Postado em 5 de outubro de 2017 por Lu Bento

 

 

 

“Mamãe, o menino falou que não ia brincar comigo porque os amigos dele são brancos e eu sou marrom. Ele disso que não gosta de marrom.”

“E o que você disse filha?”

“Eu disse que eu gosto de marrom, e que às vezes as famílias são marrom. E toda a minha família é marrom e eu sou linda!”

” Ah é filha? E ele?”

” Ele disse que só brinca com os amiguinhos brancos.”

 

Esse foi o meu diálogo desta manhã com a minha filha caçula, de 3 anos. Ela me contou, com muita naturalidade e sem nenhum sinal de mal-estar que um coleguinha da turma falou que não brincaria com ela porque ela é “marrom”. Quando ela começou a conversa e me disse isso, meu sangue gelou. Um desconforto físico tomou conta do meu corpo e eu percebi que minha filha, minha garotinha que mal deixou de ser um bebê, já está enfrentando o racismo.

Mini Bentia é muito sensível e emotiva, então assim que ela me contou isso eu a imaginei chorando e ficando triste essa rejeição com base em sua cor de pele. Em seguida, perguntei qual foi a reação dela e a resposta me surpreendeu e me acalmou. Ela não se deixou abalar pela rejeição e falou de forma positiva da sua cor de pele.  Não tenho como ter certeza que ela agiu dessa maneira. O racismo nos pega de surpresa e nos deixa sem ação, mesmo quando já sabemos várias respostas para o preconceito. Como essa história está sendo contada por ela depois, é claro que essa reação positiva pode ser uma forma idealizada, pode ser uma construção de como ela gostaria de ter agido na hora, mas que não fez de verdade ou pode até mesmo ser uma forma dela me contar que me deixe feliz com ela, porque sempre falamos em casa o quanto gostamos de ser negros.  O final da história é aquele já narrado, o menino manteve a mesma posição e não brincou com ela.

Mesmo que os fatos não tenham acontecido exatamente assim, é pouco provável que a cena toda seja uma invenção da minha pequena. Crianças negras sofrem racismo na escola desde cedo e é até natural que as crianças não saibam lidar com as diferenças.

Na escola da Mini Bentia, a maioria das crianças são brancas. As professoras também. Então pensando no contexto daquele espaço e nas prováveis relações que esse menino estabelece, o contato com pessoas negras deve ser muito pequeno. Somando-se a isso, a ausência de representatividade negras nos desenhos animados, na publicidade e nos espaços de poder fazem com que a criança branca cresça com uma visão distorcida sobre a negritude.  Eu entendo que a criança branca não queira se misturar com crianças de outras etnias, que prefira ficar entre iguais. O que eu não entendo é que adultos não façam nada quanto a isso. Não entendo como professores e pais não desenvolvem um olhar atendo sobre essas questões, não percebem que as crianças brancas estão afastando as crianças negras ou se negando a brincar ou interagir com elas.

Essa atitude de afastamento a partir da diferença é o embrião do racismo. E ele é alimentado pela falta de educação para as relações étnico-raciais, pela falta de uma atitude pró-ativa para o combate à discriminação racial na infância e pela omissão das pessoas não-negras na luta antirracista.

O caso relatado pela Mini Bentia mostra que essa situação precisa de uma intervenção. Não sei se algum adulto acompanhou o diálogo, nem se esse menino convive com outras crianças negras além da minha filha e essa foi uma atitude pontual, uma justificativa naquele momento pra não brincar com ela. Não sei sequer se a família dessa criança a ensina a se afastar de pessoas negras ou se essa foi só uma percepção da criança de que o afastamento é uma postura adequada diante das diferenças. Não tenho essas respostas.

Só sei que o nosso trabalho de formiguinha só vai resolver parte do problema, a parte que nos afeta e nos faz sofre. Minha filha me contou tudo isso com naturalidade, como se fosse mais um fato corriqueiro da escola e sorriu quando me contou a sua resposta para o menino. Eu posso trabalhar para que ela entenda que é o menino que sai perdendo com essa atitude, que a discriminação racial não é culpa dela e que ele é que está agindo de uma forma errada e mal educada. Mas e a outra parte? Quem trabalhar para ensinar o menino a conviver e respeitar as diferenças? Quem ensina pra criança que essa atitude é racismo? Quer percebe logo na primeira infância as raízes dessa atitude racista e procura combatê-la?

Eu marquei uma reunião com a direção da escola para informar o que minha filha contou essa manhã. Mas nada me garante que as pessoas se interessarão verdadeiramente em por essa questão. Nada me garante que as professoras olharão com amis cuidado para as interações entre as crianças e perceberão essas situações a ponto de intervir. Nada me garante que os profissionais da escola estão habilitados para promover uma educação pra diversidade, que valorize as diferenças e que combata o racismo. Nada me garante que a família do menino será informada para também se dedicar a promover uma educação que respeite o outro e que o ensine a conviver com as diferenças.

Não dá pra colocar toda a carga do racismo nas costas das pessoas negras. O racismo contra negros é um problema gerado pelos brancos e precisa ser combatido por todos.

 

Postado em 4 de agosto de 2017 por Lu Bento

Esse ano finalmente fomos pra Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty.  Eu sempre paquerei o evento, mas nunca tínhamos nos organizado pra ir. Esse ano, logo em janeiro eu comecei a pesquisar casas pra alugar  e curtir Paraty com toda a família. Mas logo meu plano miou, meus pais não poderiam ir, talvez meus sogros também não fossem e eu achei que talvez não fosse a hora de gastarmos uma grana. Já estava ficando frustrada por mais um plano fracassado, quando eu me dei conta que passarei grande parte das minhas férias viajando sozinha e que eu precisava desse momento de descanso e lazer com eles.

Encontrei uma pousada próxima ao centro histórico, fiz a reserva por impulso e pronto: comuniquei ao marido que nós íamos passar uma semana em Paraty e curtir a Flip. Ele topou, na hora não parecia tão interessado em curtir a programação do evento, mas já tínhamos feito uma viagem de férias em família pra lá em 2014 e provavelmente ele achou uma boa ideia voltarmos pra cidade.

O plano era chegar em Paraty na quarta, fazer um passeio de barco com as meninas e depois ficar por conta da programação da Flip. Me preparei pra assistir todas as atividades possíveis, tanto na programação oficial, quanto na diversas programações paralelas. Estava tudo planejado. E obviamente, deu tudo errado. Que bom!

Acabamos indo pra região de Paraty dois dias antes, já que estávamos interessados em conhecer também a vila de Trindade e eu não abria mão de nenhum dia da programação da Flip.  Demos uma passada rápida no Rio pra ver os parentes e de lá partimos pra estrada rumo a Trindade. A ideia inicial era ficarmos em uma pousada mais simples, mas na hora de fechar e reserva eu já tinha chutado o balde das preocupações e estava disposta de ter férias de verdade, e acabamos ficando em uma pousada de frente pro mar.  Que lugar lindo! Não poderíamos ter feito escolha melhor.

Dias 1 e 2 – Trindade

A primeira reação de Mini Bentia foi perguntar à moça da pousada que nos recebeu se a praia ela dela e se ela ia P_20170724_153802emprestar pra gente. A moça, muito simpática, disse que a praia era de todo mundo e que a gente poderia usar quando quisesse. Mini Bentia ficou louca de alegria. Aquela liberdade era tudo que ela mais queria e mas me preocupava. Por alguns minutos me arrependi de ter escolhido esse lugar. Mas aos poucos ela entendeu que não poderia ficar indo pra praia sozinha e eu pude relaxar um pouco. Também, com aquela vista e o barulho do vai e vem do mar  não tem como ficar estressada.

Os dias em Trindade foram de praia, boa comidade e pura curtição em família. Tudo que a gente precisava. Fizemos um breve passeio de barco até as piscinas naturais do Cachadaço  e, pra  nossa sorte, e maré tava muito baixa e a região estava bem rasinha, perfeita pra curtição com crianças. Elas se acabaram de tanto brincar  na praia! Se a viagem terminasse ai já tinha valido a pena pra todos nós. Trindade tem aquele clima gostoso de vila de pescadores bem pequena, onde todo mundo se conhece e nos passa a sensação de que não precisamos de muita coisa pra viver. Não conseguimos fazer os passeios mais adultos, como conhecer as cachoeiras ou fazer algumas trilhas, mas valeu pela tranquilidade do lugar e pela oportunidade de estarmos juntos, nos curtindo.

No último dia em Trindade ficamos curtindo nossa praia particular. Aproveitei pra ver o nascer do sol e fazer minha meditação na praia. Que vontade de largar tudo e ficar morando lá sempre. Aliás, cada vez que eu vou pra um lugar onde o ritmo de vida é mais tranquilo fico morrendo de vontade de mudar pra lá de vez. Sinal que o agito da vida em São Paulo já não está tão interessante pra mim, tenho desejado cada vez mais um ritmo de vida mais lendo, onde posso curtir mais o momento presente. A vibe tava tão gostosa em Trindade que acabei escrevendo algumas poesias e reacendeu minha vontade de escrever que andava meio abandonada.

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Dias 3, 4 e 5 – FLIP

Depois de 2 dias nesse paraíso, fomos pra Paraty com o coração  mas também empolgados com a nova etapa das nossas férias. Ficamos em um hostel bem ruinzinho e essa queda no padrão nos deixou um pouco chateados. Mas as pessoas do lugar eram muito simpáticas e a gente mal ficava no quarto, então acabou valendo a pena. Passeamos por Paraty relembrando os locais conhecidos na primeira vez e conhecendo os espaços onde aconteceriam as atividades que gostaríamos de acompanhar.

P_20170726_154626Quando a Flip começou pra valer a minha ficha caiu: seria impossível acompanhar a programação com duas crianças loucas pra se divertir. No começo fiquei decepcionada, porque eu queria muito assistir várias da mesas programadas. Mas estávamos em clima de férias né? E férias em família tem que ser legal pra toda a família. Então mudei meus planos e foquei na programação infantil. Fiquei bem decepcionada com a programação oficial, que se resumia em uma grande tenda com livros infantis para os pais lerem com a crianças. Bem sem-graça. Com a grana envolvida dava pra fazer atividades bem melhores pra crianças. A maioria das casas do circuito paralelo também não contemplava a infância. E olha que tinha muita criança por lá.

Acabamos curtindo muito a programação do SESC, que tinha contação de histórias todos os dias e uma intensaP_20170730_104750_BF programação infantil. Todo o dia a gente dava uma passadinha por lá e as meninas ficam um tempão lendo e brincado com as educadoras de lá. Uma das atividades, a contação de histórias da Cia Alcina da Palavra, foi um bálsamo de africanidade em meio a tantas atividades que não pensavam em representatividade e diversidade na infância. A Flipinha tava cheia de livros de Monteiro Lobato disponíveis pra leitura, como se o grande mestre da literatura infantil não fosse um grande racista. Além de Lobato, alguns livros de qualidade duvidosa também estavam expostos lá.

Outro espaço que vale a pena destacar foi a Casa do Papel. Lá as meninas fizeram uma oficina de encadernação super bacana, e  Isha Bentia ficou concentradíssima produzindo seu cartão flag card. Mini Bentia dispersou bastante, normal pra uma criança de 3 anos que não gosta muito de atividades calmas, mas o pessoal de lá foi bem bacana e me ajudou a acompanhar as duas na atividade. Saímos de lá com dois lindos cartões e duas crianças felizes e orgulhosas dos seus feitos.

Pra não dizer que eu não fiz nada por mim na Flip. participei de uma gincana bem louca da Publishnews, fiquei em segundo lugar  e acabei ganhando uns 15 livros. Foi bem divertido e uma oportunidade de conhecer mais sobre o mercado editoral, possibilidades de publicação e várias pessoas incríveis na Casa da Publishnews. E as meninas, que não são bobas nem nada, fizeram amizade com a representante do SESI-SP editora e ganharam 2 livros maravilhosos (falarei sobre eles no instagram, corre lá!).

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Dias 6 e 7 – Paraty

P_20170730_080159Nos últimos dias decidimos trocar do hostel por uma pousada e fomos pra um lugar mais confortável. Quarto com espaço, banheiro sem janelão pra rua e diversões pras curicas. A gente merecia um descanso antes de voltar pra rotina.  Mais uma vez, pudemos diminuir o ritmo e simplesmente curtir o dia. As meninas estavam loucas por um hotel com piscina, e mesmo com a água super gelada criam coragem pra entrar. Até Mini Bentia, a rainha do banho quente, topou entrar na piscina gelada.

Pra fechar a viagem, almoço à beira mar, caminhada de despedida pela cidade e muitas fotos. Paraty continua sendo nosso destino favorito de férias e  já estamos sonhando com a volta em 2018.

Voltamos pra São Paulo felizes por dias incríveis que vivemos juntos, por tantas alegrias e experiências gostosas durante a Flip.

Postado em 8 de setembro de 2016 por Lu Bento

Combater o racismo  é um dever todos nós. Não importa se você é branco ou negro, se sente o racismo na pelo ou se acha que o país já é bem menos racista que antigamente. Se você acredita que o racismo deve ser erradicado, é preciso adotar uma postura antirracista.

A Unicef lançou uma cartilha com 10 maneiras de contribuir para uma infância sem racismo. Creio que essa é uma leitura fundamental para educadores, pais e quaisquer interessados em promover uma educação antirracista, por isso reproduzo e compartilho aqui o material produzido pela Unicef.

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10 maneiras de contribuir para Uma Infância sem Racismo

1. Eduque as crianças para o respeito à diferença. Ela está nos tipos de brinquedos, nas línguas faladas, nos vários costumes entre os amigos e pessoas de diferentes culturas, raças e etnias. As diferenças enriquecem nosso conhecimento.

2. Textos, histórias, olhares, piadas e expressões podem ser estigmatizantes com outras crianças, culturas e tradições. Indigne-se e esteja alerta se isso acontecer –contextualize e sensibilize!

3. Não classifique o outro pela cor da pele; o essencial você ainda não viu. Lembre-se: racismo é crime.

4. Se seu filho ou filha foi discriminado, abrace-o, apoie-o. Mostre-lhe que a diferença entre as pessoas é legal e que cada um pode usufruir de seus direitos igualmente. Toda criança tem o direito de crescer sem ser discriminada.

5. Não deixe de denunciar. Em todos os casos de discriminação, você deve buscar defesa no conselho tutelar, nas ouvidorias dos serviços públicos, na OAB e nas delegacias de proteção à infância e adolescência. A discriminação é uma violação de direitos.

6. Proporcione e estimule a convivência de crianças de diferentes raças e etnias nas brincadeiras, nas salas de aula, em casa ou em qualquer outro lugar.

7. Valorize e incentive o comportamento respeitoso e sem preconceito em relação à diversidade étnico-racial.

8. Muitas empresas estão revendo sua política de seleção e de pessoal com base na multiculturalidade e na igualdade racial. Procure saber se o local onde você trabalha participa também dessa agenda. Se não, fale disso com seus colegas e supervisores.

9. Órgãos públicos de saúde e de assistência social estão trabalhando com rotinas de atendimento sem discriminação para famílias indígenas e negras. Você pode cobrar essa postura dos serviços de saúde e sociais da sua cidade. Valorize as iniciativas nesse sentido.

10. As escolas são grandes espaços de aprendizagem. Em muitas, as crianças e os adolescentes estão aprendendo sobre a história e a cultura dos povos indígenas e da população negra; e como enfrentar o racismo. Ajude a escola de seus filhos a também adotar essa postura.

Participe desta campanha e contribua para Uma Infância sem Racismo.

Acompanhe o tema da redução do impacto do racismo na infância e na adolescência por meio do www.unicef.org.br ou siga o UNICEF no Twitter: @unicefbrasil.

Divulgue para os seus amigos! Valorizar as diferenças na infância é cultivar igualdades!

Postado em 31 de maio de 2016 por Lu Bento

Olá pessoal! Maio terminando e finalmente eu dou as caras por aqui. Já deu pra notar que não tá fácil a vida né? Mas tem dicas da mãe preta pra fechar bem o famoso mês das mães! Bora lá?

 

Aplicativo – Trello

 

Trello-blogGente, estou encantada com esse aplicativo! É mais um aplicativo de organização e gerenciamento de tarefas, mas ele é bem funcional e intuitivo, gostei muito assim que me cadastrei e agora é o que eu mais uso, pois uso no trabalho, nos projetos com a livraria e pretendo expandir pra outras áreas. Então, se eu começar a postar regularmente por aqui é porque está dando super certo usar o trello, já estão avisados! 🙂

O Trello pode ser acessado pelo site e também pelo aplicativo, que tem pra IOS e pra Android. Tenho Android e ele funciona super bem, ficou bem mais fácil organizar meus compromissos com ele.

Onde: Trello | Trello app


Site – Como Educar seus filhos

como educar seus filhosNeste site, o prof. Carlos Nadalim fala sobre educação infantil de uma maneira bem esclarecedora, passando dicas práticas e fáceis de aplicar na educação das crianças. Um site com muito conteúdo interessante para quem pensa sobre educação das crianças e busca novas formas e técnicas para despertar as potencialidades dos pequenos. Tem uma pegada um tanto quanto religiosa em alguns aspectos, confesso que preferiria que certas referências a Deus não fossem feitas, mas é possível filtrar e passar por cima de determinadas referências se essa não for a sua praia (como não é a minha!). Ah, ele tem métodos muito voltados para a alfabetização das crianças em casa, não que eu ache que devemos nos preocupar em alfabetizar nossas crias cada vez mais cedo, mas acho muito válido que a gente tenha ferramentas para estimular o interesse da criançada em aprender e descobrir o mundo da leitura.

Ainda é possível acompanhar as dicas do site pelo canal do youtube e pelo podcast, ambos com o mesmo nome e bem fácil de encontrar.

Onde: Como educar seus filhos


Youtube – Toda mãe é meio lóki

O canal da jornalista Fabíola Corrêa é super divertido e bem produzido. A cada vídetoda mãe é meio lokio ela fala sobre um tema e dá voz a especialistas sobre o assunto. Bem legal o formato porque fica leve e informativo.  Como ela mesma diz na descrição: “O objetivo não é atingir a perfeição, e sim dizer ‘calma, vai ficar tudo bem!’, porque – muitas vezes – é só isso que a gente precisa ouvir.” O vídeo sobre sogra é muito bom!!!

Conheci o canal através de um convite da Fabíola para que eu falasse sobre uma foto que ela tirou e que viralizou na internet. Fiquei muito feliz com o convite porque é muito importante que a gente consiga dialogar também com mães não-negras que entendam que há discriminação racial e que é preciso fazer algo quanto a isso. Quem quiser ver o vídeo que euzinha contribuo, clica aqui.

Onde: Toda mãe é meio lóki


Site – Revista Trendr

revista trendrEssa é a primeira revista brasileira do Medium, uma plataforma colaborativa de textos. Entrei no Medium no final do ano passado e estou curtindo muito. Em geral, são textos mais produzidos, pensados, elaborados… nada parecido com o post do facebook. É um espaço para produção de conteúdo com foco na qualidade, e não na quantidade. E a Revista Trendr é uma revista eletrônica que utiliza essa plataforma pra agregar textos em português ( no Medium ainda há prevalece a língua inglesa), voltada para textos que falem sobre questões atuais.  Bem bacana a variedade de temas  e de textos publicados por lá.

Alguns textos aqui do blog também são publicados no Medium e eu também estou começando a colaborar com a Revista Trendr e com a O que aprendi com a vida, outra revista eletrônica mais voltada para comportamento que faz parte da Trendr.   Então tem muita coisa por lá pra quem gosta de ler artigos curtos e atuais. Vale a pena conhecer.

Onde: Revista Trendr


Plataforma – Afroflix

afroflixSaca o Neflix? Agora imagina algo parecido, mas só dando dastaque para produções de roteiristas e diretores negros? É o afroflix! É o paraíso né? Várias obras de autoria negra reunidas em um só lugar. Ainda não é uma plataforma de streaming, mas é uma plataforma que agrega as buscas por conteúdo audiovisual afrocentrado e isso já é o suficiente pra gente se sentir contemplado quando,  naquelas tardes tediosas de domingo, quer assistir uma produção preta. Muito legal mesmo! Outro ponto bacana é que o afroflix está agregando também vlogs do youtube, facilitando a busca por canais de gente preta.

Com direção geral de Yasmim Thayná e o apoio de uma equipe que já trabalha com a questão audiovisual há um tempo, o Afroflix tem um visual bem atrativo e uma proposta de dar visibilidade pra produção negra que merece ser reconhecida e apoiada.

Onde: Afroflix


Bom galera, essas foram as dicas da mãe preta de maio. Já dá pra sair um pouco do facebook e explorar novas paradas na internet né?

Até a próxima!

Postado em 30 de abril de 2016 por Lu Bento

Gente, existe vida virtual além do Facebook! Esse mês divido com vocês algumas coisinhas que eu curti muito nessas navegâncias na web. As dicas da mãe preta de abril estão quentinhas! Bora lá?

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YOUTUBE – Canal da Egnalda Côrtes

capa-egnalda-vs-2Estreou esse mês um canal no youtube sobre maternidade e educação de crianças pretas. Coisa linda demais gente! A Egnalda têm dois filhos maravilhosos, uma menina com a autoestima maravilhosa e uma consciência contagiante de suas capacidades e qualidades, um pequena feminista que encanta e influencia pessoas por onde passa e um menino que já é uma celebridade da internet, que também tem um canal no youtube e fala sobre heróis negros brasileiros. Se você lembrou logo do PHCôrtes, é ele mesmo que eu já indiquei aqui e que está fazendo um sucesso enorme por aí. Então, já deu pra ver que essa mãe não está de bobeira  né? O canal dela está lindo, com vídeos informativos e divertidos, do jeitinho que a gente gosta. Esse super canal de maternância negra precisa chegar a muitas mães negras pelo Brasil!

Onde: Canal Egnalda Côrtes


PODCAST – Conversas pra Casal

conversas pra casalUm podcast lindo, feito para falar sobre relacionamentos de um forma leve, romântica e muito assertiva, tocando em questões fundamentais para a satisfação na vida a dois. Começou a pouco tempo, eu já me apaixonei por ele e quero muito apresentar esse cast para o marido e ouvir juntinho com ele. A Lilian Flores é uma locutora maravilhosa, com uma voz que nos deixa com mais vontade ainda de ouvir todo o conteúdo e pra fechar, é uma mulher negra. E quando o trabalho é feito por uma mulher negra a gente se sente ainda mais motivada em acompanhar né?

Onde: Conversas pra casal


SITE – Rede Nacional da Primeira Infância

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O site  é uma articulação nacional de organizações que atum, direita ou indiretamente, na promoção e garantia dos direitos da Primeira Infância, com a preocupação em não haver discriminações étnico-raciais, de genêro, de região, religiosa, ideológica, partidária, econômica, de orientação sexual ou de qualquer outra natureza. Ou seja, uma iniciativa de promoção da liberdade individual e proteção da primeira infância. Proposta mais que necessária de ser acompanhada por pais, educadores e pessoas comprometidas com a infância.

Gostei muito de conhecer esse site e com certeza já entrará na minha lista de favoritos.

 Onde: www.primeirainfancia.org.br

 


BLOG – Preta ‘dotora’ na primeira pessoa

Um blog escrito por uma mulher preta, mãe e doutora em história sobre diversos temas, entre eles feminismo e maternidade. Vale muito conhecer! Tem um texto maravilhoso sobre a moda do #belarecatadaedolar e outro sobre crianças negras em escolas majoritariamente brancas que eu recomendo muito a leitura.

Onde : Preta “dotora”


Bom gente, essas foram as dicas de abril. Espero que vocês tenham gostado.  🙂

 

 

 

Postado em 18 de abril de 2016 por Lu Bento
Hoje é o Dia Nacional do Livro Infantil e nada mais oportuno do que falarmos sobre leitura para os nosso pequenos. A data de hoje foi escolhida em homenagem a Monteiro Lobato, um das maiores personalidades racistas do Brasil, que é considerado o grande patrono da literatura infantil apesar das inúmeras manifestações racistas em suas obras. Mas não quero passar uma data tão significativa para o estímulo da leitura na infância falando desse ser, tão vamos falar de coisa boa, vamos falar de literatura para nossas crianças pretas!
O banco Itaú tem uma campanha maravilhosa de incentivo à leitura, o “Leia para uma criança” na qual eles anualmente distribuem livros e fazem outras ações de incentivo à leitura. A partir desse projeto comecei a refletir sobre a importância de lermos para uma criança negra.  E é sobre isso que quero falar com vocês hoje.
Resolvi fazer uma lista com 10 motivos para lermos para uma criança negra. Espero que você, ao ler esse motivos, se anime a ler mais para suas crianças negras e pra outras crianças negras.

1-Ler para uma criança preta fortalece os laços afetivos e nos aproxima da criança

Ler para alguém gera cumplicidade. A sua entonação, o sentimento que você imprime na voz, na postura, nos silêncios durante a leitura são pessoais. Uma pessoa nunca lê igual a outra.  Ter a oportunidade de dividir isso com crianças é muito especial. Ter a oportunidade de compartilhar as sua impressões de uma leitura com uma criança é maravilhoso. O momento em que lemos para um criança é um momento de trocas de afetos, é um momento de aproximação e intimidade.Leia para uma criança negra 5
Em uma rotina exaustiva, na qual mal temos tempo de ver e falar com as pessoas que moram na mesma casa, e quando temos estamos sempre cercados de aparelhos eletrônicos, ler um livro para uma criança durante alguns minutos é muito importante. É um momento em que nos dedicamos integralmente à ler e a estar junto dessas crianças e isso fortalece os laços afetivos.

Leia para uma criança negra e fortaleças seus laços afetivos.

 

2- Um adulto que lê para uma criança é um espelho

Quando lemos para uma criança negra, além de receber o conteúdo a leitura estará absorvendo  também sua própria paixão pelo ato de ler. Uma criança que vê adultos negros lendo, se inspira e percebe que aquilo também faz parte do universo dela. Somos espelhos para os nossos pequenos. Da mesma forma que uma criança não vai se sentir interessada em comer verduras e legumes se nos adultos a sua não comem, ela não se interessará pela leitura se os adultos a sua volta não lLeia para uma criança negraeem.
Por isso, é fundamental que os adultos se tornem leitores.  Se lemos com prazer, nossas crianças absorvem esse prazer pela leitura e passam a querer reproduzi-lo.

Leia para uma criança com prazer, sem que isso se torne uma tarefa chata e burocrática.

3-  Ler bem  melhora a escrita, a fala e a articulação de ideias.

Quanto mais a gente lê, melhor a gente escreve, melhor a gente fala, melhor a gente exterioriza as nossas ideias. Essas são qualidades importantíssimas em nossa vida adulta. Quantos problemas são evitados quando conseguimos nos expressar com clareza, de forma que facilite a compreensão? Então, leia para uma criança negras a a ajude a falar, escrever e se expressar melhor.
Em um sistema educacional que já desvaloriza nossos saberes e se constitui sob uma lógica que exclui pessoas negras, ler para uma criança negra desde pequeno é fundamental para que essa criança tenha ferramentas para acompanhar o processo de aprendizagem formal.

  Leia para uma criança negra e ajude-a melhorar as suas habilidades.

4- Ler é empoderador

Quanto melhor uma criança negra ler, menos manipulada ela será! E isso já é um motivo e tanto para que nossas crianças leiam bem. Precisamos saber mais que juntar sílabas e formas palavras. Precisamo ler as entrelinhas, o contexto, os silêncios. Essa habilidade só se adquire com a prática. Quanto mais ela ler, mais  ela saberá perceber e combater o racismo, mais ferramentas ela terá para se posicionar no mundo. Ler é empoderador.

Leia para uma criança negra e a ajude a se empoderar.

5- Ler é um dos principais refúgios para os oprimidos

Qualquer pessoa em situação de opressão ou de limitação de suas liberdades individuais pode encontrar na literatura um refúgio e uma possibilidade de viver outras realidades que ela não pode naquele momento. A leitura é o nosso passaporte para viver um sonho.  Pessoas em situação de privação de liberdade que leem, pessoas adoentadas que leem, por exemplo, são pessoas que conseguem vivenciar sensações positivas a partir da história dos livros, e mais ainda, conseguem projetar novas possibilidades de futuro. A leitura nos permite abstrair as dificuldades do momento e imaginar novas formas de perceber e reagir  à nossa realidade.
Por que eu falo isso? Eu falo tudo tudo isso porque o racismo é algo que nos oprime, é algo que tenta a todo instante nos limitar, nos restringir a um determinado espaço de subalternidade na sociedade.
Levando esse pensamento para o universo infantil, percebemos que muitos dos grandes autores foram crianças que sofreram preconceito na infância, e que liam muito e a partir daí, desenvolvem ainda mais sua própria criatividade.  A leitura ocupa um espaço que nem sempre conseguimos suprir na vida real e nos aguça a criatividade e a busca por novas possibilidades de reagir à problemas reais.
Daí a importância de lermos para crianças negras. Se a gente estimula o hábito da leitura desde cedo, nossas crianças já dominarão essa ferramenta, e desde cedo poderão buscar suporte na leitura para resistir a situações de preconceito e, se nos preocuparmos especialmente com o conteúdo da leitura, ela lhes dará suporte para combater o preconceito.

Leia para uma criança negra e deixa que o livro se torne o seu companheiro.

 

6- Ler estimula o senso crítico e desconstrói estereótipos

A leitura estabelece paralelos com a realidade, mesmo nas obras mais fantasiosas. É importante fornecer a nossas crianças acesso a esse repertório para que elas desenvolvam o senso crítico. Quando mais a criança lê, mais ela pode fazer conexões de ideias e formar suas próprias opiniões. E uma criança negra que pensa por si, é uma criança negra que não se prende a estereótipos. É uma criança negra que sabe que  ideias preconceituosas não tem fundamento, que elas não estão fadadas a fazer  aquilo que a sociedade espera que pessoas negras façam.

 Leia para uma criança negra para que ela desenvolva o senso crítico.

7- Ler ajuda a aumentar o foco e concentraçãleia para uma criança negrao

Leitura é uma atividade que precisa de atenção. E saber concentrar a nossa atenção é um recurso fundamental.  Nosso acesso as oportunidades são reduzidos. Precisamos ainda mais de foco e concentração para que o racismo nos impeça de atingir melhores condições de vida. E ler é uma forma de desenvolver essa habilidade. 

Leia para uma criança negra e a ajude a manter o foco e a concentração.

8- Ler é um entretenimento de qualidade e baixo custo

As pessoas em geral costumam achar o livro bem melhor que o filme. Porque no livro, nossa imaginação não é limitada pela visão do diretor do filme, pelos limites da tecnologia ou do orçamento. Nossa imaginação é livre. A diversão que um livro pode proporcionar  é muito mais intensa que um filme.
Sem entrar na discussão do preço do livro no Brasil (já viram o preço do cinema?), ler é um entretenimento de baixo custo. Se não dá pra comprar o livro, existe uma ampla rede de bibliotecas super equipadas que podem oferecer o livro.
Visitar livrarias e bibliotecas pode ser um programa maravilhoso para um fim de semana. Além de vários livros que podemos ler livremente, esses espaços geralmente oferecem atividades relacionadas à leitura, como contação de histórias, leituras mediadas e brincadeiras que podem nos auxiliar bastante na transformação da leitura em um hábito.

 Leia para uma criança negra e se divirta gastando pouco.

9- A leitura é uma forma de acessarmos a nossa história

leia para uma criança negra 9Nossos heróis não estão na tv, não estão nas escolas mas estão na literatura! São muitos livros que falam de Zumbi, de Dandara, da resistência negra à escravidão, das riquezas da cultura africana. Muito  já foi escrito sobre a nossa negritude,  sobre nossos ancestrais,  sobre nossas raízes. Nossas crianças precisam conhecer a nossa verdadeira história e não essa história dos livros didáticos e da grande mídia que não nos representa. Nos livros encontramos tudo isso!  Ler para uma criança negra é apresentar a ela esse mundo.

 Leia para uma criança negra e mostre a nossa história.

10- É apresentar a eles a possibilidade para criarem suas próprias histórias

Quanto mais nossas crianças negra lerem, mas elas se sentirão confortáveis em criam suas próprias histórias.

No facebook da Era uma vez o mundo, é possível ver minha curica Isha Bentia e o pequeno Mathias contando suas próprias histórias. Clique e se divirta com eles!
Postado em 25 de fevereiro de 2016 por Lu Bento

No fina de janeiro iniciamos o projeto 100 meninas negras. Este projeto busca listar 100 livros infantis com meninas negras em posição de destaque. A listinha ainda está em 25 títulos publicados, mas já está fazendo sucesso nas redes. Sabe porque?  Por que representatividade importa! E é sobre isso que falaremos hoje!

Como todo mundo sabe, sou mãe de duas meninas negras. E antes disso, fui uma menina negra. Eu sei bem o que é olhar pra tv não obter o reconhecimento da minha imagem como algo positivo. Olhar pro material didático, encontrar vários personagens infantis e não encontrar nenhuma menina negra. Viver constantemente a sensação de não pertencer a um determinado espaço porque não me vejo representada nele.

E isso não é só c2015-07-24 19.05.18oisa da minha cabeça. Pergunte pra qualquer menina preta que você conhece se ela já se sentiu assim em algum momento na vida e a resposta será: “sim, em vários momentos!”. Se você é ou foi uma menina preta você sabe exatamente o que estou falando e quais sentimentos afloram quando retomamos essas questões.

Não é o tipo de sentimento que a gente gostaria que ninguém sentisse, muito menos nossas crias. Por isso, inspirada e desafiada pela fala recorrente de muitos educadores que afirmam que não há variedade de material editado e publicado com protagonismo negro, decidi listar 100 livros infantis com protagonistas negras.  A pesquisa começou pelo próprio acervo da InaLivros, se estendeu por editoras que tradicionalmente publicam material paradidático e estava em 80 títulos quando eu decidi começar a publicar. Ainda faltavam 20 para a meta e eu decidi pedir sugestões para os fãs da página no Facebook. Não só bati a meta, como hoje estou com 120 títulos com meninas negras!

E são só títulos que destacam meninas negras! Imagine se formos pensar também nos títulos que destacam os meninos negros (logo, logo faremos a lista dos meninos !), as lendas negro-africanas, a cultura negro-brasileira, a religiosidade de matriz africana… enfim, diversas outras formas de se trabalhar a implementação da lei 10639/03 nas escolas! Cem títulos é pouco perto da variedade de material que está disponível no Brasil sobre o tema.

Estou publicando a lista das 100 meninas negras no Tumblr, e quem quiser acompanhar, o endereço é esse aqui: 100 meninas negras.

Representatividade

O projeto foi muito bem recebido pelo público, que cada vez mais colabora com novas indicações de livros, e pela imprensa, que já me convidou para algumas entrevistas. É gratificante ver um trabalho que nasceu de uma demanda tão minha ganhar asas e se tornar tão relevante socialmente. É delicioso ver outras mães pretas chegando, contando suas histórias e perceber que estamos em rede para que a nova geração se sinta representada em todos as instâncias.

Um ponto que eu sempre toco nas entrevistas é a importância desse reconhecimento no objeto, no caso, no livro. As meninas adoram livros com personagens negras porque elas se veem ali. E quem não gosta se ver representado em alguma situação de destaque?  Diz pra mim se você não gostou de ver a Beyoncé arrasando no clipe de Formation e falando por exemplo que gosta do cabelo afro do seu bebê? Então, o mesmo sentimento as meninas negras sentem quando olham um livro infantil com uma protagonista negra fazendo coisas maravilhosas e não só sendo alvo de racismo.

É essa representatividade que um monte de gente vem construído em seus canais no youtube, suas páginas no facebook, suas atuações na vida prática com o empreendedorismo. E nós, porque esse projeto começou comigo, continua com a colaboração do meu marido e cada vez mais pessoas estão chegando pra somar, nós buscamos a representatividade na literatura e na educação.

O projeto 100 meninas negras ainda renderá muito frutos. Planejamos oficinas para aproximar esse material afirmativo a educadores e crianças.  Planejamos levar esses livros para centros culturais, escolas, parques e onde mais houver crianças negras. Mas também crianças não negras, porque elas também precisam muito aprender  a reconhecer e valorizar a população negra.

Agradeço muito a todo mundo que está chegando neste projeto, todos que estão compartilhando as postagens e ajudando a divulgar, todos os autores independentes que apresentam suas obras, todas as editoras que estão enviando novos títulos. Que essa corrente cresça ainda mais. Que a nossa voz continue ecoando por aí e tocando cada vez mais corações e principalmente consciências.

Entrevistas:

Jornal O Tempo – BH

Portal Aprendiz

Postado em 12 de julho de 2015 por Lu Bento

Na minha página pessoal do facebook e na página do blog eu posto algumas frases das meninas (frases de Isha Bentia, porque Mini Bentia ainda não fala) e situações cotidianas. Hoje resolvi trazer um pouco disso pra cá também, então reproduzo aqui frases que já foram postadas lá.

Postado em 6 de abril de 2015 por Lu Bento

Hoje temos um desenho que é um sucesso entre os pequenos e o grandes. Foi um dos posts mais comentados e compartilhados na nossa página do facebook. Todo mundo adora esse herói.

O desenho é… Super Choque

Super choque

Gente, super-herói negro? Super-herói adolescente? Sério, isso é uma superdose de autoestima pra qualquer menino. Eu digo menino porque eles se identificam imediatamente com a figura do Virgil Hawkins, mas um super-herói negro é pra elevar a autoestima de todos nós né!

Eu assistia direto no SBT, não me cansava de ver, se bobear já tinha decorado as falas e tudo. As meninas ainda não assistem, ele é mais indicado pra crianças maiores que conseguem acompanhar melhor a trama.

Nem tem necessidade de falar da trama porque todos conhecem, mas basicamente é a história de um menino negro que vive com o pai e a irmã que se torna super-herói ao ser exposto a um gás desconhecido e se tornar um meta-humano com superpoderes eletrostáticos. O desenho basicamente fala da luta do Super Choque e seu amigo Gear para proteger a cidade dos meta-humanos que desejam destruí-la.

Uma coisa que eu acho bem bacana no desenho é que o Super Choque não gosta de armassuper choque de fogo. Acho meio desnecessária essa valorização das armas de fogo para solucionar problemas. A versão oficial da história diz que o Virgil não gosta de armas de fogo porque a sua mãe foi morta por uma bala perdida em um guerra de gangues rivais. Alguns blogueiros contam uma outra versão, bem mais pesada para um desenho infantil, na qual ela era vítima de violência doméstica e foi assassinada pelo marido. Parece que essa foi a versão do piloto, que não agradou muito o pessoal da Tv e foi adaptado para algo mais leve pra o público infanto-juvenil.

Outra coisa que me chama atenção é o Virgil ser apaixonado por uma menina preta da escola, a Dayse. Tudo bem que na realidade americana é comum escolas na qual a maioria dos alunos são pretos e tal. Mas pros nossos adolescentes aqui, é um grande estímulo para que eles enxerguem a beleza das meninas pretas. A tv brasileira ainda tem sérias dificuldade de mostrar casais pretos, quando mostram personagens pretos com interesse amoroso acabam falando também sobre relações interraciais.

A personasheron - superchoquegem que eu mais gosto, sem dúvida é a irmã do Virgil, a Sharon. Ela tem um lado meio maternal com o irmão, a mãe deles já é falecida e ela meio que ocupa esse lugar. Ela parece meio bolada, mas no fundo tem um coração bom. E é cheia de personalidade!

Tem muita coisa pra se falar, o desenho é bom demais e quem não viu, vale a pena ver!

Postado em 30 de março de 2015 por Lu Bento

O desenho é… Yo Gabba Gabba

yogabagabba

O programa de hoje, que também não é beeeem um desenho, é o Yo Gabba Gabba. Um cara (DJ Lance) e cinco personagens (Muno, Fofa, Barriga, Gatinha e Plex) protagonizam esse programa educativo voltado para crianças pequenas.

SYDNEY, AUSTRALIA - JUNE 02: DJ Lance and the Yo Gabba Gabba gang pose during a photo call promoting their appareance at Vivid LIVE, at the Sydney Opera House on June 2, 2011 in Sydney, Australia. Vivid LIVE at the Opera House will run from May 27 to June 5 as part of Vivid Sydney, the city's annual festival of light, music and ideas. (Photo by Cameron Spencer/Getty Images)

Gostei de cara por ser um programa infantil protagonizado por um homem negro. Já é raro ver programa infantil protagonizado por negros, por homens então, nem se fala. Lógico que quem descobriu esse programa no Netflix foi o papai, e ele logo se empolgou e colocou pras curicas assistirem. Isha Bentia gostou também e ele acabou se tornando um dos programas favoritos da família.

Além do apresentador negro, o programa preza muito pela diversidade e com desenhos, músicas e brincadeiras vai ensinando pequenas coisinhas pras crianças: respeito às diferenças, boas maneiras, hora de dormir, a não ter medo de tudo, a ser perseverante…

MartianRobotGirlAo longo do programa passa algumas esquetes com mini desenhos animados, e o que a gente gosta mais por aqui é o da Super Robô Marciana. Aqui em casa ela virou Super Mamãe Marciana, ou seja, associaram a personagem a minha pessoa e eu virei super-heroí! Não é em todo episódio do YO Gabba Gabba que ela passa, mais quando passa é aquela gritaria “mamãe, você! Olha você lá!”

Outra parte que eu gosto bastante é que em um dos quadros eles colocam um rappebiz-yo-gabbar pra ensinar batidas de rap com a boca, beatbox. Mais uma vez é uma quebra de estereótipo colocar um homem negro, rapper, enorme num programa infantil ensinando crianças. E é uma delícia ver Isha Bentia tentando fazer os sons. É diversão pra família toda. Já deu da figura da moça loira de roupa curta “animando” a criançada.

Yo Gabba Gabba a gente assiste no Netflix, mas é uma produção da Disney Jr e pode ser encontrado também no YouTube. Esse é um dos vídeos que Isha Bentia mais gosta, mesmo sendo em inglês ela sempre pede pra repetir!

Muita música, cores e bons ensinamentos. Perfeito pros pequenos, sucesso entre as curicas!

Veja mais em Combate ao Racismo e Educação


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