Postado em 6 de setembro de 2016 por Lu Bento
Hoje é dia do sexo e resolvi retomar as postagens do blog falando sobre a vida sexual da mulher-mãe. Será possível continuar a ter uma vida sexual ativa e saudável depois de termos filhos? Ou depois que as crias nascem a gente entra para aquela categoria do “minha mãe não faz essas coisas?”

Esse texto poderia ser um imenso cri…cri…cri…  (onomatopeia para vazio). Se você veio aqui esperando por isso, está totalmente enganado! Existe sim vida sexual após a maternidade! E ela pode ser muito mais diversificada e divertida do que se imagina. A prova disso são os casais que tem mais de um filho. Se a gente não continuasse transando não teria tanta gente por aí com 2, 3 4 filhos, certo? E nem existiriam aquelas famílias típicas de antigamente com 10, 15, 20 filhos. Então rola sexo sim tá? E olha, entre os casais com 1 filho só tb rola sexo… não vão achando que mulher depois de ser mãe vira santa, vira a virgem imaculada.
O que acontece é que o sexo deixa de ser a atividade mais importante, afinal, temos um ser vivo dependendo da gente pra sobreviver. Não dá pra deixar de alimentar um bebê em um determinado horário porque estou com tesão de dar umazinha com o companheiro no mesmo momento. Não dá. É preciso ter prioridades. E o sexo perde a posições na escala da prioridade para muitas outras atividades que um casal sem filhos pode achar inimaginável.
Por exemplo, imagine esse caso:  Depois de um dia de trabalho, a criança está com a corda toda. Cheia de energia, já passou da meia-noite e amanhã você tem que trabalhar. A criança dorme 1h da madrugada. O que você quer fazer:
1ª opção – Tomar aquele banho afrodisíaco, colocar uma lingerie maravilhosa e ter uma noite intensa de sexo com o companheiro.
2ª opção – Dormir imediatamente e aproveitar as 5h de sono que ainda lhe restam.
Se fizermos uma pesquisa de verdade, a maioria das mães escolherá a segunda opção sem pestanejar. E sabe por que? Porque a prioridade no momento é descansar, é dormir! Não sobram forças nem tesão pra uma noite de sexo quando você está exausta devido a rotina puxada da vida.
Em outros momentos, é muito mais legal, romântico e excitante ficar vendo um filme abraçadinho no sofá comendo pipoca e tomando um vinhozinho. Não estou dizendo que as mães deixam de gostar de sexo. Não!! A gente continua adorando. Mas precisamos fazer algumas adaptações e concessões.

Criando alternativas

Se a família opta por cama compartilha com o bebê, por exemplo, a cama deixa de ser o lugar preferencial para o sexo. O jeito é explorar outros ambientes da casa. Todo mundo que faz cama compartilhada sempre fala icasalnegrosso quando os curiosos questionam sobre a vida sexual do casal. E explorar outros lugares da casa acaba tornando ainda mais excitante a relação. Acaba sendo uma forma de nos mantermos criativas e animadas na vida sexual. Uma forma de fugir da rotina, e com filhos, rotina é o que não falta na vida.
Se o casal tem pouco tempo dentro de casa sem as crianças, será preciso transar com elas em casa mesmo. Não tem jeito. Faz parte da vida. Quem nunca se traumatizou por ter flagrado os pais na hora H, ou por ter ouvido barulhos estranhos ou ter tentado entrar no quarto dos pais durante a noite e encontrou a porta trancada? Então,  isso acontece! E estamos todos aqui, conscientes de que nossos pais e mães transaram para nos conceber e depois provavelmente continuaram transando para se divertir e ter prazer. Por que com a gente será diferente? Por que nos privaríamos da atividade sexual por termos filhos?
O jeito é maneirar no barulho, tentar ser discreto para não constranger os filhos (e os vizinhos tb) e dar continuidade à vida sexual de maneira prazerosa pra você e respeitosa para os que te cercam.

Sexo e a Rotina

Em algunsvida sexual da mãe momentos a vida fica muito complicada. Tabalho, estudo, criança, afazeres domésticos… tudo ao mesmo tempo. Mal sobra tempo e disposição para aquele momento íntimo com o companheiro ( ou companheira). Aí a coisa começa a ficar complicada. Não sobra tempo nem pro vinhozinho no sofá com um filme na TV.  Uma alternativa, é  encaixar esses momentos do casal na rotina. Sim, aquela coisa careta de ter data marcada para sexo ou para estar só com o companheiro.  Quando a gente é jovem e sem tantas responsabilidades cogitar essa possibilidade chega a ser uma absurdo, mas com o acumulo de demandas da vida, pra conseguir garantir que o casal dedicará algum tempo para estar junto. Não tem jeito. Uma relação só se mantém se a gente continua a alimentá-la, não é? E ter um tempo definido pra isso não quer dizer que tudo cairá na rotina no sentido mais chato da palavra. Não! Só quer dizer que isso é tão importante que precisa de um espaço garantido em nossas vidas.
Tudo isso é ainda mais importante para as mães solo. Muitas delas acabam vivendo um celibato forçado por não terem a liberdade de dedicar um tempo da vida para  namorar. São julgadas pelo pai da cria, que muitas vezes deixa toda a criação dos pequenos por conta da mãe e no máximo paga a pensão e visita quinzenalmente, são julgadas pela própria família, que se recusa ou não gosta de cuidar das crianças para que a mulher possa sair para se relacionar com outra pessoa.  Nem sempre elas conseguem estabelecer uma rotina para que alguém as auxiliem nos cuidados com as crianças para que ela possa sair sem culpas.

A culpabilização da mulher

O que acontece é que a nossa sociedade insiste em ver a mulher-mãe de maneira santificada, como se nós não fôssemos mais humanas depois de termos filhos. Somos humanas sim, com nossos direitos e desejos. Queremos continuar fazendo várias coisas que fazíamos antes de termos filhos, e sabemos que algumas adaptações precisam ser feitas.
O problema é que a sociedade nos culpabiliza por tudo o tempo todo. Uma mãe que fala que sente falta da liberdade sexual de antes de ter filhos, já é rotulada de  menasmain. Pra não citar todo aquele rol de adjetivos pejorativos de cunho sexual que costumam associar a qualquer mulher que faça algo que contrarie a ética machista patriarcal. Mas se a gente pensar bem, qualquer coisa que a gente fizer será algo de críticas e insultos machistas. Mesmo que você se anule sexualmente, qualquer sinal de interesse em um relacionamento afetivo vai gerar reações ofensivas. Então, pra que tentar agradar essa galera?  É impossível ser perfeita, imune a qualquer crítica, a santa que todos esperam que as mães sejam. A gente precisa se desvincular desse estigma e buscar uma conexão com nossos próprios desejos.
Quer ter uma noite daquelas? Arruma alguém pra cuidar das crianças e vá curtir a vida. Se nenhuma amiga ou familiar pode fazer isso por você, e se você tem condições de pegar por essa ajuda, contrate alguém que fique com as crianças por essa noite. Você não é culpada por desejar uma noite para si mesma, por desejar um momento de intimidade sexual alguém.  Relaxe e goze! Isso é prioridade também! Um dia ou outro que as crianças fiquem com outras pessoas não vai ser um problema.
A vida sexual da mulher tem muita relação com a sua autoestima. Sentir desejo sexual e não poder externar muito ruim, porque a mulher acaba se privando de sensações prazerosas que não precisam ser reprimidas. Mesmo sem a presença de uma companhia, a mulher pode (e deve, se ela curtir) se tocar em busca do próprio prazer.  Então mesmo quando está muito difícil conseguir apoio para sair sem as crianças ou aquele tempo na rotina pra estar com o parceiro (ou parceira), a mulher não precisa abrir mão da sua sexualidade.

Então, seja você mãe solo, mãe de bebê ou de adolescentes, não aposente sua lingerie! Tudo mundo (que quer) transa e não é porque você tem filhos que precisa deixar de transar. Olha para a sua rotina, veja que adaptações você pode fazer e arrume um tempo para si. Sozinha ou acompanhada, sua vida sexual não precisa morrer depois de ter filhos.

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