Postado em 1 de outubro de 2018 por Lu Bento

Em setembro estreou na Netflix o filme Felicidade por um fio (Nappyli ever after), uma produção original com direção da saudita Haifaa al-Mansour  baseado em uma novela produzida pela Trisha Thomas.  O filme fala sobre um assunto que é fundamental para as mulheres negras: cabelo.  E só de pensar em um filme que fala sobre cabelos e sobre mulheres negras já me vem várias referências de dores, de processos de negação da própria natureza e  de processos intensos de transformação.

Cabelo não é brincadeira para as mulheres negras. Cabelo é um assunto seríssimo, talvez uma dos elementos estéticos com maior impacto em nossa subjetividade. Um dia de cabelo ruim  – bad hair day – é um dia com tendência a ser ruim como um todo e com impactos por vários outros dias.  E não coisa de mulher fresca não. Mulheres negras gastam muito mais tempo para cuidando de seus cabelos, independente se  ela usa cabelo natural ou com algum tipo de tratamento químico. 

Felicidade por um fio entra com propriedade nesse tema. Primeiro por ter sido baseado em uma novela escrita por uma mulher negra, uma entendedora do assunto. Além disso, o filme aborda diferentes aspectos da relação com o cabelo, mostrando o quão complexa é a relação das mulheres negras com seus cabelos. E pra finalizar, a direção primorosa de Haifaa al-Mansour, uma das primeiras diretoras de cinema da Arábia Saudita, conseguiu manter o tom leve durante tudo o filme, mesmo nas cenas mais duras. Como mulher negra, pude observar diferentes aspectos da nossa relação com o cabelo, me identificar com algumas situações vividas sem terminar o filme emocionalmente desgastada. 

Se você não conhece o filme ou não tem Netflix, veja o trailler

Atenção: Esse post CONTÉM SPOILLERS. Falarei em detalhes sobre o filme, inclusive sobre o final, então é por sua conta e risco continuar ok? 

Liso e longo – mulher negra e padrões de beleza

O filme começa com a personagem principal, Violet Jones ( interpretada pela maravilhosa Sanaa Lathan), se preparando para acordar linda e lisa ao lado de seu namorado. Violet super cedo, recebe sua mãe em casa e enquanto a mãe faz escova no cabelo da filha, Violet conta pra mãe que provavelmente ela será pedida em casamento em breve. 

A cena é tão estranha que a gente só entende direito que a mãe foi até a casa da filha pra fazer escova no cabelo dela antes do namorado acordar porque Violet volta pra cama, finge estar dormindo e quando o rapaz acorda ela está linda na cama com os cabelos escovadíssimos. 

A fixação de Violet por um cabelo liso e longo foi fomentada desde cedo pela própria mãe. É interessante como o filme trabalha o impacto das referências maternas na autopercepção das meninas. A mãe da Violet traz consigo um trauma relacionado à aparência: ela tinha sido obrigada por sua própria mãe a usar o cabelo natural crespo em uma época em que se tornou moda o uso de cabelos alisados. 

Então, fica bem explícito no filme que as ações da mãe, exageradas no sentido de garantir que a filha mantenha um cabelo sempre liso e “perfeito”, têm raízes em profundas dores na construção da autoimagem dessa mulher, que impõe à filha uma rotina rígida de manutenção de uma determinado padrão estético.

No filme a mãe da Violet parece uma megera, uma mulher que obriga a filha a manter um determinado tipo de cabelo, mas é perceptível como essa opressão é uma derivação da proteção que essa mãe tenta dedicar à filha.  É uma relação tão complexa, com tantas nuances, que a gente só vai percebendo ao longo do filme, quando a mãe expressa sua história e o motivo de tanta ênfase no cabelo liso e na manutenção de um determinado modo de agir e percebendo a humanidade dessa mulher e a construção de uma autoestima solidificada em dores de racismos sofridos na infância. 

Voltando ao enredo do filme, a expectativa de um noivado não se concretiza, o rapaz alega não conhecer bem Violet e, apesar dela parecer uma futura esposa perfeita, ele não sabe quem ela verdadeiramente é.  Isso foi um choque para a nossa mocinha a fez pensar sobre coisas que ela nunca havia questionado. 

A busca por si própria, seus gostos, sua beleza e sua essência, assume um papel importante na vida da protagonista e é o principal motivador para todo o desenvolvimento do enredo. 

Ser loira – uma escolha ou um escudo?

Violet, na busca por si mesma,  decide pintar o cabelo de loiro. Nada contra a mulheres que pintam o cabelo de loiro, mas essa é uma etapa frequente na jornada feminina negra de autoconhecimento. Ser loira remete a uma sensualidade e uma liberdade idealizada tanto por homens quanto por mulheres. 

Violet se aventura na loirice, adota um visual totalmente contrário à sua personalidade e objetivos de vida. Essa etapa loira foi o ápice da busca pessoal da protagonista por sua essência, por sua identidade. E foi quando ela menos se reconheceu como uma pessoa, a relação que ela estabeleceu foi totalmente objetificada a ponto dela se expor a situações extremamente desconfortáveis. 

Não é minha intenção atribuir ao cabelo loiro a total falta de conexão consigo mesma, mas no contexto de Felicidade por um fio, Violet loira e crespa foi uma grande ruptura com a imagem que Violet faz de si, e acaba simbolizando o momento que ela toma consciência do quanto a sua vida e identidade gira em torno do cabelo. 

Cabelo – tê-los ou não tê-los

A fase de Violet careca é a mais reveladora. Como se sem os cabelos, ela finalmente tivesse a oportunidade de se enxergar de verdade.  Nessa fase ela desabrocha, descobre seus próprios interesses e percebe que sua beleza não está restrita a determinados padrões. Ela se sente livre para romper com o emprego que também reforça esteriótipos de gênero ao esperar que ela produza campanhas publicitárias focadas em um modelo machista de mulher. 

Essa associação entre não ter cabelos e ter liberdade de ser e existir é um dos pontos mais fortes do filme, porque provoca uma reação imediata em qualquer mulher negra, seja ela alisada, ou com cabelos naturais. Não ter cabelos e abdicar da possibilidade de ser definida pelos cabelos, é superar esse marcador e colocá-lo no mesmo patamar de qualquer outro aspecto corporal ( cor dos olhos, altura, peso… ), exercendo influencia em nossa autoestima  sem, contudo, assumir um aspecto dominante. 

Sem cabelo, Violet se viu livre para ser ela mesma, expressar sua essência, romper com padrões e buscar sua felicidade.  Foi sem cabelo que ela se permitiu viver um relacionamento com o cara que representa o oposto de tudo que ela sempre esperou de um homem.  E ser feliz. 

As amarras da menina livre

Toda a transformação da protagonista é provocada pela relação com a menina Zoe, filha de um cabeleireiro dono do próprio salão e criador de produtos específicos para cabelos crespos. 

Zoe representa a liberdade que a protagonista tanto almeja. Quando ela ainda usava o cabelo liso, a menina troca os produtos do salão para provocar um dano no cabelo de Violet. Essa atitude, além de molecagem e rebeldia, demonstra uma frustração de Zoe em não poder ter o cabelo alisado como Violet. 

Violet, por sua vez, se sempre profundamente incomodada em encontrar essa menina que aparenta ser tão livre, usando cabelo natural e roupas largas, vivendo sem se importar em se adequar a determinados padrões. Zoe incomoda a menina interior de Violet, que cresceu frustrada por precisar se esforçar tanto para ser um determinado tipo de mulher esperado pela sociedade e, principalmente pela mãe. 

Aí, cabe destacar que Zoe é uma menina criada unicamente pelo pai, colocando essa liberdade de não seguir um padrão esperado de feminino um exemplo de como os homens educam “melhor” as crianças e conseguem criar meninas com autoestima mais elevada. 

Mas Zoe não é tão bem resolvida consigo mesma quanto parece. A menina tem um desejo de adotar um cabelo alisado e um visual mais “feminino”, mas se sente perdida no reconhecimento da própria beleza e na construção da autoimagem. A menina sente falta de uma referência feminina e a ausência da mãe, que simplesmente decidiu que a maternidade não era para ela e decidiu abandonar a família, tem um forte  impacto em sua vida. 

Violet e Zoe começam com uma relação conflituosa que aos poucos se transforma em amizade, cada uma fascinada pela aparente liberdade  da outra de ser quem se é.  Vejo a relação delas como um encontro no espelho do tempo, a Zoe ansiando para ser como a Violet e a Violet vendo na Zoe a menina que ela gostaria de ter sido. 

Esse é um lindo pedaço do filme que mostra o quanto essa pressão por uma determinada estética já afeta a subjetividade das meninas negras muito cedo e que é uma questão importante na infância negra. Meninas negras já são tocadas desde muito cedo por questões relacionadas à aparência, questões extremamente opressoras e racistas. 

Crescimento capilar

O crescimento do cabelo de Violet representou muito bem o crescimento da própria personagem, que se permitiu voltar a se relacionar com Clint (que homem, senhoras!) e experimentar coisas que ela não fazia devido  o tempo que ela precisa costuma dedicar aos cuidados com o cabelo e as restrições que ela se autoimpunha.

Foi também com os cabelos curtos que ela se permitiu se relacionar com Will, experimentar uma novo tipo de relação baseado na parceria e no companheiros, sem que preocupar em ser a parceira ideal para um homem e com liberdade para se expressar. 

Violet rompe com o seu trabalho na publicidade, sempre com projetos voltados para a manutenção de um esteriótipo de feminilidade. É a mulher crescendo e se libertando junto com os seus cabelos. Sem dúvidas, essa é a parte mais emociante do filme. 

E os homens nessa história toda?

Um dos aspectos que eu menos gostei no filme foi como os homens foram retratados como pessoas sem problemas, com autoestima elevada e total segurança em suas ações. 

O pai de Violet decide seguir a carreira de modelo, e mesmo com a esposa sendo fortemente contra, ele investe no sonho já na meia-idade e segue fazendo sucesso pelo seu físico com mulheres de todas as idades. 

O ex-namorado, tão logo terminou já engatou uma paquera com uma médica do seu trabalho, uma mulher negra com o cabelo alisado do mesmo perfil que a Violet. 

O terceiro rapaz, um cabeleireiro que cria a filha sozinho, assumiu a profissão pouco  valorizada para homens heterossexuais sem nenhum preconceito, tem a casa repleta de plantas e muita autoconfiança. Diante da falta de confiança de Violet em apresentá-lo como namorado para a mãe, falando exatamente quem ele é,  Will não teve dúvidas em romper o relacionamento e priorizar um ambiente seguro e saudável para a filha.  Eu sei que ele é um personagem secundário, e que não era o foco do filme mostra as reações e sentimentos dele diante das situações, mas  mostrar apenas o pragmatismo da decisão do término da relação, passa a impressão de não houve um impacto emocional com o término, contrastando com os sentimentos demonstrados pelas mulheres. São três representações masculinas que passam a ideia de que os homens não tem problemas de autoestima, os problemas estão com as mulheres. E isso é tão cruel e machista que me fez sentir raiva do filme. Por que homens tão perfeitos e mulheres tão perturbadas por padrões externos?


Dica da AMP: 

Tem muita gente boa falando sobre Felicidade por um fio. Eu recomendo o vídeo da Gabi Oliveira. Ela fala da importância em se discutir temas como representatividade, estética, machismo e o quanto o filme contribui para essas discussões. 

Recomendo também, para quem quer se aprofundar das discussões sobre mulheres negras e cabelo, o documentário do Chris Rock ( sim, ele faz mais que palhaçadas!) Good Hair. 

O livro infantil Histórias de ninar para garotas rebeldes também traz algo interessante sobre o tema. Lá podemos ler sobre a madame C.J. Walker, uma mulher negra que enriqueceu através de uma fórmula capilar pra cabelos crespos. Também é possível ouvir essa história lida por Mafoane Odara no podcast que leva o nome do livro. 

E como um assunto puxa o outro, finalizo minhas indicações com o livro Beleza Natural, que conta a história da rede de salões criados pela Zica Assis, uma mulher negra que desenvolveu sua própria formula de relaxamento capilar e se tornou referencia em cuidados com cabelos crespos. 


Felicidade por um fio é um filme que mostra que ainda há muita coisa para ser discutida e estudada sobre a relação das mulheres negras e seus cabelos.  E o quanto esse assunto rende entre nós. O filme está disponível na Netflix e vale a pena ser assistido como  uma produção que apresenta algumas chaves de análise e reflexão sobre autoestima de mulheres negras. 

Postado em 13 de agosto de 2017 por Lu Bento

Eu tenho escrito muito pouco nesse espaço. Sempre me culpo bastante por não dar a devida atenção pro meu blog. Eu tenho várias ideias do que eu poderia fazer nesse espaço, planejo várias postagens, escrevo rascunhos mas quando chega a hora de publicar eu simplesmente deixo pra lá, como se algo que viesse de mim não fosse importante. Isso. Eu deixo esse blog de lado porque esse é um projeto meu e eu não tenho o hábito de me tratar como prioridade. Eu ignoro minhas necessidades, minhas demandas pessoais e foco mais no coletivo: as meninas, a família, o trabalho, os projetos em grupo…

Por falta de tempo (na justificativa oficial) e por falta de vontade, deixo de lado a minha escrita e minha ideias. E por mais que eu parece satisfeita fazendo a coisas que todos querem que eu faça, fica um vazio em mim, uma frustração por tantas ideias desperdiçadas, tantas projetos abortados, tantas falas reprimidas e sufocadas em minha própria mente.

Sinto que a escrita pode ser um verdadeiro caminho para que eu priorize as minhas necessidades. Faz muito pouco tempo que eu passei a gostar de escrever. A gostar do que eu escrevo. E esse gostar tem muito a ver com deixar de ser tão crítica e me permitir aprender coisas novas.

Estou gostando muito desse processo. Esse ano estou fazendo um curso de escrita e autoconhecimento parra mulheres. É um curso grande, cm aulas todas as semanas, onde a gente é estimulada a escrever de forma intercalada a práticas de meditação, relaxamento, autocuidado. A escrita é quase uma ferramenta terapêutica de expressão dos nossos sentimentos, mesmo que nem sempre sejam propostos textos autobiográficos. É um espaço sem julgamentos, sem pressões por determinada forma. Saio de lá mais leve para encarar a semana e mais confortável com a minha própria escrita.

Percebi que eu tinha um grande bloqueio com a escrita. Tenho dificuldade de se lida, de aceitar que as pessoas podem ser e gostar do que eu escrevo. Óbvio que isso tem relação com a minha autoestima, não é? Eu sempre sinto que o que eu tenho a dizer não é uma prioridade, posso fazer outras coisas antes, posso ouvir as outras pessoas, dar voz ao que elas querem dizer.

Mas e eu? Eu venho sempre por último.

Tomar consciência disso e um primeiro passo pra buscar a mudança. Estou tentando me sentir mais confortável em postar aqui, em escrever meus poemas e em mostrar pras pessoas. Em me posicionar como escritora.  O curso tá na metade, tenho uma boa caminhada até o final do ano. Espero que ao longo desse semestre a minha escrita vá subindo alguns degraus na estada das prioridades em minha vida.

Postado em 20 de abril de 2017 por Lu Bento

Ontem saiu um texto da Patrícia Froes no blog #AgoraÉQueSãoElas, da Folha,  intitulado “Filho, o mundo não é seu”, falando da sua experiência em ser mãe de um menino branco e abonado e da necessidade de ensinar ao filho que o mundo não é dele.  O texto é bem interessante e o título me provocou a ponto de pensar que ela falava em termos mais gerais, fazendo uma contraposição a noção que a nossa geração Y teve de que somos o centro do mundo. Comecei a ler o texto bem de boa, pensado nessas coisas mas logo percebi que ela falava de um ponto bem específico e necessário. O que Patrícia traz é uma reflexão sobre a posição do homem branco e rico na sociedade brasileira. Ressalto que Patrícia não usa o termo rico, e eu o uso sem nenhuma conotação ofensiva,  apenas para que a gente possa realmente colocar as ideias às claras.

Muitas ideias me vem sobre as reflexões trazidas por Patrícia e pela ausência de problematização da questão racial na desconstrução dos privilégios.  E obviamente, fiquei tentada a escrever sobre isso. Rascunhei um texto, pensei muito sobre o assunto e em como expressar a necessidade das pessoas brancas se posicionaram diante do racismo de forma assertiva e combativa,  mas no final das meninanegrapulando1contas, pra mim,  é muito mais importante gastar minhas energias reafirmando pras nossas pretinhas que o mundo é delas. Que o mundo é nosso!

Porque essa mesma sociedade que  passa o tempo todo reforçando que o mundo é dos homens brancos e ricos, também reforça que o mundo não é das mulheres negras. E aí a questão de classe se torna menos relevante, porque basta ser negra para a mulher seja discriminada, não importa o quão recheada é a sua conta bancária. A sociedade grita o tempo todo que o mundo não é nosso. Tão alto que muitas vezes não conseguimos ouvir nossa voz interna nos dizendo para ocupar nosso lugar no mundo. Como mulher e mãe negra, se eu tenho forças pra lutar, que minha luta seja para que essas meninas negras não sejam empurradas para a subserviência e baixa autoestima pela enxurrada racista que recebemos todos os dias. Porque eu desejo que nós, mães e pais de pretos, sejamos a barreira de contenção que não deixa a autoestima das nossas novas gerações cair barranco abaixo. E mais que isso, que nós sejamos molas propulsoras, colocando nossas crianças para voarem futuros ainda mais altos do que o sistema racista espera de nós.

Reafirmando a negritude

Eu tenho filhas pretas. Eu poderia dizer simplesmente estimular minhas filhas dizendo “filha, o mundo é seu”. Mas não colocar a nossa negritude nessa frase de motivação e incentivo das meninas negras é uma forma de cair no mito da democracia racial que nos invisibiliza e nos desumaniza, como negros tivessem que se sentir contemplados pelo padrão branco e o discurso de que “não importa a cor”. A cor da pele importa sim! Muito. Uma mulher branca alcançando um posto de destaque em uma grande empresa não é o suficiente para que eu e minhas filhas nos vejamos nessa posição pelo simples fato de que quase nunca vemos uma mulher negra nessa posição de destaque e sucesso como uma representação de conquista de todas as mulheres. Quando uma mulher negra ascende ela é vista e lembrada como uma referência para as mulheres negras e só.

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Eu não estou com isso querendo incitar uma divisão racial, uma segregação. Até porque essa divisão racial já existe na sociedade em que vivemos. Raramente uma pessoa branca escolherá uma pessoa negra como referência universal para qualquer coisa porque simplesmente pessoas brancas não se conectam com referenciais negros.  Uma revista com uma modelo negra na capa vende menos que uma revista com uma modelo branca. Por que isso acontece? Porque o público da revista, majoritariamente branco, quando vê uma mulher negra na capa entende que aquela matéria não é pra ele, não é do interesse dele. Como reação a isso,  as revistas colocam menos negras nas capas e alegam que “negro não vende”.

O ciclo é perverso, é cruel e contínuo. Ele se retroalimenta quando a vendedora diz pra menina branca que ela não deve comprar uma boneca negra porque a boneca bonita é a loira de olhos azuis ou quando a professora dá um lápis rosa chamado “cor de pele” para que a criança negra pinte o desenho. O tempo todo nossas crianças “aprendem” que nossa cor de pele não é valorizada e que a gente “precisa” se sentir contemplado por representações brancas.

Então, ao falar pras minhas filhas que o mundo é delas, eu reforço e valorizo nosso lugar de mulher preta, coloco o Pretinha como um vocativo afetivo e com isso, reforço o olhar positivo para a nossa negritude.

Fortalecendo a autoestima

World map (globe) in an African school

Nossa missão é romper com esse ciclo, ocupar os espaços, abrir portas, chutá-las se for preciso. Pretinha, o mundo é seu! Não aceite quando falarem que você não tem o perfil. Não ceda quando falarem que seu cabelo ficaria melhor se você fizesse uma escova. Não desista quando falarem que seria melhor você cursar pedagogia ou invés de engenharia porque existem engenheiras negras. Pretinha, o mundo é seu! Ocupe-o! Tome posse do seu espaço, questione os privilégios, afronte os privilegiados. Porque, na realidade, não podemos esperar que ninguém ceda seus privilégios e nos dê acesso ao nosso espaço de direito. Precisamos ir lá e ocupar. E mostrar que a gente tem plenas condições de ocupar esses lugares tão bem ou até mesmo melhor que todos esses que hoje têm acesso a eles por serem privilegiados. E não é porque nosso acesso foi garantido por ações afirmativas que nosso direito e nossa capacidade de estar lá devem ser questionadas ou diminuídas.

 

Pretinha, o mundo é seu! Não precisa esconder ou se envergonhar de ter feito algo incrível e ter seu talento reconhecido. Não precisa baixar a cabeça e se desculpar por tudo que deu errado, quando você não tepretinha, o mundo é seunha culpa nenhuma nesse processo. Não precisa desistir antes mesmo de tentar com medo de ser barrada. Não precisa ter medo de romper com os lugares que o sistema racista destina para as mulheres negras.

Ser mulher e negra não é essa molezinha de ter tudo esperando por você. É um remar contra a maré racista que insiste e nos levar pro fundo. Quando a gente repete pra uma menina negra que o mundo é dela, estamos também repetindo pra nós mesmas. O mundo é nosso, pretinhas!  A construção da nossa autoestima é um processo constante, porque a desconstrução racista também é.  Então repita em voz alta pra si mesma e pra todas nós: pretinha, o mundo é seu! Somos resistência e não tem sistema racista e machista que vai nos fazer parar. O mundo é seu, pretinha. Não tenha medo de ocupar o seu lugar.

Postado em 8 de abril de 2017 por Lu Bento

Olá Pessoal!

Estou de volta. Sim, dei uma sumida bem louca e bem mais intensa que o normal. Precisava de um respiro.  Eu não queria mais escrever nem pensar sobre a maternidade, queria dar um tempo nisso de blog, de facebook, de qualquer coisa que me colocasse de alguma forma em evidência.

P_20161107_150242_BFO motivo oficial da ausência foi a reestruturação do blog. De fato alterar a cara do blog dá um trabalhão e leva um certo tempo. Mas eu estava tão saturada de tudo isso que nem motivação pra atualizar as informações eu tinha. Acabei deixando tudo paradão mesmo pra descansar a mente. Tirei férias, assisti um monte de séries, saí com o marido e as filhas, trabalhei na InaLivros, minha livraria, e preguicei muito. Muito mesmo. Foi um período de relaxamento total.

Uma das coisas que contribuiu muito para a minha ausência durante esse temo foi que eu participei, no final do anologo_ame passado, um curso incrível sobre empreendedorismo materno com a querida Melodia Moreno. A Academia de Mães Empreendedoras me deu um monte de insigths para melhorar aqui no blog e nos trabalhos que realizo na vida. E foi  a partir da A.ME. descobri que quero muito falar mais sobre gravidez de risco e perda gestacional.   Sim,  esses temas fazem parte da minha vida há 10 anos e eu preciso compartilhar isso com outras mulheres. Tem muita coisa que eu aprendi com meus abortos e com as minhas gravidezes de risco,minha experiência de vida pode ajudar muitas mulheres e eu sei da importância de compartilhar tudo isso. Mas ao mesmo tempo, são assuntos que ainda me doem muito. Que mexem comigo, que me desestabilizam emocionalmente e que eu evito entrar em contato verdadeiro e consciente. Como falar sobre isso, incentivar e apoiar outras mulheres se eu mesma ainda não lido bem com meus sentimentos? Precisava de uma busca interior para reconhecer os pontos de ainda me doem em minha história de vida para ressignificá-los.

Então, a partir do que eu descobri sobre o que eu quero fazer no curso da Mel,  decidi me permitir tocar mais nesses Lu Bento - foto Bianca Santanaassuntos e refletir sobre meus sentimentos e história de vida. Alem da terapia, que eu já tinha iniciado no começo de 2016, busquei formas alternativas de me entender e me expressar. Esse ano comecei a fazer um curso incrível de escrita e autoconhecimento com a maravilhosa Bianca Santana que está me tirando da minha zona de conforto. Além de exercitar a minha expressão escrita, que é fundamental pra quem se propõe a escrever para que outras pessoas leiam, o curso está me fazendo pensar sobre várias coisas na minha vida e descobrir outas formas de me ver e ver o mundo. É um curso só pra mulheres e tem uma vibração toda especial de apoio e irmandade que tem me fortalecido demais nesse propósito de busca interior. Quando olhamos pra dentro vemos todas aquelas coisas que tentamos por muito esconder de nós mesmos. Então, estou diariamente diante desse meu espelho interno, olhando pras minhas feridas e cuidando delas para que finalmente cicatrizem, deixando aquelas marcas de quem tem histórias pra contar.

9d41f7b342496988897d004af87fe87aNo final do ano passado também dei algumas entrevistas sobre maternidade e negritude que me fizeram refletir ainda mais sobre tudo que  blog e os espaços de maternância negra representam pra mim. E o quanto a gente precisa de mais espaços assim. Com isso, eu também parei pra analisar o conteúdo eu tenho compartilhado com vocês, quais questões eu tenho abordado aqui e como eu tenho feito tudo isso. Percebi que agora esse não é mais só um espaço de desabafo, já ganhou outra dimensão de existência: este é um espaço coletivo de fortalecimento de mães negras e de informação para as pessoas que buscam uma atitude antirracista. E eu preciso aprender a lidar com isso. Não é tão fácil e nem natural pra mim me ver nesse lugar, mas sei que esse lugar  é fruto de uma construção que  tenho feito ao longo dos anos e esse blog já nem é tão novinho assim. O AMP já está em seu 3º ano no ar.

Outro passo que dei e que fico muito feliz em ter começado a me moyoga1vimentar nesse sentido foi que decidi estudar tarô.  Com o apoio da Marcela Alves, tenho  mergulhado nas cartas para desvendar suas mensagens e significados  e esse movimento rumo ao não explicado cientifica
mente têm me ajudado a perceber outras dimensões da vida, que se me afastam desse ceticismo todo que geralmente domina a vida ateia. Também comecei um curso sobre chakras com a querida Debora Pivotto e tem sido surpreendentemente incrível. Só a oportunidade de viver a experiência de leitura de aura já vale muito a pena. Como essas leituras têm sido importantes pra destravar em mim falas que eram muito contidas nas seções de terapia. Sem dúvidas todo esse movimento complementar de autoconhecimento melhorou  muito minha interação nas sessões de terapia e me sinto muito bem.

Paralelo a tudo isso, meu marido agora trabalha em casa e assumiu muitas das responsabilidades com as meninas, o que me permite fazer todo esse movimento de olhar pra mim. Vocês  sabem o quanto é importante temos a possibilidade de ter um tempo pra si dentro da nossa rotina caótica de mãe/esposa/trabalhadora. Só para que vocês tenham uma ideia da importância desse tempo, hoe eu tomo banho sozinha, eu passo cremes no rosto, no corpo e no cabelo antes de dormir, eu assisto minhas séries favoritas. Eu existo para além das minhas funções de mãe, esposa, dona de casa e trabalhadora. E eu repito muito o “eu” simplesmente porque depois de tanto tempo falando e pensado o nós, poder falar e pensar o eu é fascinante!

Estou em uma verdadeira jornada em busca do meu autoconhecimento e minhas potencialidades  e esse caminho tem várias etapas e desafios. Falarei melhor sobre a minha jornada em outra postagem,  agora eu só queria ressaltar que estou vivendo um processo de transformação intenso e dolorido, que cutuca minhas feridas e destrói crenças que eu cultivei para me esconder em minha dor.

Então a volta ao blog exprime um pouco disso tudo que estou vivendo e que ainda vou viver esse ano. É provável que tenhamos mais textos sobre autoconhecimento, autocuidado e autoestima por aqui na categoria Empoderamento, bem como alguns textos literários autorais na categoria Escrevivências. As categorias agora estão melhor divididas. Continuo falando de Maternância e Literatura, minhas maiores paixões. Coloquei em categorias específicas os textos mais voltados para Educação e Combate ao Racismo, já que muitas pessoas chegam aqui a partir desse temas. Outra categoria nova é a de Inspirações, onde eu indico outras trabalhos incríveis nas redes sociais sobre os temas do blog e compartilho um pouco do que curto por aí.  E, a que sinto ser a categoria mais especial de todas, é a Mães Pretas, onde eu publico textos de outras mulheres e mães que querem compartilhar também suas histórias. Precisamos de espaço nas nos expressar e nos ouvir. Alguns vezes serão textos próprios dessas mulheres, outras vezes serão entrevistas. O formato não é o mais importante no momento e sim o conteúdo e a cura coletiva que ele proporciona. Sintam-se convidadas a colaborar com esse espaço.

AMP - Capa para faebook

Não poderia deixar de agradecer ao Célio Campos, Mutanóide, o artista incrível que fez a ilustração do blog e maravilhosa Ella Jardim que fez todo o design e deixou o blog com essa cara bem mais moderna e funcional.Muito obrigada! O trabalho deles ficou muito legal, amei o resultado e gostaria de ouvir as opiniões de vocês.

A verdade é que voltei pro blog cheia de projetos e desejos, uma energia que percorre meu corpo e transborda em vontade de compartilhar com vocês  meus pensamentos e experiências.

Bem-vindos de volta! Bora ocupar esse espaço que existe pra gente!

 

Postado em 6 de setembro de 2016 por Lu Bento
Hoje é dia do sexo e resolvi retomar as postagens do blog falando sobre a vida sexual da mulher-mãe. Será possível continuar a ter uma vida sexual ativa e saudável depois de termos filhos? Ou depois que as crias nascem a gente entra para aquela categoria do “minha mãe não faz essas coisas?”
Postado em 20 de agosto de 2016 por Lu Bento

Sinônimo de mulher

Puta que pariu

Não aceites de volta

O filho que saiu de teu ventre

Já pariu, já criou

Não é tua a responsabilidade

pelo o que ele fez

 

Puta que pariu

Não é tua culpa

Se teu filho fez merda

E o outro tenta ofender

Teu trabalho foi já foi feito

Se ele não anda direito

Cabe a ele responder

 

Puta que pariu

Siga a tua vida

leve, tranquila, sem culpa

Nessa sociedade machista

Em que puta é sinônimo

de mulher

 

Escrito em: Outubro de 2015.

Postado em 9 de março de 2016 por Lu Bento
aldeia2 O provérbio africano que dá título ao post tem me acompanhado de diversas formas ao longo da maternidade. Primeiro porque eu me sinto muito só em ter que criar minhas meninas longe dos nossos parentes e me preocupo muito em estabelecer uma rede de suporte em casos de emergência. E também porque sabemos que uma criança não aprende e se desenvolve só a partir dos valores da sua família nuclear, a criança se relaciona com toda a comunidade. E infelizmente as pessoas ainda acham que cada pai/mãe sabe o que é melhor pra sua cria e que não é problemas delas quando pais abusam da autoridade ou são omissos na educação dos filhos.
Mas  o que eu quero mesmo dizer é que esse proverbio se tornou ainda mais significativo para mim nesta semana. A Elidy Moreira, da marca de bonecas de pano Cria Criôla, criou uma coleção de marcadores de página e nomeou de Aisha. Sim,  o nome da minha aisha-marcadorcurica mais velha! E o mais fofo: foi em homenagem a minha curiquinha! Não é lindo?  Mais lindo ainda é ver a amizade que as duas construiram, ver a afinidade que elas desenvolveram a ponto da Aisha preferir dormir no colo dela invés de ficar com os próprios pais quando estamos em algum evento trabalhando.
Esse é um vínculo muito bonito, sincero.  É reconfortante ver que a Aisha está construindo referenciais para além dos limites da parentela, que ela se inspira em outras pessoas fora do núcleo familiar e que ela, com 3 anos, já estabelece laços de amizade consistentes e acaba  trazendo novas pessoas ao nosso círculo de amizades. Porque a Elidy, a Tia Iemanjá como ela chama, é um contato que surgiu pra nós a partir da aproximação da Aisha com ela.
Tudo isso me fez refletir sobre a importância dos laços que as nossas  crianças estabelecem com outros adultos, a importância do vinculo que nossas crianças estabelecem com outros adultos independente da relação que os pais tem com essa pessoas.
Quando as nossas crianças enxergam referências positivas em outras pessoas, quando nossas meninas olham pra outras mulheres e as admiram, de uma forma totalmente diferente do modo como se dá a admiração da relação filha-mãe, é nesse momento que a gente está formando a nossa aldeia.
Perceber que um adulto de fora pode influenciar e pode ser tão importante na vida de uma criança, e que este pode ser um adulto que nem tem uma convivência cotidiana com essa criança é refletir sobre o lugar que nós ocupamos na formação de crianças negras com uma boa autoestima.
boneca negra e meninaOutro caso que me remeteu ao provérbio africano nesses últimos dias foi o de uma mulher que procurou pra contar que queria muito dar uma boneca negra para sua enteada, também negra, mas que as pessoas em volta estavam contra. Essas pessoas consideravam que poderia parecer racismo dar uma boneca negra para uma criança negra. Sem entrar no mérito que fez a moça me procurar (porque vamos tratar desse assunto em outra postagem), o fato dessa mulher querer dar uma boneca negra para uma menina negra mostra uma disponibilidade para  fornecer àquela menina objetos com os quais ela possa se identificar. É uma demonstração de interesse e preocupação em oferecer  uma boneca que pode vir a ser um mega incentivo para a menina se reconhecer e se amar como ela é. Uma mulher de fora do núcleo familiar atuando para a elevação da autoestima de uma menina negra.

 A aldeia que a gente vive

Isso é aldeia! É quando a gente se importa em ver aquela outra criança crescendo bem, com a autoestima elevada, em segurança física e psicológica, sem sofrer abusos. É quando a gente toma pra si o compromisso de colaborar que que outras crianças cresçam bem, sem se importar com as barreiras de parentesco que às vezes nos intimida e nos impede.  Todos nós somos responsáveis pela criação e pela autoestima de crianças negras. Todos nós! Inclusive você, pessoa branca que lê esse texto!
“Ah, é filho dos outros, isso não é problema meu!” É problema nosso sim! Quando eu me aldeia1arrumo, quando eu cuido do meu cabelo, quando eu escolho um brinco legal, quando eu dou um sorriso pra uma criança negra que está me olhando na rua, admirada com a minha aparência, eu estou ajudando a fortalecer a autoestima de uma criança negra. Principalmente de uma menina negra que me vê como um espelho, que projeta o seu futuro a partir da minha imagem.
Não é tão difícil assim formamos a nossa aldeia.  Agimos como uma aldeia quando, por exemplo, impedimos que pais agridam fisicamente seus filhos. Quando sorrimos  para uma criança que fica encantada vendo o nosso cabelo black ou aquele turbante superproduzido. Quando elogiamos o penteado, a textura do cabelo de uma menina crespa que está passando na rua. Quando defendemos uma criança ou adolescente que está sendo alvo de racismo/intolerância religiosa mesmo sem ter qualquer relação com essa criança/adolescente.
Somos uma aldeia quando reforçamos positivamente a negritude de crianças e jovens e quando rechaçamos publicamente qualquer ato discriminatório que essas crianças e jovens são alvos. E nessa aldeia, nossas crias podem caminhar com segurança, podem construir seus vínculos e descobrir suas referências.
É preciso uma aldeia para educar uma criança. Sejamos essa aldeia em nosso dia a dia.
Postado em 8 de março de 2016 por Lu Bento
Dia 8 de março, dia internacional da mulher e, onde fica a mulher negra nesse contexto?
Sabemos que o 8 de março, o chamado Dia Internacional da Mulher é uma data criada para lembrarmos  do assassinado de 130 operárias que foram trancadas e incendiadas em uma fábrica por lutarem por melhores condições de trabalho e por equiparação de direitos com os homens. A data acabou sendo definida 1910 como dia internacional da mulher, para homenagear as mulheres mortas e discutir a situação da mulher na sociedade, mas só foi tornada oficial pela ONU em um decreto de 1975.  Esse caso se passou em 1857, em Nova Iorque e provavelmente todas as mulheres envolvidas eram brancas.  Mas, e as mulheres negras com tudo isso?
Existe uma data especifica para a celebração da luta da mulher negra latino-americana e caribenha, o dia 25 de julho. Esse data tem ganhado relevância em detrimento do dia 8 de março, que quase sempre exclui as questões específicas das mulheres negras do centro do debate. Mas será que o caminho é mesmo ignorar o dia 8 de março e só falar sobre o 25 de julho? Eu penso que não. Penso que devemos ocupar todos os espaços e questões que atingem as mulheres em geral, atingem com especial crueldade as mulheres negras
Muitas blogueiras e youtubers negras decidiram esse ano enegrecer o dia internacional da mulher. E eu tô amando tudo isso!!! São vários vídeos no youtube no qual mulheres negras falam sobre a importância e a trajetória de outras mulheres negras. Isso é lindo demais! É a gente aprendendo a reconhecer o valor das nossas antecessoras, das nossas contemporâneas e das novas gerações. É a gente percebendo que trajetórias de lutas árduas são frequentes, e que a luta de mulheres negras é ainda mais desafiadora que a  luta de outras mulheres, pois temos que lidar com o racismo e o machismo que insistem em nos colocar nos degraus mais baixos da sociedade.
nossas mulheres negras
Como eu não tô na pegada de gravar vídeos, e como eu também não tive tempo de em inteirar com antecedência do movimento e das ações para  o dia de hoje, queria contribuir compartilhando com vocês os links das páginas e canais que estão levantando a hashtag #nossasmulheresnegras. E  convidar a todos a assistir, aprender e conhecer mais sobre essas mulheres.
dia da mulher

Ana Paula Xongani – Vamos Enegrecer o 8 de março?! | Nossas Mulheres Negras |
https://www.youtube.com/watch?v=nBs9Hw39elw


Gabi Oliveira – Canal DePretas
Nossas Mulheres Negras – Chimamanda, Neusa e Shonda
[embed_video link=https://www.youtube.com/watch?v=dtrUbEByBvc&feature=youtu.be]

 


Quell Alves
Nossa Mulheres Negras – Luislinda Valois Homenagem no YouTube
https://youtu.be/kEsOlM9eWs8


Poliane Brandão–  Canal Negra Bella
Nossas Mulheres Negras- Gloria Maria
https://youtu.be/Uk3coHc489E


Tananda Santos
Nossas Mulheres Negras – Taís Araújo https://m.youtube.com/watch?v=dNXOomJ-hMA


Sá Ollebar – Canal Preta Pariu

sá ollebar
Nossa Mulheres Negras – Rosa Parks, Preta Rara e Mc Soffia
https://youtu.be/Wwr25JpAzcY


Patrícia Rammos  – Canal Um abadá pra cada dia
Nossas Mulheres Negras – Elza Soares
https://www.youtube.com/watch?v=lzd2vbd9G7E&feature=youtu.be


Beatriz Carmo 
Nossas Mulheres Negras – Djamila Ribeiro https://www.youtube.com/watch?v=6eSNLQSc5_c&feature=youtu.be


Aline Custódio  – Canal Preta Aline Custódio
Nossas Mulheres Negras – Claudete Alves
https://www.youtube.com/watch?v=vzGJZqzWz9E


Jaci Carvalho Canal Jacy July
Nossas Mulheres Negras – Lupita Nyong’o
[embed_video link=https://youtu.be/DuC6mrQzuyI]


Verônica Barros – Canal Urbana Club
Nossas Mulheres Negras – Beyonce
https://www.youtube.com/watch…


Mari Elen
Nossas Mulheres Negras – Nina Simone
https://www.youtube.com/watch?v=dEY0pqNlKwo&feature=youtu.be


Michelle Fernandes – Canal Boutique de Krioula
Nossas Mulheres Negras – De minha mãe, para mim, para a minha filha.
https://www.youtube.com/watch?v=rR3unVzo4N8&feature=youtu.be


Carolina Santos Pinho – Canal Central das Divas
Nossas Mulheres Negras – Carolina Maria de Jesus
https://www.youtube.com/watch?v=95I9p_YuJeM&feature=youtu.be


 

Taís Eustáquio
Nossas Mulheres Negras – Etta James
[embed_video link=https://youtu.be/qt4KT8m_g0E]


Dryka Pessanha – Canal de Corpo Alma
Nossas Mulheres Negras – Ruth Souza
https://www.youtube.com/watch?v=drBbz3OTpGk


Regianne Rosa Mirkov – Canal Coisas de Preta
Nossas Mulheres Negras | Oprah Winfrey
https://www.youtube.com/watch?v=EWSOX0YMbAs&feature=youtu.be


Ana Beatriz Pessanha Canal Que seja rosa Makeup
Nossas Mulheres Negras : Maju
https://www.youtube.com/watch?v=HVI6sl6nlnM


Daphne Joel Borges – Canal Daphne Borges

Nossas Mulheres Negras- Michelle Obama
https://www.youtube.com/watch?v=MTEKLYPnk0A


Miriam CarvalhoCanal Miriam Silva
Nossas Mulheres Negras – Dandara dos Palmares
https://www.youtube.com/watch?v=qywUptGeWJ0
Alexandra Freitas Ravelli – Canal Soul Vaidosa
Nossas Mulheres Negras – Assata Shakur
https://www.youtube.com/watch?v=N3zzzjsEOes


Nátaly Nerii – Canal Afros e Afins
Nossas Mulheres Negras Youtubers Negras Engajadas
https://www.youtube.com/watch?v=gN6E2mzGX_Q


Andy Brandão  – Canal Andressa Brandão – Cachos Divos
#NossasMulheresNegras – Alexandra Loras
[embed_video link=https://www.youtube.com/watch?v=vwyrN6cDkXE]


Camila Leite – Canal Camila Leite
Nossas Mulheres Negras – Lauryn Hill
https://www.youtube.com/watch…


Débora Ninja – Canal Débora Ninja
Nossas Mulheres Negras – Angela Davis
https://www.youtube.com/watch?v=KUfFNbb6oTs&feature=youtu.be


Marcilene Leao– Canal Blog da Marcy
Nossas Mulheres Negras – Enedina Alves Marques
https://www.youtube.com/watch?v=Qn5nnjK9q0A&feature=youtu.be


 

Blogueiras e Youtubers negras e o ativismo virtual

A contribuição que essas meninas estão dando em seus canais, páginas e blogs para a elevação da autoestima das mulheres negras é inestimável. São canais que valorizam a mulher negra em diferentes aspectos, que trazem um feminismo totalmente conectado com a realidade das mulheres negras ou seja, falam sobre temas que nós precisamos cada vez mais discutir e refletir.
E tudo isso disponível nas redes sociais é uma maravilha pra apresentar esse universo de temáticas para meninas negras. O trabalho feito pelas blogueiras e youtubers é maravilhoso porque elas acabam apresentando questões importantes para um público inicialmente interessado em moda, maquiagem, cabelo… e faz a ponte entre a geração que assumiu uma estética negra na base da lacração e do tombamento e a dimensão política e auto afirmativa da estética.

Estamos enegrecendo não só o feminismo, mas também o feminino, o belo, o culto… estamos ocupando todos os espaços!
Postado em 25 de fevereiro de 2016 por Lu Bento

No fina de janeiro iniciamos o projeto 100 meninas negras. Este projeto busca listar 100 livros infantis com meninas negras em posição de destaque. A listinha ainda está em 25 títulos publicados, mas já está fazendo sucesso nas redes. Sabe porque?  Por que representatividade importa! E é sobre isso que falaremos hoje!

Como todo mundo sabe, sou mãe de duas meninas negras. E antes disso, fui uma menina negra. Eu sei bem o que é olhar pra tv não obter o reconhecimento da minha imagem como algo positivo. Olhar pro material didático, encontrar vários personagens infantis e não encontrar nenhuma menina negra. Viver constantemente a sensação de não pertencer a um determinado espaço porque não me vejo representada nele.

E isso não é só c2015-07-24 19.05.18oisa da minha cabeça. Pergunte pra qualquer menina preta que você conhece se ela já se sentiu assim em algum momento na vida e a resposta será: “sim, em vários momentos!”. Se você é ou foi uma menina preta você sabe exatamente o que estou falando e quais sentimentos afloram quando retomamos essas questões.

Não é o tipo de sentimento que a gente gostaria que ninguém sentisse, muito menos nossas crias. Por isso, inspirada e desafiada pela fala recorrente de muitos educadores que afirmam que não há variedade de material editado e publicado com protagonismo negro, decidi listar 100 livros infantis com protagonistas negras.  A pesquisa começou pelo próprio acervo da InaLivros, se estendeu por editoras que tradicionalmente publicam material paradidático e estava em 80 títulos quando eu decidi começar a publicar. Ainda faltavam 20 para a meta e eu decidi pedir sugestões para os fãs da página no Facebook. Não só bati a meta, como hoje estou com 120 títulos com meninas negras!

E são só títulos que destacam meninas negras! Imagine se formos pensar também nos títulos que destacam os meninos negros (logo, logo faremos a lista dos meninos !), as lendas negro-africanas, a cultura negro-brasileira, a religiosidade de matriz africana… enfim, diversas outras formas de se trabalhar a implementação da lei 10639/03 nas escolas! Cem títulos é pouco perto da variedade de material que está disponível no Brasil sobre o tema.

Estou publicando a lista das 100 meninas negras no Tumblr, e quem quiser acompanhar, o endereço é esse aqui: 100 meninas negras.

Representatividade

O projeto foi muito bem recebido pelo público, que cada vez mais colabora com novas indicações de livros, e pela imprensa, que já me convidou para algumas entrevistas. É gratificante ver um trabalho que nasceu de uma demanda tão minha ganhar asas e se tornar tão relevante socialmente. É delicioso ver outras mães pretas chegando, contando suas histórias e perceber que estamos em rede para que a nova geração se sinta representada em todos as instâncias.

Um ponto que eu sempre toco nas entrevistas é a importância desse reconhecimento no objeto, no caso, no livro. As meninas adoram livros com personagens negras porque elas se veem ali. E quem não gosta se ver representado em alguma situação de destaque?  Diz pra mim se você não gostou de ver a Beyoncé arrasando no clipe de Formation e falando por exemplo que gosta do cabelo afro do seu bebê? Então, o mesmo sentimento as meninas negras sentem quando olham um livro infantil com uma protagonista negra fazendo coisas maravilhosas e não só sendo alvo de racismo.

É essa representatividade que um monte de gente vem construído em seus canais no youtube, suas páginas no facebook, suas atuações na vida prática com o empreendedorismo. E nós, porque esse projeto começou comigo, continua com a colaboração do meu marido e cada vez mais pessoas estão chegando pra somar, nós buscamos a representatividade na literatura e na educação.

O projeto 100 meninas negras ainda renderá muito frutos. Planejamos oficinas para aproximar esse material afirmativo a educadores e crianças.  Planejamos levar esses livros para centros culturais, escolas, parques e onde mais houver crianças negras. Mas também crianças não negras, porque elas também precisam muito aprender  a reconhecer e valorizar a população negra.

Agradeço muito a todo mundo que está chegando neste projeto, todos que estão compartilhando as postagens e ajudando a divulgar, todos os autores independentes que apresentam suas obras, todas as editoras que estão enviando novos títulos. Que essa corrente cresça ainda mais. Que a nossa voz continue ecoando por aí e tocando cada vez mais corações e principalmente consciências.

Entrevistas:

Jornal O Tempo – BH

Portal Aprendiz

Postado em 8 de janeiro de 2016 por Lu Bento

Finalmente vai rolar a segunda edição do nosso encontro! Já estou super animada!

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O Kalma Aswad é um evento gratuito e colaborativo. É só chegar com um lanche para ser compartilhado, uma canga pra sentar no chão e o coração aberto pra fazer amizades e viver bons momentos.

Acreditamos que crianças negras (e todas as crianças!) precisam crescer em ambientes que valorizem sua identidade em formação. Por isso, o Kalma Aswad quer ser uma oportunidade de encontro de crianças e famílias, para que a gente se veja no outro, se reconheça enquanto grupo social e saiba que somos muitas pessoas comprometidas com a criação uma geração de pessoas negras que têm orgulho e conhecimento sobre suas origens.

Kalma Aswad é uma expressão criada por nós unindo o termo kalma que em haussa significa palavra e o termo aswad que em árabe significa preto(a) formando a expressão palavra preta.   O nome escolhido para este evento ao ar livre  resgata uma perspectiva da tradição oral africana de transmitir ensinamentos e conhecimentos através de histórias, uma construção interativa do conhecimento e uma valorização da nossa ancestralidade.

Atrações da segunda edição do Kalma Aswad no parque

Assim como na primeira edição, contaremos com a participação de contadores de histórias, e autores de livros infantis contando suas próprias obras, possibilitando uma interação entre autor e público. Brincadeiras e oficinas de brinquedos para divertir e ajudar na integração entre as pessoas também está na nossa programação.

Confere quem está lá com a gente:

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Tia  Lucia volta nessa edição coordenando as brincadeiras para as famílias. Vamos pular corda, brincar de roda e aprender algumas brincadeiras africanas que não vão deixar ninguém parado!  Tia Lucia animou tanto a galera que até minha avó, de 80 anos, ficou com vontade de pular corda! Acho que nessa edição minha vózinha vai fazer arte…

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Na primeira edição, a Pamela Cristina arrasou na contação de histórias e nesta edição ela volta com o seu projeto O desdobrar das histórias para fazer oficina de brinquedo com a galera e nos encantar com belas histórias. Nessa parceria que se fortalece ainda mais, O desdobrar das histórias chega como um grande parceiro na produção desta edição do Kalma Aswad.  <3

cartaz-atrações4Direto de São Paulo, temos o prazer de receber Mariana Per, uma multiartista que estará conosco contando histórias que primam pelo protagonismo negro. Aqui em casa ela é conhecida como Tia Mari e já virou nome de boneca e tudo. Já tá pra ter uma noção do quando ela é querida né?

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Nossa autora convidada dessa edição é a Janine Rodrigues, do projeto Piraporiando. Gente, que trabalho lindo! E o principal pra gente que organiza o evento é que as crianças terão mais uma vez a oportunidade de estar pertinho da autora do livro, perguntar o que quiserem, interagir com quem cria as histórias.


Bom gente, essa é a programação da segunda edição do Kalma Aswad no parque. Será um dia lindo e conto com a presença de vocês.  Em breve, faremos uma edição em São Paulo! Tudo está sendo preparado com muito amor e carinho!

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O blog A mãe preta e a livraria InaLivros, com o apoio do projeto O desdobrar das histórias, organizam esse encontro e convidam todos vocês que nos acompanham pra essa tarde de fortalecimentos dos nossos laços, de nossa identidade e de nossa comunidade.

Veja mais em Empoderamento


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