Postado em 3 de outubro de 2016 por Lu Bento

No sábado passado foi eleita a Miss Brasil (nome da marca patrocinadora do evento) 2016. Mais uma miss eleita numa versão modernizada da objetificação da mulher. Sim, podemos tecer várias críticas a esse tipo de concurso. Os concursos de beleza não têm mais a mesma importância de outrora: não param o país, não tem grandes destaques na mídia, não atraem nem grandes marcas e profissionais do ramo da moda. Mais ainda existe uma tentativa de manter o glamour da competição e, por mais que a gente negue, ainda gera uma repercussão e muito assunto nas rodinhas de conversa.

                                                                                                               Lucas Ismael/Divulgação

Em 2016 percebemos um fenômeno que concentrou a atenção da comunidade negra: 6 mulheres negras foram escolhidas como misses em diferentes estados. A cada eleição de uma miss negra estadual, mais as pessoas negras se sentiam representadas. Foi um movimento muito bonito de valorização da estética negra. E isso vale muito para o fortalecimento da autoestima das pessoas negras.
Todo esse movimento de valorização da beleza negra tornou a vitória de uma mulher negra no concurso de Miss Brasil algo esperado. A estética negra está na moda, e quem valoriza isso alcança uma parcela do mercado que está sedenta maior representatividade. Diversas marcas de produtos de beleza estão lançando linhas voltadas para a pele negra e para os cabelos crespos e cacheados. Eles estão começando a enxergar o potencial desde público consumidor e a valorização das modelos negras nesse concurso de beleza é uma prova disso. O que mudou no país de 2015 para 2016 que provocou uma mudança radical no perfil das candidatas do concurso? O empoderamento da mulher negra, passando pela valorização da estética negra, dos cabelos crespos!
A primeira (e única) mulher negra a ganhar esse concurso foi Deise Nunes, em 1986. São 30 anos de concurso e só agora, a segunda mulher negra foi agraciada com o título de mulher mais bonita do país. Em um país com mais de 50% de população negra. Essa é a nossa realidade. Em 30 anos nenhuma mulher negra que passou por aquela passarela foi considera suficientemente bela para carregar a coroa de Miss Brasil. Fiz uma busca pelas candidatas aos concursos dos últimos 5 anos. Em 2015 não identifiquei nenhuma candidata negra. Em 2014, 3 candidatas negras, sendo 2 de pele escura e cabelos crespos. Não passaram da primeira fase. Em 2013, 1 candidata de pele bem escura que conseguiu o terceiro lugar. E em 2012 identifiquei 2, sendo que apenas a de cabelo alisado conseguiu uma vaga no top 10 da competição. Nesta edição, foram 6 candidatas, sendo que apenas a de pele mais escura não conseguiu fazer parte do top 15.

Não sou fiscal da negritude de ninguém, mas o resultado do concurso nos mostra qual é a beleza negra que agora está sendo valorizada. E mostra o quão recente é essa valorização. Uma beleza negra que se aproxima dos “padrões” brancos. Uma beleza negra que pode vender shampoo para cabelos cacheados, e não exige um produto específico para cabelos crespos. Que pode ocupar o espaço de pele “morena escura” na paleta de cores da maquiagem. Beleza que está na moda, na carona de todo um movimento de empoderamento da população negra. A moda se apropria de um movimento e o ressignifica, excluindo a nossa crespitude, a nossa pele carregada de melanina. É mais uma tentativa de nos dizer o que é belo, como devemos ser.

Eu sinceramente fiquei muito feliz com a vitória de Raíssa Santana. De verdade. Ela conquistou os jurados de cara, ganhou as provas de maquiagem e estilo. E fiquei mais feliz ainda com a união e a quantidade de mulheres negras participando e se destacando ao longo do concurso. Nossa beleza existe e precisa ser valorizada. Não estou aqui para desmerecer a vitória da Raíssa e a presença de todas as outra, longe disso. Minha intenção é que a gente não fique só no padrão da moda, que a gente tome esses casos como exemplo e realmente rompa barreiras, a ponto dos jornais não acharam mais natural noticiar a vitória de uma mulher negra em um concurso de beleza como algo exótico e extraordinário. Que a vitória de uma mulher negra em um concurso de beleza não seja apenas um reflexo de uma moda “black is beautiful” transitória, que só se repetirá daqui há 30 anos. Que mulheres de pele mais escura também possam ocupar esse espaço.

São 62 anos de concurso de Miss Brasil e até agora só duas mulheres negras ganharam. Que Raíssa, assim como Deise foi em 68, seja mais que uma pioneira solitária. E que a nossa estética esteja de fato sendo incluída no mercado da beleza, não como uma moda, mas como um retrato da estética da população brasileira. A Miss Brasil 2016 é uma mulher negra. Que em 2017, 2018, 2019… não seja tão inesperado tanta presença negra no Miss Brasil.

Postado em 29 de fevereiro de 2016 por Lu Bento

Gente, a internet é um mundo! Esse mês descobri umas coisas bem legais por aí, e claro, vou compartilhar com vocês! Bora começar mais um dicas da mãe preta?

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YOUTUBE -DePretas

DepretasO canal da Gabi Oliveira é uma lindeza só! Cara, estou viciadinha nele! Ela tem uma fala direta e divertida, que consegue tratar de assuntos sérios de uma forma leve, que não assusta quem não está tão conectado com a militância na questão racial. Além disso, vídeos sobre moda, cabelo, maquiagem, estilo… canal diversificado e muito divertido. A Gabi é uma graça. Apesar dela ainda não ser mãe, ela tem uns vídeos muito bons sobre maternidade, e um deles sobre não querer ter filhos, principalmente sobre filhos meninos tem me rendido muitas reflexões que em breve espero partilhar com vocês.

Onde: DePretas


Tumbrl – 100 meninas negras

100 meninas negrasAh, lá vai você falar sobre isso de novo!? Sim, vou falar porque eu estou amando o projeto, estou amando fazer essa listinha  e estou amando a repercussão que o projeto tá alcançando. Com tanto amor assim não tem como parar de falar sobre isso, não é mesmo?  Então, quem não conhece ainda, venha ver 100 livros infantis com meninas negras, é uma coletânea de indicações de livros e estou fazendo uma listinha linda e bem criteriosa. Estou lendo todos os livros pra não ficar dando dicas bobas pra vocês! <3

Onde: 100 meninas negras


Podcast – LiterárioCast

literário castO episódio 93 do LiterárioCast sobre representatividade na literatura é muito bom. O podcast todo é ótimo, eu acompanho sempre e adoro, mas esse episódio foi ainda mais legal por falar de um tema que tem muito a ver com o que a gente fala por aqui.  Eles não aprofundam na questão racial, mas falam de outros tipos de representatividade que também é importante que a gente reflita sobre.  E já que vocês vão ouvir esse episódio, indico também o episódio 92 sobre o incentivo da leitura e o episódio 88 sobre a classe social da literatura.

Onde: LiterárioCast


Site – Blogueira Negras

blogueiras negrasGente, esse já é um clássico né? Mas pra quem ainda não acompanha, corre pro site do Blogueiras Negras porque lá só tem texto bom. Tudo que a gente pensa, escrito por várias mulheres negras, cada uma na sua militância falando de política, feminismo, sexualidade, beleza, moda… o paraíso virtual das mulheres negras!

Um dos pontos mais bacanas é que o blogueiras negras dá espaço para as mulheres negras, o site valoriza a pluralidade de vozes e assuntos.

Onde: Blogueiras Negras


Netflix- The Gabby Douglas Story

Eu que não sou muito fã de filmes, aproveitei o restinho das minhas férias pra ver esse filme. Ele conta a história da ginasta americana Gabby Douglas, mostrando a vida da menina até ela se tornar o fenômeno da ginástica mundial que ela se tornou hoje. É a quela velha fórmula de filmes de superação, mas é uma menina preta né, só isso a gente se identifica e se inspira pra caramba! Eu assisti pela Netflix.

Onde: Netflix


Galera, essas foram as dicas d’A mãe preta de fevereiro.  Tem muita vida na internet além do facebook, então bora diversificar a nossa vida online!

Beijos!

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