Postado em 18 de junho de 2017 por Lu Bento

Eu sempre escuto comentários impressionados sobre como as curicas são independentes. E elas realmente são. Fazem muitas coisas sozinhas, e não têm aquele medo exagerado de ficar longe da gente. Essas meninas sabem se virar.  Mas…como educar nossos filhos pra serem independentes? Não é tão fácil quanto parece. Encontrar a medida certa entre independência e obediência não é fácil.

Student reading aloud in class

Quem me acompanha há mais tempo já sabe que não foi fácil ter as meninas. Perdi dois bebês antes delas, tive que passar por um repouso intenso durante as gravidezes pra que elas chegassem, então não foi molezinha. O medo era o meu companheiro durante toda a gravidez. Não só o medo de perdê-las, mas também o medo de me tornar uma mãe superprotetora. Sempre tive medo de me tornar uma daquelas mães que não deixam os filhos fazerem nada. Mesmo eu sendo uma pessoa super desencanada, temia não conseguir desapegar das minhas filhas e deixar que elas tivesse suas própria experiêncas, que errassem e acertassem por conta própria. Afinal, de nada adianta tentar transformar a vida delas em uma versão melhorada da minha própria vida. Elas precisam tentar, errar, acertar, descobrir coisas, experimentar a vida da forma delas porque o aprendizado a partir das nossas próprias viviências é muito mais significativo e marcante.

Então, minha meta de vida era deixar elas experimentarem o  mundo e permitir que elas tivessem a proteção e segurança necessárias, sem exageros.Pra isso, tava valendo andar descalça pra sentir que o chão tava realmente frio, comer sozinha mesmo que fosse mais comida para o chão que para boca ou escolher as próprias roupas mesmo que a combinação tivesse totalmente inadequada para o tempo.  Cabe a mim, como mãe, providenciar recursos para que elas, ao perceberem falhas em suas escolhas, possam voltar atrás e aprender com isso. Então o chinelo tava lá disponível pra proteger o pé, a comida passou a ser colocada no garfo pra diminuir a quantidade que caia no chão e  uma roupa mais adequada ao clima estava preparada caso elas sentissem frio ou calor. E é assim que a gente faz no dia-a-dia.

Da mesma forma, eu e o pai delas sempre incentivamos elas a buscarem soluções para os  problemas. Quer uma colher no restaurante, peça você mesma ao garçom! Quer comprar um biscoito, pergunte o preço você mesma! E assim por diante, sempre atenta às atividades compatíveis com a idade e o desenvolvimento delas.

Nós fazemos tudo isso por dois motivos principais: primeiro porque somos só nós 4 aqui em SP, tem horas que eu e meu marido estamos bem atarefados e as meninas precisam fazer coisas simples sozinhas, como pegar um brinquedo no quarto ou uma roupa na gaveta; e segundo porque a gente acredita que elas precisam ter coragem para fazer coisas por conta própria e a nossa casa, o nosso espaço,  é o melhor laboratório pra que elas experimentem isso.

Pessoas negras são constantemente desestimuladas a se expor. Não é algo explicito, verbalizado. É a aquela velha história do racismo estrutural, sabe, que nos exclui sistematicamente dos espaços de poder e visibilidade. Ser independente, correr atrás do que você deseja, é fundamental para que o sistema racista não te oprima. Então é importante que nossas crianças negras cresçam sabendo que elas tem voz e vez de se expressar. E que suas vontades são levadas em conta, são respeitadas ou, ao menos, ouvidas.

Oferecendo ferramentas para a independência

Como a preocupação com a independência delas veio antes do nascimento, a gente sempre procurou fornecer ferramentas para que elas desenvolvessem a autonomia. Uma delas, foi adotar a concepção montessoriana na decoração do quarto. Tanto Isha Bentia, como Mini Bentia tiveram a liberdade de dormir fora de berços. Assim, elas acordavam e iam para onde nós estávamos. Não precisavam ficar presas, dependendo da ação de adultos pra se locomover. Seus pratos e copos ficam em locais acessíveis na cozinha, assim elas mesmas podem pegar um prato ou copo quando precisam. Elas mesmas jogavam a fralda no lixo e pegam outra para ser trocada. Isso aos poucos vai desenvolvendo a autonomia da criança.

Uma coisa que o Leo faz muito e eu preciso me monitorar para fazer mais e conversar com elas sobre algo que elas fizeram e nós consideramos errado. Ele pergunta porque elas fizeram aquilo, ele explica porque aquilo não pode ser feito e orienta como fazer corretamente, ou de uma maneira segura.  Isso é muito bacana, porque isso as fazem perceber que nós as enxergamos  como sujeitos. Quantos de nós fomos criados na base do “era só meu pai olhar, que eu gelava, que eu sabia que estava errado” ou “o pai não sabia porque tava batendo, mas a criança sabia porque tava apanhando”. Cara, isso é cultura do medo. Nem dá pra chamar de pedagogia, por que não tem nada de pedagógico nisso. É opressor mesmo. Claro que esse tipo de postura  contribuiu para uma geração que atualmente tem medo de tentar coisas novas, tem medo de se expressar, tem medo de fazer algo que não foi mandado.

Encontrando o limite

Saímos muito com as meninas, tanto por causa do nosso trabalho, quanto a passeio. E elas se adaptaram bem a essa rotina de estar em diferentes lugares, sempre cercadas de pessoas novas. No começo elas sentem o ambiente e depois já se soltam e começam a circular com uma certa liberdade. Nesse aspecto é preciso encontrar um limite. Uma coisa que me incomoda bastante é que as curicas resolvem por conta própria ir explorar novos lugares.  Esse é um limite que temos trabalhado constantemente com elas. Crianças (e adultos também!) precisam dar satisfação de onde vão. Não dá pra simplesmente sumir enquanto as pessoas que estão contigo não sabem de nada.  E aí, a gente enfatiza isso para elas principalmente pela questão da segurança e pela falta de percepção das maldades do mundo, mas sempre com um olhar respeitoso pra tomada de iniciativa delas. Em geral a gente fala coisas do tipo “eu entendo que você quer ir lá fazer tal coisa, mas antes é preciso pedir permissão pra mamãe e por papai, pra gente saber onde você está, com que está e se não é perigoso pra você.”

A gente sempre evita aquele discurso do “não pode fazer porque eu não quero” porque não cabe a minha como mãe querer ou não querer algo pra vida da minha filha. Os meus quereres pessoais podem até ser externados, mas não podem servir como baliza para as minhas decisões com relação a elas. Eu, como mãe, preciso preservar o direito delas de escolha, ressalvados os todos os meus deveres de cuidado e proteção delas. Mas cada vez que eu extrapolo meus deveres de proteção e tomo atitudes que limitam minhas filhas de forma que elas ficam mais dependentes de mim eu estou ensinando a elas que elas precisam de mim pra realizar aquilo, eu estou vinculando aquele ato a minha pessoa e com isso, eu estou limitando as minhas próprias filhas.

Lógico que nem sempre é seguro e saudável deixar as crianças soltas fazendo o que querem. Por isso mesmo que não fácil criar filhos independentes. Porque a gente precisa o tempo todo recalcular os limites entre cultivar a independência e o descaso, a falta de atenção e cuidado.

Algumas vezes eu vejo mães com crianças da idade de Mini Bentia no colo e bate aquela dúvida se eu não deveria estar carregando a minha no colo também. Mas depois, quando eu vejo a curica correndo de um lado para outro durante longos minutos, eu vejo que ela tem plena capacidade de andar esse percurso, então não tem necessidade de estar no colo o tempo todo. É um processo de avaliação e reavaliação constante. E também, quando elas começam a perceber que podem fazer coisas sozinhas e a vontade de fazer por conta própria cresce mais ainda.

E como elas já fazem muitas coisas sozinhas, como escolher a roupa, calçar os sapatos, ou pegar o suco no armário, elas se sentem aptas a fazer outras coisas também, como ficar longe dos pais por uns dias ( na casa dos avós), ou sair sem a gente com pessoas do nosso convívio.

Superando barreiras

O que eu falo aqui vale para todas as crianças, mas quando a gente pensa em crianças negras, crescer sem autonomia é ainda mais danoso, porque reforça o racismo estrutural que diz silenciosamente que negros não podem ocupar determinados espaços. Com a autonomia que a gente procura oferecer para as meninas estamos mostrando a elas que elas podem ocupar espaços e realizar coisas que são da vontade delas, sem que precise de uma ordem expressa para fazer. Nossa intenção é que isso contribua para que no futuro, barreiras como “não tem nenhum negro aqui” ou “isso não parece ser uma coisa adequada para uma pessoa negra” nem sequer sejam consideradas por elas. Que elas não se percebam limitadas por percepções que nos condicionam a determinados espaços.

Young girl smiling, holding white sheet

Não é um processo fácil e mexe com muitas das nossas noções de como criar filhos e com as nossas próprias memórias sobre como fomos criados. Mas educar é um processo e uma sucessão de escolhas. Escolhemos esse caminho, provavelmente o mais difícil. Mas também incrivelmente prazeroso vê-las escolhendo seus caminhos, questionando o limites e buscando compreender a lógica do mundo e das relações interpessoais.

Postado em 8 de abril de 2017 por Lu Bento

Olá Pessoal!

Estou de volta. Sim, dei uma sumida bem louca e bem mais intensa que o normal. Precisava de um respiro.  Eu não queria mais escrever nem pensar sobre a maternidade, queria dar um tempo nisso de blog, de facebook, de qualquer coisa que me colocasse de alguma forma em evidência.

P_20161107_150242_BFO motivo oficial da ausência foi a reestruturação do blog. De fato alterar a cara do blog dá um trabalhão e leva um certo tempo. Mas eu estava tão saturada de tudo isso que nem motivação pra atualizar as informações eu tinha. Acabei deixando tudo paradão mesmo pra descansar a mente. Tirei férias, assisti um monte de séries, saí com o marido e as filhas, trabalhei na InaLivros, minha livraria, e preguicei muito. Muito mesmo. Foi um período de relaxamento total.

Uma das coisas que contribuiu muito para a minha ausência durante esse temo foi que eu participei, no final do anologo_ame passado, um curso incrível sobre empreendedorismo materno com a querida Melodia Moreno. A Academia de Mães Empreendedoras me deu um monte de insigths para melhorar aqui no blog e nos trabalhos que realizo na vida. E foi  a partir da A.ME. descobri que quero muito falar mais sobre gravidez de risco e perda gestacional.   Sim,  esses temas fazem parte da minha vida há 10 anos e eu preciso compartilhar isso com outras mulheres. Tem muita coisa que eu aprendi com meus abortos e com as minhas gravidezes de risco,minha experiência de vida pode ajudar muitas mulheres e eu sei da importância de compartilhar tudo isso. Mas ao mesmo tempo, são assuntos que ainda me doem muito. Que mexem comigo, que me desestabilizam emocionalmente e que eu evito entrar em contato verdadeiro e consciente. Como falar sobre isso, incentivar e apoiar outras mulheres se eu mesma ainda não lido bem com meus sentimentos? Precisava de uma busca interior para reconhecer os pontos de ainda me doem em minha história de vida para ressignificá-los.

Então, a partir do que eu descobri sobre o que eu quero fazer no curso da Mel,  decidi me permitir tocar mais nesses Lu Bento - foto Bianca Santanaassuntos e refletir sobre meus sentimentos e história de vida. Alem da terapia, que eu já tinha iniciado no começo de 2016, busquei formas alternativas de me entender e me expressar. Esse ano comecei a fazer um curso incrível de escrita e autoconhecimento com a maravilhosa Bianca Santana que está me tirando da minha zona de conforto. Além de exercitar a minha expressão escrita, que é fundamental pra quem se propõe a escrever para que outras pessoas leiam, o curso está me fazendo pensar sobre várias coisas na minha vida e descobrir outas formas de me ver e ver o mundo. É um curso só pra mulheres e tem uma vibração toda especial de apoio e irmandade que tem me fortalecido demais nesse propósito de busca interior. Quando olhamos pra dentro vemos todas aquelas coisas que tentamos por muito esconder de nós mesmos. Então, estou diariamente diante desse meu espelho interno, olhando pras minhas feridas e cuidando delas para que finalmente cicatrizem, deixando aquelas marcas de quem tem histórias pra contar.

9d41f7b342496988897d004af87fe87aNo final do ano passado também dei algumas entrevistas sobre maternidade e negritude que me fizeram refletir ainda mais sobre tudo que  blog e os espaços de maternância negra representam pra mim. E o quanto a gente precisa de mais espaços assim. Com isso, eu também parei pra analisar o conteúdo eu tenho compartilhado com vocês, quais questões eu tenho abordado aqui e como eu tenho feito tudo isso. Percebi que agora esse não é mais só um espaço de desabafo, já ganhou outra dimensão de existência: este é um espaço coletivo de fortalecimento de mães negras e de informação para as pessoas que buscam uma atitude antirracista. E eu preciso aprender a lidar com isso. Não é tão fácil e nem natural pra mim me ver nesse lugar, mas sei que esse lugar  é fruto de uma construção que  tenho feito ao longo dos anos e esse blog já nem é tão novinho assim. O AMP já está em seu 3º ano no ar.

Outro passo que dei e que fico muito feliz em ter começado a me moyoga1vimentar nesse sentido foi que decidi estudar tarô.  Com o apoio da Marcela Alves, tenho  mergulhado nas cartas para desvendar suas mensagens e significados  e esse movimento rumo ao não explicado cientifica
mente têm me ajudado a perceber outras dimensões da vida, que se me afastam desse ceticismo todo que geralmente domina a vida ateia. Também comecei um curso sobre chakras com a querida Debora Pivotto e tem sido surpreendentemente incrível. Só a oportunidade de viver a experiência de leitura de aura já vale muito a pena. Como essas leituras têm sido importantes pra destravar em mim falas que eram muito contidas nas seções de terapia. Sem dúvidas todo esse movimento complementar de autoconhecimento melhorou  muito minha interação nas sessões de terapia e me sinto muito bem.

Paralelo a tudo isso, meu marido agora trabalha em casa e assumiu muitas das responsabilidades com as meninas, o que me permite fazer todo esse movimento de olhar pra mim. Vocês  sabem o quanto é importante temos a possibilidade de ter um tempo pra si dentro da nossa rotina caótica de mãe/esposa/trabalhadora. Só para que vocês tenham uma ideia da importância desse tempo, hoe eu tomo banho sozinha, eu passo cremes no rosto, no corpo e no cabelo antes de dormir, eu assisto minhas séries favoritas. Eu existo para além das minhas funções de mãe, esposa, dona de casa e trabalhadora. E eu repito muito o “eu” simplesmente porque depois de tanto tempo falando e pensado o nós, poder falar e pensar o eu é fascinante!

Estou em uma verdadeira jornada em busca do meu autoconhecimento e minhas potencialidades  e esse caminho tem várias etapas e desafios. Falarei melhor sobre a minha jornada em outra postagem,  agora eu só queria ressaltar que estou vivendo um processo de transformação intenso e dolorido, que cutuca minhas feridas e destrói crenças que eu cultivei para me esconder em minha dor.

Então a volta ao blog exprime um pouco disso tudo que estou vivendo e que ainda vou viver esse ano. É provável que tenhamos mais textos sobre autoconhecimento, autocuidado e autoestima por aqui na categoria Empoderamento, bem como alguns textos literários autorais na categoria Escrevivências. As categorias agora estão melhor divididas. Continuo falando de Maternância e Literatura, minhas maiores paixões. Coloquei em categorias específicas os textos mais voltados para Educação e Combate ao Racismo, já que muitas pessoas chegam aqui a partir desse temas. Outra categoria nova é a de Inspirações, onde eu indico outras trabalhos incríveis nas redes sociais sobre os temas do blog e compartilho um pouco do que curto por aí.  E, a que sinto ser a categoria mais especial de todas, é a Mães Pretas, onde eu publico textos de outras mulheres e mães que querem compartilhar também suas histórias. Precisamos de espaço nas nos expressar e nos ouvir. Alguns vezes serão textos próprios dessas mulheres, outras vezes serão entrevistas. O formato não é o mais importante no momento e sim o conteúdo e a cura coletiva que ele proporciona. Sintam-se convidadas a colaborar com esse espaço.

AMP - Capa para faebook

Não poderia deixar de agradecer ao Célio Campos, Mutanóide, o artista incrível que fez a ilustração do blog e maravilhosa Ella Jardim que fez todo o design e deixou o blog com essa cara bem mais moderna e funcional.Muito obrigada! O trabalho deles ficou muito legal, amei o resultado e gostaria de ouvir as opiniões de vocês.

A verdade é que voltei pro blog cheia de projetos e desejos, uma energia que percorre meu corpo e transborda em vontade de compartilhar com vocês  meus pensamentos e experiências.

Bem-vindos de volta! Bora ocupar esse espaço que existe pra gente!

 

Postado em 25 de outubro de 2016 por Lu Bento

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Fala galera! Hoje é dia de terapia do ser mãe aqui no blog! Vamos conversar um pouco sobre maternidade?

 

Se comparar com os outros é um ato natural e humano. A gente faz isso o tempo todo, e isso é uma tentativa de avaliar e se perceber parte de um grupo. Por isso mesmo é tão difícil deixar de se comparar. Nos comparamos a outras pessoas para descobrir semelhanças e diferenças com essas pessoas que funcionam como parâmetros. O problema é o julgamento que vem logo em seguida, embutido no ato de se comparar que nos faz estabelecer uma hierarquização entre os elementos comparados. Este é o certo, aquele é o errado. Este comportamento é superior e aquele, inferior. Este é jeito criar os filhos é o melhor e aquele é o pior. As comparações acabam tomando um viés competitivo e rotulador, e isso não é bom pra ninguém.

TSM 3 (4)

O primeiro ponto desse pensamento é a importância de evitarmos comparações com as práticas e vivências de outras mães. E a gente esquece disso o tempo todo, principalmente quando vemos uma mãe com a casa arrumada, filhos felizes e vida organizada enquanto  a nossa vida está um caos, tudo bagunçado e crianças totalmente fora de controle. A primeira coisa que a gente pensa é o quanto aquela mulher é “melhor” mãe, não é? Então, isso é nocivo pra caramba, porque desconsidera todo o nosso esforço e toda a especificidade da nossa própria família. A gente não sabe o que passa naquela casa pra ela conseguir este nível de organização, e mesmo quando a gente sabe, nem sempre as técnicas empregadas lá funcionam de fato na nossa família. Porque as pessoas são diferentes! Não em jeito!

Se comparar a outras mães é inútil, ineficaz e ineficiente! A gente só se desgasta com essas comparações e se deprecia. Toda família tem suas dificuldades e desafios. E a maternidade não é uma competição entre mulheres-mães.

Esta é a sua família

O livrinho, como eu já disse, tem uma pegada bem religiosa e pra quem acredita em Deus, essa frase já é determinante pra enfraquecer o desejo de se comparar a outras mães. Mas mesmo sem uma explicação espiritual pra isso, o fato de que esta é a sua família não muda. É com estas pessoas que você, como mãe, precisará interagir e construir um consenso, então não há porque se comparar. São pessoas com personalidades diferentes, que valorizam coisas diferentes, assim como você não é exatamente igual às outras mães. Então não tem como acreditar que um mesmo método cristalizado de educação e de negociação familiar funcionará para as duas famílias.

Aceitar que somos diferentes e que reagimos de forma diversa a cada ação, é o primeiro passo para resistir à tentação TSM 3 (5)da comparação. A mãe da sua família é você e a criação de filhos não é uma competição entre mulheres, não custa repetir.  Tudo que você precisa fazer é buscar o melhor para você individualmente e para seus filhos e sua família como um todo. O melhor é o que pode ser feito. Não adianta colocar as práticas de outras famílias em um pedestal se nada daquilo é aplicável à sua realidade.
Esta é a sua família e você tem todas as ferramentas pra fazer funcionar da melhor maneira para vocês. Não adianta se comparar com outras dinâmicas e realidades quando essa comparação gera frustração e sentimentos de inferioridade e impotência. Aprender com outras práticas familiares, se inspirar em atitudes de outras mães é maravilhoso e ajuda bastante, mas sem essa carga emocional negativa que a comparação trás.

A rivalidade entre mulheres e a mãe negra

Essa prática de comparação entre mães é reflexo de uma cultura machista que estimula a rivalidade entre mulheres. Cada vez que a gente entra nesse jogo perverso, estamos fortalecendo estruturas machistas. Estamos fortalecendo a crença de que mulheres ~naturalmente ~não se dão bem. A gente não precisa disso. Precisamos nos fortalecer mutuamente, precisamos nos apoiar. Quando a gente não se compara a outra mulher a gente sai da lógica de competição entre mulheres e entre na lógica da sororidade.

Quando a gente pensa especificamente a situação das mães negras,  cenário de competição é ainda mais cruel. Somos a maioria dentre as mulheres que criam e educam seus filhos sozinhas. Somos a maioria dentre as mulheres que trabalham para garantir o sustento dos filhos. Somos a maioria dentre as mulheres que estão em situação de  vulnerabilidade social. Então, se comparar com outras mães chega a ser uma crueldade com nós mesmas. É humanamente impossível que a gente siga todas as dicas que vemos em blogs maternos ou ser aquela mãe da propaganda de tv. Não dá! A realidade é outra e muito mais dura para as mães negras.  Por isso, não se cobre por não conseguir implementar todas as dicas daquele livro de referência.

Deixar de se comparar às outras mães torna o exercício da maternidade mais leve, além de te dar mais confiança para realizar as coisas à sua maneira.


Bom pessoal, esse foi o terapia do ser mãe desta semana. Pra quem está chegando agora, eu explico direitinho a proposta dessa série  de postagens aqui.

E aí, vocês se comparam muito a outras mães? Deixem os comentários aí embaixo ou em nosso facebook!

Até a próxima semana!

Postado em 19 de outubro de 2016 por Lu Bento

Depois de uma eternidade, finalmente consegui retomar a regularidade (que nunca existiu) de postagem aqui no blog e retomo também a proposta do terapia de ser mãe. Confesso que fiquei bem chateada quando roubaram meu celular que tinha os áudios de tudo que meio a mente quando eu li o livrinho. Aí fiquei chateada, frustrada e deixei de lado. Mas agora já superei essa adversidade e resolvi parar com essa sofrência de lamentar o material perdido. Bora pra mais uma edição do Terapia do Ser Mãe? Hoje vamos falar do conselho número 3 do livrinho. Preparadas? Então acompanhem aqui:

tsm-3 - pensamento - conselhos repreensivos

Gente, dar pitaco todo mundo quer né? Ainda mais em se tratado de criação de filhos. Não é a toa que dizem por aí que todo mundo é ótima mãe até ter filhos. Porque quando é à vera, a coisa muda de figura. Seu filho idealizado não age da forma que você previu. Você não é tão convincente  e capaz de fazer tudo acontecer da forma que você quer só com um olhar. Você percebe que na prática, toda aquela teoria de como criar filhos não se aplica, simplesmente não dá pra você fazer aquilo daquela forma que você pensou que faria. Enfim, na vida real, você lida com situações reais, e  tudo é imprevisível.

Se você, como mãe, consegue perceber tudo isso, então já deu pra sacar que não adianta tentar dar fórmulas mágicas pra ninguém né? Funcionou na sua casa? Que lindo! Compartilhe a sua experiência e inspire e ajude outras famílias. Mas não venha ditar regras né? Não precisa criar um manual de como ser uma mãe perfeita como você porque todas as suas técnicas podem não servir de nada para outras mães, em outras famílias, outros contextos.

De boa intenção o inferno está cheio

 

Quantas vezes pessoas estranhas já vieram repreender você pela forma como você estava cuidando das suas crianças? Isso é super comum né? Mas como isso é opressor! Ainda mais quando parte de uma mulher mais velha, ou mais experiente com crianças.  Já ouvi várias vezes ” você não pode deixar essa menina assim, sem casaco. Tá frio!” E a menina fica derretendo de calor assim que eu cedo às pressões e coloco um casaco.  Minha filha tava sem casado porque eu sei como se comporta o corpo dela. Eu sei que ela não está sentido frio, mesmo que esteja um pouco frio para as outras pessoas.  O meu instinto e a minha experiência diante da minha família balizam as minhas decisões. E aí, chega uma pessoa estranha, que não nos conhece e me aconselha, em tom de reprovação, a fazer algo?  Isso não ajuda nenhuma mãe! Como já falamos e já sabemos, a maternidade é uma eterna fonte de culpas. E não ajuda em nada certas pessoas interferirem de forma tão hostil em nossos procedimentos e decisões cotidianas.

Algumas pessoas estão sempre prontas para dar pitacos na vida dos outros. Sabe, aquele discurso do “se fosse meu filho não faria isso”. Nem sempre no sentido de nos diminuir ou humilhar, muitas vezes essas pessoas acham mesmo que tem algo ~ revolucionário ~ para ensinar. Como se nós, mães, estivéssemos o tempo todo em busca de alguém para nos ensinar a cuidar dos nossos filhos. Nem sempre a gente está precisando de ajuda e nem sempre essa intervenção em tom de ~ ajuda~ é oferecida para nos ajudar de verdade.

Sobre a nossa necessidade de se empoderar

A maternidade é marcada pela insegurança e pelo desejo constante de fazer o melhor para nossas crias. Umtsm3 - conselhos repreensivosa das primeiras coisas que uma mãe precisa é aprender a confiar em si mesma. Confiar em suas próprias e não comprar esse discurso da culpa que a sociedade tenta nos vender. Você provavelmente conhece várias pessoas que falam em “culpa materna”. Mas toda essa culpa que a gente às vezes carrega só serve pra tornar ainda mais difícil o nosso cotidiano. A gente não precisa disso! A gente não precisa internalizar esse discurso de que somos culpadas por tudo que foge do padrão na nossa maternidade.

Todo mundo erra e ser mãe não nos faz imune a isso. Pense na sua mãe: quantas vezes você não pensou que a decisão tomada por ela não era a melhor no momento? Quantas vezes ela mesma reconheceu isso? A gente tenta sempre fazer o melhor, mas nunca será perfeito. Nunca será! Então o melhor mesmo é confiar em si mesma, confiar em suas escolhas e decisões e seguir em frente. Errou? Tenta consertar. Não dá mais pra fazer diferente? Mude a partir de agora e aprenda com o passado.

Aceitar as nossas limitações é um caminho para o nosso empoderamento e para que a gente possa lidar melhor com a enxurrada de conselhos repreensivos que recebemos.


E aí, o que você achou desse pensamento? Concorda, discorda… já recebeu muitos “conselhos repreensivos”? Conta aí…

E se você não sabe que livro é esse que eu estou usando como base para essas postagens, dê uma olhadinha neste texto onde eu explico a proposta deste projeto.

Postado em 20 de julho de 2016 por Lu Bento

Olá pessoal! Bora continuar nossa série inspirada no livrinho Terapia do Ser Mãe?  Pode parecer piegas, mas o livro rende boas discussões e reflexões sobre maternidade e sobre a maternidade negra.

tsm-34

Toda mãe tem o direito de fazer o que quiser da vida, né gente? Não é porque tornou-se mãe que agora a vida dessa mulher é de utilidade pública e o mundo inteiro tem direito a dar pitacos e dizer como ela deve se portar com seus filhos, companheiro e diante do mundo!

Ser mãe é uma escolha (mesmo a gente sabendo de toda a imposição de existe por trás disso) e envolve diversas outras escolhas e como levar sua gestação, se vai se submeter a uma cesariana ou procurar o prato humanizado, se vai dar mamadeira, chupeta, amamentar, deixar comer doces ou nada disso.  Todas as pessoas tem um modelo ideal de criação dos filhos (o meu passava pelo combo parto humanizado – amamentação em livre demanda – fraldas de pano – educação montessoriana – criação comunitária) mas nem sempre o modelo se encaixa à sua realidade ou até mesmo continua fazendo sentido pra você depois de mudanças em sua vida.

No meio materno, é constante a discussão sobre culpa. Mães estão sempre se sentindo culpadas por algo, como se nós fôssemos capaz de controlar tudo e como se fôssemos as únicas responsáveis pelo bem-estar das crias. Não somos tão poderosas e absolutas como nos fizeram acreditar. Somos humanas. E humanos fazem escolhas que representam, ao mesmo tempo, perdas e ganhos. Pode ser que a gente faça uma escolha que posteriormente nos pareça errada. Acontece. Mas o que é certo para mim pode não ser para você. No fim das contas, cada um sabe o que é melhor para a própria vida.

Trabalho e maternidade

Esse pensamento fala principalmente sobre a questão do trabalho. Trabalho e maternidade são duas palavras que não combinam em nossa sociedade. Mesmo a gente sabendo que ter filhos e educá-los é trabalho pra caramba. Ter filhos e garantir a sobrevivência desses novos seres é trabalho pra caramba!

Trabalhar fora e deixar suas crias aos cuidados de algum parente, ou mesmo em escola por tempo integral é uma opção e uma necessidade de muitas mulheres. Nosso tempo é finito, só temos 24h por dia. Não dá pra fazer tudo que gostaríamos, como gostaríamos. Precisamos fazer escolhas. E precisamos respeitar a escolhas das outras.

Já basta todo um sistema capitalista misógino e racista que quer nos  deixar fora dos espaços de poder. Que quer nos confinar no espaço doméstico e nos desarticular enquanto grupo, vendendo sempre a ideia de que mulheres são invejosas, desunidas e são um peso para a sociedade. Nós não precisamos reproduzir esses conceitos!

Quando falamos especificamente de mãe pretas, sabemos que o trabalho nem sempre é uma escolha. Para a maioria da nós, o trabalho é uma necessidade. Precisamos trabalhar para sustentar nossos filhos. E essa é uma prática antiga. Mulheres negras sempre trabalharam fora para colaborar com a renda familiar, e atualmente não é diferente. Uma forma de não transformar esse necessidade em um gatilho de culpa é pensar que é esse trabalho que permite que você possa exercer a maternidade nas horas de folga. Sem ele, talvez sua situação financeira fosse incapaz de assegurar condições básicas de vida para seus filhos. Trabalhar para sustentar as crias também é uma forma de demonstrar o seu amor e exercer a sua maternidade.

A  boa mãe

Precisamos romper com esse mito de boa mãe. Mãe é mãe e pronto. O que é ser boa? Quem decide quanto uma mãe precisa se dedicar para ser boa?

Os juízos de valor na maternidade constituem o principal motivo para a desagregação entre as mulheres mães. Sempre aparece alguém pra  “cagar regra” sobre alguma postura, dizendo que “toda mãe que ama seus filhos deve fazer isso”. E aí, aquela mulher-mãe que não segue esse regrinha imposta imediatamente se sente ofendida e #menasmain. É só procurar no google que vocês encontrarão uma chuva de depoimentos no estilo “não sou menas mãe por… “. tsm2-frase

Gente, maternidade não é competição. Ninguém vai ganhar o título de a melhor mãe do universo, e mesmo se fosse, me responda: você tem filhos para massagear o ego ou para ajudar a criar novos seres humanos, dar continuidade à vida?

Talvez o caminho para o não julgamento seja olhar menos pro quintal da vizinha e mais para a nossa prática, para as nossas escolhas e saber que precisamos estar confortáveis com elas, ou pelo menos, consciente que escolhemos o melhor para aquele momento. Ou que deu pra fazer. A  partir daí,  a gente possa entender que outras mães buscam escolher o melhor para suas famílias e/ou para si própria e que a escolha dela nele momento não a faz melhor nem pior que você.

Estamos juntas

 

O texto fala ainda sobre a importância de nos vermos enquanto grupo. Pensar que mulheres-mães não inimigas e não estamos em uma competição de “melhor mãe do universo”. Estamos criando filhos, cidadãos, pessoas que darão continuidade à vida. Precisamos ter consciência da importância e grandeza da função materna, para compreender também que este não é a única dimensão de nossas vidas. E que cada mãe fará a escolha que se adequar melhor ao seu momento de vida, às suas demandas internas e externas. É aquela ideia de sororidade, de companheiros, de parceria entre mulheres. Estamos juntas, mesmo com escolhas tão diferentes.


E aí, você também defende o direito de escolha de todas as mães? O que você faz  no seu cotidiano que recebe críticas dos faladeiros? Conte pra gente!

 

 

Postado em 8 de junho de 2016 por Lu Bento
Faz um pouco mais de um mês  que eu fui em uma feira de livros e vi uns livros que me chamaram a atenção. Era uma coleção da Paulus,  uma editora religiosa, chamada terapia do ser. Comprei o Terapia do ser mãe e na mesma noite já comecei a leitura.
O livrinho é bem naquele estilo de autoajuda mesmo, não vou mentir. Com 36 pensamentos e umas ilustraçõesterapia do ser mãe com uns elfos meio estranhos, o livrinho aparentemente bobo trás um conteúdo importante pra estimular a reflexão sobre algumas questões relacionadas a maternidade.
O impacto da leitura e das reflexões sobre as frases foi grande por aqui que decidi, então, fazer uma série de postagens aprofundando e discutindo um pouco os pensamentos do livro. São 36 pensamento no total, e então serão a princípio um post por pensamento. Mas alguns podem gerar reflexões mais curtas, então eu posso juntar eventualmente uns 3 ou 4  pensamentos em uma postagem só.
 Começo  hoje falando do primeiro pensamento. Vamos lá?

 TSM1
Vivemos uma eterna cobrança para ser a “melhor mãe”. Como se a maternidade fosse uma competição entre mulheres. E também como se após se tornar mãe a mulher também deve se tornar um exemplo de perfeição, deixando sempre os filhos felizes e bem cuidados segundo os padrões da sociedade patriarcal. Aquela ideia de que a mãe é uma “santa”, sabe?

Opressor demais, né não? 

Essa cobrança de fora acaba sendo internalizada por algumas (muitas) mulheres e a gente fica acabando que qualquer coisa que fuja desse modelo e perfeição é culpa nossa e nos faz menas main ou mãe de merda, como se dia muito nas redes sociais.
Mas ninguém é perfeito né? Não tem como  a gente, como mãe de primeira viagem, saber o motivo exato daquele serzinho que ainda estamos conhecendo.  Nem mesmo se formos mães e segunda,terceira ou quarta viagem. Então não da pra gente entrar na pilha dos outros que insistem em nos perguntar o motivo do choro do bebê. Precisamos sair do lugar da culpa.por não saber, e assumir o nosso papel de busca,de alguém que está conhecendo a cria e procurando descobrir seus desejos e necessidades a cada instante. E esse é só um exemplo.
Quantas vezes mulheres-mães são cobradas a resolver problemas que não  podem ser resolvidos por elas naquele momento, ou mesmo não tem nada a ver com a atuação dela como mãe. Como quando a criança começa a chorar no avião e todos se sentem incomodados com o barulho e olham para a mãe com ares de recriminação; ou quando a criança faz pirraça na rua e a gente não sabe muito bem como lidar com aquele cena vergonhosa; ou quando os nossos adolescentes fazem alguma besteira por aí. Sempre perguntam sobre a mãe, sobre o que a mãe faz ou não faz quando a isso, sobre onde está a mãe que não resolve esse problema. Todos com uma dica super eficiente na ponta da língua pra apontar a incompetência dessa mãe. Da mãe!  Lembrar do pai ninguém quer, muito menos lembrar que a cria é sujeito de direitos e desejos e que algumas atitudes independem dos esforços e das vontades da mãe.

Paciência Materna 

O que mais a gente precisa nessa vida é ser paciente na jornada que é a criação de filhos. E ser paciente nem sempre é fácil.
Esperar, não se culpar,não cair na pilha dos outros e ainda entender que esses pitacos todos “São só pra ajudar”. Não é fácil.  Dá vontade de chutar tudo pro alto e mandar todo mundo se ‘F#@#*. Às vezes é necessário chegar a esse ponto mesmo, não se iniba por isso! A gente também não precisa ser catalisador do mundo. Já é difícil e desafiador demais exercer a função materna. Ainda ter que lidar com todos aqueles acham que sabem mais que você ou que você tem que saber tudo na ponta da língua  já é peso demais para carregamos.
Nem sempre a gente está em um bom dia, aquele dia, sabe, a gente tem paciência pra aturar as pirraças das crianças e todo o julgamento do mundo por você não conseguir contornar a situação imediatamente. Ser paciente consigo mesma e fundamental para que a gente consiga se manter equilibrada nessa loucura toda. E no final das contas, quem tá preocupada mesmo com sanidade mental das mães somos nós mesmas.

A melhor mãe possível 

Fala-se muito no meio materno em ser a melhor mãe possível. É uma forma de tentar amenizar o peso da cobrança por uma maternidade perfeita. Mas para pessoas que são perfeccionista ou competitivas, por exemplo, essa ideia de “melhor mãe possível” também pode ser bem opressora. Queremos sempre ser melhores, sempre aumentar os limites de nossas possibilidades e se a gente sabe que poderia fazer mais a melhor e só consegue ir até um determinado ponto, a sensação de fracasso e cobrança continua rondando o nosso imaginário.  Não se culpe, mulher!  Já tem um mundo inteiro pra te culpar de tudo por aí, você não precisa ser mais uma.
Às vezes a gente não faz o nosso melhor mesmo. E tá tudo bem. Foi o que deu pra fazer naquele momento e pronto. Foi o que você optou fazer naquele momento, mesmo sabendo que você poderia ter se dedicado mais. Tipo quando você opta por dar aquele lanche porcaria pra sua cria em vez de fazer uma comidinha caseira gostosa só pra ficar mais tempo na internet. Você poderia fazer melhor que isso né, você sabe. Mas naquele momento específico você não tava afim e ponto. Sem drama.

Aprendendo com os erros

Gente, criar filhos é algo que a gente aprende na base da tentativa e erro. Não tem jeito, pra todo mundo é assim. E a gente percebe bem isso quando vê, por exemplo, grandes especialistas em educação infantil passando dificuldades na criação de seus próprios filhos.  Então, não adianta: a teoria é linda, mas na prática é a relação que você estabelece com cada criança que vai indicar o caminho. Lógico, a gente aprende com os erros e tenta fazer diferente em outras oportunidades. Se você um dia bateu nas crianças em um momento de descontrole achando que isso ia resolver a situação e não deu certo, você pode optar o outro método pra atingir seu objetivo na próxima vez.
O jeito é aprender com as experiências mesmo. Não tem mistério.

Este post foi inspirado no livro Terapia do ser mãe, de Molly Wingand.  Para saber mais sobre o livro, clique aqui.


E aí, você é muito exigente consigo mesma? Como você lida com as cobranças para ser uma “boa mãe”? Conte pra gente! Compartilhe suas experiências!

Postado em 8 de maio de 2016 por Lu Bento

Dia das mães está passando batido por aqui e não é a toa. Reconheço e valorizo o nosso papel de mãe, muitas de nós merecem inúmeras homenagens por toda a garra e perseverança com que tem enfrentado esse desafio e eu as louvo por isso.

Mas a gente precisa de mais que flores, parabéns, presentinho e homenagens na escolas das crianças. Precisamos de respeito à licença-maternidade, de não-desvalorização no mercado de trabalho por sermos férteis e mães, de reconhecimento pela sociedade e pelos companheiro que cuidar dos filhos não é só tarefa da mulher, de direito ao próprio corpo e possibilidade de decidirmos não sermos mães, de creche decente pra que possamos retomar os estudos e o trabalho sem precisar esperar a cria ter idade suficiente pra ficar sozinha em casa e muito outras coisas.

Ser mãe é pesado pra caramba, é trabalho duro e mal valorizado. Não é padecer no paraíso, e mesmo se fosse, já deu pra sacar isso não representa coisa boa, né? Ser mãe é padecer na realidade da falta de empatia das pessoas, do apagamento da sua identidade que acabe sendo substituída por uma figura idealizada, “a mãe”. E ai de você se não alcança esse modelo ideal de mãe-amélia, no qual filhos vem em primeiro lugar (sem deixar a louça suja e a roupa acumular) e sempre pronta pra abrir mão do que for preciso para o “bem da família”, como é que fica? Você é julgada, massacrada pela sociedade!dia das mães

Não tô romantizando a maternidade esse ano, não tô nem em clima de comemoração. Porque se o peso da criação dos filhos cai muito mais em minhas costas, não tô aqui pra dar biscoito pra esses padrões que me oprimem.

Bom domingo para vocês. Que hoje, além de flores e presentes, vocês também ganhem descanso, e que a valorização e reconhecimento que tanto se fala neste domingo possa durar pelo menos, até os próximos dias…

E pra não dizer que no meu coraçãozinho só mora amargura e rancor, uma poesia de minha autoria pra deixar o clima mais leve (ou não!)

IDENTIDADE

No começo é gestante
Depois parturiente
Filho nasce e de repente
Deixamos de ser gente

Pros médicos é mãezinha
Pras crias, a manhê
Pro bebê é mamá
Pra escola, mãe da Naná

Se separada, é mãe solteira
Quando não, mãe largada
Se mais velha, é mãe de todos
O alicerce da negrada

E a vida vai passando
O seu nome vai sumindo
Sua pessoa, sucumbindo
A função de maternar

E a pergunta que fica
Nesse processo de

invisibilidade
Não importa a sua vontade
Não importa quem você é

Quando nasce uma mãe
Morre uma mulher

Postado em 9 de março de 2016 por Lu Bento
aldeia2 O provérbio africano que dá título ao post tem me acompanhado de diversas formas ao longo da maternidade. Primeiro porque eu me sinto muito só em ter que criar minhas meninas longe dos nossos parentes e me preocupo muito em estabelecer uma rede de suporte em casos de emergência. E também porque sabemos que uma criança não aprende e se desenvolve só a partir dos valores da sua família nuclear, a criança se relaciona com toda a comunidade. E infelizmente as pessoas ainda acham que cada pai/mãe sabe o que é melhor pra sua cria e que não é problemas delas quando pais abusam da autoridade ou são omissos na educação dos filhos.
Mas  o que eu quero mesmo dizer é que esse proverbio se tornou ainda mais significativo para mim nesta semana. A Elidy Moreira, da marca de bonecas de pano Cria Criôla, criou uma coleção de marcadores de página e nomeou de Aisha. Sim,  o nome da minha aisha-marcadorcurica mais velha! E o mais fofo: foi em homenagem a minha curiquinha! Não é lindo?  Mais lindo ainda é ver a amizade que as duas construiram, ver a afinidade que elas desenvolveram a ponto da Aisha preferir dormir no colo dela invés de ficar com os próprios pais quando estamos em algum evento trabalhando.
Esse é um vínculo muito bonito, sincero.  É reconfortante ver que a Aisha está construindo referenciais para além dos limites da parentela, que ela se inspira em outras pessoas fora do núcleo familiar e que ela, com 3 anos, já estabelece laços de amizade consistentes e acaba  trazendo novas pessoas ao nosso círculo de amizades. Porque a Elidy, a Tia Iemanjá como ela chama, é um contato que surgiu pra nós a partir da aproximação da Aisha com ela.
Tudo isso me fez refletir sobre a importância dos laços que as nossas  crianças estabelecem com outros adultos, a importância do vinculo que nossas crianças estabelecem com outros adultos independente da relação que os pais tem com essa pessoas.
Quando as nossas crianças enxergam referências positivas em outras pessoas, quando nossas meninas olham pra outras mulheres e as admiram, de uma forma totalmente diferente do modo como se dá a admiração da relação filha-mãe, é nesse momento que a gente está formando a nossa aldeia.
Perceber que um adulto de fora pode influenciar e pode ser tão importante na vida de uma criança, e que este pode ser um adulto que nem tem uma convivência cotidiana com essa criança é refletir sobre o lugar que nós ocupamos na formação de crianças negras com uma boa autoestima.
boneca negra e meninaOutro caso que me remeteu ao provérbio africano nesses últimos dias foi o de uma mulher que procurou pra contar que queria muito dar uma boneca negra para sua enteada, também negra, mas que as pessoas em volta estavam contra. Essas pessoas consideravam que poderia parecer racismo dar uma boneca negra para uma criança negra. Sem entrar no mérito que fez a moça me procurar (porque vamos tratar desse assunto em outra postagem), o fato dessa mulher querer dar uma boneca negra para uma menina negra mostra uma disponibilidade para  fornecer àquela menina objetos com os quais ela possa se identificar. É uma demonstração de interesse e preocupação em oferecer  uma boneca que pode vir a ser um mega incentivo para a menina se reconhecer e se amar como ela é. Uma mulher de fora do núcleo familiar atuando para a elevação da autoestima de uma menina negra.

 A aldeia que a gente vive

Isso é aldeia! É quando a gente se importa em ver aquela outra criança crescendo bem, com a autoestima elevada, em segurança física e psicológica, sem sofrer abusos. É quando a gente toma pra si o compromisso de colaborar que que outras crianças cresçam bem, sem se importar com as barreiras de parentesco que às vezes nos intimida e nos impede.  Todos nós somos responsáveis pela criação e pela autoestima de crianças negras. Todos nós! Inclusive você, pessoa branca que lê esse texto!
“Ah, é filho dos outros, isso não é problema meu!” É problema nosso sim! Quando eu me aldeia1arrumo, quando eu cuido do meu cabelo, quando eu escolho um brinco legal, quando eu dou um sorriso pra uma criança negra que está me olhando na rua, admirada com a minha aparência, eu estou ajudando a fortalecer a autoestima de uma criança negra. Principalmente de uma menina negra que me vê como um espelho, que projeta o seu futuro a partir da minha imagem.
Não é tão difícil assim formamos a nossa aldeia.  Agimos como uma aldeia quando, por exemplo, impedimos que pais agridam fisicamente seus filhos. Quando sorrimos  para uma criança que fica encantada vendo o nosso cabelo black ou aquele turbante superproduzido. Quando elogiamos o penteado, a textura do cabelo de uma menina crespa que está passando na rua. Quando defendemos uma criança ou adolescente que está sendo alvo de racismo/intolerância religiosa mesmo sem ter qualquer relação com essa criança/adolescente.
Somos uma aldeia quando reforçamos positivamente a negritude de crianças e jovens e quando rechaçamos publicamente qualquer ato discriminatório que essas crianças e jovens são alvos. E nessa aldeia, nossas crias podem caminhar com segurança, podem construir seus vínculos e descobrir suas referências.
É preciso uma aldeia para educar uma criança. Sejamos essa aldeia em nosso dia a dia.
Postado em 1 de janeiro de 2016 por Lu Bento
Quando eu criei o blog da mãe preta, minha ideia era escrever um pouco sobre o que penso sobre maternidade e falar um pouco sobre as meninas, coisas que eu já postava em meu perfil no facebook e que as pessoas pediam com cada vez com mais frequência. Como o ano de 2015 foi de muitos projetos, trabalho e desafios, não consegui atualizar o blog com a frequência que eu gostaria, mas tive um retorno muito gostoso na página do facebook e fico muito feliz em saber que o projeto A mãe preta tem ajudado diversas mulheres negras e suas famílias a lidar com os desafios da maternidade e do racismo em nossa sociedade.
Pra esse ano, tenho várias ideias novas e espero conseguir colocá-las em prática de alguma forma e conto com o apoio de vocês com sugestões, críticas e tudo mais para que a página e o blog continuem crescendo, ajudando e agregando diversas famílias negras.
Então, vamos às novidades!

Sorteios

sorteio do mêsHá tempos venho pensando como eu poderia dar um retorno a todo o carinho que eu recebi e recebo de vocês aqui nesse espaço. Infelizmente não tenho como dar um retorno para cada leitora e cada leitor do blog. Mas queria fazer algo, então optei por sorteios mensais. Como todos sabem, tenho uma livraria itinerante e livro é o que não falta por aqui. Além disso, com esse trabalho circulo vários eventos afros, conheci vários empreendedores que tem produtos maravilhosos e quero de alguma forma compartilhar isso com vocês. Por isso, decidi fazer todo mês um sorteio para presentear quem decidiu acompanhar e prestigiar o meu trabalho.  São brindes simples, mas são  forma que eu encontrei de retribuir o carinho que venho recebendo. Vai ter livro, boneca de pano, acessórios… enfim, um monte de coisinhas relacionadas à nossa autoestima e das nossas crianças.

Eventos

 Ano passado fizemos o Kalma Aswad no parque e foi lindo! Esse ano pretendo continuar com esse projeto, fazendo nosso piquenique no Rio de Janeiro e em São Paulo. Além disso, espero conseguir colocar em prática um projeto de um encontro de mães e crianças pretas, para que a gente possa debater as nossas questões de maternidade e negritude no mundo real também. Nossas falas precisam começar a reverberar na vida além do mundo virtual. Nossa crianças precisam conviver com outra crianças negras. E estou torcendo muito pra que tudo dê certo e esse projeto de alguma forma saia do papel.

LêproErê 

leproere-baseO LêproErê foi uma das ideias do blog que mais deu retorno, muita gente me falando dos livros, pedindo mais sugestões e quero levar a sério essa parte do blog, até porque trabalho com livros e literatura, esse e um tema transversal na minha vida, por que não me dedicar decentemente a isso? Por isso, toda quinta-feira postarei no blog uma dica de livro pra crianças ou para as mães (e pais), com temas que são recorrentes aqui no blog: maternidade, feminismo, negritude, educação e criação dos filhos.

O desenho é…

Outro sucesso no blog e na página foram as indicações de desenho animado. Comecei na página, trouxe um pouco pro blog mas acabei trabalhando mais essa parte por lá. Quero que o blog tenha um papel mais agregador nesse sentido, as informações no facebook se tornam obsoletas rapidamente e acho importante ter um espaço onde essa informação esteja mais organizada.
A proposta é toda a semana fazer um breve comentário sobre um desenho animado que tenha personagens negros, que remeta a negritude ou mesmo que trabalhe a diversidade étnica e cultural. Nossas crianças são muito influenciadas por esses programas e precismos sempre buscar alternativas aos desenhos de princesas e de heróis que não tem nenhuma preocupação com a representação da diversidade étnico-racial. E como não somos mães só de pequenininhos, a proposta é abrir espaço também para outros programas áudio-visuais para contemplar também nossos filhos já crescidinhos.

Dica da mãe preta

mulherprogramadoraA internet é um mundo e toda ora surge algo super interessante que a gente fica louca pra compartilhar e comentar. Então pensei em criar um espaço no blog para que todo mês eu possa fazer uma compilação de sites, blogs, vídeos no YouTube  e tudo mais pra recomendar. Sabemos a dificuldade que a população negra enfrenta pra conseguir dar visibilidade a seus projetos e acredito que fazendo isso eu posso contribuir um pouco coma  divulgação de novos projetos.  Essa postagem deve sair sempre ao final de cada mês.

A mãe preta convida

Ao longo de 2015 muitas pessoas me enviaram ideais de tema para postagens, mas que não pude me dedicar nem a metade deles. Além disso, nem sempre eu tenho conhecimento e informação para falar sobre determinados assuntos. Pensando nisso, e também pensando minha própria dificuldade em dar conta da demanda, quero abrir um espaço pra vocês, mães pretas!  Porque mais importante que a minha opinião sobre os temas, é a nossa união, é a nossa opinião coletiva, é a nossa troca.
Convido a todas mães pretas que acompanham a página e o blog a colaborarem com seus próprios textos, suas próprias vivências de maternidade e negritude, para que este seja realmente um espaço de troca. Para isso basta entrar em contato comigo pelo inbox do facebook ou pelo e-mail lubento@amaepreta.com.br, falando sobre o que você pretende escrever.

Glossário

glossárioNinguém é obrigado a conhecer todos os termos que usamos aqui. Por isso, decidi criar um glossário para dar uma ajudinha na compreensão de termos mais específicos e tornar os textos ainda mais acessíveis para todos.  Ainda está em construção, e em breve estará disponível para acesso.

Bom pessoal, é isso. São algumas ideias e projetos para o ano de 2016. Espero que vocês gostem e se sintam cada vez mais parte desse processo. Que 2016 possa ser um ano de muita oportunidades e desafios para nós!
Muito obrigada pelo carinho,  pela confiança e pela companhia,

Lu Bento

 

Postado em 10 de dezembro de 2015 por Lu Bento
A vida não tá fácil pra ninguém. Eu sei. Mas quando você não está bem consigo mesmo, a vida fica ainda mais difícil de se levar. É o que está rolando por aqui. Em meio a uma maré de planos frustrados, como não conseguir dar contada da pós, do blog, das crianças, do casamento, dos meus projetos pessoais… E de tudo mais que se acumula como a bagunça na minha casa, o desânimo bate, entra, senta e fica pra um cafezinho que se estende ao longo do tempo.
Pois é, ando cansada e desanimada pra caramba, sem estímulo pra nada e fazendo só o necessário pra não parar de vez. Em meio a essa sobrecarga física e emocional, aqueles cuidados básicos com a nossa autoestima vão sendo deixados de lado. Tenho que sair? Qualquer roupa limpa serve! Tenho que comer? Qualquer coisa que mate a fome rápido já dá conta. Cuidar da aparência, da saúde? Nem pensar!
Mas como isso aqui não nasceu pra ser um muro de lamentações, bora falar de coisa boa (e não é Tekpix!).
Tenho circulado muitos eventos voltados para a valorização da população negra nos últimos meses. O trabalho com ablackwomenlivraria InaLivros está muito bacana e tem nos proporcionado uma vivência muito rica neste sentido. Em geral, a mulherada vai super produzida, com a maquiagem, o cabelo, as roupas impecáveis. É um verdadeiro desfile de divas! E eu lá, toda mais ou menos, com roupa que estava  minimamente decente. No começo isso nem me incomodava, mas agora tenho prestado mais atenção nas fotos e vejo o quanto o meu visual largado pesa na minha (falta) de autoestima. Parece que eu não pertenço a esse lugar no qual as mulheres cuidam dos filhos, do próprio negócio e ainda conseguem desfilar lindas por aí. E talvez de fato não seja esse o meu universo. Mas com certeza não sou um ser totalmente avesso a ele, se fosse nada disso me incomodaria tanto.
Como já falei antes, estou em uma constante luta contra a minha falta de disposição para me produzir, me cuidar… Mas esse mês, no Odarah Bazar, aconteceu algo que me fez refletir mais sobre a minha aparência e sobre como eu tenho lidado com tudo isso. Uma amiga tem uma marca de roupas, a Camisetas Jazztopia,  e durante a montagem do evento, por um acaso, ela me mostrou um vestido lindo que ela tinha acabo de produzir. Na hora eu achei linda, mas quando ela disse ser tamanho único,  imaginei que não caberia em mim. Depois decidi provar o vestido, certa de que não caberia e morrendo de medo de alargar tentando vestir. Fui para o banheiro, e inicialmente tentei provar do cima do meu próprio vestido, já que ele não caberia em mim mesmo. Quando o vestido coube, vi que precisaria tirar o vestido e baixo pra poder ver realmente o modelo. Tirei a minha a roupa, coloquei tudo de novo e ai a magia aconteceu: eu me vi linda!
Sério, há tempos não me via assim! O vestido tem um decote que valorizou meios seios de uma forma que eu não tenho me permitido usar nos últimos anos. Seja porque eles estão grandes demais depois de ter engordado e amamentado, seja porque não dá pra usar decotes tendo que pegar criança no colo e no chão toda hora. Enfim, eu me senti maravilhosa com o vestido.

O vestido Jazztopia

jazztopia
Depois que eu vesti este vestido parece que minha energia mudou. Me sentido mais bonita, eu me senti mais confiante, mas segura. Passei a andar com a coluna ereta, com a postura melhor. Passei a falar com mais firmeza. Parecia que eu tinha voltado a ser a mesma mulher de anos atrás. E o mesmo tempo que foi reconfortante, foi revelador pra mim perceber o quanto da minha personalidade e do meu modo de ver e encarar a vida estão escondidos em uma capa de desleixo que eu insisto em usar cotidianamente.
Aquele vestido me fez perceber o quanto minha autoestima precisa ser trabalhada para que eu possa ter forças e ferramentas para conseguir alcançar alguns dos meus objetivos que foram tão negligenciados neste ano. Então eu tomei uma decisão: 2016 precisa ser um ano de retomada da minha autoestima como mulher, como mãe, como profissional, como pessoa. Preciso cuidar mais de mim. E é nesse sentido que eu pretendo trabalhar em 2016.
É difícil pensar que as curicas não podem vir em primeiro lugar nas minhas decisões, mas como cuidar delas se eu não consigo cuidar nem de mim? Já estava planejando fazer um quadro de inspirações para 2016 e esse episódio me fez decidir que meu primeiro quadro de inspirações deverá focar a minha saúde e bem estar. Isso significa que finalmente farei algo concreto para cuidar da minha saúde, bem como para melhora a minha autoestima. Isso envolve reeducação alimentar, exercícios, idas aos médicos,  cuidados com a pele, com o cabelo, com as unhas.
Assim como em 2015 eu decidi me expor mais, no sentido de não ter medo de falar o que eu penso e de ser vista pelas pessoas,  para 2016 eu decido me olhar mais. Me enxergar mais. Sei que o não-olhar para a minha aparência é uma tentativa de não ver também minhas dores e feridas internas, emocionais. E por isso mesmo acredito que o processo de cuidado estético servirá como um portal para que eu cuide também de feridas que eu cultivo consciente ou inconscientemente nos últimos anos.
Não será fácil, não será rápido, não será simples. Mas quando eu vesti aquele vestido a autoestima voltou. E eu não estou disposta a deixá-la escapar novamente.

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