Todos os posts sobre Empoderamento
Postado em 20 de abril de 2017 por Lu Bento

Ontem saiu um texto da Patrícia Froes no blog #AgoraÉQueSãoElas, da Folha,  intitulado “Filho, o mundo não é seu”, falando da sua experiência em ser mãe de um menino branco e abonado e da necessidade de ensinar ao filho que o mundo não é dele.  O texto é bem interessante e o título me provocou a ponto de pensar que ela falava em termos mais gerais, fazendo uma contraposição a noção que a nossa geração Y teve de que somos o centro do mundo. Comecei a ler o texto bem de boa, pensado nessas coisas mas logo percebi que ela falava de um ponto bem específico e necessário. O que Patrícia traz é uma reflexão sobre a posição do homem branco e rico na sociedade brasileira. Ressalto que Patrícia não usa o termo rico, e eu o uso sem nenhuma conotação ofensiva,  apenas para que a gente possa realmente colocar as ideias às claras.

Muitas ideias me vem sobre as reflexões trazidas por Patrícia e pela ausência de problematização da questão racial na desconstrução dos privilégios.  E obviamente, fiquei tentada a escrever sobre isso. Rascunhei um texto, pensei muito sobre o assunto e em como expressar a necessidade das pessoas brancas se posicionaram diante do racismo de forma assertiva e combativa,  mas no final das meninanegrapulando1contas, pra mim,  é muito mais importante gastar minhas energias reafirmando pras nossas pretinhas que o mundo é delas. Que o mundo é nosso!

Porque essa mesma sociedade que  passa o tempo todo reforçando que o mundo é dos homens brancos e ricos, também reforça que o mundo não é das mulheres negras. E aí a questão de classe se torna menos relevante, porque basta ser negra para a mulher seja discriminada, não importa o quão recheada é a sua conta bancária. A sociedade grita o tempo todo que o mundo não é nosso. Tão alto que muitas vezes não conseguimos ouvir nossa voz interna nos dizendo para ocupar nosso lugar no mundo. Como mulher e mãe negra, se eu tenho forças pra lutar, que minha luta seja para que essas meninas negras não sejam empurradas para a subserviência e baixa autoestima pela enxurrada racista que recebemos todos os dias. Porque eu desejo que nós, mães e pais de pretos, sejamos a barreira de contenção que não deixa a autoestima das nossas novas gerações cair barranco abaixo. E mais que isso, que nós sejamos molas propulsoras, colocando nossas crianças para voarem futuros ainda mais altos do que o sistema racista espera de nós.

Reafirmando a negritude

Eu tenho filhas pretas. Eu poderia dizer simplesmente estimular minhas filhas dizendo “filha, o mundo é seu”. Mas não colocar a nossa negritude nessa frase de motivação e incentivo das meninas negras é uma forma de cair no mito da democracia racial que nos invisibiliza e nos desumaniza, como negros tivessem que se sentir contemplados pelo padrão branco e o discurso de que “não importa a cor”. A cor da pele importa sim! Muito. Uma mulher branca alcançando um posto de destaque em uma grande empresa não é o suficiente para que eu e minhas filhas nos vejamos nessa posição pelo simples fato de que quase nunca vemos uma mulher negra nessa posição de destaque e sucesso como uma representação de conquista de todas as mulheres. Quando uma mulher negra ascende ela é vista e lembrada como uma referência para as mulheres negras e só.

modelo-negra-vogue-01

Eu não estou com isso querendo incitar uma divisão racial, uma segregação. Até porque essa divisão racial já existe na sociedade em que vivemos. Raramente uma pessoa branca escolherá uma pessoa negra como referência universal para qualquer coisa porque simplesmente pessoas brancas não se conectam com referenciais negros.  Uma revista com uma modelo negra na capa vende menos que uma revista com uma modelo branca. Por que isso acontece? Porque o público da revista, majoritariamente branco, quando vê uma mulher negra na capa entende que aquela matéria não é pra ele, não é do interesse dele. Como reação a isso,  as revistas colocam menos negras nas capas e alegam que “negro não vende”.

O ciclo é perverso, é cruel e contínuo. Ele se retroalimenta quando a vendedora diz pra menina branca que ela não deve comprar uma boneca negra porque a boneca bonita é a loira de olhos azuis ou quando a professora dá um lápis rosa chamado “cor de pele” para que a criança negra pinte o desenho. O tempo todo nossas crianças “aprendem” que nossa cor de pele não é valorizada e que a gente “precisa” se sentir contemplado por representações brancas.

Então, ao falar pras minhas filhas que o mundo é delas, eu reforço e valorizo nosso lugar de mulher preta, coloco o Pretinha como um vocativo afetivo e com isso, reforço o olhar positivo para a nossa negritude.

Fortalecendo a autoestima

World map (globe) in an African school

Nossa missão é romper com esse ciclo, ocupar os espaços, abrir portas, chutá-las se for preciso. Pretinha, o mundo é seu! Não aceite quando falarem que você não tem o perfil. Não ceda quando falarem que seu cabelo ficaria melhor se você fizesse uma escova. Não desista quando falarem que seria melhor você cursar pedagogia ou invés de engenharia porque existem engenheiras negras. Pretinha, o mundo é seu! Ocupe-o! Tome posse do seu espaço, questione os privilégios, afronte os privilegiados. Porque, na realidade, não podemos esperar que ninguém ceda seus privilégios e nos dê acesso ao nosso espaço de direito. Precisamos ir lá e ocupar. E mostrar que a gente tem plenas condições de ocupar esses lugares tão bem ou até mesmo melhor que todos esses que hoje têm acesso a eles por serem privilegiados. E não é porque nosso acesso foi garantido por ações afirmativas que nosso direito e nossa capacidade de estar lá devem ser questionadas ou diminuídas.

 

Pretinha, o mundo é seu! Não precisa esconder ou se envergonhar de ter feito algo incrível e ter seu talento reconhecido. Não precisa baixar a cabeça e se desculpar por tudo que deu errado, quando você não tepretinha, o mundo é seunha culpa nenhuma nesse processo. Não precisa desistir antes mesmo de tentar com medo de ser barrada. Não precisa ter medo de romper com os lugares que o sistema racista destina para as mulheres negras.

Ser mulher e negra não é essa molezinha de ter tudo esperando por você. É um remar contra a maré racista que insiste e nos levar pro fundo. Quando a gente repete pra uma menina negra que o mundo é dela, estamos também repetindo pra nós mesmas. O mundo é nosso, pretinhas!  A construção da nossa autoestima é um processo constante, porque a desconstrução racista também é.  Então repita em voz alta pra si mesma e pra todas nós: pretinha, o mundo é seu! Somos resistência e não tem sistema racista e machista que vai nos fazer parar. O mundo é seu, pretinha. Não tenha medo de ocupar o seu lugar.

Postado em 8 de abril de 2017 por Lu Bento

Olá Pessoal!

Estou de volta. Sim, dei uma sumida bem louca e bem mais intensa que o normal. Precisava de um respiro.  Eu não queria mais escrever nem pensar sobre a maternidade, queria dar um tempo nisso de blog, de facebook, de qualquer coisa que me colocasse de alguma forma em evidência.

P_20161107_150242_BFO motivo oficial da ausência foi a reestruturação do blog. De fato alterar a cara do blog dá um trabalhão e leva um certo tempo. Mas eu estava tão saturada de tudo isso que nem motivação pra atualizar as informações eu tinha. Acabei deixando tudo paradão mesmo pra descansar a mente. Tirei férias, assisti um monte de séries, saí com o marido e as filhas, trabalhei na InaLivros, minha livraria, e preguicei muito. Muito mesmo. Foi um período de relaxamento total.

Uma das coisas que contribuiu muito para a minha ausência durante esse temo foi que eu participei, no final do anologo_ame passado, um curso incrível sobre empreendedorismo materno com a querida Melodia Moreno. A Academia de Mães Empreendedoras me deu um monte de insigths para melhorar aqui no blog e nos trabalhos que realizo na vida. E foi  a partir da A.ME. descobri que quero muito falar mais sobre gravidez de risco e perda gestacional.   Sim,  esses temas fazem parte da minha vida há 10 anos e eu preciso compartilhar isso com outras mulheres. Tem muita coisa que eu aprendi com meus abortos e com as minhas gravidezes de risco,minha experiência de vida pode ajudar muitas mulheres e eu sei da importância de compartilhar tudo isso. Mas ao mesmo tempo, são assuntos que ainda me doem muito. Que mexem comigo, que me desestabilizam emocionalmente e que eu evito entrar em contato verdadeiro e consciente. Como falar sobre isso, incentivar e apoiar outras mulheres se eu mesma ainda não lido bem com meus sentimentos? Precisava de uma busca interior para reconhecer os pontos de ainda me doem em minha história de vida para ressignificá-los.

Então, a partir do que eu descobri sobre o que eu quero fazer no curso da Mel,  decidi me permitir tocar mais nesses Lu Bento - foto Bianca Santanaassuntos e refletir sobre meus sentimentos e história de vida. Alem da terapia, que eu já tinha iniciado no começo de 2016, busquei formas alternativas de me entender e me expressar. Esse ano comecei a fazer um curso incrível de escrita e autoconhecimento com a maravilhosa Bianca Santana que está me tirando da minha zona de conforto. Além de exercitar a minha expressão escrita, que é fundamental pra quem se propõe a escrever para que outras pessoas leiam, o curso está me fazendo pensar sobre várias coisas na minha vida e descobrir outas formas de me ver e ver o mundo. É um curso só pra mulheres e tem uma vibração toda especial de apoio e irmandade que tem me fortalecido demais nesse propósito de busca interior. Quando olhamos pra dentro vemos todas aquelas coisas que tentamos por muito esconder de nós mesmos. Então, estou diariamente diante desse meu espelho interno, olhando pras minhas feridas e cuidando delas para que finalmente cicatrizem, deixando aquelas marcas de quem tem histórias pra contar.

9d41f7b342496988897d004af87fe87aNo final do ano passado também dei algumas entrevistas sobre maternidade e negritude que me fizeram refletir ainda mais sobre tudo que  blog e os espaços de maternância negra representam pra mim. E o quanto a gente precisa de mais espaços assim. Com isso, eu também parei pra analisar o conteúdo eu tenho compartilhado com vocês, quais questões eu tenho abordado aqui e como eu tenho feito tudo isso. Percebi que agora esse não é mais só um espaço de desabafo, já ganhou outra dimensão de existência: este é um espaço coletivo de fortalecimento de mães negras e de informação para as pessoas que buscam uma atitude antirracista. E eu preciso aprender a lidar com isso. Não é tão fácil e nem natural pra mim me ver nesse lugar, mas sei que esse lugar  é fruto de uma construção que  tenho feito ao longo dos anos e esse blog já nem é tão novinho assim. O AMP já está em seu 3º ano no ar.

Outro passo que dei e que fico muito feliz em ter começado a me moyoga1vimentar nesse sentido foi que decidi estudar tarô.  Com o apoio da Marcela Alves, tenho  mergulhado nas cartas para desvendar suas mensagens e significados  e esse movimento rumo ao não explicado cientifica
mente têm me ajudado a perceber outras dimensões da vida, que se me afastam desse ceticismo todo que geralmente domina a vida ateia. Também comecei um curso sobre chakras com a querida Debora Pivotto e tem sido surpreendentemente incrível. Só a oportunidade de viver a experiência de leitura de aura já vale muito a pena. Como essas leituras têm sido importantes pra destravar em mim falas que eram muito contidas nas seções de terapia. Sem dúvidas todo esse movimento complementar de autoconhecimento melhorou  muito minha interação nas sessões de terapia e me sinto muito bem.

Paralelo a tudo isso, meu marido agora trabalha em casa e assumiu muitas das responsabilidades com as meninas, o que me permite fazer todo esse movimento de olhar pra mim. Vocês  sabem o quanto é importante temos a possibilidade de ter um tempo pra si dentro da nossa rotina caótica de mãe/esposa/trabalhadora. Só para que vocês tenham uma ideia da importância desse tempo, hoe eu tomo banho sozinha, eu passo cremes no rosto, no corpo e no cabelo antes de dormir, eu assisto minhas séries favoritas. Eu existo para além das minhas funções de mãe, esposa, dona de casa e trabalhadora. E eu repito muito o “eu” simplesmente porque depois de tanto tempo falando e pensado o nós, poder falar e pensar o eu é fascinante!

Estou em uma verdadeira jornada em busca do meu autoconhecimento e minhas potencialidades  e esse caminho tem várias etapas e desafios. Falarei melhor sobre a minha jornada em outra postagem,  agora eu só queria ressaltar que estou vivendo um processo de transformação intenso e dolorido, que cutuca minhas feridas e destrói crenças que eu cultivei para me esconder em minha dor.

Então a volta ao blog exprime um pouco disso tudo que estou vivendo e que ainda vou viver esse ano. É provável que tenhamos mais textos sobre autoconhecimento, autocuidado e autoestima por aqui na categoria Empoderamento, bem como alguns textos literários autorais na categoria Escrevivências. As categorias agora estão melhor divididas. Continuo falando de Maternância e Literatura, minhas maiores paixões. Coloquei em categorias específicas os textos mais voltados para Educação e Combate ao Racismo, já que muitas pessoas chegam aqui a partir desse temas. Outra categoria nova é a de Inspirações, onde eu indico outras trabalhos incríveis nas redes sociais sobre os temas do blog e compartilho um pouco do que curto por aí.  E, a que sinto ser a categoria mais especial de todas, é a Mães Pretas, onde eu publico textos de outras mulheres e mães que querem compartilhar também suas histórias. Precisamos de espaço nas nos expressar e nos ouvir. Alguns vezes serão textos próprios dessas mulheres, outras vezes serão entrevistas. O formato não é o mais importante no momento e sim o conteúdo e a cura coletiva que ele proporciona. Sintam-se convidadas a colaborar com esse espaço.

AMP - Capa para faebook

Não poderia deixar de agradecer ao Célio Campos, Mutanóide, o artista incrível que fez a ilustração do blog e maravilhosa Ella Jardim que fez todo o design e deixou o blog com essa cara bem mais moderna e funcional.Muito obrigada! O trabalho deles ficou muito legal, amei o resultado e gostaria de ouvir as opiniões de vocês.

A verdade é que voltei pro blog cheia de projetos e desejos, uma energia que percorre meu corpo e transborda em vontade de compartilhar com vocês  meus pensamentos e experiências.

Bem-vindos de volta! Bora ocupar esse espaço que existe pra gente!

 

Postado em 19 de outubro de 2016 por Lu Bento

Depois de uma eternidade, finalmente consegui retomar a regularidade (que nunca existiu) de postagem aqui no blog e retomo também a proposta do terapia de ser mãe. Confesso que fiquei bem chateada quando roubaram meu celular que tinha os áudios de tudo que meio a mente quando eu li o livrinho. Aí fiquei chateada, frustrada e deixei de lado. Mas agora já superei essa adversidade e resolvi parar com essa sofrência de lamentar o material perdido. Bora pra mais uma edição do Terapia do Ser Mãe? Hoje vamos falar do conselho número 3 do livrinho. Preparadas? Então acompanhem aqui:

tsm-3 - pensamento - conselhos repreensivos

Gente, dar pitaco todo mundo quer né? Ainda mais em se tratado de criação de filhos. Não é a toa que dizem por aí que todo mundo é ótima mãe até ter filhos. Porque quando é à vera, a coisa muda de figura. Seu filho idealizado não age da forma que você previu. Você não é tão convincente  e capaz de fazer tudo acontecer da forma que você quer só com um olhar. Você percebe que na prática, toda aquela teoria de como criar filhos não se aplica, simplesmente não dá pra você fazer aquilo daquela forma que você pensou que faria. Enfim, na vida real, você lida com situações reais, e  tudo é imprevisível.

Se você, como mãe, consegue perceber tudo isso, então já deu pra sacar que não adianta tentar dar fórmulas mágicas pra ninguém né? Funcionou na sua casa? Que lindo! Compartilhe a sua experiência e inspire e ajude outras famílias. Mas não venha ditar regras né? Não precisa criar um manual de como ser uma mãe perfeita como você porque todas as suas técnicas podem não servir de nada para outras mães, em outras famílias, outros contextos.

De boa intenção o inferno está cheio

 

Quantas vezes pessoas estranhas já vieram repreender você pela forma como você estava cuidando das suas crianças? Isso é super comum né? Mas como isso é opressor! Ainda mais quando parte de uma mulher mais velha, ou mais experiente com crianças.  Já ouvi várias vezes ” você não pode deixar essa menina assim, sem casaco. Tá frio!” E a menina fica derretendo de calor assim que eu cedo às pressões e coloco um casaco.  Minha filha tava sem casado porque eu sei como se comporta o corpo dela. Eu sei que ela não está sentido frio, mesmo que esteja um pouco frio para as outras pessoas.  O meu instinto e a minha experiência diante da minha família balizam as minhas decisões. E aí, chega uma pessoa estranha, que não nos conhece e me aconselha, em tom de reprovação, a fazer algo?  Isso não ajuda nenhuma mãe! Como já falamos e já sabemos, a maternidade é uma eterna fonte de culpas. E não ajuda em nada certas pessoas interferirem de forma tão hostil em nossos procedimentos e decisões cotidianas.

Algumas pessoas estão sempre prontas para dar pitacos na vida dos outros. Sabe, aquele discurso do “se fosse meu filho não faria isso”. Nem sempre no sentido de nos diminuir ou humilhar, muitas vezes essas pessoas acham mesmo que tem algo ~ revolucionário ~ para ensinar. Como se nós, mães, estivéssemos o tempo todo em busca de alguém para nos ensinar a cuidar dos nossos filhos. Nem sempre a gente está precisando de ajuda e nem sempre essa intervenção em tom de ~ ajuda~ é oferecida para nos ajudar de verdade.

Sobre a nossa necessidade de se empoderar

A maternidade é marcada pela insegurança e pelo desejo constante de fazer o melhor para nossas crias. Umtsm3 - conselhos repreensivosa das primeiras coisas que uma mãe precisa é aprender a confiar em si mesma. Confiar em suas próprias e não comprar esse discurso da culpa que a sociedade tenta nos vender. Você provavelmente conhece várias pessoas que falam em “culpa materna”. Mas toda essa culpa que a gente às vezes carrega só serve pra tornar ainda mais difícil o nosso cotidiano. A gente não precisa disso! A gente não precisa internalizar esse discurso de que somos culpadas por tudo que foge do padrão na nossa maternidade.

Todo mundo erra e ser mãe não nos faz imune a isso. Pense na sua mãe: quantas vezes você não pensou que a decisão tomada por ela não era a melhor no momento? Quantas vezes ela mesma reconheceu isso? A gente tenta sempre fazer o melhor, mas nunca será perfeito. Nunca será! Então o melhor mesmo é confiar em si mesma, confiar em suas escolhas e decisões e seguir em frente. Errou? Tenta consertar. Não dá mais pra fazer diferente? Mude a partir de agora e aprenda com o passado.

Aceitar as nossas limitações é um caminho para o nosso empoderamento e para que a gente possa lidar melhor com a enxurrada de conselhos repreensivos que recebemos.


E aí, o que você achou desse pensamento? Concorda, discorda… já recebeu muitos “conselhos repreensivos”? Conta aí…

E se você não sabe que livro é esse que eu estou usando como base para essas postagens, dê uma olhadinha neste texto onde eu explico a proposta deste projeto.

Postado em 3 de outubro de 2016 por Lu Bento

No sábado passado foi eleita a Miss Brasil (nome da marca patrocinadora do evento) 2016. Mais uma miss eleita numa versão modernizada da objetificação da mulher. Sim, podemos tecer várias críticas a esse tipo de concurso. Os concursos de beleza não têm mais a mesma importância de outrora: não param o país, não tem grandes destaques na mídia, não atraem nem grandes marcas e profissionais do ramo da moda. Mais ainda existe uma tentativa de manter o glamour da competição e, por mais que a gente negue, ainda gera uma repercussão e muito assunto nas rodinhas de conversa.

                                                                                                               Lucas Ismael/Divulgação

Em 2016 percebemos um fenômeno que concentrou a atenção da comunidade negra: 6 mulheres negras foram escolhidas como misses em diferentes estados. A cada eleição de uma miss negra estadual, mais as pessoas negras se sentiam representadas. Foi um movimento muito bonito de valorização da estética negra. E isso vale muito para o fortalecimento da autoestima das pessoas negras.
Todo esse movimento de valorização da beleza negra tornou a vitória de uma mulher negra no concurso de Miss Brasil algo esperado. A estética negra está na moda, e quem valoriza isso alcança uma parcela do mercado que está sedenta maior representatividade. Diversas marcas de produtos de beleza estão lançando linhas voltadas para a pele negra e para os cabelos crespos e cacheados. Eles estão começando a enxergar o potencial desde público consumidor e a valorização das modelos negras nesse concurso de beleza é uma prova disso. O que mudou no país de 2015 para 2016 que provocou uma mudança radical no perfil das candidatas do concurso? O empoderamento da mulher negra, passando pela valorização da estética negra, dos cabelos crespos!
A primeira (e única) mulher negra a ganhar esse concurso foi Deise Nunes, em 1986. São 30 anos de concurso e só agora, a segunda mulher negra foi agraciada com o título de mulher mais bonita do país. Em um país com mais de 50% de população negra. Essa é a nossa realidade. Em 30 anos nenhuma mulher negra que passou por aquela passarela foi considera suficientemente bela para carregar a coroa de Miss Brasil. Fiz uma busca pelas candidatas aos concursos dos últimos 5 anos. Em 2015 não identifiquei nenhuma candidata negra. Em 2014, 3 candidatas negras, sendo 2 de pele escura e cabelos crespos. Não passaram da primeira fase. Em 2013, 1 candidata de pele bem escura que conseguiu o terceiro lugar. E em 2012 identifiquei 2, sendo que apenas a de cabelo alisado conseguiu uma vaga no top 10 da competição. Nesta edição, foram 6 candidatas, sendo que apenas a de pele mais escura não conseguiu fazer parte do top 15.

Não sou fiscal da negritude de ninguém, mas o resultado do concurso nos mostra qual é a beleza negra que agora está sendo valorizada. E mostra o quão recente é essa valorização. Uma beleza negra que se aproxima dos “padrões” brancos. Uma beleza negra que pode vender shampoo para cabelos cacheados, e não exige um produto específico para cabelos crespos. Que pode ocupar o espaço de pele “morena escura” na paleta de cores da maquiagem. Beleza que está na moda, na carona de todo um movimento de empoderamento da população negra. A moda se apropria de um movimento e o ressignifica, excluindo a nossa crespitude, a nossa pele carregada de melanina. É mais uma tentativa de nos dizer o que é belo, como devemos ser.

Eu sinceramente fiquei muito feliz com a vitória de Raíssa Santana. De verdade. Ela conquistou os jurados de cara, ganhou as provas de maquiagem e estilo. E fiquei mais feliz ainda com a união e a quantidade de mulheres negras participando e se destacando ao longo do concurso. Nossa beleza existe e precisa ser valorizada. Não estou aqui para desmerecer a vitória da Raíssa e a presença de todas as outra, longe disso. Minha intenção é que a gente não fique só no padrão da moda, que a gente tome esses casos como exemplo e realmente rompa barreiras, a ponto dos jornais não acharam mais natural noticiar a vitória de uma mulher negra em um concurso de beleza como algo exótico e extraordinário. Que a vitória de uma mulher negra em um concurso de beleza não seja apenas um reflexo de uma moda “black is beautiful” transitória, que só se repetirá daqui há 30 anos. Que mulheres de pele mais escura também possam ocupar esse espaço.

São 62 anos de concurso de Miss Brasil e até agora só duas mulheres negras ganharam. Que Raíssa, assim como Deise foi em 68, seja mais que uma pioneira solitária. E que a nossa estética esteja de fato sendo incluída no mercado da beleza, não como uma moda, mas como um retrato da estética da população brasileira. A Miss Brasil 2016 é uma mulher negra. Que em 2017, 2018, 2019… não seja tão inesperado tanta presença negra no Miss Brasil.

Postado em 8 de março de 2016 por Lu Bento
Dia 8 de março, dia internacional da mulher e, onde fica a mulher negra nesse contexto?
Sabemos que o 8 de março, o chamado Dia Internacional da Mulher é uma data criada para lembrarmos  do assassinado de 130 operárias que foram trancadas e incendiadas em uma fábrica por lutarem por melhores condições de trabalho e por equiparação de direitos com os homens. A data acabou sendo definida 1910 como dia internacional da mulher, para homenagear as mulheres mortas e discutir a situação da mulher na sociedade, mas só foi tornada oficial pela ONU em um decreto de 1975.  Esse caso se passou em 1857, em Nova Iorque e provavelmente todas as mulheres envolvidas eram brancas.  Mas, e as mulheres negras com tudo isso?
Existe uma data especifica para a celebração da luta da mulher negra latino-americana e caribenha, o dia 25 de julho. Esse data tem ganhado relevância em detrimento do dia 8 de março, que quase sempre exclui as questões específicas das mulheres negras do centro do debate. Mas será que o caminho é mesmo ignorar o dia 8 de março e só falar sobre o 25 de julho? Eu penso que não. Penso que devemos ocupar todos os espaços e questões que atingem as mulheres em geral, atingem com especial crueldade as mulheres negras
Muitas blogueiras e youtubers negras decidiram esse ano enegrecer o dia internacional da mulher. E eu tô amando tudo isso!!! São vários vídeos no youtube no qual mulheres negras falam sobre a importância e a trajetória de outras mulheres negras. Isso é lindo demais! É a gente aprendendo a reconhecer o valor das nossas antecessoras, das nossas contemporâneas e das novas gerações. É a gente percebendo que trajetórias de lutas árduas são frequentes, e que a luta de mulheres negras é ainda mais desafiadora que a  luta de outras mulheres, pois temos que lidar com o racismo e o machismo que insistem em nos colocar nos degraus mais baixos da sociedade.
nossas mulheres negras
Como eu não tô na pegada de gravar vídeos, e como eu também não tive tempo de em inteirar com antecedência do movimento e das ações para  o dia de hoje, queria contribuir compartilhando com vocês os links das páginas e canais que estão levantando a hashtag #nossasmulheresnegras. E  convidar a todos a assistir, aprender e conhecer mais sobre essas mulheres.
dia da mulher

Ana Paula Xongani – Vamos Enegrecer o 8 de março?! | Nossas Mulheres Negras |
https://www.youtube.com/watch?v=nBs9Hw39elw


Gabi Oliveira – Canal DePretas
Nossas Mulheres Negras – Chimamanda, Neusa e Shonda
[embed_video link=https://www.youtube.com/watch?v=dtrUbEByBvc&feature=youtu.be]

 


Quell Alves
Nossa Mulheres Negras – Luislinda Valois Homenagem no YouTube
https://youtu.be/kEsOlM9eWs8


Poliane Brandão–  Canal Negra Bella
Nossas Mulheres Negras- Gloria Maria
https://youtu.be/Uk3coHc489E


Tananda Santos
Nossas Mulheres Negras – Taís Araújo https://m.youtube.com/watch?v=dNXOomJ-hMA


Sá Ollebar – Canal Preta Pariu

sá ollebar
Nossa Mulheres Negras – Rosa Parks, Preta Rara e Mc Soffia
https://youtu.be/Wwr25JpAzcY


Patrícia Rammos  – Canal Um abadá pra cada dia
Nossas Mulheres Negras – Elza Soares
https://www.youtube.com/watch?v=lzd2vbd9G7E&feature=youtu.be


Beatriz Carmo 
Nossas Mulheres Negras – Djamila Ribeiro https://www.youtube.com/watch?v=6eSNLQSc5_c&feature=youtu.be


Aline Custódio  – Canal Preta Aline Custódio
Nossas Mulheres Negras – Claudete Alves
https://www.youtube.com/watch?v=vzGJZqzWz9E


Jaci Carvalho Canal Jacy July
Nossas Mulheres Negras – Lupita Nyong’o
[embed_video link=https://youtu.be/DuC6mrQzuyI]


Verônica Barros – Canal Urbana Club
Nossas Mulheres Negras – Beyonce
https://www.youtube.com/watch…


Mari Elen
Nossas Mulheres Negras – Nina Simone
https://www.youtube.com/watch?v=dEY0pqNlKwo&feature=youtu.be


Michelle Fernandes – Canal Boutique de Krioula
Nossas Mulheres Negras – De minha mãe, para mim, para a minha filha.
https://www.youtube.com/watch?v=rR3unVzo4N8&feature=youtu.be


Carolina Santos Pinho – Canal Central das Divas
Nossas Mulheres Negras – Carolina Maria de Jesus
https://www.youtube.com/watch?v=95I9p_YuJeM&feature=youtu.be


 

Taís Eustáquio
Nossas Mulheres Negras – Etta James
[embed_video link=https://youtu.be/qt4KT8m_g0E]


Dryka Pessanha – Canal de Corpo Alma
Nossas Mulheres Negras – Ruth Souza
https://www.youtube.com/watch?v=drBbz3OTpGk


Regianne Rosa Mirkov – Canal Coisas de Preta
Nossas Mulheres Negras | Oprah Winfrey
https://www.youtube.com/watch?v=EWSOX0YMbAs&feature=youtu.be


Ana Beatriz Pessanha Canal Que seja rosa Makeup
Nossas Mulheres Negras : Maju
https://www.youtube.com/watch?v=HVI6sl6nlnM


Daphne Joel Borges – Canal Daphne Borges

Nossas Mulheres Negras- Michelle Obama
https://www.youtube.com/watch?v=MTEKLYPnk0A


Miriam CarvalhoCanal Miriam Silva
Nossas Mulheres Negras – Dandara dos Palmares
https://www.youtube.com/watch?v=qywUptGeWJ0
Alexandra Freitas Ravelli – Canal Soul Vaidosa
Nossas Mulheres Negras – Assata Shakur
https://www.youtube.com/watch?v=N3zzzjsEOes


Nátaly Nerii – Canal Afros e Afins
Nossas Mulheres Negras Youtubers Negras Engajadas
https://www.youtube.com/watch?v=gN6E2mzGX_Q


Andy Brandão  – Canal Andressa Brandão – Cachos Divos
#NossasMulheresNegras – Alexandra Loras
[embed_video link=https://www.youtube.com/watch?v=vwyrN6cDkXE]


Camila Leite – Canal Camila Leite
Nossas Mulheres Negras – Lauryn Hill
https://www.youtube.com/watch…


Débora Ninja – Canal Débora Ninja
Nossas Mulheres Negras – Angela Davis
https://www.youtube.com/watch?v=KUfFNbb6oTs&feature=youtu.be


Marcilene Leao– Canal Blog da Marcy
Nossas Mulheres Negras – Enedina Alves Marques
https://www.youtube.com/watch?v=Qn5nnjK9q0A&feature=youtu.be


 

Blogueiras e Youtubers negras e o ativismo virtual

A contribuição que essas meninas estão dando em seus canais, páginas e blogs para a elevação da autoestima das mulheres negras é inestimável. São canais que valorizam a mulher negra em diferentes aspectos, que trazem um feminismo totalmente conectado com a realidade das mulheres negras ou seja, falam sobre temas que nós precisamos cada vez mais discutir e refletir.
E tudo isso disponível nas redes sociais é uma maravilha pra apresentar esse universo de temáticas para meninas negras. O trabalho feito pelas blogueiras e youtubers é maravilhoso porque elas acabam apresentando questões importantes para um público inicialmente interessado em moda, maquiagem, cabelo… e faz a ponte entre a geração que assumiu uma estética negra na base da lacração e do tombamento e a dimensão política e auto afirmativa da estética.

Estamos enegrecendo não só o feminismo, mas também o feminino, o belo, o culto… estamos ocupando todos os espaços!
Postado em 30 de novembro de 2015 por Lu Bento

Sou mãe (de duas crianças pequenas), mulher, esposa, dona de casa, servidora pública, empresária,busy mom3 estudante, blogueira, gestora de conteúdo de um site.  Só pra falar as ocupações mais frequentes. Sim, sou uma mãe multitarefa. Dá pra dar conta de tudo? Não, não dá. E eu acabo fazendo coisas pela metade, do jeito que dá, na última hora. Isso é bom? Não, não é. Mas também não é bom pra mim abrir mão de alguma dessas identidade. Tudo que eu faço (ou tento fazer) atualmente tem uma razão de ser pra mim. Um sentido, uma fonte de prazer, uma fonte de realização.  Sou o tipo de pessoa que não se realiza fazendo uma coisa só. Muito menos uma de cada vez. Mesmo que no conjunto da obra, não saia uma coisa perfeita, sou um quebra-cabeça formado por cada uma dessas peças, e uma peça faltando é um pedaço de mim incompleto.

Quisera eu poder dar conta de tudo que eu faço no dia-a-dia. Quisera eu poder aproveitar minhas horas com mais qualidade! Mas isso aqui não é um muro de lamentações. Hoje eu tenho total consciência que o tempo é uma construção social. A gente constrói nosso tempo. A gente define, a cada decisão, quais são as nossas prioridades. O que dá tempo de fazer e o que não dá tempo. São essencialmente escolhas.

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Meu compromisso comigo, hoje, é ter tempo pra me dedicar com maior qualidade a cada um dos meus afazeres. Mesmo com os imprevistos. Mesmo com as mudanças de prumo e os sucessivos novos cálculos da rota. Haja flexibilidade para mudar de caminho o tempo todo. Mas se tem uma coisa que eu sou é flexível com relação aos meus planos. Quanto menos rígidos, melhor.

Sei que muitas mulheres tem rotinas mais complicadas que a minha, trabalham e estudam tanto quanto eu, ou até mais e dão conta de todos os afazeres. Sei também de gente que faz muito menos coisas e ainda está achando muito. Isso é relativo e pessoal. O que a gente faz, como ocupamos nosso tempo, são decisões pessoais que depende do nosso estilo de vida, nossos objetivos e possibilidades.

busy mom2No momento, me é possível estudar, fazer uma nova pós-graduação e me qualificar na área em que eu trabalho. Estou estudando um monte de coisa nova, mergulhando em um mundo que eu não domino, sendo desafiada a compreender termos técnicos, a refletir sobre questões que não faziam parte do meu cotidiano na graduação e na outra pós que eu fiz.  Ao mesmo tempo, também surgiu a oportunidade de começar um negócio próprio, trabalhar com algo que eu amo (livros!). Tenho que abrir mão da tarde no sofá pra sair pra trabalhar? Tenho. E abro mão com prazer. Porque faço isso junto com a minha família. A gente sai e todos juntos vendemos livros, eu, o marido e as curicas. E tem sido momentos maravilhosos ao lado deles.

Eu conto um pouquinho dessa minha vida porque essas transformações estão no meu cotidiano mas também estão em mim. Acho que essa meu momento multitarefa tem muito a ver com os 30 que chegaram e com eles chagou também uma vontade de construir mais, produzir mais.  E a cada nova tarefa eu descubro um novo prazer, uma nova possibilidade de atuação nesse mundo, um novo interesse.

Tem sido gostoso sair da caixinha da maternidade e explorar outras possibilidades. Tem sido odarah1gostoso ver que a maternidade era apenas um dos meus caminhos. Lógico que nada que eu faço agora desconsidera a minha dimensão mãe. As curicas estão crescendo cada vez mais independentes (tudo bem, Mini Bentia ainda é  um grudezinho), e é muito bacana vê-las criando autonomia. Ver que o centro do mundo delas não sou mais eu, que elas ficam bem em outros ambiente, interagindo com outras pessoas. Por que o que eu quero, no final das contas, é criar mulheres que se bastam, que corram atrás dos seus sonhos, que não sejam emocionalmente dependentes de ninguém, apesar de manterem vínculos fortes com aqueles que elas amem. E pra isso, eu quero me tornar esse tipo de mulher que eu espero estar criando. A criação começa por mim.

E eu acho que estou me criando bem.

Postado em 1 de setembro de 2015 por Lu Bento

Como vocês sabem, comecei esse ano uma livraria itinerante com o meu marido, a InaLivros. E como empreendedora, acho importante me qualificar e aprender ao máximo sobre isso que eu estou se disponibilizando a fazer. Pois bem, resolvi me inscrever e participar do 4º Fórum de Mulheres Empreededoras, organizado pela Rede Mulher Empreededora e patrocinado e apoiado por uma série de empresas grandes, dentre elas a AVON e o Itaú.  Até aí, beleza. Lindo demais fortalecer iniciativas de empreendedorismo protagonizadas por mulheres. Mas… e as mulheres negras?

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No evento, eram umas 10 mulheres negras na parte da manhã, num universo de mais de 500 mulheres.  Sendo que dessas 10 que eu contei, provavelmente algumas não se reconheçam, ou se autoafirmem como negras. Na parte da tarde o número subiu um pouco, erámos cerca de 20 (sim, não faz diferença nenhuma num universo de mais de 500 brancas, mas faz com que a gente já possa trocar algumas ideias!) No começo, na minha inocência de quem está envolvida em um monte de eventos afros, e está em contato com outras empreendedoras negras todos os finais de semana em eventos e todos os dias no facebook e no whatsapp, eu tinha certeza que chegaria lá e encontraria uma série de rostinhos conhecidos, mulheres que estão empreendendo e consolidando seus negócios na área de moda e produtos artesanais e esperava também mulheres que trabalham no ramo alimentícios e de serviços, já que somos muitas nessas áreas também. Esperava trocar muitos cartões, conhecer melhor alguns trabalhos e até mesmo estabelecer parcerias…

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A imagem do cartaz do evento não era essa. Essa é a imagem do folheto e tem uma mão preta ultra escondida.

Mas não foi bem assim. Todas as palestrantes eram brancas, as participantes também, até o cartaz do evento só tinha mãoszinhas brancas, pra deixar bem claro com quem elas pretendiam falar naquele espaço. De cara me senti desconfortável e foi ao banheiro caprichar em um turbante pra mostrar que eu estava ali mesmo, preta e diva, participando do fórum, das mentorias, trocando cartões como qualquer uma delas. Apesar disso, da minha saia estampada e da minha blusa vermelha totalmente diferente do uniforme pretinho básico das recepcionistas,  ainda fui alvo de perguntas inconvenientes  por parte de uma participante sobre onde é o banheiro, ou sobre como ela poderia conseguir um copo de água e sobre alguma outra coisa que foi ignorada por mim pra que ela percebesse que eu não estava ali pra responder a todas as suas perguntas sobre questões operacionais do evento.  Também não escapei de ser ignorada pela moça que estava entregando revistas na saída do auditório pras participantes que saiam, mesmo estando mais próxima a ela que outras mulheres, ela passou direto por mim e foi entregar às mulheres brancas.

Nas falas das palestrantes, destaco a total desconexão do mundo que algumas vivem com a nossa realidade. Uma se tornou CEO de uma empresa ao 26 anos, dando continuidade aos negócios da família. Outra gostava do trabalho, a empresa ia fechar, e ela pediu a empresa como presente de aniversário de casamento e o marido deu. Outra foi instigada por um cliente a comprar  uma outra empresa que estava prestes a fechar e ela comprou, mesmo “sem ter o dinheiro pra pagar”. Ou seja,  não são realidades de pessoas que trabalham pra garantir a sua subsistência, que empreendem e que precisam viver disso imediatamente, pois tem contas pra pagar, bocas pra alimentar…

mulher exportação empreendedorasOutro ponto que me chamou atenção é que a imagem da mulher negra ainda é utilizada como um recurso pra determinadas empresas. Uma empresa de exportação, fez uma divulgação em parceria com a própria Rede Mulher Empreendedora explorando a imagem da mulher negra e o estereótipo de “mulata tipo exportação”, em uma referencia não só sexista como racista também. Porque um evento que só coloca imagens de mulheres brancas em suas divulgações, só tem mulheres brancas palestrantes, resolve colocar uma imagem de mulher negra justamente na propaganda de algo para exportação? É coincidência demais pro meu gosto.

Cadê as mulheres negras empreendedoras?

Mulheres negras são empreendedoras desde que chegaram no Brasil. Lavadeiras, cozinheiras, quituteiras, diaristas, artesãs… estamos no mercado de trabalho informal ou autônomo há muito mais tempo que às recentes demandas feministas da década de 60 e 70 do século passado. Temos expertise na área de empreendedorismo, pois foi com criatividade e trabalho que muitas mulheres negras sustentaram suas famílias ao longo dos anos  e sustentam até hoje.

Ao mesmo tempo, a cada dia cresce mais o número de mulheres negras empreendendo, seja por trabalhar autonomamente na sua área de formação profissional, com consultoria e prestação de serviços,  seja por comercializarem roupas, brinquedos, acessórios, alimentos e diversos outros produtos em feiras e eventos por toda a cidade.

As mulheres negras empreendedoras existem e estão por aí trabalhando duro, consolidando novos negócios, inovando, diversificando seus pontos de atuação  e precisam ser fortalecidas em suasmulher negra empreendedora trajetórias e experiências. Espero que em breve possamos ter um espaço tão adequado quanto este para nossas trocas de experiências, networking, parcerias, mentorias e fortalecimento coletivo de nossos negócios.

Pesquisando na internet, vi que na Bahia, ano passado, rolou um Seminário Mulher Negra Empreededora, uma iniciativa do Sebrae e da Secretaria de Políticas das Mulheres do Estado da Bahia (SPM-BA). É muito gratificante saber que já existem iniciativas nesse sentido. Não sei sobre esse tipo de evento em outras cidades, mas espero que já estejam construindo algo nesse sentido.

Foi bom pra você?

De um modo geral, o evento foi bom. Com certeza farei o possível para participar da próxima edição porque acredito que precisamos nos apropriar desses espaços que também são nossos. Mulheres negras empreendem desde sempre neste país, temos experiência e vivência nessa área que vem de antes da emancipação feminina e isso precisa ser valorizado.   Fora isso, o evento trouxe informações importantes pra quem decide empreender. Conheci um pouco sobre o projeto 10 mil mulheres e pude ouvir sobre experiências em diversos setores que contribuem para que a gente busque melhorias para o nosso próprio trabalho. Além disso, soube do Prêmio Mulheres Tech em Sampa e achei a iniciativa muito interessante por estimular mulheres a conhecer mais sobre tecnologia, empreendedorismo digital, programação…

Além disso fiz contatos interessantes, conheci algumas experiências  bem sucedidas de gestão de negócios que podem nos inspirar com o trabalho na InaLivros.

Postado em 25 de março de 2015 por Lu Bento

Uma das maiores preocupações da mulheres após uma gravidez é quando a menstruação irá retornar. É ótimo não precisar se preocupar com absorventes enquanto cuidamos de um bebê pequeno e, sem dúvida, não menstruar te dá muito mais liberdade.  Mas a gente sempre fica encucada enquanto ela não vem, pensando naquela possibilidade do método anticoncepcional ter falhado e estarmos grávidas novamente.  Principalmente se você for uma pessoa desatenta como eu. Mas um dia ela finalmente volta.

Minha menstruação voltou. Depois de 1 ano  do nascimento da curiquinha. Por que eu tô falado disso? Porque a volta da minha menstruação é um simbolo de uma nova fase na minha vida. Eu estive quase que  totalmente focada em cuidar das meninas no último ano. Mesmo não me dedicando exclusivamente aos cuidados delas, meu foco principal era promover o bem-estar e atender as necessidades básicas delas.

Biologicamente, quando a gente diminui o número de mamadas a menstruação tende a voltar. Mini Bentia já fazia aleitamento misto desde o nascimento, praticamente. Mas mesmo assim mamava  no  seio dia e noite em casa durante todo o tempo da nossa licença maternidade. Com quase 6 meses ela foi pra creche, e passou a mamar só durante a noite.

Quando isso acontece já se espera que o corpo entenda que é hora de voltar a menstruar. Mas o meu corpo resolveu colaborar comigo e me deixar curtir a liberdade de não precisar pensar em absorventes.

Quando esteve internada pela primeira vez ficou pelo menos 15 dias sem mamar no peito. O leite vazou do seio por 1 ou 2 dias e depois parou. Não ordenhei, não fiz mais nada e quando ela pode mamar, ela simplesmente meteu o peito na boca e mamou. Ainda tinha leite. Fiquei esperando a menstruação pra qualquer dia naquele período. Ela não veio.

Depois da segunda internação, Mini Bentia parou de mamar voluntariamente por uma semana. Não aceitava o peito por nada. Achei que ela tivesse largado. Achei que iria voltar a menstruar.  Nem Mini Bentia deixou o peito nem a menstruação voltou.

Lógico que não menstruar estava sendo maravilhoso. Mas a ausência da menstruação sempre deixa um clima de tensão no ar e definitivamente uma nova gravidez agora não faz parte dos meus planos. Eu não via justificativa pra tanta demora no retorno dela se a frequência de amamentação era totalmente irregular.

O fato dela ter voltado agora, justamente quando eu voltei a estudar,  tenho passado um tempo de qualidade longe das meninas e voltei a ser alguém além de uma mãe tem um valor simbólico bem interessante. Vejo a volta dos meus ciclos como a mãe dando espaço para o retorno da mulher. E uma mulher mais consciente do seu corpo, dos seus processos internos, dos seus sentimentos, das suas demandas e quereres.

Eu não pude reparar muito bem na primeira vez como a menstruação muda após o parto. Realmente, a gente se torna outra mulher. Se a duração do ciclo  e o fluxo menstrual era de um jeito, nada garante que será o mesmo após o parto. Você pode voltar a ter cólicas ou não. Acho que até a TPM muda. Você precisa redescobrir.

Enquanto eu esperava Mini Bentia li uma reportagem sobre um pessoal que fazia reverências àmenstruação2 menstruação. Não lembro direito pra dar a bibliografia, mas basicamente dizia que a menstruação é sagrada. Devo estar bem influenciada por essas ideias, aliada à vontade de experimentar o coletor menstrual, sei lá.

Já menstruei muito na minha vida, mas nunca tinha gostado tanto de perceber que eu estava menstruada. Por sorte, apesar de toda a minha desorganização nesse sentido, eu tinha todos os apetrechos necessários pra não ficar numa situação constrangedora na rua.

Postado em 2 de março de 2015 por Lu Bento

O desenho é… Pedro e Bianca.

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Tudo bem, não é desenho, é uma série. Mas é que nossos filhos não são crianças pra sempre né? Então tô falando hoje de uma série pra jovens de todas as idades. É uma produção da TV Cultura com criação  do Cao Hamburger e direção do Jefferson De, ou seja, é feita com qualidade.

Pedro e Bianca são irmãos gêmeo. Ele, puxou a mãe e tem a pele bem branca. Ela, puxou ao pai e tem a pele negra. Os autores buscaram o extremo da situação pra poder lidar com todas as nuances que as famílias interraciais vivem. O seriado conta o dia-a-dia dessa família de classe C, ficando principalmente nas questões dos adolescentes. Eu, que era fã assídua de Confissões de Adolescente, sei o quando uma série desse tipo pode ser importante para adolescentes e pré-adolescentes. Sexualidade, namoros, bebidas, drogas, festas, bullying,  estudos, futuro. Todos esses temas ligados à adolescência estão presentes. E ainda tem uma abordagem sobre preconceito racial. Saber que  tem uma série dessas passando na Tv aberta e com uma protagonista negra é bom demais!

Sério gente, chega de perder tempo com Malhação na RGT (aderpedroebiancai a campanha de parar de dar moral pra essa emissora)! A história passa longe do clichê do aluno/aluna pobre que estuda na escola dos riquinhos e se sente deslocado. Pedro e Bianca tem uma pegada muito mais real, retratando a escola pública e com personagens que poderiam ser nosso filhos ou amigos de escola dos nossos filhos.

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A série é cheia de estereótipos, mas qual série voltado pro público pré-adolescente e adolescente não é? Faz parte do charme dela! O resultado final é  muito bom e a Heslaine Vieira arrasa como a protagonista Bianca. É bom demais ver uma menina preta se destacando assim, e temos que fortalecer! Que Pedro e Bianca ainda tenha muitas temporadas pela frente!

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