Postado em 18 de abril de 2016 por Lu Bento
Hoje é o Dia Nacional do Livro Infantil e nada mais oportuno do que falarmos sobre leitura para os nosso pequenos. A data de hoje foi escolhida em homenagem a Monteiro Lobato, um das maiores personalidades racistas do Brasil, que é considerado o grande patrono da literatura infantil apesar das inúmeras manifestações racistas em suas obras. Mas não quero passar uma data tão significativa para o estímulo da leitura na infância falando desse ser, tão vamos falar de coisa boa, vamos falar de literatura para nossas crianças pretas!
O banco Itaú tem uma campanha maravilhosa de incentivo à leitura, o “Leia para uma criança” na qual eles anualmente distribuem livros e fazem outras ações de incentivo à leitura. A partir desse projeto comecei a refletir sobre a importância de lermos para uma criança negra.  E é sobre isso que quero falar com vocês hoje.
Resolvi fazer uma lista com 10 motivos para lermos para uma criança negra. Espero que você, ao ler esse motivos, se anime a ler mais para suas crianças negras e pra outras crianças negras.

1-Ler para uma criança preta fortalece os laços afetivos e nos aproxima da criança

Ler para alguém gera cumplicidade. A sua entonação, o sentimento que você imprime na voz, na postura, nos silêncios durante a leitura são pessoais. Uma pessoa nunca lê igual a outra.  Ter a oportunidade de dividir isso com crianças é muito especial. Ter a oportunidade de compartilhar as sua impressões de uma leitura com uma criança é maravilhoso. O momento em que lemos para um criança é um momento de trocas de afetos, é um momento de aproximação e intimidade.Leia para uma criança negra 5
Em uma rotina exaustiva, na qual mal temos tempo de ver e falar com as pessoas que moram na mesma casa, e quando temos estamos sempre cercados de aparelhos eletrônicos, ler um livro para uma criança durante alguns minutos é muito importante. É um momento em que nos dedicamos integralmente à ler e a estar junto dessas crianças e isso fortalece os laços afetivos.

Leia para uma criança negra e fortaleças seus laços afetivos.

 

2- Um adulto que lê para uma criança é um espelho

Quando lemos para uma criança negra, além de receber o conteúdo a leitura estará absorvendo  também sua própria paixão pelo ato de ler. Uma criança que vê adultos negros lendo, se inspira e percebe que aquilo também faz parte do universo dela. Somos espelhos para os nossos pequenos. Da mesma forma que uma criança não vai se sentir interessada em comer verduras e legumes se nos adultos a sua não comem, ela não se interessará pela leitura se os adultos a sua volta não lLeia para uma criança negraeem.
Por isso, é fundamental que os adultos se tornem leitores.  Se lemos com prazer, nossas crianças absorvem esse prazer pela leitura e passam a querer reproduzi-lo.

Leia para uma criança com prazer, sem que isso se torne uma tarefa chata e burocrática.

3-  Ler bem  melhora a escrita, a fala e a articulação de ideias.

Quanto mais a gente lê, melhor a gente escreve, melhor a gente fala, melhor a gente exterioriza as nossas ideias. Essas são qualidades importantíssimas em nossa vida adulta. Quantos problemas são evitados quando conseguimos nos expressar com clareza, de forma que facilite a compreensão? Então, leia para uma criança negras a a ajude a falar, escrever e se expressar melhor.
Em um sistema educacional que já desvaloriza nossos saberes e se constitui sob uma lógica que exclui pessoas negras, ler para uma criança negra desde pequeno é fundamental para que essa criança tenha ferramentas para acompanhar o processo de aprendizagem formal.

  Leia para uma criança negra e ajude-a melhorar as suas habilidades.

4- Ler é empoderador

Quanto melhor uma criança negra ler, menos manipulada ela será! E isso já é um motivo e tanto para que nossas crianças leiam bem. Precisamos saber mais que juntar sílabas e formas palavras. Precisamo ler as entrelinhas, o contexto, os silêncios. Essa habilidade só se adquire com a prática. Quanto mais ela ler, mais  ela saberá perceber e combater o racismo, mais ferramentas ela terá para se posicionar no mundo. Ler é empoderador.

Leia para uma criança negra e a ajude a se empoderar.

5- Ler é um dos principais refúgios para os oprimidos

Qualquer pessoa em situação de opressão ou de limitação de suas liberdades individuais pode encontrar na literatura um refúgio e uma possibilidade de viver outras realidades que ela não pode naquele momento. A leitura é o nosso passaporte para viver um sonho.  Pessoas em situação de privação de liberdade que leem, pessoas adoentadas que leem, por exemplo, são pessoas que conseguem vivenciar sensações positivas a partir da história dos livros, e mais ainda, conseguem projetar novas possibilidades de futuro. A leitura nos permite abstrair as dificuldades do momento e imaginar novas formas de perceber e reagir  à nossa realidade.
Por que eu falo isso? Eu falo tudo tudo isso porque o racismo é algo que nos oprime, é algo que tenta a todo instante nos limitar, nos restringir a um determinado espaço de subalternidade na sociedade.
Levando esse pensamento para o universo infantil, percebemos que muitos dos grandes autores foram crianças que sofreram preconceito na infância, e que liam muito e a partir daí, desenvolvem ainda mais sua própria criatividade.  A leitura ocupa um espaço que nem sempre conseguimos suprir na vida real e nos aguça a criatividade e a busca por novas possibilidades de reagir à problemas reais.
Daí a importância de lermos para crianças negras. Se a gente estimula o hábito da leitura desde cedo, nossas crianças já dominarão essa ferramenta, e desde cedo poderão buscar suporte na leitura para resistir a situações de preconceito e, se nos preocuparmos especialmente com o conteúdo da leitura, ela lhes dará suporte para combater o preconceito.

Leia para uma criança negra e deixa que o livro se torne o seu companheiro.

 

6- Ler estimula o senso crítico e desconstrói estereótipos

A leitura estabelece paralelos com a realidade, mesmo nas obras mais fantasiosas. É importante fornecer a nossas crianças acesso a esse repertório para que elas desenvolvam o senso crítico. Quando mais a criança lê, mais ela pode fazer conexões de ideias e formar suas próprias opiniões. E uma criança negra que pensa por si, é uma criança negra que não se prende a estereótipos. É uma criança negra que sabe que  ideias preconceituosas não tem fundamento, que elas não estão fadadas a fazer  aquilo que a sociedade espera que pessoas negras façam.

 Leia para uma criança negra para que ela desenvolva o senso crítico.

7- Ler ajuda a aumentar o foco e concentraçãleia para uma criança negrao

Leitura é uma atividade que precisa de atenção. E saber concentrar a nossa atenção é um recurso fundamental.  Nosso acesso as oportunidades são reduzidos. Precisamos ainda mais de foco e concentração para que o racismo nos impeça de atingir melhores condições de vida. E ler é uma forma de desenvolver essa habilidade. 

Leia para uma criança negra e a ajude a manter o foco e a concentração.

8- Ler é um entretenimento de qualidade e baixo custo

As pessoas em geral costumam achar o livro bem melhor que o filme. Porque no livro, nossa imaginação não é limitada pela visão do diretor do filme, pelos limites da tecnologia ou do orçamento. Nossa imaginação é livre. A diversão que um livro pode proporcionar  é muito mais intensa que um filme.
Sem entrar na discussão do preço do livro no Brasil (já viram o preço do cinema?), ler é um entretenimento de baixo custo. Se não dá pra comprar o livro, existe uma ampla rede de bibliotecas super equipadas que podem oferecer o livro.
Visitar livrarias e bibliotecas pode ser um programa maravilhoso para um fim de semana. Além de vários livros que podemos ler livremente, esses espaços geralmente oferecem atividades relacionadas à leitura, como contação de histórias, leituras mediadas e brincadeiras que podem nos auxiliar bastante na transformação da leitura em um hábito.

 Leia para uma criança negra e se divirta gastando pouco.

9- A leitura é uma forma de acessarmos a nossa história

leia para uma criança negra 9Nossos heróis não estão na tv, não estão nas escolas mas estão na literatura! São muitos livros que falam de Zumbi, de Dandara, da resistência negra à escravidão, das riquezas da cultura africana. Muito  já foi escrito sobre a nossa negritude,  sobre nossos ancestrais,  sobre nossas raízes. Nossas crianças precisam conhecer a nossa verdadeira história e não essa história dos livros didáticos e da grande mídia que não nos representa. Nos livros encontramos tudo isso!  Ler para uma criança negra é apresentar a ela esse mundo.

 Leia para uma criança negra e mostre a nossa história.

10- É apresentar a eles a possibilidade para criarem suas próprias histórias

Quanto mais nossas crianças negra lerem, mas elas se sentirão confortáveis em criam suas próprias histórias.

No facebook da Era uma vez o mundo, é possível ver minha curica Isha Bentia e o pequeno Mathias contando suas próprias histórias. Clique e se divirta com eles!
Postado em 29 de fevereiro de 2016 por Lu Bento

Gente, a internet é um mundo! Esse mês descobri umas coisas bem legais por aí, e claro, vou compartilhar com vocês! Bora começar mais um dicas da mãe preta?

dicas-da-mae-preta4

 

YOUTUBE -DePretas

DepretasO canal da Gabi Oliveira é uma lindeza só! Cara, estou viciadinha nele! Ela tem uma fala direta e divertida, que consegue tratar de assuntos sérios de uma forma leve, que não assusta quem não está tão conectado com a militância na questão racial. Além disso, vídeos sobre moda, cabelo, maquiagem, estilo… canal diversificado e muito divertido. A Gabi é uma graça. Apesar dela ainda não ser mãe, ela tem uns vídeos muito bons sobre maternidade, e um deles sobre não querer ter filhos, principalmente sobre filhos meninos tem me rendido muitas reflexões que em breve espero partilhar com vocês.

Onde: DePretas


Tumbrl – 100 meninas negras

100 meninas negrasAh, lá vai você falar sobre isso de novo!? Sim, vou falar porque eu estou amando o projeto, estou amando fazer essa listinha  e estou amando a repercussão que o projeto tá alcançando. Com tanto amor assim não tem como parar de falar sobre isso, não é mesmo?  Então, quem não conhece ainda, venha ver 100 livros infantis com meninas negras, é uma coletânea de indicações de livros e estou fazendo uma listinha linda e bem criteriosa. Estou lendo todos os livros pra não ficar dando dicas bobas pra vocês! <3

Onde: 100 meninas negras


Podcast – LiterárioCast

literário castO episódio 93 do LiterárioCast sobre representatividade na literatura é muito bom. O podcast todo é ótimo, eu acompanho sempre e adoro, mas esse episódio foi ainda mais legal por falar de um tema que tem muito a ver com o que a gente fala por aqui.  Eles não aprofundam na questão racial, mas falam de outros tipos de representatividade que também é importante que a gente reflita sobre.  E já que vocês vão ouvir esse episódio, indico também o episódio 92 sobre o incentivo da leitura e o episódio 88 sobre a classe social da literatura.

Onde: LiterárioCast


Site – Blogueira Negras

blogueiras negrasGente, esse já é um clássico né? Mas pra quem ainda não acompanha, corre pro site do Blogueiras Negras porque lá só tem texto bom. Tudo que a gente pensa, escrito por várias mulheres negras, cada uma na sua militância falando de política, feminismo, sexualidade, beleza, moda… o paraíso virtual das mulheres negras!

Um dos pontos mais bacanas é que o blogueiras negras dá espaço para as mulheres negras, o site valoriza a pluralidade de vozes e assuntos.

Onde: Blogueiras Negras


Netflix- The Gabby Douglas Story

Eu que não sou muito fã de filmes, aproveitei o restinho das minhas férias pra ver esse filme. Ele conta a história da ginasta americana Gabby Douglas, mostrando a vida da menina até ela se tornar o fenômeno da ginástica mundial que ela se tornou hoje. É a quela velha fórmula de filmes de superação, mas é uma menina preta né, só isso a gente se identifica e se inspira pra caramba! Eu assisti pela Netflix.

Onde: Netflix


Galera, essas foram as dicas d’A mãe preta de fevereiro.  Tem muita vida na internet além do facebook, então bora diversificar a nossa vida online!

Beijos!

Postado em 31 de janeiro de 2016 por Lu Bento
A internet é um mundo e nas minhas navegâncias às vezes encontro coisas bem interessantes. Hoje eu trago pra vocês dicas de sites, canais do youtube, podcasts e blogs com  temas que tem tudo a ver com o nosso blog! Alguns conhecidos, outros não tão famosos mas que vale muito a pena conhecer.
Tem horas que você fica perdido na internet? Então corre pra conhecer esse pessoal!

BLOG – Preta Materna

preta maternaPra quem busca uma discussão aprofundada sobre racismo e maternidade, o blog Preta Materna é perfeito. Com textos completos e certeiros, Guaraciara Gonçalves toca em questões delicadas e vem fazendo barulho na blogsfera materna, tirando muita gente da zona de conforto.  Eu adoro! Espero que ela volte a publicar logo, mas só as preciosidades que estão armazenadas lá já valem muito a pena!

Onde: Preta Materna

Blog – Para Beatriz

para beatrizMaternidade feminista você encontra aqui. Se você é daquelas que busca reflexões sobre o lugar da mulher na sociedade, tem inquietações sobre como a maternidade é percebida e tratada pela as outras pessoas, sobre como respeitar na prática as decisões pessoais de nossas crias, então você precisa conhecer o blog Para Beatriz. A Isa Kanupp arrasa nos textos, e é uma das minha referências em termos de blog sobre maternidade. Ela também tem excelentes postagens sobre desenhos e literatura com protagonismo negro.

Onde: Para Beatriz


 

 

FACEBOOK – Mães pela diversidade

“TIRE SEU PRECONCEITO DO CAMINHO, QUEREMOS PASSAR COM NOSSO AMOR !” Mães pela Diversidade
mães pela diversidadeÉ com esse lema que a página Mães pela diversidade enche o facebook de respeito ao outro. É uma página que fala muito sobre orientação sexual, identidade de gênero,  racismo, capacitismo, enfim, questões que costumam dividir e afastar as pessoas e principalmente sobre a necessidade de se respeitar e acolher a todos. Gosto muito dessa página, o conteúdo é fantástico e vire mexe eu compartilho na nossa página do facebook coisas que eu vi no Mães pela Diversidade. Recomendo que quem quer criar filhos sem preconceitos visite e acompanhe esse página!
Onde: Mães pela Diversidade

PODCAST – 30:min

Ano passado eu descobri o mundo dos podcasts e estou apaixonada, principalmente pelos literários. O 30:min é o podcast do site Homos Literatus e  é um dos meus favoritos. Vale muito a pena conhecer, eles fazem análises muito interessantes sobre obras literárias, inclusive fizeram uma discussão sobre literatura africana no episódio #107 que eu recomendo que vocês ouçam. Já adianto que eles falaram bastante sobre a Chimamanda, minha musa literária! E a Ceci, com seu posicionamento feminista,  manda muito bem nas análises e indicações de livros.
Onde: http://homoliteratus.com/category/menu/podcast-menu/30min/

SITE – Leitor Cabuloso

leitor cabulosoOutro site sobre literatura que eu curto muito é o Leitor Cabuloso.  É o meu favorito! Sabe um site que você entra um pouquinho e depois se perde no tempo lendo as colunas, as resenhas, ouvindo os podcasts… então, é nesse site que me perco! Eu ADORO o conteúdo do Leitor Cabuloso e pra não ficar falando dele eternamente, queria destacar os podcasts que são muito bons, a coluna Mulheres de Papel, que fala sobre a presença das mulheres na literatura, e a as notícias do mundo literário sempre atualizadas. Ainda tem o canal do site no youtube, as páginas nas redes sociais (no facebook tem uns gifs maravilhosos!).  Enfim, é muito conteúdo bom!
Onde: Leitor Cabuloso

SITE- Memória da Escravidão, Abolição e Pós-Abolição

memoria e escravidãoEste é o site do projeto Memória da Escravidão, Abolição e Pós-Abolição, vinculado a casa Rui Barbosa, que busca contribuir para uma maior divulgação dos temas sobre e em torno da escravidão, abolição e pós-abolição.  O site disponibiliza uma série de documentos digitalizados do acervo da Casa Rui Barbosa  sobre o tema e links para vários outros estudos relacionados disponíveis na internet. Além disso, o site tem uma parte de jogos com atividades que ajudam pra caramba como atividade complementar nas escolas. Eu já fiquei um bom tempo aqui curtindo os jogos!
Onde: http://www.memoriaescravidao.rb.gov.br/quiz.php

YOUTUBE – Preta Pariu

Um canalpreta pariu sobre maternidade, moda e estilo de vida. Tá pensando o que? Mães pretas também são estilosas! Aqui não tem só maternidade esculhambada não! A Sá posta vídeos toda semana, sempre com um tema relacionado à maternidade, negritude, maquiagem, cabelo… é muito bom!

Onde: Preta Pariu


 

YOUTUBE – PHCortes

PhcortesGente, que menino é esse??? Ele despontou no youtube com a série “Meus heróis negros brasileiros”, e seu vídeo sobre Machado de Assis já teve mais de de 15mil visualizações! E com mérito, o menino é muito bom e a série é perfeita pra apresentar aos nossos jovens (e aos nem tão jovens) grandes personalidades negras que podem  e devem servir de referência para todos nós.
Os vídeos do PH são sucesso aqui em casa! As meninas adoram, Isha Bentia ficou animadíssima ao ver pessoalmente o PH! O episódio favorito dela é o sobre João Cândido .
Onde: PHCortes

Bom, essas foram as dicas de janeiro. Tem muita coisa boa sendo produzida pro aí. Se vocês também tem dicas pra compartilhar com outras mães pretas, deixe um comentário aqui e vamos ampliar essa rede!

Postado em 21 de outubro de 2015 por Lu Bento

podcast

Hoje é o dia do podcast e eu, como uma nova fã desta mídia, quero fazer a minha parte. Sabe o que é podcast? Não? Então vem comigo que eu te explico!

Postado em 8 de abril de 2015 por Lu Bento

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Somos um casal de leitores. Amamos livros e esse amor vêm desde antes de nos conhecermos, então quando nos casamos posso dizer que  coisa ficou crônica. Antes das meninas, nossos livros tinham um lugar de destaque na casa, são (eram né, a coleção já cresceu!) três estantes dessas de ferro completas e mais alguns livros espalhados pela casa. Sempre carregamos aquele livro na bolsa pra uma leitura no meio do caminho, sempre  temos um livro ao lado da cama pra ler antes de dormir.

Postado em 26 de março de 2015 por Lu Bento

Olá pessoal!

Hoje vamos falar no LêproErê de um livro lindo, presente do projeto Leia para uma criança e que faz parte da Coleção Itaú de livros infantis. Bora conhecer?

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Livro Infantil

 

LêproErê - poesia-na-varanda

Livro: Poesia na Varanda

Autora: Sônia Junqueira

Ilustração: Flavio Fargas

Editora: Autêntica

Esse é um daqueles livros da coleção de livros infantis que o Itaú distribui anualmente através de um cadastro no site (a inscrição não está aberta, no site consta como coleção esgotada). Confesso que eu nem tinha dado muita importância a ele, mas quando vi o marido lendo com a filha e a menina repetindo as frases da poesia juntinho com ele percebi que aí tinha algo muito bom.

Não sou tão ligada em poesia, então quando o livro chegou aqui em casa foi direito pra estante, nem me dediquei a folheá-lo direito. O marido, mas atento pra essas coisas, e o principal responsável pelas leituras de antes de dormir, pegou o livro e começou a lê-lo pra Isha Bentia.

Foi uma grata surpresa ver a menina curtindo tanto assim um livro de poesia e a cada trechinho que o pai lia, ela via as ilustrações e falava do gato, da menina, da chuva, do amigo da menina…enfim, ela ia construindo sua própria narrativa, sua própria visão do livro. Foi muito lindo e surpreendente ver minha menina imergindo no mundo da poesia. De quebra, abri um pouco mais a minha própria mente, ou melhor, o meu coração para a poesia. 

Eu sempre lembro a idade de Isha Bentia, 2a e 7m, pra vocês terem uma noção da faixa etária pra qual eu indico o livro ou relato a experiência  vivenciada com ele. Poesia e criança pequena combina superbem!

Pra fechar com a magia da poesia, só mesmo uma estrofe de Poesia na Varanda:

“Me arrebatou a poesia

Abrigada entre as páginas

Do livro que alguém lia

E deixou por ali:

Mundo entrando pelos olhos

Enriqueceu minha vida”

Lindo né?


Bom, foi isso.  Se vocês ficaram interessados em conhecer mais o projeto Leia para uma criança, visite o site. Lá é possível se inscrever e receber em casa um livro infantil, além conhecer outras iniciativas de incentivo à leitura. Até o próximo!

Postado em 4 de março de 2015 por Lu Bento

Olá pessoal! Hoje, uma edição especial do LêproErê pra falar sobre um livro que li esse mês para um clube do livro que eu faço parte. O projeto do clube do livro é uma iniciativa dos blogs Da Literatura e Baú de Histórias e está muito legal.

bannerclubedolivro

A cada mês lemos um livro diferente, decidido por sorteios e de acordo com gênero definido para o mês. Pra saber mais, clica aqui.

Bom, dito tudo isso, estou usando o espaço do LêproErê pra escrever a tal resenha que faz parte das atividades do clube. Melhor, não é propriamente uma resenha. Assim como eu fiz sobre os outros livros no LêproErê, vou escrever sobre minhas impressões e experiências a partir da leitura do livro.  Portanto, ESTE TEXTO CONTÉM SPOILERS!!

Vamos lá!

Livro

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Livro:  Jogador número 1

Autor: Ernest Cline

Editora: Leya

Em tempos de odes à deusa interior, ler O jogador número 1 foi como alimentar a minha nerd interior. E a coitadinha, que estava definhando, se encheu de esperança nessa história distópica cheia de referências a filmes, músicas e videogames dos anos 80. Não que a minha nerd interior seja uma aficionada pelos anos 80. Na realidade, não conhecia quase nada do que foi citado. Mas gostei muito de pesquisar sobre as referências citadas e aumentar o meu repertório. Bateu aquela vontade de compra um Almanaque dos anos 80! 🙂

Demorei mais de 15 dias só nos primeiros capítulos do livro. A leitura estava arrastada, a trama não me prendia e eu tinha uma enorme resistência ao livro. Depois de iniciar outra leitura paralela, consegui me livrar da resistência que eu tinha e focar na leitura.

Depois que a leitura pegou ritmo, fiquei bem empolgada e não conseguia parar de ler. Mexeu bem comigo a sociedade que o livro apresenta, onde a pobreza impera, há escassez de recursos naturais, enfim, uma situação que é muito verossímil e é bem possível que o mundo chegue assim em 2045, quando se passa a história. O personagem principal, Wade, é um adolescente sem família, filho de pais adolescente que não o desejaram e não tinham condições (financeiras, psíquicas, sociais… ) de lhe criar. Morreram cedo, ele ficava com uma tia que tb não dava a mínima pra ele. Enfim, isso que eu estou destacando aqui não é nem tão importante na história do livro, mas é algo que nos faz pensar sobre os rumos que nossa sociedade está tomando.

A história se passa praticamente toda em um mundo virtual, OASSIS, no qual os personagens ficam conectados o tempo todo fugindo da dura realidade. O tal criador do OASSIS morre e resolve fazer uma competição deixando toda a sua fortuna pra quem encontrasse o easter egg que ele escondeu no sistema. Todos os nerds passam a se dedicar a isso. Uma grande coorporação, com o objetivo de tornar o OASSIS pago, forma um exército dedicado a desvendar o enigma, encontrar o easter egg e se tornar a nova dona do OASSIS. O Wade, como o avatar Parzival, é o primeiro caça-ovos a encontrar a primeira da chaves e aí ccomeça a confusão.

A história em si é meio previsível, o menino pobre, super inteligente, junto com outros jovens como ele, tentam desvendar o enigma e encontrar o easter egg antes dos vilões. E obviamente depois de muitos jogos de videogame depois, conseguem né.

Mais o que mais me interessou foi que entre os nerds havia uma menina, Art3mis, e ela era muito boa. Provavelmente a melhor. Achei que o autor deu uma boa moral para as meninas, que ainda não tão discriminadas nesse meio. Além disso, o livro me surpreendeu enormemente ao revelar que o avatar que era o melhor amigo do Parzival/Wade, o Aech (um homem branco e rico no mundo virtual) era controlado por uma mulher, negra e lésbica! Então, além de colocar 2 mulheres entre os melhores nerds do mundo, o autor ainda um tom bem politizado ao livro ao pincelar essa situação racial. A mulher negra aprendeu com a mãe que sempre que ela pudesse se apresentar como homem e como branco na sociedade, que ela o fizesse para que não sofresse preconceito.

Lógico que isso me impactou, porque eu sou mãe, estou criando minhas filhas para serem adultas ou até mesmo mães em 2045 e me assusta pensar que possivelmente não evoluiremos quase nada quando ao preconceito racial.

Enfim, voltando ao livro, ler Jogador nº1 despertou a nerd que existe dentro de mim e prometo cuidar melhor dela de agora em diante. Foi uma leitura gostosa, cumpriu o propósito de divertir. Ah, a discussão no grupo também foi muito boa.

Amanhã tem LêproErê de novo! 🙂

Postado em 29 de janeiro de 2015 por Lu Bento

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Quem não gosta de contos de fadas, não é mesmo? Nossas crianças ficam loucas com essas histórias mágicas, com princesas e príncipes tão distantes da nossa realidade. No LêproErê de hoje eu trago pra vocês uma releitura de um clássico da literatura infantil, o favorito (do momento) de Isha Bentia.

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Livro: Uma história mais ou menos parecida
Autora: Marcia Paschoallin
Ilustrações: Julina Fiorese

No LêproErê de hoje vamos falar de um livro infantil super fofo que eu conheci pelo facebook quando a autora  buscava financiamento no Catarse pra ser produzido. Eu contribuí e recebi em casa o livro. Foi minha primeira contribuição nesses sites de financiamento coletivo e fiquei super satisfeita.

É uma releitura da história da Branca de Neve e tem uma pegada bem moderna. Pra vocês terem uma ideia, o rei conhece a nova rainha através de um site de relacionamentos! Excelente pra prender a atenção das crianças de hoje né? Eu gostei bastante da leitura, mas ainda não é indicada pras minhas meninas (elas têm menos de 3 anos). Sem dúvida é uma leitura pra crianças maiores, que já entendem bem todas as nuances do livro e podem fazer os devidos paralelos com a história da Branca de Neve.

A fã page do livro no facebook  pode ser vista clicando aqui.

Até o próximo LêproErê!!!

Postado em 23 de janeiro de 2015 por Lu Bento

LêproErê é um espaço do nosso blog pra falarmos sobre livros. Não só sobre livros infantis, mas também livros paradidáticos, quadrinhos, livros sobre criação de filhos, livros sobre educação e literatura em geral. A ideia do espaço é comentar e divulgar obras que de alguma forma contribuam para o empoderamento das mães pretas,  de suas filhas e  seus filhos.

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A princípio farei comentários sobre livros que eu li e livros que eu li com as minhas filhas. Se você tiver lido algum livro que seja uma boa indicação para as mães pretas deste espaço mande sua contribuição, com o título LêproErê para o nosso e-mail: contato@amaepreta.com.br

Pra começar bem, vamos falar logo de 3 livros. Um infantil, um infantojuvenil e um para adultos.

Infantil

Omo-Oba
Livro: Omo-Oba – Histórias de Princesas
Autora: Kiusam de Oliveira
Ilustrações: Josias Marinho

 

“As histórias desse livro mostram como princesas se tornaram, mais tarde, rainhas.” Assim Kiusam de Oliveira começa a apresentação do seu livro. Já deu vontade de ler né? Ainda mais eu que sou mãe de duas meninas e me preocupo muito em apresentar elementos que elevem a autoestima delas e as ajude a lidar com o preconceito a que estamos sujeitas. Nesse livro, a autora conta alguns contos de orixás de uma forma bem lúdica e simples, perfeito pra crianças terem um primeiro contato com essas histórias. A linguagem é simples e bem delicada, sempre elogiando as figuras femininas. Eu achei lindo!

Isha Bentia adora pegar o livro e ficar apontando as princesas e dizendo quem é quem “essa é a Mini Bentia, essa é a mamãe, essa é a vovó, essa sou eu…” Só de poder pegar um livro e ter essa identificação já me apaixonei.

Como a própria Kiusam fala, ela reforça características que julga serem capazes de empoderar meninas de todos os tempos.

E pra completar,  a galera do LivroClip fez um clip fofíssimo com uma dessas histórias. Confere aí:

Livro infanto-juvenil

LêproErê - Aya1LêproErê - Aya2

Livro: Aya de Youpongon
Autor: Marguerite Abouet
Ilustrador: Clément Oubrerie

Para os adolescentes – e os adultos também – a dica de hoje é uma série de histórias em quadrinhos chamada no Brasil de Aya de Youpongon. Aya é uma adolescente da Costa do Marfim que, junto com suas amigas Bintou e Adjoua, vive os mesmos dilemas de tantas outras jovens de sua geração: garotos, gravidez na adolescência, festas e dúvidas sobre o futuro. Eu adoro quadrinhos e quando vi as histórias de Aya me apaixonei. Minha afilhada adolescente também gostou. A série conta com 5 volumes, mas infelizmente só foram lançadas no Brasil as duas primeiras partes da história. Tomara que os outros volumes sejam publicados no Brasil!

Confere aqui o vídeo da LPM Editores promovendo o livro:

Livro Adulto

Americanah

Livro: Americanah

Autora: Chimamanda Ngozi Adichie

Editora: Companhia das Letras

Gente, que livro é esse???? Não sei como eu ainda não tinha lido a Chimamanda! Ela é ótima! Americanah é um livro dinâmico e envolvente, conta a a história de Ifemelu e Obinze, um casal de nigerianos que se afasta quando Ifemelu vai pros Estados Unidos estudar. O livro, ora na visão de Ifemelu, ora na de Obinze conta um pouco sobre como é a vida dos imigrantes africanos fora do seu país de origem.

É um banho de autoestima e empoderamento feminino. Ifemelu é minha diva, e foi o estopim para que eu tomasse coragem e começasse o blog. Mal acabei de ler Americanah já percebi que eu precisava ler tudo que a Chimamanda tivesse escrito. Já estou com 2 livros dela na fila e em breve eles estarão por aqui também.  Leitura super recomendada!

Pra completar, existe um clube do livro no facebook para discussão de literatura negra. O livro debatido esse mês é Americanah. Já leu o livro e quer participar? Se inscreve aqui!

Começamos com 3 excelentes livros que eu adoro!

Até o próximo!

Postado em 19 de dezembro de 2014 por Lu Bento

balé mãe e filha

Ontem eu vi uma reportagem do Geledés intitulada Ballet e Racismo, que pode ser vista aqui. Ela fala sobre uma bailarina clássica negra estudante da Academia Bolshoi, um dos maiores grupos de balé do mundo, que em uma entrevista no final do ano passado denunciou ter sofrido racismo, inclusive já ouviu de professores que “deveria tentar clarear a sua pele para que fosse mais adequada às apresentações”.

Imediatamente lembrei do vídeo daquela menininha negra super fofa dançando livremente sem se preocupar em seguir a coreografia que circulou há alguns meses nas redes sociais e fez o maior sucesso. Você pode ver ou rever o vídeo aqui.

O que esses duas histórias tem em comum? A sensação que elas passam de que pessoas negras e balé não combinam. Mas essa sensação não vem porque a menininha dança mal ou porque a Precious (menina da reportagem do Geledés) tem sido sistematicamente preterida nas apresentações no Bolshoi. Pelo contrário, ambas dançam muito bem e  demonstram amor à dança. Mas o sistema racista as impedem de se sentirem incluídas.

Assim como a Precious nunca é “adequada” para participar das apresentações de balé do Bolshoi por não ter perfil para a personagem, a menininha negra dança com as pernas brancas enquanto as meninas brancas estão com meias cor-de-pele simplesmente porque ninguém se deu ao trabalho de adaptar o figurino para que a menina negra também ficasse com as pernas cor-de-pele.

Não é de hoje que o balé é a primeira forma de contato das meninas com a dança. Tenho procurado uma nova escolinha pras meninas e tenho notado que quase todos (dentre as que eu vi no meu bairro, todos!) os estabelecimentos voltados pra educação infantil escolhem o balé como atividade extraclasse para as meninas e o judô para os meninos. Além disso,  escolas foram claras em dizer que as meninas poderiam fazer judô também se quisessem, mas nenhuma já deixou aberta a possibilidade dos meninos fazerem balé.

Para além dessa clara distinção de gêneros que determina quais atividades cabem às meninas e quais são quase que interditadas aos meninos, hoje eu quero falar sobre como o balé tem se tornado sinônimo de dança para as meninas na primeira infância.

Como o balé é estimulado na primeira infância

 

bailarina negraSapatilhas para decorar o quartinho, inúmeras roupas com tutus, bailarinas para tema de festa, o balé sendo oferecido como atividade extraclasse em todos os lugares, todo mundo perguntando se a menina já sabe dançar balé. Assim vão crescendo nossas meninas, tendo o balé  como o primeiro contato com a dança. Me pergunto: porque o balé? Que o balé é uma dança linda, todos nós sabemos. Mas ao mesmo tempo que é lindo, é tão distante culturalmente do brasileiro, que não se justifica essa predominância do balé sobre os outros estilos de dança.

As meninas crescem alimentando um sonho de ser bailarina clássica e pouquíssimas levam esse plano adiante. Em geral, por não terem o “perfil” para ser bailarina clássica. Que sentido tem criarmos desde cedo uma expectativa que não condiz com a nossa realidade? E melhor, porque não valorizarmos o nosso perfil de bailarina clássica, valorizando o biotipo da mulher brasileira?

As escolas justificam a inclusão do balé como uma atividade que promove a socialização, ajuda a desenvolver o equilíbrio, a coordenação motora e a concentração. Certo. Mas qualquer dança também faz isso né? Então porque só o balé?

Os PCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais –  para a educação infantil falam na importância da dança para o desenvolvimento da criança, mas em momento algum determinam que balé é o estilo de dança mais adequado aos pequenos. Não que eu seja totalmente contra o ensino do balé nas escolas, repito. Mas existem tantas outras danças, eu realmente não consigo entender porque o balé se tornou exclusividade nas escolas.

Pensando em alternativas

Sei que em determinadas regiões do país, como em algumas cidades do sul ou do norte, as escolas costumam ensinar danças típicas como o fandango ensinado em algumas escolas do Paraná ou o carimbó ensinado em Belém. Infelizmente nem todas as escolas procuram ensinar danças típicas, e muito dessa cultura já se perdeu. Ainda assim, muita da nossa brasilidade ainda pode ser ensinada na educação infantil atendendo plenamente os requisitos de estimular a socialização, desenvolver a coordenação motora, concentração, equilíbrio, espírito de equipe etc.

Por que não diversificar mais os estilos de dança ensinados nas escolas? Por que não aproveitar a aula de dança pra apresentar um pouco da cultura africana ou afro-brasileira? Por que não dança afro, jongo, maracatu, umbigada nas escolas? Eu, como mãe preta, me sinto frustrada em saber que minhas filhas terão acesso a uma dança tão distante da nossa realidade e das nossas origens antes mesmo de conhecer danças que tenham maior ligação com a nossa cultura. E mais ainda em saber que eu vou precisar procurar muito pra achar um lugar que ensine dança afro-brasileira para elas, que não é encontrada facilmente em qualquer escola de dança.

Mercedes batistaMercedes Batista, grande bailarina negra brasileira, se destacou mais como bailarina ao se dedicar à dança afro e não ao balé clássico.

Não que o sonho de ser bailarina precise ser destruído. A própria reportagem do Geledés já citada acima trás um monte de exemplos de bailarinas negras bem sucedidas e, mesmo não tendo tantas bailarinas clássicas negras, nada deve impedir que nossas meninas sonhem – e consigam! – ser grandes bailarinas clássicas. O balé clássico é apenas mais um tipo de dança. Só não é o mais próximo da nossa realidade, e portanto não deveria ser super estimulado.

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