Postado em 12 de julho de 2018 por Lu Bento

No Leituras Maternas de hoje, um livro de uso diário  que é uma ferramenta para conhecer uma pouco mais na nossa relação com nossos filhos.

 

Uma pergunta por dia (para mães)

leituras maternas - uma pergunta por dia para mãesAutores: Vários

Tradutora: Marina Vargas

Editora: Intrínseca

SinopseUma pergunta por dia, o livro-diário que já vendeu no Brasil mais de 100 mil exemplares, ganha agora uma edição especial exclusiva para as mães. Mais do que um álbum de fotos, mais do que um tradicional livro do bebê, Uma pergunta por dia para mães é o instrumento perfeito para registrar cada acontecimento não só do crescimento dos filhos, mas da intensa experiência de aprendizado, descobertas e autoconhecimento na qual a mulher embarca ao ser mãe.

Funciona assim: são 365 perguntas diferentes, uma para cada dia do ano. Você começa qualquer dia e, percorridos doze meses, volta para o início. E é aí que reside o ponto alto do diário, porque cada novo ano é um convite a rever as respostas anteriores, revisitar as mais diversas lembranças e refletir sobre como tudo já mudou e se transformou.

 

Eu já gostava da ideia do Uma pergunta por dia como uma forma de registrar os acontecimentos diários. Eu tenho uma quedinha por registrar o que acontece em minha vida, principalmente pelo prazer de reler no futuro e ver o quanto eu mudei e me transformei ao longo do tempo. Então quando eu soube do Uma pergunta por dia para mães, fiquei bem interessada em ter um, para acompanhar minha relação com as curicas. O livro-diário foi lançando para o dia das mães de 2017, e por algum motivo não consegui comprar na época, mas fiquei com aquele desejo na cabeça.

Com a parceria com a Intrínseca, finalmente consegui ter o livro e posso dizer que estou amando essa ferramenta. Todos os dias antes de dormir respondo a pergunta do dia e deixo registrado algum momento com as meninas, seguindo a pergunta do dia do livro.

Já faz 1 mês que estou preenchendo e estou gostando muito da experiência. Fico imaginando as mudanças que perceberei nas respostas ao longo do tempo, já que o livro tem previsão de ser respondido diariamente nos próximos 5 anos, quando as meninas já terão 10 e 9 anos.

Sinto que essa pode ser uma boa lembrança da dos meus sentimentos e impressões sobre a infância delas, além de ser uma forma de perceber minhas mudanças de perspectiva ao longo dos anos.

Uma pergunta por dia para mães é um livro lindo, onde você mesma registra a sua história, sendo autora e protagonista da sua vivência de maternidade.

 


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Postado em 3 de julho de 2018 por Lu Bento

O leituras maternas de hoje é pra trazer polêmica. Sim, falaremos sobre mães arrependidas. Será é que possível se arrepender da maternidade? Se é possível, será é adequado falar sobre isso? Confira minhas impressões da leitura do livro da antropóloga israelense Orna Donath.

 

Mães Arrependidas – uma outra visão da maternidade

Autora: Orna Donath

Editora: Civilização Brasiliera ( Grupo Record)

 

A maternidade envolve uma mudança gigantesca na vida das mulheres. Ela pode ser muito desejada ou pode ter acontecido de repente, mas não faz diferença. O impacto das mudanças é totalmente imprevisível, e pode resultar em sentimentos de arrependimento.  Nessa pesquisa magnífica da antropóloga Orna Donath, diferentes mulheres compartilham seus sentimentos de arrependimento com relação a maternidade, muitas delas mães de vários filhos, outras até avós.

O livro é extremamente provocador e inquietante, principalmente para mães, porque não somos estimuladas a questionar os nossos sentimentos com relação a maternidade. Estamos tão culturalmente condicionadas a compreender a maternidade como uma dádiva na vida das mulheres que nos parece tão ingrato sentir qualquer outra coisa que não felicidade por ter filhos que essa assunto se torna tabu. Por isso esse livro é tão espetacular.  Ele aborda a possibilidade de mulheres se sentirem frustradas por terem seguido pelo caminho da maternidade.

Tendo em vista que o arrependimento marca o ‘o caminho não tomado’, arrepender-se de ser mãe indica que há na verdade caminhos que a sociedade proíbe as mulheres de tomarem, eliminando a priori vias alternativas como a não maternidade.

Mães Arrependidas – orna donath

A liberdade de escolha de ser ou não ser mãe ainda é muito restrita. As mulheres que não desejam ser mães são bombardeadas com a possibilidade de sentirem culpa essa escolha, como se o arrependimento só pudesse ocorrem quando não se tem filhos. A pesquisadora fala que essa “liberdade condicional” em decidir se tornar mãe ou não é ditada pela sociedade que em diferentes instâncias associam a realização feminina à maternidade, deixando claro que crianças nascem porque muitas vezes as mulheres não têm ou não veem um caminho alternativo para si.

Uma das coisas que eu achei mais bacana é que as  mulheres verbalizam e refletem sobre o arrependimento, e é desconcertante como a gente se identifica e compartilha muito dos sentimentos dessas mulheres que se arrependeram da maternidade. Mas, diferente das mães que não nutrem sentimentos de arrependimento, as mães arrependidas compreendem que tornar-se mãe foi um erro. Cada uma delas diz claramente que deixaria de ser mãe se tivesse essa oportunidade. E mesmo amando os filhos, elas sabem que seriam mais felizes se eles não fossem seus filhos ou mesmo não existissem.

 

Esse é um livro  que mexe com questões muito profundas da sociedade e na nossa subjetividade feminina e foi uma leitura que mexeu muito com os meus sentimentos. Desenvolvi uma profunda empatia com essas mulheres e tenho vontade de falar com cada mulher para que pense muito antes de se decidir pela maternidade, mesmo que isso não seja garantia contra o arrependimento.

E como eu ainda tenho muito pra falar sobre o livro e esse post se tornaria quase outro livro de tanto que eu marquei meu exemplar de Mães Arrependidas, então aos poucos vou desenvolvendo minhas impressões sobre esse tema aqui no blog.

Li esse livro em maio e foi interessante o contraste entre as propagandas e as homenagens as mães que tomaram conta da mídia nesse período e a crueza da maternidade pelo ponto de vistas de mães arrependidas de terem embarcado nessa. Mostra que todo pode ter mais de uma percepção.

Recomendo muito essa leitura para mulheres e mulheres-mães como uma forma de nos apropriamos de questões de nos afetam. A maternidade envolve muito mais que os comerciais de tv, os discursos sobre a beleza da maternidade e a nossa impressão como filhos e filhas podem dar conta. Já está na hora de olharmos para a maternidade como uma relação entre pessoas e uma condição que causa um impacto profundo na existência da mulher. E esse livro pode ajudar na desconstrução da maternidade romântica.

Meu amor pelo livro:


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Postado em 20 de maio de 2018 por Lu Bento

Dia das mães passou, todos lembramos de nossas mães e de como a maternidade é linda e um grande ato de amor. Na mídia, comerciais e programas dedicados a mostrar as belezas da maternidade. Em contrapartida, temos uma onda de “maternidade real” ganhando cada vez mais espaço e adeptos e não faltaram críticas à falta de isonomia no mercado de trabalho, à romantização da maternidade e a sobrecarga feminina na criação dos filhos.

A realidade é que por mais diversidade que a maternidade real traga para o conceito de maternidade, ainda existem alguns temas que são tabu quando falamos sobre o assunto. E sinto que está na hora de começarmos a visibilizar sentimentos mais profundos relacionados à maternidade. É hora de olharmos para as mães. O que a mulher-mãe sente? Será que a maternidade foi uma escolha ou uma imposição? O que fazer quando  a maternidade se torna opressora? Esses e outras questões pairam os debates maternos mas ainda são pouco exploradas.

 

Maternidade em questão

Tornar-se mãe não é uma escolha totalmente livre. Somos o tempo todo educadas e condicionadas à reproduzir. O mito do instinto materno, a romantização da maternidade, a pressão do “relógio biológico”, a  crença de que precisamos de um filho que cuide de nós na velhice. Tudo isso exerce pressão para que a mulher “opte” por  se reproduzir. Em geral, mulheres não fazem filhos sozinhas. Mas toda a responsabilidade pelo novo ser recai sobre as mulheres, mesmo sobre aquelas que tem um “casamento perfeito, com um companheiro que está junto em todos os sentidos e que divide as tarefas”.

Não temos nossos direitos reprodutivos assegurados. Sabemos muito pouco sobre métodos contraceptivos, naturais ou farmacológicos. Sabemos menos ainda sobre nosso corpo, seus ciclos e seus sinais. Aprendemos a ter vergonha de perguntar sobre sexualidade e contracepção e todas as conversas e orientações que temos acesso nessas áreas são mediadas por valores tradicionais e/ou religiosos. “A mulher foi feita para procriar.” Somos o útero do mundo, corpos condicionados a reproduzir para a manutenção da espécie. E com isso, nosso direito de escolha e nosso poder de decisão não são considerados.

Escolher não ser mãe ainda é motivo de julgamento para as mulheres. Uma mulher sem filhos é vista como fracassada, como alguém que não consegue realizar a tarefa mais básica de uma mulher. Ou como masculinizada, uma mulher que prefere se dedicar mais ao trabalho, à realização individual. Nunca é uma escolha consciente de um ser que tem livre -arbítrio. Porque a idealização da maternidade está no inconsciente da sociedade e uma mulher que escapa a esse modelo idealizado é uma mulher que escapa, de alguma forma, ao controle social.

 

Maternidade 3.0

Com maternidade 3.0 eu quero propor um olhar mais real para a maternidade. Um olhar que compreende a maternidade como uma relação entre pessoas que pode não ser fonte de prazer e realização. E que perceba que essa relação pode ser muito frustrante, opressora e até fonte de um grande arrependimento.

Ser mãe pode ser tão devastador na vida de uma mulher principalmente pela carga de mudanças que a maternidade acarreta. São mudanças muito intensas e permanentes, de incalculáveis proporções e impactos.  Já aceitamos que o amor materno não é um sentimento intrínseco, instintivo e imediado. O amor de uma mãe por seus filhos é construído, e por ser uma construção, ele pode simplesmente não acontecer.

 

Dica de Leitura:

A dica de leitura de hoje é o livro Mães Arrependidas, da antropóloga israelense Orna Donah. O livro é uma pesquisa qualitativa sobre arrependimento materno na qual ela entrevistou algumas mulheres ( muitas delas já avós) que relatam um pouco sobre como é lidar com o arrependimento diante da maternidade e o tabu que é debater esse tema.

Livro maravilhoso para aprofundar nessas questões e vale muito a pena a leitura.

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Postado em 8 de março de 2018 por Lu Bento

Olá Essa lista só tem filmes leves e divertidos. Lógico, pode ser que role uma ou outra cena com uma carga emocional mais forte, mas geral, assisto filmes que me divertam e não me façam pensar. Quero só relaxar e curtir, já problematizo em outras dimensões da minha vida, quando paro pra ver um filme quero só dar umas risadas e esquecer os problemas da vida, mesmo quando eu acabo problematizando e tento um olhar crítico sobre o temas. Então vamos a nossa listinha de filmes sobre mães disponíveis na Netflix!

Clube das mães solteiras

Pense num filme leve e divertido? Clube das mães solteiras é aquela filme pra uma sessão da tarde com pipoca e refrigerante no seu dia de folga das crianças. Porque a principal mensagem do filme é: cuide de você. Não dá pra cuidarmos dos outros se não conseguimos cuidar minimamente de nós mesmas. E o filme mostra muito isso e como a vida dessas mulheres que são as principais ( se não as únicas!) cuidadoras dessas crianças que enfrentam dificuldades na escola.

Diversão com um toque de reflexão, principalmente pela disparidade das situações das mães solteiras brancas e negras.

Sinopse:

Cinco mães solteiras de origens diferentes são unidas por um incidente na escola dos filhos. Enquanto tentam lidar com os desafios diários, elas criam um grupo em que encontram apoio e momentos de diversão.

 

Trailler:

Perfeita é a mãe

Um filme que busca desconstruir a ideia de mãe perfeita. Ao mostrar as opressões que o modelo de super maternidade gera nas mulheres comuns e nas que não se enquadram nos padrões, o filme traz uma discussão muito boa sobre o que é ser uma boa mãe. E essa disputa entra a “mãe perfeita” e a ‘”menas main” é propagandeada pela mídia até hoje.  Por mais que a gente tente fugir, essa questão é muito presente no universo materno.

Para fazer graça, o filme faz questão de estereotipar as práticas maternas colocando-as em categorias bem caricatas “as mães naturebas”, “as mães esportistas”, “as mães lésbicas” , “as mães afro-descendentes”. Me incomodou a força do rótulo porque, na realidade, a carapuça serviu e quando acontece isso a gente sempre para pra pensar sobre as nossas práticas.

Mas mesmo com essas farpadas, o filme continua sendo uma ótima opção de diversão para mães, e o sucesso de público possibilitou a continuação da história com o filme Perfeita é a Mãe 2.

 

Sinopse:

Amy tem um bom casamento e sucesso na carreira. Aparentemente, sua vida é perfeita. Porém, ela acaba se cansando das obrigações e do estresse do dia a dia, e, em companhia de três mulheres que vivem a mesma situação, vai em busca de sua liberdade.

 

Trailler:

Ele tem seus olhos

Um filme sobre adoção no qual um casal negro adota um bebê branco. Só esse argumento totalmente improvável na realidade brasileira já me deixou super curiosa com o filme. Pensar a adoção como um amor incondicional no qual os adotantes amam o filho adotado sem se importar com sexo, raça ou origem é algo muito bonito e altruísta.

O filme me trouxe várias questões sobre adoção interracial e sobre como as pessoas tentam fazer parecer um preconceito racial um candidato à adoção que não esteja aberto a interrracialidade.

Provocativo e inteligente,  esse filme predeu minha atenção pela proposta inusitada e pelos dilemas que trouxe. Mas me divertiu mesmo por como conduziu o enredo e pelo lindo desfecho.

 

Sinopse:

Paul é casado com Sali. Tudo seria melhor na vida deles se pudessem ter um filho. Um dia Sali recebe o telefonema que estavam esperando por tanto tempo: a adoção foi aprovada. O bebê é adorável, tem 6 meses, ele é loiro de olhos azuis… ele é branco, eles são negros. Para a família de Sali, um choque!

trailler:


Então, esses são alguns dos muitos filmes sobre mães na Netflix. Já assistiram algum desses? Me conte aí… até a próxima!

Postado em 23 de fevereiro de 2018 por Lu Bento

Uma das fases mais difíceis da vida de uma mulher é quando ela perde um bebê. Não importa se ela tinha descoberto a gravidez há 1 dia, se já estava sentido o movimento do bebê ou que já está preste a dar a luz. Toda perda é um luto. É um vazio de uma expectativa não realizada. É uma sensação de fracasso e incompetência que toma conta da gente e que não é fácil de superar.

mental e do modo como estamos lidando com a perda.
Quando a perda envolve então uma gravidez recente, que não apresenta ainda sinais visíveis para as outras pessoas, é ainda mais sofrido. Mesmo sabendo que há controvérsias entre um embrião ser considerado vida ou não, para aquela família e especialmente para aquela mãe que desejou a gravidez, um embrião é um filho em formação. E não importante a fase de desenvolvimento que ele se encontre, para ela é uma vida.

Depois da perda temos que buscar um novo significado para a nossa existência. Deixamos de ser uma gestante, uma futura mamãe e passamos a ser só uma mulher. Mas é impossível voltarmos a ser a mulher de antes.  Depois que passa a parte do luto coletivo, ninguém mais de te vê como mãe e nem mesmo alguém que perdeu um ente querido próximo.  Você é só mais uma mulher.

Deixar de ser mãe

Em nossa sociedade, uma pessoa que perde os pais é considerada órfã. Quem perde o companheiro ou a companheira é chamada viúva/viúvo. Mas, e quem perde um filho? Talvez essa inversão da ordem natural do fluxo da vida seja tão traumático que a gente não saiba lidar tão bem como isso. Não há um nome para uma mãe que perde um filho. Não há um protocolo social para lidar com essas coisas e é bem natural que ninguém saiba muito bem como lidar.

O que eu sei, pela minha experiência de perdas gestacionais, é que a dor aos poucos é substituida pela saudade e pela lembrança da gravidez, mesmo que breve. Sei também que deixar de lembrar a todo momento do bebê que se foi é totalmente diferente de esquecer. A lembrança se torna menos presente na vida porque a gente saí do estado de dor profunda e passar a admirar as coisas boas que nos acontecem também. E a lembrança vem como uma saudade do que vivemos, e principalmente, como uma saudade do que poderíamos ter vivido.

Ah, que você não deixa de ser mãe. Mesmo que a sociedade não reconheça a sua maternidade, ela nasceu em seu íntimo no momento em que você descobriu ( e desejou) a gestação. O seu

sentimento materno pode ser aproveitado em muitas coisas na sua vida, compartilhado e desenvolvido no seu cotidiano.

Uma coisa que seu sempre faço é dedicar um tempo a lembrar dos meus meninos nos dias que marcam a perda deles. Paro e tento lembrar da gravidez, dos meus sentimentos na época, minha alegria quando soube da gravidez, meus planos… gosto muito de imaginar como seria a minha vida se eles estivessem aqui, se eles voltaram pra mim na forma das meninas ( perdi dois meninos antes de tê-las), se eles cumpriram seu propósito nesse mundo tão rápido que nem precisaram chegar a nascer. Sei lá, várias coisas passam pela minha cabeça como forma de tentar compreender porque essa probabilidade matemático-biológica aconteceu exatamente comigo e desse forma e como isso foi recebido por mim e transformou a minha história.

A religiosidade e a espiritualidade,  de modo mais amplo, também são ferramentas para lidarmos com essas situações. Sei que nem todo mundo acredita em algo que traga uma explicação para a perda gestacional, e tudo bem lidar com tudo isso só no plano concreto também. Mas é certo que amor e acolhimento são os sentimentos mais benéficos para mães que perderam seus filhos.

 

Grupos de apoio

Saiba que você não está sozinha. Existem muitas mães sem filhos por aí, convivendo com sentimentos bem semelhantes aos seus. Se estiver sendo difícil demais lidar com tudo isso sozinha, existem grupos de apoio à mães que sofreram perda gestacional ou neonatal. Esses grupos são excelentes espaços de acolhimento e validação dos nossos sentimentos.

Infelizmente não conhecia nenhum desses na época das minhas perdas, mas reconheço a importância deles e a necessidade de ter pessoas com quem compartilhar nossos sentimentos. Eu mesma já acolhi várias mulheres que tiveram suas perdas depois de mim e sempre estou disponível para conversar sobre isso com quem me procura.

Já que você chegou até aqui, indico esses grupos de apoio para mães em processo de luto por perda gestacional e neonatal que realizam encontros presenciais em diferentes estados:

 

 

Como esse é um blog de uma mãe preta, preciso destacar que ainda não conheço nenhum grupo desses que lide também com a questão racial. Para nós, mulheres negras, a perda gestacional muitas vezes está relacionada à violência obstétrica e outras violências decorrentes do racismo. Nossas histórias de perdas tem um componente a mais de dor e sofrimento, negligência médica, pouco ou nenhum tempo de licença do trabalho pós-perda, falta de apoio familiar e comunitário.  Não estou aqui querendo medir o sofrimento de ninguém, mas sei o quanto esses outros aspectos se adicionam à nossa dor e tornam ainda mais complexos nossos sentimentos.

 

Dica de Livro:

Sobre esse tema indico o livro Ele se foi, e agora? – Como superar a perda gestacional, de Patrícia BellasEla fala sobre perda gestacional e dá algumas dicas para famílias que estão enfrentando esse momento.

 

 

Postado em 1 de outubro de 2017 por Lu Bento

Estou prestes a realizar a minha primeira viagem longa sem as meninas. Pra quem viaja sempre, pode não ser nada demais. Mas pra mim, a proximidade dessa experiência está reativando aquele sentimento de culpa que se instala em todas as mães assim que começam a viver a maternidade.

Viajo para Espanha em outubro para participar da Gira por la Infancia, um grande encontro internacional sobre promoção da participação infantil no mundo. A proposta da viagem é incrível e eu fui convidada a participar devido ao meu projeto 100 meninas negras e todas as atividades que realizo em prol de uma infância sem racismo. É uma grande oportunidade pra mim e estou muito feliz em participar desse projeto.

 

Mas com a proximidade da viagem, eu preciso explicar para as meninas sobre esses dias que estarei fora ( 3  longas semanas!) e como será a dinâmica da casa enquanto eu estiver fora. Decidi começar a falar sobre isso com 1 mês de antecedência para que a gente fosse se adaptando aos poucos. Ao meu ver, seria bem traumático só falar com elas sobre isso na semana da viagem. Queria que elas estivessem envolvidas na preparação da viagem, ma arrumação das coisas e entendessem que essa é uma experiência boa para toda a família.

Aqui em casa temos uma parceria incrível no cuidados das meninas e sei que o pai vai dar conta direitinho da missão. Elas sentirão saudades de mim como pessoa, mas não por se sentirem desassistidas ou desamparadas e isso me dá mais segurança e tranquilidade para viajar. Mas também sei que a saudade vai bater de ambos os lados em algum momento e que não vai ser nada fácil lidar com os apelos de “mamãe, volta logo!” que eu vou ouvir.

Isha Bentia, com 5 anos, consegue compreender melhor e costuma lidar de uma forma bem madura com as frustrações. Ela fica calada, meio triste, mas parece entender quando a gente não consegue atender uma demanda dela. Mini Bentia, com 3 anos e psiciana de corpo e alma, chora sempre que se sente triste. Chora, pede pra gente voltar, abre um berreiro. Mesmo sabendo como ela age, sei que isso vi me abalar e reacender a culpa por estar longe. Não sou aquela mãe super apegada às filhas, que não consegue ficar um dia longe, mas o meu complexo de culpa bate exatamente n

a questão de priorizar algo importante pra mim em oposição a algo importante pra elas.  E essa viagem é uma grande oportunidade pra mim. Além disso, decidi ficar mais alguns dias na Espanha após  o encontro pra conhecer mais a fundo Madrid. Aí já viu né, podendo voltar antes pra casa eu vou ficar sozinha curtindo uma viagem enquanto marido e filhas seguram a onda.

Racionalmente a gente sabe tudo que provavelmente acontecerá, como cada um de nós vai reagir e como enfrentar a situação. Mas a verdade é que e bate um medinho de ficar tão longe delas. De não estar aqui para resolver o problemas, para acolher as meninas quando elas precisam.

 

Viajar sem filhos – a culpa da mãe

 

A verdade é que em nossa sociedade, a mulher é quem assume a maior parte (ou mesmo a totalmente) a responsabilidade de cuidados com as crianças. Então, para uma mulher-mãe viajar sem filhos deixando as crianças aos cuidados de outras pessoas é bem pesado. Primeiro porque você se cobra quando a necessidade de se afastar das crianças por um determinado tempo. Depois porque a sociedade te cobra quanto a isso.

Quantas vezes eu falo que estou prestes a viajar e alguém me pergunta ” E as menina, como vão ficar?” O primeiro pensamento de uma mulher-mãe que queira viajar é quem cuidará dos meus filhos. Se você planeja uma viagem, mas não tem essa resposta na ponta da língua será julgada e mal-falada. Como se nossa vida depois de ter filhos se resumisse a cuidar deles, tê-los sempre como prioridade, abdicar da nossa autonomia como ser humano para viver em função deles.

“É preciso uma aldeia para cuidar de uma criança” já diz o provérbio africano. A gente precisa se aproximar desse conceito como uma mantra e começar a responsabilizar os outros integrantes da nossa rede nesses cuidados. Mãe também é gente e precisamos do nosso espaço. Precismos existir para além da maternidade e essa existência deve ser construída na medida em que gente afrouxa as amarras com as crias. Elas precisam de laços fortes com outras pessoas da rede também.

Estou tentado levar numa boa essa minha primeira experiência de desatar os nós com as meninas e deixar que a minha rede cuide delas.

Postado em 24 de junho de 2017 por Lu Bento

Olá pessoal!

Existe uma variada literatura voltada pra mães, não é mesmo? São livros e mais livros que nos “ensinam” ou orientam, pra ser mais suave, a educar nossos filhos. A verdade é que pedagogos, médicos, psicólogos, todos querem compartilhar conosco seus anos e anos de estudo e experiencia. Fora a infinidade de livros de mães compartilhando suas experiências pessoais e desabafos sobre a maternidade real.

Esse é o nosso espaço de diálogo sobre esses livros. No leituras maternas desse mês quero falar de 2 livros que li há pouco tempo sobre o assunto, um voltado pera a educação dos filhos e outro de compartilhamento de vivências maternas. Porque entre uma fralda e o apoio à tarefa de casa,  mãe lê e produz literatura!

 

Vamos brincar? Atividades para ensinar bons hábitos para crianças

capa - Vamos brincar

Autores: Eduard Estivill e Yolanda Saenz Tejada

Editora: WMF Martins Fontes

Tenho passado por muitos problemas Não que elas sejam propriamente mal-educadas. As pessoas de fora até as elogiam e falam que são meninas bem educadas. Mas em casa é um terror. Mini Bentia não guarda absolutamente nada do que ela usa e Isha Bentia parece ter uma surdez seletiva que só faz as coisas que pedimos depois de que a gente perde a paciência. Sei que a origem desses comportamentos está muito mais em nós, pais, e em como lidamos com a nossa própria bagunça e desatenção com as demandas delas. Mas também sei que precisamos de ajuda para mudar esses comportamentos em nós e ajudá-las nesse processo educacional. E esse livro entra como uma das ferramentas que têm nos ajudado a melhorar nossa comunicação intrafamiliar.

Eu confesso que fiquei com o pé atrás com relação a essa obra porque o autor, o médico espanhol Eduard Estivill também é autor de um livro bem criticado, Nana Nenê, que “ensina” a estabelecer rotinas de sono para bebês com métodos, no mínimo, polêmicos que estimulam os pais a deixarem as crianças chorando sozinhas por longos minutos. Mas como o livro tava bem baratinho em um saldão da Martins Fontes e, como eu tava bem desesperada em aprender métodos eficientes para lidar com minhas dificuldades na criação das meninas, que eu decidi me aventurar nesse leitura.

A leitura é bem rápida, esse é um livro de consulta porque traz várias atividades para serem feitas com as crianças em diferentes situações e, com isso, ensiná-las bons hábitos. Gostei muito das atividades propostas, algumas já estou começando a por em prática, mas preciso de um tempo para avaliar o quanto elas funcionam pra minha realidade.

De qualquer forma, curti a leitura, fiquei com algumas ideias e com muitas esperanças de que as coisas melhores mor aqui.

Meu amor pelo livro:

Mamãe é rock

 

Autora: Ana Cardoso

Editora: BelasLetras

Esse é aquele típico livro de maternidade real. Ana Cardoso trás relatos bem intensos sobre o cotidiano de uma família e a criação de filhos, de forma bem humorada. Sabe aquela sensação de rir da própria desgraça? Não que as situações que passamos no dia-a-dia cheguem a ser uma desgraça, mas algumas são bem frustrantes e sem um pouco de graça não dá pra passar por tudo isso sem ficar maluca.

A leitura é leve e divertida. Aquela típica leitura de relaxamento, sabe? E ideal para quem não tem muito o hábito de ler. A diagramação é bem irreverente, ele lembra muito aqueles livros pra pré-adolescentes sabe, me veio logo na memória aquele antiguinho “Coisas que toda garota deve saber”. Mas é essa identidade visual jovial e irreverente que facilita a conexão com o livro e tem tudo a ver com o próprio conteúdo.

Adorei ler, me identifiquei em muitas partes dele, principalmente porque também sou mãe de duas meninas. E lendo algumas coisas lá fiquei imaginando que provavelmente passarei por situações bem parecidas em alguns anos.

Meu amor pelo livro:

 

 

 

 


E aí, já leu algum desses livros? Conte pra gente! Se você se interessou em adquirir esse livro, compre pelo no link da Amazon e ajude o AMP a se manter. Até a próxima.

Postado em 18 de junho de 2017 por Lu Bento

Eu sempre escuto comentários impressionados sobre como as curicas são independentes. E elas realmente são. Fazem muitas coisas sozinhas, e não têm aquele medo exagerado de ficar longe da gente. Essas meninas sabem se virar.  Mas…como educar nossos filhos pra serem independentes? Não é tão fácil quanto parece. Encontrar a medida certa entre independência e obediência não é fácil.

Student reading aloud in class

Quem me acompanha há mais tempo já sabe que não foi fácil ter as meninas. Perdi dois bebês antes delas, tive que passar por um repouso intenso durante as gravidezes pra que elas chegassem, então não foi molezinha. O medo era o meu companheiro durante toda a gravidez. Não só o medo de perdê-las, mas também o medo de me tornar uma mãe superprotetora. Sempre tive medo de me tornar uma daquelas mães que não deixam os filhos fazerem nada. Mesmo eu sendo uma pessoa super desencanada, temia não conseguir desapegar das minhas filhas e deixar que elas tivesse suas própria experiêncas, que errassem e acertassem por conta própria. Afinal, de nada adianta tentar transformar a vida delas em uma versão melhorada da minha própria vida. Elas precisam tentar, errar, acertar, descobrir coisas, experimentar a vida da forma delas porque o aprendizado a partir das nossas próprias viviências é muito mais significativo e marcante.

Então, minha meta de vida era deixar elas experimentarem o  mundo e permitir que elas tivessem a proteção e segurança necessárias, sem exageros.Pra isso, tava valendo andar descalça pra sentir que o chão tava realmente frio, comer sozinha mesmo que fosse mais comida para o chão que para boca ou escolher as próprias roupas mesmo que a combinação tivesse totalmente inadequada para o tempo.  Cabe a mim, como mãe, providenciar recursos para que elas, ao perceberem falhas em suas escolhas, possam voltar atrás e aprender com isso. Então o chinelo tava lá disponível pra proteger o pé, a comida passou a ser colocada no garfo pra diminuir a quantidade que caia no chão e  uma roupa mais adequada ao clima estava preparada caso elas sentissem frio ou calor. E é assim que a gente faz no dia-a-dia.

Da mesma forma, eu e o pai delas sempre incentivamos elas a buscarem soluções para os  problemas. Quer uma colher no restaurante, peça você mesma ao garçom! Quer comprar um biscoito, pergunte o preço você mesma! E assim por diante, sempre atenta às atividades compatíveis com a idade e o desenvolvimento delas.

Nós fazemos tudo isso por dois motivos principais: primeiro porque somos só nós 4 aqui em SP, tem horas que eu e meu marido estamos bem atarefados e as meninas precisam fazer coisas simples sozinhas, como pegar um brinquedo no quarto ou uma roupa na gaveta; e segundo porque a gente acredita que elas precisam ter coragem para fazer coisas por conta própria e a nossa casa, o nosso espaço,  é o melhor laboratório pra que elas experimentem isso.

Pessoas negras são constantemente desestimuladas a se expor. Não é algo explicito, verbalizado. É a aquela velha história do racismo estrutural, sabe, que nos exclui sistematicamente dos espaços de poder e visibilidade. Ser independente, correr atrás do que você deseja, é fundamental para que o sistema racista não te oprima. Então é importante que nossas crianças negras cresçam sabendo que elas tem voz e vez de se expressar. E que suas vontades são levadas em conta, são respeitadas ou, ao menos, ouvidas.

Oferecendo ferramentas para a independência

Como a preocupação com a independência delas veio antes do nascimento, a gente sempre procurou fornecer ferramentas para que elas desenvolvessem a autonomia. Uma delas, foi adotar a concepção montessoriana na decoração do quarto. Tanto Isha Bentia, como Mini Bentia tiveram a liberdade de dormir fora de berços. Assim, elas acordavam e iam para onde nós estávamos. Não precisavam ficar presas, dependendo da ação de adultos pra se locomover. Seus pratos e copos ficam em locais acessíveis na cozinha, assim elas mesmas podem pegar um prato ou copo quando precisam. Elas mesmas jogavam a fralda no lixo e pegam outra para ser trocada. Isso aos poucos vai desenvolvendo a autonomia da criança.

Uma coisa que o Leo faz muito e eu preciso me monitorar para fazer mais e conversar com elas sobre algo que elas fizeram e nós consideramos errado. Ele pergunta porque elas fizeram aquilo, ele explica porque aquilo não pode ser feito e orienta como fazer corretamente, ou de uma maneira segura.  Isso é muito bacana, porque isso as fazem perceber que nós as enxergamos  como sujeitos. Quantos de nós fomos criados na base do “era só meu pai olhar, que eu gelava, que eu sabia que estava errado” ou “o pai não sabia porque tava batendo, mas a criança sabia porque tava apanhando”. Cara, isso é cultura do medo. Nem dá pra chamar de pedagogia, por que não tem nada de pedagógico nisso. É opressor mesmo. Claro que esse tipo de postura  contribuiu para uma geração que atualmente tem medo de tentar coisas novas, tem medo de se expressar, tem medo de fazer algo que não foi mandado.

Encontrando o limite

Saímos muito com as meninas, tanto por causa do nosso trabalho, quanto a passeio. E elas se adaptaram bem a essa rotina de estar em diferentes lugares, sempre cercadas de pessoas novas. No começo elas sentem o ambiente e depois já se soltam e começam a circular com uma certa liberdade. Nesse aspecto é preciso encontrar um limite. Uma coisa que me incomoda bastante é que as curicas resolvem por conta própria ir explorar novos lugares.  Esse é um limite que temos trabalhado constantemente com elas. Crianças (e adultos também!) precisam dar satisfação de onde vão. Não dá pra simplesmente sumir enquanto as pessoas que estão contigo não sabem de nada.  E aí, a gente enfatiza isso para elas principalmente pela questão da segurança e pela falta de percepção das maldades do mundo, mas sempre com um olhar respeitoso pra tomada de iniciativa delas. Em geral a gente fala coisas do tipo “eu entendo que você quer ir lá fazer tal coisa, mas antes é preciso pedir permissão pra mamãe e por papai, pra gente saber onde você está, com que está e se não é perigoso pra você.”

A gente sempre evita aquele discurso do “não pode fazer porque eu não quero” porque não cabe a minha como mãe querer ou não querer algo pra vida da minha filha. Os meus quereres pessoais podem até ser externados, mas não podem servir como baliza para as minhas decisões com relação a elas. Eu, como mãe, preciso preservar o direito delas de escolha, ressalvados os todos os meus deveres de cuidado e proteção delas. Mas cada vez que eu extrapolo meus deveres de proteção e tomo atitudes que limitam minhas filhas de forma que elas ficam mais dependentes de mim eu estou ensinando a elas que elas precisam de mim pra realizar aquilo, eu estou vinculando aquele ato a minha pessoa e com isso, eu estou limitando as minhas próprias filhas.

Lógico que nem sempre é seguro e saudável deixar as crianças soltas fazendo o que querem. Por isso mesmo que não fácil criar filhos independentes. Porque a gente precisa o tempo todo recalcular os limites entre cultivar a independência e o descaso, a falta de atenção e cuidado.

Algumas vezes eu vejo mães com crianças da idade de Mini Bentia no colo e bate aquela dúvida se eu não deveria estar carregando a minha no colo também. Mas depois, quando eu vejo a curica correndo de um lado para outro durante longos minutos, eu vejo que ela tem plena capacidade de andar esse percurso, então não tem necessidade de estar no colo o tempo todo. É um processo de avaliação e reavaliação constante. E também, quando elas começam a perceber que podem fazer coisas sozinhas e a vontade de fazer por conta própria cresce mais ainda.

E como elas já fazem muitas coisas sozinhas, como escolher a roupa, calçar os sapatos, ou pegar o suco no armário, elas se sentem aptas a fazer outras coisas também, como ficar longe dos pais por uns dias ( na casa dos avós), ou sair sem a gente com pessoas do nosso convívio.

Superando barreiras

O que eu falo aqui vale para todas as crianças, mas quando a gente pensa em crianças negras, crescer sem autonomia é ainda mais danoso, porque reforça o racismo estrutural que diz silenciosamente que negros não podem ocupar determinados espaços. Com a autonomia que a gente procura oferecer para as meninas estamos mostrando a elas que elas podem ocupar espaços e realizar coisas que são da vontade delas, sem que precise de uma ordem expressa para fazer. Nossa intenção é que isso contribua para que no futuro, barreiras como “não tem nenhum negro aqui” ou “isso não parece ser uma coisa adequada para uma pessoa negra” nem sequer sejam consideradas por elas. Que elas não se percebam limitadas por percepções que nos condicionam a determinados espaços.

Young girl smiling, holding white sheet

Não é um processo fácil e mexe com muitas das nossas noções de como criar filhos e com as nossas próprias memórias sobre como fomos criados. Mas educar é um processo e uma sucessão de escolhas. Escolhemos esse caminho, provavelmente o mais difícil. Mas também incrivelmente prazeroso vê-las escolhendo seus caminhos, questionando o limites e buscando compreender a lógica do mundo e das relações interpessoais.

Postado em 17 de outubro de 2016 por Lu Bento

Nesse final de semana aconteceu o 1º Encontro Iyá Maternância. Já tínhamos feito um aquecimento em abril deste ano pra sentir como as mulheres-mães-negras receberiam o nosso projeto. Nesse encontro de aquecimento foi possível vivenciar na prática o quanto precisamos de espaços de fortalecimento de nossa autoestima e da nossa coletividade.  O Iyá Maternância nasceu de um modo tão intenso e significativo que nós, as organizadoras,  precisamos de um tempo pra entender a potência desse projeto e aceitarmos o quanto ele é necessário para todas nós.  Do grupo inicial, algumas perceberam que precisavam priorizar outros  caminhos antes de seguir com essa missão. Outras maravilhosas mães pretas se juntaram ao projeto e trouxeram uma nova energia. Uma energia de ação e transformação que nos possibilitou colocar o projeto em prática.

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No sábado passado finalmente conseguimos realizar o nosso primeiro encontro oficial. E foi muito especial! Parece clichê falar da lindeza que foi esse encontro, mas a beleza de existirmos e resistirmos juntas precisa ser exaltada. Foi uma tarde de união de mulheres negras e mães, de brincadeiras entre crianças negras, de vivência comunitária nos cuidados das nossas crias, que naquele encontro não deixaram de ser apenas uma responsabilidade só da mãe biológica,passou a ser de todas. Sabe aquele provérbio africano que diz que é preciso uma aldeia para criar uma criança? Estávamos vivendo a nossa aldeia! E descobrimos juntas o quanto a aldeia pode também fortalecer uma mãe.

Descobrimos juntas que o Iyá nasceu para ser uma rede de apoio às mães negras. E faremos o possível para conseguir atingir um número cada vez maior de mulheres-mães.

O encontro deste sábado nos mostrou que precisamos estar unidas. Que nossas histórias de vida e nossas angustias são muito parecidas. E que precisamos nos fortalecer para fortalecermos nossos filhos e filhas. Não podemos dar aquilo que não temos. Então um espaço de troca afetiva e de apoio sincero precisa ser construído entre nós. Ainda não sabemos todos os caminhos para a construção desse espaço. Mas já estamos trabalhando nos alicerces desse projeto em nós e nas mulheres que nos acompanham.

E as crianças? Ah, as crianças tiveram uma tarde maravilhosa de brincadeiras. Crianças de diferentes idades brincados juntas, se integrando e se  reconhecendo no outro. Bebês e pequeninos tendo as crianças maiores como referência. Um espaço em que nos nossos filhos não são minoria, não são exceção, não são exóticos. Isso não tem preço. Minha filha poder falar que quando crescer quer o cabelo como o da coleguinha negra, um black power poderoso, lindo. Meninos e meninas brincando juntos, sem limitações de gênero, com as bonecas  ou de corrida.

Como uma das coordenadoras do Iyá eu sinto uma felicidade enorme em fazer parte dessa rede de apoio às mães e crianças negras e poder construir tudo isso com mulheres incríveis ao meu lado. Parceiras de vida. A maternância é uma das melhores dimensões da minha vida, uma das coisas que me dá mais prazer e um sentimento de estar contribuindo para a felicidade das pessoas ao meu redor.

iya maternancia 4 - foto em grupoAinda estou em êxtase pela experiência de sábado. Ainda estou encantada com tanta lindeza que vivemos. Agradeço a cada uma que esteve lá e a todas pelos abraços, beijos, carinhos, escutas atentas e acolhedoras. Só consigo pensar naquela expressão namaste-cult-bacaninha do momento: gratidão! E com o coração cheio de gratidão quero convidá-las a acompanhar o Iyá Maternância. Venham formar essa aldeia com a gente.

Conectando Mães Negras

Eu sei que muitas das pessoas que me leem estão em outros estados. Não se preocupem. Podemos conversar com vocês e ajudá-las a formar suas próprias redes presenciais. Podemos também viver um pouco dessa energia nos grupos virtuais. Não desanime por não conhecer um rede deste tipo na rua região. Construa uma!

O Iyá Maternância tem já conta com diversos canais de comunicação e fortalecimento de mães pelas redes sociais. Faça parte de um deles ( ou de todos!) e venha construir a sua maternância com a gente!

Iyá Maternância (página) –  facebook

Grupo virtual de apoio a Mãe Negra – gestante e tentante (grupo de facebook)  – grupo de apoio

Iyá Maternância –  instagram

Canal Iyá Maternânccia – canal no youtube

Fiquem atentas, nossa rede está crescendo e queremos alcançar cada vez mais mulheres-mães-negras!

Postado em 18 de julho de 2016 por Lu Bento

Sabe quando você vai em algum lugar que suas energias se renovam? Assim foi na Gira das Mães Pretas. A Gira foi um encontro presencial da roda da mãe preta para falar sobre temas que nos afetam diretamente.  Já falei da roda da mãe preta aqui quando falei sobre maternância, depois é só voltar no texto “Maternância preta, o que é isso?” Mas a Roda, que era um espaço lindo de empoderamento e apoio materno virtual, se materializou em um evento presencial com uma energia muito forte.

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O encontro rolou no Aparelha Luzia, uma casa que abre espaço para eventos afrocentrados e que tem se configurado com um dos maiores espaços de incentivo  fortalecimentos de atividades pretas. Um ambiente que acolhe diferentes linguagens e propostas de empoderamento preto. Vale muito a pena conhecer o espaço.

Fiquei muito feliz em conhecer pessoalmente tantas mulheres com histórias de vida diferentes e poder compartilhar com elas a minha experiência com a maternidade. Precisamos de mais espaços de fortalecimento da nossa maternidade.

O fina do evento foi uma alegria à parte. Rolou uma mega balada, daquelas em que mães e crianças curtem juntos, dançam se divertem… a casa abriu para o público regular e foi uma mistura de gentes superinteressante e necessária. Achei bem legal poder vivenciar tudo isso com as minhas meninas.

Quem ficou curiosa e quer conhecer mais sobre a Roda da mãe preta, me escreva e eu posso passar para as moderadoras do grupo.

 

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