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Postado em 30 de maio de 2018 por Lu Bento

Uma das maiores preocupações da vida materna é a educação dos filhos. A gente está sempre em dúvida se está fazendo tudo certo, se é essa o caminho ou se poderíamos fazer melhor. Afinal, na maioria das vezes estamos aprendendo e descobrindo como ser mãe ao longo do processo, não existe “curso preparatório para a maternidade” que nos prepare para as intercorrências da vida.

Mas existem vários livros sobre educação infantil nos quais profissionais como psicólogos, pedagogos, médicos ou mesmo pais e mais mais experientes compartilham o que aprenderam ao longo de suas vidas e carreiras e que podem nos ajudar a iluminar o nosso caminho na criação e educação de filhos.

No Leituras Maternas de hoje eu trago um livro sobre criação de filhos e era digital.  Quais os impactos do usos de telas na vida das crianças? Como pais e mães podem lidar com isso? Acompanhe a minha experiência de leitura e minha opinião sobre o livro.

 

Como criar filhos na era digital

como criar filhos na era digital
Autora: Dra. Elizabeth Kilber

Editora: Fontanar

 

A proposta do livro é orientar mães e pais na criação dos filhos diante da intensa exposição das crianças ao uso de telas. A princípio fiquei muito empolgada com a leitura, porque as minhas meninas já ficam muito tempo diante de telas e eu entendo que é um grande desafio para as famílias dosar o tempo de exposição.

Mas confesso que fiquei decepcionada logo no começo do livro. De cara senti falta de mais densidade de conteúdo. A autora repete muito as suas credenciais para escrever essa obra : “Sou psicóloga infantil há mais de uma década”, “vejo isso todos os dias no meu consultório” e outras expressões do tipo. Claro que é importante ela se apresentar e deixar clara a sua experiência no assunto, mas ela fala tudo isso na introdução e repete ao longo dos capítulos, de uma forma bem chata, pra dizer a verdade. Como se ela não tivesse segurança naquilo que ela traz e precisasse se reafirmar a todo tempo. O próprio modo como ela se apresenta como autora “Dra. Elizabeth Kilbey” já é meio forçado.

Diante dessa minha má- vontade inicial com a autora e como ela se apresenta, a minha experiência de leitura foi um pouco frustrante. Ela traz várias explicações científicas sobre os impactos do uso excessivo de telas na vida das crianças e dados sobre o desenvolvimento ideal para cada idade. Mas eu senti um certo choque de gerações no discurso dela, quando ela fala, por exemplo, que o uso de telas afeta a aprendizagem e educação, porque a aquisição de conhecimento é feita de uma forma passiva, já que as informações estão a um toque de botão. Ela entende que as  respostas podem ser simplesmente pesquisadas no Google e as crianças não questionam o que lêem, sem desenvolver as habilidades de pesquisa e de avaliação crítica.   Para mim, essa opinião desconsidera totalmente que as crianças estão adaptadas às demandas do seu tempo, e que a avaliação crítica e construção dos conhecimentos atualmente se dá a partir de outros parâmetros. Saber qual informação buscar, como buscar, filtrar qual dos milhares de resultados traz o conteúdo que você precisa, reter só o necessário, descartando informações irrelevantes, tudo isso são habilidades que estão sendo desenvolvidas, e não faz sentido  considerar  que antigamente as crianças aprendiam mais e melhor.

E por fim, para acabar com minha série de críticas negativas sobre o livro, em algumas partes a autora fala de características que ajudam os pais a identificarem o uso excessivo de telas e elenca situações como aumento das brigas entre irmãos, dificuldades em fazer amizades e ter dificuldades para dormir.  Aí é forçar a barra, não é mesmo? Tudo bem querer defender um ponto de vista, mas usar sinais de qualquer outro problema com a criança como sinal de alerta para o uso excessivo de telas é um pouco demais.  E foram esses argumentos forçados que me deixaram meio insatisfeita com a leitura.

Mas depois de todas essas dificuldades que eu tive com a escrita narcisística da autora e dessa possível percepção de que “no meu tempo era melhor” e que “defenderei meu argumento a qualquer custo”, comecei a gostar bastante do livro, principalmente quando ela fala sobre a importância de acompanhar o uso que os filhos fazem dos aparelhos digitais e sobre as orientações que podemos dar sobre a presença das crianças na internet. Acho que essas orientações são fundamentais, já que a internet nos parece algo tão inofensivo, mas é um imensa janela para o mundo. Cada palavra, cada foto, tudo que é lançado na internet saí de alguma forma do nosso controle. E as crianças precisam saber de tudo isso e serem orientadas. Questões sobre bulliyng virtual, grooming, vício em internet, jogos violentos, tudo isso é abordado no livro e suscita reflexões importantes sobre educação. Uma das sensações que me deu é que precisamos estar atualizados sobre o que existe na internet para que possamos proteger nossos filhos. Acompanhar a vida digital deles é fundamental.

No final de alguns capítulos, o livro traz alguns sinais de alerta sobre as situações apresentadas no capítulo e algumas soluções para esse problema. Gostei muito dessa estrutura porque funciona como um guia rápido para os pais e pode ser um espaço para consultas rápidas, tornado o livro um bom aliado na educação dos filhos.  O capítulo sobre como impedir que o tempo de tela se torne um campo de batalha também é muito bom. Já estou aplicando algumas das sugestões em meu cotidiano para organizar melhor o uso de telas aqui em casa.

Ao final do livro, ela ainda traz um capítulo sobre os benefícios do uso de telas e equilibra um pouco a situação. O uso de telas é a nossa realidade, não há perspectiva que teremos uma mudança nessa tendência nos próximos anos e precisamos aprender a lidar com isso da melhor maneira possível.

Meu amor pelo livro:

 

 

 


Este livro foi cedido para leitura pelo grupo editorial Companhia das Letras como parte da nossa parceria. Caso tenha interesse em adquirir um exemplar,  compre pelo nosso link da Amazon e ajude o AMP.

Postado em 22 de março de 2018 por Lu Bento

No domingo passado realizamos mais uma atividade presencial, a oficina Família Leitora – mediação de leitura afetiva. Foi uma oportunidade incrível de compartilharmos com outras famílias nosso interesse por leitura e algumas ideias que colocamos em prática para  fomentar o prazer o o hábito de ler em nossa família.

Família Leitora - banner

Poder compartilhar nossas pesquisas e práticas sobre o assunto é sempre um momento de extrema alegria e realização. Eu e o Leo acreditamos na leitura como ferramenta de empoderamento das crianças, principalmente das crianças negras, e  uma oportunidade incrível de estreitamento de vínculos afetivos. Por isso, sempre que temos a oportunidade de dividirmos nossa experiência com  outras famílias fazemos isso com muita satisfação.

A oficina deste final de semana foi parte das atividades do evento Mostra de Literatura Negra Ciclo Contínuo, na qual também  participamos na produção e mediação de algumas mesas. De um modo geral, foi um evento com programação variada, que atraiu diferentes públicos e promoveu a literatura com protagonismo negro. Foi muito gratificante participar de uma iniciativa como esta e contribuir de alguma forma para a divulgação da literatura negra.

 

A oficina Família Leitora

Família Leitora - oficina

A oficina foi uma realização para nós. Sempre pensamos formas de compartilhar com outras famílias as coisas que temos aprendido na convivência e educação das meninas. O nosso trabalho com literatura nos levou a valorizar muito a leitura como ferramenta de construção de vínculos afetivos. Por isso, realizar uma oficina de mediação de leitura para famílias se tornou um grande projeto da nossa família.  Fazemos isso em conjunto, compartilhando os conhecimentos que adquirimos na prática cotidiana e com todos os estudos que fazemos nessas áreas.

 

Já trabalhamos com oficinas para educadores apresentando literatura com protagonismo negro e como esses livros podem ser utilizados na prática escolar. Mas é muito diferente quando a gente decide compartilhar com outras famílias as ideias e práticas que funcionam aqui em casa e que nos ajudam a fomentar o hábito de leitura. As meninas ainda não são alfabetizadas, mas posso afirmar com muita tranquilidade que elas já são grandes leitoras.

Nosso objetivo é levar a oficina Família Leitora para mais espaços e compartilhar com mais famílias a importância e a diversão do  hábito de leitura.  Que essa jornada seja longa e próspera!

 

Postado em 5 de outubro de 2017 por Lu Bento

 

 

 

 

“Mamãe, o menino falou que não ia brincar comigo porque os amigos dele são brancos e eu sou marrom. Ele disso que não gosta de marrom.”

“E o que você disse filha?”

“Eu disse que eu gosto de marrom, e que às vezes as famílias são marrom. E toda a minha família é marrom e eu sou linda!”

” Ah é filha? E ele?”

” Ele disse que só brinca com os amiguinhos brancos.”

 

Esse foi o meu diálogo desta manhã com a minha filha caçula, de 3 anos. Ela me contou, com muita naturalidade e sem nenhum sinal de mal-estar que um coleguinha da turma falou que não brincaria com ela porque ela é “marrom”. Quando ela começou a conversa e me disse isso, meu sangue gelou. Um desconforto físico tomou conta do meu corpo e eu percebi que minha filha, minha garotinha que mal deixou de ser um bebê, já está enfrentando o racismo.

Mini Bentia é muito sensível e emotiva, então assim que ela me contou isso eu a imaginei chorando e ficando triste essa rejeição com base em sua cor de pele. Em seguida, perguntei qual foi a reação dela e a resposta me surpreendeu e me acalmou. Ela não se deixou abalar pela rejeição e falou de forma positiva da sua cor de pele.  Não tenho como ter certeza que ela agiu dessa maneira. O racismo nos pega de surpresa e nos deixa sem ação, mesmo quando já sabemos várias respostas para o preconceito. Como essa história está sendo contada por ela depois, é claro que essa reação positiva pode ser uma forma idealizada, pode ser uma construção de como ela gostaria de ter agido na hora, mas que não fez de verdade ou pode até mesmo ser uma forma dela me contar que me deixe feliz com ela, porque sempre falamos em casa o quanto gostamos de ser negros.  O final da história é aquele já narrado, o menino manteve a mesma posição e não brincou com ela.

Mesmo que os fatos não tenham acontecido exatamente assim, é pouco provável que a cena toda seja uma invenção da minha pequena. Crianças negras sofrem racismo na escola desde cedo e é até natural que as crianças não saibam lidar com as diferenças.

Na escola da Mini Bentia, a maioria das crianças são brancas. As professoras também. Então pensando no contexto daquele espaço e nas prováveis relações que esse menino estabelece, o contato com pessoas negras deve ser muito pequeno. Somando-se a isso, a ausência de representatividade negras nos desenhos animados, na publicidade e nos espaços de poder fazem com que a criança branca cresça com uma visão distorcida sobre a negritude.  Eu entendo que a criança branca não queira se misturar com crianças de outras etnias, que prefira ficar entre iguais. O que eu não entendo é que adultos não façam nada quanto a isso. Não entendo como professores e pais não desenvolvem um olhar atendo sobre essas questões, não percebem que as crianças brancas estão afastando as crianças negras ou se negando a brincar ou interagir com elas.

Essa atitude de afastamento a partir da diferença é o embrião do racismo. E ele é alimentado pela falta de educação para as relações étnico-raciais, pela falta de uma atitude pró-ativa para o combate à discriminação racial na infância e pela omissão das pessoas não-negras na luta antirracista.

O caso relatado pela Mini Bentia mostra que essa situação precisa de uma intervenção. Não sei se algum adulto acompanhou o diálogo, nem se esse menino convive com outras crianças negras além da minha filha e essa foi uma atitude pontual, uma justificativa naquele momento pra não brincar com ela. Não sei sequer se a família dessa criança a ensina a se afastar de pessoas negras ou se essa foi só uma percepção da criança de que o afastamento é uma postura adequada diante das diferenças. Não tenho essas respostas.

Só sei que o nosso trabalho de formiguinha só vai resolver parte do problema, a parte que nos afeta e nos faz sofre. Minha filha me contou tudo isso com naturalidade, como se fosse mais um fato corriqueiro da escola e sorriu quando me contou a sua resposta para o menino. Eu posso trabalhar para que ela entenda que é o menino que sai perdendo com essa atitude, que a discriminação racial não é culpa dela e que ele é que está agindo de uma forma errada e mal educada. Mas e a outra parte? Quem trabalhar para ensinar o menino a conviver e respeitar as diferenças? Quem ensina pra criança que essa atitude é racismo? Quer percebe logo na primeira infância as raízes dessa atitude racista e procura combatê-la?

Eu marquei uma reunião com a direção da escola para informar o que minha filha contou essa manhã. Mas nada me garante que as pessoas se interessarão verdadeiramente em por essa questão. Nada me garante que as professoras olharão com amis cuidado para as interações entre as crianças e perceberão essas situações a ponto de intervir. Nada me garante que os profissionais da escola estão habilitados para promover uma educação pra diversidade, que valorize as diferenças e que combata o racismo. Nada me garante que a família do menino será informada para também se dedicar a promover uma educação que respeite o outro e que o ensine a conviver com as diferenças.

Não dá pra colocar toda a carga do racismo nas costas das pessoas negras. O racismo contra negros é um problema gerado pelos brancos e precisa ser combatido por todos.

 

Postado em 30 de setembro de 2017 por Lu Bento

Estreou ontem na Netflix um dos meus desenhos favoritos dos anos 90, O ônibus mágico. Esse desenho maravilhoso sobre um grupo escolar que aprende sobre ciência viajando em um ônibus mágico e descobrindo as respostas para suas perguntas através da experiência.  Com qualquer produção que busca tornar a ciência mais atraente para as crianças (e pessoas em geral), o desenho foca muito na prática, na compreensão dos fenômenos naturais através da experiência, bem diferente do que as escolas reais fazem, focando principalmente na teoria.

A versão atual do desenho, produzida e transmitida pela Netflix, mantém  o formato de começar a exploração científica a partir de um questionamento de uma das crianças. A professora Frizzle conduz as crianças em uma aventura de aprendizado, onde várias coisas mágicas acontecem e as crianças vão construindo o conhecimento a partir disso. Com a devida atualização tecnológica ( a versão antiga falava em disquetes nos computadores, por exemplo), a série volta com 13 episódios de 25 minutos, um bom tempo para  desenvolvimento de uma história completa sem perder o foco e a atenção das crianças.

Um dos primeiros desenhos animados preocupados com a diversidade e com a representação positiva das diferenças, o grupo de alunos é composto por meninos e meninas de diferentes origens étnicas e personalidades, formando o equilibrado ecossistema onde todos têm um papel importante. Isso é incrível em termos de identificação, principalmente porque a cada episódio criança se torna protagonista, dando destaque para sua personalidade. É um desenho que não hierarquiza as crianças, onde os pretos não estão lá apenas para ser “o melhor amigo do protagonista branco”.

O desenho original foi inspirado em uma série de livros (livros, sempre eles!) escritos por  Joanna Cole  e ilustrados por Bruce Degen qu chegaram ao Brasil através do selo Rocco para jovens leitores. Infelizmente não conheço os livros, mas o desenho animado é incrível e acho uma boa forma de estimular a curiosidade dos pequenos sobre ciências.

Assisti os dois primeiros episódios com a Mini Bentia, mas pra crianças de 3 anos o desenho não é tão interessante ainda. Agora estou assistindo os demais episódios com a Isha Bentia, de 5 anos, e ela parece bem mais interessada em descobrir como as coisas funcionam. De minha parte, vou aproveitar pra fazer também uma maratona dos episódios da primeira versão, as 4 temporadas também estão disponíveis na Netflix!

Postado em 15 de setembro de 2017 por Lu Bento

Estou fazendo um curso técnico em Promoção da Participação Infantil, etapa de formação relacionada ao projeto Gira por la Infancia. O curso, com 180 horas de conteúdo online, é uma densa imersão ao universo de cuidados com a infância.

Não me dedicava tanto ao tema desde 2011, quando comecei uma pós-graduação em Direito da Criança e do Adolescente na UERJ mas tive que abandoná-la quando me mudei para São Paulo.  Retomar isso em 2017 foi um grande desafio, principalmente porque a minha realidade mudou bastante. Agora tenho duas filhas, um emprego e vários projetos paralelos. Tudo isso pra dizer que não está nada fácil.

Uma das atividades do curso técnico em promoção da participação infantil é realizar uma grande pesquisa sobre o que as pessoas entendem por cuidados com a infância. Teremos que entrevistar 150 pessoas na Espanha sobre o tema e 20 pessoas em nossos países de origem.  Eu fiquei impressionada com essa pesquisa quantitativa em tão pouco tempo. Mas aceitei o desafio e já realizei a parte da pesquisa que deve ser feita no Brasil através deste link.

O curso também conta com uma enorme carga de leituras e um projeto final que será publicado em forma de livro. Incrível né? Estou bem animada e ansiosa com tudo isso.

A verdade é que esse tema da Promoção da Participação Infantil é muito pouco debatido no Brasil. Temos uma parlamento jovem  e outros projetos políticos como Jovem Prefeito e jovens vereadores em algumas cidades, mas pouco falamos sobre isso de forma mais compromissada e responsável. Vemos nossos jovens como pessoas que podem fazer a diferença nas eleições, principalmente a faixa etária do voto facultativo. Mas não pensamos em garantir espaços em que crianças e jovens possam falar e decidir aspectos fundamentais sobre suas vidas.

Afinal, as crianças e adolescentes precisam de proteção mas também de autonomia. Quando a gente não fomenta esses espaços de decisão autônoma e autogestionada das crianças e jovens, estamos evitando que essa parcela da população desenvolva desde cedo o senso crítico e participativo, a autonomia e a segurança de expressar por conta própria seus desejos e anseios.

Ainda estou em uma fase bem embrionária das descobertas sobre esse tema e ampliando muito a minha maneira de ver a participação infantojuvenil cidadã. As leituras do curso renderão bons assuntos para discutirmos aqui no blog, então aguardem novidades neste sentido.

 

Postado em 8 de junho de 2016 por Lu Bento
Faz um pouco mais de um mês  que eu fui em uma feira de livros e vi uns livros que me chamaram a atenção. Era uma coleção da Paulus,  uma editora religiosa, chamada terapia do ser. Comprei o Terapia do ser mãe e na mesma noite já comecei a leitura.
O livrinho é bem naquele estilo de autoajuda mesmo, não vou mentir. Com 36 pensamentos e umas ilustraçõesterapia do ser mãe com uns elfos meio estranhos, o livrinho aparentemente bobo trás um conteúdo importante pra estimular a reflexão sobre algumas questões relacionadas a maternidade.
O impacto da leitura e das reflexões sobre as frases foi grande por aqui que decidi, então, fazer uma série de postagens aprofundando e discutindo um pouco os pensamentos do livro. São 36 pensamento no total, e então serão a princípio um post por pensamento. Mas alguns podem gerar reflexões mais curtas, então eu posso juntar eventualmente uns 3 ou 4  pensamentos em uma postagem só.
 Começo  hoje falando do primeiro pensamento. Vamos lá?

 TSM1
Vivemos uma eterna cobrança para ser a “melhor mãe”. Como se a maternidade fosse uma competição entre mulheres. E também como se após se tornar mãe a mulher também deve se tornar um exemplo de perfeição, deixando sempre os filhos felizes e bem cuidados segundo os padrões da sociedade patriarcal. Aquela ideia de que a mãe é uma “santa”, sabe?

Opressor demais, né não? 

Essa cobrança de fora acaba sendo internalizada por algumas (muitas) mulheres e a gente fica acabando que qualquer coisa que fuja desse modelo e perfeição é culpa nossa e nos faz menas main ou mãe de merda, como se dia muito nas redes sociais.
Mas ninguém é perfeito né? Não tem como  a gente, como mãe de primeira viagem, saber o motivo exato daquele serzinho que ainda estamos conhecendo.  Nem mesmo se formos mães e segunda,terceira ou quarta viagem. Então não da pra gente entrar na pilha dos outros que insistem em nos perguntar o motivo do choro do bebê. Precisamos sair do lugar da culpa.por não saber, e assumir o nosso papel de busca,de alguém que está conhecendo a cria e procurando descobrir seus desejos e necessidades a cada instante. E esse é só um exemplo.
Quantas vezes mulheres-mães são cobradas a resolver problemas que não  podem ser resolvidos por elas naquele momento, ou mesmo não tem nada a ver com a atuação dela como mãe. Como quando a criança começa a chorar no avião e todos se sentem incomodados com o barulho e olham para a mãe com ares de recriminação; ou quando a criança faz pirraça na rua e a gente não sabe muito bem como lidar com aquele cena vergonhosa; ou quando os nossos adolescentes fazem alguma besteira por aí. Sempre perguntam sobre a mãe, sobre o que a mãe faz ou não faz quando a isso, sobre onde está a mãe que não resolve esse problema. Todos com uma dica super eficiente na ponta da língua pra apontar a incompetência dessa mãe. Da mãe!  Lembrar do pai ninguém quer, muito menos lembrar que a cria é sujeito de direitos e desejos e que algumas atitudes independem dos esforços e das vontades da mãe.

Paciência Materna 

O que mais a gente precisa nessa vida é ser paciente na jornada que é a criação de filhos. E ser paciente nem sempre é fácil.
Esperar, não se culpar,não cair na pilha dos outros e ainda entender que esses pitacos todos “São só pra ajudar”. Não é fácil.  Dá vontade de chutar tudo pro alto e mandar todo mundo se ‘F#@#*. Às vezes é necessário chegar a esse ponto mesmo, não se iniba por isso! A gente também não precisa ser catalisador do mundo. Já é difícil e desafiador demais exercer a função materna. Ainda ter que lidar com todos aqueles acham que sabem mais que você ou que você tem que saber tudo na ponta da língua  já é peso demais para carregamos.
Nem sempre a gente está em um bom dia, aquele dia, sabe, a gente tem paciência pra aturar as pirraças das crianças e todo o julgamento do mundo por você não conseguir contornar a situação imediatamente. Ser paciente consigo mesma e fundamental para que a gente consiga se manter equilibrada nessa loucura toda. E no final das contas, quem tá preocupada mesmo com sanidade mental das mães somos nós mesmas.

A melhor mãe possível 

Fala-se muito no meio materno em ser a melhor mãe possível. É uma forma de tentar amenizar o peso da cobrança por uma maternidade perfeita. Mas para pessoas que são perfeccionista ou competitivas, por exemplo, essa ideia de “melhor mãe possível” também pode ser bem opressora. Queremos sempre ser melhores, sempre aumentar os limites de nossas possibilidades e se a gente sabe que poderia fazer mais a melhor e só consegue ir até um determinado ponto, a sensação de fracasso e cobrança continua rondando o nosso imaginário.  Não se culpe, mulher!  Já tem um mundo inteiro pra te culpar de tudo por aí, você não precisa ser mais uma.
Às vezes a gente não faz o nosso melhor mesmo. E tá tudo bem. Foi o que deu pra fazer naquele momento e pronto. Foi o que você optou fazer naquele momento, mesmo sabendo que você poderia ter se dedicado mais. Tipo quando você opta por dar aquele lanche porcaria pra sua cria em vez de fazer uma comidinha caseira gostosa só pra ficar mais tempo na internet. Você poderia fazer melhor que isso né, você sabe. Mas naquele momento específico você não tava afim e ponto. Sem drama.

Aprendendo com os erros

Gente, criar filhos é algo que a gente aprende na base da tentativa e erro. Não tem jeito, pra todo mundo é assim. E a gente percebe bem isso quando vê, por exemplo, grandes especialistas em educação infantil passando dificuldades na criação de seus próprios filhos.  Então, não adianta: a teoria é linda, mas na prática é a relação que você estabelece com cada criança que vai indicar o caminho. Lógico, a gente aprende com os erros e tenta fazer diferente em outras oportunidades. Se você um dia bateu nas crianças em um momento de descontrole achando que isso ia resolver a situação e não deu certo, você pode optar o outro método pra atingir seu objetivo na próxima vez.
O jeito é aprender com as experiências mesmo. Não tem mistério.

Este post foi inspirado no livro Terapia do ser mãe, de Molly Wingand.  Para saber mais sobre o livro, clique aqui.


E aí, você é muito exigente consigo mesma? Como você lida com as cobranças para ser uma “boa mãe”? Conte pra gente! Compartilhe suas experiências!

Postado em 4 de maio de 2016 por Lu Bento
diversidade ideologica
Esta cena se passou em nossa casa, durante a cobertura das manifestações contra o golpe e afagar da manutenção da presidente eleita democraticamente.  Uma pessoa logo comentou que Isha Bentia era “do contra”. Minha mãe afirmou que ela é igualzinha mim quando pequena, “do contra”. Resolvi refletir um pouco sobre o que é ser do contra.
De fato, quando pequena eu não acompanhava a maioria das decisões dos meus familiares. Sempre busquei ter uma opinião própria. É sempre fui tachada de “do contra”. Lembro de uma vez em que escolhemos a cor do carro que estávamos comprando, todos tinham escolhido a cor mais clara. Eu optei pela mais escura. No final das contas a cor mais clara estava indisponível e acabou sendo a cor que eu havia escolhido. Posteriormente, a cor que eles escolheram deixou de ser fabricada por baixo volume de vendas. O interessante é que a cor que eu escolhi se mostrou muito mais funcional para o carro, melhor para a revenda, acompanhou a tendência de cores mais sóbrias para carros que existe no Brasil… Enfim, foi uma boa escolha. Mas ninguém reconheceu de fato o mérito da minha escolha, só ficou pra história que eu fui – e sou – a do contra.
Minha família nuclear é toda de exatas. Pai engenheiro, mãe química industrial, irmão engenheiro. E eu decidi seguir para humanas. Socióloga. Mais uma vez eu optando em ser do contra. Sou de esquerda e eles de direita. Moro em São Paulo e eles odeiam essa cidade. Se a gente for parar para refletir, em muitas coisas minha família nuclear de origem aponta para um lado e eu para outro.
Não sei se eu era mesmo do contra quando criança. Mas sei que a prática em questionar e discordar da opinião dos meus parentes me fez uma pessoa com opiniões próprias. Me fez uma pessoa que reflete sobre os temas e se posiciona de acordo com suas convicções. E não alguém que tem medo de se posicionar na vida.
Minha filha hoje, aos 3 anos, sente liberdade e segurança pra discordar da opinião política da própria família. Não acho que ela tenha maturidade e informação para ter uma opinião formada sobre a situação política do país, mas ao menos ela tem liberdade para perceber que não precisa seguir os nossos passos se ela não quiser. Eu tive essa liberdade (mesmo sendo tachada de do contra) e ela também tem, dessa vez sem o rótulo.
Isha Bentia já demonstra desde agora que ela quer ter opiniões próprias, que as visões nos pais não a limitam no mundo. E a gente precisa perceber o quanto isso é libertador para a formação da personalidade dela. Porque ela sabe que pode experimentar coisas que nós, os pais, sequer pensamos como alternativas, e todos nós vamos nos adaptar a essa situação, cada um arcando com as consequências dos seus atos, sem culpabilizar os outros por suas próprias escolhas.
E que fique posto que eu não quero dizer que quem concorda com a opinião da maioria é alienado ou pouco inteligente. Nada disso. Só estou dizendo que é muito mais difícil discordar daqueles que amamos e que são nossa primeira referência. O que eu quero dizer, é que em um ambiente que valoriza o diálogo e respeita as opiniões, discordar de quem amamos e ser acolhida e respeitada é fundamental para que ela se sinta segura para discordar de qualquer outra pessoa sem medo de ser recriminada.
Postado em 16 de março de 2016 por Lu Bento
A política brasileira está um caos. A direita articulando um golpe, a esquerda acuada e sem arcabouço moral  pra resistir a tantas denúncias. No meio disso tudo uma população confusa, influenciada pelo ponto de vista das empresas que controlam a  imprensa e vivenciando cada reviravolta política com paixão.  E como nós, famílias pretas, ficamos no meio de tudo isso? Como e o que explicar pros pequenos  esse assunto que dominou os diálogos em todos os lugares?
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Crianças são curiosas por natureza. E na efervescência que vivemos é natural que elas estejam também ansiosas pra entender pelo menos um pouquinho do que está acontecendo no país. É leviano da nossa parte só passar um lado da situação. Nossos filhos não são nossa propriedade  e é tão tendencioso quanto o Jornal Nacional se a gente só explica as reivindicações de um dos lados  com o qual a gente se identifica. Não posso chegar pras minhas crianças e falar que só tem pessoas alienadas pedindo o impeachment  da presidente ou que é uma “idiotice sem fundamento” o que eles reivindicam. Uma criança merece informação de qualidade que a ajude a formar a sua própria opinião dentro da sua maturidade e  seu conhecimento do mundo pra entender os fatos.

O racismo

Como pessoas negras, independente da nosso posicionamento político partidário, precisamos sinalizar pra nossas crianças algumas questões que nos afetam diretamente. Uma delas é a ausência de negros, ou melhor, a pouca quantidade de negros nos protestos pró-impeachment. Isso está diretamente relacionado com divisão racial e econômica da sociedade, na qual os negros são maioria nas classes mais baixas e quase ausentes entre os mais ricos.
manifestacao3A pesquisa do DataFolha no protesto do dia 13 de março mostrou que metade dos entrevistados tinha renda entre 5 e 20 salários mínimos (fonte). Ou seja, essa galera não pode ser chamada de pobre.  Segundo a pesquisa, 4% dos manifestantes se identificaram como pretos, que somados aos que se identificaram como pardo, temos 19% de negros na manifestação.  O número não parece tão pequeno assim, mesmo sabendo que negros compõem mais da metade da população brasileira. Contudo, não podemos esquecer que  essas declarações são voluntárias e há uma tendência atual de pessoas lidas socialmente como brancas se declararem pardas para conseguirem benefícios relacionados a políticas de ações afirmativas (veja: afroconveniência). Eu ouso dizer que esse números podem estar inflados. De qualquer forma, visualmente, pouquíssimos negros foram vistos nas manifestações e isso já rende com as crianças um bom bate-papo sobre que lugares a população negra ocupa na sociedade.
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A imagem e a charge da babá que estava a trabalho na manifestação também podem render bons diálogos com a criançada sobre profissões, posições de prestígio, exploração do trabalhador, tudo isso permeado pela questão racial. Por mais que a mulher negra depois tenha declarado estar lá por vontade própria, é simbólico vermos um casal branco indo protestar segurando o cachorro enquanto uma trabalhadora negra cuida dos filhos do casal, tudo isso em pleno domingo. A gente pode ver a situação pela ótica capitalista  Até porque, se for desse jeito, daqui a pouco estamos achando normal pessoas brancas terem funcionários negros para carregar uma liteira com eles durante o protesto, carregar abanadores, guarda-sol etc, só porque eles estão sendo pagos para isso.
A diferença de postura da atuação das forças policiais nos protestos diferentes protestos também pode ser sinalizada para as crianças e jovens. Enquanto a polícia não fez nenhuma ação violenta para coibir os protestos pró-impeachment, a atuação dela sempre foi marcada pela violência ao coibir protestos pelo passe-livre ou os protestos dos estudantes e professores contra o fechamento das escolas. Essa hierarquização dos cidadãos, essa diferença de tratamento de acordo com a classe social do público que protesta é importante precisa ser discutida nas famílias.
Vemos também casos de pais que incitam seus filhos ao ódio. Pais ensinado seus filhos a xingar e desrespeitar a Presidenta. Ensinando a ofender e agredir quem pensa de forma diferente. Pode parecer inacreditável que em pleno século XXI as pessoas achem normal agir dessa maneira por desavenças políticas. O discurso de ódio tem espaço e caminho para se propagar sem nenhum pudor. Precisamos falar isso pras crianças, mostrar pra elas que não está certo agir assim, mesmo que o coleguinha faça isso, mesmo que tenha sido o pai do coleguinha ou a professora da escola que tenha ensinado.

A discriminação racial e o perigo eminente

Outro aspecto que pode ser explicado e conversado com criançada e, talvez seja o ponto que mais nos afeta diretamente,  é a emergência de movimentos racistas neste contexto de maniferacismo_mackenziestações políticas. Muitas pessoas se sentem livres pra destilar todo seu ódio e recalque com as conquistas sociais que os governos petistas nos trouxeram. Críticas ao bolsa-família, às cotas raciais, ao FIES e ao PROUNI facilmente se transformam em atos racistas, como a manifestação de ódio escrita em um banheiro na faculdade Mackenzie, em São Paulo.
Isso é muito grave. É grave porque nós negros estamos em eminente risco ao andar nas ruas numa situação em que grupos racistas circulam com liberdade sob o pretexto de estarem protestando contra o governo e podem simplesmente nos atacar em qualquer esquina. Pra quem tem crianças/adolescentes que circulam sozinhos pelas ruas, é importantíssimo destacar isso, porque estamos em posição de vulnerabilidade. A nossa sociedade racista sempre resiste em perceber situações de racismo mesmo que explícitas. Esse grupos radicais podem, a qualquer momento, atacar pessoas negras sem qualquer coerção. De vítima, a pessoa negra será colocada na posição de acusada, será lida como bandida ou como qualquer outra coisa que “justifique” a agressão.
 Alguns grupos já estão agredindo pessoas pelo simples fato de estarem vestidas de vermelho. São consideradas, pela cor da vestimenta, petitas. Já agrediram e hostilizaram idosos, mulheres e crianças por esse motivo fútil. Agora imagine o que esse tipo de gente pode fazer com uma criança negra que esteja sozinha só por ela estar usando vermelho próximo a uma manifestação contra o governo?
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Não estou dizendo com tudo isso que a população negra e a população pobre não podem estar ao lado dos que apoiam a derrubada do governo. Claro que não! Nossas convicções políticas envolvem outros fatores além da nossa negritude.O importante é conversamos com nossos pequenos,  tentar sanar a curiosidade deles na medida do possível e também mostrar que o racismo se explicita nesses momentos de crise.
É preciso estarmos atentos! Assim como determinadas pessoas se sentem livres para segurar cartazes criticando a presença de negros, se sentem livres para fazer saudações nazistas durante os protestos, outros se sentem livres para nos agredir verbal e fisicamente. Somos o alvo desse ódio contido da sociedade branca que se vê perdendo privilégios a cada instante devido às nossas conquistas. Não podemos, principalmente nesse momento, cair no conto da democracia racial.
Pode parecer exagero pra quem não é preto, mas existem muitas interseções entre a situação política brasileira e  as manifestações de racismo e as crianças precisam também entrar nesse diálogo.
Postado em 6 de abril de 2015 por Lu Bento

Hoje temos um desenho que é um sucesso entre os pequenos e o grandes. Foi um dos posts mais comentados e compartilhados na nossa página do facebook. Todo mundo adora esse herói.

O desenho é… Super Choque

Super choque

Gente, super-herói negro? Super-herói adolescente? Sério, isso é uma superdose de autoestima pra qualquer menino. Eu digo menino porque eles se identificam imediatamente com a figura do Virgil Hawkins, mas um super-herói negro é pra elevar a autoestima de todos nós né!

Eu assistia direto no SBT, não me cansava de ver, se bobear já tinha decorado as falas e tudo. As meninas ainda não assistem, ele é mais indicado pra crianças maiores que conseguem acompanhar melhor a trama.

Nem tem necessidade de falar da trama porque todos conhecem, mas basicamente é a história de um menino negro que vive com o pai e a irmã que se torna super-herói ao ser exposto a um gás desconhecido e se tornar um meta-humano com superpoderes eletrostáticos. O desenho basicamente fala da luta do Super Choque e seu amigo Gear para proteger a cidade dos meta-humanos que desejam destruí-la.

Uma coisa que eu acho bem bacana no desenho é que o Super Choque não gosta de armassuper choque de fogo. Acho meio desnecessária essa valorização das armas de fogo para solucionar problemas. A versão oficial da história diz que o Virgil não gosta de armas de fogo porque a sua mãe foi morta por uma bala perdida em um guerra de gangues rivais. Alguns blogueiros contam uma outra versão, bem mais pesada para um desenho infantil, na qual ela era vítima de violência doméstica e foi assassinada pelo marido. Parece que essa foi a versão do piloto, que não agradou muito o pessoal da Tv e foi adaptado para algo mais leve pra o público infanto-juvenil.

Outra coisa que me chama atenção é o Virgil ser apaixonado por uma menina preta da escola, a Dayse. Tudo bem que na realidade americana é comum escolas na qual a maioria dos alunos são pretos e tal. Mas pros nossos adolescentes aqui, é um grande estímulo para que eles enxerguem a beleza das meninas pretas. A tv brasileira ainda tem sérias dificuldade de mostrar casais pretos, quando mostram personagens pretos com interesse amoroso acabam falando também sobre relações interraciais.

A personasheron - superchoquegem que eu mais gosto, sem dúvida é a irmã do Virgil, a Sharon. Ela tem um lado meio maternal com o irmão, a mãe deles já é falecida e ela meio que ocupa esse lugar. Ela parece meio bolada, mas no fundo tem um coração bom. E é cheia de personalidade!

Tem muita coisa pra se falar, o desenho é bom demais e quem não viu, vale a pena ver!

Postado em 30 de março de 2015 por Lu Bento

O desenho é… Yo Gabba Gabba

yogabagabba

O programa de hoje, que também não é beeeem um desenho, é o Yo Gabba Gabba. Um cara (DJ Lance) e cinco personagens (Muno, Fofa, Barriga, Gatinha e Plex) protagonizam esse programa educativo voltado para crianças pequenas.

SYDNEY, AUSTRALIA - JUNE 02: DJ Lance and the Yo Gabba Gabba gang pose during a photo call promoting their appareance at Vivid LIVE, at the Sydney Opera House on June 2, 2011 in Sydney, Australia. Vivid LIVE at the Opera House will run from May 27 to June 5 as part of Vivid Sydney, the city's annual festival of light, music and ideas. (Photo by Cameron Spencer/Getty Images)

Gostei de cara por ser um programa infantil protagonizado por um homem negro. Já é raro ver programa infantil protagonizado por negros, por homens então, nem se fala. Lógico que quem descobriu esse programa no Netflix foi o papai, e ele logo se empolgou e colocou pras curicas assistirem. Isha Bentia gostou também e ele acabou se tornando um dos programas favoritos da família.

Além do apresentador negro, o programa preza muito pela diversidade e com desenhos, músicas e brincadeiras vai ensinando pequenas coisinhas pras crianças: respeito às diferenças, boas maneiras, hora de dormir, a não ter medo de tudo, a ser perseverante…

MartianRobotGirlAo longo do programa passa algumas esquetes com mini desenhos animados, e o que a gente gosta mais por aqui é o da Super Robô Marciana. Aqui em casa ela virou Super Mamãe Marciana, ou seja, associaram a personagem a minha pessoa e eu virei super-heroí! Não é em todo episódio do YO Gabba Gabba que ela passa, mais quando passa é aquela gritaria “mamãe, você! Olha você lá!”

Outra parte que eu gosto bastante é que em um dos quadros eles colocam um rappebiz-yo-gabbar pra ensinar batidas de rap com a boca, beatbox. Mais uma vez é uma quebra de estereótipo colocar um homem negro, rapper, enorme num programa infantil ensinando crianças. E é uma delícia ver Isha Bentia tentando fazer os sons. É diversão pra família toda. Já deu da figura da moça loira de roupa curta “animando” a criançada.

Yo Gabba Gabba a gente assiste no Netflix, mas é uma produção da Disney Jr e pode ser encontrado também no YouTube. Esse é um dos vídeos que Isha Bentia mais gosta, mesmo sendo em inglês ela sempre pede pra repetir!

Muita música, cores e bons ensinamentos. Perfeito pros pequenos, sucesso entre as curicas!

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