Postado em 6 de setembro de 2016 por Lu Bento
Hoje é dia do sexo e resolvi retomar as postagens do blog falando sobre a vida sexual da mulher-mãe. Será possível continuar a ter uma vida sexual ativa e saudável depois de termos filhos? Ou depois que as crias nascem a gente entra para aquela categoria do “minha mãe não faz essas coisas?”
Postado em 19 de julho de 2016 por Lu Bento

Mães de UTI

A médica chegou e disse:

– Mãe, vamos ter que entubar essa gatinha.

Na hora eu pensei: “Entubar?  Que merda! Isso é colocar a menina em coma induzido! Isso não pode ser tão grave assim!” Mas respondi prontamente:

– Tudo bem doutora. Se isso é o melhor pra ela se recuperar, faça isso!

– Certo. Faremos o procedimento amanhã pela manhã se a saturação dela não melhorar nesta noite.

Saí do quartinho dela na UTI e fui para a copa, local onde os pais se reuniam e comiam alguma coisa nos poucos minutos que saiam do lado de filhos. Queria chorar, mas as lágrimas não viam. Me achei um pouco insensível, por nem conseguir chorar pela minha filha. Logo chegaram duas mães e me perguntaram como a minha pequena estava. Eu logo falei da entubação. Precisava compartilhar aquilo com que tinha mais experiência nessa vida de mãe de UTI.

– É melhor assim. Sedados eles deixam fazer  medicação direto e melhoram mais rápido. Bronquiolite é assim mesmo, assusta bastante mas eles logo se recuperam. Vira e mexe tem criança com bronquiolite por aqui, e logo eles tem alta. – Falou uma delas.

Na hora o meu receio foi embora. Se era o que precisava ser feito pra ela melhora, que fosse feito! No dia anterior eu tinha me impressionado bastante com a força daquelas mulheres. Uma tinha um filho com câncer em estado terminal. O menino estava lá fazendo um tratamento experimental há mais de 3 meses, na expectativa de aumentar a sua sobrevida.  A outra tinha uma bebê da idade da minha. A menina nunca tinha saído do hospital. Havia nascido prematura, não entendi direito o caso dela, mas a mãe estava bem animada com a possibilidade de ir para casa com uma estrutura de homecare nos próximos meses. maes de uti

Aquela conversa me encheu de força. Voltei no quartinho da Naíma e ela dormia calmamente, apesar da respiração ofegante e cansada. Efeito da medicação da noite. Falei pra ela que ela seria entubada, que ficaria dormindo sem se preocupar em respirar, porque uma maquinhinha faria isso por ela. Esse soninho duraria alguns dias, mas eu estaria lá com ela o tempo todo. E quando ela acordasse, ela voltaria pra casa, respirando direitinho, pra gente brincar de roda com a Aisha e o papai como no dia em que tudo isso começou.

Foi aí que eu percebi porque eu não chorava. Não existia espaço para choros e lamentações. Minha filha precisava de mim. E naquela noite, percebi de onde vinha a força daquelas mulheres que eu tanto admirava desde entrei na UTI.

 

Vivido em: Novembro de 2014

Escrito em: Julho de 2016

 

 

Postado em 25 de março de 2015 por Lu Bento

Uma das maiores preocupações da mulheres após uma gravidez é quando a menstruação irá retornar. É ótimo não precisar se preocupar com absorventes enquanto cuidamos de um bebê pequeno e, sem dúvida, não menstruar te dá muito mais liberdade.  Mas a gente sempre fica encucada enquanto ela não vem, pensando naquela possibilidade do método anticoncepcional ter falhado e estarmos grávidas novamente.  Principalmente se você for uma pessoa desatenta como eu. Mas um dia ela finalmente volta.

Minha menstruação voltou. Depois de 1 ano  do nascimento da curiquinha. Por que eu tô falado disso? Porque a volta da minha menstruação é um simbolo de uma nova fase na minha vida. Eu estive quase que  totalmente focada em cuidar das meninas no último ano. Mesmo não me dedicando exclusivamente aos cuidados delas, meu foco principal era promover o bem-estar e atender as necessidades básicas delas.

Biologicamente, quando a gente diminui o número de mamadas a menstruação tende a voltar. Mini Bentia já fazia aleitamento misto desde o nascimento, praticamente. Mas mesmo assim mamava  no  seio dia e noite em casa durante todo o tempo da nossa licença maternidade. Com quase 6 meses ela foi pra creche, e passou a mamar só durante a noite.

Quando isso acontece já se espera que o corpo entenda que é hora de voltar a menstruar. Mas o meu corpo resolveu colaborar comigo e me deixar curtir a liberdade de não precisar pensar em absorventes.

Quando esteve internada pela primeira vez ficou pelo menos 15 dias sem mamar no peito. O leite vazou do seio por 1 ou 2 dias e depois parou. Não ordenhei, não fiz mais nada e quando ela pode mamar, ela simplesmente meteu o peito na boca e mamou. Ainda tinha leite. Fiquei esperando a menstruação pra qualquer dia naquele período. Ela não veio.

Depois da segunda internação, Mini Bentia parou de mamar voluntariamente por uma semana. Não aceitava o peito por nada. Achei que ela tivesse largado. Achei que iria voltar a menstruar.  Nem Mini Bentia deixou o peito nem a menstruação voltou.

Lógico que não menstruar estava sendo maravilhoso. Mas a ausência da menstruação sempre deixa um clima de tensão no ar e definitivamente uma nova gravidez agora não faz parte dos meus planos. Eu não via justificativa pra tanta demora no retorno dela se a frequência de amamentação era totalmente irregular.

O fato dela ter voltado agora, justamente quando eu voltei a estudar,  tenho passado um tempo de qualidade longe das meninas e voltei a ser alguém além de uma mãe tem um valor simbólico bem interessante. Vejo a volta dos meus ciclos como a mãe dando espaço para o retorno da mulher. E uma mulher mais consciente do seu corpo, dos seus processos internos, dos seus sentimentos, das suas demandas e quereres.

Eu não pude reparar muito bem na primeira vez como a menstruação muda após o parto. Realmente, a gente se torna outra mulher. Se a duração do ciclo  e o fluxo menstrual era de um jeito, nada garante que será o mesmo após o parto. Você pode voltar a ter cólicas ou não. Acho que até a TPM muda. Você precisa redescobrir.

Enquanto eu esperava Mini Bentia li uma reportagem sobre um pessoal que fazia reverências àmenstruação2 menstruação. Não lembro direito pra dar a bibliografia, mas basicamente dizia que a menstruação é sagrada. Devo estar bem influenciada por essas ideias, aliada à vontade de experimentar o coletor menstrual, sei lá.

Já menstruei muito na minha vida, mas nunca tinha gostado tanto de perceber que eu estava menstruada. Por sorte, apesar de toda a minha desorganização nesse sentido, eu tinha todos os apetrechos necessários pra não ficar numa situação constrangedora na rua.

Postado em 9 de dezembro de 2014 por Lu Bento

Bombonzinho

Mini Bentia está internada com bronquiolite. Estamos em um hospital particular, em uma região valorizada da cidade. Não é uma região rica, mas é uma região de uma classe média bem de vida.

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