Todos os posts sobre Maternância
Postado em 25 de outubro de 2016 por Lu Bento

[h1title title=”TSM#4 – Comparação entre mães” style=”single”]

Fala galera! Hoje é dia de terapia do ser mãe aqui no blog! Vamos conversar um pouco sobre maternidade?

tsm-4 comparação entre mães

Se comparar com os outros é um ato natural e humano. A gente faz isso o tempo todo, e isso é uma tentativa de avaliar e se perceber parte de um grupo. Por isso mesmo é tão difícil deixar de se comparar. Nos comparamos a outras pessoas para descobrir semelhanças e diferenças com essas pessoas que funcionam como parâmetros. O problema é o julgamento que vem logo em seguida, embutido no ato de se comparar que nos faz estabelecer uma hierarquização entre os elementos comparados. Este é o certo, aquele é o errado. Este comportamento é superior e aquele, inferior. Este é jeito criar os filhos é o melhor e aquele é o pior. As comparações acabam tomando um viés competitivo e rotulador, e isso não é bom pra ninguém.

O primeiro ponto desse pensamento é a importância de evitarmos comparações com as práticas e vivências de outras mães. E a gente esquece disso o tempo todo, principalmente quando vemos uma mãe com a casa arrumada, filhos felizes e vida organizada enquanto  a nossa vida está um caos, tudo bagunçado e crianças totalmente fora de controle. A primeira coisa que a gente pensa é o quanto aquela mulher é “melhor” mãe, não é? Então, isso é nocivo pra caramba, porque desconsidera todo o nosso esforço e toda a especificidade da nossa própria família. A gente não sabe o que passa naquela casa pra ela conseguir este nível de organização, e mesmo quando a gente sabe, nem sempre as técnicas empregadas lá funcionam de fato na nossa família. Porque as pessoas são diferentes! Não em jeito!

Se comparar a outras mães é inútil, ineficaz e ineficiente! A gente só se desgasta com essas comparações e se deprecia. Toda família tem suas dificuldades e desafios. E a maternidade não é uma competição entre mulheres-mães.

Esta é a sua família

O livrinho, como eu já disse, tem uma pegada bem religiosa e pra quem acredita em Deus, essa frase já é determinante pra enfraquecer o desejo de se comparar a outras mães. Mas mesmo sem uma explicação espiritual pra isso, o fato de que esta é a sua família não muda. É com estas pessoas que você, como mãe, precisará interagir e construir um consenso, então não há porque se comparar. São pessoas com personalidades diferentes, que valorizam coisas diferentes, assim como você não é exatamente igual às outras mães. Então não tem como acreditar que um mesmo método cristalizado de educação e de negociação familiar funcionará para as duas famílias.

tsm4-frase
Aceitar que somos diferentes e que reagimos de forma diversa a cada ação, é o primeiro passo para resistir à tentação da comparação. A mãe da sua família é você e a criação de filhos não é uma competição entre mulheres, não custa repetir.  Tudo que você precisa fazer é buscar o melhor para você individualmente e para seus filhos e sua família como um todo. O melhor é o que pode ser feito. Não adianta colocar as práticas de outras famílias em um pedestal se nada daquilo é aplicável à sua realidade.
Esta é a sua família e você tem todas as ferramentas pra fazer funcionar da melhor maneira para vocês. Não adianta se comparar com outras dinâmicas e realidades quando essa comparação gera frustração e sentimentos de inferioridade e impotência. Aprender com outras práticas familiares, se inspirar em atitudes de outras mães é maravilhoso e ajuda bastante, mas sem essa carga emocional negativa que a comparação trás.

A rivalidade entre mulheres e a mãe negra

Essa prática de comparação entre mães é reflexo de uma cultura machista que estimula a rivalidade entre mulheres. Cada vez que a gente entra nesse jogo perverso, estamos fortalecendo estruturas machistas. Estamos fortalecendo a crença de que mulheres ~naturalmente ~não se dão bem. A gente não precisa disso. Precisamos nos fortalecer mutuamente, precisamos nos apoiar. Quando a gente não se compara a outra mulher a gente sai da lógica de competição entre mulheres e entre na lógica da sororidade.

Quando a gente pensa especificamente a situação das mães negras,  cenário de competição é ainda mais cruel. Somos a maioria dentre as mulheres que criam e educam seus filhos sozinhas. Somos a maioria dentre as mulheres que trabalham para garantir o sustento dos filhos. Somos a maioria dentre as mulheres que estão em situação de  vulnerabilidade social. Então, se comparar com outras mães chega a ser uma crueldade com nós mesmas. É humanamente impossível que a gente siga todas as dicas que vemos em blogs maternos ou ser aquela mãe da propaganda de tv. Não dá! A realidade é outra e muito mais dura para as mães negras.  Por isso, não se cobre por não conseguir implementar todas as dicas daquele livro de referência.

Deixar de se comparar às outras mães torna o exercício da maternidade mais leve, além de te dar mais confiança para realizar as coisas à sua maneira.


Bom pessoal, esse foi o terapia do ser mãe desta semana. Pra quem está chegando agora, eu explico direitinho a proposta dessa série  de postagens aqui.

E aí, vocês se comparam muito a outras mães? Deixem os comentários aí embaixo ou em nosso facebook!

Até a próxima semana!

Postado em 19 de outubro de 2016 por Lu Bento

Depois de uma eternidade, finalmente consegui retomar a regularidade (que nunca existiu) de postagem aqui no blog e retomo também a proposta do terapia de ser mãe. Confesso que fiquei bem chateada quando roubaram meu celular que tinha os áudios de tudo que meio a mente quando eu li o livrinho. Aí fiquei chateada, frustrada e deixei de lado. Mas agora já superei essa adversidade e resolvi parar com essa sofrência de lamentar o material perdido. Bora pra mais uma edição do Terapia do Ser Mãe? Hoje vamos falar do conselho número 3 do livrinho. Preparadas? Então acompanhem aqui:

tsm-3 - pensamento - conselhos repreensivos

Gente, dar pitaco todo mundo quer né? Ainda mais em se tratado de criação de filhos. Não é a toa que dizem por aí que todo mundo é ótima mãe até ter filhos. Porque quando é à vera, a coisa muda de figura. Seu filho idealizado não age da forma que você previu. Você não é tão convincente  e capaz de fazer tudo acontecer da forma que você quer só com um olhar. Você percebe que na prática, toda aquela teoria de como criar filhos não se aplica, simplesmente não dá pra você fazer aquilo daquela forma que você pensou que faria. Enfim, na vida real, você lida com situações reais, e  tudo é imprevisível.

Se você, como mãe, consegue perceber tudo isso, então já deu pra sacar que não adianta tentar dar fórmulas mágicas pra ninguém né? Funcionou na sua casa? Que lindo! Compartilhe a sua experiência e inspire e ajude outras famílias. Mas não venha ditar regras né? Não precisa criar um manual de como ser uma mãe perfeita como você porque todas as suas técnicas podem não servir de nada para outras mães, em outras famílias, outros contextos.

De boa intenção o inferno está cheio

 

Quantas vezes pessoas estranhas já vieram repreender você pela forma como você estava cuidando das suas crianças? Isso é super comum né? Mas como isso é opressor! Ainda mais quando parte de uma mulher mais velha, ou mais experiente com crianças.  Já ouvi várias vezes ” você não pode deixar essa menina assim, sem casaco. Tá frio!” E a menina fica derretendo de calor assim que eu cedo às pressões e coloco um casaco.  Minha filha tava sem casado porque eu sei como se comporta o corpo dela. Eu sei que ela não está sentido frio, mesmo que esteja um pouco frio para as outras pessoas.  O meu instinto e a minha experiência diante da minha família balizam as minhas decisões. E aí, chega uma pessoa estranha, que não nos conhece e me aconselha, em tom de reprovação, a fazer algo?  Isso não ajuda nenhuma mãe! Como já falamos e já sabemos, a maternidade é uma eterna fonte de culpas. E não ajuda em nada certas pessoas interferirem de forma tão hostil em nossos procedimentos e decisões cotidianas.

Algumas pessoas estão sempre prontas para dar pitacos na vida dos outros. Sabe, aquele discurso do “se fosse meu filho não faria isso”. Nem sempre no sentido de nos diminuir ou humilhar, muitas vezes essas pessoas acham mesmo que tem algo ~ revolucionário ~ para ensinar. Como se nós, mães, estivéssemos o tempo todo em busca de alguém para nos ensinar a cuidar dos nossos filhos. Nem sempre a gente está precisando de ajuda e nem sempre essa intervenção em tom de ~ ajuda~ é oferecida para nos ajudar de verdade.

Sobre a nossa necessidade de se empoderar

A maternidade é marcada pela insegurança e pelo desejo constante de fazer o melhor para nossas crias. Umtsm3 - conselhos repreensivosa das primeiras coisas que uma mãe precisa é aprender a confiar em si mesma. Confiar em suas próprias e não comprar esse discurso da culpa que a sociedade tenta nos vender. Você provavelmente conhece várias pessoas que falam em “culpa materna”. Mas toda essa culpa que a gente às vezes carrega só serve pra tornar ainda mais difícil o nosso cotidiano. A gente não precisa disso! A gente não precisa internalizar esse discurso de que somos culpadas por tudo que foge do padrão na nossa maternidade.

Todo mundo erra e ser mãe não nos faz imune a isso. Pense na sua mãe: quantas vezes você não pensou que a decisão tomada por ela não era a melhor no momento? Quantas vezes ela mesma reconheceu isso? A gente tenta sempre fazer o melhor, mas nunca será perfeito. Nunca será! Então o melhor mesmo é confiar em si mesma, confiar em suas escolhas e decisões e seguir em frente. Errou? Tenta consertar. Não dá mais pra fazer diferente? Mude a partir de agora e aprenda com o passado.

Aceitar as nossas limitações é um caminho para o nosso empoderamento e para que a gente possa lidar melhor com a enxurrada de conselhos repreensivos que recebemos.


E aí, o que você achou desse pensamento? Concorda, discorda… já recebeu muitos “conselhos repreensivos”? Conta aí…

E se você não sabe que livro é esse que eu estou usando como base para essas postagens, dê uma olhadinha neste texto onde eu explico a proposta deste projeto.

Postado em 17 de outubro de 2016 por Lu Bento

Nesse final de semana aconteceu o 1º Encontro Iyá Maternância. Já tínhamos feito um aquecimento em abril deste ano pra sentir como as mulheres-mães-negras receberiam o nosso projeto. Nesse encontro de aquecimento foi possível vivenciar na prática o quanto precisamos de espaços de fortalecimento de nossa autoestima e da nossa coletividade.  O Iyá Maternância nasceu de um modo tão intenso e significativo que nós, as organizadoras,  precisamos de um tempo pra entender a potência desse projeto e aceitarmos o quanto ele é necessário para todas nós.  Do grupo inicial, algumas perceberam que precisavam priorizar outros  caminhos antes de seguir com essa missão. Outras maravilhosas mães pretas se juntaram ao projeto e trouxeram uma nova energia. Uma energia de ação e transformação que nos possibilitou colocar o projeto em prática.

img-20160918-wa0046

No sábado passado finalmente conseguimos realizar o nosso primeiro encontro oficial. E foi muito especial! Parece clichê falar da lindeza que foi esse encontro, mas a beleza de existirmos e resistirmos juntas precisa ser exaltada. Foi uma tarde de união de mulheres negras e mães, de brincadeiras entre crianças negras, de vivência comunitária nos cuidados das nossas crias, que naquele encontro não deixaram de ser apenas uma responsabilidade só da mãe biológica,passou a ser de todas. Sabe aquele provérbio africano que diz que é preciso uma aldeia para criar uma criança? Estávamos vivendo a nossa aldeia! E descobrimos juntas o quanto a aldeia pode também fortalecer uma mãe.

Descobrimos juntas que o Iyá nasceu para ser uma rede de apoio às mães negras. E faremos o possível para conseguir atingir um número cada vez maior de mulheres-mães.

O encontro deste sábado nos mostrou que precisamos estar unidas. Que nossas histórias de vida e nossas angustias são muito parecidas. E que precisamos nos fortalecer para fortalecermos nossos filhos e filhas. Não podemos dar aquilo que não temos. Então um espaço de troca afetiva e de apoio sincero precisa ser construído entre nós. Ainda não sabemos todos os caminhos para a construção desse espaço. Mas já estamos trabalhando nos alicerces desse projeto em nós e nas mulheres que nos acompanham.

E as crianças? Ah, as crianças tiveram uma tarde maravilhosa de brincadeiras. Crianças de diferentes idades brincados juntas, se integrando e se  reconhecendo no outro. Bebês e pequeninos tendo as crianças maiores como referência. Um espaço em que nos nossos filhos não são minoria, não são exceção, não são exóticos. Isso não tem preço. Minha filha poder falar que quando crescer quer o cabelo como o da coleguinha negra, um black power poderoso, lindo. Meninos e meninas brincando juntos, sem limitações de gênero, com as bonecas  ou de corrida.

Como uma das coordenadoras do Iyá eu sinto uma felicidade enorme em fazer parte dessa rede de apoio às mães e crianças negras e poder construir tudo isso com mulheres incríveis ao meu lado. Parceiras de vida. A maternância é uma das melhores dimensões da minha vida, uma das coisas que me dá mais prazer e um sentimento de estar contribuindo para a felicidade das pessoas ao meu redor.

iya maternancia 4 - foto em grupoAinda estou em êxtase pela experiência de sábado. Ainda estou encantada com tanta lindeza que vivemos. Agradeço a cada uma que esteve lá e a todas pelos abraços, beijos, carinhos, escutas atentas e acolhedoras. Só consigo pensar naquela expressão namaste-cult-bacaninha do momento: gratidão! E com o coração cheio de gratidão quero convidá-las a acompanhar o Iyá Maternância. Venham formar essa aldeia com a gente.

Conectando Mães Negras

Eu sei que muitas das pessoas que me leem estão em outros estados. Não se preocupem. Podemos conversar com vocês e ajudá-las a formar suas próprias redes presenciais. Podemos também viver um pouco dessa energia nos grupos virtuais. Não desanime por não conhecer um rede deste tipo na rua região. Construa uma!

O Iyá Maternância tem já conta com diversos canais de comunicação e fortalecimento de mães pelas redes sociais. Faça parte de um deles ( ou de todos!) e venha construir a sua maternância com a gente!

Iyá Maternância (página) –  facebook

Grupo virtual de apoio a Mãe Negra – gestante e tentante (grupo de facebook)  – grupo de apoio

Iyá Maternância –  instagram

Canal Iyá Maternânccia – canal no youtube

Fiquem atentas, nossa rede está crescendo e queremos alcançar cada vez mais mulheres-mães-negras!

Postado em 11 de setembro de 2016 por Lu Bento

Não é fácil lidar com problemas de saúde. Quando esses problemas estão relacionados à gravidez então, fica muito mais difícil de lidar. Toda mulher que quer ser mãe, se descobre grávida e enfrenta problema de saúde durante a gestação sabe o quanto isso perturba o nosso emocional. Hoje quero dividir com vocês a minha experiência de enfrentar duas gestações de alto risco.

Médico é um tipo complicado. Não sei se por lidarem tanto com doenças ou pelo volume de trabalho mais muitos deles vão perdendo a empatia com o passar do tempo e acham que podem falar conosco sobre os nossos problemas de saúde com a mesma naturalidade como falam entre si. Pois bem, gravidezes que necessitam de uma atenção especial, seja por questões de saúde da mãe ou do feto são classificadas como de alto risco. E quando você recebe a informação de que a sua gestação é de alto risco, o desespero toda conta de tudo.

Eu sei bem como é essa situação. Já precisei induzir 2 abortos por IIC e me tornei hipertensa aos 22 anos, o que me fez passar por duas gestações com grande risco de desenvolver pré-eclampsia ou eclampsia. Histórico nada favorável né? Pois é, mas não me fez desistir de ter minhas filhas.

pregnant-black-woman-1-1

Não sei se o caso de vocês tem a ver com alguma situação prévia de saúde, como a minha hipertensão por exemplo, tem a ver com alguma intercorrência gestacional, como a diabetes gestacional o mesmo a IIC, ou se está relacionado a um situação externa que aconteceu durante a gravidez e colocou a sua gestação sob cuidados especiais.   Na realidade, seja qual for o motivo para sua gestação atual ou futura ser classificada como de alto risco, será preciso algumas atitudes para que seja menos difícil encarar os desafios e as limitações decorrentes dela. Eu não te digo que será fácil, não será. Mas apesar das dificuldades, estar grávida pode ser uma experiência muito gostosa e te trazer boas lembranças.

Então vamos falar hoje em 5 passos para encarar uma gestação de risco.

1º passo – acompanhamento médico

O primeiro passo pra encarar uma gestação de risco é ter um acompanhamento médico de confiança. E pra isso, hipertensão na gravidez - gestação de riscoprecisamos de pelo menos dois requisitos: um médico que saiba sobre a sua especificidade de saúde e que saiba te acolher emocionalmente, que se passe segurança e esperança de que sua gestação chegará ao final. Um requisito não funciona sem o outro. Não adianta o profissional ser especialista que se ele faz pouco caso dos seus receios. Precisamos de apoio emocional para dar conta do desafio de gerir uma criança e tratar de uma questão delicada de saúde.  Da mesma forma, não adianta um profissional generalista, que faz o procedimento padrão de uma gravidez sem risco e não presta muita atenção às suas especificidades de saúde.  Isso não dá certo!  Então, buscar um acompanhamento médico que te acolha como um todo, em suas incertezas emocionais e suas necessidades de saúde é fundamental.

2º passo – grupo de apoio

O segundo passo é buscar grupos de apoio. Buscar suporte em outras mulheres que passaram ou passam por situações parecidas com a sua. No meu caso, os grupos de gestantes com IIC foram um suporte maravilhosos. Lá eu aprendi muito mais sobre a minha gestação, os riscos e as possibilidades de tratamento. Além disso, pude compartilhar a minha história com outras mães  e mulheres de histórias parecidas. Pude vibrar com cada nascimento e consolar cada mãe que perdia seu bebê. E saber que você também tem a possibilidade de ter esse apoio é muito estimulante. Dividir nossas dúvidas e anseios com quem vive a mesma coisa que a gente é uma forma de multiplicar forças. Então eu recomendo que você procure esse grupos de apoio nas redes sociais e nos fórum de gravidez.

3º passo – pensamento positivo

O terceiro passo é manter o pensamento positivo. Manter o foco no que pode dar certo, visualizar a sua gravidez  transcorrendo sem grandes percalços. A gente sabe o quanto o poder do pensamento influencia na nossa saúde e na energia que a gente passa para o bebê. Enquanto for possível se manter motivada e confiante, é preciso manter esse estado de espírito. Se você acredita em algo, tem alguma religião, sei lá, essa é a hora de se apegar a sua fé. De vivenciar a sua fé e confiar. E não precisa ser religiosa pra ter fé. Ter fé é acreditar e se você é cética, acredite que ciência, na tecnologia e nas estatísticas que dizem ser possível ter o seu filho.

Uma dadas formas de se manter positiva é pesquisar e estudar muito sobre o seu caso. Até para que você possa se basear nas técnicas e métodos que já deram certo. Mesmo que as estatísticas sejam baixas, existe aquele 1% que deu certo, não existe? Foque nesses casos de sucesso, aprenda com eles e acredite ser possível também para você.

4º passo – viva o momento

gestação de risco - repousoO quarto passo é viver o momento. Sim, viva um dia de cada vez. Comemore cada dia, cada semana, cada mês que você consegue avançar. Pensar na gravidez como um todo, com as suas 40 semanas, pode ser um tanto assustador. É muito tempo! Agora, se você divide em pedaços menores de semanas, dias, fica mais leve a você saboreia vitórias pouco a pouco. E novas conquistas nos deixam ainda mas motivadas. Eu costumava ter metas. Tipo, Chegar a “20 semanas” e isso em deixava animada, porque quando eu chegava, eu via que eu podia ainda mais. Eu celebrava uma vitória e me sentia mais motivada e confiante.

Outra forma de viver é o momento é fotografar, filmar, registrar da melhor forma possível a sua gravidez. Porque por mais que seja um momento difícil emocionalmente e fisicamente pra você, é o momento que você está gerando sua cria! Viva isso! Não se deixe levar pelas dificuldades, se você quer uma festa de chá de bebê mas está de repouso absoluto, faça a festa no quarto! Se você quer um ensaio gestante, mas está internada, faça no hospital! Dê um jeitinho, faça adaptações e viva o seu momento da forma que for possível.

5º passo – apoie quem te apoia

E o quinto passo é motivar quem está a sua volta. Eu sei, que o “certo” era a gente estar recebendo apoio emocional das pessoas a nossa volta. O problema é que quando as pessoas não entendem direito sobre um problema, elas tendem a tentar nos consolar. E neste caso, a gente precisa de apoio emocional e não de cgestação de risco - apoio familiaronsolo. Então, todos os passos anteriores nos fortalecem que a gente possa fortalecer aqueles que não tem tanta motivação como nós. A gente precisa passar pra eles essas postura e essa energia de confiança, porque é a partir da nossa segurança em encarara as dificuldades que eles vão sair daquela zona de medo e passar a confiar também que tudo vai dar certo. Então, por mais que seja contraditório, precisamos ajudar as pessoas que irão nos ajudar nos momentos de fraqueza.

A gente sabe que as pessoas podem fraquejar em algum momento, mas quanto menos a gente se abala com as dúvidas do outro e quanto mais a gente consegue mostrar confiança de que vai dar tudo certo, mas os outros recebem essa energia positiva e passam a perceber que se você que a é a gestante está confiante e fazendo o melhor pra conseguir ter esse(s) bebê(s), não há motivos para que as outras pessoas fiquem tão pessimistas.

Gestação de Risco – Infográfico

Pra ficar um pouco mais visual 5 passos fundamentais para conseguir levar a termo uma gestação de risco sem perder a sanidade, fiz um infográfico pra vocês. Seguindo esse 5 passos você estará muito mais preparada para encarar os desafios de uma gravidez delicada.

5-passos-para-enfrentar-uma-gestacao-de-risco


Então moça, é isso. Se você está grávida ou pretende engravidar e já sabe que pode ter uma gestação de risco, espero que essas dicas tenham te ajudado.  Caso queira conversar sobre isso, deixe um comentário aqui ou me escreva por e-mail. Eu entendo bem o quanto uma gravidez de risco pode ser solitária e desafiadora mesmo quando a gente tem apoio da família e dos amigos.

Postado em 6 de setembro de 2016 por Lu Bento
Hoje é dia do sexo e resolvi retomar as postagens do blog falando sobre a vida sexual da mulher-mãe. Será possível continuar a ter uma vida sexual ativa e saudável depois de termos filhos? Ou depois que as crias nascem a gente entra para aquela categoria do “minha mãe não faz essas coisas?”
Postado em 20 de julho de 2016 por Lu Bento

Olá pessoal! Bora continuar nossa série inspirada no livrinho Terapia do Ser Mãe?  Pode parecer piegas, mas o livro rende boas discussões e reflexões sobre maternidade e sobre a maternidade negra.

tsm-34

Toda mãe tem o direito de fazer o que quiser da vida, né gente? Não é porque tornou-se mãe que agora a vida dessa mulher é de utilidade pública e o mundo inteiro tem direito a dar pitacos e dizer como ela deve se portar com seus filhos, companheiro e diante do mundo!

Ser mãe é uma escolha (mesmo a gente sabendo de toda a imposição de existe por trás disso) e envolve diversas outras escolhas e como levar sua gestação, se vai se submeter a uma cesariana ou procurar o prato humanizado, se vai dar mamadeira, chupeta, amamentar, deixar comer doces ou nada disso.  Todas as pessoas tem um modelo ideal de criação dos filhos (o meu passava pelo combo parto humanizado – amamentação em livre demanda – fraldas de pano – educação montessoriana – criação comunitária) mas nem sempre o modelo se encaixa à sua realidade ou até mesmo continua fazendo sentido pra você depois de mudanças em sua vida.

No meio materno, é constante a discussão sobre culpa. Mães estão sempre se sentindo culpadas por algo, como se nós fôssemos capaz de controlar tudo e como se fôssemos as únicas responsáveis pelo bem-estar das crias. Não somos tão poderosas e absolutas como nos fizeram acreditar. Somos humanas. E humanos fazem escolhas que representam, ao mesmo tempo, perdas e ganhos. Pode ser que a gente faça uma escolha que posteriormente nos pareça errada. Acontece. Mas o que é certo para mim pode não ser para você. No fim das contas, cada um sabe o que é melhor para a própria vida.

Trabalho e maternidade

Esse pensamento fala principalmente sobre a questão do trabalho. Trabalho e maternidade são duas palavras que não combinam em nossa sociedade. Mesmo a gente sabendo que ter filhos e educá-los é trabalho pra caramba. Ter filhos e garantir a sobrevivência desses novos seres é trabalho pra caramba!

Trabalhar fora e deixar suas crias aos cuidados de algum parente, ou mesmo em escola por tempo integral é uma opção e uma necessidade de muitas mulheres. Nosso tempo é finito, só temos 24h por dia. Não dá pra fazer tudo que gostaríamos, como gostaríamos. Precisamos fazer escolhas. E precisamos respeitar a escolhas das outras.

Já basta todo um sistema capitalista misógino e racista que quer nos  deixar fora dos espaços de poder. Que quer nos confinar no espaço doméstico e nos desarticular enquanto grupo, vendendo sempre a ideia de que mulheres são invejosas, desunidas e são um peso para a sociedade. Nós não precisamos reproduzir esses conceitos!

Quando falamos especificamente de mãe pretas, sabemos que o trabalho nem sempre é uma escolha. Para a maioria da nós, o trabalho é uma necessidade. Precisamos trabalhar para sustentar nossos filhos. E essa é uma prática antiga. Mulheres negras sempre trabalharam fora para colaborar com a renda familiar, e atualmente não é diferente. Uma forma de não transformar esse necessidade em um gatilho de culpa é pensar que é esse trabalho que permite que você possa exercer a maternidade nas horas de folga. Sem ele, talvez sua situação financeira fosse incapaz de assegurar condições básicas de vida para seus filhos. Trabalhar para sustentar as crias também é uma forma de demonstrar o seu amor e exercer a sua maternidade.

A  boa mãe

Precisamos romper com esse mito de boa mãe. Mãe é mãe e pronto. O que é ser boa? Quem decide quanto uma mãe precisa se dedicar para ser boa?

Os juízos de valor na maternidade constituem o principal motivo para a desagregação entre as mulheres mães. Sempre aparece alguém pra  “cagar regra” sobre alguma postura, dizendo que “toda mãe que ama seus filhos deve fazer isso”. E aí, aquela mulher-mãe que não segue esse regrinha imposta imediatamente se sente ofendida e #menasmain. É só procurar no google que vocês encontrarão uma chuva de depoimentos no estilo “não sou menas mãe por… “. tsm2-frase

Gente, maternidade não é competição. Ninguém vai ganhar o título de a melhor mãe do universo, e mesmo se fosse, me responda: você tem filhos para massagear o ego ou para ajudar a criar novos seres humanos, dar continuidade à vida?

Talvez o caminho para o não julgamento seja olhar menos pro quintal da vizinha e mais para a nossa prática, para as nossas escolhas e saber que precisamos estar confortáveis com elas, ou pelo menos, consciente que escolhemos o melhor para aquele momento. Ou que deu pra fazer. A  partir daí,  a gente possa entender que outras mães buscam escolher o melhor para suas famílias e/ou para si própria e que a escolha dela nele momento não a faz melhor nem pior que você.

Estamos juntas

 

O texto fala ainda sobre a importância de nos vermos enquanto grupo. Pensar que mulheres-mães não inimigas e não estamos em uma competição de “melhor mãe do universo”. Estamos criando filhos, cidadãos, pessoas que darão continuidade à vida. Precisamos ter consciência da importância e grandeza da função materna, para compreender também que este não é a única dimensão de nossas vidas. E que cada mãe fará a escolha que se adequar melhor ao seu momento de vida, às suas demandas internas e externas. É aquela ideia de sororidade, de companheiros, de parceria entre mulheres. Estamos juntas, mesmo com escolhas tão diferentes.


E aí, você também defende o direito de escolha de todas as mães? O que você faz  no seu cotidiano que recebe críticas dos faladeiros? Conte pra gente!

 

 

Postado em 18 de julho de 2016 por Lu Bento

Sabe quando você vai em algum lugar que suas energias se renovam? Assim foi na Gira das Mães Pretas. A Gira foi um encontro presencial da roda da mãe preta para falar sobre temas que nos afetam diretamente.  Já falei da roda da mãe preta aqui quando falei sobre maternância, depois é só voltar no texto “Maternância preta, o que é isso?” Mas a Roda, que era um espaço lindo de empoderamento e apoio materno virtual, se materializou em um evento presencial com uma energia muito forte.

13697111_1814450925451613_1164829260374582587_n

O encontro rolou no Aparelha Luzia, uma casa que abre espaço para eventos afrocentrados e que tem se configurado com um dos maiores espaços de incentivo  fortalecimentos de atividades pretas. Um ambiente que acolhe diferentes linguagens e propostas de empoderamento preto. Vale muito a pena conhecer o espaço.

Fiquei muito feliz em conhecer pessoalmente tantas mulheres com histórias de vida diferentes e poder compartilhar com elas a minha experiência com a maternidade. Precisamos de mais espaços de fortalecimento da nossa maternidade.

O fina do evento foi uma alegria à parte. Rolou uma mega balada, daquelas em que mães e crianças curtem juntos, dançam se divertem… a casa abriu para o público regular e foi uma mistura de gentes superinteressante e necessária. Achei bem legal poder vivenciar tudo isso com as minhas meninas.

Quem ficou curiosa e quer conhecer mais sobre a Roda da mãe preta, me escreva e eu posso passar para as moderadoras do grupo.

 

Postado em 8 de junho de 2016 por Lu Bento
Faz um pouco mais de um mês  que eu fui em uma feira de livros e vi uns livros que me chamaram a atenção. Era uma coleção da Paulus,  uma editora religiosa, chamada terapia do ser. Comprei o Terapia do ser mãe e na mesma noite já comecei a leitura.
O livrinho é bem naquele estilo de autoajuda mesmo, não vou mentir. Com 36 pensamentos e umas ilustraçõesterapia do ser mãe com uns elfos meio estranhos, o livrinho aparentemente bobo trás um conteúdo importante pra estimular a reflexão sobre algumas questões relacionadas a maternidade.
O impacto da leitura e das reflexões sobre as frases foi grande por aqui que decidi, então, fazer uma série de postagens aprofundando e discutindo um pouco os pensamentos do livro. São 36 pensamento no total, e então serão a princípio um post por pensamento. Mas alguns podem gerar reflexões mais curtas, então eu posso juntar eventualmente uns 3 ou 4  pensamentos em uma postagem só.
 Começo  hoje falando do primeiro pensamento. Vamos lá?

 TSM1
Vivemos uma eterna cobrança para ser a “melhor mãe”. Como se a maternidade fosse uma competição entre mulheres. E também como se após se tornar mãe a mulher também deve se tornar um exemplo de perfeição, deixando sempre os filhos felizes e bem cuidados segundo os padrões da sociedade patriarcal. Aquela ideia de que a mãe é uma “santa”, sabe?

Opressor demais, né não? 

Essa cobrança de fora acaba sendo internalizada por algumas (muitas) mulheres e a gente fica acabando que qualquer coisa que fuja desse modelo e perfeição é culpa nossa e nos faz menas main ou mãe de merda, como se dia muito nas redes sociais.
Mas ninguém é perfeito né? Não tem como  a gente, como mãe de primeira viagem, saber o motivo exato daquele serzinho que ainda estamos conhecendo.  Nem mesmo se formos mães e segunda,terceira ou quarta viagem. Então não da pra gente entrar na pilha dos outros que insistem em nos perguntar o motivo do choro do bebê. Precisamos sair do lugar da culpa.por não saber, e assumir o nosso papel de busca,de alguém que está conhecendo a cria e procurando descobrir seus desejos e necessidades a cada instante. E esse é só um exemplo.
Quantas vezes mulheres-mães são cobradas a resolver problemas que não  podem ser resolvidos por elas naquele momento, ou mesmo não tem nada a ver com a atuação dela como mãe. Como quando a criança começa a chorar no avião e todos se sentem incomodados com o barulho e olham para a mãe com ares de recriminação; ou quando a criança faz pirraça na rua e a gente não sabe muito bem como lidar com aquele cena vergonhosa; ou quando os nossos adolescentes fazem alguma besteira por aí. Sempre perguntam sobre a mãe, sobre o que a mãe faz ou não faz quando a isso, sobre onde está a mãe que não resolve esse problema. Todos com uma dica super eficiente na ponta da língua pra apontar a incompetência dessa mãe. Da mãe!  Lembrar do pai ninguém quer, muito menos lembrar que a cria é sujeito de direitos e desejos e que algumas atitudes independem dos esforços e das vontades da mãe.

Paciência Materna 

O que mais a gente precisa nessa vida é ser paciente na jornada que é a criação de filhos. E ser paciente nem sempre é fácil.
Esperar, não se culpar,não cair na pilha dos outros e ainda entender que esses pitacos todos “São só pra ajudar”. Não é fácil.  Dá vontade de chutar tudo pro alto e mandar todo mundo se ‘F#@#*. Às vezes é necessário chegar a esse ponto mesmo, não se iniba por isso! A gente também não precisa ser catalisador do mundo. Já é difícil e desafiador demais exercer a função materna. Ainda ter que lidar com todos aqueles acham que sabem mais que você ou que você tem que saber tudo na ponta da língua  já é peso demais para carregamos.
Nem sempre a gente está em um bom dia, aquele dia, sabe, a gente tem paciência pra aturar as pirraças das crianças e todo o julgamento do mundo por você não conseguir contornar a situação imediatamente. Ser paciente consigo mesma e fundamental para que a gente consiga se manter equilibrada nessa loucura toda. E no final das contas, quem tá preocupada mesmo com sanidade mental das mães somos nós mesmas.

A melhor mãe possível 

Fala-se muito no meio materno em ser a melhor mãe possível. É uma forma de tentar amenizar o peso da cobrança por uma maternidade perfeita. Mas para pessoas que são perfeccionista ou competitivas, por exemplo, essa ideia de “melhor mãe possível” também pode ser bem opressora. Queremos sempre ser melhores, sempre aumentar os limites de nossas possibilidades e se a gente sabe que poderia fazer mais a melhor e só consegue ir até um determinado ponto, a sensação de fracasso e cobrança continua rondando o nosso imaginário.  Não se culpe, mulher!  Já tem um mundo inteiro pra te culpar de tudo por aí, você não precisa ser mais uma.
Às vezes a gente não faz o nosso melhor mesmo. E tá tudo bem. Foi o que deu pra fazer naquele momento e pronto. Foi o que você optou fazer naquele momento, mesmo sabendo que você poderia ter se dedicado mais. Tipo quando você opta por dar aquele lanche porcaria pra sua cria em vez de fazer uma comidinha caseira gostosa só pra ficar mais tempo na internet. Você poderia fazer melhor que isso né, você sabe. Mas naquele momento específico você não tava afim e ponto. Sem drama.

Aprendendo com os erros

Gente, criar filhos é algo que a gente aprende na base da tentativa e erro. Não tem jeito, pra todo mundo é assim. E a gente percebe bem isso quando vê, por exemplo, grandes especialistas em educação infantil passando dificuldades na criação de seus próprios filhos.  Então, não adianta: a teoria é linda, mas na prática é a relação que você estabelece com cada criança que vai indicar o caminho. Lógico, a gente aprende com os erros e tenta fazer diferente em outras oportunidades. Se você um dia bateu nas crianças em um momento de descontrole achando que isso ia resolver a situação e não deu certo, você pode optar o outro método pra atingir seu objetivo na próxima vez.
O jeito é aprender com as experiências mesmo. Não tem mistério.

Este post foi inspirado no livro Terapia do ser mãe, de Molly Wingand.  Para saber mais sobre o livro, clique aqui.


E aí, você é muito exigente consigo mesma? Como você lida com as cobranças para ser uma “boa mãe”? Conte pra gente! Compartilhe suas experiências!

Postado em 6 de junho de 2016 por Lu Bento

Tenho pensado muito sobre a importância da representatividade para crianças negras e sobre a importância promoção da diversidade e da pluralidade cultural para todas as crianças. E nesse movimento de reflexão, me sinto cada dia mais motivada e impulsionada para a ação. É daí que nasce o trabalho na InaLivros, nascem as listas de dicas de livros, nasce minha participação no Iyá Maternância e outros grupos sobre maternância preta e a lista 100 meninas negras. Mas principalmente, nasce uma consciência de que precisamos de um passo a mais. Precisamos sair o mundo virtual e das iniciativas individuais de busca por referenciais afrocentrados para nossos filhos. Precisamos  ocupar um espaço público e  coletivo de vivência negra.

Não é minha intenção desconstruir  totalmente o meu próprio discurso da importância da leitura e da representatividade na mídia, mas sim reforçar  a importância de uma comunidade negra para a formação da identidade das crianças negras e das pessoas negras em geral.  Muitas vezes vivemos e frequentamos lugares em que somos, de fato, minoria. Olhamos para os lados e não vemos outras pessoas negras em nosso local de trabalho, da mesma forma que nossas crianças não reconhecem semelhanças entre suas características físicas e a de seus pares.

Quando nossas crianças começam a perceber que existem diferenças entre as pessoas e que pessoas com a pele negra com a delas não frequentam todos os lugares, chaga a hora de nós, como pais, explicarmos algumas coisinhas sobre esse mundo que vivemos.  Não é nada fácil, até porque nós mesmos fingimos cotidianamente que está tudo bem, mas a sociedade brasileira o tempo todo tenta nos fazer acreditar que existe um lugar para a população negra e esse lugar não é nos pontos mais valorizados.

O lugar do negro

familia negra 1O problema disso tudo é que nossas crianças crescem acreditando que existe um lugar específico para a população negra. Nos filmes e novelas somos minoria.  Sempre nos representam com um ou dois personagem, vivendo em uma cultura e sociedade que privilegia as origens europeias da população, na qual as pessoas negras seguem um certo patrão de beleza que determina que homens negros devem ter cabelos raspados e que mulheres negras devem ter cabelos alisados.

É muito mais difícil nos enxergarmos como negros e entendermos a importância da valorização de nossas características fenotípicas  quando vivemos em um meio ambiente majoritariamente branco. O padrão de beleza é o cabelo liso, o nariz fino,  o quadril estreito. As mulheres negras, pra tentar se aproximar desse padrão, passam por uma série de procedimentos estéticos, desde alisamento capilar até mesmo intervenções cirúrgicas. Tudo isso para ser aceita, para não ser um ponto desviante do padrão.  Mas veja bem, vale a pena ficar mais próxima do padrão de beleza branco – uma pessoa negra nunca conseguirá atingir esse padrão, por mais que se modifique – mas ficar cada dia mais afastada a sua essência, da sua real identidade? Porque ter o cabelo liso mas não poder deixar uma gota d’água cair com medo que o cabelo volte ao normal ou ter a necessidade de retocar o cabelo a cada semana para  não demonstrar o cabelo crespo escondido sobre camadas de químicas não são formas de valorizar e reconhecer a própria identidade. É uma autoestima e uma autoimagem calcada em uma ficção.

Mas tudo isso pode ser melhor falado em outra oportunidade. O que eu quero destacar aqui é que para a população negra ser aceita em determinados lugares sociais é preciso que ela  se adapte física e culturalmente à uma estética branca.  E quando você não se encaixa nesse padrão, a sensação de desconforto em determinados lugares é latende. E as crianças percebem isso! família bento

Aqui em casa meu cabelo é black power, das minhas curicas também e meu marido usa dread. Então já viu né, não estamos no padrãozinho branco-europeu dos nossos colegas de trabalho e de escola ou dos nossos vizinhos. A gente anda por aí com nossas roupas afro,  nossas filhas andam com suas bonecas pretas e suas bonecas de orixás e, quando a gente circula por esses espaços, somos os únicos negros.

Ainda não rolou a frase título dessa postagem aqui em casa, e talvez nem role de fato, porque a gente tem uma preocupação e necessidade de frequentar muitos espaços voltados para a cultura negra. Mas a percepção de sermos minoria já está chegando por aqui, e já se manifesta na felicidade que Isha Bentia demonstrou outro dia ao encontrar uma menina com o cabelo como o dela na escola.

A importância dos grupos de sociabilidade

Entendo que grupos de sociabilidade de pessoas negras existem em maior número em grandes cidades e que as vezes pode ser difícil encontrar eventos culturais, feiras e rodas de conversas voltadas para a cultura negra. Mas somos a maioria da população desse país. Onde quer que você, leitora, esteja, com certeza existem outras pessoas negras. Pode não ser na mesma classe social, pode não ser na mesma escola, condomínio, bairro… mas têm. Basta pensar um pouco. E você precisa estar próxima a esses pessoas de alguma forma.

Quantas pessoas negras se formaram junto com você? 

formandos brancosSe você tem uma situação econômica mais favorável que a maioria da população negra, você passa por isso. E a sua noção de espaços de sociabilidade é perpassada por essa visão de classe. Você quer frequentar os lugares que  seu dinheiro pode pagar, e isso é um direito legítimo. Tem que ocupar mesmo esse lugares! Mas esses lugares não contemplam a nossa identidade e estética. Sempre fica um vazio quando chegamos num local e não tem nenhuma cara preta como a nossa se divertindo ou consumindo por lá. A gente sabe bem o que é isso, e talvez já estejamos até calejados. Quem fez faculdade provavelmente estudou com pouquíssimos colegas negros.  Penso, então, que esse lado da nossa sociabilidade precisa ser valorizada também. Ainda mais quando tem criança no meio!

“Mas como nos aproximar de outras pessoas negras se elas não são muitas (ou não existem) em nosso convívio?” 

Gente, não tô falando de fazer uma doação de roupas para pessoas pobres, por exemplo. Estou dizendo que você, pessoa de classe média ou classe média alta,  pode fazer uma doação de roupas e uma tarde de brincadeiras entre crianças negras, “ricas” e pobres. Pode colocar suas crianças pra conviver de verdade com outras crianças negras, independe da situação financeira de cada um delas. Haverá em um primeiro momento uma barreira de classe entre elas, mas a barreira logo será quebrada porque criança é muito mais flexível  e despida de preconceitos que adultos.

Quando a gente se aproxima e interage com mais pessoas negras temos a oportunidade de conviver com pessoas que passam pro situações parecidas com a nossas. Há uma maior identificação e reconhecimento pois estamos entre pares. baile dos crespinhos

Outra forma é também frequentar outros bairros. Se no seu bairro só tem gente branca, porque não ir almoçar um dia em um bairro com mais pessoas negras? A chance de encontrar outros negros no restaurante aumenta consideravelmente. Mesmo que você não vá conversar diretamente com essas pessoas, só a troca de olhares e sorrisos, e as crianças brincando ou vendo outras crianças negras já é super importante.

Precisamos conviver com pessoas negras. Precisamos nos cercar de pessoas negras. Precisamos que nossos filhos tenham amigos negros.


Então, o que você faz pra proporcionar aos seus filhos a convivência com mais pessoas negras?  Eles tem muitos amigos negros na escola e nos lugares que frequenta?  Já rolou a pergunta do título aí na sua casa? Conta pra gente!

 

Postado em 8 de maio de 2016 por Lu Bento

Dia das mães está passando batido por aqui e não é a toa. Reconheço e valorizo o nosso papel de mãe, muitas de nós merecem inúmeras homenagens por toda a garra e perseverança com que tem enfrentado esse desafio e eu as louvo por isso.

Mas a gente precisa de mais que flores, parabéns, presentinho e homenagens na escolas das crianças. Precisamos de respeito à licença-maternidade, de não-desvalorização no mercado de trabalho por sermos férteis e mães, de reconhecimento pela sociedade e pelos companheiro que cuidar dos filhos não é só tarefa da mulher, de direito ao próprio corpo e possibilidade de decidirmos não sermos mães, de creche decente pra que possamos retomar os estudos e o trabalho sem precisar esperar a cria ter idade suficiente pra ficar sozinha em casa e muito outras coisas.

Ser mãe é pesado pra caramba, é trabalho duro e mal valorizado. Não é padecer no paraíso, e mesmo se fosse, já deu pra sacar isso não representa coisa boa, né? Ser mãe é padecer na realidade da falta de empatia das pessoas, do apagamento da sua identidade que acabe sendo substituída por uma figura idealizada, “a mãe”. E ai de você se não alcança esse modelo ideal de mãe-amélia, no qual filhos vem em primeiro lugar (sem deixar a louça suja e a roupa acumular) e sempre pronta pra abrir mão do que for preciso para o “bem da família”, como é que fica? Você é julgada, massacrada pela sociedade!dia das mães

Não tô romantizando a maternidade esse ano, não tô nem em clima de comemoração. Porque se o peso da criação dos filhos cai muito mais em minhas costas, não tô aqui pra dar biscoito pra esses padrões que me oprimem.

Bom domingo para vocês. Que hoje, além de flores e presentes, vocês também ganhem descanso, e que a valorização e reconhecimento que tanto se fala neste domingo possa durar pelo menos, até os próximos dias…

E pra não dizer que no meu coraçãozinho só mora amargura e rancor, uma poesia de minha autoria pra deixar o clima mais leve (ou não!)

IDENTIDADE

No começo é gestante
Depois parturiente
Filho nasce e de repente
Deixamos de ser gente

Pros médicos é mãezinha
Pras crias, a manhê
Pro bebê é mamá
Pra escola, mãe da Naná

Se separada, é mãe solteira
Quando não, mãe largada
Se mais velha, é mãe de todos
O alicerce da negrada

E a vida vai passando
O seu nome vai sumindo
Sua pessoa, sucumbindo
A função de maternar

E a pergunta que fica
Nesse processo de

invisibilidade
Não importa a sua vontade
Não importa quem você é

Quando nasce uma mãe
Morre uma mulher

Veja mais em Maternância

25 de outubro de 2016 [h1title title=”TSM#4 – Comparação entre mães” style=”single”] Fala galera! Hoje é dia de terapia do ser mãe aqui no...
19 de outubro de 2016 Depois de uma eternidade, finalmente consegui retomar a regularidade (que nunca existiu) de postagem aqui no blog e retomo...