Postado em 9 de julho de 2018 por Lu Bento

Uma das coisas mais legais de ser blogueira é a oportunidade de conhecer e compartilhar coisas interessantes com vocês. Esses dias conheci um programa online gratuito para pais que compartilham sabers afetivos e medicinais sobre saúde integral dos bebês. Quando ainda não somos mães e pais, parece muito natural cuidar de um bebê. Tipo, aquela coisa de instinto animal, é natural cuidar de um filhote, certo?higiene do bebê

Mais ou menos. São tantas as mudanças quando esperamos um bebê que ninguém está realmente preparado para tudo isso.  A rotina se torna diferente, são inúmeras descobertas diárias, tudo isso com aquele tempero de desafios e fortes emoções. É gente, bebê em casa não é só passeio no parque e soneca da tarde não!

A chegada do bebê – precisamos de ajuda

Bebê não vem com manual (infelizmente). E hoje em dia as nossas redes de apoio estão cada vez mais esporádidas. São cada vez mais raros os casos de que mães recém-nascidas tem aquele monte de avós, tias ou amigas com mais experiência que dão aquele apoio no comecinho da vida daquela família. Ficamos imersos em dúvidas e inseguranças que são fruto de uma pressão social que ignora as diferentes formas possíveis de cuidado e afeto. Será que tô fazendo certo? Aprendi desse jeito, mas estão falando que é daquele outro jeito, e agora?

A internet está aí pra preencher aquele vazio de informação e de apoio moral que fica quando estamos higiene do bebê - imagem de divulgação Sikanacom um bebezinho e não temos a menor ideia se estamos cuidado direito ou não. A internet é uma ferramenta para que pais e mães recém-nascidos troquem experiências com outras famílias, encontrem apoio e aprendam a lidar com as expectativas, dúvidas e medos, que são totalmente naturais nesse período de adaptação ( e durante toda a vida, porque nosso estado de espírito não muda muito com o passar do tempo, viu…). E aos poucos vamos fortalecendo a nossa confiança e construindo o conhecimento sobre os processos que envolvem os cuidados nos primeiros dias.

Eu tive ajuda da família na chegada das curicas, mas tenho vontade de ter mais um bebê e sei que vai ser bem difícil ter alguém além do meu marido para dar um suporte. Moramos longe da família, e dessa vez, nossa vida já está muito estruturada aqui, não podemos ir pra perto dos parentes para termos um suporte. Então, tenho pensado muito em alternativas para me ajudar a relembrar o que fazer e como fazer, porque cada bebê é um novo ser, e precisamos aprender a melhor forma de lidar com essa relação específica. Pensando nisso, fiquei muto empolgada quando soube do projeto Cuidado e Higiene do Bebê e não poderia deixar de compartilhar isso com vocês!

Projeto Cuidado e  Higiene do Bebê

A Sikana, uma organização que produz e distribui conteúdo audiovisual com o objetivo de acelerar a transmissão de conhecimentos educativos, lançou em junho um programa online sobre Cuidado e Higiene do Bebê, em parceria com o projeto Saúde da Criança e a marca Granado, além de vários apoiadores que dão um sinal da qualidade do trabalho.

Gente, são uns vídeos lindos sobre diferentes temas que podem nos auxiliar nos cuidados nos primeiros dias.  São 19 vídeos bem curtinhos, de cerca de 3 minutos, que falam sobre cuidados com bebês de uma forma bem carinhosa e delicada, em perder o embasamento teórico necessários, nem o respeito à diversidade das famílias.higiene do bebe - imagem de divulgação Sikana

Uma das coisas que eu mais gostei dos vídeos foi a diversidade de perfis familiares, incluindo aí muitas famílias negras. Que delícia ver um conteúdo que nos contempla não só como público-alvo, mas como produtores de saberes também.  Os vídeos são divididos em categorias como Relações Afetivas entre pais e bebê, Higiene e bebê e Cuidados com o bebê.

Pra vocês sentirem o gostinho desses vídeos lindos sobre os cuidados com o bebê, acompanhe esse vídeo sobre higiene íntima no qual um pai preto fala dos cuidados com os bebês meninos e meninas.

Lindo demais não é? Se você se interessou por esse conteúdo e quer ter acesso aos outros vídeos direto no site do Sikana para download, e também no YouTube. Vale muito a pena conhecer esse trabalho e acompanhar toda a série de vídeos, tanto para aprender sobre cuidados com os bebês, quanto pra encher seu dia de fofura e boas notícias.

Postado em 8 de julho de 2018 por Lu Bento

Cuidar do próprio corpo é um aprendizado básico de qualquer ser humano. Às vezes é bem complicado saber quando e como falar sobre isso com as crianças, principalmente para que a relação com o próprio corpo não seja permeada por traumas e medos.

É natural que nesse periodo de descoberta, crianças perguntem e façam coisas que consideramos constrangedoras. Nós, adultos, já estamos condicionados a pensar que alguns coisas são inadequadas de serrem faladas  na frente de outras pessoas e esse condicionamento acaba se refletindo na educação de nossos filhos quando cortamos determinados assuntos e os tratamos como tabu.

Nosso trabalho, como pais e educadores, é ensinar a autoproteção aos nossos filhos, ou seja, é fornecer ferramentas para que as crianças conheçam seus corpos e saibam como se cuidar e se proteger. Essa dimensão da educação sexual na infância é fundamental para que a criança cresça conhecendo seu corpo, sabendo se cuidar e se proteger.

É natural a percepção das diferenças pelas crianças e, em geral, tudo isso é reflexo de uma curiosidade natural, uma vontade de compreender o mundo. Muitos dos adultos de não tiveram a oportunidade de aprender sobre o próprio corpo de maneira franca e direta com os pais. Por isso, é tão difícil estabelecermos essa diálogo com os filhos. Quando é uma mãe conversando com um filho ou um pai conversando com uma filha então, a situação fica ainda mais complicada. Ainda somos permeados por tabus e valores que nos impedem de estabelecer uma relação sincera com o nosso corpo. Não pode ver, não pode tocar, não pode falar sobre o assunto. O proibido e o imoral rondam esse tema e nos silencia sobre tudo isso.

Já pararam pra pensam que até mesmo os brinquedos assexuados são sinais desse silenciamento? Bonecas sem vagina, bonecos sem pênis, seios sem mamilos. Nosso corpos são mutilados nos brinquedos numa tentativa de omitir as partes íntimas e uma identificação das crianças. Como se a naturalidade dos nossos corpos fossem nocivas à infância.

Que corpo é esse?

 

Esses dias descobrir uma ferramenta maravilhosa para auxiliar os pais no diálogo sobre questões relacionadas ao corpo. O canal Futura  exibe uma série chamada Que corpo é esse? no qual uma família interracial vive situações  relacionada ao corpo e traz um conteúdo maravilhoso para ajudar nos diálogos sobre diferenças físicas entre meninos e meninas, cuidados com o corpo, higiene e masturbação, entre vários outros temas. O interessante é que a série mostra as crianças realmente peladas quando estão falando das partes íntimas, fomentando um diálogo franco sobre o assunto.

A série é totalmente voltada para famílias, com linguagem acessível para crianças e com uma curadoria de conteúdo excelente.  Por isso, a série aborda os direitos sexuais e autoproteção destinada à três faixas etárias de público: 0 a 6 anos; 7 a 13 anos; e 14 a 18 anos. Ariel e Dandara são as crianças mais novas, e quando eles são os protagonistas da história, utilizam termos como pipi e pepeka que é como as crianças menores conhecem as partes íntimas. Quando fala de puberdade, os protagonistas são Cauã e Tainá e são utilizados termos como pênis e vagina, mostrando para as crianças mais velhas a nomenclatura das partes íntimas de maneira natural. Pra quem tem adolescentes, a série aborda questões de identidade de gênero, relações sexuais e assédio, por exemplo. Tudo isso sem moralismos.

A série é produção do Canal Futura em parceria com a Childhood Brasil e o Unicef, é foi criada com muito cuidado por profissionais dedicados a pensar os processos psicológicos e físicos relacionados à consciência corporal, respeitando as necessidades de carinho e de aceitação das crianças e dos jovens e as diferentes dimensões das trocas afetivas.

Os episódios passam no canal Futura nos intervalos da programação, mas é possível assistir direto no YouTube ou no Futuraplay.

 

Primeira infância e sexualidade

 

Aqui em casa ainda vivo as experiências da primeira infância. Por ser mãe de duas meninas, a preocupação em não tornar a sexualidade delas um tabu é ainda mais latente. Como deixar que elas descubram o corpo com liberdade e sem repressões, mas também auxiliá-las na autopreservação? Como é difícil saber até como falar sobre isso, sem tolher as experiências e sensações das meninas se a minha própria visão está condicionada por valores e regras internalizados ao longo de toda a minha vida?

Sexualidade não é sexo. Então o melhor mesmo é não se assustar com as manifestações curiosidade das crianças e tentar responder da melhor maneira possível as perguntas que surgem nesse período, além de orientar para que práticas naturais, como a masturbação infantil,  não sejam proibidas ou demonizadas.

Como mãe de meninas negras, não posso simplesmente ignorar tudo isso e deixar que elas aprendam com a vida. Mulheres negras tendem a ser hipersexualizadas e estarem mais vulneráveis a situações de abuso. A gente nunca pode perder de vista as estatísticas quando pensa educação de crianças negras. Por isso, é preciso adotar uma postura ativa, se antecipar os problemas e se dedicar à prevenção.

Esse processo de descoberta é inerente e natural do ser humano. Quanto mais a gente trata esse tema com subterfúgios e melindres, mais complicada é a forma como as crianças internalizam essas questões na relação com o próprio corpo. Quantos de nós, adultos, temos hoje inúmeras questões com o nosso próprio corpo, sexualidade e expressão do prazer porque que internalizamos diversos tabus?

Não tenho respostas definitivas sobre como agir nessa período de descobertas. Sei que não vale a pena reprimir as descobertas do corpo e que as crianças precisam saber cada vez mais sobre autocuidado e autoproteção. E que cada vez mais existem ferramentas para nos ajudar a lidar com essa questão, que não deve ser jogada para debaixo do tapete.

 

 

 

 

 

Postado em 5 de outubro de 2017 por Lu Bento

 

 

 

 

“Mamãe, o menino falou que não ia brincar comigo porque os amigos dele são brancos e eu sou marrom. Ele disso que não gosta de marrom.”

“E o que você disse filha?”

“Eu disse que eu gosto de marrom, e que às vezes as famílias são marrom. E toda a minha família é marrom e eu sou linda!”

” Ah é filha? E ele?”

” Ele disse que só brinca com os amiguinhos brancos.”

 

Esse foi o meu diálogo desta manhã com a minha filha caçula, de 3 anos. Ela me contou, com muita naturalidade e sem nenhum sinal de mal-estar que um coleguinha da turma falou que não brincaria com ela porque ela é “marrom”. Quando ela começou a conversa e me disse isso, meu sangue gelou. Um desconforto físico tomou conta do meu corpo e eu percebi que minha filha, minha garotinha que mal deixou de ser um bebê, já está enfrentando o racismo.

Mini Bentia é muito sensível e emotiva, então assim que ela me contou isso eu a imaginei chorando e ficando triste essa rejeição com base em sua cor de pele. Em seguida, perguntei qual foi a reação dela e a resposta me surpreendeu e me acalmou. Ela não se deixou abalar pela rejeição e falou de forma positiva da sua cor de pele.  Não tenho como ter certeza que ela agiu dessa maneira. O racismo nos pega de surpresa e nos deixa sem ação, mesmo quando já sabemos várias respostas para o preconceito. Como essa história está sendo contada por ela depois, é claro que essa reação positiva pode ser uma forma idealizada, pode ser uma construção de como ela gostaria de ter agido na hora, mas que não fez de verdade ou pode até mesmo ser uma forma dela me contar que me deixe feliz com ela, porque sempre falamos em casa o quanto gostamos de ser negros.  O final da história é aquele já narrado, o menino manteve a mesma posição e não brincou com ela.

Mesmo que os fatos não tenham acontecido exatamente assim, é pouco provável que a cena toda seja uma invenção da minha pequena. Crianças negras sofrem racismo na escola desde cedo e é até natural que as crianças não saibam lidar com as diferenças.

Na escola da Mini Bentia, a maioria das crianças são brancas. As professoras também. Então pensando no contexto daquele espaço e nas prováveis relações que esse menino estabelece, o contato com pessoas negras deve ser muito pequeno. Somando-se a isso, a ausência de representatividade negras nos desenhos animados, na publicidade e nos espaços de poder fazem com que a criança branca cresça com uma visão distorcida sobre a negritude.  Eu entendo que a criança branca não queira se misturar com crianças de outras etnias, que prefira ficar entre iguais. O que eu não entendo é que adultos não façam nada quanto a isso. Não entendo como professores e pais não desenvolvem um olhar atendo sobre essas questões, não percebem que as crianças brancas estão afastando as crianças negras ou se negando a brincar ou interagir com elas.

Essa atitude de afastamento a partir da diferença é o embrião do racismo. E ele é alimentado pela falta de educação para as relações étnico-raciais, pela falta de uma atitude pró-ativa para o combate à discriminação racial na infância e pela omissão das pessoas não-negras na luta antirracista.

O caso relatado pela Mini Bentia mostra que essa situação precisa de uma intervenção. Não sei se algum adulto acompanhou o diálogo, nem se esse menino convive com outras crianças negras além da minha filha e essa foi uma atitude pontual, uma justificativa naquele momento pra não brincar com ela. Não sei sequer se a família dessa criança a ensina a se afastar de pessoas negras ou se essa foi só uma percepção da criança de que o afastamento é uma postura adequada diante das diferenças. Não tenho essas respostas.

Só sei que o nosso trabalho de formiguinha só vai resolver parte do problema, a parte que nos afeta e nos faz sofre. Minha filha me contou tudo isso com naturalidade, como se fosse mais um fato corriqueiro da escola e sorriu quando me contou a sua resposta para o menino. Eu posso trabalhar para que ela entenda que é o menino que sai perdendo com essa atitude, que a discriminação racial não é culpa dela e que ele é que está agindo de uma forma errada e mal educada. Mas e a outra parte? Quem trabalhar para ensinar o menino a conviver e respeitar as diferenças? Quem ensina pra criança que essa atitude é racismo? Quer percebe logo na primeira infância as raízes dessa atitude racista e procura combatê-la?

Eu marquei uma reunião com a direção da escola para informar o que minha filha contou essa manhã. Mas nada me garante que as pessoas se interessarão verdadeiramente em por essa questão. Nada me garante que as professoras olharão com amis cuidado para as interações entre as crianças e perceberão essas situações a ponto de intervir. Nada me garante que os profissionais da escola estão habilitados para promover uma educação pra diversidade, que valorize as diferenças e que combata o racismo. Nada me garante que a família do menino será informada para também se dedicar a promover uma educação que respeite o outro e que o ensine a conviver com as diferenças.

Não dá pra colocar toda a carga do racismo nas costas das pessoas negras. O racismo contra negros é um problema gerado pelos brancos e precisa ser combatido por todos.

 

Postado em 15 de setembro de 2017 por Lu Bento

Estou fazendo um curso técnico em Promoção da Participação Infantil, etapa de formação relacionada ao projeto Gira por la Infancia. O curso, com 180 horas de conteúdo online, é uma densa imersão ao universo de cuidados com a infância.

Não me dedicava tanto ao tema desde 2011, quando comecei uma pós-graduação em Direito da Criança e do Adolescente na UERJ mas tive que abandoná-la quando me mudei para São Paulo.  Retomar isso em 2017 foi um grande desafio, principalmente porque a minha realidade mudou bastante. Agora tenho duas filhas, um emprego e vários projetos paralelos. Tudo isso pra dizer que não está nada fácil.

Uma das atividades do curso técnico em promoção da participação infantil é realizar uma grande pesquisa sobre o que as pessoas entendem por cuidados com a infância. Teremos que entrevistar 150 pessoas na Espanha sobre o tema e 20 pessoas em nossos países de origem.  Eu fiquei impressionada com essa pesquisa quantitativa em tão pouco tempo. Mas aceitei o desafio e já realizei a parte da pesquisa que deve ser feita no Brasil através deste link.

O curso também conta com uma enorme carga de leituras e um projeto final que será publicado em forma de livro. Incrível né? Estou bem animada e ansiosa com tudo isso.

A verdade é que esse tema da Promoção da Participação Infantil é muito pouco debatido no Brasil. Temos uma parlamento jovem  e outros projetos políticos como Jovem Prefeito e jovens vereadores em algumas cidades, mas pouco falamos sobre isso de forma mais compromissada e responsável. Vemos nossos jovens como pessoas que podem fazer a diferença nas eleições, principalmente a faixa etária do voto facultativo. Mas não pensamos em garantir espaços em que crianças e jovens possam falar e decidir aspectos fundamentais sobre suas vidas.

Afinal, as crianças e adolescentes precisam de proteção mas também de autonomia. Quando a gente não fomenta esses espaços de decisão autônoma e autogestionada das crianças e jovens, estamos evitando que essa parcela da população desenvolva desde cedo o senso crítico e participativo, a autonomia e a segurança de expressar por conta própria seus desejos e anseios.

Ainda estou em uma fase bem embrionária das descobertas sobre esse tema e ampliando muito a minha maneira de ver a participação infantojuvenil cidadã. As leituras do curso renderão bons assuntos para discutirmos aqui no blog, então aguardem novidades neste sentido.

 

Postado em 4 de agosto de 2017 por Lu Bento

Esse ano finalmente fomos pra Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty.  Eu sempre paquerei o evento, mas nunca tínhamos nos organizado pra ir. Esse ano, logo em janeiro eu comecei a pesquisar casas pra alugar  e curtir Paraty com toda a família. Mas logo meu plano miou, meus pais não poderiam ir, talvez meus sogros também não fossem e eu achei que talvez não fosse a hora de gastarmos uma grana. Já estava ficando frustrada por mais um plano fracassado, quando eu me dei conta que passarei grande parte das minhas férias viajando sozinha e que eu precisava desse momento de descanso e lazer com eles.

Encontrei uma pousada próxima ao centro histórico, fiz a reserva por impulso e pronto: comuniquei ao marido que nós íamos passar uma semana em Paraty e curtir a Flip. Ele topou, na hora não parecia tão interessado em curtir a programação do evento, mas já tínhamos feito uma viagem de férias em família pra lá em 2014 e provavelmente ele achou uma boa ideia voltarmos pra cidade.

O plano era chegar em Paraty na quarta, fazer um passeio de barco com as meninas e depois ficar por conta da programação da Flip. Me preparei pra assistir todas as atividades possíveis, tanto na programação oficial, quanto na diversas programações paralelas. Estava tudo planejado. E obviamente, deu tudo errado. Que bom!

Acabamos indo pra região de Paraty dois dias antes, já que estávamos interessados em conhecer também a vila de Trindade e eu não abria mão de nenhum dia da programação da Flip.  Demos uma passada rápida no Rio pra ver os parentes e de lá partimos pra estrada rumo a Trindade. A ideia inicial era ficarmos em uma pousada mais simples, mas na hora de fechar e reserva eu já tinha chutado o balde das preocupações e estava disposta de ter férias de verdade, e acabamos ficando em uma pousada de frente pro mar.  Que lugar lindo! Não poderíamos ter feito escolha melhor.

Dias 1 e 2 – Trindade

A primeira reação de Mini Bentia foi perguntar à moça da pousada que nos recebeu se a praia ela dela e se ela ia P_20170724_153802emprestar pra gente. A moça, muito simpática, disse que a praia era de todo mundo e que a gente poderia usar quando quisesse. Mini Bentia ficou louca de alegria. Aquela liberdade era tudo que ela mais queria e mas me preocupava. Por alguns minutos me arrependi de ter escolhido esse lugar. Mas aos poucos ela entendeu que não poderia ficar indo pra praia sozinha e eu pude relaxar um pouco. Também, com aquela vista e o barulho do vai e vem do mar  não tem como ficar estressada.

Os dias em Trindade foram de praia, boa comidade e pura curtição em família. Tudo que a gente precisava. Fizemos um breve passeio de barco até as piscinas naturais do Cachadaço  e, pra  nossa sorte, e maré tava muito baixa e a região estava bem rasinha, perfeita pra curtição com crianças. Elas se acabaram de tanto brincar  na praia! Se a viagem terminasse ai já tinha valido a pena pra todos nós. Trindade tem aquele clima gostoso de vila de pescadores bem pequena, onde todo mundo se conhece e nos passa a sensação de que não precisamos de muita coisa pra viver. Não conseguimos fazer os passeios mais adultos, como conhecer as cachoeiras ou fazer algumas trilhas, mas valeu pela tranquilidade do lugar e pela oportunidade de estarmos juntos, nos curtindo.

No último dia em Trindade ficamos curtindo nossa praia particular. Aproveitei pra ver o nascer do sol e fazer minha meditação na praia. Que vontade de largar tudo e ficar morando lá sempre. Aliás, cada vez que eu vou pra um lugar onde o ritmo de vida é mais tranquilo fico morrendo de vontade de mudar pra lá de vez. Sinal que o agito da vida em São Paulo já não está tão interessante pra mim, tenho desejado cada vez mais um ritmo de vida mais lendo, onde posso curtir mais o momento presente. A vibe tava tão gostosa em Trindade que acabei escrevendo algumas poesias e reacendeu minha vontade de escrever que andava meio abandonada.

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Dias 3, 4 e 5 – FLIP

Depois de 2 dias nesse paraíso, fomos pra Paraty com o coração  mas também empolgados com a nova etapa das nossas férias. Ficamos em um hostel bem ruinzinho e essa queda no padrão nos deixou um pouco chateados. Mas as pessoas do lugar eram muito simpáticas e a gente mal ficava no quarto, então acabou valendo a pena. Passeamos por Paraty relembrando os locais conhecidos na primeira vez e conhecendo os espaços onde aconteceriam as atividades que gostaríamos de acompanhar.

P_20170726_154626Quando a Flip começou pra valer a minha ficha caiu: seria impossível acompanhar a programação com duas crianças loucas pra se divertir. No começo fiquei decepcionada, porque eu queria muito assistir várias da mesas programadas. Mas estávamos em clima de férias né? E férias em família tem que ser legal pra toda a família. Então mudei meus planos e foquei na programação infantil. Fiquei bem decepcionada com a programação oficial, que se resumia em uma grande tenda com livros infantis para os pais lerem com a crianças. Bem sem-graça. Com a grana envolvida dava pra fazer atividades bem melhores pra crianças. A maioria das casas do circuito paralelo também não contemplava a infância. E olha que tinha muita criança por lá.

Acabamos curtindo muito a programação do SESC, que tinha contação de histórias todos os dias e uma intensaP_20170730_104750_BF programação infantil. Todo o dia a gente dava uma passadinha por lá e as meninas ficam um tempão lendo e brincado com as educadoras de lá. Uma das atividades, a contação de histórias da Cia Alcina da Palavra, foi um bálsamo de africanidade em meio a tantas atividades que não pensavam em representatividade e diversidade na infância. A Flipinha tava cheia de livros de Monteiro Lobato disponíveis pra leitura, como se o grande mestre da literatura infantil não fosse um grande racista. Além de Lobato, alguns livros de qualidade duvidosa também estavam expostos lá.

Outro espaço que vale a pena destacar foi a Casa do Papel. Lá as meninas fizeram uma oficina de encadernação super bacana, e  Isha Bentia ficou concentradíssima produzindo seu cartão flag card. Mini Bentia dispersou bastante, normal pra uma criança de 3 anos que não gosta muito de atividades calmas, mas o pessoal de lá foi bem bacana e me ajudou a acompanhar as duas na atividade. Saímos de lá com dois lindos cartões e duas crianças felizes e orgulhosas dos seus feitos.

Pra não dizer que eu não fiz nada por mim na Flip. participei de uma gincana bem louca da Publishnews, fiquei em segundo lugar  e acabei ganhando uns 15 livros. Foi bem divertido e uma oportunidade de conhecer mais sobre o mercado editoral, possibilidades de publicação e várias pessoas incríveis na Casa da Publishnews. E as meninas, que não são bobas nem nada, fizeram amizade com a representante do SESI-SP editora e ganharam 2 livros maravilhosos (falarei sobre eles no instagram, corre lá!).

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Dias 6 e 7 – Paraty

P_20170730_080159Nos últimos dias decidimos trocar do hostel por uma pousada e fomos pra um lugar mais confortável. Quarto com espaço, banheiro sem janelão pra rua e diversões pras curicas. A gente merecia um descanso antes de voltar pra rotina.  Mais uma vez, pudemos diminuir o ritmo e simplesmente curtir o dia. As meninas estavam loucas por um hotel com piscina, e mesmo com a água super gelada criam coragem pra entrar. Até Mini Bentia, a rainha do banho quente, topou entrar na piscina gelada.

Pra fechar a viagem, almoço à beira mar, caminhada de despedida pela cidade e muitas fotos. Paraty continua sendo nosso destino favorito de férias e  já estamos sonhando com a volta em 2018.

Voltamos pra São Paulo felizes por dias incríveis que vivemos juntos, por tantas alegrias e experiências gostosas durante a Flip.

Postado em 8 de setembro de 2016 por Lu Bento

Combater o racismo  é um dever todos nós. Não importa se você é branco ou negro, se sente o racismo na pelo ou se acha que o país já é bem menos racista que antigamente. Se você acredita que o racismo deve ser erradicado, é preciso adotar uma postura antirracista.

A Unicef lançou uma cartilha com 10 maneiras de contribuir para uma infância sem racismo. Creio que essa é uma leitura fundamental para educadores, pais e quaisquer interessados em promover uma educação antirracista, por isso reproduzo e compartilho aqui o material produzido pela Unicef.

diversidade1 - infância sem racismo

10 maneiras de contribuir para Uma Infância sem Racismo

1. Eduque as crianças para o respeito à diferença. Ela está nos tipos de brinquedos, nas línguas faladas, nos vários costumes entre os amigos e pessoas de diferentes culturas, raças e etnias. As diferenças enriquecem nosso conhecimento.

2. Textos, histórias, olhares, piadas e expressões podem ser estigmatizantes com outras crianças, culturas e tradições. Indigne-se e esteja alerta se isso acontecer –contextualize e sensibilize!

3. Não classifique o outro pela cor da pele; o essencial você ainda não viu. Lembre-se: racismo é crime.

4. Se seu filho ou filha foi discriminado, abrace-o, apoie-o. Mostre-lhe que a diferença entre as pessoas é legal e que cada um pode usufruir de seus direitos igualmente. Toda criança tem o direito de crescer sem ser discriminada.

5. Não deixe de denunciar. Em todos os casos de discriminação, você deve buscar defesa no conselho tutelar, nas ouvidorias dos serviços públicos, na OAB e nas delegacias de proteção à infância e adolescência. A discriminação é uma violação de direitos.

6. Proporcione e estimule a convivência de crianças de diferentes raças e etnias nas brincadeiras, nas salas de aula, em casa ou em qualquer outro lugar.

7. Valorize e incentive o comportamento respeitoso e sem preconceito em relação à diversidade étnico-racial.

8. Muitas empresas estão revendo sua política de seleção e de pessoal com base na multiculturalidade e na igualdade racial. Procure saber se o local onde você trabalha participa também dessa agenda. Se não, fale disso com seus colegas e supervisores.

9. Órgãos públicos de saúde e de assistência social estão trabalhando com rotinas de atendimento sem discriminação para famílias indígenas e negras. Você pode cobrar essa postura dos serviços de saúde e sociais da sua cidade. Valorize as iniciativas nesse sentido.

10. As escolas são grandes espaços de aprendizagem. Em muitas, as crianças e os adolescentes estão aprendendo sobre a história e a cultura dos povos indígenas e da população negra; e como enfrentar o racismo. Ajude a escola de seus filhos a também adotar essa postura.

Participe desta campanha e contribua para Uma Infância sem Racismo.

Acompanhe o tema da redução do impacto do racismo na infância e na adolescência por meio do www.unicef.org.br ou siga o UNICEF no Twitter: @unicefbrasil.

Divulgue para os seus amigos! Valorizar as diferenças na infância é cultivar igualdades!

Postado em 31 de maio de 2016 por Lu Bento

Olá pessoal! Maio terminando e finalmente eu dou as caras por aqui. Já deu pra notar que não tá fácil a vida né? Mas tem dicas da mãe preta pra fechar bem o famoso mês das mães! Bora lá?

 

Aplicativo – Trello

 

Trello-blogGente, estou encantada com esse aplicativo! É mais um aplicativo de organização e gerenciamento de tarefas, mas ele é bem funcional e intuitivo, gostei muito assim que me cadastrei e agora é o que eu mais uso, pois uso no trabalho, nos projetos com a livraria e pretendo expandir pra outras áreas. Então, se eu começar a postar regularmente por aqui é porque está dando super certo usar o trello, já estão avisados! 🙂

O Trello pode ser acessado pelo site e também pelo aplicativo, que tem pra IOS e pra Android. Tenho Android e ele funciona super bem, ficou bem mais fácil organizar meus compromissos com ele.

Onde: Trello | Trello app


Site – Como Educar seus filhos

como educar seus filhosNeste site, o prof. Carlos Nadalim fala sobre educação infantil de uma maneira bem esclarecedora, passando dicas práticas e fáceis de aplicar na educação das crianças. Um site com muito conteúdo interessante para quem pensa sobre educação das crianças e busca novas formas e técnicas para despertar as potencialidades dos pequenos. Tem uma pegada um tanto quanto religiosa em alguns aspectos, confesso que preferiria que certas referências a Deus não fossem feitas, mas é possível filtrar e passar por cima de determinadas referências se essa não for a sua praia (como não é a minha!). Ah, ele tem métodos muito voltados para a alfabetização das crianças em casa, não que eu ache que devemos nos preocupar em alfabetizar nossas crias cada vez mais cedo, mas acho muito válido que a gente tenha ferramentas para estimular o interesse da criançada em aprender e descobrir o mundo da leitura.

Ainda é possível acompanhar as dicas do site pelo canal do youtube e pelo podcast, ambos com o mesmo nome e bem fácil de encontrar.

Onde: Como educar seus filhos


Youtube – Toda mãe é meio lóki

O canal da jornalista Fabíola Corrêa é super divertido e bem produzido. A cada vídetoda mãe é meio lokio ela fala sobre um tema e dá voz a especialistas sobre o assunto. Bem legal o formato porque fica leve e informativo.  Como ela mesma diz na descrição: “O objetivo não é atingir a perfeição, e sim dizer ‘calma, vai ficar tudo bem!’, porque – muitas vezes – é só isso que a gente precisa ouvir.” O vídeo sobre sogra é muito bom!!!

Conheci o canal através de um convite da Fabíola para que eu falasse sobre uma foto que ela tirou e que viralizou na internet. Fiquei muito feliz com o convite porque é muito importante que a gente consiga dialogar também com mães não-negras que entendam que há discriminação racial e que é preciso fazer algo quanto a isso. Quem quiser ver o vídeo que euzinha contribuo, clica aqui.

Onde: Toda mãe é meio lóki


Site – Revista Trendr

revista trendrEssa é a primeira revista brasileira do Medium, uma plataforma colaborativa de textos. Entrei no Medium no final do ano passado e estou curtindo muito. Em geral, são textos mais produzidos, pensados, elaborados… nada parecido com o post do facebook. É um espaço para produção de conteúdo com foco na qualidade, e não na quantidade. E a Revista Trendr é uma revista eletrônica que utiliza essa plataforma pra agregar textos em português ( no Medium ainda há prevalece a língua inglesa), voltada para textos que falem sobre questões atuais.  Bem bacana a variedade de temas  e de textos publicados por lá.

Alguns textos aqui do blog também são publicados no Medium e eu também estou começando a colaborar com a Revista Trendr e com a O que aprendi com a vida, outra revista eletrônica mais voltada para comportamento que faz parte da Trendr.   Então tem muita coisa por lá pra quem gosta de ler artigos curtos e atuais. Vale a pena conhecer.

Onde: Revista Trendr


Plataforma – Afroflix

afroflixSaca o Neflix? Agora imagina algo parecido, mas só dando dastaque para produções de roteiristas e diretores negros? É o afroflix! É o paraíso né? Várias obras de autoria negra reunidas em um só lugar. Ainda não é uma plataforma de streaming, mas é uma plataforma que agrega as buscas por conteúdo audiovisual afrocentrado e isso já é o suficiente pra gente se sentir contemplado quando,  naquelas tardes tediosas de domingo, quer assistir uma produção preta. Muito legal mesmo! Outro ponto bacana é que o afroflix está agregando também vlogs do youtube, facilitando a busca por canais de gente preta.

Com direção geral de Yasmim Thayná e o apoio de uma equipe que já trabalha com a questão audiovisual há um tempo, o Afroflix tem um visual bem atrativo e uma proposta de dar visibilidade pra produção negra que merece ser reconhecida e apoiada.

Onde: Afroflix


Bom galera, essas foram as dicas da mãe preta de maio. Já dá pra sair um pouco do facebook e explorar novas paradas na internet né?

Até a próxima!

Postado em 30 de abril de 2016 por Lu Bento

Gente, existe vida virtual além do Facebook! Esse mês divido com vocês algumas coisinhas que eu curti muito nessas navegâncias na web. As dicas da mãe preta de abril estão quentinhas! Bora lá?

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YOUTUBE – Canal da Egnalda Côrtes

capa-egnalda-vs-2Estreou esse mês um canal no youtube sobre maternidade e educação de crianças pretas. Coisa linda demais gente! A Egnalda têm dois filhos maravilhosos, uma menina com a autoestima maravilhosa e uma consciência contagiante de suas capacidades e qualidades, um pequena feminista que encanta e influencia pessoas por onde passa e um menino que já é uma celebridade da internet, que também tem um canal no youtube e fala sobre heróis negros brasileiros. Se você lembrou logo do PHCôrtes, é ele mesmo que eu já indiquei aqui e que está fazendo um sucesso enorme por aí. Então, já deu pra ver que essa mãe não está de bobeira  né? O canal dela está lindo, com vídeos informativos e divertidos, do jeitinho que a gente gosta. Esse super canal de maternância negra precisa chegar a muitas mães negras pelo Brasil!

Onde: Canal Egnalda Côrtes


PODCAST – Conversas pra Casal

conversas pra casalUm podcast lindo, feito para falar sobre relacionamentos de um forma leve, romântica e muito assertiva, tocando em questões fundamentais para a satisfação na vida a dois. Começou a pouco tempo, eu já me apaixonei por ele e quero muito apresentar esse cast para o marido e ouvir juntinho com ele. A Lilian Flores é uma locutora maravilhosa, com uma voz que nos deixa com mais vontade ainda de ouvir todo o conteúdo e pra fechar, é uma mulher negra. E quando o trabalho é feito por uma mulher negra a gente se sente ainda mais motivada em acompanhar né?

Onde: Conversas pra casal


SITE – Rede Nacional da Primeira Infância

primeira infância

O site  é uma articulação nacional de organizações que atum, direita ou indiretamente, na promoção e garantia dos direitos da Primeira Infância, com a preocupação em não haver discriminações étnico-raciais, de genêro, de região, religiosa, ideológica, partidária, econômica, de orientação sexual ou de qualquer outra natureza. Ou seja, uma iniciativa de promoção da liberdade individual e proteção da primeira infância. Proposta mais que necessária de ser acompanhada por pais, educadores e pessoas comprometidas com a infância.

Gostei muito de conhecer esse site e com certeza já entrará na minha lista de favoritos.

 Onde: www.primeirainfancia.org.br

 


BLOG – Preta ‘dotora’ na primeira pessoa

Um blog escrito por uma mulher preta, mãe e doutora em história sobre diversos temas, entre eles feminismo e maternidade. Vale muito conhecer! Tem um texto maravilhoso sobre a moda do #belarecatadaedolar e outro sobre crianças negras em escolas majoritariamente brancas que eu recomendo muito a leitura.

Onde : Preta “dotora”


Bom gente, essas foram as dicas de abril. Espero que vocês tenham gostado.  🙂

 

 

 

Postado em 18 de abril de 2016 por Lu Bento
Hoje é o Dia Nacional do Livro Infantil e nada mais oportuno do que falarmos sobre leitura para os nosso pequenos. A data de hoje foi escolhida em homenagem a Monteiro Lobato, um das maiores personalidades racistas do Brasil, que é considerado o grande patrono da literatura infantil apesar das inúmeras manifestações racistas em suas obras. Mas não quero passar uma data tão significativa para o estímulo da leitura na infância falando desse ser, tão vamos falar de coisa boa, vamos falar de literatura para nossas crianças pretas!
O banco Itaú tem uma campanha maravilhosa de incentivo à leitura, o “Leia para uma criança” na qual eles anualmente distribuem livros e fazem outras ações de incentivo à leitura. A partir desse projeto comecei a refletir sobre a importância de lermos para uma criança negra.  E é sobre isso que quero falar com vocês hoje.
Resolvi fazer uma lista com 10 motivos para lermos para uma criança negra. Espero que você, ao ler esse motivos, se anime a ler mais para suas crianças negras e pra outras crianças negras.

1-Ler para uma criança preta fortalece os laços afetivos e nos aproxima da criança

Ler para alguém gera cumplicidade. A sua entonação, o sentimento que você imprime na voz, na postura, nos silêncios durante a leitura são pessoais. Uma pessoa nunca lê igual a outra.  Ter a oportunidade de dividir isso com crianças é muito especial. Ter a oportunidade de compartilhar as sua impressões de uma leitura com uma criança é maravilhoso. O momento em que lemos para um criança é um momento de trocas de afetos, é um momento de aproximação e intimidade.Leia para uma criança negra 5
Em uma rotina exaustiva, na qual mal temos tempo de ver e falar com as pessoas que moram na mesma casa, e quando temos estamos sempre cercados de aparelhos eletrônicos, ler um livro para uma criança durante alguns minutos é muito importante. É um momento em que nos dedicamos integralmente à ler e a estar junto dessas crianças e isso fortalece os laços afetivos.

Leia para uma criança negra e fortaleças seus laços afetivos.

 

2- Um adulto que lê para uma criança é um espelho

Quando lemos para uma criança negra, além de receber o conteúdo a leitura estará absorvendo  também sua própria paixão pelo ato de ler. Uma criança que vê adultos negros lendo, se inspira e percebe que aquilo também faz parte do universo dela. Somos espelhos para os nossos pequenos. Da mesma forma que uma criança não vai se sentir interessada em comer verduras e legumes se nos adultos a sua não comem, ela não se interessará pela leitura se os adultos a sua volta não lLeia para uma criança negraeem.
Por isso, é fundamental que os adultos se tornem leitores.  Se lemos com prazer, nossas crianças absorvem esse prazer pela leitura e passam a querer reproduzi-lo.

Leia para uma criança com prazer, sem que isso se torne uma tarefa chata e burocrática.

3-  Ler bem  melhora a escrita, a fala e a articulação de ideias.

Quanto mais a gente lê, melhor a gente escreve, melhor a gente fala, melhor a gente exterioriza as nossas ideias. Essas são qualidades importantíssimas em nossa vida adulta. Quantos problemas são evitados quando conseguimos nos expressar com clareza, de forma que facilite a compreensão? Então, leia para uma criança negras a a ajude a falar, escrever e se expressar melhor.
Em um sistema educacional que já desvaloriza nossos saberes e se constitui sob uma lógica que exclui pessoas negras, ler para uma criança negra desde pequeno é fundamental para que essa criança tenha ferramentas para acompanhar o processo de aprendizagem formal.

  Leia para uma criança negra e ajude-a melhorar as suas habilidades.

4- Ler é empoderador

Quanto melhor uma criança negra ler, menos manipulada ela será! E isso já é um motivo e tanto para que nossas crianças leiam bem. Precisamos saber mais que juntar sílabas e formas palavras. Precisamo ler as entrelinhas, o contexto, os silêncios. Essa habilidade só se adquire com a prática. Quanto mais ela ler, mais  ela saberá perceber e combater o racismo, mais ferramentas ela terá para se posicionar no mundo. Ler é empoderador.

Leia para uma criança negra e a ajude a se empoderar.

5- Ler é um dos principais refúgios para os oprimidos

Qualquer pessoa em situação de opressão ou de limitação de suas liberdades individuais pode encontrar na literatura um refúgio e uma possibilidade de viver outras realidades que ela não pode naquele momento. A leitura é o nosso passaporte para viver um sonho.  Pessoas em situação de privação de liberdade que leem, pessoas adoentadas que leem, por exemplo, são pessoas que conseguem vivenciar sensações positivas a partir da história dos livros, e mais ainda, conseguem projetar novas possibilidades de futuro. A leitura nos permite abstrair as dificuldades do momento e imaginar novas formas de perceber e reagir  à nossa realidade.
Por que eu falo isso? Eu falo tudo tudo isso porque o racismo é algo que nos oprime, é algo que tenta a todo instante nos limitar, nos restringir a um determinado espaço de subalternidade na sociedade.
Levando esse pensamento para o universo infantil, percebemos que muitos dos grandes autores foram crianças que sofreram preconceito na infância, e que liam muito e a partir daí, desenvolvem ainda mais sua própria criatividade.  A leitura ocupa um espaço que nem sempre conseguimos suprir na vida real e nos aguça a criatividade e a busca por novas possibilidades de reagir à problemas reais.
Daí a importância de lermos para crianças negras. Se a gente estimula o hábito da leitura desde cedo, nossas crianças já dominarão essa ferramenta, e desde cedo poderão buscar suporte na leitura para resistir a situações de preconceito e, se nos preocuparmos especialmente com o conteúdo da leitura, ela lhes dará suporte para combater o preconceito.

Leia para uma criança negra e deixa que o livro se torne o seu companheiro.

 

6- Ler estimula o senso crítico e desconstrói estereótipos

A leitura estabelece paralelos com a realidade, mesmo nas obras mais fantasiosas. É importante fornecer a nossas crianças acesso a esse repertório para que elas desenvolvam o senso crítico. Quando mais a criança lê, mais ela pode fazer conexões de ideias e formar suas próprias opiniões. E uma criança negra que pensa por si, é uma criança negra que não se prende a estereótipos. É uma criança negra que sabe que  ideias preconceituosas não tem fundamento, que elas não estão fadadas a fazer  aquilo que a sociedade espera que pessoas negras façam.

 Leia para uma criança negra para que ela desenvolva o senso crítico.

7- Ler ajuda a aumentar o foco e concentraçãleia para uma criança negrao

Leitura é uma atividade que precisa de atenção. E saber concentrar a nossa atenção é um recurso fundamental.  Nosso acesso as oportunidades são reduzidos. Precisamos ainda mais de foco e concentração para que o racismo nos impeça de atingir melhores condições de vida. E ler é uma forma de desenvolver essa habilidade. 

Leia para uma criança negra e a ajude a manter o foco e a concentração.

8- Ler é um entretenimento de qualidade e baixo custo

As pessoas em geral costumam achar o livro bem melhor que o filme. Porque no livro, nossa imaginação não é limitada pela visão do diretor do filme, pelos limites da tecnologia ou do orçamento. Nossa imaginação é livre. A diversão que um livro pode proporcionar  é muito mais intensa que um filme.
Sem entrar na discussão do preço do livro no Brasil (já viram o preço do cinema?), ler é um entretenimento de baixo custo. Se não dá pra comprar o livro, existe uma ampla rede de bibliotecas super equipadas que podem oferecer o livro.
Visitar livrarias e bibliotecas pode ser um programa maravilhoso para um fim de semana. Além de vários livros que podemos ler livremente, esses espaços geralmente oferecem atividades relacionadas à leitura, como contação de histórias, leituras mediadas e brincadeiras que podem nos auxiliar bastante na transformação da leitura em um hábito.

 Leia para uma criança negra e se divirta gastando pouco.

9- A leitura é uma forma de acessarmos a nossa história

leia para uma criança negra 9Nossos heróis não estão na tv, não estão nas escolas mas estão na literatura! São muitos livros que falam de Zumbi, de Dandara, da resistência negra à escravidão, das riquezas da cultura africana. Muito  já foi escrito sobre a nossa negritude,  sobre nossos ancestrais,  sobre nossas raízes. Nossas crianças precisam conhecer a nossa verdadeira história e não essa história dos livros didáticos e da grande mídia que não nos representa. Nos livros encontramos tudo isso!  Ler para uma criança negra é apresentar a ela esse mundo.

 Leia para uma criança negra e mostre a nossa história.

10- É apresentar a eles a possibilidade para criarem suas próprias histórias

Quanto mais nossas crianças negra lerem, mas elas se sentirão confortáveis em criam suas próprias histórias.

No facebook da Era uma vez o mundo, é possível ver minha curica Isha Bentia e o pequeno Mathias contando suas próprias histórias. Clique e se divirta com eles!
Postado em 25 de fevereiro de 2016 por Lu Bento

No fina de janeiro iniciamos o projeto 100 meninas negras. Este projeto busca listar 100 livros infantis com meninas negras em posição de destaque. A listinha ainda está em 25 títulos publicados, mas já está fazendo sucesso nas redes. Sabe porque?  Por que representatividade importa! E é sobre isso que falaremos hoje!

Como todo mundo sabe, sou mãe de duas meninas negras. E antes disso, fui uma menina negra. Eu sei bem o que é olhar pra tv não obter o reconhecimento da minha imagem como algo positivo. Olhar pro material didático, encontrar vários personagens infantis e não encontrar nenhuma menina negra. Viver constantemente a sensação de não pertencer a um determinado espaço porque não me vejo representada nele.

E isso não é só c2015-07-24 19.05.18oisa da minha cabeça. Pergunte pra qualquer menina preta que você conhece se ela já se sentiu assim em algum momento na vida e a resposta será: “sim, em vários momentos!”. Se você é ou foi uma menina preta você sabe exatamente o que estou falando e quais sentimentos afloram quando retomamos essas questões.

Não é o tipo de sentimento que a gente gostaria que ninguém sentisse, muito menos nossas crias. Por isso, inspirada e desafiada pela fala recorrente de muitos educadores que afirmam que não há variedade de material editado e publicado com protagonismo negro, decidi listar 100 livros infantis com protagonistas negras.  A pesquisa começou pelo próprio acervo da InaLivros, se estendeu por editoras que tradicionalmente publicam material paradidático e estava em 80 títulos quando eu decidi começar a publicar. Ainda faltavam 20 para a meta e eu decidi pedir sugestões para os fãs da página no Facebook. Não só bati a meta, como hoje estou com 120 títulos com meninas negras!

E são só títulos que destacam meninas negras! Imagine se formos pensar também nos títulos que destacam os meninos negros (logo, logo faremos a lista dos meninos !), as lendas negro-africanas, a cultura negro-brasileira, a religiosidade de matriz africana… enfim, diversas outras formas de se trabalhar a implementação da lei 10639/03 nas escolas! Cem títulos é pouco perto da variedade de material que está disponível no Brasil sobre o tema.

Estou publicando a lista das 100 meninas negras no Tumblr, e quem quiser acompanhar, o endereço é esse aqui: 100 meninas negras.

Representatividade

O projeto foi muito bem recebido pelo público, que cada vez mais colabora com novas indicações de livros, e pela imprensa, que já me convidou para algumas entrevistas. É gratificante ver um trabalho que nasceu de uma demanda tão minha ganhar asas e se tornar tão relevante socialmente. É delicioso ver outras mães pretas chegando, contando suas histórias e perceber que estamos em rede para que a nova geração se sinta representada em todos as instâncias.

Um ponto que eu sempre toco nas entrevistas é a importância desse reconhecimento no objeto, no caso, no livro. As meninas adoram livros com personagens negras porque elas se veem ali. E quem não gosta se ver representado em alguma situação de destaque?  Diz pra mim se você não gostou de ver a Beyoncé arrasando no clipe de Formation e falando por exemplo que gosta do cabelo afro do seu bebê? Então, o mesmo sentimento as meninas negras sentem quando olham um livro infantil com uma protagonista negra fazendo coisas maravilhosas e não só sendo alvo de racismo.

É essa representatividade que um monte de gente vem construído em seus canais no youtube, suas páginas no facebook, suas atuações na vida prática com o empreendedorismo. E nós, porque esse projeto começou comigo, continua com a colaboração do meu marido e cada vez mais pessoas estão chegando pra somar, nós buscamos a representatividade na literatura e na educação.

O projeto 100 meninas negras ainda renderá muito frutos. Planejamos oficinas para aproximar esse material afirmativo a educadores e crianças.  Planejamos levar esses livros para centros culturais, escolas, parques e onde mais houver crianças negras. Mas também crianças não negras, porque elas também precisam muito aprender  a reconhecer e valorizar a população negra.

Agradeço muito a todo mundo que está chegando neste projeto, todos que estão compartilhando as postagens e ajudando a divulgar, todos os autores independentes que apresentam suas obras, todas as editoras que estão enviando novos títulos. Que essa corrente cresça ainda mais. Que a nossa voz continue ecoando por aí e tocando cada vez mais corações e principalmente consciências.

Entrevistas:

Jornal O Tempo – BH

Portal Aprendiz

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