Postado em 8 de setembro de 2016 por Lu Bento

Combater o racismo  é um dever todos nós. Não importa se você é branco ou negro, se sente o racismo na pelo ou se acha que o país já é bem menos racista que antigamente. Se você acredita que o racismo deve ser erradicado, é preciso adotar uma postura antirracista.

A Unicef lançou uma cartilha com 10 maneiras de contribuir para uma infância sem racismo. Creio que essa é uma leitura fundamental para educadores, pais e quaisquer interessados em promover uma educação antirracista, por isso reproduzo e compartilho aqui o material produzido pela Unicef.

diversidade1 - infância sem racismo

10 maneiras de contribuir para Uma Infância sem Racismo

1. Eduque as crianças para o respeito à diferença. Ela está nos tipos de brinquedos, nas línguas faladas, nos vários costumes entre os amigos e pessoas de diferentes culturas, raças e etnias. As diferenças enriquecem nosso conhecimento.

2. Textos, histórias, olhares, piadas e expressões podem ser estigmatizantes com outras crianças, culturas e tradições. Indigne-se e esteja alerta se isso acontecer –contextualize e sensibilize!

3. Não classifique o outro pela cor da pele; o essencial você ainda não viu. Lembre-se: racismo é crime.

4. Se seu filho ou filha foi discriminado, abrace-o, apoie-o. Mostre-lhe que a diferença entre as pessoas é legal e que cada um pode usufruir de seus direitos igualmente. Toda criança tem o direito de crescer sem ser discriminada.

5. Não deixe de denunciar. Em todos os casos de discriminação, você deve buscar defesa no conselho tutelar, nas ouvidorias dos serviços públicos, na OAB e nas delegacias de proteção à infância e adolescência. A discriminação é uma violação de direitos.

6. Proporcione e estimule a convivência de crianças de diferentes raças e etnias nas brincadeiras, nas salas de aula, em casa ou em qualquer outro lugar.

7. Valorize e incentive o comportamento respeitoso e sem preconceito em relação à diversidade étnico-racial.

8. Muitas empresas estão revendo sua política de seleção e de pessoal com base na multiculturalidade e na igualdade racial. Procure saber se o local onde você trabalha participa também dessa agenda. Se não, fale disso com seus colegas e supervisores.

9. Órgãos públicos de saúde e de assistência social estão trabalhando com rotinas de atendimento sem discriminação para famílias indígenas e negras. Você pode cobrar essa postura dos serviços de saúde e sociais da sua cidade. Valorize as iniciativas nesse sentido.

10. As escolas são grandes espaços de aprendizagem. Em muitas, as crianças e os adolescentes estão aprendendo sobre a história e a cultura dos povos indígenas e da população negra; e como enfrentar o racismo. Ajude a escola de seus filhos a também adotar essa postura.

Participe desta campanha e contribua para Uma Infância sem Racismo.

Acompanhe o tema da redução do impacto do racismo na infância e na adolescência por meio do www.unicef.org.br ou siga o UNICEF no Twitter: @unicefbrasil.

Divulgue para os seus amigos! Valorizar as diferenças na infância é cultivar igualdades!

Postado em 8 de junho de 2016 por Lu Bento
Faz um pouco mais de um mês  que eu fui em uma feira de livros e vi uns livros que me chamaram a atenção. Era uma coleção da Paulus,  uma editora religiosa, chamada terapia do ser. Comprei o Terapia do ser mãe e na mesma noite já comecei a leitura.
O livrinho é bem naquele estilo de autoajuda mesmo, não vou mentir. Com 36 pensamentos e umas ilustraçõesterapia do ser mãe com uns elfos meio estranhos, o livrinho aparentemente bobo trás um conteúdo importante pra estimular a reflexão sobre algumas questões relacionadas a maternidade.
O impacto da leitura e das reflexões sobre as frases foi grande por aqui que decidi, então, fazer uma série de postagens aprofundando e discutindo um pouco os pensamentos do livro. São 36 pensamento no total, e então serão a princípio um post por pensamento. Mas alguns podem gerar reflexões mais curtas, então eu posso juntar eventualmente uns 3 ou 4  pensamentos em uma postagem só.
 Começo  hoje falando do primeiro pensamento. Vamos lá?

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Vivemos uma eterna cobrança para ser a “melhor mãe”. Como se a maternidade fosse uma competição entre mulheres. E também como se após se tornar mãe a mulher também deve se tornar um exemplo de perfeição, deixando sempre os filhos felizes e bem cuidados segundo os padrões da sociedade patriarcal. Aquela ideia de que a mãe é uma “santa”, sabe?

Opressor demais, né não? 

Essa cobrança de fora acaba sendo internalizada por algumas (muitas) mulheres e a gente fica acabando que qualquer coisa que fuja desse modelo e perfeição é culpa nossa e nos faz menas main ou mãe de merda, como se dia muito nas redes sociais.
Mas ninguém é perfeito né? Não tem como  a gente, como mãe de primeira viagem, saber o motivo exato daquele serzinho que ainda estamos conhecendo.  Nem mesmo se formos mães e segunda,terceira ou quarta viagem. Então não da pra gente entrar na pilha dos outros que insistem em nos perguntar o motivo do choro do bebê. Precisamos sair do lugar da culpa.por não saber, e assumir o nosso papel de busca,de alguém que está conhecendo a cria e procurando descobrir seus desejos e necessidades a cada instante. E esse é só um exemplo.
Quantas vezes mulheres-mães são cobradas a resolver problemas que não  podem ser resolvidos por elas naquele momento, ou mesmo não tem nada a ver com a atuação dela como mãe. Como quando a criança começa a chorar no avião e todos se sentem incomodados com o barulho e olham para a mãe com ares de recriminação; ou quando a criança faz pirraça na rua e a gente não sabe muito bem como lidar com aquele cena vergonhosa; ou quando os nossos adolescentes fazem alguma besteira por aí. Sempre perguntam sobre a mãe, sobre o que a mãe faz ou não faz quando a isso, sobre onde está a mãe que não resolve esse problema. Todos com uma dica super eficiente na ponta da língua pra apontar a incompetência dessa mãe. Da mãe!  Lembrar do pai ninguém quer, muito menos lembrar que a cria é sujeito de direitos e desejos e que algumas atitudes independem dos esforços e das vontades da mãe.

Paciência Materna 

O que mais a gente precisa nessa vida é ser paciente na jornada que é a criação de filhos. E ser paciente nem sempre é fácil.
Esperar, não se culpar,não cair na pilha dos outros e ainda entender que esses pitacos todos “São só pra ajudar”. Não é fácil.  Dá vontade de chutar tudo pro alto e mandar todo mundo se ‘F#@#*. Às vezes é necessário chegar a esse ponto mesmo, não se iniba por isso! A gente também não precisa ser catalisador do mundo. Já é difícil e desafiador demais exercer a função materna. Ainda ter que lidar com todos aqueles acham que sabem mais que você ou que você tem que saber tudo na ponta da língua  já é peso demais para carregamos.
Nem sempre a gente está em um bom dia, aquele dia, sabe, a gente tem paciência pra aturar as pirraças das crianças e todo o julgamento do mundo por você não conseguir contornar a situação imediatamente. Ser paciente consigo mesma e fundamental para que a gente consiga se manter equilibrada nessa loucura toda. E no final das contas, quem tá preocupada mesmo com sanidade mental das mães somos nós mesmas.

A melhor mãe possível 

Fala-se muito no meio materno em ser a melhor mãe possível. É uma forma de tentar amenizar o peso da cobrança por uma maternidade perfeita. Mas para pessoas que são perfeccionista ou competitivas, por exemplo, essa ideia de “melhor mãe possível” também pode ser bem opressora. Queremos sempre ser melhores, sempre aumentar os limites de nossas possibilidades e se a gente sabe que poderia fazer mais a melhor e só consegue ir até um determinado ponto, a sensação de fracasso e cobrança continua rondando o nosso imaginário.  Não se culpe, mulher!  Já tem um mundo inteiro pra te culpar de tudo por aí, você não precisa ser mais uma.
Às vezes a gente não faz o nosso melhor mesmo. E tá tudo bem. Foi o que deu pra fazer naquele momento e pronto. Foi o que você optou fazer naquele momento, mesmo sabendo que você poderia ter se dedicado mais. Tipo quando você opta por dar aquele lanche porcaria pra sua cria em vez de fazer uma comidinha caseira gostosa só pra ficar mais tempo na internet. Você poderia fazer melhor que isso né, você sabe. Mas naquele momento específico você não tava afim e ponto. Sem drama.

Aprendendo com os erros

Gente, criar filhos é algo que a gente aprende na base da tentativa e erro. Não tem jeito, pra todo mundo é assim. E a gente percebe bem isso quando vê, por exemplo, grandes especialistas em educação infantil passando dificuldades na criação de seus próprios filhos.  Então, não adianta: a teoria é linda, mas na prática é a relação que você estabelece com cada criança que vai indicar o caminho. Lógico, a gente aprende com os erros e tenta fazer diferente em outras oportunidades. Se você um dia bateu nas crianças em um momento de descontrole achando que isso ia resolver a situação e não deu certo, você pode optar o outro método pra atingir seu objetivo na próxima vez.
O jeito é aprender com as experiências mesmo. Não tem mistério.

Este post foi inspirado no livro Terapia do ser mãe, de Molly Wingand.  Para saber mais sobre o livro, clique aqui.


E aí, você é muito exigente consigo mesma? Como você lida com as cobranças para ser uma “boa mãe”? Conte pra gente! Compartilhe suas experiências!

Postado em 31 de maio de 2016 por Lu Bento

Olá pessoal! Maio terminando e finalmente eu dou as caras por aqui. Já deu pra notar que não tá fácil a vida né? Mas tem dicas da mãe preta pra fechar bem o famoso mês das mães! Bora lá?

 

Aplicativo – Trello

 

Trello-blogGente, estou encantada com esse aplicativo! É mais um aplicativo de organização e gerenciamento de tarefas, mas ele é bem funcional e intuitivo, gostei muito assim que me cadastrei e agora é o que eu mais uso, pois uso no trabalho, nos projetos com a livraria e pretendo expandir pra outras áreas. Então, se eu começar a postar regularmente por aqui é porque está dando super certo usar o trello, já estão avisados! 🙂

O Trello pode ser acessado pelo site e também pelo aplicativo, que tem pra IOS e pra Android. Tenho Android e ele funciona super bem, ficou bem mais fácil organizar meus compromissos com ele.

Onde: Trello | Trello app


Site – Como Educar seus filhos

como educar seus filhosNeste site, o prof. Carlos Nadalim fala sobre educação infantil de uma maneira bem esclarecedora, passando dicas práticas e fáceis de aplicar na educação das crianças. Um site com muito conteúdo interessante para quem pensa sobre educação das crianças e busca novas formas e técnicas para despertar as potencialidades dos pequenos. Tem uma pegada um tanto quanto religiosa em alguns aspectos, confesso que preferiria que certas referências a Deus não fossem feitas, mas é possível filtrar e passar por cima de determinadas referências se essa não for a sua praia (como não é a minha!). Ah, ele tem métodos muito voltados para a alfabetização das crianças em casa, não que eu ache que devemos nos preocupar em alfabetizar nossas crias cada vez mais cedo, mas acho muito válido que a gente tenha ferramentas para estimular o interesse da criançada em aprender e descobrir o mundo da leitura.

Ainda é possível acompanhar as dicas do site pelo canal do youtube e pelo podcast, ambos com o mesmo nome e bem fácil de encontrar.

Onde: Como educar seus filhos


Youtube – Toda mãe é meio lóki

O canal da jornalista Fabíola Corrêa é super divertido e bem produzido. A cada vídetoda mãe é meio lokio ela fala sobre um tema e dá voz a especialistas sobre o assunto. Bem legal o formato porque fica leve e informativo.  Como ela mesma diz na descrição: “O objetivo não é atingir a perfeição, e sim dizer ‘calma, vai ficar tudo bem!’, porque – muitas vezes – é só isso que a gente precisa ouvir.” O vídeo sobre sogra é muito bom!!!

Conheci o canal através de um convite da Fabíola para que eu falasse sobre uma foto que ela tirou e que viralizou na internet. Fiquei muito feliz com o convite porque é muito importante que a gente consiga dialogar também com mães não-negras que entendam que há discriminação racial e que é preciso fazer algo quanto a isso. Quem quiser ver o vídeo que euzinha contribuo, clica aqui.

Onde: Toda mãe é meio lóki


Site – Revista Trendr

revista trendrEssa é a primeira revista brasileira do Medium, uma plataforma colaborativa de textos. Entrei no Medium no final do ano passado e estou curtindo muito. Em geral, são textos mais produzidos, pensados, elaborados… nada parecido com o post do facebook. É um espaço para produção de conteúdo com foco na qualidade, e não na quantidade. E a Revista Trendr é uma revista eletrônica que utiliza essa plataforma pra agregar textos em português ( no Medium ainda há prevalece a língua inglesa), voltada para textos que falem sobre questões atuais.  Bem bacana a variedade de temas  e de textos publicados por lá.

Alguns textos aqui do blog também são publicados no Medium e eu também estou começando a colaborar com a Revista Trendr e com a O que aprendi com a vida, outra revista eletrônica mais voltada para comportamento que faz parte da Trendr.   Então tem muita coisa por lá pra quem gosta de ler artigos curtos e atuais. Vale a pena conhecer.

Onde: Revista Trendr


Plataforma – Afroflix

afroflixSaca o Neflix? Agora imagina algo parecido, mas só dando dastaque para produções de roteiristas e diretores negros? É o afroflix! É o paraíso né? Várias obras de autoria negra reunidas em um só lugar. Ainda não é uma plataforma de streaming, mas é uma plataforma que agrega as buscas por conteúdo audiovisual afrocentrado e isso já é o suficiente pra gente se sentir contemplado quando,  naquelas tardes tediosas de domingo, quer assistir uma produção preta. Muito legal mesmo! Outro ponto bacana é que o afroflix está agregando também vlogs do youtube, facilitando a busca por canais de gente preta.

Com direção geral de Yasmim Thayná e o apoio de uma equipe que já trabalha com a questão audiovisual há um tempo, o Afroflix tem um visual bem atrativo e uma proposta de dar visibilidade pra produção negra que merece ser reconhecida e apoiada.

Onde: Afroflix


Bom galera, essas foram as dicas da mãe preta de maio. Já dá pra sair um pouco do facebook e explorar novas paradas na internet né?

Até a próxima!

Postado em 4 de maio de 2016 por Lu Bento
diversidade ideologica
Esta cena se passou em nossa casa, durante a cobertura das manifestações contra o golpe e afagar da manutenção da presidente eleita democraticamente.  Uma pessoa logo comentou que Isha Bentia era “do contra”. Minha mãe afirmou que ela é igualzinha mim quando pequena, “do contra”. Resolvi refletir um pouco sobre o que é ser do contra.
De fato, quando pequena eu não acompanhava a maioria das decisões dos meus familiares. Sempre busquei ter uma opinião própria. É sempre fui tachada de “do contra”. Lembro de uma vez em que escolhemos a cor do carro que estávamos comprando, todos tinham escolhido a cor mais clara. Eu optei pela mais escura. No final das contas a cor mais clara estava indisponível e acabou sendo a cor que eu havia escolhido. Posteriormente, a cor que eles escolheram deixou de ser fabricada por baixo volume de vendas. O interessante é que a cor que eu escolhi se mostrou muito mais funcional para o carro, melhor para a revenda, acompanhou a tendência de cores mais sóbrias para carros que existe no Brasil… Enfim, foi uma boa escolha. Mas ninguém reconheceu de fato o mérito da minha escolha, só ficou pra história que eu fui – e sou – a do contra.
Minha família nuclear é toda de exatas. Pai engenheiro, mãe química industrial, irmão engenheiro. E eu decidi seguir para humanas. Socióloga. Mais uma vez eu optando em ser do contra. Sou de esquerda e eles de direita. Moro em São Paulo e eles odeiam essa cidade. Se a gente for parar para refletir, em muitas coisas minha família nuclear de origem aponta para um lado e eu para outro.
Não sei se eu era mesmo do contra quando criança. Mas sei que a prática em questionar e discordar da opinião dos meus parentes me fez uma pessoa com opiniões próprias. Me fez uma pessoa que reflete sobre os temas e se posiciona de acordo com suas convicções. E não alguém que tem medo de se posicionar na vida.
Minha filha hoje, aos 3 anos, sente liberdade e segurança pra discordar da opinião política da própria família. Não acho que ela tenha maturidade e informação para ter uma opinião formada sobre a situação política do país, mas ao menos ela tem liberdade para perceber que não precisa seguir os nossos passos se ela não quiser. Eu tive essa liberdade (mesmo sendo tachada de do contra) e ela também tem, dessa vez sem o rótulo.
Isha Bentia já demonstra desde agora que ela quer ter opiniões próprias, que as visões nos pais não a limitam no mundo. E a gente precisa perceber o quanto isso é libertador para a formação da personalidade dela. Porque ela sabe que pode experimentar coisas que nós, os pais, sequer pensamos como alternativas, e todos nós vamos nos adaptar a essa situação, cada um arcando com as consequências dos seus atos, sem culpabilizar os outros por suas próprias escolhas.
E que fique posto que eu não quero dizer que quem concorda com a opinião da maioria é alienado ou pouco inteligente. Nada disso. Só estou dizendo que é muito mais difícil discordar daqueles que amamos e que são nossa primeira referência. O que eu quero dizer, é que em um ambiente que valoriza o diálogo e respeita as opiniões, discordar de quem amamos e ser acolhida e respeitada é fundamental para que ela se sinta segura para discordar de qualquer outra pessoa sem medo de ser recriminada.
Postado em 16 de março de 2016 por Lu Bento
A política brasileira está um caos. A direita articulando um golpe, a esquerda acuada e sem arcabouço moral  pra resistir a tantas denúncias. No meio disso tudo uma população confusa, influenciada pelo ponto de vista das empresas que controlam a  imprensa e vivenciando cada reviravolta política com paixão.  E como nós, famílias pretas, ficamos no meio de tudo isso? Como e o que explicar pros pequenos  esse assunto que dominou os diálogos em todos os lugares?
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Crianças são curiosas por natureza. E na efervescência que vivemos é natural que elas estejam também ansiosas pra entender pelo menos um pouquinho do que está acontecendo no país. É leviano da nossa parte só passar um lado da situação. Nossos filhos não são nossa propriedade  e é tão tendencioso quanto o Jornal Nacional se a gente só explica as reivindicações de um dos lados  com o qual a gente se identifica. Não posso chegar pras minhas crianças e falar que só tem pessoas alienadas pedindo o impeachment  da presidente ou que é uma “idiotice sem fundamento” o que eles reivindicam. Uma criança merece informação de qualidade que a ajude a formar a sua própria opinião dentro da sua maturidade e  seu conhecimento do mundo pra entender os fatos.

O racismo

Como pessoas negras, independente da nosso posicionamento político partidário, precisamos sinalizar pra nossas crianças algumas questões que nos afetam diretamente. Uma delas é a ausência de negros, ou melhor, a pouca quantidade de negros nos protestos pró-impeachment. Isso está diretamente relacionado com divisão racial e econômica da sociedade, na qual os negros são maioria nas classes mais baixas e quase ausentes entre os mais ricos.
manifestacao3A pesquisa do DataFolha no protesto do dia 13 de março mostrou que metade dos entrevistados tinha renda entre 5 e 20 salários mínimos (fonte). Ou seja, essa galera não pode ser chamada de pobre.  Segundo a pesquisa, 4% dos manifestantes se identificaram como pretos, que somados aos que se identificaram como pardo, temos 19% de negros na manifestação.  O número não parece tão pequeno assim, mesmo sabendo que negros compõem mais da metade da população brasileira. Contudo, não podemos esquecer que  essas declarações são voluntárias e há uma tendência atual de pessoas lidas socialmente como brancas se declararem pardas para conseguirem benefícios relacionados a políticas de ações afirmativas (veja: afroconveniência). Eu ouso dizer que esse números podem estar inflados. De qualquer forma, visualmente, pouquíssimos negros foram vistos nas manifestações e isso já rende com as crianças um bom bate-papo sobre que lugares a população negra ocupa na sociedade.
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A imagem e a charge da babá que estava a trabalho na manifestação também podem render bons diálogos com a criançada sobre profissões, posições de prestígio, exploração do trabalhador, tudo isso permeado pela questão racial. Por mais que a mulher negra depois tenha declarado estar lá por vontade própria, é simbólico vermos um casal branco indo protestar segurando o cachorro enquanto uma trabalhadora negra cuida dos filhos do casal, tudo isso em pleno domingo. A gente pode ver a situação pela ótica capitalista  Até porque, se for desse jeito, daqui a pouco estamos achando normal pessoas brancas terem funcionários negros para carregar uma liteira com eles durante o protesto, carregar abanadores, guarda-sol etc, só porque eles estão sendo pagos para isso.
A diferença de postura da atuação das forças policiais nos protestos diferentes protestos também pode ser sinalizada para as crianças e jovens. Enquanto a polícia não fez nenhuma ação violenta para coibir os protestos pró-impeachment, a atuação dela sempre foi marcada pela violência ao coibir protestos pelo passe-livre ou os protestos dos estudantes e professores contra o fechamento das escolas. Essa hierarquização dos cidadãos, essa diferença de tratamento de acordo com a classe social do público que protesta é importante precisa ser discutida nas famílias.
Vemos também casos de pais que incitam seus filhos ao ódio. Pais ensinado seus filhos a xingar e desrespeitar a Presidenta. Ensinando a ofender e agredir quem pensa de forma diferente. Pode parecer inacreditável que em pleno século XXI as pessoas achem normal agir dessa maneira por desavenças políticas. O discurso de ódio tem espaço e caminho para se propagar sem nenhum pudor. Precisamos falar isso pras crianças, mostrar pra elas que não está certo agir assim, mesmo que o coleguinha faça isso, mesmo que tenha sido o pai do coleguinha ou a professora da escola que tenha ensinado.

A discriminação racial e o perigo eminente

Outro aspecto que pode ser explicado e conversado com criançada e, talvez seja o ponto que mais nos afeta diretamente,  é a emergência de movimentos racistas neste contexto de maniferacismo_mackenziestações políticas. Muitas pessoas se sentem livres pra destilar todo seu ódio e recalque com as conquistas sociais que os governos petistas nos trouxeram. Críticas ao bolsa-família, às cotas raciais, ao FIES e ao PROUNI facilmente se transformam em atos racistas, como a manifestação de ódio escrita em um banheiro na faculdade Mackenzie, em São Paulo.
Isso é muito grave. É grave porque nós negros estamos em eminente risco ao andar nas ruas numa situação em que grupos racistas circulam com liberdade sob o pretexto de estarem protestando contra o governo e podem simplesmente nos atacar em qualquer esquina. Pra quem tem crianças/adolescentes que circulam sozinhos pelas ruas, é importantíssimo destacar isso, porque estamos em posição de vulnerabilidade. A nossa sociedade racista sempre resiste em perceber situações de racismo mesmo que explícitas. Esse grupos radicais podem, a qualquer momento, atacar pessoas negras sem qualquer coerção. De vítima, a pessoa negra será colocada na posição de acusada, será lida como bandida ou como qualquer outra coisa que “justifique” a agressão.
 Alguns grupos já estão agredindo pessoas pelo simples fato de estarem vestidas de vermelho. São consideradas, pela cor da vestimenta, petitas. Já agrediram e hostilizaram idosos, mulheres e crianças por esse motivo fútil. Agora imagine o que esse tipo de gente pode fazer com uma criança negra que esteja sozinha só por ela estar usando vermelho próximo a uma manifestação contra o governo?
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Não estou dizendo com tudo isso que a população negra e a população pobre não podem estar ao lado dos que apoiam a derrubada do governo. Claro que não! Nossas convicções políticas envolvem outros fatores além da nossa negritude.O importante é conversamos com nossos pequenos,  tentar sanar a curiosidade deles na medida do possível e também mostrar que o racismo se explicita nesses momentos de crise.
É preciso estarmos atentos! Assim como determinadas pessoas se sentem livres para segurar cartazes criticando a presença de negros, se sentem livres para fazer saudações nazistas durante os protestos, outros se sentem livres para nos agredir verbal e fisicamente. Somos o alvo desse ódio contido da sociedade branca que se vê perdendo privilégios a cada instante devido às nossas conquistas. Não podemos, principalmente nesse momento, cair no conto da democracia racial.
Pode parecer exagero pra quem não é preto, mas existem muitas interseções entre a situação política brasileira e  as manifestações de racismo e as crianças precisam também entrar nesse diálogo.
Postado em 29 de janeiro de 2015 por Lu Bento

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Quem não gosta de contos de fadas, não é mesmo? Nossas crianças ficam loucas com essas histórias mágicas, com princesas e príncipes tão distantes da nossa realidade. No LêproErê de hoje eu trago pra vocês uma releitura de um clássico da literatura infantil, o favorito (do momento) de Isha Bentia.

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Livro: Uma história mais ou menos parecida
Autora: Marcia Paschoallin
Ilustrações: Julina Fiorese

No LêproErê de hoje vamos falar de um livro infantil super fofo que eu conheci pelo facebook quando a autora  buscava financiamento no Catarse pra ser produzido. Eu contribuí e recebi em casa o livro. Foi minha primeira contribuição nesses sites de financiamento coletivo e fiquei super satisfeita.

É uma releitura da história da Branca de Neve e tem uma pegada bem moderna. Pra vocês terem uma ideia, o rei conhece a nova rainha através de um site de relacionamentos! Excelente pra prender a atenção das crianças de hoje né? Eu gostei bastante da leitura, mas ainda não é indicada pras minhas meninas (elas têm menos de 3 anos). Sem dúvida é uma leitura pra crianças maiores, que já entendem bem todas as nuances do livro e podem fazer os devidos paralelos com a história da Branca de Neve.

A fã page do livro no facebook  pode ser vista clicando aqui.

Até o próximo LêproErê!!!

Veja mais em Combate ao Racismo


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