Postado em 15 de setembro de 2017 por Lu Bento

Estou fazendo um curso técnico em Promoção da Participação Infantil, etapa de formação relacionada ao projeto Gira por la Infancia. O curso, com 180 horas de conteúdo online, é uma densa imersão ao universo de cuidados com a infância.

Não me dedicava tanto ao tema desde 2011, quando comecei uma pós-graduação em Direito da Criança e do Adolescente na UERJ mas tive que abandoná-la quando me mudei para São Paulo.  Retomar isso em 2017 foi um grande desafio, principalmente porque a minha realidade mudou bastante. Agora tenho duas filhas, um emprego e vários projetos paralelos. Tudo isso pra dizer que não está nada fácil.

Uma das atividades do curso técnico em promoção da participação infantil é realizar uma grande pesquisa sobre o que as pessoas entendem por cuidados com a infância. Teremos que entrevistar 150 pessoas na Espanha sobre o tema e 20 pessoas em nossos países de origem.  Eu fiquei impressionada com essa pesquisa quantitativa em tão pouco tempo. Mas aceitei o desafio e já realizei a parte da pesquisa que deve ser feita no Brasil através deste link.

O curso também conta com uma enorme carga de leituras e um projeto final que será publicado em forma de livro. Incrível né? Estou bem animada e ansiosa com tudo isso.

A verdade é que esse tema da Promoção da Participação Infantil é muito pouco debatido no Brasil. Temos uma parlamento jovem  e outros projetos políticos como Jovem Prefeito e jovens vereadores em algumas cidades, mas pouco falamos sobre isso de forma mais compromissada e responsável. Vemos nossos jovens como pessoas que podem fazer a diferença nas eleições, principalmente a faixa etária do voto facultativo. Mas não pensamos em garantir espaços em que crianças e jovens possam falar e decidir aspectos fundamentais sobre suas vidas.

Afinal, as crianças e adolescentes precisam de proteção mas também de autonomia. Quando a gente não fomenta esses espaços de decisão autônoma e autogestionada das crianças e jovens, estamos evitando que essa parcela da população desenvolva desde cedo o senso crítico e participativo, a autonomia e a segurança de expressar por conta própria seus desejos e anseios.

Ainda estou em uma fase bem embrionária das descobertas sobre esse tema e ampliando muito a minha maneira de ver a participação infantojuvenil cidadã. As leituras do curso renderão bons assuntos para discutirmos aqui no blog, então aguardem novidades neste sentido.

 

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