Postado em 8 de março de 2016 por Lu Bento
Dia 8 de março, dia internacional da mulher e, onde fica a mulher negra nesse contexto?
Sabemos que o 8 de março, o chamado Dia Internacional da Mulher é uma data criada para lembrarmos  do assassinado de 130 operárias que foram trancadas e incendiadas em uma fábrica por lutarem por melhores condições de trabalho e por equiparação de direitos com os homens. A data acabou sendo definida 1910 como dia internacional da mulher, para homenagear as mulheres mortas e discutir a situação da mulher na sociedade, mas só foi tornada oficial pela ONU em um decreto de 1975.  Esse caso se passou em 1857, em Nova Iorque e provavelmente todas as mulheres envolvidas eram brancas.  Mas, e as mulheres negras com tudo isso?
Existe uma data especifica para a celebração da luta da mulher negra latino-americana e caribenha, o dia 25 de julho. Esse data tem ganhado relevância em detrimento do dia 8 de março, que quase sempre exclui as questões específicas das mulheres negras do centro do debate. Mas será que o caminho é mesmo ignorar o dia 8 de março e só falar sobre o 25 de julho? Eu penso que não. Penso que devemos ocupar todos os espaços e questões que atingem as mulheres em geral, atingem com especial crueldade as mulheres negras
Muitas blogueiras e youtubers negras decidiram esse ano enegrecer o dia internacional da mulher. E eu tô amando tudo isso!!! São vários vídeos no youtube no qual mulheres negras falam sobre a importância e a trajetória de outras mulheres negras. Isso é lindo demais! É a gente aprendendo a reconhecer o valor das nossas antecessoras, das nossas contemporâneas e das novas gerações. É a gente percebendo que trajetórias de lutas árduas são frequentes, e que a luta de mulheres negras é ainda mais desafiadora que a  luta de outras mulheres, pois temos que lidar com o racismo e o machismo que insistem em nos colocar nos degraus mais baixos da sociedade.
nossas mulheres negras
Como eu não tô na pegada de gravar vídeos, e como eu também não tive tempo de em inteirar com antecedência do movimento e das ações para  o dia de hoje, queria contribuir compartilhando com vocês os links das páginas e canais que estão levantando a hashtag #nossasmulheresnegras. E  convidar a todos a assistir, aprender e conhecer mais sobre essas mulheres.
dia da mulher

Ana Paula Xongani – Vamos Enegrecer o 8 de março?! | Nossas Mulheres Negras |
https://www.youtube.com/watch?v=nBs9Hw39elw


Gabi Oliveira – Canal DePretas
Nossas Mulheres Negras – Chimamanda, Neusa e Shonda
[embed_video link=https://www.youtube.com/watch?v=dtrUbEByBvc&feature=youtu.be]

 


Quell Alves
Nossa Mulheres Negras – Luislinda Valois Homenagem no YouTube
https://youtu.be/kEsOlM9eWs8


Poliane Brandão–  Canal Negra Bella
Nossas Mulheres Negras- Gloria Maria
https://youtu.be/Uk3coHc489E


Tananda Santos
Nossas Mulheres Negras – Taís Araújo https://m.youtube.com/watch?v=dNXOomJ-hMA


Sá Ollebar – Canal Preta Pariu

sá ollebar
Nossa Mulheres Negras – Rosa Parks, Preta Rara e Mc Soffia
https://youtu.be/Wwr25JpAzcY


Patrícia Rammos  – Canal Um abadá pra cada dia
Nossas Mulheres Negras – Elza Soares
https://www.youtube.com/watch?v=lzd2vbd9G7E&feature=youtu.be


Beatriz Carmo 
Nossas Mulheres Negras – Djamila Ribeiro https://www.youtube.com/watch?v=6eSNLQSc5_c&feature=youtu.be


Aline Custódio  – Canal Preta Aline Custódio
Nossas Mulheres Negras – Claudete Alves
https://www.youtube.com/watch?v=vzGJZqzWz9E


Jaci Carvalho Canal Jacy July
Nossas Mulheres Negras – Lupita Nyong’o
[embed_video link=https://youtu.be/DuC6mrQzuyI]


Verônica Barros – Canal Urbana Club
Nossas Mulheres Negras – Beyonce
https://www.youtube.com/watch…


Mari Elen
Nossas Mulheres Negras – Nina Simone
https://www.youtube.com/watch?v=dEY0pqNlKwo&feature=youtu.be


Michelle Fernandes – Canal Boutique de Krioula
Nossas Mulheres Negras – De minha mãe, para mim, para a minha filha.
https://www.youtube.com/watch?v=rR3unVzo4N8&feature=youtu.be


Carolina Santos Pinho – Canal Central das Divas
Nossas Mulheres Negras – Carolina Maria de Jesus
https://www.youtube.com/watch?v=95I9p_YuJeM&feature=youtu.be


 

Taís Eustáquio
Nossas Mulheres Negras – Etta James
[embed_video link=https://youtu.be/qt4KT8m_g0E]


Dryka Pessanha – Canal de Corpo Alma
Nossas Mulheres Negras – Ruth Souza
https://www.youtube.com/watch?v=drBbz3OTpGk


Regianne Rosa Mirkov – Canal Coisas de Preta
Nossas Mulheres Negras | Oprah Winfrey
https://www.youtube.com/watch?v=EWSOX0YMbAs&feature=youtu.be


Ana Beatriz Pessanha Canal Que seja rosa Makeup
Nossas Mulheres Negras : Maju
https://www.youtube.com/watch?v=HVI6sl6nlnM


Daphne Joel Borges – Canal Daphne Borges

Nossas Mulheres Negras- Michelle Obama
https://www.youtube.com/watch?v=MTEKLYPnk0A


Miriam CarvalhoCanal Miriam Silva
Nossas Mulheres Negras – Dandara dos Palmares
https://www.youtube.com/watch?v=qywUptGeWJ0
Alexandra Freitas Ravelli – Canal Soul Vaidosa
Nossas Mulheres Negras – Assata Shakur
https://www.youtube.com/watch?v=N3zzzjsEOes


Nátaly Nerii – Canal Afros e Afins
Nossas Mulheres Negras Youtubers Negras Engajadas
https://www.youtube.com/watch?v=gN6E2mzGX_Q


Andy Brandão  – Canal Andressa Brandão – Cachos Divos
#NossasMulheresNegras – Alexandra Loras
[embed_video link=https://www.youtube.com/watch?v=vwyrN6cDkXE]


Camila Leite – Canal Camila Leite
Nossas Mulheres Negras – Lauryn Hill
https://www.youtube.com/watch…


Débora Ninja – Canal Débora Ninja
Nossas Mulheres Negras – Angela Davis
https://www.youtube.com/watch?v=KUfFNbb6oTs&feature=youtu.be


Marcilene Leao– Canal Blog da Marcy
Nossas Mulheres Negras – Enedina Alves Marques
https://www.youtube.com/watch?v=Qn5nnjK9q0A&feature=youtu.be


 

Blogueiras e Youtubers negras e o ativismo virtual

A contribuição que essas meninas estão dando em seus canais, páginas e blogs para a elevação da autoestima das mulheres negras é inestimável. São canais que valorizam a mulher negra em diferentes aspectos, que trazem um feminismo totalmente conectado com a realidade das mulheres negras ou seja, falam sobre temas que nós precisamos cada vez mais discutir e refletir.
E tudo isso disponível nas redes sociais é uma maravilha pra apresentar esse universo de temáticas para meninas negras. O trabalho feito pelas blogueiras e youtubers é maravilhoso porque elas acabam apresentando questões importantes para um público inicialmente interessado em moda, maquiagem, cabelo… e faz a ponte entre a geração que assumiu uma estética negra na base da lacração e do tombamento e a dimensão política e auto afirmativa da estética.

Estamos enegrecendo não só o feminismo, mas também o feminino, o belo, o culto… estamos ocupando todos os espaços!
Postado em 14 de janeiro de 2016 por Lu Bento

No LêproErê de hoje 3 livros que eu particularmente gosto muito e que eu estava louca pra comentar com vocês. Dois de um super ator voltadas para o público infantil e  outro para ler sozinha(o). Pronta pra conhecer essas obras?

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Livro: Cadernos de Rimas do João

caderno de rimas do joãoEditora: Pallas
Autor: Lázaro Ramos

Sim, o ator Lázaro Ramos é autor de livros infantis! Delícia descobrir que alguem que você admira é multitalentoso né? Cadernos de Rimas do João é o ssegundo livro de Lázaro e é uma obra muito linda. Já falei aqui o quanto me surpreendi com a recepção de Isha Bentia a um livro de poesias. Desde então passei a ter outros olhos para esse tipo de obra voltada para o público infantil, inclusive eu mesma passei a ler e a querer compreender mais a poesia. Mas isso é assunto para outro post. Hoje quero falar do livro de poesias do Lázaro, que de uma maneira muito gostosa nos presenteou com versos simples e curiosos de um eu-poético jovem que ao mesmo tempo que fala de Mãe,de Autoestima e de Acaso. Eu gostei muito do livro, não acho todas as poesias dele tenham agradado às meninas, mas també acho que ele seja mais adequado para um faixa etária maior que a delas ( talvez para crianças com mais de 6 anos).

Além disso, as ilustrações são muito bonitas, um trabalho super bem feito pelo ilustrador Mauricio Negro.

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Onde encontra: InaLivros

Livro: A velha sentada

A Velha Sentada
Autor: Lázaro Ramos

Editora: Uirapuru

Esse é o primeiro livro do Lázaro e conta a historia de uma menina que não queria sair do computador, só queria ficar sentada em casa. A historia se desenrola em torno disso em um enredo e bem atual e que fala bastante às crianças de hoje em dia.

O estilo difere completamente da segunda obra do autor, tanto na escrita quanto na estética e formato do livro, mas acho que essa obra é muito adequada para a leitura individual e para ser utilizada em escolas. As ilustrações são bem fofas e chamam a atenção das crianças.

Onde encontrar: InaLivros

Livro: Olhos D’água

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Autora: Conceição Evaristo

Editora: Pallas

Gente, esse livro é uma bomba! Não por ele ser ruim, muito pelo contrário, ele é maravilhoso. A questão é que ele realmente abala as nossas estruturas. É um livro de contos

que fala muito da realidade da população negra, em especial, das mulheres. Conceição nos trás retratos de vivências negras que são marcados por dores, desencontros e fragmentações de nossa existência perpassadas pelo racismo estrutural na qual estamos inseridos e somos alvo. Como em todo livro que fala da população negra, a minha sensibilidade e empatia com as personagens fica ainda mais aflorada e por ser um livro que foca muito na maternidade, foi uma leitura muito impactante pra mim. Já no primeiro conto que dá título ao livro, cai em prantos dentro do ônibus, com moça ao meu lado me perguntando se estava tudo bem e eu tendo que explicar que era só um livro, talvez tentando me convencer também que não há por aí inúmeras pessoas tentando sobreviver nessa sociedade que nos desumaniza.

Não que seja um livro pessimista, pelo contrário, suas histórias intensas e de alta carga emocional nos alerta para a vida que existe além das nossas redes sociais e de convivência ou das novelas de tv.

Não tinha lido nada da Conceição Evaristo ainda, já acompanhava a fama dela e estava ansiosa pra conhecer a obra da autora, e posso afirmar que foi ainda melhor do que eu esperava. Olhos d’água é uma obra que vale muito a leitura, só recomendo que você esteja e um momento emocionalmente bom, pois não é aquela leitura leve e divertida. É uma leitura densa e carregada de emoções, e que ao final, no deixa com a certeza de que um dos maiores atributos da negritude é a resistência.

Onde encontrar: InaLivros

Bom galera, foi isso! Semana que vem tem mais LêproErê!

Postado em 7 de janeiro de 2016 por Lu Bento

No LêproErê de hoje um livro maravilho que foi lançado no final do ano passado e uma surpresinha pra vocês que acompanham o blog (e a página!) da mãe preta. Bora começar os trabalhos de 2016 porque esse ano promete muita novidades e coisas boas!

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Livro: Quando me descobri negra

descobri-negra4Autora: Bianca Santana

Editora: SESI-SP

 

Gente, que livro lindo!  Quando me descobri negra é uma coletânea de cronicas e relatos sobre negritude e identidade que toca o coração. Então, esse livro é assim.

Eu tive o imenso prazer de ler alguns textos do livro antes mesmo de sua publicação por fazer parte junto com a autora do Círculo de Mulheres Negras da Casa de Lua, uma casa feminista de São Paulo. E desde a primeira leitura fiquei encantada com a cadência da escrita de Bianca. Não é (só) porque ela é minha amiga não, mas Quando me descobri negra trás alguns recortes do cotidiano que com os quais nos identificamos e que nos faz perceber que a sutileza do racismo e do preconceito em alguns momentos não deixa marcas tão sutis em que é alvo. Pelo contrário, faz com que a pessoa passe por uma negação da sua própria negritude e  o processo de resgate dessa identidade é também um processo de curas e reconhecimento das suas características físicas e ancestrais.

A leitura é rápida e super fluida, não é nem de longe um livro cansativo de se ler. Excelente leitura inclusive para quem não tem tanto o hábito de ler e uma boa indicação de livro para jovens que estão na efervescência do processo de construção da própria identidade.

Tive o prazer de participar do lançamento do livro com a InaLivros e posso dizer que ele é um dos nossos campeões de vendas nesse fim de ano. E todo mundo tem dado um retorno super positivo, dizendo que gostou muito do livro e se emocionou com ele.

Onde encontrar: InaLivros | site do livro

Por esses motivos, Quando me descobri negra foi escolhido como o primeiro brinde dos nossos sorteios do blog, e como a Bianca é uma pessoa linda, consegui um exemplar com um autografo lindo para a ganhadora. Corre lá na página do sorteio e e participe!

Postado em 1 de setembro de 2015 por Lu Bento

Como vocês sabem, comecei esse ano uma livraria itinerante com o meu marido, a InaLivros. E como empreendedora, acho importante me qualificar e aprender ao máximo sobre isso que eu estou se disponibilizando a fazer. Pois bem, resolvi me inscrever e participar do 4º Fórum de Mulheres Empreededoras, organizado pela Rede Mulher Empreededora e patrocinado e apoiado por uma série de empresas grandes, dentre elas a AVON e o Itaú.  Até aí, beleza. Lindo demais fortalecer iniciativas de empreendedorismo protagonizadas por mulheres. Mas… e as mulheres negras?

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No evento, eram umas 10 mulheres negras na parte da manhã, num universo de mais de 500 mulheres.  Sendo que dessas 10 que eu contei, provavelmente algumas não se reconheçam, ou se autoafirmem como negras. Na parte da tarde o número subiu um pouco, erámos cerca de 20 (sim, não faz diferença nenhuma num universo de mais de 500 brancas, mas faz com que a gente já possa trocar algumas ideias!) No começo, na minha inocência de quem está envolvida em um monte de eventos afros, e está em contato com outras empreendedoras negras todos os finais de semana em eventos e todos os dias no facebook e no whatsapp, eu tinha certeza que chegaria lá e encontraria uma série de rostinhos conhecidos, mulheres que estão empreendendo e consolidando seus negócios na área de moda e produtos artesanais e esperava também mulheres que trabalham no ramo alimentícios e de serviços, já que somos muitas nessas áreas também. Esperava trocar muitos cartões, conhecer melhor alguns trabalhos e até mesmo estabelecer parcerias…

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A imagem do cartaz do evento não era essa. Essa é a imagem do folheto e tem uma mão preta ultra escondida.

Mas não foi bem assim. Todas as palestrantes eram brancas, as participantes também, até o cartaz do evento só tinha mãoszinhas brancas, pra deixar bem claro com quem elas pretendiam falar naquele espaço. De cara me senti desconfortável e foi ao banheiro caprichar em um turbante pra mostrar que eu estava ali mesmo, preta e diva, participando do fórum, das mentorias, trocando cartões como qualquer uma delas. Apesar disso, da minha saia estampada e da minha blusa vermelha totalmente diferente do uniforme pretinho básico das recepcionistas,  ainda fui alvo de perguntas inconvenientes  por parte de uma participante sobre onde é o banheiro, ou sobre como ela poderia conseguir um copo de água e sobre alguma outra coisa que foi ignorada por mim pra que ela percebesse que eu não estava ali pra responder a todas as suas perguntas sobre questões operacionais do evento.  Também não escapei de ser ignorada pela moça que estava entregando revistas na saída do auditório pras participantes que saiam, mesmo estando mais próxima a ela que outras mulheres, ela passou direto por mim e foi entregar às mulheres brancas.

Nas falas das palestrantes, destaco a total desconexão do mundo que algumas vivem com a nossa realidade. Uma se tornou CEO de uma empresa ao 26 anos, dando continuidade aos negócios da família. Outra gostava do trabalho, a empresa ia fechar, e ela pediu a empresa como presente de aniversário de casamento e o marido deu. Outra foi instigada por um cliente a comprar  uma outra empresa que estava prestes a fechar e ela comprou, mesmo “sem ter o dinheiro pra pagar”. Ou seja,  não são realidades de pessoas que trabalham pra garantir a sua subsistência, que empreendem e que precisam viver disso imediatamente, pois tem contas pra pagar, bocas pra alimentar…

mulher exportação empreendedorasOutro ponto que me chamou atenção é que a imagem da mulher negra ainda é utilizada como um recurso pra determinadas empresas. Uma empresa de exportação, fez uma divulgação em parceria com a própria Rede Mulher Empreendedora explorando a imagem da mulher negra e o estereótipo de “mulata tipo exportação”, em uma referencia não só sexista como racista também. Porque um evento que só coloca imagens de mulheres brancas em suas divulgações, só tem mulheres brancas palestrantes, resolve colocar uma imagem de mulher negra justamente na propaganda de algo para exportação? É coincidência demais pro meu gosto.

Cadê as mulheres negras empreendedoras?

Mulheres negras são empreendedoras desde que chegaram no Brasil. Lavadeiras, cozinheiras, quituteiras, diaristas, artesãs… estamos no mercado de trabalho informal ou autônomo há muito mais tempo que às recentes demandas feministas da década de 60 e 70 do século passado. Temos expertise na área de empreendedorismo, pois foi com criatividade e trabalho que muitas mulheres negras sustentaram suas famílias ao longo dos anos  e sustentam até hoje.

Ao mesmo tempo, a cada dia cresce mais o número de mulheres negras empreendendo, seja por trabalhar autonomamente na sua área de formação profissional, com consultoria e prestação de serviços,  seja por comercializarem roupas, brinquedos, acessórios, alimentos e diversos outros produtos em feiras e eventos por toda a cidade.

As mulheres negras empreendedoras existem e estão por aí trabalhando duro, consolidando novos negócios, inovando, diversificando seus pontos de atuação  e precisam ser fortalecidas em suasmulher negra empreendedora trajetórias e experiências. Espero que em breve possamos ter um espaço tão adequado quanto este para nossas trocas de experiências, networking, parcerias, mentorias e fortalecimento coletivo de nossos negócios.

Pesquisando na internet, vi que na Bahia, ano passado, rolou um Seminário Mulher Negra Empreededora, uma iniciativa do Sebrae e da Secretaria de Políticas das Mulheres do Estado da Bahia (SPM-BA). É muito gratificante saber que já existem iniciativas nesse sentido. Não sei sobre esse tipo de evento em outras cidades, mas espero que já estejam construindo algo nesse sentido.

Foi bom pra você?

De um modo geral, o evento foi bom. Com certeza farei o possível para participar da próxima edição porque acredito que precisamos nos apropriar desses espaços que também são nossos. Mulheres negras empreendem desde sempre neste país, temos experiência e vivência nessa área que vem de antes da emancipação feminina e isso precisa ser valorizado.   Fora isso, o evento trouxe informações importantes pra quem decide empreender. Conheci um pouco sobre o projeto 10 mil mulheres e pude ouvir sobre experiências em diversos setores que contribuem para que a gente busque melhorias para o nosso próprio trabalho. Além disso, soube do Prêmio Mulheres Tech em Sampa e achei a iniciativa muito interessante por estimular mulheres a conhecer mais sobre tecnologia, empreendedorismo digital, programação…

Além disso fiz contatos interessantes, conheci algumas experiências  bem sucedidas de gestão de negócios que podem nos inspirar com o trabalho na InaLivros.

Postado em 27 de maio de 2015 por Lu Bento

Mini Bentia tem  olhos claros. Não claros de verdade, talvez cor de mel. Um pouco mais claro em  comparação com os meus olhos e os olhos da irmã. Infinitamente longe de serem “olhos claros”. Mas ainda sim essa é uma característica de chama a atenção de algumas pessoas.

Postado em 2 de abril de 2015 por Lu Bento

 

No LêproErê dessa semana um livro pequenininho com uma mensagem bem poderosa. Você precisa conhecer essa autora cubana e vai se surpreender em como um livro aparentemente curto pode ser tão impactante.

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Livro Juvenil

LêproErê - Cartas para a minha mãe

Livro:Cartas a minha mãe

Autora: Teresa Cárdenas

Editora:Pallas

Esse é um livrinho pequenininho de uma autora cubana parece que não é de nada. Mas na realidade, através de cartas que uma menina órfã escreve para sua mãe morta, sentimos a cada página como o racismo e o machismo podem ser destrutivo na vida das mulheres. O livro trata de relações fragmentadas e do sofrimento que tudo isso causa numa menina.

Quando eu li, estava fragilizada pela internação de Mini Bentia. Coincidiu com um momento que eu estava voltando a ler sobre feminismo, voltando a me envolver mais nas discussões sobre questão racial. Talvez tudo isso me fez ficar bem impactada pela crueldade com que a avó e a tia tratam a menina, e por toda a dor que permeia as relações estabelecidas entre as personagens.

A editora coloca o livro como juvenil. Primeiro eu tive uma certa resistência a essa classificação, achei o livro muito pesado. Depois, pensando com a minha cabeça de professora, vejo que daria uma boa leitura complementar para uma aula de sociologia. A leitura em si flui muito bem e é bem rápida, o livro é bem curtinho.  Mas quando você se envolve com o sofrimento das personagens, não é uma leitura nada leve.

Teresa Cárdenas é uma premiada escritora cubana e escreve muito bem sobre ancestralidade. Conheça mais sobre a autora!

Resumindo: não é gostosinho de ler, apesar de ser bem escrito e bem traduzido,  mas é importante para que a gente não caia nessas armadilhas do patriarcado que constantemente coloca as mulheres umas contra as outras.


Esse o foi LêproErê da semana! Até o próximo.

Postado em 25 de março de 2015 por Lu Bento

Uma das maiores preocupações da mulheres após uma gravidez é quando a menstruação irá retornar. É ótimo não precisar se preocupar com absorventes enquanto cuidamos de um bebê pequeno e, sem dúvida, não menstruar te dá muito mais liberdade.  Mas a gente sempre fica encucada enquanto ela não vem, pensando naquela possibilidade do método anticoncepcional ter falhado e estarmos grávidas novamente.  Principalmente se você for uma pessoa desatenta como eu. Mas um dia ela finalmente volta.

Minha menstruação voltou. Depois de 1 ano  do nascimento da curiquinha. Por que eu tô falado disso? Porque a volta da minha menstruação é um simbolo de uma nova fase na minha vida. Eu estive quase que  totalmente focada em cuidar das meninas no último ano. Mesmo não me dedicando exclusivamente aos cuidados delas, meu foco principal era promover o bem-estar e atender as necessidades básicas delas.

Biologicamente, quando a gente diminui o número de mamadas a menstruação tende a voltar. Mini Bentia já fazia aleitamento misto desde o nascimento, praticamente. Mas mesmo assim mamava  no  seio dia e noite em casa durante todo o tempo da nossa licença maternidade. Com quase 6 meses ela foi pra creche, e passou a mamar só durante a noite.

Quando isso acontece já se espera que o corpo entenda que é hora de voltar a menstruar. Mas o meu corpo resolveu colaborar comigo e me deixar curtir a liberdade de não precisar pensar em absorventes.

Quando esteve internada pela primeira vez ficou pelo menos 15 dias sem mamar no peito. O leite vazou do seio por 1 ou 2 dias e depois parou. Não ordenhei, não fiz mais nada e quando ela pode mamar, ela simplesmente meteu o peito na boca e mamou. Ainda tinha leite. Fiquei esperando a menstruação pra qualquer dia naquele período. Ela não veio.

Depois da segunda internação, Mini Bentia parou de mamar voluntariamente por uma semana. Não aceitava o peito por nada. Achei que ela tivesse largado. Achei que iria voltar a menstruar.  Nem Mini Bentia deixou o peito nem a menstruação voltou.

Lógico que não menstruar estava sendo maravilhoso. Mas a ausência da menstruação sempre deixa um clima de tensão no ar e definitivamente uma nova gravidez agora não faz parte dos meus planos. Eu não via justificativa pra tanta demora no retorno dela se a frequência de amamentação era totalmente irregular.

O fato dela ter voltado agora, justamente quando eu voltei a estudar,  tenho passado um tempo de qualidade longe das meninas e voltei a ser alguém além de uma mãe tem um valor simbólico bem interessante. Vejo a volta dos meus ciclos como a mãe dando espaço para o retorno da mulher. E uma mulher mais consciente do seu corpo, dos seus processos internos, dos seus sentimentos, das suas demandas e quereres.

Eu não pude reparar muito bem na primeira vez como a menstruação muda após o parto. Realmente, a gente se torna outra mulher. Se a duração do ciclo  e o fluxo menstrual era de um jeito, nada garante que será o mesmo após o parto. Você pode voltar a ter cólicas ou não. Acho que até a TPM muda. Você precisa redescobrir.

Enquanto eu esperava Mini Bentia li uma reportagem sobre um pessoal que fazia reverências àmenstruação2 menstruação. Não lembro direito pra dar a bibliografia, mas basicamente dizia que a menstruação é sagrada. Devo estar bem influenciada por essas ideias, aliada à vontade de experimentar o coletor menstrual, sei lá.

Já menstruei muito na minha vida, mas nunca tinha gostado tanto de perceber que eu estava menstruada. Por sorte, apesar de toda a minha desorganização nesse sentido, eu tinha todos os apetrechos necessários pra não ficar numa situação constrangedora na rua.

Postado em 4 de março de 2015 por Lu Bento

Olá pessoal! Hoje, uma edição especial do LêproErê pra falar sobre um livro que li esse mês para um clube do livro que eu faço parte. O projeto do clube do livro é uma iniciativa dos blogs Da Literatura e Baú de Histórias e está muito legal.

bannerclubedolivro

A cada mês lemos um livro diferente, decidido por sorteios e de acordo com gênero definido para o mês. Pra saber mais, clica aqui.

Bom, dito tudo isso, estou usando o espaço do LêproErê pra escrever a tal resenha que faz parte das atividades do clube. Melhor, não é propriamente uma resenha. Assim como eu fiz sobre os outros livros no LêproErê, vou escrever sobre minhas impressões e experiências a partir da leitura do livro.  Portanto, ESTE TEXTO CONTÉM SPOILERS!!

Vamos lá!

Livro

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Livro:  Jogador número 1

Autor: Ernest Cline

Editora: Leya

Em tempos de odes à deusa interior, ler O jogador número 1 foi como alimentar a minha nerd interior. E a coitadinha, que estava definhando, se encheu de esperança nessa história distópica cheia de referências a filmes, músicas e videogames dos anos 80. Não que a minha nerd interior seja uma aficionada pelos anos 80. Na realidade, não conhecia quase nada do que foi citado. Mas gostei muito de pesquisar sobre as referências citadas e aumentar o meu repertório. Bateu aquela vontade de compra um Almanaque dos anos 80! 🙂

Demorei mais de 15 dias só nos primeiros capítulos do livro. A leitura estava arrastada, a trama não me prendia e eu tinha uma enorme resistência ao livro. Depois de iniciar outra leitura paralela, consegui me livrar da resistência que eu tinha e focar na leitura.

Depois que a leitura pegou ritmo, fiquei bem empolgada e não conseguia parar de ler. Mexeu bem comigo a sociedade que o livro apresenta, onde a pobreza impera, há escassez de recursos naturais, enfim, uma situação que é muito verossímil e é bem possível que o mundo chegue assim em 2045, quando se passa a história. O personagem principal, Wade, é um adolescente sem família, filho de pais adolescente que não o desejaram e não tinham condições (financeiras, psíquicas, sociais… ) de lhe criar. Morreram cedo, ele ficava com uma tia que tb não dava a mínima pra ele. Enfim, isso que eu estou destacando aqui não é nem tão importante na história do livro, mas é algo que nos faz pensar sobre os rumos que nossa sociedade está tomando.

A história se passa praticamente toda em um mundo virtual, OASSIS, no qual os personagens ficam conectados o tempo todo fugindo da dura realidade. O tal criador do OASSIS morre e resolve fazer uma competição deixando toda a sua fortuna pra quem encontrasse o easter egg que ele escondeu no sistema. Todos os nerds passam a se dedicar a isso. Uma grande coorporação, com o objetivo de tornar o OASSIS pago, forma um exército dedicado a desvendar o enigma, encontrar o easter egg e se tornar a nova dona do OASSIS. O Wade, como o avatar Parzival, é o primeiro caça-ovos a encontrar a primeira da chaves e aí ccomeça a confusão.

A história em si é meio previsível, o menino pobre, super inteligente, junto com outros jovens como ele, tentam desvendar o enigma e encontrar o easter egg antes dos vilões. E obviamente depois de muitos jogos de videogame depois, conseguem né.

Mais o que mais me interessou foi que entre os nerds havia uma menina, Art3mis, e ela era muito boa. Provavelmente a melhor. Achei que o autor deu uma boa moral para as meninas, que ainda não tão discriminadas nesse meio. Além disso, o livro me surpreendeu enormemente ao revelar que o avatar que era o melhor amigo do Parzival/Wade, o Aech (um homem branco e rico no mundo virtual) era controlado por uma mulher, negra e lésbica! Então, além de colocar 2 mulheres entre os melhores nerds do mundo, o autor ainda um tom bem politizado ao livro ao pincelar essa situação racial. A mulher negra aprendeu com a mãe que sempre que ela pudesse se apresentar como homem e como branco na sociedade, que ela o fizesse para que não sofresse preconceito.

Lógico que isso me impactou, porque eu sou mãe, estou criando minhas filhas para serem adultas ou até mesmo mães em 2045 e me assusta pensar que possivelmente não evoluiremos quase nada quando ao preconceito racial.

Enfim, voltando ao livro, ler Jogador nº1 despertou a nerd que existe dentro de mim e prometo cuidar melhor dela de agora em diante. Foi uma leitura gostosa, cumpriu o propósito de divertir. Ah, a discussão no grupo também foi muito boa.

Amanhã tem LêproErê de novo! 🙂

Postado em 23 de janeiro de 2015 por Lu Bento

LêproErê é um espaço do nosso blog pra falarmos sobre livros. Não só sobre livros infantis, mas também livros paradidáticos, quadrinhos, livros sobre criação de filhos, livros sobre educação e literatura em geral. A ideia do espaço é comentar e divulgar obras que de alguma forma contribuam para o empoderamento das mães pretas,  de suas filhas e  seus filhos.

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A princípio farei comentários sobre livros que eu li e livros que eu li com as minhas filhas. Se você tiver lido algum livro que seja uma boa indicação para as mães pretas deste espaço mande sua contribuição, com o título LêproErê para o nosso e-mail: contato@amaepreta.com.br

Pra começar bem, vamos falar logo de 3 livros. Um infantil, um infantojuvenil e um para adultos.

Infantil

Omo-Oba
Livro: Omo-Oba – Histórias de Princesas
Autora: Kiusam de Oliveira
Ilustrações: Josias Marinho

 

“As histórias desse livro mostram como princesas se tornaram, mais tarde, rainhas.” Assim Kiusam de Oliveira começa a apresentação do seu livro. Já deu vontade de ler né? Ainda mais eu que sou mãe de duas meninas e me preocupo muito em apresentar elementos que elevem a autoestima delas e as ajude a lidar com o preconceito a que estamos sujeitas. Nesse livro, a autora conta alguns contos de orixás de uma forma bem lúdica e simples, perfeito pra crianças terem um primeiro contato com essas histórias. A linguagem é simples e bem delicada, sempre elogiando as figuras femininas. Eu achei lindo!

Isha Bentia adora pegar o livro e ficar apontando as princesas e dizendo quem é quem “essa é a Mini Bentia, essa é a mamãe, essa é a vovó, essa sou eu…” Só de poder pegar um livro e ter essa identificação já me apaixonei.

Como a própria Kiusam fala, ela reforça características que julga serem capazes de empoderar meninas de todos os tempos.

E pra completar,  a galera do LivroClip fez um clip fofíssimo com uma dessas histórias. Confere aí:

Livro infanto-juvenil

LêproErê - Aya1LêproErê - Aya2

Livro: Aya de Youpongon
Autor: Marguerite Abouet
Ilustrador: Clément Oubrerie

Para os adolescentes – e os adultos também – a dica de hoje é uma série de histórias em quadrinhos chamada no Brasil de Aya de Youpongon. Aya é uma adolescente da Costa do Marfim que, junto com suas amigas Bintou e Adjoua, vive os mesmos dilemas de tantas outras jovens de sua geração: garotos, gravidez na adolescência, festas e dúvidas sobre o futuro. Eu adoro quadrinhos e quando vi as histórias de Aya me apaixonei. Minha afilhada adolescente também gostou. A série conta com 5 volumes, mas infelizmente só foram lançadas no Brasil as duas primeiras partes da história. Tomara que os outros volumes sejam publicados no Brasil!

Confere aqui o vídeo da LPM Editores promovendo o livro:

Livro Adulto

Americanah

Livro: Americanah

Autora: Chimamanda Ngozi Adichie

Editora: Companhia das Letras

Gente, que livro é esse???? Não sei como eu ainda não tinha lido a Chimamanda! Ela é ótima! Americanah é um livro dinâmico e envolvente, conta a a história de Ifemelu e Obinze, um casal de nigerianos que se afasta quando Ifemelu vai pros Estados Unidos estudar. O livro, ora na visão de Ifemelu, ora na de Obinze conta um pouco sobre como é a vida dos imigrantes africanos fora do seu país de origem.

É um banho de autoestima e empoderamento feminino. Ifemelu é minha diva, e foi o estopim para que eu tomasse coragem e começasse o blog. Mal acabei de ler Americanah já percebi que eu precisava ler tudo que a Chimamanda tivesse escrito. Já estou com 2 livros dela na fila e em breve eles estarão por aqui também.  Leitura super recomendada!

Pra completar, existe um clube do livro no facebook para discussão de literatura negra. O livro debatido esse mês é Americanah. Já leu o livro e quer participar? Se inscreve aqui!

Começamos com 3 excelentes livros que eu adoro!

Até o próximo!

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