Todos os posts sobre Combate ao Racismo
Postado em 5 de outubro de 2017 por Lu Bento

 

 

 

“Mamãe, o menino falou que não ia brincar comigo porque os amigos dele são brancos e eu sou marrom. Ele disso que não gosta de marrom.”

“E o que você disse filha?”

“Eu disse que eu gosto de marrom, e que às vezes as famílias são marrom. E toda a minha família é marrom e eu sou linda!”

” Ah é filha? E ele?”

” Ele disse que só brinca com os amiguinhos brancos.”

 

Esse foi o meu diálogo desta manhã com a minha filha caçula, de 3 anos. Ela me contou, com muita naturalidade e sem nenhum sinal de mal-estar que um coleguinha da turma falou que não brincaria com ela porque ela é “marrom”. Quando ela começou a conversa e me disse isso, meu sangue gelou. Um desconforto físico tomou conta do meu corpo e eu percebi que minha filha, minha garotinha que mal deixou de ser um bebê, já está enfrentando o racismo.

Mini Bentia é muito sensível e emotiva, então assim que ela me contou isso eu a imaginei chorando e ficando triste essa rejeição com base em sua cor de pele. Em seguida, perguntei qual foi a reação dela e a resposta me surpreendeu e me acalmou. Ela não se deixou abalar pela rejeição e falou de forma positiva da sua cor de pele.  Não tenho como ter certeza que ela agiu dessa maneira. O racismo nos pega de surpresa e nos deixa sem ação, mesmo quando já sabemos várias respostas para o preconceito. Como essa história está sendo contada por ela depois, é claro que essa reação positiva pode ser uma forma idealizada, pode ser uma construção de como ela gostaria de ter agido na hora, mas que não fez de verdade ou pode até mesmo ser uma forma dela me contar que me deixe feliz com ela, porque sempre falamos em casa o quanto gostamos de ser negros.  O final da história é aquele já narrado, o menino manteve a mesma posição e não brincou com ela.

Mesmo que os fatos não tenham acontecido exatamente assim, é pouco provável que a cena toda seja uma invenção da minha pequena. Crianças negras sofrem racismo na escola desde cedo e é até natural que as crianças não saibam lidar com as diferenças.

Na escola da Mini Bentia, a maioria das crianças são brancas. As professoras também. Então pensando no contexto daquele espaço e nas prováveis relações que esse menino estabelece, o contato com pessoas negras deve ser muito pequeno. Somando-se a isso, a ausência de representatividade negras nos desenhos animados, na publicidade e nos espaços de poder fazem com que a criança branca cresça com uma visão distorcida sobre a negritude.  Eu entendo que a criança branca não queira se misturar com crianças de outras etnias, que prefira ficar entre iguais. O que eu não entendo é que adultos não façam nada quanto a isso. Não entendo como professores e pais não desenvolvem um olhar atendo sobre essas questões, não percebem que as crianças brancas estão afastando as crianças negras ou se negando a brincar ou interagir com elas.

Essa atitude de afastamento a partir da diferença é o embrião do racismo. E ele é alimentado pela falta de educação para as relações étnico-raciais, pela falta de uma atitude pró-ativa para o combate à discriminação racial na infância e pela omissão das pessoas não-negras na luta antirracista.

O caso relatado pela Mini Bentia mostra que essa situação precisa de uma intervenção. Não sei se algum adulto acompanhou o diálogo, nem se esse menino convive com outras crianças negras além da minha filha e essa foi uma atitude pontual, uma justificativa naquele momento pra não brincar com ela. Não sei sequer se a família dessa criança a ensina a se afastar de pessoas negras ou se essa foi só uma percepção da criança de que o afastamento é uma postura adequada diante das diferenças. Não tenho essas respostas.

Só sei que o nosso trabalho de formiguinha só vai resolver parte do problema, a parte que nos afeta e nos faz sofre. Minha filha me contou tudo isso com naturalidade, como se fosse mais um fato corriqueiro da escola e sorriu quando me contou a sua resposta para o menino. Eu posso trabalhar para que ela entenda que é o menino que sai perdendo com essa atitude, que a discriminação racial não é culpa dela e que ele é que está agindo de uma forma errada e mal educada. Mas e a outra parte? Quem trabalhar para ensinar o menino a conviver e respeitar as diferenças? Quem ensina pra criança que essa atitude é racismo? Quer percebe logo na primeira infância as raízes dessa atitude racista e procura combatê-la?

Eu marquei uma reunião com a direção da escola para informar o que minha filha contou essa manhã. Mas nada me garante que as pessoas se interessarão verdadeiramente em por essa questão. Nada me garante que as professoras olharão com amis cuidado para as interações entre as crianças e perceberão essas situações a ponto de intervir. Nada me garante que os profissionais da escola estão habilitados para promover uma educação pra diversidade, que valorize as diferenças e que combata o racismo. Nada me garante que a família do menino será informada para também se dedicar a promover uma educação que respeite o outro e que o ensine a conviver com as diferenças.

Não dá pra colocar toda a carga do racismo nas costas das pessoas negras. O racismo contra negros é um problema gerado pelos brancos e precisa ser combatido por todos.

 

Postado em 8 de setembro de 2016 por Lu Bento

Combater o racismo  é um dever todos nós. Não importa se você é branco ou negro, se sente o racismo na pelo ou se acha que o país já é bem menos racista que antigamente. Se você acredita que o racismo deve ser erradicado, é preciso adotar uma postura antirracista.

A Unicef lançou uma cartilha com 10 maneiras de contribuir para uma infância sem racismo. Creio que essa é uma leitura fundamental para educadores, pais e quaisquer interessados em promover uma educação antirracista, por isso reproduzo e compartilho aqui o material produzido pela Unicef.

diversidade1 - infância sem racismo

10 maneiras de contribuir para Uma Infância sem Racismo

1. Eduque as crianças para o respeito à diferença. Ela está nos tipos de brinquedos, nas línguas faladas, nos vários costumes entre os amigos e pessoas de diferentes culturas, raças e etnias. As diferenças enriquecem nosso conhecimento.

2. Textos, histórias, olhares, piadas e expressões podem ser estigmatizantes com outras crianças, culturas e tradições. Indigne-se e esteja alerta se isso acontecer –contextualize e sensibilize!

3. Não classifique o outro pela cor da pele; o essencial você ainda não viu. Lembre-se: racismo é crime.

4. Se seu filho ou filha foi discriminado, abrace-o, apoie-o. Mostre-lhe que a diferença entre as pessoas é legal e que cada um pode usufruir de seus direitos igualmente. Toda criança tem o direito de crescer sem ser discriminada.

5. Não deixe de denunciar. Em todos os casos de discriminação, você deve buscar defesa no conselho tutelar, nas ouvidorias dos serviços públicos, na OAB e nas delegacias de proteção à infância e adolescência. A discriminação é uma violação de direitos.

6. Proporcione e estimule a convivência de crianças de diferentes raças e etnias nas brincadeiras, nas salas de aula, em casa ou em qualquer outro lugar.

7. Valorize e incentive o comportamento respeitoso e sem preconceito em relação à diversidade étnico-racial.

8. Muitas empresas estão revendo sua política de seleção e de pessoal com base na multiculturalidade e na igualdade racial. Procure saber se o local onde você trabalha participa também dessa agenda. Se não, fale disso com seus colegas e supervisores.

9. Órgãos públicos de saúde e de assistência social estão trabalhando com rotinas de atendimento sem discriminação para famílias indígenas e negras. Você pode cobrar essa postura dos serviços de saúde e sociais da sua cidade. Valorize as iniciativas nesse sentido.

10. As escolas são grandes espaços de aprendizagem. Em muitas, as crianças e os adolescentes estão aprendendo sobre a história e a cultura dos povos indígenas e da população negra; e como enfrentar o racismo. Ajude a escola de seus filhos a também adotar essa postura.

Participe desta campanha e contribua para Uma Infância sem Racismo.

Acompanhe o tema da redução do impacto do racismo na infância e na adolescência por meio do www.unicef.org.br ou siga o UNICEF no Twitter: @unicefbrasil.

Divulgue para os seus amigos! Valorizar as diferenças na infância é cultivar igualdades!

Postado em 1 de setembro de 2015 por Lu Bento

Como vocês sabem, comecei esse ano uma livraria itinerante com o meu marido, a InaLivros. E como empreendedora, acho importante me qualificar e aprender ao máximo sobre isso que eu estou se disponibilizando a fazer. Pois bem, resolvi me inscrever e participar do 4º Fórum de Mulheres Empreededoras, organizado pela Rede Mulher Empreededora e patrocinado e apoiado por uma série de empresas grandes, dentre elas a AVON e o Itaú.  Até aí, beleza. Lindo demais fortalecer iniciativas de empreendedorismo protagonizadas por mulheres. Mas… e as mulheres negras?

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No evento, eram umas 10 mulheres negras na parte da manhã, num universo de mais de 500 mulheres.  Sendo que dessas 10 que eu contei, provavelmente algumas não se reconheçam, ou se autoafirmem como negras. Na parte da tarde o número subiu um pouco, erámos cerca de 20 (sim, não faz diferença nenhuma num universo de mais de 500 brancas, mas faz com que a gente já possa trocar algumas ideias!) No começo, na minha inocência de quem está envolvida em um monte de eventos afros, e está em contato com outras empreendedoras negras todos os finais de semana em eventos e todos os dias no facebook e no whatsapp, eu tinha certeza que chegaria lá e encontraria uma série de rostinhos conhecidos, mulheres que estão empreendendo e consolidando seus negócios na área de moda e produtos artesanais e esperava também mulheres que trabalham no ramo alimentícios e de serviços, já que somos muitas nessas áreas também. Esperava trocar muitos cartões, conhecer melhor alguns trabalhos e até mesmo estabelecer parcerias…

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A imagem do cartaz do evento não era essa. Essa é a imagem do folheto e tem uma mão preta ultra escondida.

Mas não foi bem assim. Todas as palestrantes eram brancas, as participantes também, até o cartaz do evento só tinha mãoszinhas brancas, pra deixar bem claro com quem elas pretendiam falar naquele espaço. De cara me senti desconfortável e foi ao banheiro caprichar em um turbante pra mostrar que eu estava ali mesmo, preta e diva, participando do fórum, das mentorias, trocando cartões como qualquer uma delas. Apesar disso, da minha saia estampada e da minha blusa vermelha totalmente diferente do uniforme pretinho básico das recepcionistas,  ainda fui alvo de perguntas inconvenientes  por parte de uma participante sobre onde é o banheiro, ou sobre como ela poderia conseguir um copo de água e sobre alguma outra coisa que foi ignorada por mim pra que ela percebesse que eu não estava ali pra responder a todas as suas perguntas sobre questões operacionais do evento.  Também não escapei de ser ignorada pela moça que estava entregando revistas na saída do auditório pras participantes que saiam, mesmo estando mais próxima a ela que outras mulheres, ela passou direto por mim e foi entregar às mulheres brancas.

Nas falas das palestrantes, destaco a total desconexão do mundo que algumas vivem com a nossa realidade. Uma se tornou CEO de uma empresa ao 26 anos, dando continuidade aos negócios da família. Outra gostava do trabalho, a empresa ia fechar, e ela pediu a empresa como presente de aniversário de casamento e o marido deu. Outra foi instigada por um cliente a comprar  uma outra empresa que estava prestes a fechar e ela comprou, mesmo “sem ter o dinheiro pra pagar”. Ou seja,  não são realidades de pessoas que trabalham pra garantir a sua subsistência, que empreendem e que precisam viver disso imediatamente, pois tem contas pra pagar, bocas pra alimentar…

mulher exportação empreendedorasOutro ponto que me chamou atenção é que a imagem da mulher negra ainda é utilizada como um recurso pra determinadas empresas. Uma empresa de exportação, fez uma divulgação em parceria com a própria Rede Mulher Empreendedora explorando a imagem da mulher negra e o estereótipo de “mulata tipo exportação”, em uma referencia não só sexista como racista também. Porque um evento que só coloca imagens de mulheres brancas em suas divulgações, só tem mulheres brancas palestrantes, resolve colocar uma imagem de mulher negra justamente na propaganda de algo para exportação? É coincidência demais pro meu gosto.

Cadê as mulheres negras empreendedoras?

Mulheres negras são empreendedoras desde que chegaram no Brasil. Lavadeiras, cozinheiras, quituteiras, diaristas, artesãs… estamos no mercado de trabalho informal ou autônomo há muito mais tempo que às recentes demandas feministas da década de 60 e 70 do século passado. Temos expertise na área de empreendedorismo, pois foi com criatividade e trabalho que muitas mulheres negras sustentaram suas famílias ao longo dos anos  e sustentam até hoje.

Ao mesmo tempo, a cada dia cresce mais o número de mulheres negras empreendendo, seja por trabalhar autonomamente na sua área de formação profissional, com consultoria e prestação de serviços,  seja por comercializarem roupas, brinquedos, acessórios, alimentos e diversos outros produtos em feiras e eventos por toda a cidade.

As mulheres negras empreendedoras existem e estão por aí trabalhando duro, consolidando novos negócios, inovando, diversificando seus pontos de atuação  e precisam ser fortalecidas em suasmulher negra empreendedora trajetórias e experiências. Espero que em breve possamos ter um espaço tão adequado quanto este para nossas trocas de experiências, networking, parcerias, mentorias e fortalecimento coletivo de nossos negócios.

Pesquisando na internet, vi que na Bahia, ano passado, rolou um Seminário Mulher Negra Empreededora, uma iniciativa do Sebrae e da Secretaria de Políticas das Mulheres do Estado da Bahia (SPM-BA). É muito gratificante saber que já existem iniciativas nesse sentido. Não sei sobre esse tipo de evento em outras cidades, mas espero que já estejam construindo algo nesse sentido.

Foi bom pra você?

De um modo geral, o evento foi bom. Com certeza farei o possível para participar da próxima edição porque acredito que precisamos nos apropriar desses espaços que também são nossos. Mulheres negras empreendem desde sempre neste país, temos experiência e vivência nessa área que vem de antes da emancipação feminina e isso precisa ser valorizado.   Fora isso, o evento trouxe informações importantes pra quem decide empreender. Conheci um pouco sobre o projeto 10 mil mulheres e pude ouvir sobre experiências em diversos setores que contribuem para que a gente busque melhorias para o nosso próprio trabalho. Além disso, soube do Prêmio Mulheres Tech em Sampa e achei a iniciativa muito interessante por estimular mulheres a conhecer mais sobre tecnologia, empreendedorismo digital, programação…

Além disso fiz contatos interessantes, conheci algumas experiências  bem sucedidas de gestão de negócios que podem nos inspirar com o trabalho na InaLivros.

Postado em 6 de abril de 2015 por Lu Bento

Hoje temos um desenho que é um sucesso entre os pequenos e o grandes. Foi um dos posts mais comentados e compartilhados na nossa página do facebook. Todo mundo adora esse herói.

O desenho é… Super Choque

Super choque

Gente, super-herói negro? Super-herói adolescente? Sério, isso é uma superdose de autoestima pra qualquer menino. Eu digo menino porque eles se identificam imediatamente com a figura do Virgil Hawkins, mas um super-herói negro é pra elevar a autoestima de todos nós né!

Eu assistia direto no SBT, não me cansava de ver, se bobear já tinha decorado as falas e tudo. As meninas ainda não assistem, ele é mais indicado pra crianças maiores que conseguem acompanhar melhor a trama.

Nem tem necessidade de falar da trama porque todos conhecem, mas basicamente é a história de um menino negro que vive com o pai e a irmã que se torna super-herói ao ser exposto a um gás desconhecido e se tornar um meta-humano com superpoderes eletrostáticos. O desenho basicamente fala da luta do Super Choque e seu amigo Gear para proteger a cidade dos meta-humanos que desejam destruí-la.

Uma coisa que eu acho bem bacana no desenho é que o Super Choque não gosta de armassuper choque de fogo. Acho meio desnecessária essa valorização das armas de fogo para solucionar problemas. A versão oficial da história diz que o Virgil não gosta de armas de fogo porque a sua mãe foi morta por uma bala perdida em um guerra de gangues rivais. Alguns blogueiros contam uma outra versão, bem mais pesada para um desenho infantil, na qual ela era vítima de violência doméstica e foi assassinada pelo marido. Parece que essa foi a versão do piloto, que não agradou muito o pessoal da Tv e foi adaptado para algo mais leve pra o público infanto-juvenil.

Outra coisa que me chama atenção é o Virgil ser apaixonado por uma menina preta da escola, a Dayse. Tudo bem que na realidade americana é comum escolas na qual a maioria dos alunos são pretos e tal. Mas pros nossos adolescentes aqui, é um grande estímulo para que eles enxerguem a beleza das meninas pretas. A tv brasileira ainda tem sérias dificuldade de mostrar casais pretos, quando mostram personagens pretos com interesse amoroso acabam falando também sobre relações interraciais.

A personasheron - superchoquegem que eu mais gosto, sem dúvida é a irmã do Virgil, a Sharon. Ela tem um lado meio maternal com o irmão, a mãe deles já é falecida e ela meio que ocupa esse lugar. Ela parece meio bolada, mas no fundo tem um coração bom. E é cheia de personalidade!

Tem muita coisa pra se falar, o desenho é bom demais e quem não viu, vale a pena ver!

Postado em 30 de março de 2015 por Lu Bento

O desenho é… Yo Gabba Gabba

yogabagabba

O programa de hoje, que também não é beeeem um desenho, é o Yo Gabba Gabba. Um cara (DJ Lance) e cinco personagens (Muno, Fofa, Barriga, Gatinha e Plex) protagonizam esse programa educativo voltado para crianças pequenas.

SYDNEY, AUSTRALIA - JUNE 02: DJ Lance and the Yo Gabba Gabba gang pose during a photo call promoting their appareance at Vivid LIVE, at the Sydney Opera House on June 2, 2011 in Sydney, Australia. Vivid LIVE at the Opera House will run from May 27 to June 5 as part of Vivid Sydney, the city's annual festival of light, music and ideas. (Photo by Cameron Spencer/Getty Images)

Gostei de cara por ser um programa infantil protagonizado por um homem negro. Já é raro ver programa infantil protagonizado por negros, por homens então, nem se fala. Lógico que quem descobriu esse programa no Netflix foi o papai, e ele logo se empolgou e colocou pras curicas assistirem. Isha Bentia gostou também e ele acabou se tornando um dos programas favoritos da família.

Além do apresentador negro, o programa preza muito pela diversidade e com desenhos, músicas e brincadeiras vai ensinando pequenas coisinhas pras crianças: respeito às diferenças, boas maneiras, hora de dormir, a não ter medo de tudo, a ser perseverante…

MartianRobotGirlAo longo do programa passa algumas esquetes com mini desenhos animados, e o que a gente gosta mais por aqui é o da Super Robô Marciana. Aqui em casa ela virou Super Mamãe Marciana, ou seja, associaram a personagem a minha pessoa e eu virei super-heroí! Não é em todo episódio do YO Gabba Gabba que ela passa, mais quando passa é aquela gritaria “mamãe, você! Olha você lá!”

Outra parte que eu gosto bastante é que em um dos quadros eles colocam um rappebiz-yo-gabbar pra ensinar batidas de rap com a boca, beatbox. Mais uma vez é uma quebra de estereótipo colocar um homem negro, rapper, enorme num programa infantil ensinando crianças. E é uma delícia ver Isha Bentia tentando fazer os sons. É diversão pra família toda. Já deu da figura da moça loira de roupa curta “animando” a criançada.

Yo Gabba Gabba a gente assiste no Netflix, mas é uma produção da Disney Jr e pode ser encontrado também no YouTube. Esse é um dos vídeos que Isha Bentia mais gosta, mesmo sendo em inglês ela sempre pede pra repetir!

Muita música, cores e bons ensinamentos. Perfeito pros pequenos, sucesso entre as curicas!

Postado em 23 de fevereiro de 2015 por Lu Bento

O desenho é  Kiriku

Kiriku

Eu não ia falar dos desenho do Kiriku agora, muitos já conhecem e eu tava planejando falar sobre ele depois que eu visse por mais vezes o novo Kiriku e os homens e as mulheres. Mas nesse carnaval aconteceu uma coisa linda, e eu estou frustradíssima por só descoberto antes: uma escola de samba de São Paulo desfilou com o enredo “Karabá e o menino do coração de ouro”. Então, pra aliviar a minha frustração, vamos falar de Kiriku!

Kiriku é o desenho favorito de Isha Bentia no momento. Ela fala em Kiriku o tempo todo! Ela morre de medo da Karabá (rainha), mas também morre de amores. Sabe aquela sensação de fascínio e medo que as crianças pequenas costumam sentir por alguma coisa? Isha Bentia sente pelas histórias do Kiriku. É bom saber que um história tão fofa como essa vai ficar nas nossas lembranças da infância dela.

Isha Bentia assistiu Kiriku e a feiticeira com o pai, e ficou vidradinha durante todo o filme. Acho que foi o primeiro longa que ela assistiu e ela fez tantas perguntas que deu pra perceber que estava bem interessada. Ficou com medo da feiticeira e seus feitiços e isso nos rendeu algumas horas de explicações para que ela entendesse que a feiticeira não quer fazer mal a ela.

kiriku1

Eu gostei mais da seqüência Kiriku e os Animais Selvagens. As histórias são curtinhas, é mais prático pra Isha ver no dia-a-dia e é melhor para as crianças pequenas.

O último, Kiriku e os homens e as mulheres, eu descobri há pouco tempo e achei bem diferente dos demais. Outros personagens entram na história, me pareceu meio confuso. Mas como Isha Bentia não curtiu muito ainda, eu não tenho muito o que dizer sobre ele.

Kiriku é tão querido aqui em casa que já virou brincadeira entre as meninas, Isha Bentia diz que é a Karabá, a feiticeira e corre atras de todo mundo. Mini Bentia é Kiriku e salva as pessoas. Qualquer brinquedo vira um Feitiço da Karabá e pode pegar a gente. Já dá ora imaginar o quanto eu já corri por essa casa fugindo da Karabá né? E o quanto já tive que ficar com a Kiriku no colo pra não se presa por um Feitiço!

Identidade, cultura, representatividade, ancestralidade…tudo isso encontramos em Kiriku.

Postado em 21 de fevereiro de 2015 por Lu Bento

O desenho é: Milly e Molly

Milly e Molly
Milly e Molly são duas garotinhas de 8 anos que juntas se divertem e ajudam as pessoas. Gosto do desenho porque ele sempre trás uma mensagem positiva, as meninas são bem comportadas e gostam de ajudar as pessoas. O mote do desenho é o respeito à diversidade. É aquele desenho bom pra gente assistir junto com as crias e ficar elogiando a personagem pela boa ação dela pra estimular a cria a fazer o mesmo ou pelo menos pra reafirmar valores positivos.

Não vejo nenhuma diferenciação entre as duas protagonistas, tanto a Milly (negra) quanto a Molly (branca) tem o mesmo destaque e importância na história. Ah, não dá pra deixar de notar que Milly tem um belo black, o que é super importante em termos de representatividade. As duas tem “cara de desenho”, então não dá pra perceber traços fenotípicos negros na Milly.

O desenho é inspirado em uma série de livros que eu ainda não tive o prazer de ler, mas que devem ser bem interessantes a julgar pelas resenhas que vi sobre eles.

Postado em 26 de janeiro de 2015 por Lu Bento

Em nossa página do facebook comecei uma série de posts comentando alguns desenhos animados que tem personagens negros, protagonistas  ou não, ou que tenham de alguma forma uma temática relacionada à cultura negra.

Como a ideia é que a página e o blog tenham o conteúdo integrado, vou tentar prazer pra esse espaço o que for apresentado lá sobre os desenhos e talvez desenvolver um pouco mais minhas impressões sobre eles aqui.

O primeiro O desenho é…  do face foi Zack & Quack.

Zack & quack

Um menino branco, um pato e uma menina preta se envolvem em um monte de aventuras dentro de um livro pop-up. Em geral, o pato faz alguma besteira e o menino e a menina preta resolvem o problema. Zack & Quack é bacaninha, melhor que muitos por aí. A menina preta aparece direto e sempre ajuda a resolver os problemas. Na realidade ela não só ajuda, mas com a sua habilidade em recortar, colar e fazer qualquer coisa com papel, ela tem um lugar de destaque na trama do desenho. O fato da história se passar em um livro também é bem legal, não deixa de ser um estímulo à leitura.

O Kirablack da menina é um arraso!!! A Kira é linda, inteligente e companheira. Uma excelente combinação pra inspirar nossas meninas.

Mas no título só o Zack e o Quack entram. E a Kira? A Kira é menina. E preta.

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5 de outubro de 2017       “Mamãe, o menino falou que não ia brincar comigo porque os amigos dele são brancos e...