Postado em 8 de maio de 2016 por Lu Bento

Dia das mães está passando batido por aqui e não é a toa. Reconheço e valorizo o nosso papel de mãe, muitas de nós merecem inúmeras homenagens por toda a garra e perseverança com que tem enfrentado esse desafio e eu as louvo por isso.

Mas a gente precisa de mais que flores, parabéns, presentinho e homenagens na escolas das crianças. Precisamos de respeito à licença-maternidade, de não-desvalorização no mercado de trabalho por sermos férteis e mães, de reconhecimento pela sociedade e pelos companheiro que cuidar dos filhos não é só tarefa da mulher, de direito ao próprio corpo e possibilidade de decidirmos não sermos mães, de creche decente pra que possamos retomar os estudos e o trabalho sem precisar esperar a cria ter idade suficiente pra ficar sozinha em casa e muito outras coisas.

Ser mãe é pesado pra caramba, é trabalho duro e mal valorizado. Não é padecer no paraíso, e mesmo se fosse, já deu pra sacar isso não representa coisa boa, né? Ser mãe é padecer na realidade da falta de empatia das pessoas, do apagamento da sua identidade que acabe sendo substituída por uma figura idealizada, “a mãe”. E ai de você se não alcança esse modelo ideal de mãe-amélia, no qual filhos vem em primeiro lugar (sem deixar a louça suja e a roupa acumular) e sempre pronta pra abrir mão do que for preciso para o “bem da família”, como é que fica? Você é julgada, massacrada pela sociedade!dia das mães

Não tô romantizando a maternidade esse ano, não tô nem em clima de comemoração. Porque se o peso da criação dos filhos cai muito mais em minhas costas, não tô aqui pra dar biscoito pra esses padrões que me oprimem.

Bom domingo para vocês. Que hoje, além de flores e presentes, vocês também ganhem descanso, e que a valorização e reconhecimento que tanto se fala neste domingo possa durar pelo menos, até os próximos dias…

E pra não dizer que no meu coraçãozinho só mora amargura e rancor, uma poesia de minha autoria pra deixar o clima mais leve (ou não!)

IDENTIDADE

No começo é gestante
Depois parturiente
Filho nasce e de repente
Deixamos de ser gente

Pros médicos é mãezinha
Pras crias, a manhê
Pro bebê é mamá
Pra escola, mãe da Naná

Se separada, é mãe solteira
Quando não, mãe largada
Se mais velha, é mãe de todos
O alicerce da negrada

E a vida vai passando
O seu nome vai sumindo
Sua pessoa, sucumbindo
A função de maternar

E a pergunta que fica
Nesse processo de

invisibilidade
Não importa a sua vontade
Não importa quem você é

Quando nasce uma mãe
Morre uma mulher

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