Postado em 4 de abril de 2015 por Lu Bento

Hoje é uma data marcante pra mim. É uma daquelas datas que só faz sentido pra quem vive. Uma daquelas datas que a gente não consegue esquecer.

5 anos. Cada dia dói menos. A gente passa a lidar melhor com a saudade de tudo aquilo que  a gente não viveu e entender que a vida é assim, às vezes toma um rumo inesperado, indesejado. Mas nem por isso a gente está fadado a ser infeliz pra sempre.

Faz 5 anos que eu perdi um bebê. Faz 5 anos que eu precisei induzir um aborto porque meu corpo, meu útero não oferecia condições para a sobrevivência dele. Cientificamente, foi um aborto de um feto de 15 semanas. Emocionalmente, foi quase com um assassinato de um filho. Sendo eu a assassina. Parece dramático, e é. Mas a perda de um filho é um momento extremamente dramático na vida de quem fica, comigo não foi diferente.

Superando a perda

Não estou mais sofrendo. Não como antes. Mas não é tão simples assim falar disso. Queria escrever um relato de aborto hoje e não foi possível relembrar exatamente tudo que passamos.

A vida seguiu seu rumo, deu suas voltas e hoje estou aqui com as curicas. Mas quem é mãe sabe que um filho não substitui o outro. Nunca. O lugar dele e do seu irmão está aqui como uma ferida cicatrizada. Como uma marca na alma tipo aquelas que a gente coleciona no joelho devido as quedas pela vida.

Caí e levantei. E essa foi a segunda queda, não foi de todo uma surpresa. Eu sabia que o aborto seria induzido, que viria a dor do parto e depois faria a curetagem. Eu sabia que depois viria o vazio, a culpa, a solidão, a raiva, a sensação de fracasso e a certeza de que eu deveria ter ido junto com ele. E eu sabia depois que eu conseguiria voltar a viver. Não com a mesma leveza e felicidade de antes, mas ainda assim teria condições de buscar a felicidade.

Mas tudo isso eu posso falar melhor quando eu finalmente for escrever meu relato de aborto. Achei que conseguiria escrever agora, mas ainda não foi o momento.  Não parei totalmente de me culpar por tudo que aconteceu e ainda me dói voltar a tudo isso.

As linhas tortas da vida

Não sei se foi a coincidência do dia 4 de abril cair em plena semana santa novamente (quando eu o perdi era um domingo de Páscoa) que potencializou as emoções desta data, mas hoje eu acordei pensando no quanto essa perda tem um papel importante nos caminhos que tomei. São as linhas tortas da vida.

Acordei pensando em como estaria a minha vida eu não tivesse perdido o bebê:

  • Será que eu teria tido um parto natural?
  • Será que eu conseguiria seguir com a amamentação exclusiva?
  • Será que eu teria Isha Bentia?
  • E mais ainda: será que eu teria Mini Bentia, já que ela seria a terceirinha? Eu daria conta de tudo isso?
  • Será que eu teria coragem de  largar tudo no RJ e vir morar em SP com um bebê de menos de 1 ano?
  • Como eu seria como mãe de um menino?
  • Como eu seria como mãe de uma criança de 5 anos hoje?

São tantas perguntas sem respostas. Hoje acordei imaginando como teria sido a minha vida se a estrada continuassem em frente. Com saudades da vida que não vivi com meu pequeno.

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