Postado em 5 de outubro de 2017 por Lu Bento

 

 

 

“Mamãe, o menino falou que não ia brincar comigo porque os amigos dele são brancos e eu sou marrom. Ele disso que não gosta de marrom.”

“E o que você disse filha?”

“Eu disse que eu gosto de marrom, e que às vezes as famílias são marrom. E toda a minha família é marrom e eu sou linda!”

” Ah é filha? E ele?”

” Ele disse que só brinca com os amiguinhos brancos.”

 

Esse foi o meu diálogo desta manhã com a minha filha caçula, de 3 anos. Ela me contou, com muita naturalidade e sem nenhum sinal de mal-estar que um coleguinha da turma falou que não brincaria com ela porque ela é “marrom”. Quando ela começou a conversa e me disse isso, meu sangue gelou. Um desconforto físico tomou conta do meu corpo e eu percebi que minha filha, minha garotinha que mal deixou de ser um bebê, já está enfrentando o racismo.

Mini Bentia é muito sensível e emotiva, então assim que ela me contou isso eu a imaginei chorando e ficando triste essa rejeição com base em sua cor de pele. Em seguida, perguntei qual foi a reação dela e a resposta me surpreendeu e me acalmou. Ela não se deixou abalar pela rejeição e falou de forma positiva da sua cor de pele.  Não tenho como ter certeza que ela agiu dessa maneira. O racismo nos pega de surpresa e nos deixa sem ação, mesmo quando já sabemos várias respostas para o preconceito. Como essa história está sendo contada por ela depois, é claro que essa reação positiva pode ser uma forma idealizada, pode ser uma construção de como ela gostaria de ter agido na hora, mas que não fez de verdade ou pode até mesmo ser uma forma dela me contar que me deixe feliz com ela, porque sempre falamos em casa o quanto gostamos de ser negros.  O final da história é aquele já narrado, o menino manteve a mesma posição e não brincou com ela.

Mesmo que os fatos não tenham acontecido exatamente assim, é pouco provável que a cena toda seja uma invenção da minha pequena. Crianças negras sofrem racismo na escola desde cedo e é até natural que as crianças não saibam lidar com as diferenças.

Na escola da Mini Bentia, a maioria das crianças são brancas. As professoras também. Então pensando no contexto daquele espaço e nas prováveis relações que esse menino estabelece, o contato com pessoas negras deve ser muito pequeno. Somando-se a isso, a ausência de representatividade negras nos desenhos animados, na publicidade e nos espaços de poder fazem com que a criança branca cresça com uma visão distorcida sobre a negritude.  Eu entendo que a criança branca não queira se misturar com crianças de outras etnias, que prefira ficar entre iguais. O que eu não entendo é que adultos não façam nada quanto a isso. Não entendo como professores e pais não desenvolvem um olhar atendo sobre essas questões, não percebem que as crianças brancas estão afastando as crianças negras ou se negando a brincar ou interagir com elas.

Essa atitude de afastamento a partir da diferença é o embrião do racismo. E ele é alimentado pela falta de educação para as relações étnico-raciais, pela falta de uma atitude pró-ativa para o combate à discriminação racial na infância e pela omissão das pessoas não-negras na luta antirracista.

O caso relatado pela Mini Bentia mostra que essa situação precisa de uma intervenção. Não sei se algum adulto acompanhou o diálogo, nem se esse menino convive com outras crianças negras além da minha filha e essa foi uma atitude pontual, uma justificativa naquele momento pra não brincar com ela. Não sei sequer se a família dessa criança a ensina a se afastar de pessoas negras ou se essa foi só uma percepção da criança de que o afastamento é uma postura adequada diante das diferenças. Não tenho essas respostas.

Só sei que o nosso trabalho de formiguinha só vai resolver parte do problema, a parte que nos afeta e nos faz sofre. Minha filha me contou tudo isso com naturalidade, como se fosse mais um fato corriqueiro da escola e sorriu quando me contou a sua resposta para o menino. Eu posso trabalhar para que ela entenda que é o menino que sai perdendo com essa atitude, que a discriminação racial não é culpa dela e que ele é que está agindo de uma forma errada e mal educada. Mas e a outra parte? Quem trabalhar para ensinar o menino a conviver e respeitar as diferenças? Quem ensina pra criança que essa atitude é racismo? Quer percebe logo na primeira infância as raízes dessa atitude racista e procura combatê-la?

Eu marquei uma reunião com a direção da escola para informar o que minha filha contou essa manhã. Mas nada me garante que as pessoas se interessarão verdadeiramente em por essa questão. Nada me garante que as professoras olharão com amis cuidado para as interações entre as crianças e perceberão essas situações a ponto de intervir. Nada me garante que os profissionais da escola estão habilitados para promover uma educação pra diversidade, que valorize as diferenças e que combata o racismo. Nada me garante que a família do menino será informada para também se dedicar a promover uma educação que respeite o outro e que o ensine a conviver com as diferenças.

Não dá pra colocar toda a carga do racismo nas costas das pessoas negras. O racismo contra negros é um problema gerado pelos brancos e precisa ser combatido por todos.

 

Postado em 30 de setembro de 2017 por Lu Bento

Estreou ontem na Netflix um dos meus desenhos favoritos dos anos 90, O ônibus mágico. Esse desenho maravilhoso sobre um grupo escolar que aprende sobre ciência viajando em um ônibus mágico e descobrindo as respostas para suas perguntas através da experiência.  Com qualquer produção que busca tornar a ciência mais atraente para as crianças (e pessoas em geral), o desenho foca muito na prática, na compreensão dos fenômenos naturais através da experiência, bem diferente do que as escolas reais fazem, focando principalmente na teoria.

A versão atual do desenho, produzida e transmitida pela Netflix, mantém  o formato de começar a exploração científica a partir de um questionamento de uma das crianças. A professora Frizzle conduz as crianças em uma aventura de aprendizado, onde várias coisas mágicas acontecem e as crianças vão construindo o conhecimento a partir disso. Com a devida atualização tecnológica ( a versão antiga falava em disquetes nos computadores, por exemplo), a série volta com 13 episódios de 25 minutos, um bom tempo para  desenvolvimento de uma história completa sem perder o foco e a atenção das crianças.

Um dos primeiros desenhos animados preocupados com a diversidade e com a representação positiva das diferenças, o grupo de alunos é composto por meninos e meninas de diferentes origens étnicas e personalidades, formando o equilibrado ecossistema onde todos têm um papel importante. Isso é incrível em termos de identificação, principalmente porque a cada episódio criança se torna protagonista, dando destaque para sua personalidade. É um desenho que não hierarquiza as crianças, onde os pretos não estão lá apenas para ser “o melhor amigo do protagonista branco”.

O desenho original foi inspirado em uma série de livros (livros, sempre eles!) escritos por  Joanna Cole  e ilustrados por Bruce Degen qu chegaram ao Brasil através do selo Rocco para jovens leitores. Infelizmente não conheço os livros, mas o desenho animado é incrível e acho uma boa forma de estimular a curiosidade dos pequenos sobre ciências.

Assisti os dois primeiros episódios com a Mini Bentia, mas pra crianças de 3 anos o desenho não é tão interessante ainda. Agora estou assistindo os demais episódios com a Isha Bentia, de 5 anos, e ela parece bem mais interessada em descobrir como as coisas funcionam. De minha parte, vou aproveitar pra fazer também uma maratona dos episódios da primeira versão, as 4 temporadas também estão disponíveis na Netflix!

Postado em 18 de junho de 2017 por Lu Bento

Eu sempre escuto comentários impressionados sobre como as curicas são independentes. E elas realmente são. Fazem muitas coisas sozinhas, e não têm aquele medo exagerado de ficar longe da gente. Essas meninas sabem se virar.  Mas…como educar nossos filhos pra serem independentes? Não é tão fácil quanto parece. Encontrar a medida certa entre independência e obediência não é fácil.

Student reading aloud in class

Quem me acompanha há mais tempo já sabe que não foi fácil ter as meninas. Perdi dois bebês antes delas, tive que passar por um repouso intenso durante as gravidezes pra que elas chegassem, então não foi molezinha. O medo era o meu companheiro durante toda a gravidez. Não só o medo de perdê-las, mas também o medo de me tornar uma mãe superprotetora. Sempre tive medo de me tornar uma daquelas mães que não deixam os filhos fazerem nada. Mesmo eu sendo uma pessoa super desencanada, temia não conseguir desapegar das minhas filhas e deixar que elas tivesse suas própria experiêncas, que errassem e acertassem por conta própria. Afinal, de nada adianta tentar transformar a vida delas em uma versão melhorada da minha própria vida. Elas precisam tentar, errar, acertar, descobrir coisas, experimentar a vida da forma delas porque o aprendizado a partir das nossas próprias viviências é muito mais significativo e marcante.

Então, minha meta de vida era deixar elas experimentarem o  mundo e permitir que elas tivessem a proteção e segurança necessárias, sem exageros.Pra isso, tava valendo andar descalça pra sentir que o chão tava realmente frio, comer sozinha mesmo que fosse mais comida para o chão que para boca ou escolher as próprias roupas mesmo que a combinação tivesse totalmente inadequada para o tempo.  Cabe a mim, como mãe, providenciar recursos para que elas, ao perceberem falhas em suas escolhas, possam voltar atrás e aprender com isso. Então o chinelo tava lá disponível pra proteger o pé, a comida passou a ser colocada no garfo pra diminuir a quantidade que caia no chão e  uma roupa mais adequada ao clima estava preparada caso elas sentissem frio ou calor. E é assim que a gente faz no dia-a-dia.

Da mesma forma, eu e o pai delas sempre incentivamos elas a buscarem soluções para os  problemas. Quer uma colher no restaurante, peça você mesma ao garçom! Quer comprar um biscoito, pergunte o preço você mesma! E assim por diante, sempre atenta às atividades compatíveis com a idade e o desenvolvimento delas.

Nós fazemos tudo isso por dois motivos principais: primeiro porque somos só nós 4 aqui em SP, tem horas que eu e meu marido estamos bem atarefados e as meninas precisam fazer coisas simples sozinhas, como pegar um brinquedo no quarto ou uma roupa na gaveta; e segundo porque a gente acredita que elas precisam ter coragem para fazer coisas por conta própria e a nossa casa, o nosso espaço,  é o melhor laboratório pra que elas experimentem isso.

Pessoas negras são constantemente desestimuladas a se expor. Não é algo explicito, verbalizado. É a aquela velha história do racismo estrutural, sabe, que nos exclui sistematicamente dos espaços de poder e visibilidade. Ser independente, correr atrás do que você deseja, é fundamental para que o sistema racista não te oprima. Então é importante que nossas crianças negras cresçam sabendo que elas tem voz e vez de se expressar. E que suas vontades são levadas em conta, são respeitadas ou, ao menos, ouvidas.

Oferecendo ferramentas para a independência

Como a preocupação com a independência delas veio antes do nascimento, a gente sempre procurou fornecer ferramentas para que elas desenvolvessem a autonomia. Uma delas, foi adotar a concepção montessoriana na decoração do quarto. Tanto Isha Bentia, como Mini Bentia tiveram a liberdade de dormir fora de berços. Assim, elas acordavam e iam para onde nós estávamos. Não precisavam ficar presas, dependendo da ação de adultos pra se locomover. Seus pratos e copos ficam em locais acessíveis na cozinha, assim elas mesmas podem pegar um prato ou copo quando precisam. Elas mesmas jogavam a fralda no lixo e pegam outra para ser trocada. Isso aos poucos vai desenvolvendo a autonomia da criança.

Uma coisa que o Leo faz muito e eu preciso me monitorar para fazer mais e conversar com elas sobre algo que elas fizeram e nós consideramos errado. Ele pergunta porque elas fizeram aquilo, ele explica porque aquilo não pode ser feito e orienta como fazer corretamente, ou de uma maneira segura.  Isso é muito bacana, porque isso as fazem perceber que nós as enxergamos  como sujeitos. Quantos de nós fomos criados na base do “era só meu pai olhar, que eu gelava, que eu sabia que estava errado” ou “o pai não sabia porque tava batendo, mas a criança sabia porque tava apanhando”. Cara, isso é cultura do medo. Nem dá pra chamar de pedagogia, por que não tem nada de pedagógico nisso. É opressor mesmo. Claro que esse tipo de postura  contribuiu para uma geração que atualmente tem medo de tentar coisas novas, tem medo de se expressar, tem medo de fazer algo que não foi mandado.

Encontrando o limite

Saímos muito com as meninas, tanto por causa do nosso trabalho, quanto a passeio. E elas se adaptaram bem a essa rotina de estar em diferentes lugares, sempre cercadas de pessoas novas. No começo elas sentem o ambiente e depois já se soltam e começam a circular com uma certa liberdade. Nesse aspecto é preciso encontrar um limite. Uma coisa que me incomoda bastante é que as curicas resolvem por conta própria ir explorar novos lugares.  Esse é um limite que temos trabalhado constantemente com elas. Crianças (e adultos também!) precisam dar satisfação de onde vão. Não dá pra simplesmente sumir enquanto as pessoas que estão contigo não sabem de nada.  E aí, a gente enfatiza isso para elas principalmente pela questão da segurança e pela falta de percepção das maldades do mundo, mas sempre com um olhar respeitoso pra tomada de iniciativa delas. Em geral a gente fala coisas do tipo “eu entendo que você quer ir lá fazer tal coisa, mas antes é preciso pedir permissão pra mamãe e por papai, pra gente saber onde você está, com que está e se não é perigoso pra você.”

A gente sempre evita aquele discurso do “não pode fazer porque eu não quero” porque não cabe a minha como mãe querer ou não querer algo pra vida da minha filha. Os meus quereres pessoais podem até ser externados, mas não podem servir como baliza para as minhas decisões com relação a elas. Eu, como mãe, preciso preservar o direito delas de escolha, ressalvados os todos os meus deveres de cuidado e proteção delas. Mas cada vez que eu extrapolo meus deveres de proteção e tomo atitudes que limitam minhas filhas de forma que elas ficam mais dependentes de mim eu estou ensinando a elas que elas precisam de mim pra realizar aquilo, eu estou vinculando aquele ato a minha pessoa e com isso, eu estou limitando as minhas próprias filhas.

Lógico que nem sempre é seguro e saudável deixar as crianças soltas fazendo o que querem. Por isso mesmo que não fácil criar filhos independentes. Porque a gente precisa o tempo todo recalcular os limites entre cultivar a independência e o descaso, a falta de atenção e cuidado.

Algumas vezes eu vejo mães com crianças da idade de Mini Bentia no colo e bate aquela dúvida se eu não deveria estar carregando a minha no colo também. Mas depois, quando eu vejo a curica correndo de um lado para outro durante longos minutos, eu vejo que ela tem plena capacidade de andar esse percurso, então não tem necessidade de estar no colo o tempo todo. É um processo de avaliação e reavaliação constante. E também, quando elas começam a perceber que podem fazer coisas sozinhas e a vontade de fazer por conta própria cresce mais ainda.

E como elas já fazem muitas coisas sozinhas, como escolher a roupa, calçar os sapatos, ou pegar o suco no armário, elas se sentem aptas a fazer outras coisas também, como ficar longe dos pais por uns dias ( na casa dos avós), ou sair sem a gente com pessoas do nosso convívio.

Superando barreiras

O que eu falo aqui vale para todas as crianças, mas quando a gente pensa em crianças negras, crescer sem autonomia é ainda mais danoso, porque reforça o racismo estrutural que diz silenciosamente que negros não podem ocupar determinados espaços. Com a autonomia que a gente procura oferecer para as meninas estamos mostrando a elas que elas podem ocupar espaços e realizar coisas que são da vontade delas, sem que precise de uma ordem expressa para fazer. Nossa intenção é que isso contribua para que no futuro, barreiras como “não tem nenhum negro aqui” ou “isso não parece ser uma coisa adequada para uma pessoa negra” nem sequer sejam consideradas por elas. Que elas não se percebam limitadas por percepções que nos condicionam a determinados espaços.

Young girl smiling, holding white sheet

Não é um processo fácil e mexe com muitas das nossas noções de como criar filhos e com as nossas próprias memórias sobre como fomos criados. Mas educar é um processo e uma sucessão de escolhas. Escolhemos esse caminho, provavelmente o mais difícil. Mas também incrivelmente prazeroso vê-las escolhendo seus caminhos, questionando o limites e buscando compreender a lógica do mundo e das relações interpessoais.

Postado em 8 de setembro de 2016 por Lu Bento

Combater o racismo  é um dever todos nós. Não importa se você é branco ou negro, se sente o racismo na pelo ou se acha que o país já é bem menos racista que antigamente. Se você acredita que o racismo deve ser erradicado, é preciso adotar uma postura antirracista.

A Unicef lançou uma cartilha com 10 maneiras de contribuir para uma infância sem racismo. Creio que essa é uma leitura fundamental para educadores, pais e quaisquer interessados em promover uma educação antirracista, por isso reproduzo e compartilho aqui o material produzido pela Unicef.

diversidade1 - infância sem racismo

10 maneiras de contribuir para Uma Infância sem Racismo

1. Eduque as crianças para o respeito à diferença. Ela está nos tipos de brinquedos, nas línguas faladas, nos vários costumes entre os amigos e pessoas de diferentes culturas, raças e etnias. As diferenças enriquecem nosso conhecimento.

2. Textos, histórias, olhares, piadas e expressões podem ser estigmatizantes com outras crianças, culturas e tradições. Indigne-se e esteja alerta se isso acontecer –contextualize e sensibilize!

3. Não classifique o outro pela cor da pele; o essencial você ainda não viu. Lembre-se: racismo é crime.

4. Se seu filho ou filha foi discriminado, abrace-o, apoie-o. Mostre-lhe que a diferença entre as pessoas é legal e que cada um pode usufruir de seus direitos igualmente. Toda criança tem o direito de crescer sem ser discriminada.

5. Não deixe de denunciar. Em todos os casos de discriminação, você deve buscar defesa no conselho tutelar, nas ouvidorias dos serviços públicos, na OAB e nas delegacias de proteção à infância e adolescência. A discriminação é uma violação de direitos.

6. Proporcione e estimule a convivência de crianças de diferentes raças e etnias nas brincadeiras, nas salas de aula, em casa ou em qualquer outro lugar.

7. Valorize e incentive o comportamento respeitoso e sem preconceito em relação à diversidade étnico-racial.

8. Muitas empresas estão revendo sua política de seleção e de pessoal com base na multiculturalidade e na igualdade racial. Procure saber se o local onde você trabalha participa também dessa agenda. Se não, fale disso com seus colegas e supervisores.

9. Órgãos públicos de saúde e de assistência social estão trabalhando com rotinas de atendimento sem discriminação para famílias indígenas e negras. Você pode cobrar essa postura dos serviços de saúde e sociais da sua cidade. Valorize as iniciativas nesse sentido.

10. As escolas são grandes espaços de aprendizagem. Em muitas, as crianças e os adolescentes estão aprendendo sobre a história e a cultura dos povos indígenas e da população negra; e como enfrentar o racismo. Ajude a escola de seus filhos a também adotar essa postura.

Participe desta campanha e contribua para Uma Infância sem Racismo.

Acompanhe o tema da redução do impacto do racismo na infância e na adolescência por meio do www.unicef.org.br ou siga o UNICEF no Twitter: @unicefbrasil.

Divulgue para os seus amigos! Valorizar as diferenças na infância é cultivar igualdades!

Postado em 8 de junho de 2016 por Lu Bento
Faz um pouco mais de um mês  que eu fui em uma feira de livros e vi uns livros que me chamaram a atenção. Era uma coleção da Paulus,  uma editora religiosa, chamada terapia do ser. Comprei o Terapia do ser mãe e na mesma noite já comecei a leitura.
O livrinho é bem naquele estilo de autoajuda mesmo, não vou mentir. Com 36 pensamentos e umas ilustraçõesterapia do ser mãe com uns elfos meio estranhos, o livrinho aparentemente bobo trás um conteúdo importante pra estimular a reflexão sobre algumas questões relacionadas a maternidade.
O impacto da leitura e das reflexões sobre as frases foi grande por aqui que decidi, então, fazer uma série de postagens aprofundando e discutindo um pouco os pensamentos do livro. São 36 pensamento no total, e então serão a princípio um post por pensamento. Mas alguns podem gerar reflexões mais curtas, então eu posso juntar eventualmente uns 3 ou 4  pensamentos em uma postagem só.
 Começo  hoje falando do primeiro pensamento. Vamos lá?

 TSM1
Vivemos uma eterna cobrança para ser a “melhor mãe”. Como se a maternidade fosse uma competição entre mulheres. E também como se após se tornar mãe a mulher também deve se tornar um exemplo de perfeição, deixando sempre os filhos felizes e bem cuidados segundo os padrões da sociedade patriarcal. Aquela ideia de que a mãe é uma “santa”, sabe?

Opressor demais, né não? 

Essa cobrança de fora acaba sendo internalizada por algumas (muitas) mulheres e a gente fica acabando que qualquer coisa que fuja desse modelo e perfeição é culpa nossa e nos faz menas main ou mãe de merda, como se dia muito nas redes sociais.
Mas ninguém é perfeito né? Não tem como  a gente, como mãe de primeira viagem, saber o motivo exato daquele serzinho que ainda estamos conhecendo.  Nem mesmo se formos mães e segunda,terceira ou quarta viagem. Então não da pra gente entrar na pilha dos outros que insistem em nos perguntar o motivo do choro do bebê. Precisamos sair do lugar da culpa.por não saber, e assumir o nosso papel de busca,de alguém que está conhecendo a cria e procurando descobrir seus desejos e necessidades a cada instante. E esse é só um exemplo.
Quantas vezes mulheres-mães são cobradas a resolver problemas que não  podem ser resolvidos por elas naquele momento, ou mesmo não tem nada a ver com a atuação dela como mãe. Como quando a criança começa a chorar no avião e todos se sentem incomodados com o barulho e olham para a mãe com ares de recriminação; ou quando a criança faz pirraça na rua e a gente não sabe muito bem como lidar com aquele cena vergonhosa; ou quando os nossos adolescentes fazem alguma besteira por aí. Sempre perguntam sobre a mãe, sobre o que a mãe faz ou não faz quando a isso, sobre onde está a mãe que não resolve esse problema. Todos com uma dica super eficiente na ponta da língua pra apontar a incompetência dessa mãe. Da mãe!  Lembrar do pai ninguém quer, muito menos lembrar que a cria é sujeito de direitos e desejos e que algumas atitudes independem dos esforços e das vontades da mãe.

Paciência Materna 

O que mais a gente precisa nessa vida é ser paciente na jornada que é a criação de filhos. E ser paciente nem sempre é fácil.
Esperar, não se culpar,não cair na pilha dos outros e ainda entender que esses pitacos todos “São só pra ajudar”. Não é fácil.  Dá vontade de chutar tudo pro alto e mandar todo mundo se ‘F#@#*. Às vezes é necessário chegar a esse ponto mesmo, não se iniba por isso! A gente também não precisa ser catalisador do mundo. Já é difícil e desafiador demais exercer a função materna. Ainda ter que lidar com todos aqueles acham que sabem mais que você ou que você tem que saber tudo na ponta da língua  já é peso demais para carregamos.
Nem sempre a gente está em um bom dia, aquele dia, sabe, a gente tem paciência pra aturar as pirraças das crianças e todo o julgamento do mundo por você não conseguir contornar a situação imediatamente. Ser paciente consigo mesma e fundamental para que a gente consiga se manter equilibrada nessa loucura toda. E no final das contas, quem tá preocupada mesmo com sanidade mental das mães somos nós mesmas.

A melhor mãe possível 

Fala-se muito no meio materno em ser a melhor mãe possível. É uma forma de tentar amenizar o peso da cobrança por uma maternidade perfeita. Mas para pessoas que são perfeccionista ou competitivas, por exemplo, essa ideia de “melhor mãe possível” também pode ser bem opressora. Queremos sempre ser melhores, sempre aumentar os limites de nossas possibilidades e se a gente sabe que poderia fazer mais a melhor e só consegue ir até um determinado ponto, a sensação de fracasso e cobrança continua rondando o nosso imaginário.  Não se culpe, mulher!  Já tem um mundo inteiro pra te culpar de tudo por aí, você não precisa ser mais uma.
Às vezes a gente não faz o nosso melhor mesmo. E tá tudo bem. Foi o que deu pra fazer naquele momento e pronto. Foi o que você optou fazer naquele momento, mesmo sabendo que você poderia ter se dedicado mais. Tipo quando você opta por dar aquele lanche porcaria pra sua cria em vez de fazer uma comidinha caseira gostosa só pra ficar mais tempo na internet. Você poderia fazer melhor que isso né, você sabe. Mas naquele momento específico você não tava afim e ponto. Sem drama.

Aprendendo com os erros

Gente, criar filhos é algo que a gente aprende na base da tentativa e erro. Não tem jeito, pra todo mundo é assim. E a gente percebe bem isso quando vê, por exemplo, grandes especialistas em educação infantil passando dificuldades na criação de seus próprios filhos.  Então, não adianta: a teoria é linda, mas na prática é a relação que você estabelece com cada criança que vai indicar o caminho. Lógico, a gente aprende com os erros e tenta fazer diferente em outras oportunidades. Se você um dia bateu nas crianças em um momento de descontrole achando que isso ia resolver a situação e não deu certo, você pode optar o outro método pra atingir seu objetivo na próxima vez.
O jeito é aprender com as experiências mesmo. Não tem mistério.

Este post foi inspirado no livro Terapia do ser mãe, de Molly Wingand.  Para saber mais sobre o livro, clique aqui.


E aí, você é muito exigente consigo mesma? Como você lida com as cobranças para ser uma “boa mãe”? Conte pra gente! Compartilhe suas experiências!

Postado em 31 de maio de 2016 por Lu Bento

Olá pessoal! Maio terminando e finalmente eu dou as caras por aqui. Já deu pra notar que não tá fácil a vida né? Mas tem dicas da mãe preta pra fechar bem o famoso mês das mães! Bora lá?

 

Aplicativo – Trello

 

Trello-blogGente, estou encantada com esse aplicativo! É mais um aplicativo de organização e gerenciamento de tarefas, mas ele é bem funcional e intuitivo, gostei muito assim que me cadastrei e agora é o que eu mais uso, pois uso no trabalho, nos projetos com a livraria e pretendo expandir pra outras áreas. Então, se eu começar a postar regularmente por aqui é porque está dando super certo usar o trello, já estão avisados! 🙂

O Trello pode ser acessado pelo site e também pelo aplicativo, que tem pra IOS e pra Android. Tenho Android e ele funciona super bem, ficou bem mais fácil organizar meus compromissos com ele.

Onde: Trello | Trello app


Site – Como Educar seus filhos

como educar seus filhosNeste site, o prof. Carlos Nadalim fala sobre educação infantil de uma maneira bem esclarecedora, passando dicas práticas e fáceis de aplicar na educação das crianças. Um site com muito conteúdo interessante para quem pensa sobre educação das crianças e busca novas formas e técnicas para despertar as potencialidades dos pequenos. Tem uma pegada um tanto quanto religiosa em alguns aspectos, confesso que preferiria que certas referências a Deus não fossem feitas, mas é possível filtrar e passar por cima de determinadas referências se essa não for a sua praia (como não é a minha!). Ah, ele tem métodos muito voltados para a alfabetização das crianças em casa, não que eu ache que devemos nos preocupar em alfabetizar nossas crias cada vez mais cedo, mas acho muito válido que a gente tenha ferramentas para estimular o interesse da criançada em aprender e descobrir o mundo da leitura.

Ainda é possível acompanhar as dicas do site pelo canal do youtube e pelo podcast, ambos com o mesmo nome e bem fácil de encontrar.

Onde: Como educar seus filhos


Youtube – Toda mãe é meio lóki

O canal da jornalista Fabíola Corrêa é super divertido e bem produzido. A cada vídetoda mãe é meio lokio ela fala sobre um tema e dá voz a especialistas sobre o assunto. Bem legal o formato porque fica leve e informativo.  Como ela mesma diz na descrição: “O objetivo não é atingir a perfeição, e sim dizer ‘calma, vai ficar tudo bem!’, porque – muitas vezes – é só isso que a gente precisa ouvir.” O vídeo sobre sogra é muito bom!!!

Conheci o canal através de um convite da Fabíola para que eu falasse sobre uma foto que ela tirou e que viralizou na internet. Fiquei muito feliz com o convite porque é muito importante que a gente consiga dialogar também com mães não-negras que entendam que há discriminação racial e que é preciso fazer algo quanto a isso. Quem quiser ver o vídeo que euzinha contribuo, clica aqui.

Onde: Toda mãe é meio lóki


Site – Revista Trendr

revista trendrEssa é a primeira revista brasileira do Medium, uma plataforma colaborativa de textos. Entrei no Medium no final do ano passado e estou curtindo muito. Em geral, são textos mais produzidos, pensados, elaborados… nada parecido com o post do facebook. É um espaço para produção de conteúdo com foco na qualidade, e não na quantidade. E a Revista Trendr é uma revista eletrônica que utiliza essa plataforma pra agregar textos em português ( no Medium ainda há prevalece a língua inglesa), voltada para textos que falem sobre questões atuais.  Bem bacana a variedade de temas  e de textos publicados por lá.

Alguns textos aqui do blog também são publicados no Medium e eu também estou começando a colaborar com a Revista Trendr e com a O que aprendi com a vida, outra revista eletrônica mais voltada para comportamento que faz parte da Trendr.   Então tem muita coisa por lá pra quem gosta de ler artigos curtos e atuais. Vale a pena conhecer.

Onde: Revista Trendr


Plataforma – Afroflix

afroflixSaca o Neflix? Agora imagina algo parecido, mas só dando dastaque para produções de roteiristas e diretores negros? É o afroflix! É o paraíso né? Várias obras de autoria negra reunidas em um só lugar. Ainda não é uma plataforma de streaming, mas é uma plataforma que agrega as buscas por conteúdo audiovisual afrocentrado e isso já é o suficiente pra gente se sentir contemplado quando,  naquelas tardes tediosas de domingo, quer assistir uma produção preta. Muito legal mesmo! Outro ponto bacana é que o afroflix está agregando também vlogs do youtube, facilitando a busca por canais de gente preta.

Com direção geral de Yasmim Thayná e o apoio de uma equipe que já trabalha com a questão audiovisual há um tempo, o Afroflix tem um visual bem atrativo e uma proposta de dar visibilidade pra produção negra que merece ser reconhecida e apoiada.

Onde: Afroflix


Bom galera, essas foram as dicas da mãe preta de maio. Já dá pra sair um pouco do facebook e explorar novas paradas na internet né?

Até a próxima!

Postado em 4 de maio de 2016 por Lu Bento
diversidade ideologica
Esta cena se passou em nossa casa, durante a cobertura das manifestações contra o golpe e afagar da manutenção da presidente eleita democraticamente.  Uma pessoa logo comentou que Isha Bentia era “do contra”. Minha mãe afirmou que ela é igualzinha mim quando pequena, “do contra”. Resolvi refletir um pouco sobre o que é ser do contra.
De fato, quando pequena eu não acompanhava a maioria das decisões dos meus familiares. Sempre busquei ter uma opinião própria. É sempre fui tachada de “do contra”. Lembro de uma vez em que escolhemos a cor do carro que estávamos comprando, todos tinham escolhido a cor mais clara. Eu optei pela mais escura. No final das contas a cor mais clara estava indisponível e acabou sendo a cor que eu havia escolhido. Posteriormente, a cor que eles escolheram deixou de ser fabricada por baixo volume de vendas. O interessante é que a cor que eu escolhi se mostrou muito mais funcional para o carro, melhor para a revenda, acompanhou a tendência de cores mais sóbrias para carros que existe no Brasil… Enfim, foi uma boa escolha. Mas ninguém reconheceu de fato o mérito da minha escolha, só ficou pra história que eu fui – e sou – a do contra.
Minha família nuclear é toda de exatas. Pai engenheiro, mãe química industrial, irmão engenheiro. E eu decidi seguir para humanas. Socióloga. Mais uma vez eu optando em ser do contra. Sou de esquerda e eles de direita. Moro em São Paulo e eles odeiam essa cidade. Se a gente for parar para refletir, em muitas coisas minha família nuclear de origem aponta para um lado e eu para outro.
Não sei se eu era mesmo do contra quando criança. Mas sei que a prática em questionar e discordar da opinião dos meus parentes me fez uma pessoa com opiniões próprias. Me fez uma pessoa que reflete sobre os temas e se posiciona de acordo com suas convicções. E não alguém que tem medo de se posicionar na vida.
Minha filha hoje, aos 3 anos, sente liberdade e segurança pra discordar da opinião política da própria família. Não acho que ela tenha maturidade e informação para ter uma opinião formada sobre a situação política do país, mas ao menos ela tem liberdade para perceber que não precisa seguir os nossos passos se ela não quiser. Eu tive essa liberdade (mesmo sendo tachada de do contra) e ela também tem, dessa vez sem o rótulo.
Isha Bentia já demonstra desde agora que ela quer ter opiniões próprias, que as visões nos pais não a limitam no mundo. E a gente precisa perceber o quanto isso é libertador para a formação da personalidade dela. Porque ela sabe que pode experimentar coisas que nós, os pais, sequer pensamos como alternativas, e todos nós vamos nos adaptar a essa situação, cada um arcando com as consequências dos seus atos, sem culpabilizar os outros por suas próprias escolhas.
E que fique posto que eu não quero dizer que quem concorda com a opinião da maioria é alienado ou pouco inteligente. Nada disso. Só estou dizendo que é muito mais difícil discordar daqueles que amamos e que são nossa primeira referência. O que eu quero dizer, é que em um ambiente que valoriza o diálogo e respeita as opiniões, discordar de quem amamos e ser acolhida e respeitada é fundamental para que ela se sinta segura para discordar de qualquer outra pessoa sem medo de ser recriminada.
Postado em 16 de março de 2016 por Lu Bento
A política brasileira está um caos. A direita articulando um golpe, a esquerda acuada e sem arcabouço moral  pra resistir a tantas denúncias. No meio disso tudo uma população confusa, influenciada pelo ponto de vista das empresas que controlam a  imprensa e vivenciando cada reviravolta política com paixão.  E como nós, famílias pretas, ficamos no meio de tudo isso? Como e o que explicar pros pequenos  esse assunto que dominou os diálogos em todos os lugares?
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Crianças são curiosas por natureza. E na efervescência que vivemos é natural que elas estejam também ansiosas pra entender pelo menos um pouquinho do que está acontecendo no país. É leviano da nossa parte só passar um lado da situação. Nossos filhos não são nossa propriedade  e é tão tendencioso quanto o Jornal Nacional se a gente só explica as reivindicações de um dos lados  com o qual a gente se identifica. Não posso chegar pras minhas crianças e falar que só tem pessoas alienadas pedindo o impeachment  da presidente ou que é uma “idiotice sem fundamento” o que eles reivindicam. Uma criança merece informação de qualidade que a ajude a formar a sua própria opinião dentro da sua maturidade e  seu conhecimento do mundo pra entender os fatos.

O racismo

Como pessoas negras, independente da nosso posicionamento político partidário, precisamos sinalizar pra nossas crianças algumas questões que nos afetam diretamente. Uma delas é a ausência de negros, ou melhor, a pouca quantidade de negros nos protestos pró-impeachment. Isso está diretamente relacionado com divisão racial e econômica da sociedade, na qual os negros são maioria nas classes mais baixas e quase ausentes entre os mais ricos.
manifestacao3A pesquisa do DataFolha no protesto do dia 13 de março mostrou que metade dos entrevistados tinha renda entre 5 e 20 salários mínimos (fonte). Ou seja, essa galera não pode ser chamada de pobre.  Segundo a pesquisa, 4% dos manifestantes se identificaram como pretos, que somados aos que se identificaram como pardo, temos 19% de negros na manifestação.  O número não parece tão pequeno assim, mesmo sabendo que negros compõem mais da metade da população brasileira. Contudo, não podemos esquecer que  essas declarações são voluntárias e há uma tendência atual de pessoas lidas socialmente como brancas se declararem pardas para conseguirem benefícios relacionados a políticas de ações afirmativas (veja: afroconveniência). Eu ouso dizer que esse números podem estar inflados. De qualquer forma, visualmente, pouquíssimos negros foram vistos nas manifestações e isso já rende com as crianças um bom bate-papo sobre que lugares a população negra ocupa na sociedade.
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A imagem e a charge da babá que estava a trabalho na manifestação também podem render bons diálogos com a criançada sobre profissões, posições de prestígio, exploração do trabalhador, tudo isso permeado pela questão racial. Por mais que a mulher negra depois tenha declarado estar lá por vontade própria, é simbólico vermos um casal branco indo protestar segurando o cachorro enquanto uma trabalhadora negra cuida dos filhos do casal, tudo isso em pleno domingo. A gente pode ver a situação pela ótica capitalista  Até porque, se for desse jeito, daqui a pouco estamos achando normal pessoas brancas terem funcionários negros para carregar uma liteira com eles durante o protesto, carregar abanadores, guarda-sol etc, só porque eles estão sendo pagos para isso.
A diferença de postura da atuação das forças policiais nos protestos diferentes protestos também pode ser sinalizada para as crianças e jovens. Enquanto a polícia não fez nenhuma ação violenta para coibir os protestos pró-impeachment, a atuação dela sempre foi marcada pela violência ao coibir protestos pelo passe-livre ou os protestos dos estudantes e professores contra o fechamento das escolas. Essa hierarquização dos cidadãos, essa diferença de tratamento de acordo com a classe social do público que protesta é importante precisa ser discutida nas famílias.
Vemos também casos de pais que incitam seus filhos ao ódio. Pais ensinado seus filhos a xingar e desrespeitar a Presidenta. Ensinando a ofender e agredir quem pensa de forma diferente. Pode parecer inacreditável que em pleno século XXI as pessoas achem normal agir dessa maneira por desavenças políticas. O discurso de ódio tem espaço e caminho para se propagar sem nenhum pudor. Precisamos falar isso pras crianças, mostrar pra elas que não está certo agir assim, mesmo que o coleguinha faça isso, mesmo que tenha sido o pai do coleguinha ou a professora da escola que tenha ensinado.

A discriminação racial e o perigo eminente

Outro aspecto que pode ser explicado e conversado com criançada e, talvez seja o ponto que mais nos afeta diretamente,  é a emergência de movimentos racistas neste contexto de maniferacismo_mackenziestações políticas. Muitas pessoas se sentem livres pra destilar todo seu ódio e recalque com as conquistas sociais que os governos petistas nos trouxeram. Críticas ao bolsa-família, às cotas raciais, ao FIES e ao PROUNI facilmente se transformam em atos racistas, como a manifestação de ódio escrita em um banheiro na faculdade Mackenzie, em São Paulo.
Isso é muito grave. É grave porque nós negros estamos em eminente risco ao andar nas ruas numa situação em que grupos racistas circulam com liberdade sob o pretexto de estarem protestando contra o governo e podem simplesmente nos atacar em qualquer esquina. Pra quem tem crianças/adolescentes que circulam sozinhos pelas ruas, é importantíssimo destacar isso, porque estamos em posição de vulnerabilidade. A nossa sociedade racista sempre resiste em perceber situações de racismo mesmo que explícitas. Esse grupos radicais podem, a qualquer momento, atacar pessoas negras sem qualquer coerção. De vítima, a pessoa negra será colocada na posição de acusada, será lida como bandida ou como qualquer outra coisa que “justifique” a agressão.
 Alguns grupos já estão agredindo pessoas pelo simples fato de estarem vestidas de vermelho. São consideradas, pela cor da vestimenta, petitas. Já agrediram e hostilizaram idosos, mulheres e crianças por esse motivo fútil. Agora imagine o que esse tipo de gente pode fazer com uma criança negra que esteja sozinha só por ela estar usando vermelho próximo a uma manifestação contra o governo?
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Não estou dizendo com tudo isso que a população negra e a população pobre não podem estar ao lado dos que apoiam a derrubada do governo. Claro que não! Nossas convicções políticas envolvem outros fatores além da nossa negritude.O importante é conversamos com nossos pequenos,  tentar sanar a curiosidade deles na medida do possível e também mostrar que o racismo se explicita nesses momentos de crise.
É preciso estarmos atentos! Assim como determinadas pessoas se sentem livres para segurar cartazes criticando a presença de negros, se sentem livres para fazer saudações nazistas durante os protestos, outros se sentem livres para nos agredir verbal e fisicamente. Somos o alvo desse ódio contido da sociedade branca que se vê perdendo privilégios a cada instante devido às nossas conquistas. Não podemos, principalmente nesse momento, cair no conto da democracia racial.
Pode parecer exagero pra quem não é preto, mas existem muitas interseções entre a situação política brasileira e  as manifestações de racismo e as crianças precisam também entrar nesse diálogo.
Postado em 23 de fevereiro de 2015 por Lu Bento

O desenho é  Kiriku

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Eu não ia falar dos desenho do Kiriku agora, muitos já conhecem e eu tava planejando falar sobre ele depois que eu visse por mais vezes o novo Kiriku e os homens e as mulheres. Mas nesse carnaval aconteceu uma coisa linda, e eu estou frustradíssima por só descoberto antes: uma escola de samba de São Paulo desfilou com o enredo “Karabá e o menino do coração de ouro”. Então, pra aliviar a minha frustração, vamos falar de Kiriku!

Kiriku é o desenho favorito de Isha Bentia no momento. Ela fala em Kiriku o tempo todo! Ela morre de medo da Karabá (rainha), mas também morre de amores. Sabe aquela sensação de fascínio e medo que as crianças pequenas costumam sentir por alguma coisa? Isha Bentia sente pelas histórias do Kiriku. É bom saber que um história tão fofa como essa vai ficar nas nossas lembranças da infância dela.

Isha Bentia assistiu Kiriku e a feiticeira com o pai, e ficou vidradinha durante todo o filme. Acho que foi o primeiro longa que ela assistiu e ela fez tantas perguntas que deu pra perceber que estava bem interessada. Ficou com medo da feiticeira e seus feitiços e isso nos rendeu algumas horas de explicações para que ela entendesse que a feiticeira não quer fazer mal a ela.

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Eu gostei mais da seqüência Kiriku e os Animais Selvagens. As histórias são curtinhas, é mais prático pra Isha ver no dia-a-dia e é melhor para as crianças pequenas.

O último, Kiriku e os homens e as mulheres, eu descobri há pouco tempo e achei bem diferente dos demais. Outros personagens entram na história, me pareceu meio confuso. Mas como Isha Bentia não curtiu muito ainda, eu não tenho muito o que dizer sobre ele.

Kiriku é tão querido aqui em casa que já virou brincadeira entre as meninas, Isha Bentia diz que é a Karabá, a feiticeira e corre atras de todo mundo. Mini Bentia é Kiriku e salva as pessoas. Qualquer brinquedo vira um Feitiço da Karabá e pode pegar a gente. Já dá ora imaginar o quanto eu já corri por essa casa fugindo da Karabá né? E o quanto já tive que ficar com a Kiriku no colo pra não se presa por um Feitiço!

Identidade, cultura, representatividade, ancestralidade…tudo isso encontramos em Kiriku.

Postado em 29 de janeiro de 2015 por Lu Bento

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Quem não gosta de contos de fadas, não é mesmo? Nossas crianças ficam loucas com essas histórias mágicas, com princesas e príncipes tão distantes da nossa realidade. No LêproErê de hoje eu trago pra vocês uma releitura de um clássico da literatura infantil, o favorito (do momento) de Isha Bentia.

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Livro: Uma história mais ou menos parecida
Autora: Marcia Paschoallin
Ilustrações: Julina Fiorese

No LêproErê de hoje vamos falar de um livro infantil super fofo que eu conheci pelo facebook quando a autora  buscava financiamento no Catarse pra ser produzido. Eu contribuí e recebi em casa o livro. Foi minha primeira contribuição nesses sites de financiamento coletivo e fiquei super satisfeita.

É uma releitura da história da Branca de Neve e tem uma pegada bem moderna. Pra vocês terem uma ideia, o rei conhece a nova rainha através de um site de relacionamentos! Excelente pra prender a atenção das crianças de hoje né? Eu gostei bastante da leitura, mas ainda não é indicada pras minhas meninas (elas têm menos de 3 anos). Sem dúvida é uma leitura pra crianças maiores, que já entendem bem todas as nuances do livro e podem fazer os devidos paralelos com a história da Branca de Neve.

A fã page do livro no facebook  pode ser vista clicando aqui.

Até o próximo LêproErê!!!

Veja mais em Combate ao Racismo e Educação


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