Postado em 4 de abril de 2018 por Lu Bento

4 de abril é uma data meio dolorosa pra mim. Em 4 de abril de 2010, um domingo de Páscoa, perdi meu segundo bebê. Um dia marcado por sentimentos de renascimento e esperança que pra mim ficou marcado como um dia de dor e perdas profundas. Quem já perdeu um bebê sabe o quanto essa experiência pode ser devastadora. Neste dia, perdi também a fé em mim mesma e a vontade de viver.

Isso foi em 2010. Já se passaram 8 anos. Durante muitos desses anos, o período entre os dias 04/04 e 29/05 era de recolhimento e luto pra mim. Vocês já devem ter imaginado o motivo da minha data limite: a minha primeira perda.

Esse era um período do ano em que eu me sentia bem vazia e incapaz. Me lembrava dos meus fracassos na maternidade e me culpava por tudo que tinha acontecido, principalmente porque as perdas eram relacionadas a uma questão específica do meu corpo e sua dificuldade em “segurar uma gravidez”, a IIC. Eu me fechava para o mundo e cultivava a minha dor, tirando as casquinhas das minhas feridas quase cicatrizadas e deixava doer, como se eu não merecesse felicidade nenhuma nesse período do meu ano.

Ano passado, quando completou 10 anos da minha primeira perda, deixei meu coração cicatrizar. Me perdoei e me permitir só sentir saudades das poucas semanas que tivemos juntos e do sonho de uma vida em comum. Encerrei meu período anual de luto com a segurança que eu não precisava mais chorar por eles, muito menos por mim. Tinha chegado a minha hora de viver.

Viver duas experiencias de perda seguidas sempre  foi muito estranho para mim. Com esse meu segundo filho, sempre sentia que a minha dor era mais calejada, como se eu sofresse menos por ele não ter chagado a nascer e mais por mim, por ter fracassado novamente. E dá-lhe mais ciclos de culpa e dor.Me sentia egoísta por não ter demonstrado meus sentimentos com a mesma intensidade que na primeira perda.  Por ter perdido ele com apenas 15 semanas de gestação, não cheguei a ter fotos com a barriga. Muitas pessoas não sabiam que eu estava grávida, o que às vezes dá uma sensação de que ele sequer existiu. Demorou bastante para que eu entendesse que, no final das contas, é tudo um dor só, uma imensa sensação de vazio por não ter conseguido levar a gravidez adiante e por perder aquele ser específico em formação. Além disso, a experiência anterior e a possibilidade de uma despedida interna me auxiliaram a lidar melhor com a sua morte.

Do luto à nova perspectiva

Mas, como eu já disse, encerrei meu longo luto ano passado. Esse ano pude enxergar o dia 4 de abril com outras cores. Descobri que 4 de abril era o dia de aniversário de Maya Angelou, grande poeta e ativista negra norte-americana. Em 2010, ano em que eu estava sofrendo, ela recebeu do presidente Barack Obama um grande reconhecimento em vida pela sua obra. E este ano o Google fez um maravilhoso doodle homenageando Maya, com participações de artistas como Alicia Keys e Oprah Winfrey recitando seu belíssimo poema Still I rise. (veja a tradução do poema)

Coincidentemente, ou não porque as coisas misteriosas seguem uma própria lógica que nem sempre conseguimos alcançar, o poema de Maya Angelou destacado no doodle dialogou muito com meus sentimentos. Essa ideia de me levantar de um lugar quem que fui colocada me anima e me ajuda a perceber o 4 de abril como uma data de renascimento. “Eu me levanto”, diz Maya Angelou contra o racismo. “Eu ainda me levanto”, eu digo aos meus sentimentos de impotência e culpa por não ter conseguido levar a gravidez até o fim e dar a luz ao meu filho.

Deixando para trás noites de terror e medo
Eu me levanto
Em uma madrugada que é maravilhosamente clara
Eu me levanto
Trazendo os dons que meus ancestrais deram

MAYA ANGELOU

 

Outro fato interessante que descobri antes de escrever esse texto foi que 4 de abril também foi o dia da morte do Reverendo Martin Luther King Jr., um importante ativista negro e que então é um dia pra lembrar a sua memória e legado. Luther King Jr. pregava como ferramenta de transformação social a não violência e o amor ao próximo e suas palavras tocam de tal maneira as pessoas que ele conseguia mobilizar multidões para luta antirracista nos Estados Unidos. Foi a pessoa mais jovem a receber o Nobel da Paz. Saber que meu filho se recolheu ao Orum no mesma data que King Jr. é um reconforto.

Pra finalizar as ressignificações do 4 de abril em minha vida, hoje uma colega de trabalho acaba de ter seu filho. Uma vida nova. Uma nova história que começa no 4 de abril e tem um longo caminho adiante.

Diante de tantas novas perspectivas, vejo que finalmente transformei meu luto em saudade e ressignifiquei o impacto do dia 4 de abril em minha vida. Esse ano, pude finalmente vivenciar um 4 de abril de Páscoa, de renovação e renascimento.

Postado em 13 de agosto de 2017 por Lu Bento

Eu tenho escrito muito pouco nesse espaço. Sempre me culpo bastante por não dar a devida atenção pro meu blog. Eu tenho várias ideias do que eu poderia fazer nesse espaço, planejo várias postagens, escrevo rascunhos mas quando chega a hora de publicar eu simplesmente deixo pra lá, como se algo que viesse de mim não fosse importante. Isso. Eu deixo esse blog de lado porque esse é um projeto meu e eu não tenho o hábito de me tratar como prioridade. Eu ignoro minhas necessidades, minhas demandas pessoais e foco mais no coletivo: as meninas, a família, o trabalho, os projetos em grupo…

Por falta de tempo (na justificativa oficial) e por falta de vontade, deixo de lado a minha escrita e minha ideias. E por mais que eu parece satisfeita fazendo a coisas que todos querem que eu faça, fica um vazio em mim, uma frustração por tantas ideias desperdiçadas, tantas projetos abortados, tantas falas reprimidas e sufocadas em minha própria mente.

Sinto que a escrita pode ser um verdadeiro caminho para que eu priorize as minhas necessidades. Faz muito pouco tempo que eu passei a gostar de escrever. A gostar do que eu escrevo. E esse gostar tem muito a ver com deixar de ser tão crítica e me permitir aprender coisas novas.

Estou gostando muito desse processo. Esse ano estou fazendo um curso de escrita e autoconhecimento parra mulheres. É um curso grande, cm aulas todas as semanas, onde a gente é estimulada a escrever de forma intercalada a práticas de meditação, relaxamento, autocuidado. A escrita é quase uma ferramenta terapêutica de expressão dos nossos sentimentos, mesmo que nem sempre sejam propostos textos autobiográficos. É um espaço sem julgamentos, sem pressões por determinada forma. Saio de lá mais leve para encarar a semana e mais confortável com a minha própria escrita.

Percebi que eu tinha um grande bloqueio com a escrita. Tenho dificuldade de se lida, de aceitar que as pessoas podem ser e gostar do que eu escrevo. Óbvio que isso tem relação com a minha autoestima, não é? Eu sempre sinto que o que eu tenho a dizer não é uma prioridade, posso fazer outras coisas antes, posso ouvir as outras pessoas, dar voz ao que elas querem dizer.

Mas e eu? Eu venho sempre por último.

Tomar consciência disso e um primeiro passo pra buscar a mudança. Estou tentando me sentir mais confortável em postar aqui, em escrever meus poemas e em mostrar pras pessoas. Em me posicionar como escritora.  O curso tá na metade, tenho uma boa caminhada até o final do ano. Espero que ao longo desse semestre a minha escrita vá subindo alguns degraus na estada das prioridades em minha vida.

Postado em 24 de maio de 2017 por Lu Bento

Olá pessoal! Vamos falar sobre livros? Existe um ampla bibliografia voltada para mães e no Leituras Maternas compartilho com vocês minha impressões sobre esses livros. O universo materno é abordado de diferentes maneiras nas publicações impressas. Nesse edição, trago pra vocês um livro de exaltação a figura materna e um livro de poesias que ampliam nossos sentidos sobre o maternar.

Leituras

 

 

As mães que mudaram o mundo

Histórias inspiradoras de mulheres que fizeram a diferença para seus filhos e para  mundo

 

mães que mudaram o mundoAutor:Billy Graham

Editora: Habacuc

Comprei esse livro por pura compulsão por livros em uma dessas feiras de saldão. Li esse livro por plena necessidade de estímulo e motivação nessa jornada materna. Sem dúvidas, é um livro cativante. A história e o empenho dessas mulheres em fazer o que elas consideraram melhor para seus filhos é reconfortante. E é exatamente o que se espera quando se pega um livro com forte viés religioso: conforto.

O livro conta a história das mães de grandes personalidades do mundo, mostrando como essas mulheres aturam para que essas pessoas (em geral, homens) se destacassem ou aprimorassem características que foram marcantes para história do mundo. Fiquei um pouco chateada porque essa mulheres são definidas a partir de seus filhos famosos, a mãe de Luther King, a mãe de Condoleeza Rice. Mas entendo que essas mulheres se tornaram interessantes para o grande público devido aos seus filhos famosos. Ah, falando nisso, um dos motivos que me fizeram comprar esse livro foi a curiosidade de conhecer essas mães pretas aí…

No meio da leitura fiquei meio saturada pelo viés religioso do livro, sempre ressaltando a fé dessa mulheres como decisiva no poder de influencia delas ou citando mulheres bíblicas. Pra quem não é religioso, pode ser chato tudo isso. Mas pra quem acredita, pode ser uma mais uma forma de fortalecer a maternidade também na dimensão religiosa.

A escrita é bem simples, a leitura é super acessível para as pessoas que não tem o hábito de leitura e, como são histórias individuais, é perfeito pra mães que nem sempre tem tempo para ler um livro. Dá pra ler fora da ordem dos capítulos e ir buscando as histórias que mais te interessam ou se conectam com o momento que você está vivendo. É aquele tipo de publicação feito pra dar de presente, tem até um espaço de dedicatória na primeira página. E funciona bem como presente viu?

Não foi um livro que eu amei, mas valeu a pena ter lido. E ele continua com espaço na minha estante.

Livro nota 2

Cria Jubal

 

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Autora: Adriana Rolim

Editora: Metanóia

Gente, filho é poesia. E praquelas pessoas mais próximas das palavras, só a poesia pra conseguir expressar os sentimentos da gravidez e da maternidade. É isso que a Adriana Rolin faz nesse lindo livro. Esse livro faz você se sentir entrando na intimidade de uma família a cada poesia, conto, relato, fotografia. Amor que transpassa as páginas do livro  nos fazem perceber o quanto essa obra deve ser importante pra essa família.

Além da maternidade, Cria Jubal articula diferentes dimensões do nosso ser, a mulher-companheira, a mulher-ativista, a mulher-amiga, a mulher-artista… todas elas juntas, com essas nuances se sobrepondo. Acaba servido de estímulo para nos vermos completas, perspectiva que muitas vezes é esquecida quando nos tornarmos.

A leitura de Cria Jubal, além de enternecer meu coração, me fez olhar com outros olhos pra mima vivência cotidiana, me vez ver com olhos de poeta o amor que nutrimos uns pelos outros em casa e me estimulou a escrever um pouco mais sobre isso.

Esse é aquele livro pra dar de presente para amiga quando nasce o bebê ou ela descobre que está grávida. Leitura e espera e de conforto.

Onde encontrar: InaLivros

Livros nota 4


E aí, gostaram do Leituras Maternas desse mês? Conta pra gente nos comentários! Tem dicas de livros sobre maternidade? Bora conversar! Até a próxima.

Postado em 8 de abril de 2017 por Lu Bento

Olá Pessoal!

Estou de volta. Sim, dei uma sumida bem louca e bem mais intensa que o normal. Precisava de um respiro.  Eu não queria mais escrever nem pensar sobre a maternidade, queria dar um tempo nisso de blog, de facebook, de qualquer coisa que me colocasse de alguma forma em evidência.

P_20161107_150242_BFO motivo oficial da ausência foi a reestruturação do blog. De fato alterar a cara do blog dá um trabalhão e leva um certo tempo. Mas eu estava tão saturada de tudo isso que nem motivação pra atualizar as informações eu tinha. Acabei deixando tudo paradão mesmo pra descansar a mente. Tirei férias, assisti um monte de séries, saí com o marido e as filhas, trabalhei na InaLivros, minha livraria, e preguicei muito. Muito mesmo. Foi um período de relaxamento total.

Uma das coisas que contribuiu muito para a minha ausência durante esse temo foi que eu participei, no final do anologo_ame passado, um curso incrível sobre empreendedorismo materno com a querida Melodia Moreno. A Academia de Mães Empreendedoras me deu um monte de insigths para melhorar aqui no blog e nos trabalhos que realizo na vida. E foi  a partir da A.ME. descobri que quero muito falar mais sobre gravidez de risco e perda gestacional.   Sim,  esses temas fazem parte da minha vida há 10 anos e eu preciso compartilhar isso com outras mulheres. Tem muita coisa que eu aprendi com meus abortos e com as minhas gravidezes de risco,minha experiência de vida pode ajudar muitas mulheres e eu sei da importância de compartilhar tudo isso. Mas ao mesmo tempo, são assuntos que ainda me doem muito. Que mexem comigo, que me desestabilizam emocionalmente e que eu evito entrar em contato verdadeiro e consciente. Como falar sobre isso, incentivar e apoiar outras mulheres se eu mesma ainda não lido bem com meus sentimentos? Precisava de uma busca interior para reconhecer os pontos de ainda me doem em minha história de vida para ressignificá-los.

Então, a partir do que eu descobri sobre o que eu quero fazer no curso da Mel,  decidi me permitir tocar mais nesses Lu Bento - foto Bianca Santanaassuntos e refletir sobre meus sentimentos e história de vida. Alem da terapia, que eu já tinha iniciado no começo de 2016, busquei formas alternativas de me entender e me expressar. Esse ano comecei a fazer um curso incrível de escrita e autoconhecimento com a maravilhosa Bianca Santana que está me tirando da minha zona de conforto. Além de exercitar a minha expressão escrita, que é fundamental pra quem se propõe a escrever para que outras pessoas leiam, o curso está me fazendo pensar sobre várias coisas na minha vida e descobrir outas formas de me ver e ver o mundo. É um curso só pra mulheres e tem uma vibração toda especial de apoio e irmandade que tem me fortalecido demais nesse propósito de busca interior. Quando olhamos pra dentro vemos todas aquelas coisas que tentamos por muito esconder de nós mesmos. Então, estou diariamente diante desse meu espelho interno, olhando pras minhas feridas e cuidando delas para que finalmente cicatrizem, deixando aquelas marcas de quem tem histórias pra contar.

9d41f7b342496988897d004af87fe87aNo final do ano passado também dei algumas entrevistas sobre maternidade e negritude que me fizeram refletir ainda mais sobre tudo que  blog e os espaços de maternância negra representam pra mim. E o quanto a gente precisa de mais espaços assim. Com isso, eu também parei pra analisar o conteúdo eu tenho compartilhado com vocês, quais questões eu tenho abordado aqui e como eu tenho feito tudo isso. Percebi que agora esse não é mais só um espaço de desabafo, já ganhou outra dimensão de existência: este é um espaço coletivo de fortalecimento de mães negras e de informação para as pessoas que buscam uma atitude antirracista. E eu preciso aprender a lidar com isso. Não é tão fácil e nem natural pra mim me ver nesse lugar, mas sei que esse lugar  é fruto de uma construção que  tenho feito ao longo dos anos e esse blog já nem é tão novinho assim. O AMP já está em seu 3º ano no ar.

Outro passo que dei e que fico muito feliz em ter começado a me moyoga1vimentar nesse sentido foi que decidi estudar tarô.  Com o apoio da Marcela Alves, tenho  mergulhado nas cartas para desvendar suas mensagens e significados  e esse movimento rumo ao não explicado cientifica
mente têm me ajudado a perceber outras dimensões da vida, que se me afastam desse ceticismo todo que geralmente domina a vida ateia. Também comecei um curso sobre chakras com a querida Debora Pivotto e tem sido surpreendentemente incrível. Só a oportunidade de viver a experiência de leitura de aura já vale muito a pena. Como essas leituras têm sido importantes pra destravar em mim falas que eram muito contidas nas seções de terapia. Sem dúvidas todo esse movimento complementar de autoconhecimento melhorou  muito minha interação nas sessões de terapia e me sinto muito bem.

Paralelo a tudo isso, meu marido agora trabalha em casa e assumiu muitas das responsabilidades com as meninas, o que me permite fazer todo esse movimento de olhar pra mim. Vocês  sabem o quanto é importante temos a possibilidade de ter um tempo pra si dentro da nossa rotina caótica de mãe/esposa/trabalhadora. Só para que vocês tenham uma ideia da importância desse tempo, hoe eu tomo banho sozinha, eu passo cremes no rosto, no corpo e no cabelo antes de dormir, eu assisto minhas séries favoritas. Eu existo para além das minhas funções de mãe, esposa, dona de casa e trabalhadora. E eu repito muito o “eu” simplesmente porque depois de tanto tempo falando e pensado o nós, poder falar e pensar o eu é fascinante!

Estou em uma verdadeira jornada em busca do meu autoconhecimento e minhas potencialidades  e esse caminho tem várias etapas e desafios. Falarei melhor sobre a minha jornada em outra postagem,  agora eu só queria ressaltar que estou vivendo um processo de transformação intenso e dolorido, que cutuca minhas feridas e destrói crenças que eu cultivei para me esconder em minha dor.

Então a volta ao blog exprime um pouco disso tudo que estou vivendo e que ainda vou viver esse ano. É provável que tenhamos mais textos sobre autoconhecimento, autocuidado e autoestima por aqui na categoria Empoderamento, bem como alguns textos literários autorais na categoria Escrevivências. As categorias agora estão melhor divididas. Continuo falando de Maternância e Literatura, minhas maiores paixões. Coloquei em categorias específicas os textos mais voltados para Educação e Combate ao Racismo, já que muitas pessoas chegam aqui a partir desse temas. Outra categoria nova é a de Inspirações, onde eu indico outras trabalhos incríveis nas redes sociais sobre os temas do blog e compartilho um pouco do que curto por aí.  E, a que sinto ser a categoria mais especial de todas, é a Mães Pretas, onde eu publico textos de outras mulheres e mães que querem compartilhar também suas histórias. Precisamos de espaço nas nos expressar e nos ouvir. Alguns vezes serão textos próprios dessas mulheres, outras vezes serão entrevistas. O formato não é o mais importante no momento e sim o conteúdo e a cura coletiva que ele proporciona. Sintam-se convidadas a colaborar com esse espaço.

AMP - Capa para faebook

Não poderia deixar de agradecer ao Célio Campos, Mutanóide, o artista incrível que fez a ilustração do blog e maravilhosa Ella Jardim que fez todo o design e deixou o blog com essa cara bem mais moderna e funcional.Muito obrigada! O trabalho deles ficou muito legal, amei o resultado e gostaria de ouvir as opiniões de vocês.

A verdade é que voltei pro blog cheia de projetos e desejos, uma energia que percorre meu corpo e transborda em vontade de compartilhar com vocês  meus pensamentos e experiências.

Bem-vindos de volta! Bora ocupar esse espaço que existe pra gente!

 

Postado em 17 de outubro de 2016 por Lu Bento

Nesse final de semana aconteceu o 1º Encontro Iyá Maternância. Já tínhamos feito um aquecimento em abril deste ano pra sentir como as mulheres-mães-negras receberiam o nosso projeto. Nesse encontro de aquecimento foi possível vivenciar na prática o quanto precisamos de espaços de fortalecimento de nossa autoestima e da nossa coletividade.  O Iyá Maternância nasceu de um modo tão intenso e significativo que nós, as organizadoras,  precisamos de um tempo pra entender a potência desse projeto e aceitarmos o quanto ele é necessário para todas nós.  Do grupo inicial, algumas perceberam que precisavam priorizar outros  caminhos antes de seguir com essa missão. Outras maravilhosas mães pretas se juntaram ao projeto e trouxeram uma nova energia. Uma energia de ação e transformação que nos possibilitou colocar o projeto em prática.

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No sábado passado finalmente conseguimos realizar o nosso primeiro encontro oficial. E foi muito especial! Parece clichê falar da lindeza que foi esse encontro, mas a beleza de existirmos e resistirmos juntas precisa ser exaltada. Foi uma tarde de união de mulheres negras e mães, de brincadeiras entre crianças negras, de vivência comunitária nos cuidados das nossas crias, que naquele encontro não deixaram de ser apenas uma responsabilidade só da mãe biológica,passou a ser de todas. Sabe aquele provérbio africano que diz que é preciso uma aldeia para criar uma criança? Estávamos vivendo a nossa aldeia! E descobrimos juntas o quanto a aldeia pode também fortalecer uma mãe.

Descobrimos juntas que o Iyá nasceu para ser uma rede de apoio às mães negras. E faremos o possível para conseguir atingir um número cada vez maior de mulheres-mães.

O encontro deste sábado nos mostrou que precisamos estar unidas. Que nossas histórias de vida e nossas angustias são muito parecidas. E que precisamos nos fortalecer para fortalecermos nossos filhos e filhas. Não podemos dar aquilo que não temos. Então um espaço de troca afetiva e de apoio sincero precisa ser construído entre nós. Ainda não sabemos todos os caminhos para a construção desse espaço. Mas já estamos trabalhando nos alicerces desse projeto em nós e nas mulheres que nos acompanham.

E as crianças? Ah, as crianças tiveram uma tarde maravilhosa de brincadeiras. Crianças de diferentes idades brincados juntas, se integrando e se  reconhecendo no outro. Bebês e pequeninos tendo as crianças maiores como referência. Um espaço em que nos nossos filhos não são minoria, não são exceção, não são exóticos. Isso não tem preço. Minha filha poder falar que quando crescer quer o cabelo como o da coleguinha negra, um black power poderoso, lindo. Meninos e meninas brincando juntos, sem limitações de gênero, com as bonecas  ou de corrida.

Como uma das coordenadoras do Iyá eu sinto uma felicidade enorme em fazer parte dessa rede de apoio às mães e crianças negras e poder construir tudo isso com mulheres incríveis ao meu lado. Parceiras de vida. A maternância é uma das melhores dimensões da minha vida, uma das coisas que me dá mais prazer e um sentimento de estar contribuindo para a felicidade das pessoas ao meu redor.

iya maternancia 4 - foto em grupoAinda estou em êxtase pela experiência de sábado. Ainda estou encantada com tanta lindeza que vivemos. Agradeço a cada uma que esteve lá e a todas pelos abraços, beijos, carinhos, escutas atentas e acolhedoras. Só consigo pensar naquela expressão namaste-cult-bacaninha do momento: gratidão! E com o coração cheio de gratidão quero convidá-las a acompanhar o Iyá Maternância. Venham formar essa aldeia com a gente.

Conectando Mães Negras

Eu sei que muitas das pessoas que me leem estão em outros estados. Não se preocupem. Podemos conversar com vocês e ajudá-las a formar suas próprias redes presenciais. Podemos também viver um pouco dessa energia nos grupos virtuais. Não desanime por não conhecer um rede deste tipo na rua região. Construa uma!

O Iyá Maternância tem já conta com diversos canais de comunicação e fortalecimento de mães pelas redes sociais. Faça parte de um deles ( ou de todos!) e venha construir a sua maternância com a gente!

Iyá Maternância (página) –  facebook

Grupo virtual de apoio a Mãe Negra – gestante e tentante (grupo de facebook)  – grupo de apoio

Iyá Maternância –  instagram

Canal Iyá Maternânccia – canal no youtube

Fiquem atentas, nossa rede está crescendo e queremos alcançar cada vez mais mulheres-mães-negras!

Postado em 30 de novembro de 2015 por Lu Bento

Sou mãe (de duas crianças pequenas), mulher, esposa, dona de casa, servidora pública, empresária,busy mom3 estudante, blogueira, gestora de conteúdo de um site.  Só pra falar as ocupações mais frequentes. Sim, sou uma mãe multitarefa. Dá pra dar conta de tudo? Não, não dá. E eu acabo fazendo coisas pela metade, do jeito que dá, na última hora. Isso é bom? Não, não é. Mas também não é bom pra mim abrir mão de alguma dessas identidade. Tudo que eu faço (ou tento fazer) atualmente tem uma razão de ser pra mim. Um sentido, uma fonte de prazer, uma fonte de realização.  Sou o tipo de pessoa que não se realiza fazendo uma coisa só. Muito menos uma de cada vez. Mesmo que no conjunto da obra, não saia uma coisa perfeita, sou um quebra-cabeça formado por cada uma dessas peças, e uma peça faltando é um pedaço de mim incompleto.

Quisera eu poder dar conta de tudo que eu faço no dia-a-dia. Quisera eu poder aproveitar minhas horas com mais qualidade! Mas isso aqui não é um muro de lamentações. Hoje eu tenho total consciência que o tempo é uma construção social. A gente constrói nosso tempo. A gente define, a cada decisão, quais são as nossas prioridades. O que dá tempo de fazer e o que não dá tempo. São essencialmente escolhas.

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Meu compromisso comigo, hoje, é ter tempo pra me dedicar com maior qualidade a cada um dos meus afazeres. Mesmo com os imprevistos. Mesmo com as mudanças de prumo e os sucessivos novos cálculos da rota. Haja flexibilidade para mudar de caminho o tempo todo. Mas se tem uma coisa que eu sou é flexível com relação aos meus planos. Quanto menos rígidos, melhor.

Sei que muitas mulheres tem rotinas mais complicadas que a minha, trabalham e estudam tanto quanto eu, ou até mais e dão conta de todos os afazeres. Sei também de gente que faz muito menos coisas e ainda está achando muito. Isso é relativo e pessoal. O que a gente faz, como ocupamos nosso tempo, são decisões pessoais que depende do nosso estilo de vida, nossos objetivos e possibilidades.

busy mom2No momento, me é possível estudar, fazer uma nova pós-graduação e me qualificar na área em que eu trabalho. Estou estudando um monte de coisa nova, mergulhando em um mundo que eu não domino, sendo desafiada a compreender termos técnicos, a refletir sobre questões que não faziam parte do meu cotidiano na graduação e na outra pós que eu fiz.  Ao mesmo tempo, também surgiu a oportunidade de começar um negócio próprio, trabalhar com algo que eu amo (livros!). Tenho que abrir mão da tarde no sofá pra sair pra trabalhar? Tenho. E abro mão com prazer. Porque faço isso junto com a minha família. A gente sai e todos juntos vendemos livros, eu, o marido e as curicas. E tem sido momentos maravilhosos ao lado deles.

Eu conto um pouquinho dessa minha vida porque essas transformações estão no meu cotidiano mas também estão em mim. Acho que essa meu momento multitarefa tem muito a ver com os 30 que chegaram e com eles chagou também uma vontade de construir mais, produzir mais.  E a cada nova tarefa eu descubro um novo prazer, uma nova possibilidade de atuação nesse mundo, um novo interesse.

Tem sido gostoso sair da caixinha da maternidade e explorar outras possibilidades. Tem sido odarah1gostoso ver que a maternidade era apenas um dos meus caminhos. Lógico que nada que eu faço agora desconsidera a minha dimensão mãe. As curicas estão crescendo cada vez mais independentes (tudo bem, Mini Bentia ainda é  um grudezinho), e é muito bacana vê-las criando autonomia. Ver que o centro do mundo delas não sou mais eu, que elas ficam bem em outros ambiente, interagindo com outras pessoas. Por que o que eu quero, no final das contas, é criar mulheres que se bastam, que corram atrás dos seus sonhos, que não sejam emocionalmente dependentes de ninguém, apesar de manterem vínculos fortes com aqueles que elas amem. E pra isso, eu quero me tornar esse tipo de mulher que eu espero estar criando. A criação começa por mim.

E eu acho que estou me criando bem.

Veja mais em Mães Pretas e Relato de aborto


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