Todos os posts sobre Literatura para adultos
Postado em 12 de julho de 2018 por Lu Bento

No Leituras Maternas de hoje, um livro de uso diário  que é uma ferramenta para conhecer uma pouco mais na nossa relação com nossos filhos.

 

Uma pergunta por dia (para mães)

leituras maternas - uma pergunta por dia para mãesAutores: Vários

Tradutora: Marina Vargas

Editora: Intrínseca

SinopseUma pergunta por dia, o livro-diário que já vendeu no Brasil mais de 100 mil exemplares, ganha agora uma edição especial exclusiva para as mães. Mais do que um álbum de fotos, mais do que um tradicional livro do bebê, Uma pergunta por dia para mães é o instrumento perfeito para registrar cada acontecimento não só do crescimento dos filhos, mas da intensa experiência de aprendizado, descobertas e autoconhecimento na qual a mulher embarca ao ser mãe.

Funciona assim: são 365 perguntas diferentes, uma para cada dia do ano. Você começa qualquer dia e, percorridos doze meses, volta para o início. E é aí que reside o ponto alto do diário, porque cada novo ano é um convite a rever as respostas anteriores, revisitar as mais diversas lembranças e refletir sobre como tudo já mudou e se transformou.

 

Eu já gostava da ideia do Uma pergunta por dia como uma forma de registrar os acontecimentos diários. Eu tenho uma quedinha por registrar o que acontece em minha vida, principalmente pelo prazer de reler no futuro e ver o quanto eu mudei e me transformei ao longo do tempo. Então quando eu soube do Uma pergunta por dia para mães, fiquei bem interessada em ter um, para acompanhar minha relação com as curicas. O livro-diário foi lançando para o dia das mães de 2017, e por algum motivo não consegui comprar na época, mas fiquei com aquele desejo na cabeça.

Com a parceria com a Intrínseca, finalmente consegui ter o livro e posso dizer que estou amando essa ferramenta. Todos os dias antes de dormir respondo a pergunta do dia e deixo registrado algum momento com as meninas, seguindo a pergunta do dia do livro.

Já faz 1 mês que estou preenchendo e estou gostando muito da experiência. Fico imaginando as mudanças que perceberei nas respostas ao longo do tempo, já que o livro tem previsão de ser respondido diariamente nos próximos 5 anos, quando as meninas já terão 10 e 9 anos.

Sinto que essa pode ser uma boa lembrança da dos meus sentimentos e impressões sobre a infância delas, além de ser uma forma de perceber minhas mudanças de perspectiva ao longo dos anos.

Uma pergunta por dia para mães é um livro lindo, onde você mesma registra a sua história, sendo autora e protagonista da sua vivência de maternidade.

 


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Postado em 3 de julho de 2018 por Lu Bento

O leituras maternas de hoje é pra trazer polêmica. Sim, falaremos sobre mães arrependidas. Será é que possível se arrepender da maternidade? Se é possível, será é adequado falar sobre isso? Confira minhas impressões da leitura do livro da antropóloga israelense Orna Donath.

 

Mães Arrependidas – uma outra visão da maternidade

Autora: Orna Donath

Editora: Civilização Brasiliera ( Grupo Record)

 

A maternidade envolve uma mudança gigantesca na vida das mulheres. Ela pode ser muito desejada ou pode ter acontecido de repente, mas não faz diferença. O impacto das mudanças é totalmente imprevisível, e pode resultar em sentimentos de arrependimento.  Nessa pesquisa magnífica da antropóloga Orna Donath, diferentes mulheres compartilham seus sentimentos de arrependimento com relação a maternidade, muitas delas mães de vários filhos, outras até avós.

O livro é extremamente provocador e inquietante, principalmente para mães, porque não somos estimuladas a questionar os nossos sentimentos com relação a maternidade. Estamos tão culturalmente condicionadas a compreender a maternidade como uma dádiva na vida das mulheres que nos parece tão ingrato sentir qualquer outra coisa que não felicidade por ter filhos que essa assunto se torna tabu. Por isso esse livro é tão espetacular.  Ele aborda a possibilidade de mulheres se sentirem frustradas por terem seguido pelo caminho da maternidade.

Tendo em vista que o arrependimento marca o ‘o caminho não tomado’, arrepender-se de ser mãe indica que há na verdade caminhos que a sociedade proíbe as mulheres de tomarem, eliminando a priori vias alternativas como a não maternidade.

Mães Arrependidas – orna donath

A liberdade de escolha de ser ou não ser mãe ainda é muito restrita. As mulheres que não desejam ser mães são bombardeadas com a possibilidade de sentirem culpa essa escolha, como se o arrependimento só pudesse ocorrem quando não se tem filhos. A pesquisadora fala que essa “liberdade condicional” em decidir se tornar mãe ou não é ditada pela sociedade que em diferentes instâncias associam a realização feminina à maternidade, deixando claro que crianças nascem porque muitas vezes as mulheres não têm ou não veem um caminho alternativo para si.

Uma das coisas que eu achei mais bacana é que as  mulheres verbalizam e refletem sobre o arrependimento, e é desconcertante como a gente se identifica e compartilha muito dos sentimentos dessas mulheres que se arrependeram da maternidade. Mas, diferente das mães que não nutrem sentimentos de arrependimento, as mães arrependidas compreendem que tornar-se mãe foi um erro. Cada uma delas diz claramente que deixaria de ser mãe se tivesse essa oportunidade. E mesmo amando os filhos, elas sabem que seriam mais felizes se eles não fossem seus filhos ou mesmo não existissem.

 

Esse é um livro  que mexe com questões muito profundas da sociedade e na nossa subjetividade feminina e foi uma leitura que mexeu muito com os meus sentimentos. Desenvolvi uma profunda empatia com essas mulheres e tenho vontade de falar com cada mulher para que pense muito antes de se decidir pela maternidade, mesmo que isso não seja garantia contra o arrependimento.

E como eu ainda tenho muito pra falar sobre o livro e esse post se tornaria quase outro livro de tanto que eu marquei meu exemplar de Mães Arrependidas, então aos poucos vou desenvolvendo minhas impressões sobre esse tema aqui no blog.

Li esse livro em maio e foi interessante o contraste entre as propagandas e as homenagens as mães que tomaram conta da mídia nesse período e a crueza da maternidade pelo ponto de vistas de mães arrependidas de terem embarcado nessa. Mostra que todo pode ter mais de uma percepção.

Recomendo muito essa leitura para mulheres e mulheres-mães como uma forma de nos apropriamos de questões de nos afetam. A maternidade envolve muito mais que os comerciais de tv, os discursos sobre a beleza da maternidade e a nossa impressão como filhos e filhas podem dar conta. Já está na hora de olharmos para a maternidade como uma relação entre pessoas e uma condição que causa um impacto profundo na existência da mulher. E esse livro pode ajudar na desconstrução da maternidade romântica.

Meu amor pelo livro:


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Postado em 1 de julho de 2018 por Lu Bento

No LêproErê de hoje uma graphic novel que faz justiça a um personagem tão desvalorizado da Turma da Mônica e ainda traz um menino negro como protagonista retratado de uma forma positiva e inspiradora ( algo raro nos livros com protagonistas masculinos negros).

Jeremias – Pele

LeproEre - Jeremias Autores e ilustradores: Rafael Calça e Jefferson Costa

Editora: Panini  Comics

 

Jeremias é um dos personagens mais antigos de Maurício de Sousa, foi criado em 1960 quando o autor ainda publicava suas histórias em tirinhas dos jornais. Mas Jeremias nunca protagonizou uma revistinhas. As poucas histórias protagonizadas por ele só surgiram a partir de 83, e ele mal aparece ou tem falas nas historinhas de outros personagens.

Digo tudo isso para contextualizar a importância histórica de Jeremias – Pele, graphic novel da  série Graphic MSP que traz releituras de personagens de Mauricio de Sousa escritas e ilustradas por diferentes quadrinistas. Jeremias é a 18ª graphic novel da série, que é voltada para jovens e adultos e  foi criada em 2012.  Estamos em 2018 e só agora Jeremias foi lembrado, inclusive depois de  mais de uma edição protagonizadas pela Mônica, pelo Bidu ou pelo Astronauta. Sinal do total desprezo que o personagem sofre.

Não sei o que fez Jeremias ser lembrado ( dado o histórico de desprezo nos mais de 50 anos do personagem), o importante é que Rafael Calça e Jefferson Costa fizeram a melhor releitura possível do personagem, trazendo a masculinidade negra  para o centro do debate. Por ser escrita por um homem negro, a HQ fala sobre racismo na infância, com enfase para os sentimentos e os mecanismos de defesa que as pessoas negras, e especificamente, os homens negros, desenvolvem para sobreviver.

Meninos negros são constantemente vistos de forma negativa na sociedade, como bandidos em potencial. Jeremias -Pele confere humanidade e sensibilidade à visão do senso comum diante da masculinidade negra. O tema do preconceito racial na infância é fundamental de ser abordado, mas destaco também a importância da relação pai-filho e da afetividade entre homens negros. Como mulher negra, que já está “acostumada” a ver produções que abordem o racismo, me surpreendeu  e emocionou muito encontrar essas relações entre homens negros tão lindamente retratada em múltiplas possibilidades: pai-filho; avô-neto, entre meninos negros.

Jeremias demorou muito para ser valorizado. Mas sua hora chegou. Maurício de Sousa faz sua mea-culpa dizendo que  a partir de agora todos no estúdio estarão “mais atentos à realidade que nos cerca.” Para nós, negros, não vale a pena esperar muita coisa de um estúdio que sempre o tratou como coadjuvante dos coadjuvantes. A maravilhosa releitura do personagem nessa narrativa forte, emocionante e extremamente realista, finalmente honrou um personagem discriminado e mostrou todo o seu potencial.

Como a maioria das HQs, Jeremias -Pele tem um conteúdo extra, com alguns esboços dos desenhos, o histórico do personagem nas obras de Mauricio de Sousa e um conteúdo sobre elementos significativos da história dos negros no Brasil que aparecem ao longo da trama.

Recomendo muito essa HQ para meninos e jovens e homens negros, principalmente pela relação entre gerações. Mas a leitura é maravilhosa para todos os públicos, é um material com um potencial didático enorme para educadores, tanto para atividades com os alunos quanto para repensar práticas e atitudes (os professores têm papel importante na reprodução ou não de atitudes preconceituosas em ambiente escolar, como a HQ demostra com muita presteza).

 

Meu amor pelo livro:

 

 

 

 


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Postado em 18 de junho de 2018 por Lu Bento
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No Leituras Maternas de hoje um livro que fala de maternidade de uma maneira muito peculiar. É possível esquecer um filho? E um filho que não chegou a nascer? Confira o que eu achei do livro O que Alice esqueceu?, da autora australiana Liane Moriarty, e como foi a minha experiência de leitura.

 

O que Alice esqueceu?

O que Alice esqueceuAutora: Liane Moriarty

Editora: Intrínseca

Sinopse: Alice tinha certeza de que era feliz: aos 29 anos, casada com Nick, um marido lindo e amoroso, aguardando o nascimento do primeiro filho rodeada pela linda família formada por sua irmã, a mãe atenciosa e a avó. Mas tudo parece ir por água abaixo quando ela acorda no chão da academia. Dez anos depois.Enquanto tenta descobrir o que aconteceu nesse período, Alice percebe que se tornou alguém muito diferente: uma pessoa que não tem quase nada em comum com quem ela era na juventude e, pior, de quem ela não gosta nem um pouco.Ao retratar a vida doméstica moderna provocando no leitor muitas risadas e surpresas, Liane Moriarty constrói uma narrativa ao mesmo tempo ágil e leve sobre recomeços, o que queremos lembrar e o que nos esforçamos para esquecer.

 

Atenção: esse texto contém spoilers

O que Alice esqueceu? é um romance que me arrebatou logo de cara. Com uma linguagem simples e uma narrativa bem montada, Liane Moriarty nos transporta para a vida de Alice sob a perspectiva da própria, que acabara de cair e bater a cabeça. O começo do livro é essa confusão, não dá pra entender direito o que se passa e Alice está tomando consciência  do acidente que sofreu e tentando compreender quem ela é e onde está. Enquanto  isso, nós, leitores, tentamos entender que história confusa é essa. Aos poucos vamos percebendo que Alice parece acreditar que ainda é 1998, quando ela estava grávida pela primeira vez. Mas na realidade já 2008, Alice tem quase 40 anos, 3 filhos e está em meio a um processo complicado de divórcio. E claro, não se lembra de nada que aconteceu nos últimos 10 anos. O que você esqueceria se fosse apagado da sua memória os últimos 10 anos da sua vida?

O livro me atraiu por essa enredo sobre uma mãe que esquece completamente sobre seus filhos. Será o vínculo mãe-e-filho é forte tão forte assim que resiste até a uma perda abrupta de memória? Amamos nossos filhos instintivamente? A história de Liane que mergulha nessas questões com muita delicadeza e nos provoca a refletir sobre tudo isso, principalmente quando já somos mães. É bem provável que quem não vive ou viveu a maternidade não se impacte tanto com essas questões e se interesse pelo livro de uma maneira mais focada no entretenimento: uma história interessante e bem contada. Mas é inegável que este é um livro sobre maternidade, e as outras personagens femininas também têm suas questões  relacionadas à maternidade.

Para manter o ritmo da história e trazer outras perspectivas sobre a situação da Alice, a autora optou por utilizar diferentes formas de narração. Intermeando os trechos narrados sob o ponto de vista de Alice, o livro tras também trechos do diário de Elisabeth, irmã de Alice que faz um tratamento psicológico para lidar com as suas sucessivas perdas gestacionais, e  também trechos do blog da Frannie, avó de Alice e Elisabeth, que mora em um retiro de idosos e mantém um blog no qual compartilha sua vida.  Esse mosaico de pontos de vista torna a leitura bem fluida, não dá tempo de cansar de  nenhuma das narrações e possibilita uma diversidade de olhares sobre o enredo.

O que Alice esqueceu? é um livro focado nas relações familiares. Alice, que esqueceu dos próprios filhos, busca retomar seus vínculos familiares ao tentar reconciliação com o marido e com a irmã. É interessante como a vida segue por caminhos tão imprevisíveis que Alice não consegue acreditar que está se divorciando e que sua relação com a irmã não é mais tão próxima. Ao mesmo tempo, ela precisa lidar com 3 crianças que ela não conhece, não ama e sequer saber o que fazer diante dessas desconhecidas. Essa noção de que o amor é construído na convivência é muito forte no livro.  Frannie é outra personagem que traz muito forte a questão dos laços afetivos. Ela é uma solteirona que não tem vínculo sanguíneo com  netas, mas se tornou próxima ao ajudar a família quando Barb ficou viúva. Barb, por sua vez, deixou de lado alguns cuidados maternos após a morte do marido e é uma personagem mais voltadas para o seu bem-estar, independente das necessidades das filhas. São mulheres totalmente diferentes que compõe esse mosaico materno, nem sempre maternal se romantiza.

 

Elisabeth: infertilidade e determinação

Elisabeth é sem dúvidas a personagem que mais me tocou. Ela passou por sucessivas perdas gestacionais e processos de fertilização in vitro que  a deixaram amarga e desiludida. Ela mesma se descreve como um damasco seco, uma mulher sem capacidade de amar. Quantas vezes eu me senti como ela por não conseguir manter a gravidez. Além da tristeza pelas perdas, Elisabeth personifica as dores das mulheres inférteis, que oscilam entre a esperança de ter um filho biológico e a culpa por ter esperanças.

Confesso que meu carinho pelo livro tem muito a ver com Elisabeth. Ela é aquele tipo de mulher que eu quero abraçar e dizer “tamo junta, amiga. Eu sei o quanto doí e o quanto você se sente culpada por tudo isso.Não é culpa sua!” Maratonei a leitura do livro: li a 414 páginas em 2 dias, algo praticamente impossível para uma mãe de duas crianças que passou o fim de semana sozinha com elas. Não tenho o hábito de ler tão rápido assim e me surpreendi em como a leitura fluiu e me prendeu. Elisabeth me lembrou um pouco a Fig, de Stalker, por esse desequilíbrio emocional diante da perda gestacional e essa supervalorização da maternidade, como se a felicidade  e a razão de ser de uma  mulher estivesse em ter um filho.

Elisabeth me tocou muito por ter uma cuidado especial em manter suas memórias vivias sobre cada gravidez.  Foram muitas perdas, mas ela se preocupava em individualizar os bebês e manter alguma memória sobre cada um deles, reconhecendo para si a existência dos suas filhos mesmo que ninguém mais parecesse sentir a ausência deles.

 

Histórico do livro

As lembranças de Alice
Essa não é uma história nova de Liane e já foi lançada no Brasil pela editora Leya com o título As Lembranças de Alice em 2009. Não sei se na época fez sucesso, mas eu curti muito mais o título e a capa da versão atual.  O relançamento da obra 10 anos depois é interessante e simbólico, pois nos remete a pensar em tudo que vivemos nesses dez anos e que seriam esquecidos se estivéssemos no lugar de Alice.

Coincidência ou não, a TAG inéditos indicou o livro As Lembranças de Alice para quem curte o tipo de literatura enviada pro ela no mês de junho. Mas um motivo para trazer a história de Alice para o cenário literário nacional e aguçar o interesse das leitoras. Não li a versão antiga do livro não sei se houveram alterações significativas nas traduções. Também não creio que essa é uma história que eu leria várias vezes.

Infelizmente, a história é bem previsível no final das contas. Já dá pra saber o que vai acontecer, não tem viradas surpreendentes. Pra quem não se importa com isso, a leitura diverte e distraí. Pra quem tem essa olhar para a maternidade na literatura, o livro é fascinante e nem importa muito o desfecho. De um modo geral, gostei muito da escrita da Liane Moriarty e fiquei muito curiosa em conhecer seus outros livros.

 

Meu amor pelo livro:

 

 

 


Esse livro foi enviado para a nossa leitura como parte da parceria com a editora Intrínseca e esse post faz parte da Semana Especial Liane Moriarty. Ao longo da semana, outros blogs estão produzindo conteúdo sobre a autora e suas obras. Se você gostou e se interessa em adquirir esse livro, compre pelo nosso link da Amazon e ajude a manter o AMP.

Postado em 4 de junho de 2018 por Lu Bento
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Olá Pessoal! Vamos de mais um Leituras Maternas de hoje uma autora que eu estava louca para conhecer e já adianto que curti bastante. Não sabia que esse livro era todo focado em relações mães e filhas e perceber a complexidade das possibilidades de relações narradas pela autora foi bem interessante. Ah, esses são meus comentários sobre a leitura e algumas partes contém spoilers. Chega de enrolação e vamos ao livro!

 

Pequenos incêndios por toda parte

Autora: Celeste Ng

Editora: Intríseca

Uma família perfeita, em um bairro perfeito vivendo uma vida perfeita. Essa seria a família Richardson se não fosse pela filha Izzy, a caçula que incendiou a casa família logo no primeiro capítulo.  Além da família Richardson, conhecemos também a família Warren, mãe e filha andarilhas que vivem com muito pouco e não criam vínculos nas cidades onde moram e acompanhamos a disputa entre os Mac , pais adotivos, e a mãe biológica que é uma imigrante chinesa pela guarda de uma menina de quase 2 anos.

O que Celeste Ng nos mostra nessa narrativa intensa e envolvente que as relações familiares podem ser bem complexas, principalmente as relações entre mães e filhas. Por adotar uma estrutura narrativa invertida, em que o final já é apresentado no primeiro capítulo,  Celeste Ng encara o desafio de desenvolver diferentes micronarrativas sobre questões relacionadas à maternidade: aborto, perda gestacional recorrente, adoção interracial, barriga de aluguel, maternidade super protetora, maternidade negligente… enfim, toda a trama é baseada nessa relação entra as mulheres e a autora sustenta bem o desafio de começar pelo desfecho e construir uma boa história.

Celeste Ng - pequenos incêndios por toda parte

A leitura é muito fluida, com apenas alguns pecados de vício de linguagem. Como as passagens no tempo são constantes, ela vai de um passado recente a passados mais distantes na intenção de esclarecer as motivações das personagens, em algumas partes há a  repetição excessiva de um recurso de fechamento de ideia numa seção do texto que passa a impressão que os personagens são todos muito inteligentes e perspicazes. Ela diz com muita frequência ” e ele saberia que a partir desse momento nada seria como antes” ou algo como ” e ela percebeu que tudo havia mudando para sempre”. Esse exagero me incomodou um pouco nos primeiro capítulos, mas depois ou a leitura me envolveu tanto que eu deixei de notar, ou ela diminuiu a frequência dessas frases. De qualquer forma, não é algo que comprometa o livro, apenas um ponto que poderia ter sido analisado melhor na preparação do texto ou mesmo na tradução para o português.

Uma curiosidade é que a autora é  norteamericana de origem chinesa e viveu durante muitos anos em Shaker Heighs, Ohio, cidade onde se passa a história. A origem étnico-cultural da Celeste Ng provavelmente foi muito importante para a sensibilidade em desenvolver uma narrativa sobre a adoção interracial abortando de forma muito embasada a questão da importância de uma criança crescer com elementos de referência à sua estética, cultura e identidade. Tem uma passagem maravilhosa do julgamento sobre qual família deveria ficar com a menina e o advogado da mãe biológica pergunta se a menina tem acesso a bonecas chinesas ou livros com personagens chineses e questiona a capacidade de pais não-chineses desenvolverem esse olhar para a questão da identidade da menina. Uma passagem maravilhosa e que dialoga muito com as discussões que temos sobre construção da identidade e autoestima de crianças de grupos “minoritários”. A questão da diversidade racial é abordada com frequência. Lexie, a filha mais velha dos Richardson, namora um jovem negro Brian, e esse se dá de uma maneira muito natural, sem problematizações com as diferenças. Pra nós, brasileiros que só estamos acostumados a ler sobre personagens negros associado ao racismo, a abordagem surpreende.

A história se passa em 1998, e Celeste Ng faz referências sobre o caso Bill Clinton e Monica Lewinsky como pano de fundo das descobertas sexuais do núcleo adolescente. Além disso, adorei a referência à The Bill Cosby Show ( apesar de saber o quanto o Bill Cosby é o cara desprezível, um abusador), quando os jovens namorados Brian e Lexie chamam os pais dele de Cliff e Claire. Família preta de classe média: uma realidade frequente no contexto americano e pouca vista por aqui.

Muito ainda poderia ser dito sobre esse livro, ele é muito rico em temas para discussão, a autora me surpreendeu bastante e fiquei muito feliz em finalmente conhecê-la. Adorei a leitura de Pequenos incêndios por toda parte, já estou planejando ler o primeiro livro da Celeste Ng e outros focados em dramas familiares.

Recomendo muito a leitura para quem quer uma leitura de entretenimento que provoque reflexões e trate de temas familiares.

Meu amor pelo livro:

 

 


Esse livro foi enviado para leitura pela editora Íntrinseca, parceira do blog. Se você ficou interessada em adquirir o livro, compre pelo nosso link da Amazon. Assim, você ajuda na manutenção do AMP.

Postado em 30 de maio de 2018 por Lu Bento

Uma das maiores preocupações da vida materna é a educação dos filhos. A gente está sempre em dúvida se está fazendo tudo certo, se é essa o caminho ou se poderíamos fazer melhor. Afinal, na maioria das vezes estamos aprendendo e descobrindo como ser mãe ao longo do processo, não existe “curso preparatório para a maternidade” que nos prepare para as intercorrências da vida.

Mas existem vários livros sobre educação infantil nos quais profissionais como psicólogos, pedagogos, médicos ou mesmo pais e mais mais experientes compartilham o que aprenderam ao longo de suas vidas e carreiras e que podem nos ajudar a iluminar o nosso caminho na criação e educação de filhos.

No Leituras Maternas de hoje eu trago um livro sobre criação de filhos e era digital.  Quais os impactos do usos de telas na vida das crianças? Como pais e mães podem lidar com isso? Acompanhe a minha experiência de leitura e minha opinião sobre o livro.

 

Como criar filhos na era digital

como criar filhos na era digital
Autora: Dra. Elizabeth Kilber

Editora: Fontanar

 

A proposta do livro é orientar mães e pais na criação dos filhos diante da intensa exposição das crianças ao uso de telas. A princípio fiquei muito empolgada com a leitura, porque as minhas meninas já ficam muito tempo diante de telas e eu entendo que é um grande desafio para as famílias dosar o tempo de exposição.

Mas confesso que fiquei decepcionada logo no começo do livro. De cara senti falta de mais densidade de conteúdo. A autora repete muito as suas credenciais para escrever essa obra : “Sou psicóloga infantil há mais de uma década”, “vejo isso todos os dias no meu consultório” e outras expressões do tipo. Claro que é importante ela se apresentar e deixar clara a sua experiência no assunto, mas ela fala tudo isso na introdução e repete ao longo dos capítulos, de uma forma bem chata, pra dizer a verdade. Como se ela não tivesse segurança naquilo que ela traz e precisasse se reafirmar a todo tempo. O próprio modo como ela se apresenta como autora “Dra. Elizabeth Kilbey” já é meio forçado.

Diante dessa minha má- vontade inicial com a autora e como ela se apresenta, a minha experiência de leitura foi um pouco frustrante. Ela traz várias explicações científicas sobre os impactos do uso excessivo de telas na vida das crianças e dados sobre o desenvolvimento ideal para cada idade. Mas eu senti um certo choque de gerações no discurso dela, quando ela fala, por exemplo, que o uso de telas afeta a aprendizagem e educação, porque a aquisição de conhecimento é feita de uma forma passiva, já que as informações estão a um toque de botão. Ela entende que as  respostas podem ser simplesmente pesquisadas no Google e as crianças não questionam o que lêem, sem desenvolver as habilidades de pesquisa e de avaliação crítica.   Para mim, essa opinião desconsidera totalmente que as crianças estão adaptadas às demandas do seu tempo, e que a avaliação crítica e construção dos conhecimentos atualmente se dá a partir de outros parâmetros. Saber qual informação buscar, como buscar, filtrar qual dos milhares de resultados traz o conteúdo que você precisa, reter só o necessário, descartando informações irrelevantes, tudo isso são habilidades que estão sendo desenvolvidas, e não faz sentido  considerar  que antigamente as crianças aprendiam mais e melhor.

E por fim, para acabar com minha série de críticas negativas sobre o livro, em algumas partes a autora fala de características que ajudam os pais a identificarem o uso excessivo de telas e elenca situações como aumento das brigas entre irmãos, dificuldades em fazer amizades e ter dificuldades para dormir.  Aí é forçar a barra, não é mesmo? Tudo bem querer defender um ponto de vista, mas usar sinais de qualquer outro problema com a criança como sinal de alerta para o uso excessivo de telas é um pouco demais.  E foram esses argumentos forçados que me deixaram meio insatisfeita com a leitura.

Mas depois de todas essas dificuldades que eu tive com a escrita narcisística da autora e dessa possível percepção de que “no meu tempo era melhor” e que “defenderei meu argumento a qualquer custo”, comecei a gostar bastante do livro, principalmente quando ela fala sobre a importância de acompanhar o uso que os filhos fazem dos aparelhos digitais e sobre as orientações que podemos dar sobre a presença das crianças na internet. Acho que essas orientações são fundamentais, já que a internet nos parece algo tão inofensivo, mas é um imensa janela para o mundo. Cada palavra, cada foto, tudo que é lançado na internet saí de alguma forma do nosso controle. E as crianças precisam saber de tudo isso e serem orientadas. Questões sobre bulliyng virtual, grooming, vício em internet, jogos violentos, tudo isso é abordado no livro e suscita reflexões importantes sobre educação. Uma das sensações que me deu é que precisamos estar atualizados sobre o que existe na internet para que possamos proteger nossos filhos. Acompanhar a vida digital deles é fundamental.

No final de alguns capítulos, o livro traz alguns sinais de alerta sobre as situações apresentadas no capítulo e algumas soluções para esse problema. Gostei muito dessa estrutura porque funciona como um guia rápido para os pais e pode ser um espaço para consultas rápidas, tornado o livro um bom aliado na educação dos filhos.  O capítulo sobre como impedir que o tempo de tela se torne um campo de batalha também é muito bom. Já estou aplicando algumas das sugestões em meu cotidiano para organizar melhor o uso de telas aqui em casa.

Ao final do livro, ela ainda traz um capítulo sobre os benefícios do uso de telas e equilibra um pouco a situação. O uso de telas é a nossa realidade, não há perspectiva que teremos uma mudança nessa tendência nos próximos anos e precisamos aprender a lidar com isso da melhor maneira possível.

Meu amor pelo livro:

 

 

 


Este livro foi cedido para leitura pelo grupo editorial Companhia das Letras como parte da nossa parceria. Caso tenha interesse em adquirir um exemplar,  compre pelo nosso link da Amazon e ajude o AMP.

Postado em 24 de maio de 2017 por Lu Bento

Olá pessoal! Vamos falar sobre livros? Existe um ampla bibliografia voltada para mães e no Leituras Maternas compartilho com vocês minha impressões sobre esses livros. O universo materno é abordado de diferentes maneiras nas publicações impressas. Nesse edição, trago pra vocês um livro de exaltação a figura materna e um livro de poesias que ampliam nossos sentidos sobre o maternar.

Leituras

 

 

As mães que mudaram o mundo

Histórias inspiradoras de mulheres que fizeram a diferença para seus filhos e para  mundo

 

mães que mudaram o mundoAutor:Billy Graham

Editora: Habacuc

Comprei esse livro por pura compulsão por livros em uma dessas feiras de saldão. Li esse livro por plena necessidade de estímulo e motivação nessa jornada materna. Sem dúvidas, é um livro cativante. A história e o empenho dessas mulheres em fazer o que elas consideraram melhor para seus filhos é reconfortante. E é exatamente o que se espera quando se pega um livro com forte viés religioso: conforto.

O livro conta a história das mães de grandes personalidades do mundo, mostrando como essas mulheres aturam para que essas pessoas (em geral, homens) se destacassem ou aprimorassem características que foram marcantes para história do mundo. Fiquei um pouco chateada porque essa mulheres são definidas a partir de seus filhos famosos, a mãe de Luther King, a mãe de Condoleeza Rice. Mas entendo que essas mulheres se tornaram interessantes para o grande público devido aos seus filhos famosos. Ah, falando nisso, um dos motivos que me fizeram comprar esse livro foi a curiosidade de conhecer essas mães pretas aí…

No meio da leitura fiquei meio saturada pelo viés religioso do livro, sempre ressaltando a fé dessa mulheres como decisiva no poder de influencia delas ou citando mulheres bíblicas. Pra quem não é religioso, pode ser chato tudo isso. Mas pra quem acredita, pode ser uma mais uma forma de fortalecer a maternidade também na dimensão religiosa.

A escrita é bem simples, a leitura é super acessível para as pessoas que não tem o hábito de leitura e, como são histórias individuais, é perfeito pra mães que nem sempre tem tempo para ler um livro. Dá pra ler fora da ordem dos capítulos e ir buscando as histórias que mais te interessam ou se conectam com o momento que você está vivendo. É aquele tipo de publicação feito pra dar de presente, tem até um espaço de dedicatória na primeira página. E funciona bem como presente viu?

Não foi um livro que eu amei, mas valeu a pena ter lido. E ele continua com espaço na minha estante.

Livro nota 2

Cria Jubal

 

criajubal-202x224

Autora: Adriana Rolim

Editora: Metanóia

Gente, filho é poesia. E praquelas pessoas mais próximas das palavras, só a poesia pra conseguir expressar os sentimentos da gravidez e da maternidade. É isso que a Adriana Rolin faz nesse lindo livro. Esse livro faz você se sentir entrando na intimidade de uma família a cada poesia, conto, relato, fotografia. Amor que transpassa as páginas do livro  nos fazem perceber o quanto essa obra deve ser importante pra essa família.

Além da maternidade, Cria Jubal articula diferentes dimensões do nosso ser, a mulher-companheira, a mulher-ativista, a mulher-amiga, a mulher-artista… todas elas juntas, com essas nuances se sobrepondo. Acaba servido de estímulo para nos vermos completas, perspectiva que muitas vezes é esquecida quando nos tornarmos.

A leitura de Cria Jubal, além de enternecer meu coração, me fez olhar com outros olhos pra mima vivência cotidiana, me vez ver com olhos de poeta o amor que nutrimos uns pelos outros em casa e me estimulou a escrever um pouco mais sobre isso.

Esse é aquele livro pra dar de presente para amiga quando nasce o bebê ou ela descobre que está grávida. Leitura e espera e de conforto.

Onde encontrar: InaLivros

Livros nota 4


E aí, gostaram do Leituras Maternas desse mês? Conta pra gente nos comentários! Tem dicas de livros sobre maternidade? Bora conversar! Até a próxima.

Postado em 4 de junho de 2016 por Lu Bento

Olá Pessoal! Estavam  com saudades do LêproErê?  O blog vai passar por uma reformulação em breve, o LêproErê vai virar uma atividade presencial no Quilombo Literário da InaLivros e um quadrinho específico pra crianças aqui no blog, então logo, logo teremos mudanças por aqui e será mais fácil encontrar as dicas de livros infantis. E no novo espaço Leituras Maternas falaremos sobre literatura mais adulta, assim tem espaço pra todo mundo e ainda mais conteúdo literário aqui no blog.

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Mas vamos ao que interessa nesse momento: livros! Hoje vou falar sobre dois livros infantis bem bonitos que eu conheci em maio e um  livro que eu considero leitura obrigatória para pais de crianças negras.

Bora lá?


Diarabi e Mansa

DIARABI-E-MANSA_CAPA-FRONTAL-600x600Autor: Souleymane Mbodj

Ilustração: Judith Gueyfier

Editora: Viajante do Tempo

Onde Encontrar: InaLivros

Sinopse: Há muito, muito tempo, Mansa, um jovem príncipe africano, estava à procura de uma esposa. Mas ele recusava todas as princesas que seu pai lhe apresentava e repetia, sem cessar, que queria compartilhar sua vida com uma pessoa muito especial. Assim começa a história de Mansa, o jovem príncipe de coração puro. Sua generosidade guiará seus passos até a linda Diarabi. O amor que os unirá será único, mágico. Ninguém poderá destruí-lo. Nem mesmo os feitiços e o ciúme de uma bruxa. Nem mesmo a morte…

Que livro lindo! Sério, estou apaixonada pela história e pelas ilustrações dessa obra. É uma história de amor daquelas que superam qualquer obstáculo sabe? Mas com um toque de suspense que prende até mesmo aquelas crianças que não dão bola pra histórias melosas. O autor é um senegalês que vive na França  e tem se dedicado à transmissão da literatura oral africana, então o livro tem uma pegada muito gostosa de história contada oralmente. No final do livro ainda tem uma página linda, com explicações sobre palavras utilizadas ao longo do livro, apresentando um pouco da cultura africana e dos idiomas wolof, do Senegal, e mandiga, de Gâmbia, Guiné, Mali, Burkuna, Senegal e Costa do Marfim.


A Bela Wika Ya Wuwu

a bela wika yawuwuAutora: Neuza Lozano Peres

Ilustradora: Gabriela Guenther

Editora: BestBook

Sinopse: Baseado numa história real, Wika Yawuwu virou Francisca quando aqui chegou. Seus descendentes contam o que ouviam de seus antepassados, que Francisca viera ainda menina para o Brasil como parte do rapto perpetrado por homens que buscavam em várias regiões da África pessoas para escravizar.

É um livro que marca uma resistência africana à escravização, e também nos mostra um resgate de uma ancestralidade que é nossa também. Temos muito poucas referências sobre África e sobre nossa raízes africanas e ter uma história que é contata há gerações pode descendentes dessa mulher é reconfortante e inspirador.


Entre o mundo e eu

Entre o mundo e euAutor: Ta-Nehisi Coates

Editora: Objetiva

Sinopse: Tanehisi Coates é um jornalista americano que trabalha com a questão racial em seu país desde que escolheu sua profissão. Filho de militantes do movimento negro, Coates sempre se questionou sobre o lugar que é relegado ao negro na sociedade. Em 2014, quando o racismo voltou a ser debatido com força nos Estados Unidos, Coates escreveu uma carta ao filho adolescente e compartilha, por meio de uma série de experiências reveladoras, seu despertar para a verdade em relação a seu lugar no mundo e uma série de questionamentos sobre o que é ser negro na América. O que é habitar um corpo negro e encontrar uma maneira de viver dentro dele? Como podemos avaliar de forma honesta a história e, ao mesmo tempo, nos libertar do fardo que ela representa? Em um trabalho profundo que articula grandes questões da história com as preocupações mais íntimas de um pai por um filho, Entre o mundo e eu apresenta uma nova e poderosa forma de compreender o racismo. Um livro universal sobre como a mácula da escravidão ainda está presente nas sociedades em diferentes roupagens e modos de segregação.

Ser uma pessoa negra no Brasil não é tão diferente de ser uma pessoa negra nos Estados Unidos. A proximidade com que determinadas situações são narradas ao longo desse livro e as preocupações de Coates sobre como o racismo afeta diretamente a existência de seu filho são compartilhadas por nós, leitores e pessoas negras brasileiras. É uma leitura muito intensa e poderosa nesse sentido, fundamental para pais de crianças negras e importantíssima para introduzir a conversa sobre racismo com os nossos jovens. O livro aborda questões que não podemos mais fingir que não nos afetam.


Bom pessoal, foi isso!  Semana que vem continuamos com o LêproÊre, e deve sair quinta, como o esperado. Assim que eu tiver um posicionamento quanto as mudanças de layout do site , eu aviso direitinho ok? Enquanto isso, não deixem de ver as dicas de livros que eu publico também no blog da Ina, no site da InaLivros e no nosso projeto #100meninasnegras.

Até semana que vem!


 

Postado em 14 de janeiro de 2016 por Lu Bento

No LêproErê de hoje 3 livros que eu particularmente gosto muito e que eu estava louca pra comentar com vocês. Dois de um super ator voltadas para o público infantil e  outro para ler sozinha(o). Pronta pra conhecer essas obras?

leproere14

 

Livro: Cadernos de Rimas do João

caderno de rimas do joãoEditora: Pallas
Autor: Lázaro Ramos

Sim, o ator Lázaro Ramos é autor de livros infantis! Delícia descobrir que alguem que você admira é multitalentoso né? Cadernos de Rimas do João é o ssegundo livro de Lázaro e é uma obra muito linda. Já falei aqui o quanto me surpreendi com a recepção de Isha Bentia a um livro de poesias. Desde então passei a ter outros olhos para esse tipo de obra voltada para o público infantil, inclusive eu mesma passei a ler e a querer compreender mais a poesia. Mas isso é assunto para outro post. Hoje quero falar do livro de poesias do Lázaro, que de uma maneira muito gostosa nos presenteou com versos simples e curiosos de um eu-poético jovem que ao mesmo tempo que fala de Mãe,de Autoestima e de Acaso. Eu gostei muito do livro, não acho todas as poesias dele tenham agradado às meninas, mas també acho que ele seja mais adequado para um faixa etária maior que a delas ( talvez para crianças com mais de 6 anos).

Além disso, as ilustrações são muito bonitas, um trabalho super bem feito pelo ilustrador Mauricio Negro.

Caderno-de-rimas-do-Joo_ilustrao2

Onde encontra: InaLivros

Livro: A velha sentada

A Velha Sentada
Autor: Lázaro Ramos

Editora: Uirapuru

Esse é o primeiro livro do Lázaro e conta a historia de uma menina que não queria sair do computador, só queria ficar sentada em casa. A historia se desenrola em torno disso em um enredo e bem atual e que fala bastante às crianças de hoje em dia.

O estilo difere completamente da segunda obra do autor, tanto na escrita quanto na estética e formato do livro, mas acho que essa obra é muito adequada para a leitura individual e para ser utilizada em escolas. As ilustrações são bem fofas e chamam a atenção das crianças.

Onde encontrar: InaLivros

Livro: Olhos D’água

olhos dagua

Autora: Conceição Evaristo

Editora: Pallas

Gente, esse livro é uma bomba! Não por ele ser ruim, muito pelo contrário, ele é maravilhoso. A questão é que ele realmente abala as nossas estruturas. É um livro de contos

que fala muito da realidade da população negra, em especial, das mulheres. Conceição nos trás retratos de vivências negras que são marcados por dores, desencontros e fragmentações de nossa existência perpassadas pelo racismo estrutural na qual estamos inseridos e somos alvo. Como em todo livro que fala da população negra, a minha sensibilidade e empatia com as personagens fica ainda mais aflorada e por ser um livro que foca muito na maternidade, foi uma leitura muito impactante pra mim. Já no primeiro conto que dá título ao livro, cai em prantos dentro do ônibus, com moça ao meu lado me perguntando se estava tudo bem e eu tendo que explicar que era só um livro, talvez tentando me convencer também que não há por aí inúmeras pessoas tentando sobreviver nessa sociedade que nos desumaniza.

Não que seja um livro pessimista, pelo contrário, suas histórias intensas e de alta carga emocional nos alerta para a vida que existe além das nossas redes sociais e de convivência ou das novelas de tv.

Não tinha lido nada da Conceição Evaristo ainda, já acompanhava a fama dela e estava ansiosa pra conhecer a obra da autora, e posso afirmar que foi ainda melhor do que eu esperava. Olhos d’água é uma obra que vale muito a leitura, só recomendo que você esteja e um momento emocionalmente bom, pois não é aquela leitura leve e divertida. É uma leitura densa e carregada de emoções, e que ao final, no deixa com a certeza de que um dos maiores atributos da negritude é a resistência.

Onde encontrar: InaLivros

Bom galera, foi isso! Semana que vem tem mais LêproErê!

Postado em 7 de janeiro de 2016 por Lu Bento

No LêproErê de hoje um livro maravilho que foi lançado no final do ano passado e uma surpresinha pra vocês que acompanham o blog (e a página!) da mãe preta. Bora começar os trabalhos de 2016 porque esse ano promete muita novidades e coisas boas!

leproere13

 

Livro: Quando me descobri negra

descobri-negra4Autora: Bianca Santana

Editora: SESI-SP

 

Gente, que livro lindo!  Quando me descobri negra é uma coletânea de cronicas e relatos sobre negritude e identidade que toca o coração. Então, esse livro é assim.

Eu tive o imenso prazer de ler alguns textos do livro antes mesmo de sua publicação por fazer parte junto com a autora do Círculo de Mulheres Negras da Casa de Lua, uma casa feminista de São Paulo. E desde a primeira leitura fiquei encantada com a cadência da escrita de Bianca. Não é (só) porque ela é minha amiga não, mas Quando me descobri negra trás alguns recortes do cotidiano que com os quais nos identificamos e que nos faz perceber que a sutileza do racismo e do preconceito em alguns momentos não deixa marcas tão sutis em que é alvo. Pelo contrário, faz com que a pessoa passe por uma negação da sua própria negritude e  o processo de resgate dessa identidade é também um processo de curas e reconhecimento das suas características físicas e ancestrais.

A leitura é rápida e super fluida, não é nem de longe um livro cansativo de se ler. Excelente leitura inclusive para quem não tem tanto o hábito de ler e uma boa indicação de livro para jovens que estão na efervescência do processo de construção da própria identidade.

Tive o prazer de participar do lançamento do livro com a InaLivros e posso dizer que ele é um dos nossos campeões de vendas nesse fim de ano. E todo mundo tem dado um retorno super positivo, dizendo que gostou muito do livro e se emocionou com ele.

Onde encontrar: InaLivros | site do livro

Por esses motivos, Quando me descobri negra foi escolhido como o primeiro brinde dos nossos sorteios do blog, e como a Bianca é uma pessoa linda, consegui um exemplar com um autografo lindo para a ganhadora. Corre lá na página do sorteio e e participe!

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