Postado em 5 de agosto de 2018 por Lu Bento

Hoje no LêproErê um livro para jovens de todas as idades. Muitas pessoas me perguntam sobre livros com protagonismo negro para jovens, e eu conheço muito poucos. E em se tratando de livros com autoria africana então, menos ainda. Mas nem tudo está perdido, não é mesmo? Conheça o livro do LêproErê de hoje.

 

Esperança para Voar

Esperança para voar

Autora: Rutendo Tavengerwei

Editora: Kapulana

Tradução: Carolina Fachin

Onde encontrar: Amazon| Kapulana

SinopseEsperança para voar, de Rutendo Tavengerwei, jovem escritora do Zimbábue, é a história de superação e amizade de duas adolescentes, Shamiso e Tanyaradzwa. Shamiso retorna com a mãe do Reino Unido para o Zimbábue, após a morte do pai, jornalista de oposição ao regime ditatorial da época. Tanyaradzwa, sua grande amiga, luta contra o câncer. O cenário é o Zimbábue, em 2008, ano de grave crise política nesse país africano. A narrativa é emocionante e mostra como duas jovens procuram compreender uma realidade tão brutal, e como aprendem a lutar contra adversidades sem perder a sensibilidade.

 

Você já parou pra pensar como é ser adolescente na África? A África é diversa demais para que possamos ter uma representação geral de adolescência no continente. Então, que tal tentar lembrar o que você sabe sobre o modo de vida dos jovens no Zimbábue? Difícil né? É porque ainda temos uma visão muito estereotipada e exotificada dos países africanos que esse livro é uma excelente opção para adolescentes. A partir de uma premissa comum dos romances Young Adults (adaptação a grande  mudanças na vida, enfrentamento de uma doença grave), Rutendo traz a vida cotidiana do Zimbábue, mostrando com sensibilidade e muita assertividade o impacto das questões políticas na vida dos jovens.

Esperança para Voar é uma história que me arrebatou e que me faz olhar com novos olhos para a literatura voltada para o público jovem. Mais que um festival de clichês e de situações que de forte apelo emocional, essa literatura pode introduzir vários elementos para o universo jovem que, talvez, sejam pouco atraente em um primeiro momento. Rutendo fala em seu livro sobre a situação política do Zimbábue em 2008, que vive o ápice de uma crise política, econômica e social que até hoje causa impactos no país. O assunto, que passou batido por mim nos noticiários da época, é pano de fundo da história e tem grande impacto na vida das personagens. Lendo o livro agora em 2018 eu me interessei em compreender o que se passava e fui pesquisar mais sobre a história e a política do país. Sei que esse meu movimento não foi só motivado pelo meu amadurecimento ao longo desses 10 anos. Foi o contexto da narrativa e as implicações da política na vida das personagens que me fizeram pesquisar sobre tudo que aconteceu por lá. O livro denuncia uma situação em meio a uma bem construida história, e hoje eu acredito que essa seja uma das melhores formas de gerar interesse e empatia de quem não vive a situação.

Eu escrevi a orelha de apresentação da edição brasileira do  livro e uma resenha que vocês podem ler lá no site da editora. Além disso, está rolando um sorteio lá nosso instagram de dois exemplares do livro, então aproveitem! A Rutendo está no Brasil esta semana para conversar com os leitores brasileiros. Dia 7/08 ela estará no Sesc Avenida Paulista  às 19h conversando comigo e com a Bianca Gonçalves do Leia Mulheres Negras. E dia 9/09 ela estará na Bahia, na FLIPELÔ, conversando com a historiadora Luiza Reis às 18h no Teatro Sesc-Senac.

 

 

Dica de Série

Se você se interessa por esse tema de adolescentes superando o câncer e o poder da amizade nesse processo, assista a série Alexa e Katie, na Netflix. Alexa é uma menina que está enfrentando um câncer, mas não quer se deixar abater pela doença e tenta levar uma vida normal na escola. Sua amiga Katie faz de tudo pra ajudar Alexa nesse processo, sempre apoiando a amiga. Apesar do tema denso, a série é muito divertida e rende boas risadas, além de ter passagens muito emocionantes.


Se você gostou desse livro e quer adquirir, compre pelo nosso link da Amazon e ajude na manutenção do AMP.

 

 

Postado em 9 de julho de 2018 por Lu Bento

Uma das coisas mais legais de ser blogueira é a oportunidade de conhecer e compartilhar coisas interessantes com vocês. Esses dias conheci um programa online gratuito para pais que compartilham sabers afetivos e medicinais sobre saúde integral dos bebês. Quando ainda não somos mães e pais, parece muito natural cuidar de um bebê. Tipo, aquela coisa de instinto animal, é natural cuidar de um filhote, certo?higiene do bebê

Mais ou menos. São tantas as mudanças quando esperamos um bebê que ninguém está realmente preparado para tudo isso.  A rotina se torna diferente, são inúmeras descobertas diárias, tudo isso com aquele tempero de desafios e fortes emoções. É gente, bebê em casa não é só passeio no parque e soneca da tarde não!

A chegada do bebê – precisamos de ajuda

Bebê não vem com manual (infelizmente). E hoje em dia as nossas redes de apoio estão cada vez mais esporádidas. São cada vez mais raros os casos de que mães recém-nascidas tem aquele monte de avós, tias ou amigas com mais experiência que dão aquele apoio no comecinho da vida daquela família. Ficamos imersos em dúvidas e inseguranças que são fruto de uma pressão social que ignora as diferentes formas possíveis de cuidado e afeto. Será que tô fazendo certo? Aprendi desse jeito, mas estão falando que é daquele outro jeito, e agora?

A internet está aí pra preencher aquele vazio de informação e de apoio moral que fica quando estamos higiene do bebê - imagem de divulgação Sikanacom um bebezinho e não temos a menor ideia se estamos cuidado direito ou não. A internet é uma ferramenta para que pais e mães recém-nascidos troquem experiências com outras famílias, encontrem apoio e aprendam a lidar com as expectativas, dúvidas e medos, que são totalmente naturais nesse período de adaptação ( e durante toda a vida, porque nosso estado de espírito não muda muito com o passar do tempo, viu…). E aos poucos vamos fortalecendo a nossa confiança e construindo o conhecimento sobre os processos que envolvem os cuidados nos primeiros dias.

Eu tive ajuda da família na chegada das curicas, mas tenho vontade de ter mais um bebê e sei que vai ser bem difícil ter alguém além do meu marido para dar um suporte. Moramos longe da família, e dessa vez, nossa vida já está muito estruturada aqui, não podemos ir pra perto dos parentes para termos um suporte. Então, tenho pensado muito em alternativas para me ajudar a relembrar o que fazer e como fazer, porque cada bebê é um novo ser, e precisamos aprender a melhor forma de lidar com essa relação específica. Pensando nisso, fiquei muto empolgada quando soube do projeto Cuidado e Higiene do Bebê e não poderia deixar de compartilhar isso com vocês!

Projeto Cuidado e  Higiene do Bebê

A Sikana, uma organização que produz e distribui conteúdo audiovisual com o objetivo de acelerar a transmissão de conhecimentos educativos, lançou em junho um programa online sobre Cuidado e Higiene do Bebê, em parceria com o projeto Saúde da Criança e a marca Granado, além de vários apoiadores que dão um sinal da qualidade do trabalho.

Gente, são uns vídeos lindos sobre diferentes temas que podem nos auxiliar nos cuidados nos primeiros dias.  São 19 vídeos bem curtinhos, de cerca de 3 minutos, que falam sobre cuidados com bebês de uma forma bem carinhosa e delicada, em perder o embasamento teórico necessários, nem o respeito à diversidade das famílias.higiene do bebe - imagem de divulgação Sikana

Uma das coisas que eu mais gostei dos vídeos foi a diversidade de perfis familiares, incluindo aí muitas famílias negras. Que delícia ver um conteúdo que nos contempla não só como público-alvo, mas como produtores de saberes também.  Os vídeos são divididos em categorias como Relações Afetivas entre pais e bebê, Higiene e bebê e Cuidados com o bebê.

Pra vocês sentirem o gostinho desses vídeos lindos sobre os cuidados com o bebê, acompanhe esse vídeo sobre higiene íntima no qual um pai preto fala dos cuidados com os bebês meninos e meninas.

Lindo demais não é? Se você se interessou por esse conteúdo e quer ter acesso aos outros vídeos direto no site do Sikana para download, e também no YouTube. Vale muito a pena conhecer esse trabalho e acompanhar toda a série de vídeos, tanto para aprender sobre cuidados com os bebês, quanto pra encher seu dia de fofura e boas notícias.

Postado em 8 de julho de 2018 por Lu Bento

Cuidar do próprio corpo é um aprendizado básico de qualquer ser humano. Às vezes é bem complicado saber quando e como falar sobre isso com as crianças, principalmente para que a relação com o próprio corpo não seja permeada por traumas e medos.

É natural que nesse periodo de descoberta, crianças perguntem e façam coisas que consideramos constrangedoras. Nós, adultos, já estamos condicionados a pensar que alguns coisas são inadequadas de serrem faladas  na frente de outras pessoas e esse condicionamento acaba se refletindo na educação de nossos filhos quando cortamos determinados assuntos e os tratamos como tabu.

Nosso trabalho, como pais e educadores, é ensinar a autoproteção aos nossos filhos, ou seja, é fornecer ferramentas para que as crianças conheçam seus corpos e saibam como se cuidar e se proteger. Essa dimensão da educação sexual na infância é fundamental para que a criança cresça conhecendo seu corpo, sabendo se cuidar e se proteger.

É natural a percepção das diferenças pelas crianças e, em geral, tudo isso é reflexo de uma curiosidade natural, uma vontade de compreender o mundo. Muitos dos adultos de não tiveram a oportunidade de aprender sobre o próprio corpo de maneira franca e direta com os pais. Por isso, é tão difícil estabelecermos essa diálogo com os filhos. Quando é uma mãe conversando com um filho ou um pai conversando com uma filha então, a situação fica ainda mais complicada. Ainda somos permeados por tabus e valores que nos impedem de estabelecer uma relação sincera com o nosso corpo. Não pode ver, não pode tocar, não pode falar sobre o assunto. O proibido e o imoral rondam esse tema e nos silencia sobre tudo isso.

Já pararam pra pensam que até mesmo os brinquedos assexuados são sinais desse silenciamento? Bonecas sem vagina, bonecos sem pênis, seios sem mamilos. Nosso corpos são mutilados nos brinquedos numa tentativa de omitir as partes íntimas e uma identificação das crianças. Como se a naturalidade dos nossos corpos fossem nocivas à infância.

Que corpo é esse?

 

Esses dias descobrir uma ferramenta maravilhosa para auxiliar os pais no diálogo sobre questões relacionadas ao corpo. O canal Futura  exibe uma série chamada Que corpo é esse? no qual uma família interracial vive situações  relacionada ao corpo e traz um conteúdo maravilhoso para ajudar nos diálogos sobre diferenças físicas entre meninos e meninas, cuidados com o corpo, higiene e masturbação, entre vários outros temas. O interessante é que a série mostra as crianças realmente peladas quando estão falando das partes íntimas, fomentando um diálogo franco sobre o assunto.

A série é totalmente voltada para famílias, com linguagem acessível para crianças e com uma curadoria de conteúdo excelente.  Por isso, a série aborda os direitos sexuais e autoproteção destinada à três faixas etárias de público: 0 a 6 anos; 7 a 13 anos; e 14 a 18 anos. Ariel e Dandara são as crianças mais novas, e quando eles são os protagonistas da história, utilizam termos como pipi e pepeka que é como as crianças menores conhecem as partes íntimas. Quando fala de puberdade, os protagonistas são Cauã e Tainá e são utilizados termos como pênis e vagina, mostrando para as crianças mais velhas a nomenclatura das partes íntimas de maneira natural. Pra quem tem adolescentes, a série aborda questões de identidade de gênero, relações sexuais e assédio, por exemplo. Tudo isso sem moralismos.

A série é produção do Canal Futura em parceria com a Childhood Brasil e o Unicef, é foi criada com muito cuidado por profissionais dedicados a pensar os processos psicológicos e físicos relacionados à consciência corporal, respeitando as necessidades de carinho e de aceitação das crianças e dos jovens e as diferentes dimensões das trocas afetivas.

Os episódios passam no canal Futura nos intervalos da programação, mas é possível assistir direto no YouTube ou no Futuraplay.

 

Primeira infância e sexualidade

 

Aqui em casa ainda vivo as experiências da primeira infância. Por ser mãe de duas meninas, a preocupação em não tornar a sexualidade delas um tabu é ainda mais latente. Como deixar que elas descubram o corpo com liberdade e sem repressões, mas também auxiliá-las na autopreservação? Como é difícil saber até como falar sobre isso, sem tolher as experiências e sensações das meninas se a minha própria visão está condicionada por valores e regras internalizados ao longo de toda a minha vida?

Sexualidade não é sexo. Então o melhor mesmo é não se assustar com as manifestações curiosidade das crianças e tentar responder da melhor maneira possível as perguntas que surgem nesse período, além de orientar para que práticas naturais, como a masturbação infantil,  não sejam proibidas ou demonizadas.

Como mãe de meninas negras, não posso simplesmente ignorar tudo isso e deixar que elas aprendam com a vida. Mulheres negras tendem a ser hipersexualizadas e estarem mais vulneráveis a situações de abuso. A gente nunca pode perder de vista as estatísticas quando pensa educação de crianças negras. Por isso, é preciso adotar uma postura ativa, se antecipar os problemas e se dedicar à prevenção.

Esse processo de descoberta é inerente e natural do ser humano. Quanto mais a gente trata esse tema com subterfúgios e melindres, mais complicada é a forma como as crianças internalizam essas questões na relação com o próprio corpo. Quantos de nós, adultos, temos hoje inúmeras questões com o nosso próprio corpo, sexualidade e expressão do prazer porque que internalizamos diversos tabus?

Não tenho respostas definitivas sobre como agir nessa período de descobertas. Sei que não vale a pena reprimir as descobertas do corpo e que as crianças precisam saber cada vez mais sobre autocuidado e autoproteção. E que cada vez mais existem ferramentas para nos ajudar a lidar com essa questão, que não deve ser jogada para debaixo do tapete.

 

 

 

 

 

Postado em 6 de setembro de 2016 por Lu Bento
Hoje é dia do sexo e resolvi retomar as postagens do blog falando sobre a vida sexual da mulher-mãe. Será possível continuar a ter uma vida sexual ativa e saudável depois de termos filhos? Ou depois que as crias nascem a gente entra para aquela categoria do “minha mãe não faz essas coisas?”
Postado em 19 de julho de 2016 por Lu Bento

Mães de UTI

A médica chegou e disse:

– Mãe, vamos ter que entubar essa gatinha.

Na hora eu pensei: “Entubar?  Que merda! Isso é colocar a menina em coma induzido! Isso não pode ser tão grave assim!” Mas respondi prontamente:

– Tudo bem doutora. Se isso é o melhor pra ela se recuperar, faça isso!

– Certo. Faremos o procedimento amanhã pela manhã se a saturação dela não melhorar nesta noite.

Saí do quartinho dela na UTI e fui para a copa, local onde os pais se reuniam e comiam alguma coisa nos poucos minutos que saiam do lado de filhos. Queria chorar, mas as lágrimas não viam. Me achei um pouco insensível, por nem conseguir chorar pela minha filha. Logo chegaram duas mães e me perguntaram como a minha pequena estava. Eu logo falei da entubação. Precisava compartilhar aquilo com que tinha mais experiência nessa vida de mãe de UTI.

– É melhor assim. Sedados eles deixam fazer  medicação direto e melhoram mais rápido. Bronquiolite é assim mesmo, assusta bastante mas eles logo se recuperam. Vira e mexe tem criança com bronquiolite por aqui, e logo eles tem alta. – Falou uma delas.

Na hora o meu receio foi embora. Se era o que precisava ser feito pra ela melhora, que fosse feito! No dia anterior eu tinha me impressionado bastante com a força daquelas mulheres. Uma tinha um filho com câncer em estado terminal. O menino estava lá fazendo um tratamento experimental há mais de 3 meses, na expectativa de aumentar a sua sobrevida.  A outra tinha uma bebê da idade da minha. A menina nunca tinha saído do hospital. Havia nascido prematura, não entendi direito o caso dela, mas a mãe estava bem animada com a possibilidade de ir para casa com uma estrutura de homecare nos próximos meses. maes de uti

Aquela conversa me encheu de força. Voltei no quartinho da Naíma e ela dormia calmamente, apesar da respiração ofegante e cansada. Efeito da medicação da noite. Falei pra ela que ela seria entubada, que ficaria dormindo sem se preocupar em respirar, porque uma maquinhinha faria isso por ela. Esse soninho duraria alguns dias, mas eu estaria lá com ela o tempo todo. E quando ela acordasse, ela voltaria pra casa, respirando direitinho, pra gente brincar de roda com a Aisha e o papai como no dia em que tudo isso começou.

Foi aí que eu percebi porque eu não chorava. Não existia espaço para choros e lamentações. Minha filha precisava de mim. E naquela noite, percebi de onde vinha a força daquelas mulheres que eu tanto admirava desde entrei na UTI.

 

Vivido em: Novembro de 2014

Escrito em: Julho de 2016

 

 

Postado em 25 de março de 2015 por Lu Bento

Uma das maiores preocupações da mulheres após uma gravidez é quando a menstruação irá retornar. É ótimo não precisar se preocupar com absorventes enquanto cuidamos de um bebê pequeno e, sem dúvida, não menstruar te dá muito mais liberdade.  Mas a gente sempre fica encucada enquanto ela não vem, pensando naquela possibilidade do método anticoncepcional ter falhado e estarmos grávidas novamente.  Principalmente se você for uma pessoa desatenta como eu. Mas um dia ela finalmente volta.

Minha menstruação voltou. Depois de 1 ano  do nascimento da curiquinha. Por que eu tô falado disso? Porque a volta da minha menstruação é um simbolo de uma nova fase na minha vida. Eu estive quase que  totalmente focada em cuidar das meninas no último ano. Mesmo não me dedicando exclusivamente aos cuidados delas, meu foco principal era promover o bem-estar e atender as necessidades básicas delas.

Biologicamente, quando a gente diminui o número de mamadas a menstruação tende a voltar. Mini Bentia já fazia aleitamento misto desde o nascimento, praticamente. Mas mesmo assim mamava  no  seio dia e noite em casa durante todo o tempo da nossa licença maternidade. Com quase 6 meses ela foi pra creche, e passou a mamar só durante a noite.

Quando isso acontece já se espera que o corpo entenda que é hora de voltar a menstruar. Mas o meu corpo resolveu colaborar comigo e me deixar curtir a liberdade de não precisar pensar em absorventes.

Quando esteve internada pela primeira vez ficou pelo menos 15 dias sem mamar no peito. O leite vazou do seio por 1 ou 2 dias e depois parou. Não ordenhei, não fiz mais nada e quando ela pode mamar, ela simplesmente meteu o peito na boca e mamou. Ainda tinha leite. Fiquei esperando a menstruação pra qualquer dia naquele período. Ela não veio.

Depois da segunda internação, Mini Bentia parou de mamar voluntariamente por uma semana. Não aceitava o peito por nada. Achei que ela tivesse largado. Achei que iria voltar a menstruar.  Nem Mini Bentia deixou o peito nem a menstruação voltou.

Lógico que não menstruar estava sendo maravilhoso. Mas a ausência da menstruação sempre deixa um clima de tensão no ar e definitivamente uma nova gravidez agora não faz parte dos meus planos. Eu não via justificativa pra tanta demora no retorno dela se a frequência de amamentação era totalmente irregular.

O fato dela ter voltado agora, justamente quando eu voltei a estudar,  tenho passado um tempo de qualidade longe das meninas e voltei a ser alguém além de uma mãe tem um valor simbólico bem interessante. Vejo a volta dos meus ciclos como a mãe dando espaço para o retorno da mulher. E uma mulher mais consciente do seu corpo, dos seus processos internos, dos seus sentimentos, das suas demandas e quereres.

Eu não pude reparar muito bem na primeira vez como a menstruação muda após o parto. Realmente, a gente se torna outra mulher. Se a duração do ciclo  e o fluxo menstrual era de um jeito, nada garante que será o mesmo após o parto. Você pode voltar a ter cólicas ou não. Acho que até a TPM muda. Você precisa redescobrir.

Enquanto eu esperava Mini Bentia li uma reportagem sobre um pessoal que fazia reverências àmenstruação2 menstruação. Não lembro direito pra dar a bibliografia, mas basicamente dizia que a menstruação é sagrada. Devo estar bem influenciada por essas ideias, aliada à vontade de experimentar o coletor menstrual, sei lá.

Já menstruei muito na minha vida, mas nunca tinha gostado tanto de perceber que eu estava menstruada. Por sorte, apesar de toda a minha desorganização nesse sentido, eu tinha todos os apetrechos necessários pra não ficar numa situação constrangedora na rua.

Postado em 9 de dezembro de 2014 por Lu Bento

Bombonzinho

Mini Bentia está internada com bronquiolite. Estamos em um hospital particular, em uma região valorizada da cidade. Não é uma região rica, mas é uma região de uma classe média bem de vida.

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