Postado em 20 de julho de 2016 por Lu Bento

Olá pessoal! Bora continuar nossa série inspirada no livrinho Terapia do Ser Mãe?  Pode parecer piegas, mas o livro rende boas discussões e reflexões sobre maternidade e sobre a maternidade negra.

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Toda mãe tem o direito de fazer o que quiser da vida, né gente? Não é porque tornou-se mãe que agora a vida dessa mulher é de utilidade pública e o mundo inteiro tem direito a dar pitacos e dizer como ela deve se portar com seus filhos, companheiro e diante do mundo!

Ser mãe é uma escolha (mesmo a gente sabendo de toda a imposição de existe por trás disso) e envolve diversas outras escolhas e como levar sua gestação, se vai se submeter a uma cesariana ou procurar o prato humanizado, se vai dar mamadeira, chupeta, amamentar, deixar comer doces ou nada disso.  Todas as pessoas tem um modelo ideal de criação dos filhos (o meu passava pelo combo parto humanizado – amamentação em livre demanda – fraldas de pano – educação montessoriana – criação comunitária) mas nem sempre o modelo se encaixa à sua realidade ou até mesmo continua fazendo sentido pra você depois de mudanças em sua vida.

No meio materno, é constante a discussão sobre culpa. Mães estão sempre se sentindo culpadas por algo, como se nós fôssemos capaz de controlar tudo e como se fôssemos as únicas responsáveis pelo bem-estar das crias. Não somos tão poderosas e absolutas como nos fizeram acreditar. Somos humanas. E humanos fazem escolhas que representam, ao mesmo tempo, perdas e ganhos. Pode ser que a gente faça uma escolha que posteriormente nos pareça errada. Acontece. Mas o que é certo para mim pode não ser para você. No fim das contas, cada um sabe o que é melhor para a própria vida.

Trabalho e maternidade

Esse pensamento fala principalmente sobre a questão do trabalho. Trabalho e maternidade são duas palavras que não combinam em nossa sociedade. Mesmo a gente sabendo que ter filhos e educá-los é trabalho pra caramba. Ter filhos e garantir a sobrevivência desses novos seres é trabalho pra caramba!

Trabalhar fora e deixar suas crias aos cuidados de algum parente, ou mesmo em escola por tempo integral é uma opção e uma necessidade de muitas mulheres. Nosso tempo é finito, só temos 24h por dia. Não dá pra fazer tudo que gostaríamos, como gostaríamos. Precisamos fazer escolhas. E precisamos respeitar a escolhas das outras.

Já basta todo um sistema capitalista misógino e racista que quer nos  deixar fora dos espaços de poder. Que quer nos confinar no espaço doméstico e nos desarticular enquanto grupo, vendendo sempre a ideia de que mulheres são invejosas, desunidas e são um peso para a sociedade. Nós não precisamos reproduzir esses conceitos!

Quando falamos especificamente de mãe pretas, sabemos que o trabalho nem sempre é uma escolha. Para a maioria da nós, o trabalho é uma necessidade. Precisamos trabalhar para sustentar nossos filhos. E essa é uma prática antiga. Mulheres negras sempre trabalharam fora para colaborar com a renda familiar, e atualmente não é diferente. Uma forma de não transformar esse necessidade em um gatilho de culpa é pensar que é esse trabalho que permite que você possa exercer a maternidade nas horas de folga. Sem ele, talvez sua situação financeira fosse incapaz de assegurar condições básicas de vida para seus filhos. Trabalhar para sustentar as crias também é uma forma de demonstrar o seu amor e exercer a sua maternidade.

A  boa mãe

Precisamos romper com esse mito de boa mãe. Mãe é mãe e pronto. O que é ser boa? Quem decide quanto uma mãe precisa se dedicar para ser boa?

Os juízos de valor na maternidade constituem o principal motivo para a desagregação entre as mulheres mães. Sempre aparece alguém pra  “cagar regra” sobre alguma postura, dizendo que “toda mãe que ama seus filhos deve fazer isso”. E aí, aquela mulher-mãe que não segue esse regrinha imposta imediatamente se sente ofendida e #menasmain. É só procurar no google que vocês encontrarão uma chuva de depoimentos no estilo “não sou menas mãe por… “. tsm2-frase

Gente, maternidade não é competição. Ninguém vai ganhar o título de a melhor mãe do universo, e mesmo se fosse, me responda: você tem filhos para massagear o ego ou para ajudar a criar novos seres humanos, dar continuidade à vida?

Talvez o caminho para o não julgamento seja olhar menos pro quintal da vizinha e mais para a nossa prática, para as nossas escolhas e saber que precisamos estar confortáveis com elas, ou pelo menos, consciente que escolhemos o melhor para aquele momento. Ou que deu pra fazer. A  partir daí,  a gente possa entender que outras mães buscam escolher o melhor para suas famílias e/ou para si própria e que a escolha dela nele momento não a faz melhor nem pior que você.

Estamos juntas

 

O texto fala ainda sobre a importância de nos vermos enquanto grupo. Pensar que mulheres-mães não inimigas e não estamos em uma competição de “melhor mãe do universo”. Estamos criando filhos, cidadãos, pessoas que darão continuidade à vida. Precisamos ter consciência da importância e grandeza da função materna, para compreender também que este não é a única dimensão de nossas vidas. E que cada mãe fará a escolha que se adequar melhor ao seu momento de vida, às suas demandas internas e externas. É aquela ideia de sororidade, de companheiros, de parceria entre mulheres. Estamos juntas, mesmo com escolhas tão diferentes.


E aí, você também defende o direito de escolha de todas as mães? O que você faz  no seu cotidiano que recebe críticas dos faladeiros? Conte pra gente!

 

 

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