Postado em 8 de julho de 2018 por Lu Bento

Cuidar do próprio corpo é um aprendizado básico de qualquer ser humano. Às vezes é bem complicado saber quando e como falar sobre isso com as crianças, principalmente para que a relação com o próprio corpo não seja permeada por traumas e medos.

É natural que nesse periodo de descoberta, crianças perguntem e façam coisas que consideramos constrangedoras. Nós, adultos, já estamos condicionados a pensar que alguns coisas são inadequadas de serrem faladas  na frente de outras pessoas e esse condicionamento acaba se refletindo na educação de nossos filhos quando cortamos determinados assuntos e os tratamos como tabu.

Nosso trabalho, como pais e educadores, é ensinar a autoproteção aos nossos filhos, ou seja, é fornecer ferramentas para que as crianças conheçam seus corpos e saibam como se cuidar e se proteger. Essa dimensão da educação sexual na infância é fundamental para que a criança cresça conhecendo seu corpo, sabendo se cuidar e se proteger.

É natural a percepção das diferenças pelas crianças e, em geral, tudo isso é reflexo de uma curiosidade natural, uma vontade de compreender o mundo. Muitos dos adultos de não tiveram a oportunidade de aprender sobre o próprio corpo de maneira franca e direta com os pais. Por isso, é tão difícil estabelecermos essa diálogo com os filhos. Quando é uma mãe conversando com um filho ou um pai conversando com uma filha então, a situação fica ainda mais complicada. Ainda somos permeados por tabus e valores que nos impedem de estabelecer uma relação sincera com o nosso corpo. Não pode ver, não pode tocar, não pode falar sobre o assunto. O proibido e o imoral rondam esse tema e nos silencia sobre tudo isso.

Já pararam pra pensam que até mesmo os brinquedos assexuados são sinais desse silenciamento? Bonecas sem vagina, bonecos sem pênis, seios sem mamilos. Nosso corpos são mutilados nos brinquedos numa tentativa de omitir as partes íntimas e uma identificação das crianças. Como se a naturalidade dos nossos corpos fossem nocivas à infância.

Que corpo é esse?

 

Esses dias descobrir uma ferramenta maravilhosa para auxiliar os pais no diálogo sobre questões relacionadas ao corpo. O canal Futura  exibe uma série chamada Que corpo é esse? no qual uma família interracial vive situações  relacionada ao corpo e traz um conteúdo maravilhoso para ajudar nos diálogos sobre diferenças físicas entre meninos e meninas, cuidados com o corpo, higiene e masturbação, entre vários outros temas. O interessante é que a série mostra as crianças realmente peladas quando estão falando das partes íntimas, fomentando um diálogo franco sobre o assunto.

A série é totalmente voltada para famílias, com linguagem acessível para crianças e com uma curadoria de conteúdo excelente.  Por isso, a série aborda os direitos sexuais e autoproteção destinada à três faixas etárias de público: 0 a 6 anos; 7 a 13 anos; e 14 a 18 anos. Ariel e Dandara são as crianças mais novas, e quando eles são os protagonistas da história, utilizam termos como pipi e pepeka que é como as crianças menores conhecem as partes íntimas. Quando fala de puberdade, os protagonistas são Cauã e Tainá e são utilizados termos como pênis e vagina, mostrando para as crianças mais velhas a nomenclatura das partes íntimas de maneira natural. Pra quem tem adolescentes, a série aborda questões de identidade de gênero, relações sexuais e assédio, por exemplo. Tudo isso sem moralismos.

A série é produção do Canal Futura em parceria com a Childhood Brasil e o Unicef, é foi criada com muito cuidado por profissionais dedicados a pensar os processos psicológicos e físicos relacionados à consciência corporal, respeitando as necessidades de carinho e de aceitação das crianças e dos jovens e as diferentes dimensões das trocas afetivas.

Os episódios passam no canal Futura nos intervalos da programação, mas é possível assistir direto no YouTube ou no Futuraplay.

 

Primeira infância e sexualidade

 

Aqui em casa ainda vivo as experiências da primeira infância. Por ser mãe de duas meninas, a preocupação em não tornar a sexualidade delas um tabu é ainda mais latente. Como deixar que elas descubram o corpo com liberdade e sem repressões, mas também auxiliá-las na autopreservação? Como é difícil saber até como falar sobre isso, sem tolher as experiências e sensações das meninas se a minha própria visão está condicionada por valores e regras internalizados ao longo de toda a minha vida?

Sexualidade não é sexo. Então o melhor mesmo é não se assustar com as manifestações curiosidade das crianças e tentar responder da melhor maneira possível as perguntas que surgem nesse período, além de orientar para que práticas naturais, como a masturbação infantil,  não sejam proibidas ou demonizadas.

Como mãe de meninas negras, não posso simplesmente ignorar tudo isso e deixar que elas aprendam com a vida. Mulheres negras tendem a ser hipersexualizadas e estarem mais vulneráveis a situações de abuso. A gente nunca pode perder de vista as estatísticas quando pensa educação de crianças negras. Por isso, é preciso adotar uma postura ativa, se antecipar os problemas e se dedicar à prevenção.

Esse processo de descoberta é inerente e natural do ser humano. Quanto mais a gente trata esse tema com subterfúgios e melindres, mais complicada é a forma como as crianças internalizam essas questões na relação com o próprio corpo. Quantos de nós, adultos, temos hoje inúmeras questões com o nosso próprio corpo, sexualidade e expressão do prazer porque que internalizamos diversos tabus?

Não tenho respostas definitivas sobre como agir nessa período de descobertas. Sei que não vale a pena reprimir as descobertas do corpo e que as crianças precisam saber cada vez mais sobre autocuidado e autoproteção. E que cada vez mais existem ferramentas para nos ajudar a lidar com essa questão, que não deve ser jogada para debaixo do tapete.

 

 

 

 

 

Postado em 19 de julho de 2017 por Lu Bento

Fala Galera!

A Netflix é um mundo, não é mesmo? Estamos em um ritmo bem devagar de eventos por aqui e eu estou em um momento mais recolhida mesmo, recusando diversos convites pra passear por aí e preferindo ficar no meu cantinho. Com isso, a Netflix é a minha companheira fiel, junto com uma xícara de chá de morango e uma barra de chocolate. Somos o quarteto fantástico desse inverno.

A Netflix percebeu vale muito a pena trazer pro catálogo brasileiros obras diferentes do senso comum. Então podemos encontrar lá várias  produções negras e de várias nacionalidades que raramente chegavam até o público brasileiro. Em junho entrou  no catálogo uma leva de produções coreanas e eu acabei assistindo algumas.

Hoje eu quero falar com vocês sobre elas. Nunca pensei que eu fosse ficar tão interessada na cultura coreana. E na verdade, nem sou tão fã assim, não  ouço K-pop ou  assisto as séries e animes mas famosos,  mas fiquei viciada em alguma séries sobre famílias.

Antes, quero falar que a minha atenção se voltou pra Coréia do Sul depois que o conheci o canal do Youtubecoreanissima Coreaníssima, de uma jovem coreana que passou uma temporada aqui no Brasil, aprendeu português  e mantém esse canal voltado pro público brasileiro Lá ela fala sobre a Coréia do Sul e faz relações e comparações com o Brasil. Não sei bem como cheguei até ela, provavelmente zapeando por canais de estrangeiros falando sobre o Brasil, e gostei do modo como ela se expressa, da desenvoltura e do nome escolhido por ela no Brasil, Helena, o mesmo das minhas filhas. São motivos meio aleatórios para começar a acompanhar um canal, mas acabou despertando em mim esse interesse em conhecer mais sobre a Coréia do Sul e hoje eu sigo o Coreaníssima e acompanho todos os seus vídeos.

Quando as séries coreanas chegaram na Netflix, fiquei curiosa em ver a produções. Nunca fui de ver muitos animes e de saber sobre as culturas orientais, mas sei lá, provavelmente meio nostálgica me lembrando de Jaspion e companhia (mesmo sabendo ser uma heresia misturar Japão e Coréia no mesmo balaio), resolvi procurar alguma pra assistir…

Até agora assisti apenas 2 séries inteiras. Parece pouco, mas essas séries entraram no catálogo em junho e eu faço um monte de coisas da vida além de assistir séries. Então dizer que eu assisti 2 séries inteiras significa que eu surtei e maratonei acompanhando séries coreanas quando eu deveria estar fazendo outras coisas, inclusive dormindo.

Sem mais enrolação, vamos às séries:

Minha Bebezinha

Minha BebezinhaGente, que série maneira! Eu fiquei totalmente viciada nesse série e em toda a sua tosqueira. Porque essas séries orientais tem uma pegada bem tosca né? Essa série não é diferente.

Fiquei frustrada em não ter dublagem em português porque Isha Bentia é minha parceira de Netflix e eu adoraria assistir essa série com ela. Ela até assistiu muitos episódios comigo, mas sem conseguir acompanhar o que está sendo dito fica bem chato. A série é bem leve, super acessível pra crianças. Um programa pra toda a família.

Basicamente a série é sobre um cara que é um policial super reconhecido e precisa cuidar da sobrinha de meses após a morte da irmã e do cunhado. A trama toda da série se desenvolve a partir dessa situação e esse cara durão vai se transformando em paizão ao longo da série.

Tem muito dessa coisa de supervalorizar a transformação do cara diante da criação de um criança como se uma fralda trocada por um homem fosse um grande feito e, por uma mulher, apenas mais uma obrigação. Mas  dá pra problematizar e e divertir ao mesmo tempo.   A série mostra um pouco desse universo da maternidade e do cuidados com as crianças e é bem interessante ver como a maternidade é vivenciada em outras culturas.

 Uma das dificuldades que tive no começo foi acompanhar quem era quem. Eu não estou acostumada a ver tantos coreanos, muito meno com os nomes e reconhecer as personagens foi bem difícil no começo. Outra dificuldade é que as mães são conhecidas pelo nome dos filhos, então é mãe de Fulano pra lá, mãe de Sicrana pra cá  e eu fiquei perdidinha no começo. A ordem que  nome aparece na legenda também confunde: primeiro o sobrenome depois o nome. São tantas diferenças culturais que assistir uma série assim acaba sendo um exercício de olhar de outra forma para culturas diferentes da nossa,  tentar compreender as especificidades de cada povo.

Ah, pra quem curte aqueles romances complicados, que o casal principal sempre tem um impedimento pra ficar junto, essa embromation rola durante a série (de uma maneira bem fofa). Essa parte é bem novela mexicana, sabe? Fiquei bem surpresa!

Melhor da série: Atenção especial às barrigas de grávida. Parece zueira, e provalvemente é, mas eles retratam as grávidas com uma almofada da barriga! Os partos também seguem a linha bem pastelão.

Love in her bag

love in her bagEsse é mais um dorama que me pegou de jeito na Netflix.  É a história de duas primas com ambições bem diferentes na vida que se tornam rivais. A série começa na infância e vai até a vida adulta delas, fazendo com que  a acompanhe os acontecimentos que conectam a duas moças de maneiras bem complexas.

Uma das coisas que me chamou atenção na série, além do enredo bem construído, é que ela conta a história de uma família pobre coreana. Os dois primeiros episódios são todos falando dessa família pobre  e, como o pouco que vemos sobre a Coréia do Sul aqui no Brasil tem a ver com tecnologia e coisas bem modernas, ver um pouco da “vida real” na Coréia foi muito interessante para desconstruir esteriótipos.

A série demora um pouco pra engatar, o primeiro episódio é todo contanto a infância dessas mulheres, com direito a tia fazendo pape de madrasta má e tudo. Demorou um pouco pra que eu entendesse sobre o que a série falava e isso é bem complicado quando se trata de uma produção com episódios de 1h. Mas fui insistente e acabei descobrindo uma série bem divertida.

Com um toque fashionista, Love in her bag tem como cenário a industria da moda, sendo ambientada uma marca de bolsas de luxo. Mais uma vez vemos um traço bem coreano de transmissão de um ofício de geração em geração de uma família. A série mostra isso com muita intensidade, todos os jovens tem alguma relação familiar com a industria das bolsas, como se o talento e interesse pelo assunto fosse transmitido via DNA. É bem diferente daquilo que vemos de filhos seguindo o negócio dos pais apenas por conveniência. Tem muita paixão e respeito pela tradição familiar.

As séries coreanas são bem tranquilas, sem cenas de violência (as cenas de tapa na cara chegam a ser ridículas de tão artificiais) ou sexo ( os canais apaixonados nem se beijam na boca, pra vocês terem uma ideia), então são bem legais pra assistir com os mais novos. Os temas não são infantis, mas são séries que falam muito sobre valores como respeito ao outro e aos mais velhos. Sabe uma série sem maldade? Então, essa série é mais leve que muito desenho infantil por aí. Assisti alguns episódios com Isha Bentia e eu ia lendo a legenda pra ela. Ela adorava. E ainda ficou interessada em conhecer as letras coreanas e em saber onde fica a Coréia do Sul no mapa.

A inocência dos relacionamentos amorosos é encantadora. Os coreanos parecem ser muito respeitadores e o flerte é demonstrado nas séries de modo reservado e contido. Não que essa formalidade toda seja o melhor dos mundos, mas é muito interessante ver outras possibilidades de demonstrar afeto sem essa hipersexualização da produções ocidentais.

As aberturas das séries coreanas são espetaculares. E longas também. 1 minuto só de abertura. Pelo menos a Netflix pula essa parte quando estamos vendo em sequência.  Muitas cores e um toque divertido, parece até que vai começar um desenho animado ou série infantil.

Melhor da série: A série é dramática  e divertida na medida certa. A mocinha é tão Poliana que às vezes irrita. Mas ao mesmo mesmo tempo, coisas boas sempre acontecem ela  nos mostra a leveza e a grandeza de ver o lado bom da vida.


E vocês? Acompanham séries coreanas na Netfix? Conta pra gente!

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