Postado em 26 de fevereiro de 2016 por Lu Bento
Ano passado falei como foi difícil encontrar uma mochila adequada pra Isha Bentia. Se quiser relembrar a saga é só clicar aqui.  Esse ano precisei buscar uma mochila nova pras meninas, já que Mini Bentia já está crescidinha e não vai mais usar bolsa de bebê. E não foi fácil encontrar algo que não tivesse princesas ou personagens brancas.
Eu já tinha uma ideia bem definida: vou procurar a mochila de rodinhas da Qui Qui Biscuit, a Mini Bentia passa a usar a mochila da irmã, e Isha Bentia ganha uma mochila de rodinhas como ela tanto quer. Fica todo mundo com a mesma estampa da Bom Bom, personagem negra da marca, e fica tudo certo.
O plano tava lindo, mas colocá-lo em prática foi mais difícil que eu esperava. Fui para o Brás, aquele mundo do consumismo, e andei pelas lojas de bolsas certas que só encontraria o que buscava na mesma loja que comprei a mochila. E de fato não encontrei nada diferente das mochilas com personagens da Disney ou com personagens brancas na maioria das lojas.
Após enfrentar a resistência das vendedora que invarialvente tentam te forçar a falar se é mochila pra menino ou pra menina, elas sempre me mostravam só modelos com personagens brancas. Quando eu optei por iniciar a abortarem falando que eu procurava uma mochila infantil sem personagens famosos, no máximo com alguns bichinhos, elas logo falavam que não havia nada neste estilo. Minhas esperanças de sair do Brás já estavam esgotando quando finalmente cheguei na loja onde havia comprado a mochila da Isha Bentia.
logo dei de cara com uma mochila com uma outra personagem da coleção que eu procurava e perguntei se não tinha a mochila de rodinha da BomBom. Não tinha. E a sem rodinhas, a de cargas nas costas mesmo? Não tinha. Tenha previsão de nova remessa? Não, aquele era o último modelo disponível. Decepção era o meu nome.
Fiquei arrasada com a possibilidade de não conseguir uma mochila pras minhas meninas. Não estava disposta a pagar quase 500 reais por um kit de mochila e lancheira. Também não queria comprar uma mochila sem graça e ficar ouvindo o ano inteiro como a mochila da Sofia e maravilhosa, a da Vitória é um espetáculo e a da Sabrina que tem um monte de bolsos.  Isso não é uma competição, mas sempre  dá aquela sensação de #menasmain quando a gente não consegue agradar as crias.mochila1
Por sorte encontrei a lancheira e o estojo e já separei pra minha compra. A lancheira, que em lojas virtuais custava 50 reais, e estava sempre em falta, na loja física estava por menos da metade do preço. E comecei a pensar em alternativa pra mochila da Isha Bentia.
A minha primeira opção foi me render às personagens famosas da Disney. Vi a mochila da Dra. Brinquedos e pensei que seria uma boa ideia optar por ela. Custava mais de 200 reais só a mochila de rodinhas. Ainda faltaria a lancheira. Além do mais, Isha Bentia não curte o desenho da Dra. Brinquedos, por mais que eu coloque de vez enquanto na Tv. Não ia rolar.
Já estava decidida a ir pra casa e tentar novamente outro dia, quando um vendedor me mostrou uma mochila de rodinhas, sem imagem de personagem. Ela era lilás e rosa,  tinha um bordado escrito princesa em inglês (nem tudo é perfeito nesse mundo sexista) e, tinha uma rodinha que acendia ao girar. Foi o suficiente pra agradar a minha curica. E o custo de menos de 100 reais foi  decisivo pra agradar meu bolso.
mochila 2Comprei a mochila, certa de que foi o melhor negócio que eu poderia fazer nesse contexto, mas continuei com essa questão na cabeça. Como proporcionar às curicas um material escolar mais representativo, que não corrobore essa indústria capitalista que quer nos obrigar a adotar determinados padrões. E comecei a ver também outras mães pretas preocupadas com tudo isso.
Então eu percebi que não adianta esperar que as grandes empresas façam produtos que nos representem. Precisamos exigir representatividade, mas precisamos também dar valor as iniciativas de pequenos empreendedores que já estão produzindo artigo voltados para a população negra. Já existe uma variedade de pequenas marcas que vendem cadernos com estampas afro e com bonecas negras. Assim como mochilas, capas para livros, estojos…
O jeito é pesquisar. Garimpar mesmo esses produtos e valorizar os empresários negros que estão se esforçando pra ocupar essa lacuna. Demanda existe. Produto também! Basta a gente conseguir conectar esse dois pontos.  Precisamos começar a praticar o consumo consciente. Um consumo que vai além do desejo de obter o produto. Precisamos consumir de forma que possamos fortalecer iniciativas que corroboram a nossa visão de mundo.
Espero que ano que vem seja mais fácil encontrar um material escolar que realmente seja representativo para as minhas filhas.

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