até topei participar de um programa de televisão mostrando o nascimento de Mini Bentia!  Comecei um blog e uma página no Facebook.

Começo 2015 cheia de planos, sonhos, metas. Muitos ficarão pelo caminho, afinal, imprevistos acontecem sejam eles bons ou ruins. Quero voltar a estudar, me exercitar, cuidar melhor da minha saúde. Quero ser menos bagunceira, me alimentar melhor, quero ser mais ativa na defesa das questões que eu acredito. Quero conviver mais com meus afilhados, quero ver menos televisão, quero viver bons momentos com meus familiares e amigos. Quero produzir menos lixo, quero fazer boas ações, quero ter tempo pra cuidar de mim. Enfim, são tantos quereres que 2015 será, no que depender de mim, um ano muito rico em experiências. É o que eu desejo pra mim é e pra todos.

Feliz 2015!

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