Postado em 5 de agosto de 2018 por Lu Bento

Hoje no LêproErê um livro para jovens de todas as idades. Muitas pessoas me perguntam sobre livros com protagonismo negro para jovens, e eu conheço muito poucos. E em se tratando de livros com autoria africana então, menos ainda. Mas nem tudo está perdido, não é mesmo? Conheça o livro do LêproErê de hoje.

 

Esperança para Voar

Esperança para voar

Autora: Rutendo Tavengerwei

Editora: Kapulana

Tradução: Carolina Fachin

Onde encontrar: Amazon| Kapulana

SinopseEsperança para voar, de Rutendo Tavengerwei, jovem escritora do Zimbábue, é a história de superação e amizade de duas adolescentes, Shamiso e Tanyaradzwa. Shamiso retorna com a mãe do Reino Unido para o Zimbábue, após a morte do pai, jornalista de oposição ao regime ditatorial da época. Tanyaradzwa, sua grande amiga, luta contra o câncer. O cenário é o Zimbábue, em 2008, ano de grave crise política nesse país africano. A narrativa é emocionante e mostra como duas jovens procuram compreender uma realidade tão brutal, e como aprendem a lutar contra adversidades sem perder a sensibilidade.

 

Você já parou pra pensar como é ser adolescente na África? A África é diversa demais para que possamos ter uma representação geral de adolescência no continente. Então, que tal tentar lembrar o que você sabe sobre o modo de vida dos jovens no Zimbábue? Difícil né? É porque ainda temos uma visão muito estereotipada e exotificada dos países africanos que esse livro é uma excelente opção para adolescentes. A partir de uma premissa comum dos romances Young Adults (adaptação a grande  mudanças na vida, enfrentamento de uma doença grave), Rutendo traz a vida cotidiana do Zimbábue, mostrando com sensibilidade e muita assertividade o impacto das questões políticas na vida dos jovens.

Esperança para Voar é uma história que me arrebatou e que me faz olhar com novos olhos para a literatura voltada para o público jovem. Mais que um festival de clichês e de situações que de forte apelo emocional, essa literatura pode introduzir vários elementos para o universo jovem que, talvez, sejam pouco atraente em um primeiro momento. Rutendo fala em seu livro sobre a situação política do Zimbábue em 2008, que vive o ápice de uma crise política, econômica e social que até hoje causa impactos no país. O assunto, que passou batido por mim nos noticiários da época, é pano de fundo da história e tem grande impacto na vida das personagens. Lendo o livro agora em 2018 eu me interessei em compreender o que se passava e fui pesquisar mais sobre a história e a política do país. Sei que esse meu movimento não foi só motivado pelo meu amadurecimento ao longo desses 10 anos. Foi o contexto da narrativa e as implicações da política na vida das personagens que me fizeram pesquisar sobre tudo que aconteceu por lá. O livro denuncia uma situação em meio a uma bem construida história, e hoje eu acredito que essa seja uma das melhores formas de gerar interesse e empatia de quem não vive a situação.

Eu escrevi a orelha de apresentação da edição brasileira do  livro e uma resenha que vocês podem ler lá no site da editora. Além disso, está rolando um sorteio lá nosso instagram de dois exemplares do livro, então aproveitem! A Rutendo está no Brasil esta semana para conversar com os leitores brasileiros. Dia 7/08 ela estará no Sesc Avenida Paulista  às 19h conversando comigo e com a Bianca Gonçalves do Leia Mulheres Negras. E dia 9/09 ela estará na Bahia, na FLIPELÔ, conversando com a historiadora Luiza Reis às 18h no Teatro Sesc-Senac.

 

 

Dica de Série

Se você se interessa por esse tema de adolescentes superando o câncer e o poder da amizade nesse processo, assista a série Alexa e Katie, na Netflix. Alexa é uma menina que está enfrentando um câncer, mas não quer se deixar abater pela doença e tenta levar uma vida normal na escola. Sua amiga Katie faz de tudo pra ajudar Alexa nesse processo, sempre apoiando a amiga. Apesar do tema denso, a série é muito divertida e rende boas risadas, além de ter passagens muito emocionantes.


Se você gostou desse livro e quer adquirir, compre pelo nosso link da Amazon e ajude na manutenção do AMP.

 

 

Postado em 12 de julho de 2018 por Lu Bento

No Leituras Maternas de hoje, um livro de uso diário  que é uma ferramenta para conhecer uma pouco mais na nossa relação com nossos filhos.

 

Uma pergunta por dia (para mães)

leituras maternas - uma pergunta por dia para mãesAutores: Vários

Tradutora: Marina Vargas

Editora: Intrínseca

SinopseUma pergunta por dia, o livro-diário que já vendeu no Brasil mais de 100 mil exemplares, ganha agora uma edição especial exclusiva para as mães. Mais do que um álbum de fotos, mais do que um tradicional livro do bebê, Uma pergunta por dia para mães é o instrumento perfeito para registrar cada acontecimento não só do crescimento dos filhos, mas da intensa experiência de aprendizado, descobertas e autoconhecimento na qual a mulher embarca ao ser mãe.

Funciona assim: são 365 perguntas diferentes, uma para cada dia do ano. Você começa qualquer dia e, percorridos doze meses, volta para o início. E é aí que reside o ponto alto do diário, porque cada novo ano é um convite a rever as respostas anteriores, revisitar as mais diversas lembranças e refletir sobre como tudo já mudou e se transformou.

 

Eu já gostava da ideia do Uma pergunta por dia como uma forma de registrar os acontecimentos diários. Eu tenho uma quedinha por registrar o que acontece em minha vida, principalmente pelo prazer de reler no futuro e ver o quanto eu mudei e me transformei ao longo do tempo. Então quando eu soube do Uma pergunta por dia para mães, fiquei bem interessada em ter um, para acompanhar minha relação com as curicas. O livro-diário foi lançando para o dia das mães de 2017, e por algum motivo não consegui comprar na época, mas fiquei com aquele desejo na cabeça.

Com a parceria com a Intrínseca, finalmente consegui ter o livro e posso dizer que estou amando essa ferramenta. Todos os dias antes de dormir respondo a pergunta do dia e deixo registrado algum momento com as meninas, seguindo a pergunta do dia do livro.

Já faz 1 mês que estou preenchendo e estou gostando muito da experiência. Fico imaginando as mudanças que perceberei nas respostas ao longo do tempo, já que o livro tem previsão de ser respondido diariamente nos próximos 5 anos, quando as meninas já terão 10 e 9 anos.

Sinto que essa pode ser uma boa lembrança da dos meus sentimentos e impressões sobre a infância delas, além de ser uma forma de perceber minhas mudanças de perspectiva ao longo dos anos.

Uma pergunta por dia para mães é um livro lindo, onde você mesma registra a sua história, sendo autora e protagonista da sua vivência de maternidade.

 


Se você gostou desse livro e tem interesse em adquirir, compre pelo nosso link da Amazon e ajude o AMP a se manter no ar. Recebemos esse livro como parte da parceria com a editora Intrínseca.

 

Postado em 11 de julho de 2018 por Lu Bento

Vamos falar de literatura e esportes? No LêproErê  dessa semana, dois livrinhos que batem um bolão! As vibrações da Copa do Mundo já vão se dissipando, mas o espírito esportivo continua vivo por aqui. Esporte e infância tem tudo a ver. Confira as dicas de literatura infantil de hoje.

 

A turma do Elias em O bullying não tem vez

esporte - a turma do eliasAutor: Elias Mendes Trindade

Ilustrador: Alessandro Almeida

Editora: Uirapuru

Sinopse: Elias e seu irmãozinho Davi se prepararam para ingressar numa escola nova, mas logo no primeiro dia Elias presencia uma cena de bullying contra Vinícius, um garoto que a turma do Pedrão insiste em maltratar. Somente um desafio poderá dar solução a esse problema: uma partida de futebol. Acompanhe esse confronto em que inteligência, planejamento e força-bruta são colocados em jogo.

 

O livro foi escrito pelo jogador de futebol  do Atlético Mineiro, Elias Trindade, que aborda um tema frequente nas relações infantis, o bullying. A utilização do esporte como pano de fundo torna lúdica a aboradagem desse tema e ajuda a promover uma aprendizado mais orgânico. Me incomoda um pouco a abordagem do racismo enquanto bullying, e esse ponto merece atenção e cuidado. Bullying e racismo não são a mesma coisa. Mas apesar disso, acho o livro uma boa pedida para se trabalhar esses temas com as crianças.

Elias é criador do Projeto Elias, uma iniciativa social de apoio e incentivo ao esporte para crianças da região do Parque Novo Mundo, em SP, onde o jogador cresceu.

Maira- a alegre campeã

esporte - maira a alegra campeãAutora: Maíra Brochado Ranzeiro

Ilustrações: J. Rafael

Editora: autopublicado

Sinopse: Maira é uma menina muito alegre com olhos de jabuticaba e pele negra que se encantou pelo mundo dos esportes em especial por esse criativo jogo de bolinhas e raquete, o tênis de mesa, e brincando aprendeu a ter disciplina,foco, concentração e persistência .
Contudo a alegre menina ao saber que estava chegando o dia do seu primeiro campeonato ficou ansiosa e com medo, mas com o amor e apoio de sua família recuperou sua confiança e decidiu se divertir e jogar com alegria.O livro é baseado em fatos reais e conta a trajetória da autora Maira Ranzeiro, primeira negra campeã brasileira de tênis de mesa, e revela um papel social muito importante, pois apesar do Brasil ser constituído em sua maioria pela população negra (54%), ainda se fala muito pouco da presença negra em diferente setores da sociedade.

Cada vez que eu vejo uma menina negra se destacando em um área pouco falada, a primeira coisa que eu penso é “menina negra pode tudo”. Esse é o meu mantra para reconhecer as nossas potencialidades em todas as áreas, por mais improvável que possa parecer. Repeti esse mantra assim que soube da maravilhosa história de Maíra Ranzeiro, mesa-tenista campeã brasileira ao 15 anos.  E Maíra segui acumulando conquistas: bicampeã Latino-Americana, primeira colocada no Ranking Nacional de Tenis de Mesa e Melhor Atleta do Ano de 2017.  Mas o mais importante de tudo isso é que Maíra nutriu a vontade de compartilhar suas conquistas no esporte com outras crianças através da literatura infantil, e hoje temos a oportunidade de incentivar nossos pequenos e pequenas com esse livro maravilhoso.

Maira, a alegre campeã traz essa representatividade que a gente tanto fala e busca, e também tem o potencial de inspirar muitas pessoas através das conquistas da menina Maira. A autora está com uma campanha de financiamento para uma nova edição do livro, e se você quiser saber mais e colaborar, acesse o site e siga seu perfil no instagram.

 

 

 

 

Postado em 14 de abril de 2018 por Lu Bento

As meninas estão estudando na escola o Sistema Solar. E isso trouxe o tema para o nosso cotidiano. Todos o dias elas chegam com novidades e contam sobre os planetas e suas novas descobertas. Lógico que o nosso olhar também ficou direcionado a temas que se relacionavam ao novo interesse delas. Hoje eu compartilho com vocês nossas viagens pelo tema Universo.

 

Desevendando o Sistema Solar

Livro: Sistema Solar – uma exploração visual dos planetas, das luas e de outros corpos ceestes que orbitam nosso Sol

Autor: Marcus Chown

Editora: Blucher

Sinopse:

Nunca antes as maravilhas do Sistema Solar – seus planetas, planetas anões, o Sol, as luas, o cinturão de asteroides e o Cinturão de Kuiper – foram tão acessíveis aos leitores de todas as idades.Começando com uma visão geral fascinante e depois em uma organização por planetas ordenados de acordo com a distância do Sol, “Sistema Solar” nos leva em uma viagem pelo tempo e espaço com direito a um lugar na primeira fileira para testemunhar o nascimento explosivo do Sistema Solar, uma viagem em direção (e depois em profundidade) a cada um dos seus oito planetas, e uma exploração igualmente profunda dos asteroides e cometas.

 

Esse livrão não é propriamente para crianças pequenas, mas é um material maravilhoso sobre o sistema solar. Assim que bati os olhos nele na #feiradolivrodaunesp fiquei encantada.
É um livro com muitas fotos, imagens fornecidas pela NASA  que forma captadas por sondas de exploração ou criadas em programas específicos a partir dos conhecimentos científicos que já existem sobre os planetas.
Uma leitura de referência impressionante, que diverte e educa, além de estimular a curiosidade e o gosto pela ciência. Ele consegue equilibrar muito bem informações mais gerais com outras muito específicas e aprofundadas sobre o universo. Gostei muito dessa obra, uma importante referência para quem quer aprender sobre esse tema.
Fiz questão de comprar um livro assim, que fosse bem mais aprofundado do que se espera para crianças da idade das curicas porque eu e meu irmão tivemos um desses em nossa infância. Era um livro de quando a minha mãe era criança ( imaginem o quanto ele estaria defasado agora!) e a gente amava andar com ele pra cima e pra baixo.
Meu irmão viviam com o livro, perguntando pra os meus pais sobre os planetas, explorando as imagens e se divertindo em imaginar o espaço. Meu irmão tinha a idade que a Isha Bentia tem hoje. Me deu uma tristeza lembrar do livro e ter mais ele aqui pra ver com elas, mas lembro que doamos ele pra uma biblioteca numa grande leva de doações de livros que fazíamos de tempos em tempos. Infelizmente nem sei o nome da coleção para tentar achar a foto da capa na internet.
Lembro desse livro com muito carinho, uma das minhas melhores lembranças sobre livros na infância, e do fascínio que o universo me causava. E ainda causa. Ver que somos tão pequenos diante de tudo que está lá no alto, ver como tudo funciona de uma maneira sincronizada e harmônica, ver que a vida é um ciclo, não importa se você é uma estrela, um ser humano ou um micróbio.
Esse livro do Sistema Solar é o nosso queridinho da vez, resgatando memórias afetivas e nos ajudando a construir outros momentos que, espero, fiquem guardados nas lembranças das meninas.

Pra não ficar só no que eu tô falando, vocês podem ver uma amostra do livro ou acessar a navegação online por ele no site da editora. 🙂

 

Uma Viagem pelo Espaço

Livro: Uma viagem pelo espaço

Autor: John Haslam e Steve Parker

Editora: Queen Books

 

Sinopse:

Você já se perguntou o que tem no espaço? Embarque nesta viagem pelo sistema solar e além dele para descobrir os segredos do nosso incrível universo. A sobrecapa vira um lindo pôster!

 

Como eu buscava livros que fossem acessíveis para elas, tratei de arrumar também infantil sobre o espaço. Esse aqui, além de trazer ilustrações fofas, é repleto de curiosidades sobre o espaço, tudo utilizando uma linguagem simples e voltada para crianças.  O tema espaço chegou pra elas através das figuras de afeto da escola, que estavam viajando pelo espaço. Então um livro sobre viagem espacial veio bem a calhar.

Ele também vem com o poster bem bonitinho com os planetas do sistema solar, e foi uma delícia ver a Mini Bentia abraçada com o livro e reconhecendo Vênus, o planeta da turma dela na escola.  Ter uma opção mais adequada à idade delas foi uma forma de manter acessível o conhecimento. A mesmo tempo que eu quero estimular a pesquisa e a curiosidade delas com o livro mais científico, quero também que elas sintam que esse conhecimento é acessível a elas, que esse assunto pode e deve ser explorado por elas a partir dos conhecimentos que elas possuem hoje.

Lemos juntos, conversamos sobre os planetas e vamos compartihando e construindo conhecimentos. Essa aventura espacial tem sido um momento especial em família, e cada vez que elas chegam com um “mamãe, você sabia que…” eu fico encantada com a quantidade de coisas que as minhas meninas estão aprendendo todos os dias.

 

Falar sobre ciência em casa é uma forma de estimular as meninas a se interessarem por temas que ainda são pouco explorados por pessoas negras. Quantos cientistas negros brasileiros conhecemos? Somos de humanas e pra gente é muito mais natural falar sobre outros temas que não envolvam tantos números e cálculos. Então ter a oportunidade de pensar astronomia com elas tem sido maravilhoso para nos tirar da zona de conforto e fornecer a eles outros refereciais, diversificando os estímulos. Além disso, o tema espaço e muito apresentado para meninos, como se desbravar o universo fosse uma atitude masculina. Então a gente aproveita pra romper com essa visão sexista e, quem sabe, plantar a sementinha de novas astronautas por aí…

 

 

 

 

 

 

 

Postado em 10 de agosto de 2017 por Lu Bento

No último sábado estive presente no 2º encontro de mães leitoras.  Já tinha participado da primeira edição em uma casa de festas, que foi interessante em termos de diversão em com as meninas, mais foi bem fraquinho em termo de programação voltada para formação de leitores ou para famílias leitoras. Mesmo assim resolvi dar uma chance para a segunda edição do encontro.

O encontro foi… mais um encontro de mães brancas. Sim, não teve nada especial realmente voltado para a literatura e a formação de leitores, tiveram vários brindes de fraldas, cremes pra assaduras e outras coisas de bebês. E a distribuição de alguns livros em sorteios. Nada de novo com relação ao encontro anterior, mas pelo menos foi em um espaço bem mais agradável, voltado para a alimentação saudável e diversão livre de aparatos tecnológicos.

Fiquei bem feliz em conhecer o espaço Brincando no Pé. Acho que essa foi a melhor parte do encontro, pois o espaço é bem alinhado com uma perspectiva de infância mais natural e artística, com brincadeiras tradicionais, brinquedos construídos através de objetos reciclados e muito espaço para as artes em geral. Pena que fica bem longe de casa, moramos na Zona Norte e o espaço fica na Zona Sul.

As falas foram bem “mais do mesmo”, sem uma real preocupação com  formação de leitores e sequer tinham livros infantis disponibilizados para a criançada. Uma decepção, no final das contas.

Eu confesso que desisti. Não tinha ficado satisfeita com o primeiro encontro, fiquei menos ainda com o segundo. Não é o meu perfil. As frequentadoras não fazem parte do meu círculo de relacionamento, não temos interesses em comum apesar de todas nós falarmos sobre maternidade.  A maternidade, no final das contas, não aproxima tanto as pessoas assim, principalmente quando temos perspectivas de vida tão divergentes.

 

Percebi que esses encontros são só uma forma de aproximar as blogueiras maternas que falam das mesmas coisas, sem uma real preocupação coma  qualidade de leitura e da literatura infantil apresentada às crianças. Uma perda de tempo ( e dinheiro) pra  participar de um evento em que as pessoas mal estão dispostas em interagir e conhecer umas às outras.

Me despertou a ideia, e a necessidade de fazermos nossos próprios encontros de mães – famílias, porque não? -leitoras. Quem sabe no ano que vem…

Postado em 24 de junho de 2017 por Lu Bento

Olá pessoal!

Existe uma variada literatura voltada pra mães, não é mesmo? São livros e mais livros que nos “ensinam” ou orientam, pra ser mais suave, a educar nossos filhos. A verdade é que pedagogos, médicos, psicólogos, todos querem compartilhar conosco seus anos e anos de estudo e experiencia. Fora a infinidade de livros de mães compartilhando suas experiências pessoais e desabafos sobre a maternidade real.

Esse é o nosso espaço de diálogo sobre esses livros. No leituras maternas desse mês quero falar de 2 livros que li há pouco tempo sobre o assunto, um voltado pera a educação dos filhos e outro de compartilhamento de vivências maternas. Porque entre uma fralda e o apoio à tarefa de casa,  mãe lê e produz literatura!

 

Vamos brincar? Atividades para ensinar bons hábitos para crianças

capa - Vamos brincar

Autores: Eduard Estivill e Yolanda Saenz Tejada

Editora: WMF Martins Fontes

Tenho passado por muitos problemas Não que elas sejam propriamente mal-educadas. As pessoas de fora até as elogiam e falam que são meninas bem educadas. Mas em casa é um terror. Mini Bentia não guarda absolutamente nada do que ela usa e Isha Bentia parece ter uma surdez seletiva que só faz as coisas que pedimos depois de que a gente perde a paciência. Sei que a origem desses comportamentos está muito mais em nós, pais, e em como lidamos com a nossa própria bagunça e desatenção com as demandas delas. Mas também sei que precisamos de ajuda para mudar esses comportamentos em nós e ajudá-las nesse processo educacional. E esse livro entra como uma das ferramentas que têm nos ajudado a melhorar nossa comunicação intrafamiliar.

Eu confesso que fiquei com o pé atrás com relação a essa obra porque o autor, o médico espanhol Eduard Estivill também é autor de um livro bem criticado, Nana Nenê, que “ensina” a estabelecer rotinas de sono para bebês com métodos, no mínimo, polêmicos que estimulam os pais a deixarem as crianças chorando sozinhas por longos minutos. Mas como o livro tava bem baratinho em um saldão da Martins Fontes e, como eu tava bem desesperada em aprender métodos eficientes para lidar com minhas dificuldades na criação das meninas, que eu decidi me aventurar nesse leitura.

A leitura é bem rápida, esse é um livro de consulta porque traz várias atividades para serem feitas com as crianças em diferentes situações e, com isso, ensiná-las bons hábitos. Gostei muito das atividades propostas, algumas já estou começando a por em prática, mas preciso de um tempo para avaliar o quanto elas funcionam pra minha realidade.

De qualquer forma, curti a leitura, fiquei com algumas ideias e com muitas esperanças de que as coisas melhores mor aqui.

Meu amor pelo livro:

Mamãe é rock

 

Autora: Ana Cardoso

Editora: BelasLetras

Esse é aquele típico livro de maternidade real. Ana Cardoso trás relatos bem intensos sobre o cotidiano de uma família e a criação de filhos, de forma bem humorada. Sabe aquela sensação de rir da própria desgraça? Não que as situações que passamos no dia-a-dia cheguem a ser uma desgraça, mas algumas são bem frustrantes e sem um pouco de graça não dá pra passar por tudo isso sem ficar maluca.

A leitura é leve e divertida. Aquela típica leitura de relaxamento, sabe? E ideal para quem não tem muito o hábito de ler. A diagramação é bem irreverente, ele lembra muito aqueles livros pra pré-adolescentes sabe, me veio logo na memória aquele antiguinho “Coisas que toda garota deve saber”. Mas é essa identidade visual jovial e irreverente que facilita a conexão com o livro e tem tudo a ver com o próprio conteúdo.

Adorei ler, me identifiquei em muitas partes dele, principalmente porque também sou mãe de duas meninas. E lendo algumas coisas lá fiquei imaginando que provavelmente passarei por situações bem parecidas em alguns anos.

Meu amor pelo livro:

 

 

 

 


E aí, já leu algum desses livros? Conte pra gente! Se você se interessou em adquirir esse livro, compre pelo no link da Amazon e ajude o AMP a se manter. Até a próxima.

Postado em 24 de maio de 2017 por Lu Bento

Olá pessoal! Vamos falar sobre livros? Existe um ampla bibliografia voltada para mães e no Leituras Maternas compartilho com vocês minha impressões sobre esses livros. O universo materno é abordado de diferentes maneiras nas publicações impressas. Nesse edição, trago pra vocês um livro de exaltação a figura materna e um livro de poesias que ampliam nossos sentidos sobre o maternar.

Leituras

 

 

As mães que mudaram o mundo

Histórias inspiradoras de mulheres que fizeram a diferença para seus filhos e para  mundo

 

mães que mudaram o mundoAutor:Billy Graham

Editora: Habacuc

Comprei esse livro por pura compulsão por livros em uma dessas feiras de saldão. Li esse livro por plena necessidade de estímulo e motivação nessa jornada materna. Sem dúvidas, é um livro cativante. A história e o empenho dessas mulheres em fazer o que elas consideraram melhor para seus filhos é reconfortante. E é exatamente o que se espera quando se pega um livro com forte viés religioso: conforto.

O livro conta a história das mães de grandes personalidades do mundo, mostrando como essas mulheres aturam para que essas pessoas (em geral, homens) se destacassem ou aprimorassem características que foram marcantes para história do mundo. Fiquei um pouco chateada porque essa mulheres são definidas a partir de seus filhos famosos, a mãe de Luther King, a mãe de Condoleeza Rice. Mas entendo que essas mulheres se tornaram interessantes para o grande público devido aos seus filhos famosos. Ah, falando nisso, um dos motivos que me fizeram comprar esse livro foi a curiosidade de conhecer essas mães pretas aí…

No meio da leitura fiquei meio saturada pelo viés religioso do livro, sempre ressaltando a fé dessa mulheres como decisiva no poder de influencia delas ou citando mulheres bíblicas. Pra quem não é religioso, pode ser chato tudo isso. Mas pra quem acredita, pode ser uma mais uma forma de fortalecer a maternidade também na dimensão religiosa.

A escrita é bem simples, a leitura é super acessível para as pessoas que não tem o hábito de leitura e, como são histórias individuais, é perfeito pra mães que nem sempre tem tempo para ler um livro. Dá pra ler fora da ordem dos capítulos e ir buscando as histórias que mais te interessam ou se conectam com o momento que você está vivendo. É aquele tipo de publicação feito pra dar de presente, tem até um espaço de dedicatória na primeira página. E funciona bem como presente viu?

Não foi um livro que eu amei, mas valeu a pena ter lido. E ele continua com espaço na minha estante.

Livro nota 2

Cria Jubal

 

criajubal-202x224

Autora: Adriana Rolim

Editora: Metanóia

Gente, filho é poesia. E praquelas pessoas mais próximas das palavras, só a poesia pra conseguir expressar os sentimentos da gravidez e da maternidade. É isso que a Adriana Rolin faz nesse lindo livro. Esse livro faz você se sentir entrando na intimidade de uma família a cada poesia, conto, relato, fotografia. Amor que transpassa as páginas do livro  nos fazem perceber o quanto essa obra deve ser importante pra essa família.

Além da maternidade, Cria Jubal articula diferentes dimensões do nosso ser, a mulher-companheira, a mulher-ativista, a mulher-amiga, a mulher-artista… todas elas juntas, com essas nuances se sobrepondo. Acaba servido de estímulo para nos vermos completas, perspectiva que muitas vezes é esquecida quando nos tornarmos.

A leitura de Cria Jubal, além de enternecer meu coração, me fez olhar com outros olhos pra mima vivência cotidiana, me vez ver com olhos de poeta o amor que nutrimos uns pelos outros em casa e me estimulou a escrever um pouco mais sobre isso.

Esse é aquele livro pra dar de presente para amiga quando nasce o bebê ou ela descobre que está grávida. Leitura e espera e de conforto.

Onde encontrar: InaLivros

Livros nota 4


E aí, gostaram do Leituras Maternas desse mês? Conta pra gente nos comentários! Tem dicas de livros sobre maternidade? Bora conversar! Até a próxima.

Postado em 18 de agosto de 2016 por Lu Bento

Fala galera! No LêproErê de hoje eu trago dois livros sobre culturas bem diferentes da nossa brasileira. Porque a literatura infantil também pode ser uma ferramenta para apresentarmos outros mundos pras nossas crianças, não é mesmo? Então, acompanhe essas dicas.

Uma idéia  luminosa

Autor: Rogério Andrade Barbosa

Ilustradora: Thaís Linhares

Editora: Pallas

 

 

Eritréia. Quantas vezes ouvimos falar sobre esse país? Rogério Andrade Barbosa nos apresenta neste livro um reconto tradicional deste país africano que fica no chamado chifre da África. A história fala sobre o pai que desafia os filhos a resolver um difícil problema. Ao longo da narrativa, vemos que a solução surge da criatividade.

Com o texto bem fluido,o livro rende uma excelente contação de histórias e pode servir de introdução a atividades que estimulam a inovação e o pensamento criativo.

 

Hime

Autor: Júlio Emilio Braz

Ilustradores: Thiago Fernandes, Elvis P. Silva e Jonny J. Silva

Editora: Uirapuru

 

Neste reconto, Júlio Emilio Braz nos apresenta um tradicional história japonesa sobre um casal de idosos que sonhava em ter um filho. Um dia são agraciados com uma menina, que cresce rápido e se torna uma bela mulher. Diante de vários pedidos de casamento, o velho pai decide propor desafios para os pretendentes e postergar o casamento da filha. Ao longo da história descobrimos coisas surpreendentes sobre essa menina que chegou de surpresa na vida deste casal e que diferem totalmente das histórias de princesas que conhecemos.

Uma linda história vinda de uma cultura tão diferente da nossa que enriquece nosso repertório cultural e amplia nossa maneira de ver o mundo.

 


Gostaram? Já conheciam esses livros? Conte pra gente aí nos comentários.

Até a próxima!

Postado em 30 de julho de 2016 por Lu Bento

Pessoal! Decidi dividir um pouco mais as coisas. Tenho recebido muitos pedidos pra mais dicas de livros infantis no LêproErê, então decidi separar as coisas e só falar de livros infanto-juvenis por lá. E este será o nosso novo espaço pra falar sobre livros mais adultos. Assim a gente fala um pouquinho de tudo, não é mesmo? E já que é pra falar de literatura em geral,  eu apelo logo pra minha querida, minha musa, minha top top das galáxias, a Chima. Não sabe quem é Chima?  Acompanhe o primeiro Leituras Maternas  do blog! 

 

 

Meio Sol Amarelo

 

meio sol amareloAutora: Chimamanda Ngozi Adichie

Editora: Cia das Letras

Onde Encontrar: InaLivros

Chimamanda Ngozi Adichie. Se você nunca ouviu falar sobre essa mulher, por favor, volte duas casas. Sério, a Chima – olha a intimidade da pessoa! – é uma das maiores escritoras contemporâneas. Sim, sou apaixonada por ela. Seus livros são maravilhosos, já falei de Americanah aqui e o quanto ele foi inspirador para esse blog e agora venho falar sobre Meio Sol Amarelo.

Em Meio Sol Amarelo, Chimamanda fala sobre disputas étnicas na Nigéria, que resultaram na guerra de Biafra, a partir da vida de duas irmãs gêmeas  Igbo, Ollana e Kainene. A história não é contada linearmente, ela tem idas e vindas e a cada capítulo a história foca o ponto de vista de personagens alternados. Isso torna a leitura bem dinâmica e a gente acaba nem percebendo que está lendo um livro de 504 páginas.

Apesar do tema bem denso, Chimamanda conta a história de uma forma muito humana e apaixonada, e isso tem muito a ver com o fato dela também ser uma mulher de origem Igbo e a narrativa conter inspirações biográficas. Ela se inspirou muito nas histórias contadas por seus pais e familiares que viveram e sofreram durante a guerra.

Sou praticamente da idade de Chima e ouvi falar muito pouco (quase nada mesmo) sobre a guerra de Biafra na escola.  Infelizmente a África não era pauta nas escolas na minha época. Mas lembro bem de referências à fome e à miséria, e daquelas imagens de crianças barrigudas desnutridas morrendo de fome. Foram as imagens das crianças de Biafra que ajudaram a difundir a ideia de que em África só há fome e miséria.

Voltado para a história do livro, Meio Sol Amarelo fala também de histórias de amor (meu lado mulherzinha pira!) e Chimamanda sabe fazer isso muito bem. São romances complexos, com problemas e dinâmicas bem reais, passando longe daquele modelo de amor-romântico redentor dos romances água com açúcar.

Diante de tudo isso, nem preciso falar porque recomendo a leitura né? Chima é maravilhosa!


Espelhos, Miradouros, Dialéticas da Percepção

 

Espelhos, MIradouros e Dialéticas da PercepçãoAutora: Cristiane Sobral

Editora: Dulcina

Onde Encontrar: InaLivros

A dica agora é um livro de contos. E que livro de contos! Espelhos, miradouros, dialéticas da percepção foi uma leitura para o clube do livro do Leia Mulheres Negras. Já estava com ela em casa, na fila de espera  e por sorte, ele se tornou prioridade devido ao clube de leitura.  Que bom! Porque Cristiane Sobral faz um trabalho muito bonito de reflexões sobre negritude e identidade nessa obra.

Foi uma leitura muito gostosa e que me levou a várias reflexões sobre nossos modos de vida, sobre o impacto do racismo em nossas emoções e sobre a minha própria trajetória de reconhecimento como mulher negra. Uma leitura que vale a pena ser feita.

Acabei fazendo um bate papo com ela sobre o livro para o blog da Ina. Se você ficou curioso sobre a obra, ou se leu e quer saber o que a autora fala sobre ela, leia a nossa conversa no blog da Ina!


Gente, os livros citados hoje estão disponíveis na InaLivros, a minha livraria virtual especializada em literatura negra. E pros leitores do blog há um descontinho especial, basta colocar o código AMAEPRETA10 no final da compra, ok?

Acesse a loja: InaLivros

Então, gostou das dicas? Já leu algum desse livrou ou outros livros dessas autoras? Comente aí… ou então entre em nosso grupo no Facebook voltado para o debate sobre literatura negra, o Quilombo Literário – clube de leitura.

Beijo e até a próxima semana!

Postado em 6 de julho de 2016 por Lu Bento

Fala galera! No LêproErê dessa semana dois livros bem fofinhos com protagonistas negras. Estou tão envolvida com essas leituras para o Projeto #100meninasnegras que não resisti em compartilhar algumas das leituras que faço pra lá com vocês. Bora lá?

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Entremeio sem babado

Entremeio seem babado

Autora: Patrícia Santana

Editora: Mazza Edições

Esse é um livro sobre uma menina que adora falar. Ela quer perguntar tudo, quer saber de tudo, se mete em todos os assuntos. Mas ao invés de ser vista como uma menina chata e fofoqueira pela família, é chamada de curiosa. Isso faz toda diferença no modo como tratamos nossas crianças né? Kizzy tem suas características valorizadas pela família. Outro ponto que eu gosto muito nesse livro é que ela fala de nomes africanos. Kizzy é um nome de origem XXX que signnifica XXX. Além da explicação do nome da menina Kizzy, o livro trás o significado  e a origem de outros nomes, o que pode ser um ponto de partida bem interessante para que as crianças pesquisem sobre seus próprios nomes.

Cheirinho de Neném

Cheirinho_de_nenem Autora: Patrícia Santana

Editora: Mazza Edições

Esse livro da é mesma autora do livro anterior e segue a mesma linha fofinha e de leitura gostosa. Nessa história, a menina Iara ganha um irmãozinho, Abayomi, e fala da alegria de ter um bebezinho em casa. Além de ser um livro bem gostosinho, as ilustrações do Thiago Amormino são maravilhosas. Sabe aquele traço arredondado que atraí a criançada? Então, o livro segue bem esse estilo. A menina Iara tem mãe e pai negros, a mãe com um lindo black e o pai com dreads ou tranças (não dá bem pra saber). Isso é incrível em um livro infantil, principalmente numa sociedade como a nossa em que negros raramente são representados como uma família, e quando são, quase sempre apresentam uma família desestruturada. Ver uma família negra unida, falando só de amor e cuidado é um afago a nossa autoestima e uma representação positiva que temos que levar pra nossas crianças.


E aí, curtiram? Espero que sim. Essas livrinhos são daquele tipo que a gente precisa ler e reler inúmeras vezes porque as crianças adoram a história. Você já leu?

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