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Postado em 18 de junho de 2018 por Lu Bento
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No Leituras Maternas de hoje um livro que fala de maternidade de uma maneira muito peculiar. É possível esquecer um filho? E um filho que não chegou a nascer? Confira o que eu achei do livro O que Alice esqueceu?, da autora australiana Liane Moriarty, e como foi a minha experiência de leitura.

 

O que Alice esqueceu?

O que Alice esqueceuAutora: Liane Moriarty

Editora: Intrínseca

Sinopse: Alice tinha certeza de que era feliz: aos 29 anos, casada com Nick, um marido lindo e amoroso, aguardando o nascimento do primeiro filho rodeada pela linda família formada por sua irmã, a mãe atenciosa e a avó. Mas tudo parece ir por água abaixo quando ela acorda no chão da academia. Dez anos depois.Enquanto tenta descobrir o que aconteceu nesse período, Alice percebe que se tornou alguém muito diferente: uma pessoa que não tem quase nada em comum com quem ela era na juventude e, pior, de quem ela não gosta nem um pouco.Ao retratar a vida doméstica moderna provocando no leitor muitas risadas e surpresas, Liane Moriarty constrói uma narrativa ao mesmo tempo ágil e leve sobre recomeços, o que queremos lembrar e o que nos esforçamos para esquecer.

 

Atenção: esse texto contém spoilers

O que Alice esqueceu? é um romance que me arrebatou logo de cara. Com uma linguagem simples e uma narrativa bem montada, Liane Moriarty nos transporta para a vida de Alice sob a perspectiva da própria, que acabara de cair e bater a cabeça. O começo do livro é essa confusão, não dá pra entender direito o que se passa e Alice está tomando consciência  do acidente que sofreu e tentando compreender quem ela é e onde está. Enquanto  isso, nós, leitores, tentamos entender que história confusa é essa. Aos poucos vamos percebendo que Alice parece acreditar que ainda é 1998, quando ela estava grávida pela primeira vez. Mas na realidade já 2008, Alice tem quase 40 anos, 3 filhos e está em meio a um processo complicado de divórcio. E claro, não se lembra de nada que aconteceu nos últimos 10 anos. O que você esqueceria se fosse apagado da sua memória os últimos 10 anos da sua vida?

O livro me atraiu por essa enredo sobre uma mãe que esquece completamente sobre seus filhos. Será o vínculo mãe-e-filho é forte tão forte assim que resiste até a uma perda abrupta de memória? Amamos nossos filhos instintivamente? A história de Liane que mergulha nessas questões com muita delicadeza e nos provoca a refletir sobre tudo isso, principalmente quando já somos mães. É bem provável que quem não vive ou viveu a maternidade não se impacte tanto com essas questões e se interesse pelo livro de uma maneira mais focada no entretenimento: uma história interessante e bem contada. Mas é inegável que este é um livro sobre maternidade, e as outras personagens femininas também têm suas questões  relacionadas à maternidade.

Para manter o ritmo da história e trazer outras perspectivas sobre a situação da Alice, a autora optou por utilizar diferentes formas de narração. Intermeando os trechos narrados sob o ponto de vista de Alice, o livro tras também trechos do diário de Elisabeth, irmã de Alice que faz um tratamento psicológico para lidar com as suas sucessivas perdas gestacionais, e  também trechos do blog da Frannie, avó de Alice e Elisabeth, que mora em um retiro de idosos e mantém um blog no qual compartilha sua vida.  Esse mosaico de pontos de vista torna a leitura bem fluida, não dá tempo de cansar de  nenhuma das narrações e possibilita uma diversidade de olhares sobre o enredo.

O que Alice esqueceu? é um livro focado nas relações familiares. Alice, que esqueceu dos próprios filhos, busca retomar seus vínculos familiares ao tentar reconciliação com o marido e com a irmã. É interessante como a vida segue por caminhos tão imprevisíveis que Alice não consegue acreditar que está se divorciando e que sua relação com a irmã não é mais tão próxima. Ao mesmo tempo, ela precisa lidar com 3 crianças que ela não conhece, não ama e sequer saber o que fazer diante dessas desconhecidas. Essa noção de que o amor é construído na convivência é muito forte no livro.  Frannie é outra personagem que traz muito forte a questão dos laços afetivos. Ela é uma solteirona que não tem vínculo sanguíneo com  netas, mas se tornou próxima ao ajudar a família quando Barb ficou viúva. Barb, por sua vez, deixou de lado alguns cuidados maternos após a morte do marido e é uma personagem mais voltadas para o seu bem-estar, independente das necessidades das filhas. São mulheres totalmente diferentes que compõe esse mosaico materno, nem sempre maternal se romantiza.

 

Elisabeth: infertilidade e determinação

Elisabeth é sem dúvidas a personagem que mais me tocou. Ela passou por sucessivas perdas gestacionais e processos de fertilização in vitro que  a deixaram amarga e desiludida. Ela mesma se descreve como um damasco seco, uma mulher sem capacidade de amar. Quantas vezes eu me senti como ela por não conseguir manter a gravidez. Além da tristeza pelas perdas, Elisabeth personifica as dores das mulheres inférteis, que oscilam entre a esperança de ter um filho biológico e a culpa por ter esperanças.

Confesso que meu carinho pelo livro tem muito a ver com Elisabeth. Ela é aquele tipo de mulher que eu quero abraçar e dizer “tamo junta, amiga. Eu sei o quanto doí e o quanto você se sente culpada por tudo isso.Não é culpa sua!” Maratonei a leitura do livro: li a 414 páginas em 2 dias, algo praticamente impossível para uma mãe de duas crianças que passou o fim de semana sozinha com elas. Não tenho o hábito de ler tão rápido assim e me surpreendi em como a leitura fluiu e me prendeu. Elisabeth me lembrou um pouco a Fig, de Stalker, por esse desequilíbrio emocional diante da perda gestacional e essa supervalorização da maternidade, como se a felicidade  e a razão de ser de uma  mulher estivesse em ter um filho.

Elisabeth me tocou muito por ter uma cuidado especial em manter suas memórias vivias sobre cada gravidez.  Foram muitas perdas, mas ela se preocupava em individualizar os bebês e manter alguma memória sobre cada um deles, reconhecendo para si a existência dos suas filhos mesmo que ninguém mais parecesse sentir a ausência deles.

 

Histórico do livro

As lembranças de Alice
Essa não é uma história nova de Liane e já foi lançada no Brasil pela editora Leya com o título As Lembranças de Alice em 2009. Não sei se na época fez sucesso, mas eu curti muito mais o título e a capa da versão atual.  O relançamento da obra 10 anos depois é interessante e simbólico, pois nos remete a pensar em tudo que vivemos nesses dez anos e que seriam esquecidos se estivéssemos no lugar de Alice.

Coincidência ou não, a TAG inéditos indicou o livro As Lembranças de Alice para quem curte o tipo de literatura enviada pro ela no mês de junho. Mas um motivo para trazer a história de Alice para o cenário literário nacional e aguçar o interesse das leitoras. Não li a versão antiga do livro não sei se houveram alterações significativas nas traduções. Também não creio que essa é uma história que eu leria várias vezes.

Infelizmente, a história é bem previsível no final das contas. Já dá pra saber o que vai acontecer, não tem viradas surpreendentes. Pra quem não se importa com isso, a leitura diverte e distraí. Pra quem tem essa olhar para a maternidade na literatura, o livro é fascinante e nem importa muito o desfecho. De um modo geral, gostei muito da escrita da Liane Moriarty e fiquei muito curiosa em conhecer seus outros livros.

 

Meu amor pelo livro:

 

 

 


Esse livro foi enviado para a nossa leitura como parte da parceria com a editora Intrínseca e esse post faz parte da Semana Especial Liane Moriarty. Ao longo da semana, outros blogs estão produzindo conteúdo sobre a autora e suas obras. Se você gostou e se interessa em adquirir esse livro, compre pelo nosso link da Amazon e ajude a manter o AMP.

Postado em 4 de junho de 2018 por Lu Bento
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Olá Pessoal! Vamos de mais um Leituras Maternas de hoje uma autora que eu estava louca para conhecer e já adianto que curti bastante. Não sabia que esse livro era todo focado em relações mães e filhas e perceber a complexidade das possibilidades de relações narradas pela autora foi bem interessante. Ah, esses são meus comentários sobre a leitura e algumas partes contém spoilers. Chega de enrolação e vamos ao livro!

 

Pequenos incêndios por toda parte

Autora: Celeste Ng

Editora: Intríseca

Uma família perfeita, em um bairro perfeito vivendo uma vida perfeita. Essa seria a família Richardson se não fosse pela filha Izzy, a caçula que incendiou a casa família logo no primeiro capítulo.  Além da família Richardson, conhecemos também a família Warren, mãe e filha andarilhas que vivem com muito pouco e não criam vínculos nas cidades onde moram e acompanhamos a disputa entre os Mac , pais adotivos, e a mãe biológica que é uma imigrante chinesa pela guarda de uma menina de quase 2 anos.

O que Celeste Ng nos mostra nessa narrativa intensa e envolvente que as relações familiares podem ser bem complexas, principalmente as relações entre mães e filhas. Por adotar uma estrutura narrativa invertida, em que o final já é apresentado no primeiro capítulo,  Celeste Ng encara o desafio de desenvolver diferentes micronarrativas sobre questões relacionadas à maternidade: aborto, perda gestacional recorrente, adoção interracial, barriga de aluguel, maternidade super protetora, maternidade negligente… enfim, toda a trama é baseada nessa relação entra as mulheres e a autora sustenta bem o desafio de começar pelo desfecho e construir uma boa história.

Celeste Ng - pequenos incêndios por toda parte

A leitura é muito fluida, com apenas alguns pecados de vício de linguagem. Como as passagens no tempo são constantes, ela vai de um passado recente a passados mais distantes na intenção de esclarecer as motivações das personagens, em algumas partes há a  repetição excessiva de um recurso de fechamento de ideia numa seção do texto que passa a impressão que os personagens são todos muito inteligentes e perspicazes. Ela diz com muita frequência ” e ele saberia que a partir desse momento nada seria como antes” ou algo como ” e ela percebeu que tudo havia mudando para sempre”. Esse exagero me incomodou um pouco nos primeiro capítulos, mas depois ou a leitura me envolveu tanto que eu deixei de notar, ou ela diminuiu a frequência dessas frases. De qualquer forma, não é algo que comprometa o livro, apenas um ponto que poderia ter sido analisado melhor na preparação do texto ou mesmo na tradução para o português.

Uma curiosidade é que a autora é  norteamericana de origem chinesa e viveu durante muitos anos em Shaker Heighs, Ohio, cidade onde se passa a história. A origem étnico-cultural da Celeste Ng provavelmente foi muito importante para a sensibilidade em desenvolver uma narrativa sobre a adoção interracial abortando de forma muito embasada a questão da importância de uma criança crescer com elementos de referência à sua estética, cultura e identidade. Tem uma passagem maravilhosa do julgamento sobre qual família deveria ficar com a menina e o advogado da mãe biológica pergunta se a menina tem acesso a bonecas chinesas ou livros com personagens chineses e questiona a capacidade de pais não-chineses desenvolverem esse olhar para a questão da identidade da menina. Uma passagem maravilhosa e que dialoga muito com as discussões que temos sobre construção da identidade e autoestima de crianças de grupos “minoritários”. A questão da diversidade racial é abordada com frequência. Lexie, a filha mais velha dos Richardson, namora um jovem negro Brian, e esse se dá de uma maneira muito natural, sem problematizações com as diferenças. Pra nós, brasileiros que só estamos acostumados a ler sobre personagens negros associado ao racismo, a abordagem surpreende.

A história se passa em 1998, e Celeste Ng faz referências sobre o caso Bill Clinton e Monica Lewinsky como pano de fundo das descobertas sexuais do núcleo adolescente. Além disso, adorei a referência à The Bill Cosby Show ( apesar de saber o quanto o Bill Cosby é o cara desprezível, um abusador), quando os jovens namorados Brian e Lexie chamam os pais dele de Cliff e Claire. Família preta de classe média: uma realidade frequente no contexto americano e pouca vista por aqui.

Muito ainda poderia ser dito sobre esse livro, ele é muito rico em temas para discussão, a autora me surpreendeu bastante e fiquei muito feliz em finalmente conhecê-la. Adorei a leitura de Pequenos incêndios por toda parte, já estou planejando ler o primeiro livro da Celeste Ng e outros focados em dramas familiares.

Recomendo muito a leitura para quem quer uma leitura de entretenimento que provoque reflexões e trate de temas familiares.

Meu amor pelo livro:

 

 


Esse livro foi enviado para leitura pela editora Íntrinseca, parceira do blog. Se você ficou interessada em adquirir o livro, compre pelo nosso link da Amazon. Assim, você ajuda na manutenção do AMP.

Postado em 30 de maio de 2018 por Lu Bento

Uma das maiores preocupações da vida materna é a educação dos filhos. A gente está sempre em dúvida se está fazendo tudo certo, se é essa o caminho ou se poderíamos fazer melhor. Afinal, na maioria das vezes estamos aprendendo e descobrindo como ser mãe ao longo do processo, não existe “curso preparatório para a maternidade” que nos prepare para as intercorrências da vida.

Mas existem vários livros sobre educação infantil nos quais profissionais como psicólogos, pedagogos, médicos ou mesmo pais e mais mais experientes compartilham o que aprenderam ao longo de suas vidas e carreiras e que podem nos ajudar a iluminar o nosso caminho na criação e educação de filhos.

No Leituras Maternas de hoje eu trago um livro sobre criação de filhos e era digital.  Quais os impactos do usos de telas na vida das crianças? Como pais e mães podem lidar com isso? Acompanhe a minha experiência de leitura e minha opinião sobre o livro.

 

Como criar filhos na era digital

como criar filhos na era digital
Autora: Dra. Elizabeth Kilber

Editora: Fontanar

 

A proposta do livro é orientar mães e pais na criação dos filhos diante da intensa exposição das crianças ao uso de telas. A princípio fiquei muito empolgada com a leitura, porque as minhas meninas já ficam muito tempo diante de telas e eu entendo que é um grande desafio para as famílias dosar o tempo de exposição.

Mas confesso que fiquei decepcionada logo no começo do livro. De cara senti falta de mais densidade de conteúdo. A autora repete muito as suas credenciais para escrever essa obra : “Sou psicóloga infantil há mais de uma década”, “vejo isso todos os dias no meu consultório” e outras expressões do tipo. Claro que é importante ela se apresentar e deixar clara a sua experiência no assunto, mas ela fala tudo isso na introdução e repete ao longo dos capítulos, de uma forma bem chata, pra dizer a verdade. Como se ela não tivesse segurança naquilo que ela traz e precisasse se reafirmar a todo tempo. O próprio modo como ela se apresenta como autora “Dra. Elizabeth Kilbey” já é meio forçado.

Diante dessa minha má- vontade inicial com a autora e como ela se apresenta, a minha experiência de leitura foi um pouco frustrante. Ela traz várias explicações científicas sobre os impactos do uso excessivo de telas na vida das crianças e dados sobre o desenvolvimento ideal para cada idade. Mas eu senti um certo choque de gerações no discurso dela, quando ela fala, por exemplo, que o uso de telas afeta a aprendizagem e educação, porque a aquisição de conhecimento é feita de uma forma passiva, já que as informações estão a um toque de botão. Ela entende que as  respostas podem ser simplesmente pesquisadas no Google e as crianças não questionam o que lêem, sem desenvolver as habilidades de pesquisa e de avaliação crítica.   Para mim, essa opinião desconsidera totalmente que as crianças estão adaptadas às demandas do seu tempo, e que a avaliação crítica e construção dos conhecimentos atualmente se dá a partir de outros parâmetros. Saber qual informação buscar, como buscar, filtrar qual dos milhares de resultados traz o conteúdo que você precisa, reter só o necessário, descartando informações irrelevantes, tudo isso são habilidades que estão sendo desenvolvidas, e não faz sentido  considerar  que antigamente as crianças aprendiam mais e melhor.

E por fim, para acabar com minha série de críticas negativas sobre o livro, em algumas partes a autora fala de características que ajudam os pais a identificarem o uso excessivo de telas e elenca situações como aumento das brigas entre irmãos, dificuldades em fazer amizades e ter dificuldades para dormir.  Aí é forçar a barra, não é mesmo? Tudo bem querer defender um ponto de vista, mas usar sinais de qualquer outro problema com a criança como sinal de alerta para o uso excessivo de telas é um pouco demais.  E foram esses argumentos forçados que me deixaram meio insatisfeita com a leitura.

Mas depois de todas essas dificuldades que eu tive com a escrita narcisística da autora e dessa possível percepção de que “no meu tempo era melhor” e que “defenderei meu argumento a qualquer custo”, comecei a gostar bastante do livro, principalmente quando ela fala sobre a importância de acompanhar o uso que os filhos fazem dos aparelhos digitais e sobre as orientações que podemos dar sobre a presença das crianças na internet. Acho que essas orientações são fundamentais, já que a internet nos parece algo tão inofensivo, mas é um imensa janela para o mundo. Cada palavra, cada foto, tudo que é lançado na internet saí de alguma forma do nosso controle. E as crianças precisam saber de tudo isso e serem orientadas. Questões sobre bulliyng virtual, grooming, vício em internet, jogos violentos, tudo isso é abordado no livro e suscita reflexões importantes sobre educação. Uma das sensações que me deu é que precisamos estar atualizados sobre o que existe na internet para que possamos proteger nossos filhos. Acompanhar a vida digital deles é fundamental.

No final de alguns capítulos, o livro traz alguns sinais de alerta sobre as situações apresentadas no capítulo e algumas soluções para esse problema. Gostei muito dessa estrutura porque funciona como um guia rápido para os pais e pode ser um espaço para consultas rápidas, tornado o livro um bom aliado na educação dos filhos.  O capítulo sobre como impedir que o tempo de tela se torne um campo de batalha também é muito bom. Já estou aplicando algumas das sugestões em meu cotidiano para organizar melhor o uso de telas aqui em casa.

Ao final do livro, ela ainda traz um capítulo sobre os benefícios do uso de telas e equilibra um pouco a situação. O uso de telas é a nossa realidade, não há perspectiva que teremos uma mudança nessa tendência nos próximos anos e precisamos aprender a lidar com isso da melhor maneira possível.

Meu amor pelo livro:

 

 

 


Este livro foi cedido para leitura pelo grupo editorial Companhia das Letras como parte da nossa parceria. Caso tenha interesse em adquirir um exemplar,  compre pelo nosso link da Amazon e ajude o AMP.

Postado em 14 de abril de 2018 por Lu Bento

As meninas estão estudando na escola o Sistema Solar. E isso trouxe o tema para o nosso cotidiano. Todos o dias elas chegam com novidades e contam sobre os planetas e suas novas descobertas. Lógico que o nosso olhar também ficou direcionado a temas que se relacionavam ao novo interesse delas. Hoje eu compartilho com vocês nossas viagens pelo tema Universo.

 

Desevendando o Sistema Solar

Livro: Sistema Solar – uma exploração visual dos planetas, das luas e de outros corpos ceestes que orbitam nosso Sol

Autor: Marcus Chown

Editora: Blucher

Sinopse:

Nunca antes as maravilhas do Sistema Solar – seus planetas, planetas anões, o Sol, as luas, o cinturão de asteroides e o Cinturão de Kuiper – foram tão acessíveis aos leitores de todas as idades.Começando com uma visão geral fascinante e depois em uma organização por planetas ordenados de acordo com a distância do Sol, “Sistema Solar” nos leva em uma viagem pelo tempo e espaço com direito a um lugar na primeira fileira para testemunhar o nascimento explosivo do Sistema Solar, uma viagem em direção (e depois em profundidade) a cada um dos seus oito planetas, e uma exploração igualmente profunda dos asteroides e cometas.

 

Esse livrão não é propriamente para crianças pequenas, mas é um material maravilhoso sobre o sistema solar. Assim que bati os olhos nele na #feiradolivrodaunesp fiquei encantada.
É um livro com muitas fotos, imagens fornecidas pela NASA  que forma captadas por sondas de exploração ou criadas em programas específicos a partir dos conhecimentos científicos que já existem sobre os planetas.
Uma leitura de referência impressionante, que diverte e educa, além de estimular a curiosidade e o gosto pela ciência. Ele consegue equilibrar muito bem informações mais gerais com outras muito específicas e aprofundadas sobre o universo. Gostei muito dessa obra, uma importante referência para quem quer aprender sobre esse tema.
Fiz questão de comprar um livro assim, que fosse bem mais aprofundado do que se espera para crianças da idade das curicas porque eu e meu irmão tivemos um desses em nossa infância. Era um livro de quando a minha mãe era criança ( imaginem o quanto ele estaria defasado agora!) e a gente amava andar com ele pra cima e pra baixo.
Meu irmão viviam com o livro, perguntando pra os meus pais sobre os planetas, explorando as imagens e se divertindo em imaginar o espaço. Meu irmão tinha a idade que a Isha Bentia tem hoje. Me deu uma tristeza lembrar do livro e ter mais ele aqui pra ver com elas, mas lembro que doamos ele pra uma biblioteca numa grande leva de doações de livros que fazíamos de tempos em tempos. Infelizmente nem sei o nome da coleção para tentar achar a foto da capa na internet.
Lembro desse livro com muito carinho, uma das minhas melhores lembranças sobre livros na infância, e do fascínio que o universo me causava. E ainda causa. Ver que somos tão pequenos diante de tudo que está lá no alto, ver como tudo funciona de uma maneira sincronizada e harmônica, ver que a vida é um ciclo, não importa se você é uma estrela, um ser humano ou um micróbio.
Esse livro do Sistema Solar é o nosso queridinho da vez, resgatando memórias afetivas e nos ajudando a construir outros momentos que, espero, fiquem guardados nas lembranças das meninas.

Pra não ficar só no que eu tô falando, vocês podem ver uma amostra do livro ou acessar a navegação online por ele no site da editora. 🙂

 

Uma Viagem pelo Espaço

Livro: Uma viagem pelo espaço

Autor: John Haslam e Steve Parker

Editora: Queen Books

 

Sinopse:

Você já se perguntou o que tem no espaço? Embarque nesta viagem pelo sistema solar e além dele para descobrir os segredos do nosso incrível universo. A sobrecapa vira um lindo pôster!

 

Como eu buscava livros que fossem acessíveis para elas, tratei de arrumar também infantil sobre o espaço. Esse aqui, além de trazer ilustrações fofas, é repleto de curiosidades sobre o espaço, tudo utilizando uma linguagem simples e voltada para crianças.  O tema espaço chegou pra elas através das figuras de afeto da escola, que estavam viajando pelo espaço. Então um livro sobre viagem espacial veio bem a calhar.

Ele também vem com o poster bem bonitinho com os planetas do sistema solar, e foi uma delícia ver a Mini Bentia abraçada com o livro e reconhecendo Vênus, o planeta da turma dela na escola.  Ter uma opção mais adequada à idade delas foi uma forma de manter acessível o conhecimento. A mesmo tempo que eu quero estimular a pesquisa e a curiosidade delas com o livro mais científico, quero também que elas sintam que esse conhecimento é acessível a elas, que esse assunto pode e deve ser explorado por elas a partir dos conhecimentos que elas possuem hoje.

Lemos juntos, conversamos sobre os planetas e vamos compartihando e construindo conhecimentos. Essa aventura espacial tem sido um momento especial em família, e cada vez que elas chegam com um “mamãe, você sabia que…” eu fico encantada com a quantidade de coisas que as minhas meninas estão aprendendo todos os dias.

 

Falar sobre ciência em casa é uma forma de estimular as meninas a se interessarem por temas que ainda são pouco explorados por pessoas negras. Quantos cientistas negros brasileiros conhecemos? Somos de humanas e pra gente é muito mais natural falar sobre outros temas que não envolvam tantos números e cálculos. Então ter a oportunidade de pensar astronomia com elas tem sido maravilhoso para nos tirar da zona de conforto e fornecer a eles outros refereciais, diversificando os estímulos. Além disso, o tema espaço e muito apresentado para meninos, como se desbravar o universo fosse uma atitude masculina. Então a gente aproveita pra romper com essa visão sexista e, quem sabe, plantar a sementinha de novas astronautas por aí…

 

 

 

 

 

 

 

Postado em 24 de junho de 2017 por Lu Bento

Olá pessoal!

Existe uma variada literatura voltada pra mães, não é mesmo? São livros e mais livros que nos “ensinam” ou orientam, pra ser mais suave, a educar nossos filhos. A verdade é que pedagogos, médicos, psicólogos, todos querem compartilhar conosco seus anos e anos de estudo e experiencia. Fora a infinidade de livros de mães compartilhando suas experiências pessoais e desabafos sobre a maternidade real.

Esse é o nosso espaço de diálogo sobre esses livros. No leituras maternas desse mês quero falar de 2 livros que li há pouco tempo sobre o assunto, um voltado pera a educação dos filhos e outro de compartilhamento de vivências maternas. Porque entre uma fralda e o apoio à tarefa de casa,  mãe lê e produz literatura!

 

Vamos brincar? Atividades para ensinar bons hábitos para crianças

capa - Vamos brincar

Autores: Eduard Estivill e Yolanda Saenz Tejada

Editora: WMF Martins Fontes

Tenho passado por muitos problemas Não que elas sejam propriamente mal-educadas. As pessoas de fora até as elogiam e falam que são meninas bem educadas. Mas em casa é um terror. Mini Bentia não guarda absolutamente nada do que ela usa e Isha Bentia parece ter uma surdez seletiva que só faz as coisas que pedimos depois de que a gente perde a paciência. Sei que a origem desses comportamentos está muito mais em nós, pais, e em como lidamos com a nossa própria bagunça e desatenção com as demandas delas. Mas também sei que precisamos de ajuda para mudar esses comportamentos em nós e ajudá-las nesse processo educacional. E esse livro entra como uma das ferramentas que têm nos ajudado a melhorar nossa comunicação intrafamiliar.

Eu confesso que fiquei com o pé atrás com relação a essa obra porque o autor, o médico espanhol Eduard Estivill também é autor de um livro bem criticado, Nana Nenê, que “ensina” a estabelecer rotinas de sono para bebês com métodos, no mínimo, polêmicos que estimulam os pais a deixarem as crianças chorando sozinhas por longos minutos. Mas como o livro tava bem baratinho em um saldão da Martins Fontes e, como eu tava bem desesperada em aprender métodos eficientes para lidar com minhas dificuldades na criação das meninas, que eu decidi me aventurar nesse leitura.

A leitura é bem rápida, esse é um livro de consulta porque traz várias atividades para serem feitas com as crianças em diferentes situações e, com isso, ensiná-las bons hábitos. Gostei muito das atividades propostas, algumas já estou começando a por em prática, mas preciso de um tempo para avaliar o quanto elas funcionam pra minha realidade.

De qualquer forma, curti a leitura, fiquei com algumas ideias e com muitas esperanças de que as coisas melhores mor aqui.

Meu amor pelo livro:

Mamãe é rock

 

Autora: Ana Cardoso

Editora: BelasLetras

Esse é aquele típico livro de maternidade real. Ana Cardoso trás relatos bem intensos sobre o cotidiano de uma família e a criação de filhos, de forma bem humorada. Sabe aquela sensação de rir da própria desgraça? Não que as situações que passamos no dia-a-dia cheguem a ser uma desgraça, mas algumas são bem frustrantes e sem um pouco de graça não dá pra passar por tudo isso sem ficar maluca.

A leitura é leve e divertida. Aquela típica leitura de relaxamento, sabe? E ideal para quem não tem muito o hábito de ler. A diagramação é bem irreverente, ele lembra muito aqueles livros pra pré-adolescentes sabe, me veio logo na memória aquele antiguinho “Coisas que toda garota deve saber”. Mas é essa identidade visual jovial e irreverente que facilita a conexão com o livro e tem tudo a ver com o próprio conteúdo.

Adorei ler, me identifiquei em muitas partes dele, principalmente porque também sou mãe de duas meninas. E lendo algumas coisas lá fiquei imaginando que provavelmente passarei por situações bem parecidas em alguns anos.

Meu amor pelo livro:

 

 

 

 


E aí, já leu algum desses livros? Conte pra gente! Se você se interessou em adquirir esse livro, compre pelo no link da Amazon e ajude o AMP a se manter. Até a próxima.

Postado em 24 de maio de 2017 por Lu Bento

Olá pessoal! Vamos falar sobre livros? Existe um ampla bibliografia voltada para mães e no Leituras Maternas compartilho com vocês minha impressões sobre esses livros. O universo materno é abordado de diferentes maneiras nas publicações impressas. Nesse edição, trago pra vocês um livro de exaltação a figura materna e um livro de poesias que ampliam nossos sentidos sobre o maternar.

Leituras

 

 

As mães que mudaram o mundo

Histórias inspiradoras de mulheres que fizeram a diferença para seus filhos e para  mundo

 

mães que mudaram o mundoAutor:Billy Graham

Editora: Habacuc

Comprei esse livro por pura compulsão por livros em uma dessas feiras de saldão. Li esse livro por plena necessidade de estímulo e motivação nessa jornada materna. Sem dúvidas, é um livro cativante. A história e o empenho dessas mulheres em fazer o que elas consideraram melhor para seus filhos é reconfortante. E é exatamente o que se espera quando se pega um livro com forte viés religioso: conforto.

O livro conta a história das mães de grandes personalidades do mundo, mostrando como essas mulheres aturam para que essas pessoas (em geral, homens) se destacassem ou aprimorassem características que foram marcantes para história do mundo. Fiquei um pouco chateada porque essa mulheres são definidas a partir de seus filhos famosos, a mãe de Luther King, a mãe de Condoleeza Rice. Mas entendo que essas mulheres se tornaram interessantes para o grande público devido aos seus filhos famosos. Ah, falando nisso, um dos motivos que me fizeram comprar esse livro foi a curiosidade de conhecer essas mães pretas aí…

No meio da leitura fiquei meio saturada pelo viés religioso do livro, sempre ressaltando a fé dessa mulheres como decisiva no poder de influencia delas ou citando mulheres bíblicas. Pra quem não é religioso, pode ser chato tudo isso. Mas pra quem acredita, pode ser uma mais uma forma de fortalecer a maternidade também na dimensão religiosa.

A escrita é bem simples, a leitura é super acessível para as pessoas que não tem o hábito de leitura e, como são histórias individuais, é perfeito pra mães que nem sempre tem tempo para ler um livro. Dá pra ler fora da ordem dos capítulos e ir buscando as histórias que mais te interessam ou se conectam com o momento que você está vivendo. É aquele tipo de publicação feito pra dar de presente, tem até um espaço de dedicatória na primeira página. E funciona bem como presente viu?

Não foi um livro que eu amei, mas valeu a pena ter lido. E ele continua com espaço na minha estante.

Livro nota 2

Cria Jubal

 

criajubal-202x224

Autora: Adriana Rolim

Editora: Metanóia

Gente, filho é poesia. E praquelas pessoas mais próximas das palavras, só a poesia pra conseguir expressar os sentimentos da gravidez e da maternidade. É isso que a Adriana Rolin faz nesse lindo livro. Esse livro faz você se sentir entrando na intimidade de uma família a cada poesia, conto, relato, fotografia. Amor que transpassa as páginas do livro  nos fazem perceber o quanto essa obra deve ser importante pra essa família.

Além da maternidade, Cria Jubal articula diferentes dimensões do nosso ser, a mulher-companheira, a mulher-ativista, a mulher-amiga, a mulher-artista… todas elas juntas, com essas nuances se sobrepondo. Acaba servido de estímulo para nos vermos completas, perspectiva que muitas vezes é esquecida quando nos tornarmos.

A leitura de Cria Jubal, além de enternecer meu coração, me fez olhar com outros olhos pra mima vivência cotidiana, me vez ver com olhos de poeta o amor que nutrimos uns pelos outros em casa e me estimulou a escrever um pouco mais sobre isso.

Esse é aquele livro pra dar de presente para amiga quando nasce o bebê ou ela descobre que está grávida. Leitura e espera e de conforto.

Onde encontrar: InaLivros

Livros nota 4


E aí, gostaram do Leituras Maternas desse mês? Conta pra gente nos comentários! Tem dicas de livros sobre maternidade? Bora conversar! Até a próxima.

Postado em 18 de agosto de 2016 por Lu Bento

Fala galera! No LêproErê de hoje eu trago dois livros sobre culturas bem diferentes da nossa brasileira. Porque a literatura infantil também pode ser uma ferramenta para apresentarmos outros mundos pras nossas crianças, não é mesmo? Então, acompanhe essas dicas.

Uma idéia  luminosa

Autor: Rogério Andrade Barbosa

Ilustradora: Thaís Linhares

Editora: Pallas

 

 

Eritréia. Quantas vezes ouvimos falar sobre esse país? Rogério Andrade Barbosa nos apresenta neste livro um reconto tradicional deste país africano que fica no chamado chifre da África. A história fala sobre o pai que desafia os filhos a resolver um difícil problema. Ao longo da narrativa, vemos que a solução surge da criatividade.

Com o texto bem fluido,o livro rende uma excelente contação de histórias e pode servir de introdução a atividades que estimulam a inovação e o pensamento criativo.

 

Hime

Autor: Júlio Emilio Braz

Ilustradores: Thiago Fernandes, Elvis P. Silva e Jonny J. Silva

Editora: Uirapuru

 

Neste reconto, Júlio Emilio Braz nos apresenta um tradicional história japonesa sobre um casal de idosos que sonhava em ter um filho. Um dia são agraciados com uma menina, que cresce rápido e se torna uma bela mulher. Diante de vários pedidos de casamento, o velho pai decide propor desafios para os pretendentes e postergar o casamento da filha. Ao longo da história descobrimos coisas surpreendentes sobre essa menina que chegou de surpresa na vida deste casal e que diferem totalmente das histórias de princesas que conhecemos.

Uma linda história vinda de uma cultura tão diferente da nossa que enriquece nosso repertório cultural e amplia nossa maneira de ver o mundo.

 


Gostaram? Já conheciam esses livros? Conte pra gente aí nos comentários.

Até a próxima!

Postado em 30 de julho de 2016 por Lu Bento

Pessoal! Decidi dividir um pouco mais as coisas. Tenho recebido muitos pedidos pra mais dicas de livros infantis no LêproErê, então decidi separar as coisas e só falar de livros infanto-juvenis por lá. E este será o nosso novo espaço pra falar sobre livros mais adultos. Assim a gente fala um pouquinho de tudo, não é mesmo? E já que é pra falar de literatura em geral,  eu apelo logo pra minha querida, minha musa, minha top top das galáxias, a Chima. Não sabe quem é Chima?  Acompanhe o primeiro Leituras Maternas  do blog! 

 

 

Meio Sol Amarelo

 

meio sol amareloAutora: Chimamanda Ngozi Adichie

Editora: Cia das Letras

Onde Encontrar: InaLivros

Chimamanda Ngozi Adichie. Se você nunca ouviu falar sobre essa mulher, por favor, volte duas casas. Sério, a Chima – olha a intimidade da pessoa! – é uma das maiores escritoras contemporâneas. Sim, sou apaixonada por ela. Seus livros são maravilhosos, já falei de Americanah aqui e o quanto ele foi inspirador para esse blog e agora venho falar sobre Meio Sol Amarelo.

Em Meio Sol Amarelo, Chimamanda fala sobre disputas étnicas na Nigéria, que resultaram na guerra de Biafra, a partir da vida de duas irmãs gêmeas  Igbo, Ollana e Kainene. A história não é contada linearmente, ela tem idas e vindas e a cada capítulo a história foca o ponto de vista de personagens alternados. Isso torna a leitura bem dinâmica e a gente acaba nem percebendo que está lendo um livro de 504 páginas.

Apesar do tema bem denso, Chimamanda conta a história de uma forma muito humana e apaixonada, e isso tem muito a ver com o fato dela também ser uma mulher de origem Igbo e a narrativa conter inspirações biográficas. Ela se inspirou muito nas histórias contadas por seus pais e familiares que viveram e sofreram durante a guerra.

Sou praticamente da idade de Chima e ouvi falar muito pouco (quase nada mesmo) sobre a guerra de Biafra na escola.  Infelizmente a África não era pauta nas escolas na minha época. Mas lembro bem de referências à fome e à miséria, e daquelas imagens de crianças barrigudas desnutridas morrendo de fome. Foram as imagens das crianças de Biafra que ajudaram a difundir a ideia de que em África só há fome e miséria.

Voltado para a história do livro, Meio Sol Amarelo fala também de histórias de amor (meu lado mulherzinha pira!) e Chimamanda sabe fazer isso muito bem. São romances complexos, com problemas e dinâmicas bem reais, passando longe daquele modelo de amor-romântico redentor dos romances água com açúcar.

Diante de tudo isso, nem preciso falar porque recomendo a leitura né? Chima é maravilhosa!


Espelhos, Miradouros, Dialéticas da Percepção

 

Espelhos, MIradouros e Dialéticas da PercepçãoAutora: Cristiane Sobral

Editora: Dulcina

Onde Encontrar: InaLivros

A dica agora é um livro de contos. E que livro de contos! Espelhos, miradouros, dialéticas da percepção foi uma leitura para o clube do livro do Leia Mulheres Negras. Já estava com ela em casa, na fila de espera  e por sorte, ele se tornou prioridade devido ao clube de leitura.  Que bom! Porque Cristiane Sobral faz um trabalho muito bonito de reflexões sobre negritude e identidade nessa obra.

Foi uma leitura muito gostosa e que me levou a várias reflexões sobre nossos modos de vida, sobre o impacto do racismo em nossas emoções e sobre a minha própria trajetória de reconhecimento como mulher negra. Uma leitura que vale a pena ser feita.

Acabei fazendo um bate papo com ela sobre o livro para o blog da Ina. Se você ficou curioso sobre a obra, ou se leu e quer saber o que a autora fala sobre ela, leia a nossa conversa no blog da Ina!


Gente, os livros citados hoje estão disponíveis na InaLivros, a minha livraria virtual especializada em literatura negra. E pros leitores do blog há um descontinho especial, basta colocar o código AMAEPRETA10 no final da compra, ok?

Acesse a loja: InaLivros

Então, gostou das dicas? Já leu algum desse livrou ou outros livros dessas autoras? Comente aí… ou então entre em nosso grupo no Facebook voltado para o debate sobre literatura negra, o Quilombo Literário – clube de leitura.

Beijo e até a próxima semana!

Postado em 6 de julho de 2016 por Lu Bento

Fala galera! No LêproErê dessa semana dois livros bem fofinhos com protagonistas negras. Estou tão envolvida com essas leituras para o Projeto #100meninasnegras que não resisti em compartilhar algumas das leituras que faço pra lá com vocês. Bora lá?

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Entremeio sem babado

Entremeio seem babado

Autora: Patrícia Santana

Editora: Mazza Edições

Esse é um livro sobre uma menina que adora falar. Ela quer perguntar tudo, quer saber de tudo, se mete em todos os assuntos. Mas ao invés de ser vista como uma menina chata e fofoqueira pela família, é chamada de curiosa. Isso faz toda diferença no modo como tratamos nossas crianças né? Kizzy tem suas características valorizadas pela família. Outro ponto que eu gosto muito nesse livro é que ela fala de nomes africanos. Kizzy é um nome de origem XXX que signnifica XXX. Além da explicação do nome da menina Kizzy, o livro trás o significado  e a origem de outros nomes, o que pode ser um ponto de partida bem interessante para que as crianças pesquisem sobre seus próprios nomes.

Cheirinho de Neném

Cheirinho_de_nenem Autora: Patrícia Santana

Editora: Mazza Edições

Esse livro da é mesma autora do livro anterior e segue a mesma linha fofinha e de leitura gostosa. Nessa história, a menina Iara ganha um irmãozinho, Abayomi, e fala da alegria de ter um bebezinho em casa. Além de ser um livro bem gostosinho, as ilustrações do Thiago Amormino são maravilhosas. Sabe aquele traço arredondado que atraí a criançada? Então, o livro segue bem esse estilo. A menina Iara tem mãe e pai negros, a mãe com um lindo black e o pai com dreads ou tranças (não dá bem pra saber). Isso é incrível em um livro infantil, principalmente numa sociedade como a nossa em que negros raramente são representados como uma família, e quando são, quase sempre apresentam uma família desestruturada. Ver uma família negra unida, falando só de amor e cuidado é um afago a nossa autoestima e uma representação positiva que temos que levar pra nossas crianças.


E aí, curtiram? Espero que sim. Essas livrinhos são daquele tipo que a gente precisa ler e reler inúmeras vezes porque as crianças adoram a história. Você já leu?

Postado em 4 de junho de 2016 por Lu Bento

Olá Pessoal! Estavam  com saudades do LêproErê?  O blog vai passar por uma reformulação em breve, o LêproErê vai virar uma atividade presencial no Quilombo Literário da InaLivros e um quadrinho específico pra crianças aqui no blog, então logo, logo teremos mudanças por aqui e será mais fácil encontrar as dicas de livros infantis. E no novo espaço Leituras Maternas falaremos sobre literatura mais adulta, assim tem espaço pra todo mundo e ainda mais conteúdo literário aqui no blog.

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Mas vamos ao que interessa nesse momento: livros! Hoje vou falar sobre dois livros infantis bem bonitos que eu conheci em maio e um  livro que eu considero leitura obrigatória para pais de crianças negras.

Bora lá?


Diarabi e Mansa

DIARABI-E-MANSA_CAPA-FRONTAL-600x600Autor: Souleymane Mbodj

Ilustração: Judith Gueyfier

Editora: Viajante do Tempo

Onde Encontrar: InaLivros

Sinopse: Há muito, muito tempo, Mansa, um jovem príncipe africano, estava à procura de uma esposa. Mas ele recusava todas as princesas que seu pai lhe apresentava e repetia, sem cessar, que queria compartilhar sua vida com uma pessoa muito especial. Assim começa a história de Mansa, o jovem príncipe de coração puro. Sua generosidade guiará seus passos até a linda Diarabi. O amor que os unirá será único, mágico. Ninguém poderá destruí-lo. Nem mesmo os feitiços e o ciúme de uma bruxa. Nem mesmo a morte…

Que livro lindo! Sério, estou apaixonada pela história e pelas ilustrações dessa obra. É uma história de amor daquelas que superam qualquer obstáculo sabe? Mas com um toque de suspense que prende até mesmo aquelas crianças que não dão bola pra histórias melosas. O autor é um senegalês que vive na França  e tem se dedicado à transmissão da literatura oral africana, então o livro tem uma pegada muito gostosa de história contada oralmente. No final do livro ainda tem uma página linda, com explicações sobre palavras utilizadas ao longo do livro, apresentando um pouco da cultura africana e dos idiomas wolof, do Senegal, e mandiga, de Gâmbia, Guiné, Mali, Burkuna, Senegal e Costa do Marfim.


A Bela Wika Ya Wuwu

a bela wika yawuwuAutora: Neuza Lozano Peres

Ilustradora: Gabriela Guenther

Editora: BestBook

Sinopse: Baseado numa história real, Wika Yawuwu virou Francisca quando aqui chegou. Seus descendentes contam o que ouviam de seus antepassados, que Francisca viera ainda menina para o Brasil como parte do rapto perpetrado por homens que buscavam em várias regiões da África pessoas para escravizar.

É um livro que marca uma resistência africana à escravização, e também nos mostra um resgate de uma ancestralidade que é nossa também. Temos muito poucas referências sobre África e sobre nossa raízes africanas e ter uma história que é contata há gerações pode descendentes dessa mulher é reconfortante e inspirador.


Entre o mundo e eu

Entre o mundo e euAutor: Ta-Nehisi Coates

Editora: Objetiva

Sinopse: Tanehisi Coates é um jornalista americano que trabalha com a questão racial em seu país desde que escolheu sua profissão. Filho de militantes do movimento negro, Coates sempre se questionou sobre o lugar que é relegado ao negro na sociedade. Em 2014, quando o racismo voltou a ser debatido com força nos Estados Unidos, Coates escreveu uma carta ao filho adolescente e compartilha, por meio de uma série de experiências reveladoras, seu despertar para a verdade em relação a seu lugar no mundo e uma série de questionamentos sobre o que é ser negro na América. O que é habitar um corpo negro e encontrar uma maneira de viver dentro dele? Como podemos avaliar de forma honesta a história e, ao mesmo tempo, nos libertar do fardo que ela representa? Em um trabalho profundo que articula grandes questões da história com as preocupações mais íntimas de um pai por um filho, Entre o mundo e eu apresenta uma nova e poderosa forma de compreender o racismo. Um livro universal sobre como a mácula da escravidão ainda está presente nas sociedades em diferentes roupagens e modos de segregação.

Ser uma pessoa negra no Brasil não é tão diferente de ser uma pessoa negra nos Estados Unidos. A proximidade com que determinadas situações são narradas ao longo desse livro e as preocupações de Coates sobre como o racismo afeta diretamente a existência de seu filho são compartilhadas por nós, leitores e pessoas negras brasileiras. É uma leitura muito intensa e poderosa nesse sentido, fundamental para pais de crianças negras e importantíssima para introduzir a conversa sobre racismo com os nossos jovens. O livro aborda questões que não podemos mais fingir que não nos afetam.


Bom pessoal, foi isso!  Semana que vem continuamos com o LêproÊre, e deve sair quinta, como o esperado. Assim que eu tiver um posicionamento quanto as mudanças de layout do site , eu aviso direitinho ok? Enquanto isso, não deixem de ver as dicas de livros que eu publico também no blog da Ina, no site da InaLivros e no nosso projeto #100meninasnegras.

Até semana que vem!


 

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