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Postado em 26 de abril de 2016 por Lu Bento

Estamos em mais uma fase de desfralde! E essa promete ser beeem mais agitada que a primeira. Pra quem não leu, eu contei um pouco do processo de desfralde de Isha Bentia aqui. E agora, conto pra vocês o processo de desfralde da curiquinha mais vida loka do universo: Mini Bentia!

Não sou daquelas que acha que a criança faz uma determinada idade e precisa sair ser desfraldada. Acho que cada criança tem o seu tempo de amadurecimento e é bem cruel colocar todas as crianças sentadas no peniquinho ou  no vaso sanitário em um determinado horário e forçá-las a ficarem lá durante um período para fazer suas necessidades físicas como eu já vi em algumas escolinhas.

Mini Bentia tem dado algumas demonstrações de que não quer mais usar fraldas. A presença da irmã mais velha estimula um pouco isso, já que toda a hora a Isha Bentia grita “xixi!” e alguém sai correndo pra ajudar na ida ao banheiro. A menor fica curiosa, quer sentar no vaso também, quer fazer o mesmo ritual da irmã, de chamar alguém pra ajudar a secar, de dar tchau pro xixi no vaso, de lavar as mãos, de recolocar a roupa… e a gente acaba tendo que gerenciar duas pequenas no banheiro ao mesmo tempo.

desfralde1

Vontade de não usar fraldas ela tem. Um certo controle de suas necessidades fisiológica também. Ela sempre avisa quando vai fazer xixi, ou quando já fez, e não gosta de ficar com a fralda cheia. Sempre arranca tudo. Aliás, esse foi um dos motivos que me fizeram entrar nesse processo com ela. A menina arranca as fraldas o tempo todo, principalmente depois que ela faz xixi ou cocô. Já dá pra imaginar quantas vezes deu ruim essa atitude né?

Diferente de quando eu escrevi sobre o desfralde da irmã, Mini Bentia ainda está usando fraldas a maior parte do tempo. Poucas vezes eu deixo ela sem fraldas em casa, mas ela já está fazendo suas necessidades no vaso sanitário com o redutor algumas vezes ao dia. Quando ela fica sem fraldas, ainda vaza bastante, mas ela adora ficar sentada no peniquinho esperando o xixi sair.

Então esse relato é um pouco sobre como eu pretendo conduzir o processo de desfralde e  sobre algumas atitudes que já estamos tomando.

Desfralde Noturno

Diferente  da maioria das crianças que eu vejo, o desfralde de Mini Bentia começará pelo noturno. Já faz um bom tempo que ela não faz xixi durante a noite. Ela dorme e acorda com a fralda sequinha, e de manhã cedo ela faz pelo menos dois grandes xixis, do tipo faz um ao acordar e se eu não trocar a fralda logo, em menos de 30 minutos ela faz de novo e acaba vazando tudo. Eu trocava a fralda dela (seca) logo ao acordar, arrumava ela pra ir pra escola, e ela fazia um xixi que vazava na roupa toda! Já estava ficando louca com isso.

Decidi então começar a colocar a menina pra fazer o primeiro xixi da manhã no vaso sanitário com o redutor. Deu super certo! Ela tinha 1 ano e meio  (hoje ela está com 2), fazia o primeiro xixi da manhã lá, depois eu colocava a fralda, e trocava a fralda novamente antes de ir pra escola.

Então, diante desses hábitos já estabelecidos e dessa dinâmica que está fluindo bem, decidi que essa semana já vou tirar a fralda da noite. Espero que dê certo, mas sei que provavelmente vai escapar uma noite ou outra.

Vazamentos e afins

Mini Bentia já estabeleceu o hábito de arrancar as fraldas. Eu já tentei deixar ela sempre de short ou calcinha pra evitar isso, mas ela arranca a roupa toda e fica correndo pelada por aí. Não tem jeito. Precisei trocar a marca da fralda dela por uma mais barata, pois estávamos gastando várias fraldas a mais, jogando fraldas limpinhas no lixo e não há bolso que aguente.

E nessa brincadeira vira e mexe ela fazia xixi em algum lugar indevido. Nas poucas vezes que eu deixei ela sem fraldas, eu sempre levava pra fazer xixi e nunca rolava. E ela acabava fazendo no chão.  É frustrante esse processo todo, mas eu sei que serão muitos xixis no chão antes que ela consiga prever e segurar pra fazer no lugar certo.

O problema é que essa menina é levada pra caramba! E isso rende algumas cenas inusitadas, como quando ela resolveu tirar a fralda no sofá, deitar, abrir as pernas e mirar o xixi na TV!  Ou quando ela fugiu no meio da troca de fraldas e fez cocô parte no móvel da sala, parte no chão.  Aí ter que limpar todo isso, segurar as curicas pra ninguém ir pra cima da sujeira, limpar a menina pra que ela não suje o resto da casa sentando por aí… é uma trabalheira que estressa a mamãe aqui.

Banheiros públicos – meu maior problema

Minha maior barreira em começar o desfralde das meninas é ter que enfrentar os banheiros públicos. A gente sai muito, nem todos os lugares tem banheiros decentes e se já é ruim a gente, adulta, usar um banheiro desses, imagine uma menininha?

Com Isha Bentia já estamos pegando o ritmo, mas tenho o tempo todo que ficar falando pra ela não encostar nas coisas, não deixar a roupa arrastar no chão, às vezes precisa de equilibrar bizarramente  e não é nada fácil e confortável. Imagina ter que levar duas ao banheiro ao mesmo tempo?  Eu não consigo nem imaginar como fazer, e o papai já descartou a possibilidade de levar as meninas ao banheiro masculino, alegando que são ainda mais sujos.

Sei que existem lugares com banheiros específicos para famílias, mas isso ainda é uma raridade nos lugares que frequentamos. E definitivamente não quero restringir nossos passeios a shoppings e afins.

E Isha Bentia nisso tudo?

Isha Bentia está em uma fase de fazer xixi na cama. A cama já fica constantemente com um plástico na tentativa de salvar o colchão. Estamos tentando reimplementar a rotina de levá-la pra fazer xixi no meio da madrugada pra controlar um pouco isso, e diminuir a quantidade de líquidos antes de dormir.

Pra variar, sempre rola o ciúmes entre elas, então sempre querem ir ao banheiro ao mesmo tempo. E nisso eu fico toda enrolada, tendo que ajudar uma, evitar que outra saia correndo pelada pela casa ou faça xixi no chão.

Mas também rola uma cooperação entre elas. Uma adora ajudar a outra a se secar, a vestir a calcinha… é fofo vê-las se ajudando.

É isso, vamos encarar esse processo. Um dia elas crescem e precisam deixar as fraldas. A mãe aqui vai se adaptando aos poucos ao fato de não ter mais bebês, e de ter que lidar com meninas um pouco crescidas. O processo acaba sendo mais dolorido pra gente que pra eles.

Alguém também está vivendo esse momento? Compartilhe suas histórias!

Postado em 18 de abril de 2016 por Lu Bento
Hoje é o Dia Nacional do Livro Infantil e nada mais oportuno do que falarmos sobre leitura para os nosso pequenos. A data de hoje foi escolhida em homenagem a Monteiro Lobato, um das maiores personalidades racistas do Brasil, que é considerado o grande patrono da literatura infantil apesar das inúmeras manifestações racistas em suas obras. Mas não quero passar uma data tão significativa para o estímulo da leitura na infância falando desse ser, tão vamos falar de coisa boa, vamos falar de literatura para nossas crianças pretas!
O banco Itaú tem uma campanha maravilhosa de incentivo à leitura, o “Leia para uma criança” na qual eles anualmente distribuem livros e fazem outras ações de incentivo à leitura. A partir desse projeto comecei a refletir sobre a importância de lermos para uma criança negra.  E é sobre isso que quero falar com vocês hoje.
Resolvi fazer uma lista com 10 motivos para lermos para uma criança negra. Espero que você, ao ler esse motivos, se anime a ler mais para suas crianças negras e pra outras crianças negras.

1-Ler para uma criança preta fortalece os laços afetivos e nos aproxima da criança

Ler para alguém gera cumplicidade. A sua entonação, o sentimento que você imprime na voz, na postura, nos silêncios durante a leitura são pessoais. Uma pessoa nunca lê igual a outra.  Ter a oportunidade de dividir isso com crianças é muito especial. Ter a oportunidade de compartilhar as sua impressões de uma leitura com uma criança é maravilhoso. O momento em que lemos para um criança é um momento de trocas de afetos, é um momento de aproximação e intimidade.Leia para uma criança negra 5
Em uma rotina exaustiva, na qual mal temos tempo de ver e falar com as pessoas que moram na mesma casa, e quando temos estamos sempre cercados de aparelhos eletrônicos, ler um livro para uma criança durante alguns minutos é muito importante. É um momento em que nos dedicamos integralmente à ler e a estar junto dessas crianças e isso fortalece os laços afetivos.

Leia para uma criança negra e fortaleças seus laços afetivos.

 

2- Um adulto que lê para uma criança é um espelho

Quando lemos para uma criança negra, além de receber o conteúdo a leitura estará absorvendo  também sua própria paixão pelo ato de ler. Uma criança que vê adultos negros lendo, se inspira e percebe que aquilo também faz parte do universo dela. Somos espelhos para os nossos pequenos. Da mesma forma que uma criança não vai se sentir interessada em comer verduras e legumes se nos adultos a sua não comem, ela não se interessará pela leitura se os adultos a sua volta não lLeia para uma criança negraeem.
Por isso, é fundamental que os adultos se tornem leitores.  Se lemos com prazer, nossas crianças absorvem esse prazer pela leitura e passam a querer reproduzi-lo.

Leia para uma criança com prazer, sem que isso se torne uma tarefa chata e burocrática.

3-  Ler bem  melhora a escrita, a fala e a articulação de ideias.

Quanto mais a gente lê, melhor a gente escreve, melhor a gente fala, melhor a gente exterioriza as nossas ideias. Essas são qualidades importantíssimas em nossa vida adulta. Quantos problemas são evitados quando conseguimos nos expressar com clareza, de forma que facilite a compreensão? Então, leia para uma criança negras a a ajude a falar, escrever e se expressar melhor.
Em um sistema educacional que já desvaloriza nossos saberes e se constitui sob uma lógica que exclui pessoas negras, ler para uma criança negra desde pequeno é fundamental para que essa criança tenha ferramentas para acompanhar o processo de aprendizagem formal.

  Leia para uma criança negra e ajude-a melhorar as suas habilidades.

4- Ler é empoderador

Quanto melhor uma criança negra ler, menos manipulada ela será! E isso já é um motivo e tanto para que nossas crianças leiam bem. Precisamos saber mais que juntar sílabas e formas palavras. Precisamo ler as entrelinhas, o contexto, os silêncios. Essa habilidade só se adquire com a prática. Quanto mais ela ler, mais  ela saberá perceber e combater o racismo, mais ferramentas ela terá para se posicionar no mundo. Ler é empoderador.

Leia para uma criança negra e a ajude a se empoderar.

5- Ler é um dos principais refúgios para os oprimidos

Qualquer pessoa em situação de opressão ou de limitação de suas liberdades individuais pode encontrar na literatura um refúgio e uma possibilidade de viver outras realidades que ela não pode naquele momento. A leitura é o nosso passaporte para viver um sonho.  Pessoas em situação de privação de liberdade que leem, pessoas adoentadas que leem, por exemplo, são pessoas que conseguem vivenciar sensações positivas a partir da história dos livros, e mais ainda, conseguem projetar novas possibilidades de futuro. A leitura nos permite abstrair as dificuldades do momento e imaginar novas formas de perceber e reagir  à nossa realidade.
Por que eu falo isso? Eu falo tudo tudo isso porque o racismo é algo que nos oprime, é algo que tenta a todo instante nos limitar, nos restringir a um determinado espaço de subalternidade na sociedade.
Levando esse pensamento para o universo infantil, percebemos que muitos dos grandes autores foram crianças que sofreram preconceito na infância, e que liam muito e a partir daí, desenvolvem ainda mais sua própria criatividade.  A leitura ocupa um espaço que nem sempre conseguimos suprir na vida real e nos aguça a criatividade e a busca por novas possibilidades de reagir à problemas reais.
Daí a importância de lermos para crianças negras. Se a gente estimula o hábito da leitura desde cedo, nossas crianças já dominarão essa ferramenta, e desde cedo poderão buscar suporte na leitura para resistir a situações de preconceito e, se nos preocuparmos especialmente com o conteúdo da leitura, ela lhes dará suporte para combater o preconceito.

Leia para uma criança negra e deixa que o livro se torne o seu companheiro.

 

6- Ler estimula o senso crítico e desconstrói estereótipos

A leitura estabelece paralelos com a realidade, mesmo nas obras mais fantasiosas. É importante fornecer a nossas crianças acesso a esse repertório para que elas desenvolvam o senso crítico. Quando mais a criança lê, mais ela pode fazer conexões de ideias e formar suas próprias opiniões. E uma criança negra que pensa por si, é uma criança negra que não se prende a estereótipos. É uma criança negra que sabe que  ideias preconceituosas não tem fundamento, que elas não estão fadadas a fazer  aquilo que a sociedade espera que pessoas negras façam.

 Leia para uma criança negra para que ela desenvolva o senso crítico.

7- Ler ajuda a aumentar o foco e concentraçãleia para uma criança negrao

Leitura é uma atividade que precisa de atenção. E saber concentrar a nossa atenção é um recurso fundamental.  Nosso acesso as oportunidades são reduzidos. Precisamos ainda mais de foco e concentração para que o racismo nos impeça de atingir melhores condições de vida. E ler é uma forma de desenvolver essa habilidade. 

Leia para uma criança negra e a ajude a manter o foco e a concentração.

8- Ler é um entretenimento de qualidade e baixo custo

As pessoas em geral costumam achar o livro bem melhor que o filme. Porque no livro, nossa imaginação não é limitada pela visão do diretor do filme, pelos limites da tecnologia ou do orçamento. Nossa imaginação é livre. A diversão que um livro pode proporcionar  é muito mais intensa que um filme.
Sem entrar na discussão do preço do livro no Brasil (já viram o preço do cinema?), ler é um entretenimento de baixo custo. Se não dá pra comprar o livro, existe uma ampla rede de bibliotecas super equipadas que podem oferecer o livro.
Visitar livrarias e bibliotecas pode ser um programa maravilhoso para um fim de semana. Além de vários livros que podemos ler livremente, esses espaços geralmente oferecem atividades relacionadas à leitura, como contação de histórias, leituras mediadas e brincadeiras que podem nos auxiliar bastante na transformação da leitura em um hábito.

 Leia para uma criança negra e se divirta gastando pouco.

9- A leitura é uma forma de acessarmos a nossa história

leia para uma criança negra 9Nossos heróis não estão na tv, não estão nas escolas mas estão na literatura! São muitos livros que falam de Zumbi, de Dandara, da resistência negra à escravidão, das riquezas da cultura africana. Muito  já foi escrito sobre a nossa negritude,  sobre nossos ancestrais,  sobre nossas raízes. Nossas crianças precisam conhecer a nossa verdadeira história e não essa história dos livros didáticos e da grande mídia que não nos representa. Nos livros encontramos tudo isso!  Ler para uma criança negra é apresentar a ela esse mundo.

 Leia para uma criança negra e mostre a nossa história.

10- É apresentar a eles a possibilidade para criarem suas próprias histórias

Quanto mais nossas crianças negra lerem, mas elas se sentirão confortáveis em criam suas próprias histórias.

No facebook da Era uma vez o mundo, é possível ver minha curica Isha Bentia e o pequeno Mathias contando suas próprias histórias. Clique e se divirta com eles!
Postado em 17 de abril de 2016 por Lu Bento

Maternância preta é um termo recente usado para falar do ativismo de mulheres-mães negras. A palavra maternância é um neologismo usado para designar a militância motivada pela maternidade, e isso é algo que acontece com a maioria das mães, principalmente mães pretas.

 

Se antes de ter filhos a mulher pouco se empanhava em lutar por causas e bandeiras coletivas,ou buscar grupos de apoio, se reunir a outras pessoas por uma causa, após a maternidade esse desejo vem a tona. Nem nem é preciso esperar o bebê nascer para que isso acontece. Basta saber que está grávida e  muitas mulheres já sentem necessidade de buscas um grupo de gestantes para falar sobre a mudanças que vivemos durante a gravidez. E tem uma variedade de grupos e correntes de pensamento sobre a gravidez. Tem quem defenda parto humanizado e quem defenda a cesária eletiva com data marcada. O universo materno é grande demais para andarmos sozinhas!

Qumaternância preta - mulher grávidaando a gente agrega a questão racial, a questão da maternância torna-se ainda mais importante. Colocar uma criança negra no mundo é colocar uma pessoa que será algo de racismo em algum momento de sua vida. E saber disso é extremamente angustiante. Nenhuma mãe preta quer que sua cria passe pelas situações de racismo que ela passou na infância e ao longo de toda vida. Então, pode ser entendida como maternância preta todas as iniciativas que tomamos para minimizar os impactos do racismo na vida dos nossos filhos.

Por que por mais que muitas pessoas tenham resistência a uma prática de militância, quando uma mãe negra procura referenciais positivos para seus filhos, seja comprando bonecas negras, seja preferindo aquele produto que tem uma criança negra no rótulo, seja curtindo um episódio do Super Choque com suas crias, tudo isso faz parte de uma atitude política. Além de ser uma forma de fazer suas crias se verem nos produtos que consomem, é uma atitude de fortalecimento de iniciativas que valorizam a população negra. E isso é militância.

A maternidade da mulher negra envolve um monte de questões e esteriótipos de gênero e raça que nos oprimem. O mito de que  mulher negra é mais forte, por isso não precisa de tanta atenção e cuidado durante o parto; as mães-pretas que amamentavam crianças brancas e o impacto que as nossa dificuldades com a amamentação tem sobre nossas emoções; o desamor com que as nossas crianças negras são tratadas por cuidadoras de creches e pré-escolas em comparação com o tratamento destinado às crianças brancas. Como nossas meninas negras já tem seus cabelos julgados e discriminados desde pequenas, como nosso meninos negros são hiperssexualizados desde pequenos. Tudo isso e muito mais perpassa a nossa vivência materna. E nós reagimos a isso. Nós resistimos e enfrentamos, na medida do possível, cada preconceito contra as nossas crias. Isso é marternância preta!

E quando exercitamos a nossa maternância preta juntas, ficamos ainda mais fortalecidas. Por isso, convido vocês a conhecerem algumas iniciativas de maternância que já  vem acontecendo pelas redes sociais e pelo mundo real.

Espaços de maternância preta

 Iya maternancia

A inciativa que adota explicitamente o conceito de maternância preta é o Iyá Maternância, uma organização que surgiu da união de 4 mulheres-mães-pretas. Eu, Xan Ravelli, Sá Ollebar e Pri Silva nos juntamos e começamos a preparar ações de promoção e apoio à mães pretas. As meninas são grandes blogueiras negras que falam sobre diversos assuntos e a maternidade é  O Iyá Maternância já conta com uma página no facebook e já tem um evento presencial agendado, o Aquecimento Iyá Maternância. Nele falaremos sobre o projeto e iniciaremos rodas de conversas com mães sobre temas que nos afetam diretamente. Para saber um pouco sobre o que falaremos, e conhecer mais as coordenadoras do Iyá Maternância, assistam o vídeo da nossa participação do Conversa com Cachaça do canal Soul Vaidosa, da Xan.

E o nosso encontro é essa semana, a inscrição é até dia 20, então se você está em São Paulo, ainda dá tempo de se inscrever e participar do Aquecimento Iyá Maternância! Esse é um evento restrito pra 30 mulheres, mas o planejamento inclui um evento maior ainda esse ano.  Não percam!


 

Outra iniciativa que eu gostaria de destacar como espaço de maternância preta é o grupo do facebook Roda da Mãe Preta. É um grupo de mães pretas que conversam  e se apoiam mutuamente. Um espaço de trocas afetivas e de fortalecimento político. É um grupo fechado e para participar é preciso ser convidada por umas das mulheres-mães que já são membros do grupo, pra não virar bagunça.

Neste formato de grupos, tem também o grupo Mãe Negra, Criança Negra, formado principalmente por mulheres-mães negras  do Rio de Janeiro.  E também há o Maternagem e negritude, que também pode ser compreendido como um espaço de maternância preta. E devem existir muitos outros que eu sequer conheço! E isso é lindo demais!

Nessa onda de canais de youtube, a Sá Ollebar já faz um super trabalho no Preta Pariu falando sobre maternância preta entre outras coisas.  E tem também o novíssimo canal da Egnalda Côrtes, onde ela falará sobre maternidade e educação de crianças pretas, ou seja, tem muita maternância preta nesse conteúdo!

Cada vez mais mulheres-mães-pretas estão se expressando e se organizando. E cada vez mais o conceito de maternância preta vai se espalhando.

Você, mulher-mãe preta que está aí lendo tudo isso, está na hora de transformar toda sua maternância preta solitária em uma maternância coletiva! Vamos juntas?

Postado em 26 de fevereiro de 2016 por Lu Bento
Ano passado falei como foi difícil encontrar uma mochila adequada pra Isha Bentia. Se quiser relembrar a saga é só clicar aqui.  Esse ano precisei buscar uma mochila nova pras meninas, já que Mini Bentia já está crescidinha e não vai mais usar bolsa de bebê. E não foi fácil encontrar algo que não tivesse princesas ou personagens brancas.
Eu já tinha uma ideia bem definida: vou procurar a mochila de rodinhas da Qui Qui Biscuit, a Mini Bentia passa a usar a mochila da irmã, e Isha Bentia ganha uma mochila de rodinhas como ela tanto quer. Fica todo mundo com a mesma estampa da Bom Bom, personagem negra da marca, e fica tudo certo.
O plano tava lindo, mas colocá-lo em prática foi mais difícil que eu esperava. Fui para o Brás, aquele mundo do consumismo, e andei pelas lojas de bolsas certas que só encontraria o que buscava na mesma loja que comprei a mochila. E de fato não encontrei nada diferente das mochilas com personagens da Disney ou com personagens brancas na maioria das lojas.
Após enfrentar a resistência das vendedora que invarialvente tentam te forçar a falar se é mochila pra menino ou pra menina, elas sempre me mostravam só modelos com personagens brancas. Quando eu optei por iniciar a abortarem falando que eu procurava uma mochila infantil sem personagens famosos, no máximo com alguns bichinhos, elas logo falavam que não havia nada neste estilo. Minhas esperanças de sair do Brás já estavam esgotando quando finalmente cheguei na loja onde havia comprado a mochila da Isha Bentia.
logo dei de cara com uma mochila com uma outra personagem da coleção que eu procurava e perguntei se não tinha a mochila de rodinha da BomBom. Não tinha. E a sem rodinhas, a de cargas nas costas mesmo? Não tinha. Tenha previsão de nova remessa? Não, aquele era o último modelo disponível. Decepção era o meu nome.
Fiquei arrasada com a possibilidade de não conseguir uma mochila pras minhas meninas. Não estava disposta a pagar quase 500 reais por um kit de mochila e lancheira. Também não queria comprar uma mochila sem graça e ficar ouvindo o ano inteiro como a mochila da Sofia e maravilhosa, a da Vitória é um espetáculo e a da Sabrina que tem um monte de bolsos.  Isso não é uma competição, mas sempre  dá aquela sensação de #menasmain quando a gente não consegue agradar as crias.mochila1
Por sorte encontrei a lancheira e o estojo e já separei pra minha compra. A lancheira, que em lojas virtuais custava 50 reais, e estava sempre em falta, na loja física estava por menos da metade do preço. E comecei a pensar em alternativa pra mochila da Isha Bentia.
A minha primeira opção foi me render às personagens famosas da Disney. Vi a mochila da Dra. Brinquedos e pensei que seria uma boa ideia optar por ela. Custava mais de 200 reais só a mochila de rodinhas. Ainda faltaria a lancheira. Além do mais, Isha Bentia não curte o desenho da Dra. Brinquedos, por mais que eu coloque de vez enquanto na Tv. Não ia rolar.
Já estava decidida a ir pra casa e tentar novamente outro dia, quando um vendedor me mostrou uma mochila de rodinhas, sem imagem de personagem. Ela era lilás e rosa,  tinha um bordado escrito princesa em inglês (nem tudo é perfeito nesse mundo sexista) e, tinha uma rodinha que acendia ao girar. Foi o suficiente pra agradar a minha curica. E o custo de menos de 100 reais foi  decisivo pra agradar meu bolso.
mochila 2Comprei a mochila, certa de que foi o melhor negócio que eu poderia fazer nesse contexto, mas continuei com essa questão na cabeça. Como proporcionar às curicas um material escolar mais representativo, que não corrobore essa indústria capitalista que quer nos obrigar a adotar determinados padrões. E comecei a ver também outras mães pretas preocupadas com tudo isso.
Então eu percebi que não adianta esperar que as grandes empresas façam produtos que nos representem. Precisamos exigir representatividade, mas precisamos também dar valor as iniciativas de pequenos empreendedores que já estão produzindo artigo voltados para a população negra. Já existe uma variedade de pequenas marcas que vendem cadernos com estampas afro e com bonecas negras. Assim como mochilas, capas para livros, estojos…
O jeito é pesquisar. Garimpar mesmo esses produtos e valorizar os empresários negros que estão se esforçando pra ocupar essa lacuna. Demanda existe. Produto também! Basta a gente conseguir conectar esse dois pontos.  Precisamos começar a praticar o consumo consciente. Um consumo que vai além do desejo de obter o produto. Precisamos consumir de forma que possamos fortalecer iniciativas que corroboram a nossa visão de mundo.
Espero que ano que vem seja mais fácil encontrar um material escolar que realmente seja representativo para as minhas filhas.
Postado em 28 de janeiro de 2016 por Lu Bento
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Olá pessoal! No LêproErê de hoje, as dicas são todas pra criançada! Um livro bem fofo pros pequeninos, um pra atiçar a curiosidade dos maiores.

 

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Livro: Erê

ere1 Autores: Jaciana Melquiades e Leandro Melquiades

Edição: Era uma vez o mundo

 

 

Erê é um livro de pano super colorido e fofo, daqueles que dá vontade de apertar! Se não bastasse a lindeza que ele é, Erê traz um pouco da cultura africana através das pinturas faciais tradicionais e estimula as crianças a interagirem com o livro realizando pinturas em seu próprio rosto. O livro vem com um kit de tintas para que a criança possa seguir as orientações do texto, ou seja, não tem desculpa pra não entrar na brincadeira. Ao final, temo um pequeno texto informativo falando sobre os povos Karo, Xhosa e Bororo citados no livro.

Aqui em casa Erê é sucesso. As meninas gostam muito de abraçar o livro, ler paras as bonecas e fazer de travesseiro.

Onde encontrar: Era uma vez o mundo | InaLivros

Livro: Falando Banto

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Autora: Eneida D. Gaspar

Editora: Pallas

Ilustração: Victor Tavares

Falando Banto é um livro que nos revela a origem africana de muitas palavras. Com um texto poético e passando por temas como música, comida e citando localidades no Brasil com nomes de origem africana, os autores estimulam a curiosidade dos leitores em descobrir a origem das palavras. Ao final, um dicionário explica o significado e a origem das palavras utilizadas ao longo do livro.

O livro tem um potencial didático enorme, além de ser bem divertido e com lindas ilustrações. Para um criança curiosa que já começa a ler sozinha, é uma excelente pedida. Mas também funciona legal para leituras mediadas, estimulando o instinto infantil de descobrir mais e mais. Se prepare para uma enxurrada de perguntas!

Esse eu ainda não li pras meninas, talvez elas ainda sejam muito pequenas pra curtir, mas mesma já me divirto e aprendo muito buscando o significado das palavras!

Onde encontrar: InaLivros


Essas foram as dicas do LêproErê dessa semana. Conhece esses livros? Já leu algum deles? Deixe seu comentário aqui.

Semana que vem tem mais!

 

Postado em 27 de março de 2015 por Lu Bento

 

Hoje é dia nacional do circo. E pensar em circo é logo ser remetido à tão clichê e ao mesmo tempo verdadeira expressão “a magia do circo”. E como o circo tem esse poder de encantar a todos!

Postado em 6 de março de 2015 por Lu Bento
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Recado da Mãe Preta: Pessoal, o blog ainda está em construção. O processo tem sido meio longo. Prometo me esforçar para dar uma cara legal a ele. Enquanto isso, ele vai mudando aos poucos, na medida em que vou tendo tempo pra me dedicar.

Desculpe as mudanças de layout e o formato meio esquisito.

Postado em 16 de fevereiro de 2015 por Lu Bento

 

Em dezembro do ano passado a revista Pais&Filhos fez uma reportagem de capa sobre racismo e como lidar com ele. Na capa, colocou a foto de um menina de cabelos cacheados. Longe de mim dizer que ela não deve sofrer racismo e que ela não é negra, mas está na cara que essa menina pouco representa quem sofre racismo cotidianamente.

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Não é de hoje que nós, negros, somos ignorados pela publicidade. Nas revistas sobre maternidade e criação de filhos, as crianças e as famílias negras raramente são encontradas. Não temos espaço para dividir e refletir sobre questões que nos afligem, como racismo na escola, a construção da identidade racial da criança ou sobre dicas de como cuidar do cabelo afro das nossas meninas.

É fácil a gente lidar com essa questão afirmando que a revista é um lixo, que ela reproduz uma série de preconceitos e conceitos duvidosos sobre criação dos filhos, e por isso não devemos nos importar por não ter negros. Esse é o caminho mais simples, o da negação.

Mas tudo isso não é sobre a qualidade da publicação. É sobre representatividade. Eu quero crianças negras lá mesmo que a revista fale sobre maravilhosas cesáreas eletivas, tenha propagandas de chupetas, mamadeiras e andadores (não, andadores não, essa porcaria já está proibida!) ou que tenha coluna de pediatra patrocinada por marca de leite em pó. Até porque, existem várias pessoas negras que concordam com algumas dessa atitudes, e nosso objetivo aqui não é julgar. A luta é pela plena inclusão do negro, é pela visibilidade das crianças negras, das mulheres, da nossa estética, das nossas questões.

E não é por falta de solicitação do público. Já escrevi e-mails para essas revistas questionando e solicitando mais negros em suas páginas. No facebook, já vi inúmeras manifestações de leitores questionando a ausência de negros e essas revistas simplesmente se calam diante desta realidade. Sei que não sou a única que faz isso, muitas pessoas notam essa demanda e as revistas sabem bem que tem uma parcela do público muito insatisfeita com essa falta de representatividade em suas páginas.

Ter mais negros nessas revistas não é importante só pra nós negros que queremos acompanhar uma publicação sobre maternidade e criação de filhos. É importante para todos. Todos têm o direito de conviver com a diversidade. Todos têm o dever de ensinar pras crianças o que é diversidade e como respeitar as especificidades de cada um.

Optar por não colocar negros em suas páginas mesmo sendo constantemente alertados por essas falhas é deixar clara a sua linha editorial racista, é transparecer sua vontade de segregar o negro a um determinado espaço de invisibilidade. Não nos querem  na mídia, menos como  de consumidores em potencial de determinados produtos e serviços.

A inspiração dessa postagem veio quando eu encontrei uma reclamação de um pai no site Reclame Aqui falando sobre a falta de representatividade nas revistas. Um pai faz a seguinte reclamação no site:

“Hoje comemoro o meu primeiro Dias dos Pais! Quando minha esposa estava grávida pensamos em assinar essa revista, mas comprávamos avulsamente nas bancas e tínhamos um motivo: nunca vimos um bebê negro na capa da revista.
Mesmo sendo a população não-branca, maioria no Brasil, vocês só publicam capa com bebês de traços europeus, pergunto: vocês são racistas ou é falta de uma política de igualdade??? “

A pergunta foi bem clara e direita, exatamente o que muitas pessoas postam na página do Facebook da revista e comentam cotidianamente. A representante da revista, em um arroubo de sinceridade, respondeu isso:

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A reclamação e a resposta da revista podem ser vistos  neste link aqui.

Diante dessa clara demonstração do posicionamento da revista, que podemos inferir que não é muito diferente do posicionamento da outra revista do estilo, fica ainda mais claro que precisamos fazer algo. Não podemos simplesmente aceitar essa tentativa de  nos manter à margem da sociedade.

Cabe a nós, negros, e especificamente à mães pretas,  brigarmos por representação nesses espaços e também construirmos espaços de sociabilidade alternativos, onde possamos interagir e debater sobre questões relativas à maternidade e maternagem consciente.

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